quinta-feira, 10 de março de 2016

Autor: José Angelo Rebelo

Publicação:  O trabalho compõe a parte I – Recomendações gerais para produção sustentável de hortaliças -  do Boletim Didático nº 107  “Produção de hortaliças em Santa Catarina”, publicado pela Epagri. Interessados em adquirir a publicação completa e ilustrada com 156 páginas, devem entrar em contato através do site: www.epagri.sc.gov.br

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     As doenças podem ser causadas por microrganismos patogênicos e por má condição de cultivo e nutrientes, solo, temperatura e umidade inadequados para a planta. As más condições ambientais para as plantas, além de  favorecer as doenças, ainda incitam os microrganismos patogênicos à infectá-las.
     A existência de qualquer doença causada por microrganismo patogênico, ou não, depende, principalmente, de três condições:
- Se o microrganismo patogênico ou o agente da doença é capaz de infectar a planta;
- Se a planta é  susceptível à doença;
- Se as condições de cultivo são desfavoráveis às plantas.
     Com base nesta terceira condição, pode-se dizer que a incidência de doença é indicadora de mau manejo do cultivo.

O que fazer para impedir ou reduzir o prejuízo por doenças?
- Usar cultivares resistentes, quando houver;
- Evitar áreas onde a doença ocorre normalmente.
     Para que a incidência da doença não seja corriqueira, a exploração da planta mais suscetível deve ser alternada por cultivos de plantas resistentes ou imunes à doença incidente.
     As condições de cultivo se tornam mais favoráveis às plantas quando, entre outros cuidados, nas seguintes situações:
-  Houver escolha correta da área, ou seja, bem ventilada e onde o sol incida sobre as plantas durante todo o dia, evitando-se locais sujeitos à neblinas;
 - O solo é apropriado (sem muito barro ou sem muita areia, areno-argiloso, enxuto, fértil e bem ventilado por dentro) e preparado adequadamente; o uso de máquinas pesadas e, especialmente o emprego excessivo de rotativa, deve ser evitado, pois além de provocar a erosão, especialmente nos terrenos declivosos, favorece a compactação do solo, deixando-o  sem  ventilação;
- Ao utilizar adubação orgânica, de preferência composto orgânico. Os estercos de animais devem ser curtidos e na quantidade recomendada pela análise do solo;
- A adubação das plantas (química ou orgânica) e correção do solo é feita de  forma equilibrada e baseada na análise do solo (química e física). Ao ser utilizada a adubação orgânica, deve ser feita análise do adubo orgânico empregado;   
- A fertilidade do solo  for mantida com matéria orgânica, uso de  adubo verde e plantas recicladoras de nutrientes que protegem o solo contra a sua degradação por chuvas e sol diretos:;
- O plantio de mudas de boa qualidade for feito na época recomendada e, sempre que possível, oriundas de cultivares resistentes às pragas e doenças;
- For utilizado o espaçamento entre as filas e plantas, condução e os tratos culturais mais indicados para cada espécie;
- A irrigação, quando necessária, for  feita de forma adequada (sistema, época e quantidade correta) utilizando-se água de boa qualidade;
- A  prática da rotação de culturas for adotada para todas as espécies cultivadas;
- A lavoura tenha sido periodicamente visitada durante o ciclo da cultura para retirar as plantas doentes, bem como os restos culturais da lavoura anterior que podem ser compostados;
- Agrotóxicos ou outros produtos alternativos tenham sido utilizados somente quando for necessário e, de acordo com a recomendação de um técnico da área;

Como se viu, a saúde das plantas não depende de agrotóxicos e outros produtos alternativos, mas, entre outras coisas, de:
- Bons tratos culturais;
- Boa nutrição;
- Adequado ambiente de cultivo.
     A boa nutrição é dependente do grau de acidez do solo, que deve estar de acordo com o que a planta exige, para que ela possa aproveitar bem a adubação. Por exemplo: o cálcio e o magnésio estão ligados com a absorção do potássio e este é um grande protetor contra doenças causadas por microrganismos patogênicos, assim como o cálcio. O enxofre está ligado com a absorção do nitrogênio; o boro com a absorção do cálcio e potássio, o zinco com a absorção do fósforo.

Causas e efeitos
     Para qualquer efeito ou consequência há uma causa. Se algo acontece é porque alguém ou alguma coisa fez acontecer. Como exemplo, pode-se lembrar da dor de cabeça. A dor de cabeça pode ser causada por um mal de estômago, por fome, etc. Como se vê, a dor de cabeça é uma consequência ou o efeito de algo que está por trás deste incômodo. Para sarar de vez é preciso tratar a causa. Se for fome, deve-se alimentar; se for mal do estômago, deve-se tratá-lo. Tomar remédio para a dor de cabeça só traz sensação de alívio momentâneo, mas não  cura, pois não se ataca a causa. Com a doença de planta também é assim. A doença é o efeito ou a consequência de uma causa. Enquanto não se descobre a causa da doença, só se gasta dinheiro à toa ao tentar curar a planta.

Veja o seguinte exemplo: uma planta fica murcha. Algo causou a murcha, logo, a murcha é o efeito de uma causa. A murcha pode ocorrer por uma bactéria de solo, por diferentes fungos de solo, por nematoides de solo, por calor excessivo, por inseto que machucou o caule, por brocas, por muita umidade e calor, por dano causado por enxadas, por herbicidas, por falta de água, por excesso de sal no solo oriundo de exagerada adubação, etc. Enquanto não se descobre a causa e trata-se somente o efeito, gasta-se muito dinheiro inutilmente e o efeito da causa desconhecida, acaba se repetindo. A murcha é apenas um sintoma. Não se trata sintomas. Muitas doenças apresentam o mesmo sintoma. Para fazer a coisa certa,  deve-se responder duas perguntas importantes:
- Qual é a doença?
- Por que ela está ocorrendo?
     Descoberta a causa da ocorrência pode-se tomar cuidados para que a doença não se repita ou cause pouco ou nenhum prejuízo.
     Em uma olericultura sustentável, tratam-se as causas para que os resultados sejam os mais duradouros e equilibrados possíveis.

Aplicação de agrotóxicos
     Por ser difícil, ou até impossível oferecer todas as boas condições para que as plantas não adoeçam, às vezes precisamos de agrotóxicos, que podem ser desde uma calda bordalesa, calda sulfocálcica e caldas de produtos diversos para curá-las ou para ajudar na prevenção do mal.
     Além de todos os cuidados no manuseio de agrotóxicos, alguns itens merecem atenção especial:
- certifique-se da necessidade do uso de agrotóxico e se o produto é apropriado ao que deseja fazer e se é permitido pelo ministério da agricultura (Vide Agrofit: http://extranet.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons);
- não faça mistura de produtos sem saber se é permitido ou recomendável;
- antes de preparar a calda, os produtos em pó devem ser transformados em pasta e depois dissolvê-la no volume de água recomendado;
- prepare somente a quantidade necessária para aplicar no mesmo dia;
- respeite as doses recomendadas;
- aplique os produtos somente quando as condições climáticas forem adequadas, sem vento, sem orvalho e quando as temperaturas estiverem mais baixas;
- mantenha a calda sempre agitada durante a aplicação;
- em culturas que dependem de polinização por insetos, a aplicação de agrotóxicos deve ser feita fora de período de maior atuação dos polinizadores;
- cobrir bem a planta com a calda. Para isto observe o tamanho das gotas que é resultado da pressão e pelo diâmetro do bico do pulverizador;
- quando preciso, use espalhante adesivo e na dose certa;
- respeite o período de carência dos produtos. Período de carência é o tempo que se tem de esperar para colher depois que se aplicou um agrotóxico. É muito importante na produção de alimentos respeitar o período de carência do produto aplicado, especialmente quando se trata de hortaliças, pois várias delas são consumidas  ainda cruas e por crianças e convalescentes.
- só  adquira produtos com receituário agronômico.

