terça-feira, 10 de novembro de 2015

Autor: Irceu Agostini

Publicação:  O trabalho compõe a parte I – Recomendações gerais para produção sustentável de hortaliças -  do Boletim Didático nº 107  “Produção de hortaliças em Santa Catarina”, publicado pela Epagri. Interessados em adquirir a publicação completa e ilustrada com 156 páginas, devem entrar  em  contato  através do site: www.epagri.sc.gov.br

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Recomendações gerais
     A atividade olerícola possui algumas peculiaridades, entre elas a alta perecibilidade dos produtos, o ciclo curto das hortaliças e o uso intensivo de área, mão-de-obra e insumos.
     Devido a essas peculiaridades e, sobretudo, ao alto dinamismo da atividade, a primeira e mais importante providência do produtor ao iniciar (ou incrementar) a produção de hortaliças é procurar conhecer bem o mercado que irá absorver seus produtos. Algumas questões devem ser levantadas antes mesmo de iniciar o plantio, como: “o que, para quem e quanto produzir”. Só depois disso é que se passa a levantar a questão do “como produzir”, ou seja, “qual a tecnologia de produção”.

A rentabilidade de algumas hortaliças
     A título de exemplo, apresenta-se, a seguir, a rentabilidade de algumas hortaliças cultivadas na região central do Litoral Catarinense (Tabela 1). Estes resultados foram levantados pelo grupo de gestão agrícola, vinculado ao projeto de Administração Rural e Socioeconomia da Epagri, que acompanhou propriedades produtoras de hortaliças da região durante o período estudado.

Tabela 1 - Renda bruta, custos variáveis e margem bruta das principais hortaliças cultivadas na região central do Litoral Catarinense, nos anos 1995 -2001. 

Atividades

Indicadores (US$/ha)2
Renda
Bruta*
Custos Variáveis1
Margem Bruta*
Batata doce
3.733
223
3.510
Beterraba
4.985
1.200
3.785
Cenoura 
2.888
530
2.358
Couve-flor 
4.443
917
3.526
Repolho
6.888
870
6.019
Tomate
18.387
3.445
14.942
Fonte: Epagri, 2005.
1 A renda bruta resulta da quantidade vendida dividida pelo preço da hortaliça; a margem bruta é a diferença entre a renda bruta e o custo variável, que é a soma de todos os custos efetuados na cultura, excluídos os custos fixos (que são os gastos com a infraestrutura utilizada na produção, como terra, máquinas, equipamentos, benfeitorias, etc).

2 Os valores, em dólares (US$) por hectare, referem-se à média das melhores propriedades acompanhadas durante este período.


     Em todas as atividades é possível perceber que a margem bruta é sempre um valor muito alto em relação ao custo variável. É que o custo da mão-de-obra, que é um custo expressivo, foi incorporado ao custo fixo, por se tratar de mão-de-obra familiar. Assim, mesmo que o valor da margem bruta seja alto, isto não garante que a atividade seja lucrativa, pois desta margem bruta ainda precisa ser descontado o custo da mão-de-obra familiar e todos os demais custos fixos.
     O cultivo de tomate é o que apresenta a maior margem bruta, muito acima das dos demais cultivos, como pode ser observado na Tabela 1. Isto, no entanto, não permite concluir que o tomate sempre será o cultivo mais rentável dentro da olericultura porque o preço das hortaliças pode variar muito de um ano para outro e, consequentemente, a margem bruta também e qualquer projeção de resultados econômicos poderá ser rapidamente anulada devido a estas grandes flutuações nos preços. Diante disso, a recomendação econômica mais segura em relação à escolha da espécie a ser cultivada é a diversificação de cultivos. Ao diversificar os cultivos, o produtor tem a chance de recuperar com uma espécie o que tiver perdido com outra. Mas também não se pode exagerar na diversificação, utilizando um grande número de espécies, porque haverá dificuldades na operacionalização do sistema, seja pela dificuldade de especialização do produtor, seja pela maior complexidade na condução da produção em si e da própria comercialização.
     Ainda que o tomate apresente a maior margem bruta (Tabela 1) não é possível afirmar que o tomate seja a cultura olerícola mais rentável porque esta margem bruta está expressa como “por hectare”. Dividindo-se as margens brutas da Tabela 1 pelas respectivas necessidades de mão-de-obra de cada cultura, as margens brutas passam a ser expressas em margem bruta “por dia-homem (DH) trabalhado” (Tabela 2). Assim, pode se observar que o tomate apresenta uma das menores margens brutas por DH trabalhado, sendo o repolho o cultivo de maior margem bruta por DH.
     Então, de acordo com os dados apresentados, que cultivo o produtor deveria incrementar se pretendesse aumentar sua renda? Para saber a resposta é preciso investigar o motivo pelo qual o produtor não expande a sua produção atual, se é por falta de área ou por falta de mão-de-obra? Se for por falta de área, então o produtor deveria aumentar a área de tomate, pois é o que apresenta a maior margem bruta para cada hectare cultivado (Tabela 1). Se é por falta de mão-de-obra, que provavelmente será o caso mais frequente, então o produtor deveria aumentar a área de repolho, pois é o que apresenta a maior margem bruta para cada DH trabalhado.