Lembrete 1
- as plantas adoecem em solos mal tratados, ruins e sem fertilidade;
- não é boa a saúde das pessoas que se alimentam de plantas destes solos;
- a fertilidade de nosso solo de amanhã depende do que  se faz com ele hoje;
- da fertilidade do solo depende a qualidade dos alimentos que se produz;
- a saúde e a qualidade de nossa vida dependem da qualidade dos alimentos que elas consumem;
- cerca de 80% de todos os cânceres estão relacionados com  nossa alimentação.

Lembrete 2
- os abrigos de cultivo são ferramentas indispensáveis, quando corretamente manejados, no controle de doenças das hortaliças.

Algumas doenças, como evitá-las ou como torná-las menos prejudiciais

Podridões    

Alface
     As podridões em alface podem ocorrer, secundariamente, por falta de cálcio. Falta de cálcio pode ocorrer por acidez alta, por falta de água, por calor (evapotranspiração), por excesso de umidade no solo e por desequilíbrio entre os nutrientes, como excesso de potássio e de magnésio.
      A falta de potássio na planta favorece o fungo (Sclerotinia sclerotiorum) causador de podridão. A falta de potássio ocorre em solos com muito nitrogênio, fósforo, cálcio e  magnésio. O fungo ainda é favorecido pela falta de rotação de culturas e em plantios ricos em nitrogênio, em solos muito úmidos, em canteiros mal ventilados, durante épocas mais frias. O fungo pode permanecer por muito tempo no solo, principalmente naqueles pobres de matéria orgânica.

Brócolis, repolho e couve-flor (coração oco)
      As podridões nessas plantas podem ser causadas por falta de boro. A falta de boro ocorre em solo com pH acima de 6,5 e em solos arenosos e em época de seca. O excesso de potássio no solo dificulta a assimilação do boro pelas plantas.
     A falta de boro leva à morte a medula (miolo) do caule por onde entram bactérias causadoras de podridões. Não se deixam restos culturais de brócolis repolho ou couve-flor na lavoura, para que a bactéria da podridão não sobreviva na área de plantio. Ao colher a parte comercial dessas plantas, não se deve deixar o resto do caule na lavoura.

Salsa
     A salsa, quando plantada em épocas quentes, fica muito sujeita a podridões. Essas podridões são oportunizadas pela dificuldade que a planta tem de se nutrir adequadamente em condição de calor e de irrigação desfavoráveis. Em épocas quentes deve-se preferir locais de plantios mais frescos, pouco ensolarados após o meio-dia e usar sombras para atenuar o calor sobre as plantas.
     Os fungos que se aproveitam de condições inadequadas para a salsa são Rhizoctonia solani, Pythium spp., Fusarium spp. e Sclerotinia sclerotiorum. A falta de rotação de culturas com plantas não suscetíveis é um fator muito favorável a podridões da salsa, principalmente em solos e ambientes impróprios ao cultivo. A salsa requer nitrogênio, mas o excesso desse nutriente causa deficiência de potássio, deixando as plantas suscetíveis a doenças.

Vermelhão

Beterraba
      A beterraba produz pigmentos vermelhos, um chamado de antocianina, muito favorável à saúde humana, e outro conheconhecido como betalaína. Sob condição desfavorável de cultivo, como calor, falta de água e boro, a planta se desequilibra e produz excessivamente o pigmento antocianina (Figura 1), o que a prejudica. A falta de boro ocorre em solos pobres em matéria orgânica e em solos com pH maior que 6,5.

FIGURA 1. Produção de antocianina, à direita, por mudas de beterraba, desnutridas.



Viroses

     Viroses, como a que ocorre em pepineiros também afetam a beterraba. A proximidade destes dois cultivos não é recomendável. A beterraba também é muito exigente em potássio, que a protege de doenças.

Seca de baraço

Batata-doce
     Há um fungo, Plenodomus destruens que, em condições de cultivo desfavorável, pode apodrecer plantas de batata-doce. As condições mais desfavoráveis para esta planta são cultivo em solo pesados, duro, sombreado e que acumula água da chuva entre as filas de plantio. A adubação deve prever a aplicação de matéria orgânica e de acordo com a análise do solo. A batata-doce é exigente em potássio que a protege de doenças. Para ajudar no controle destas doenças, além das medidas acima, evita-se colher baraços de lavouras que apresentaram a doença. Antes do plantio, os baraços devem murchar por um a dois dias de modo a cicatrizar a ferida do corte. Além desses cuidados, é importante que se faça a rotação de culturas  na área utilizada.

Murchadeira 

Batata, tomate, pimentão, pimenta e muitas outras hortaliças
     A doença conhecida por murchadeira é causada por uma bactéria que habita o solo, onde pode viver muitos anos, mesmo que não tenha plantas para infectar. No entanto, se houver plantas e boas condições ambientais para este agente ele pode ser um problema sério para a agricultura. Assim, é preciso manter baixa a infestação e não dar condições para que infecte as plantas. Essa bactéria prefere solo úmido, com pouca matéria orgânica e pH alto (onde se colocou calcário demais). Não se deve plantar em locais infestado e onde a doença incide corriqueiramente.
     Cuidados: drenar o solo; aplicar matéria orgânica e calcário conforme análise de solo; fazer rotação de cultura com milho, aveia, leguminosas de inverno, por pelo menos três anos nas áreas onde a doença ocorreu. Cuidar para que no meio desses cultivos em rotação não cresçam plantas suscetíveis a essa bactéria.
     A solarização do solo, principalmente em abrigos de cultivo, é capaz de reduzir a pressão desse patógeno, de nematoides e fusário sobre as plantas a eles suscetíveis.








Ferreira On 3/10/2016 10:30:00 AM Comentarios LEIA MAIS

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Autores: Júlio César Mello, Pedro Paulo Fantini e Altamiro Morais Matos Filho

Publicação:  O trabalho compõe a parte I – Recomendações gerais para produção sustentável de hortaliças -  do Boletim Didático nº 107  “Produção de hortaliças em Santa Catarina”, publicado pela Epagri. Interessados em adquirir a publicação completa e ilustrada com 156 páginas, devem  entrar em contato através  do site: www.epagri.sc.gov.br

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Importância

     A obtenção de mudas de alta qualidade é fator determinante no sucesso da produção. Problemas que ocorrem na fase de produção de mudas serão evidenciados na planta adulta, quando dificilmente poderão ser corrigidos.
     O processo de produção de mudas que confere maior qualidade é o sistema de cultivo protegido, uma tecnologia que pode tornar o ambiente mais favorável para a parte aérea e as raízes das plantas.

Sementes e suas qualidades


Genética
     É o que define para cada espécie de planta detalhes como a forma, cor, sabor, adaptação ao clima, resistência a doenças, capacidade de produção, etc. As características de cada espécie, variedade ou híbrido são influenciadas pelo ambiente onde a planta se desenvolve.
     Na escolha da semente, deve-se considerar a capacidade de adaptação da planta às condições de cultivo, como tipo de solo, adubação, clima e época de plantio, além das exigências do mercado consumidor.

Fisiológica
     Nas sementes vivas existe uma atividade metabólica  responsável pela respiração e circulação de nutrientes. A capacidade da semente germinar e ter vigor depende das condições de armazenamento quanto à temperatura, umidade, luminosidade e concentração de oxigênio e gás carbônico.

Germinação
     É o valor expresso em porcentagem que indica a quantidade de sementes que podem germinar sob boas condições de semeadura. As temperaturas exigidas por diversas hortaliças são apresentadas na tabela 1.

 

 TABELA 1 - Exigência de temperatura do substrato para germinação de diversas   

                    hortaliças.

Cultura
Temperatura (ºC)
Mínima
Máxima
Ótima
Variação Ótima
Abóbora/Abobrinha
16
38
35
21 a 35
Acelga
4
35
29
10 a 29
Aipo ou Salsão
4
29
21
16 a 27
Alface
2
29
24
4 a 27
Aspargo
10
35
24
16 a 29
Berinjela
16
35
29
24 a 32
Beterraba
4
35
29
10 a 29
Cebola
2
35
24
10 a 35
Cebolinha
2
35
24
10 a 35
Cenoura
4
35
27
7 a 29
Coentro
4
32
24 a 29
10 a 29
Couve-flor
4
38
27
7 a 29
Ervilha
4
29
24
4 a 24
Espinafre verdadeiro
2
29
21
7 a 24
Feijão-de-vagem
16
35
27
16 a 29
Melancia
16
41
35
21 a 35
Melão
16
38
32
21 a 35
Milho
10
41
35
16 a 35
Moranga
16
38
32
21 a 32
Nabo
4
41
29
16 a 41
Pepino
16
41
35
16 a 35
Pimenta
16
35
29
18 a 35
Pimentão
16
35
29
18 a 35
Quiabo
16
41
35
21 a 35
Rabanete
4
35
29
7 a 32
Rábano
4
38
27
7 a 29
Repolho
4
38
29
7 a 35
Salsa
4
32
24
10 a 29
Tomate
10
35
29
16  a  29
Fonte:  Isla Sementes, 2012       
 
Vigor
     É a capacidade que a semente tem de, após germinar, formar mudas fortes a partir das reservas nutritivas armazenadas na semente.
           
Pureza
     É a porcentagem que indica a quantidade de outras espécies misturadas às sementes de outras espécies ou variedades.
           
Validade
     É a data até a qual as sementes bem armazenadas mantêm o poder de germinação.
           
Sanidade
     As sementes podem carregar algumas bactérias, fungos e vírus patogênicos. A maioria das sementes comercializadas vem tratada com produtos químicos para controle desses microorganismos, o que não garante a sua sanidade. A maneira mais garantida de ter sementes isentas de patógenos e ainda melhorar a uniformidade de germinação é fazer o tratamento hidrotérmico, que consiste no uso de água quente para eliminar microrganismos maléficos (patogênicos) das sementes. O procedimento deve ser realizado em sementes novas, secas,  vigorosas, intactas, não peletizadas, não peliculizadas e com bom poder germinativo.

Tipos de sementes comercializadas

Semente nua
     É a semente que passou apenas por um processo de limpeza e secagem, podendo receber tratamento hidrotérmico ou com fungicidas e inseticidas.

Semente peletizada
     É a que, além dos tratamentos anteriores, é envolvida por uma camada de material inerte que aumenta e uniformiza o seu volume. Isso facilita o manuseio e permite o uso de máquinas de semeadura, além de manter uma camada úmida em contato entre a semente e o substrato em que ela for semeada, melhorando as condições de germinação.

Semente peliculizada
     É a que recebe, junto com fungicidas e inseticidas, uma espécie de goma que permite a aderência destes produtos à semente, evitando que se solte e ofereça riscos de contaminação ou que perca a eficiência.     

Cuidados na compra de sementes

- Observe se está armazenada em ambiente adequado;
- Evite comprar semente a granel;
- Observe as indicações de qualidade e data de validade no rótulo;
- Escolha o cultivar que mais se adapte às condições de sua região e que tenha boa aceitação no mercado alvo.
    
Tratamento hidrotérmico de sementes de hortaliças


     É o uso de água quente para eliminar microorganismos maléficos(patogênicos) das sementes. Para fazer o tratamento hidrotérmico as sementes devem ser novas, secas, vigorosas, intactas, não peletizadas, não peliculizadas e com bom poder germinativo.

Material necessário:
-         Garrafa térmica;
-         Peso (pedrinha ou parafuso);
                                    -         Termômetro graduado até 100 ºC;
-         Pano poroso (tipo tule);
-         Água quente;
-         Álcool.


Passos do tratamento:
-   Colocar as sementes, com o peso, em um pano poroso, que possa passar na boca
    da garrafa térmica;
-   Aquecer água até 60 ºC;
-   Colocar água na garrafa térmica até ¾ do seu volume;
-   Com o termômetro, acompanhar a diminuição da temperatura da água até 1,0 ºC acima da temperatura recomendada para a semente a ser tratada (tabela 2);

-   Mergulhar rapidamente a semente em álcool;
-   Colocar a semente dentro da garrafa térmica e fechá-la;
-   Aguardar o tempo recomendado para o tipo de semente a ser tratada;
-   Durante este tempo, movimentar a garrafa gentilmente de vez em quando;

-   Passado o tempo, tirar a semente e esfriar em água na temperatura ambiente;
-  Espalhar as sementes sobre jornal, à sombra, para enxugá-las;
-  Semear após o enxugamento;
-  As sementes tratadas a quente não podem ser armazenadas.

 TABELA 2 – Temperatura e tempo de tratamento hidrotérmico para as espécies.
Espécies
Temperatura da água (ºC)

Tempo

(minutos)
Alface
45
30
Brócolis
50
20
Cenoura
50
20
Couve-de-bruxelas
50
25
Couve-flor
50
20
Espinafre
50
25
Mostarda
50
15
Nabo
50
20
Pepino
50
20
Pimentão
50
25
Rabanete
50
15
Rábano
50
20
Repolho
50
25
Salsão
45
30
Tomate
50
25
Fonte: Soave & Wetzel, 1987






Como produzir mudas com qualidade


Semeadura
     As sementes devem ser de boa qualidade. É colocada apenas uma semente por recipiente para evitar o desbaste. São cobertas com substrato sem torrões a uma profundidade igual a três vezes o seu maior diâmetro. Semeia-se 10% a mais da necessidade de mudas para repor suas eventuais perdas. Na tabela 3 são apresentados as quantidades de sementes por grama e por área cultivada.

 TABELA 3 – Quantidades de sementes por grama e por área cultivada.

Cultura
Nº de Sementes (grama)
Espaçamento
entre plantas
(metros)
Quantidade de sementes
(kg/ha)
Quantidade de plantas/ha
Abóbora menina
6 a 7
3,0 x 3,0
0,6
1.120
Abóbora seca moranga
7 a 6
5,0 x 5,0
0,2
400
Abóbora tetsukabuto
12 a 13
3,0 x 2,0
0,4
1.670
Abobrinha caserta
6 a 7
1,2 a 0,6
6,0
13.890
Agrião
3.500 a 4.000
0,2 x 0,2
0,15
171.000
Alface americana
800 a 900
0,35 x 0,35
0,2
55.850
Alface crespa
900 a 1000
0,30 x 0,25
0,3
91.200
Almeirão
900 a 950
0,2 a 0,1
1,5
342.000
Aspargo
23 a 25
1,5 x 0,5
1,5
13.340
Berinjela
200 a 230
1,5 a 0,8
0,15
8.350
Beterraba
55 a 56
0,2 a 0,1
11
342.000
Brócolis
26 a 270
1,0 a 0,5
0,17
20.000
Cebola
330 a 350
0,3 a 0,1
1,5
228.000
Cebolinha
470 a 480
0,4 x 0,08
1,5
213.750
Cenoura
330 a 350
0,2 x 0,07
2,5
488.580
Chicória
800 a 900
0,3 x 0,35
0,3
65.140
Coentro
80 a 950
0,35 x 0,05
3
648.000
Couve
280 a 300
1,0 x 0,5
0,2
20.000
Couve-de-bruxelas
280 a 300
0,8 x 0,5
0,25
25.000
Couve-chinesa
290 a 310
0,7 x 0,3
0,4
47.620
Couve-flor
300 a 320
0,9 x 0,5
0,16
22.230
Ervilha torta
3 a 5
1,0 x 0,6
12
16.670
Espinafre
95 a 110
0,2 x 0,07
13
488.580
Feijão-de-vagem
2 a 3
1,0 x 0,6
25
16.670
Melancia
13
2,5 x 2,0
0,55
2.000
Melão
20 a 30
2,0 x 1,0
0,9
5.000
Mostarda
600 a 630
0,45 x 0,3
1,0
50.670
Nabo
52 a 53
0,3 x 0,15
17
152.000
Pepino
30 a 40
1,0 x 0,6
1,75
16.670


Recipientes
     Os recipientes podem ser sacos de papel, sacos plásticos, copos descartáveis, tubetes de plástico e bandejas de isopor.
     As bandejas de isopor (Figura 1) são práticas e dão ótimos resultados desde que utilizadas com a tecnologia recomendada. Elas devem ficar suspensas a pelo menos 60cm do solo, em abrigos.
     O substrato e a irrigação para uso nas bandejas são especiais.





                                 

    FIGURA 1 – Bandejas de isopor para produção de  mudas



Substrato
      É um componente de grande importância na produção de mudas. Em substratos inadequados, as sementes não germinam, as plantas se desenvolvem irregularmente, podendo aparecer sintomas de deficiência ou excesso de algum nutriente e doenças.

Os substratos para uso em bandejas precisam ter características próprias

Físicas
     Ser leve e poroso, com capacidade de reter grande quantidade de água e ar. Formar torrão sem aderir nas bandejas.

Químicas
     Conter todos os nutrientes necessários para o período de formação da muda, de forma equilibrada, com pH 6,0  e baixa salinidade (condutividade elétrica – EC).

Sanidade
     Estar isento de sementes viáveis de plantas invasoras e organismos que possam causar doenças nas plantas.

Homogeneidade
     Ser homogêneo para não ocasionar diferenças de desenvolvimento entre plantas ou bandejas.
     Existem no mercado diversas empresas que comercializam substratos prontos em sacos de 25 quilos. A elaboração de um substrato na propriedade precisa contemplar todas as características desejadas e ser justificada pela disponibilidade de materiais a baixo custo, visto que demanda mão de obra e tempo para executar a solarização. Um método de desinfecção de organismos patogênicos e eliminação de sementes de invasoras pode encarecer o substrato.

Abrigos de produção de mudas
     São ambientes parcialmente protetores (Figura 2) contra condições adversas ao desenvolvimento das mudas como ventos, chuvas fortes, insolação em excesso, frio, insetos e doenças.



  
FIGURA 2abrigo de produção de mudas


     Os abrigos são estruturas cobertas com filme plástico aditivado contra raios ultravioleta e com telas anti-insetos nas laterais. Nas épocas mais quentes é necessário o uso de telas de sombreamento sobre o teto para diminuir a insolação (setembro – março). No entanto, em dias nublados ou chuvosos, deve-se fazer o manejo do sombrite, recolhendo-o.
     É imprescindível o uso de um termo-higrômetro para o monitoramento da temperatura e umidade relativa do ar. O tamanho do abrigo deve ser planejado em função da quantidade de mudas a ser produzida ao mesmo tempo na propriedade, e do número de células das bandejas (128 e 200), conforme a espécie cultivada. Considera-se, na média, o período de permanência das mudas no abrigo de cerca de 21 - 35 dias no verão e 35 - 45 dias no inverno.
     A área útil ocupada por cada bandeja é de 0,25 m². É recomendável que a relação entre o volume interno do abrigo e a sua área seja de 3m³ para cada 1m², o que proporciona maior possibilidade de manejo de temperatura e umidade relativa, com maior conforto para o trabalho.

Irrigação
     A distribuição de água deve ser uniforme para que cada célula receba a mesma quantidade. Isto pode ser feito manualmente com regador de crivo fino ou com microaspersores.

     A quantidade de água ideal é a que permite umedecer o substrato sem gotejar abaixo das células para não lixiviar os nutrientes.
     A frequência das irrigações depende da temperatura e umidade relativa do ar, variando de uma vez no inverno e até cinco vezes no verão. Entre uma irrigação e outra a superfície do substrato precisa estar enxuta. Durante a noite o substrato e a parte aérea das mudas tem que permanecer enxutos.
     A água para irrigação deve ser potável podendo ser obtida da rede pública de abastecimento do subsolo (poços) e nascentes. No momento da aplicação, a  temperatura da água de irrigação deve ser semelhante à do ambiente onde estão as mudas.
     Os equipamentos usados nas irrigações podem ser desde um regador com crivo fino, mangueira de jardim com difusor, microaspersores tipo “fogger”, sprinkler, bailarina, etc.

Adubação
     Quando o substrato e o manejo da irrigação forem adequados, no período normal de produção das mudas, não haverá necessidade de adubações de cobertura. Caso ocorram deficiências, podem ser corrigidas com adubações de cobertura. Evite o excesso de adubos solúveis que pode provocar o desequilíbrio nutricional, salinização do substrato e queima de plantas.
     Adubação de cobertura pode ser feita com a mistura dos seguintes ingredientes:
- 6 partes de torta de mamona;
- 3 partes de farinha de osso;
- 1 parte de cinza de madeira (não de churrasqueira, pois tem sal).
     Misturar e peneirar. Conservar em local seco.
     Aplicar, quando necessário, cerca de 20g da mistura por bandeja de 128 células, sobre as plantas enxutas. Em seguida irrigar para deposição da mistura no substrato. Poderá ser feita semanalmente.
     Antes da sua utilização, essa mistura deve ser bem agitada.



 Transplante
     Um dia antes do transplante diminua a irrigação até que as mudas apresentem uma leve murcha. No momento anterior ao transplante faça uma boa irrigação nas bandejas para facilitar a retirada da muda com o torrão inteiro e permita que a muda recupere a turgidez após o transplante. Enterre apenas o torrão (Figura 3), não permitindo o contato de terra com a gema de crescimento da muda ou com  caule. Somente as mudas que emitam raízes adventícias, como a de tomateiro, podem ter o caule enterrado. Faça uma irrigação no local do plantio definitivo logo que terminar a operação de plantio.






FIGURA 3. Profundidade de plantio de mudas de hortaliças


 

 















Ferreira On 2/10/2016 10:05:00 AM Comentarios LEIA MAIS

quinta-feira, 10 de março de 2016

A saúde das plantas

Autor: José Angelo Rebelo

Publicação:  O trabalho compõe a parte I – Recomendações gerais para produção sustentável de hortaliças -  do Boletim Didático nº 107  “Produção de hortaliças em Santa Catarina”, publicado pela Epagri. Interessados em adquirir a publicação completa e ilustrada com 156 páginas, devem entrar em contato através do site: www.epagri.sc.gov.br

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     As doenças podem ser causadas por microrganismos patogênicos e por má condição de cultivo e nutrientes, solo, temperatura e umidade inadequados para a planta. As más condições ambientais para as plantas, além de  favorecer as doenças, ainda incitam os microrganismos patogênicos à infectá-las.
     A existência de qualquer doença causada por microrganismo patogênico, ou não, depende, principalmente, de três condições:
- Se o microrganismo patogênico ou o agente da doença é capaz de infectar a planta;
- Se a planta é  susceptível à doença;
- Se as condições de cultivo são desfavoráveis às plantas.
     Com base nesta terceira condição, pode-se dizer que a incidência de doença é indicadora de mau manejo do cultivo.

O que fazer para impedir ou reduzir o prejuízo por doenças?
- Usar cultivares resistentes, quando houver;
- Evitar áreas onde a doença ocorre normalmente.
     Para que a incidência da doença não seja corriqueira, a exploração da planta mais suscetível deve ser alternada por cultivos de plantas resistentes ou imunes à doença incidente.
     As condições de cultivo se tornam mais favoráveis às plantas quando, entre outros cuidados, nas seguintes situações:
-  Houver escolha correta da área, ou seja, bem ventilada e onde o sol incida sobre as plantas durante todo o dia, evitando-se locais sujeitos à neblinas;
 - O solo é apropriado (sem muito barro ou sem muita areia, areno-argiloso, enxuto, fértil e bem ventilado por dentro) e preparado adequadamente; o uso de máquinas pesadas e, especialmente o emprego excessivo de rotativa, deve ser evitado, pois além de provocar a erosão, especialmente nos terrenos declivosos, favorece a compactação do solo, deixando-o  sem  ventilação;
- Ao utilizar adubação orgânica, de preferência composto orgânico. Os estercos de animais devem ser curtidos e na quantidade recomendada pela análise do solo;
- A adubação das plantas (química ou orgânica) e correção do solo é feita de  forma equilibrada e baseada na análise do solo (química e física). Ao ser utilizada a adubação orgânica, deve ser feita análise do adubo orgânico empregado;   
- A fertilidade do solo  for mantida com matéria orgânica, uso de  adubo verde e plantas recicladoras de nutrientes que protegem o solo contra a sua degradação por chuvas e sol diretos:;
- O plantio de mudas de boa qualidade for feito na época recomendada e, sempre que possível, oriundas de cultivares resistentes às pragas e doenças;
- For utilizado o espaçamento entre as filas e plantas, condução e os tratos culturais mais indicados para cada espécie;
- A irrigação, quando necessária, for  feita de forma adequada (sistema, época e quantidade correta) utilizando-se água de boa qualidade;
- A  prática da rotação de culturas for adotada para todas as espécies cultivadas;
- A lavoura tenha sido periodicamente visitada durante o ciclo da cultura para retirar as plantas doentes, bem como os restos culturais da lavoura anterior que podem ser compostados;
- Agrotóxicos ou outros produtos alternativos tenham sido utilizados somente quando for necessário e, de acordo com a recomendação de um técnico da área;

Como se viu, a saúde das plantas não depende de agrotóxicos e outros produtos alternativos, mas, entre outras coisas, de:
- Bons tratos culturais;
- Boa nutrição;
- Adequado ambiente de cultivo.
     A boa nutrição é dependente do grau de acidez do solo, que deve estar de acordo com o que a planta exige, para que ela possa aproveitar bem a adubação. Por exemplo: o cálcio e o magnésio estão ligados com a absorção do potássio e este é um grande protetor contra doenças causadas por microrganismos patogênicos, assim como o cálcio. O enxofre está ligado com a absorção do nitrogênio; o boro com a absorção do cálcio e potássio, o zinco com a absorção do fósforo.

Causas e efeitos
     Para qualquer efeito ou consequência há uma causa. Se algo acontece é porque alguém ou alguma coisa fez acontecer. Como exemplo, pode-se lembrar da dor de cabeça. A dor de cabeça pode ser causada por um mal de estômago, por fome, etc. Como se vê, a dor de cabeça é uma consequência ou o efeito de algo que está por trás deste incômodo. Para sarar de vez é preciso tratar a causa. Se for fome, deve-se alimentar; se for mal do estômago, deve-se tratá-lo. Tomar remédio para a dor de cabeça só traz sensação de alívio momentâneo, mas não  cura, pois não se ataca a causa. Com a doença de planta também é assim. A doença é o efeito ou a consequência de uma causa. Enquanto não se descobre a causa da doença, só se gasta dinheiro à toa ao tentar curar a planta.

Veja o seguinte exemplo: uma planta fica murcha. Algo causou a murcha, logo, a murcha é o efeito de uma causa. A murcha pode ocorrer por uma bactéria de solo, por diferentes fungos de solo, por nematoides de solo, por calor excessivo, por inseto que machucou o caule, por brocas, por muita umidade e calor, por dano causado por enxadas, por herbicidas, por falta de água, por excesso de sal no solo oriundo de exagerada adubação, etc. Enquanto não se descobre a causa e trata-se somente o efeito, gasta-se muito dinheiro inutilmente e o efeito da causa desconhecida, acaba se repetindo. A murcha é apenas um sintoma. Não se trata sintomas. Muitas doenças apresentam o mesmo sintoma. Para fazer a coisa certa,  deve-se responder duas perguntas importantes:
- Qual é a doença?
- Por que ela está ocorrendo?
     Descoberta a causa da ocorrência pode-se tomar cuidados para que a doença não se repita ou cause pouco ou nenhum prejuízo.
     Em uma olericultura sustentável, tratam-se as causas para que os resultados sejam os mais duradouros e equilibrados possíveis.

Aplicação de agrotóxicos
     Por ser difícil, ou até impossível oferecer todas as boas condições para que as plantas não adoeçam, às vezes precisamos de agrotóxicos, que podem ser desde uma calda bordalesa, calda sulfocálcica e caldas de produtos diversos para curá-las ou para ajudar na prevenção do mal.
     Além de todos os cuidados no manuseio de agrotóxicos, alguns itens merecem atenção especial:
- certifique-se da necessidade do uso de agrotóxico e se o produto é apropriado ao que deseja fazer e se é permitido pelo ministério da agricultura (Vide Agrofit: http://extranet.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons);
- não faça mistura de produtos sem saber se é permitido ou recomendável;
- antes de preparar a calda, os produtos em pó devem ser transformados em pasta e depois dissolvê-la no volume de água recomendado;
- prepare somente a quantidade necessária para aplicar no mesmo dia;
- respeite as doses recomendadas;
- aplique os produtos somente quando as condições climáticas forem adequadas, sem vento, sem orvalho e quando as temperaturas estiverem mais baixas;
- mantenha a calda sempre agitada durante a aplicação;
- em culturas que dependem de polinização por insetos, a aplicação de agrotóxicos deve ser feita fora de período de maior atuação dos polinizadores;
- cobrir bem a planta com a calda. Para isto observe o tamanho das gotas que é resultado da pressão e pelo diâmetro do bico do pulverizador;
- quando preciso, use espalhante adesivo e na dose certa;
- respeite o período de carência dos produtos. Período de carência é o tempo que se tem de esperar para colher depois que se aplicou um agrotóxico. É muito importante na produção de alimentos respeitar o período de carência do produto aplicado, especialmente quando se trata de hortaliças, pois várias delas são consumidas  ainda cruas e por crianças e convalescentes.
- só  adquira produtos com receituário agronômico.

Lembrete 1
- as plantas adoecem em solos mal tratados, ruins e sem fertilidade;
- não é boa a saúde das pessoas que se alimentam de plantas destes solos;
- a fertilidade de nosso solo de amanhã depende do que  se faz com ele hoje;
- da fertilidade do solo depende a qualidade dos alimentos que se produz;
- a saúde e a qualidade de nossa vida dependem da qualidade dos alimentos que elas consumem;
- cerca de 80% de todos os cânceres estão relacionados com  nossa alimentação.

Lembrete 2
- os abrigos de cultivo são ferramentas indispensáveis, quando corretamente manejados, no controle de doenças das hortaliças.

Algumas doenças, como evitá-las ou como torná-las menos prejudiciais

Podridões    

Alface
     As podridões em alface podem ocorrer, secundariamente, por falta de cálcio. Falta de cálcio pode ocorrer por acidez alta, por falta de água, por calor (evapotranspiração), por excesso de umidade no solo e por desequilíbrio entre os nutrientes, como excesso de potássio e de magnésio.
      A falta de potássio na planta favorece o fungo (Sclerotinia sclerotiorum) causador de podridão. A falta de potássio ocorre em solos com muito nitrogênio, fósforo, cálcio e  magnésio. O fungo ainda é favorecido pela falta de rotação de culturas e em plantios ricos em nitrogênio, em solos muito úmidos, em canteiros mal ventilados, durante épocas mais frias. O fungo pode permanecer por muito tempo no solo, principalmente naqueles pobres de matéria orgânica.

Brócolis, repolho e couve-flor (coração oco)
      As podridões nessas plantas podem ser causadas por falta de boro. A falta de boro ocorre em solo com pH acima de 6,5 e em solos arenosos e em época de seca. O excesso de potássio no solo dificulta a assimilação do boro pelas plantas.
     A falta de boro leva à morte a medula (miolo) do caule por onde entram bactérias causadoras de podridões. Não se deixam restos culturais de brócolis repolho ou couve-flor na lavoura, para que a bactéria da podridão não sobreviva na área de plantio. Ao colher a parte comercial dessas plantas, não se deve deixar o resto do caule na lavoura.

Salsa
     A salsa, quando plantada em épocas quentes, fica muito sujeita a podridões. Essas podridões são oportunizadas pela dificuldade que a planta tem de se nutrir adequadamente em condição de calor e de irrigação desfavoráveis. Em épocas quentes deve-se preferir locais de plantios mais frescos, pouco ensolarados após o meio-dia e usar sombras para atenuar o calor sobre as plantas.
     Os fungos que se aproveitam de condições inadequadas para a salsa são Rhizoctonia solani, Pythium spp., Fusarium spp. e Sclerotinia sclerotiorum. A falta de rotação de culturas com plantas não suscetíveis é um fator muito favorável a podridões da salsa, principalmente em solos e ambientes impróprios ao cultivo. A salsa requer nitrogênio, mas o excesso desse nutriente causa deficiência de potássio, deixando as plantas suscetíveis a doenças.

Vermelhão

Beterraba
      A beterraba produz pigmentos vermelhos, um chamado de antocianina, muito favorável à saúde humana, e outro conheconhecido como betalaína. Sob condição desfavorável de cultivo, como calor, falta de água e boro, a planta se desequilibra e produz excessivamente o pigmento antocianina (Figura 1), o que a prejudica. A falta de boro ocorre em solos pobres em matéria orgânica e em solos com pH maior que 6,5.

FIGURA 1. Produção de antocianina, à direita, por mudas de beterraba, desnutridas.



Viroses

     Viroses, como a que ocorre em pepineiros também afetam a beterraba. A proximidade destes dois cultivos não é recomendável. A beterraba também é muito exigente em potássio, que a protege de doenças.

Seca de baraço

Batata-doce
     Há um fungo, Plenodomus destruens que, em condições de cultivo desfavorável, pode apodrecer plantas de batata-doce. As condições mais desfavoráveis para esta planta são cultivo em solo pesados, duro, sombreado e que acumula água da chuva entre as filas de plantio. A adubação deve prever a aplicação de matéria orgânica e de acordo com a análise do solo. A batata-doce é exigente em potássio que a protege de doenças. Para ajudar no controle destas doenças, além das medidas acima, evita-se colher baraços de lavouras que apresentaram a doença. Antes do plantio, os baraços devem murchar por um a dois dias de modo a cicatrizar a ferida do corte. Além desses cuidados, é importante que se faça a rotação de culturas  na área utilizada.

Murchadeira 

Batata, tomate, pimentão, pimenta e muitas outras hortaliças
     A doença conhecida por murchadeira é causada por uma bactéria que habita o solo, onde pode viver muitos anos, mesmo que não tenha plantas para infectar. No entanto, se houver plantas e boas condições ambientais para este agente ele pode ser um problema sério para a agricultura. Assim, é preciso manter baixa a infestação e não dar condições para que infecte as plantas. Essa bactéria prefere solo úmido, com pouca matéria orgânica e pH alto (onde se colocou calcário demais). Não se deve plantar em locais infestado e onde a doença incide corriqueiramente.
     Cuidados: drenar o solo; aplicar matéria orgânica e calcário conforme análise de solo; fazer rotação de cultura com milho, aveia, leguminosas de inverno, por pelo menos três anos nas áreas onde a doença ocorreu. Cuidar para que no meio desses cultivos em rotação não cresçam plantas suscetíveis a essa bactéria.
     A solarização do solo, principalmente em abrigos de cultivo, é capaz de reduzir a pressão desse patógeno, de nematoides e fusário sobre as plantas a eles suscetíveis.








quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Produção de mudas

Autores: Júlio César Mello, Pedro Paulo Fantini e Altamiro Morais Matos Filho

Publicação:  O trabalho compõe a parte I – Recomendações gerais para produção sustentável de hortaliças -  do Boletim Didático nº 107  “Produção de hortaliças em Santa Catarina”, publicado pela Epagri. Interessados em adquirir a publicação completa e ilustrada com 156 páginas, devem  entrar em contato através  do site: www.epagri.sc.gov.br

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Importância

     A obtenção de mudas de alta qualidade é fator determinante no sucesso da produção. Problemas que ocorrem na fase de produção de mudas serão evidenciados na planta adulta, quando dificilmente poderão ser corrigidos.
     O processo de produção de mudas que confere maior qualidade é o sistema de cultivo protegido, uma tecnologia que pode tornar o ambiente mais favorável para a parte aérea e as raízes das plantas.

Sementes e suas qualidades


Genética
     É o que define para cada espécie de planta detalhes como a forma, cor, sabor, adaptação ao clima, resistência a doenças, capacidade de produção, etc. As características de cada espécie, variedade ou híbrido são influenciadas pelo ambiente onde a planta se desenvolve.
     Na escolha da semente, deve-se considerar a capacidade de adaptação da planta às condições de cultivo, como tipo de solo, adubação, clima e época de plantio, além das exigências do mercado consumidor.

Fisiológica
     Nas sementes vivas existe uma atividade metabólica  responsável pela respiração e circulação de nutrientes. A capacidade da semente germinar e ter vigor depende das condições de armazenamento quanto à temperatura, umidade, luminosidade e concentração de oxigênio e gás carbônico.

Germinação
     É o valor expresso em porcentagem que indica a quantidade de sementes que podem germinar sob boas condições de semeadura. As temperaturas exigidas por diversas hortaliças são apresentadas na tabela 1.

 

 TABELA 1 - Exigência de temperatura do substrato para germinação de diversas   

                    hortaliças.

Cultura
Temperatura (ºC)
Mínima
Máxima
Ótima
Variação Ótima
Abóbora/Abobrinha
16
38
35
21 a 35
Acelga
4
35
29
10 a 29
Aipo ou Salsão
4
29
21
16 a 27
Alface
2
29
24
4 a 27
Aspargo
10
35
24
16 a 29
Berinjela
16
35
29
24 a 32
Beterraba
4
35
29
10 a 29
Cebola
2
35
24
10 a 35
Cebolinha
2
35
24
10 a 35
Cenoura
4
35
27
7 a 29
Coentro
4
32
24 a 29
10 a 29
Couve-flor
4
38
27
7 a 29
Ervilha
4
29
24
4 a 24
Espinafre verdadeiro
2
29
21
7 a 24
Feijão-de-vagem
16
35
27
16 a 29
Melancia
16
41
35
21 a 35
Melão
16
38
32
21 a 35
Milho
10
41
35
16 a 35
Moranga
16
38
32
21 a 32
Nabo
4
41
29
16 a 41
Pepino
16
41
35
16 a 35
Pimenta
16
35
29
18 a 35
Pimentão
16
35
29
18 a 35
Quiabo
16
41
35
21 a 35
Rabanete
4
35
29
7 a 32
Rábano
4
38
27
7 a 29
Repolho
4
38
29
7 a 35
Salsa
4
32
24
10 a 29
Tomate
10
35
29
16  a  29
Fonte:  Isla Sementes, 2012       
 
Vigor
     É a capacidade que a semente tem de, após germinar, formar mudas fortes a partir das reservas nutritivas armazenadas na semente.
           
Pureza
     É a porcentagem que indica a quantidade de outras espécies misturadas às sementes de outras espécies ou variedades.
           
Validade
     É a data até a qual as sementes bem armazenadas mantêm o poder de germinação.
           
Sanidade
     As sementes podem carregar algumas bactérias, fungos e vírus patogênicos. A maioria das sementes comercializadas vem tratada com produtos químicos para controle desses microorganismos, o que não garante a sua sanidade. A maneira mais garantida de ter sementes isentas de patógenos e ainda melhorar a uniformidade de germinação é fazer o tratamento hidrotérmico, que consiste no uso de água quente para eliminar microrganismos maléficos (patogênicos) das sementes. O procedimento deve ser realizado em sementes novas, secas,  vigorosas, intactas, não peletizadas, não peliculizadas e com bom poder germinativo.

Tipos de sementes comercializadas

Semente nua
     É a semente que passou apenas por um processo de limpeza e secagem, podendo receber tratamento hidrotérmico ou com fungicidas e inseticidas.

Semente peletizada
     É a que, além dos tratamentos anteriores, é envolvida por uma camada de material inerte que aumenta e uniformiza o seu volume. Isso facilita o manuseio e permite o uso de máquinas de semeadura, além de manter uma camada úmida em contato entre a semente e o substrato em que ela for semeada, melhorando as condições de germinação.

Semente peliculizada
     É a que recebe, junto com fungicidas e inseticidas, uma espécie de goma que permite a aderência destes produtos à semente, evitando que se solte e ofereça riscos de contaminação ou que perca a eficiência.     

Cuidados na compra de sementes

- Observe se está armazenada em ambiente adequado;
- Evite comprar semente a granel;
- Observe as indicações de qualidade e data de validade no rótulo;
- Escolha o cultivar que mais se adapte às condições de sua região e que tenha boa aceitação no mercado alvo.
    
Tratamento hidrotérmico de sementes de hortaliças


     É o uso de água quente para eliminar microorganismos maléficos(patogênicos) das sementes. Para fazer o tratamento hidrotérmico as sementes devem ser novas, secas, vigorosas, intactas, não peletizadas, não peliculizadas e com bom poder germinativo.

Material necessário:
-         Garrafa térmica;
-         Peso (pedrinha ou parafuso);
                                    -         Termômetro graduado até 100 ºC;
-         Pano poroso (tipo tule);
-         Água quente;
-         Álcool.


Passos do tratamento:
-   Colocar as sementes, com o peso, em um pano poroso, que possa passar na boca
    da garrafa térmica;
-   Aquecer água até 60 ºC;
-   Colocar água na garrafa térmica até ¾ do seu volume;
-   Com o termômetro, acompanhar a diminuição da temperatura da água até 1,0 ºC acima da temperatura recomendada para a semente a ser tratada (tabela 2);

-   Mergulhar rapidamente a semente em álcool;
-   Colocar a semente dentro da garrafa térmica e fechá-la;
-   Aguardar o tempo recomendado para o tipo de semente a ser tratada;
-   Durante este tempo, movimentar a garrafa gentilmente de vez em quando;

-   Passado o tempo, tirar a semente e esfriar em água na temperatura ambiente;
-  Espalhar as sementes sobre jornal, à sombra, para enxugá-las;
-  Semear após o enxugamento;
-  As sementes tratadas a quente não podem ser armazenadas.

 TABELA 2 – Temperatura e tempo de tratamento hidrotérmico para as espécies.
Espécies
Temperatura da água (ºC)

Tempo

(minutos)
Alface
45
30
Brócolis
50
20
Cenoura
50
20
Couve-de-bruxelas
50
25
Couve-flor
50
20
Espinafre
50
25
Mostarda
50
15
Nabo
50
20
Pepino
50
20
Pimentão
50
25
Rabanete
50
15
Rábano
50
20
Repolho
50
25
Salsão
45
30
Tomate
50
25
Fonte: Soave & Wetzel, 1987






Como produzir mudas com qualidade


Semeadura
     As sementes devem ser de boa qualidade. É colocada apenas uma semente por recipiente para evitar o desbaste. São cobertas com substrato sem torrões a uma profundidade igual a três vezes o seu maior diâmetro. Semeia-se 10% a mais da necessidade de mudas para repor suas eventuais perdas. Na tabela 3 são apresentados as quantidades de sementes por grama e por área cultivada.

 TABELA 3 – Quantidades de sementes por grama e por área cultivada.

Cultura
Nº de Sementes (grama)
Espaçamento
entre plantas
(metros)
Quantidade de sementes
(kg/ha)
Quantidade de plantas/ha
Abóbora menina
6 a 7
3,0 x 3,0
0,6
1.120
Abóbora seca moranga
7 a 6
5,0 x 5,0
0,2
400
Abóbora tetsukabuto
12 a 13
3,0 x 2,0
0,4
1.670
Abobrinha caserta
6 a 7
1,2 a 0,6
6,0
13.890
Agrião
3.500 a 4.000
0,2 x 0,2
0,15
171.000
Alface americana
800 a 900
0,35 x 0,35
0,2
55.850
Alface crespa
900 a 1000
0,30 x 0,25
0,3
91.200
Almeirão
900 a 950
0,2 a 0,1
1,5
342.000
Aspargo
23 a 25
1,5 x 0,5
1,5
13.340
Berinjela
200 a 230
1,5 a 0,8
0,15
8.350
Beterraba
55 a 56
0,2 a 0,1
11
342.000
Brócolis
26 a 270
1,0 a 0,5
0,17
20.000
Cebola
330 a 350
0,3 a 0,1
1,5
228.000
Cebolinha
470 a 480
0,4 x 0,08
1,5
213.750
Cenoura
330 a 350
0,2 x 0,07
2,5
488.580
Chicória
800 a 900
0,3 x 0,35
0,3
65.140
Coentro
80 a 950
0,35 x 0,05
3
648.000
Couve
280 a 300
1,0 x 0,5
0,2
20.000
Couve-de-bruxelas
280 a 300
0,8 x 0,5
0,25
25.000
Couve-chinesa
290 a 310
0,7 x 0,3
0,4
47.620
Couve-flor
300 a 320
0,9 x 0,5
0,16
22.230
Ervilha torta
3 a 5
1,0 x 0,6
12
16.670
Espinafre
95 a 110
0,2 x 0,07
13
488.580
Feijão-de-vagem
2 a 3
1,0 x 0,6
25
16.670
Melancia
13
2,5 x 2,0
0,55
2.000
Melão
20 a 30
2,0 x 1,0
0,9
5.000
Mostarda
600 a 630
0,45 x 0,3
1,0
50.670
Nabo
52 a 53
0,3 x 0,15
17
152.000
Pepino
30 a 40
1,0 x 0,6
1,75
16.670


Recipientes
     Os recipientes podem ser sacos de papel, sacos plásticos, copos descartáveis, tubetes de plástico e bandejas de isopor.
     As bandejas de isopor (Figura 1) são práticas e dão ótimos resultados desde que utilizadas com a tecnologia recomendada. Elas devem ficar suspensas a pelo menos 60cm do solo, em abrigos.
     O substrato e a irrigação para uso nas bandejas são especiais.





                                 

    FIGURA 1 – Bandejas de isopor para produção de  mudas



Substrato
      É um componente de grande importância na produção de mudas. Em substratos inadequados, as sementes não germinam, as plantas se desenvolvem irregularmente, podendo aparecer sintomas de deficiência ou excesso de algum nutriente e doenças.

Os substratos para uso em bandejas precisam ter características próprias

Físicas
     Ser leve e poroso, com capacidade de reter grande quantidade de água e ar. Formar torrão sem aderir nas bandejas.

Químicas
     Conter todos os nutrientes necessários para o período de formação da muda, de forma equilibrada, com pH 6,0  e baixa salinidade (condutividade elétrica – EC).

Sanidade
     Estar isento de sementes viáveis de plantas invasoras e organismos que possam causar doenças nas plantas.

Homogeneidade
     Ser homogêneo para não ocasionar diferenças de desenvolvimento entre plantas ou bandejas.
     Existem no mercado diversas empresas que comercializam substratos prontos em sacos de 25 quilos. A elaboração de um substrato na propriedade precisa contemplar todas as características desejadas e ser justificada pela disponibilidade de materiais a baixo custo, visto que demanda mão de obra e tempo para executar a solarização. Um método de desinfecção de organismos patogênicos e eliminação de sementes de invasoras pode encarecer o substrato.

Abrigos de produção de mudas
     São ambientes parcialmente protetores (Figura 2) contra condições adversas ao desenvolvimento das mudas como ventos, chuvas fortes, insolação em excesso, frio, insetos e doenças.



  
FIGURA 2abrigo de produção de mudas


     Os abrigos são estruturas cobertas com filme plástico aditivado contra raios ultravioleta e com telas anti-insetos nas laterais. Nas épocas mais quentes é necessário o uso de telas de sombreamento sobre o teto para diminuir a insolação (setembro – março). No entanto, em dias nublados ou chuvosos, deve-se fazer o manejo do sombrite, recolhendo-o.
     É imprescindível o uso de um termo-higrômetro para o monitoramento da temperatura e umidade relativa do ar. O tamanho do abrigo deve ser planejado em função da quantidade de mudas a ser produzida ao mesmo tempo na propriedade, e do número de células das bandejas (128 e 200), conforme a espécie cultivada. Considera-se, na média, o período de permanência das mudas no abrigo de cerca de 21 - 35 dias no verão e 35 - 45 dias no inverno.
     A área útil ocupada por cada bandeja é de 0,25 m². É recomendável que a relação entre o volume interno do abrigo e a sua área seja de 3m³ para cada 1m², o que proporciona maior possibilidade de manejo de temperatura e umidade relativa, com maior conforto para o trabalho.

Irrigação
     A distribuição de água deve ser uniforme para que cada célula receba a mesma quantidade. Isto pode ser feito manualmente com regador de crivo fino ou com microaspersores.

     A quantidade de água ideal é a que permite umedecer o substrato sem gotejar abaixo das células para não lixiviar os nutrientes.
     A frequência das irrigações depende da temperatura e umidade relativa do ar, variando de uma vez no inverno e até cinco vezes no verão. Entre uma irrigação e outra a superfície do substrato precisa estar enxuta. Durante a noite o substrato e a parte aérea das mudas tem que permanecer enxutos.
     A água para irrigação deve ser potável podendo ser obtida da rede pública de abastecimento do subsolo (poços) e nascentes. No momento da aplicação, a  temperatura da água de irrigação deve ser semelhante à do ambiente onde estão as mudas.
     Os equipamentos usados nas irrigações podem ser desde um regador com crivo fino, mangueira de jardim com difusor, microaspersores tipo “fogger”, sprinkler, bailarina, etc.

Adubação
     Quando o substrato e o manejo da irrigação forem adequados, no período normal de produção das mudas, não haverá necessidade de adubações de cobertura. Caso ocorram deficiências, podem ser corrigidas com adubações de cobertura. Evite o excesso de adubos solúveis que pode provocar o desequilíbrio nutricional, salinização do substrato e queima de plantas.
     Adubação de cobertura pode ser feita com a mistura dos seguintes ingredientes:
- 6 partes de torta de mamona;
- 3 partes de farinha de osso;
- 1 parte de cinza de madeira (não de churrasqueira, pois tem sal).
     Misturar e peneirar. Conservar em local seco.
     Aplicar, quando necessário, cerca de 20g da mistura por bandeja de 128 células, sobre as plantas enxutas. Em seguida irrigar para deposição da mistura no substrato. Poderá ser feita semanalmente.
     Antes da sua utilização, essa mistura deve ser bem agitada.



 Transplante
     Um dia antes do transplante diminua a irrigação até que as mudas apresentem uma leve murcha. No momento anterior ao transplante faça uma boa irrigação nas bandejas para facilitar a retirada da muda com o torrão inteiro e permita que a muda recupere a turgidez após o transplante. Enterre apenas o torrão (Figura 3), não permitindo o contato de terra com a gema de crescimento da muda ou com  caule. Somente as mudas que emitam raízes adventícias, como a de tomateiro, podem ter o caule enterrado. Faça uma irrigação no local do plantio definitivo logo que terminar a operação de plantio.






FIGURA 3. Profundidade de plantio de mudas de hortaliças


 

 















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