Tabela 2 - Renda bruta, custos variáveis e margem bruta das principais hortaliças cultivadas na região central do Litoral Catarinense, nos anos 1995 a 2001.

Atividades

Mão de obra utilizada (DH/ha)

Indicadores econômicos (US$/DH)*
Renda
Bruta
Custos Variáveis
Margem Bruta
Batata doce
71
53
3
50
Beterraba
55
91
22
69
Cenoura 
118
24
4
20
Couve-flor
60
74
15
59
Repolho
53
130
16
114
Tomate
454
41
8
33
Nota: ha = hectare.
*Os valores, em dólares (US$) por dia-homem (DH), referem-se à média das melhores propriedades acompanhadas durante este período
Fonte:  Rochenbach et al., 2005

     Portanto, o fator determinante para que o produtor possa escolher a espécie olerícola que irá cultivar está em conhecer qual o fator de produção mais limitante, se a área ou a mão-de-obra. O produtor deve preferir aquela que  agrega mais margem bruta em relação ao fator de produção que mais limita a produção.












Ferreira On 11/10/2015 03:37:00 PM Comentarios LEIA MAIS

sábado, 10 de outubro de 2015

Fonte:  O trabalho faz parte do livro “Cultive uma horta e um pomar orgânico: colha sabor e saúde”, publicado pela Epagri. Interessados em adquirir a publicação completa e ilustrada com 319 páginas, devem entrar no site: www.epagri.sc.gov.br e acessar  os link “Publicações” e “Livros”.

É a principal praga da maioria das frutas comestíveis, tendo em vista que as condições climáticas permitem, durante todo o ano, a existência de frutos cultivados e silvestres, favorecendo a sobrevivência e o deslocamento da praga de uma planta para outra. Os danos são causados diretamente nos frutos pela fêmea adulta, principalmente das espécies Anastrepha fraterculus e Ceratitis capitata), que os perfura  com o ovipositor (formato de agulha). São depositados de um a cinco ovos de onde eclodem as larvas que consomem a polpa, provocando o apodrecimento interno. A fase de oviposição dura de 65 a 80 dias, sendo que nesse período a fêmea oviposita de 278 a 437 ovos. Dentro da fruta, as larvas passam por várias fases de desenvolvimento até alcançar a maturação, momento em que saem do fruto para o solo, se enterram e, em aproximadamente duas semanas, surgem as novas moscas adultas que reiniciam o ciclo de vida. O período de maior ocorrência das moscas vai de novembro a março, quando as temperaturas são mais altas. Outro fator que também favorece a disseminação da praga é a existência de diversos ciclos de frutificação de um mesmo hospedeiro ao longo do ano, a exemplo da goiaba, da carambola e dos citros.

Manejo da praga: antes do advento dos inseticidas químicos, o controle da mosca limitava-se às práticas de controle biológico e mecânico, tais como limpeza dos pomares, recolhimento dos frutos que caíram no solo, capinas e lavras superficiais, com a finalidade de destruição das pupas, e caça com vidros pega-moscas (armadilha). Atualmente, diante da preocupação cada vez maior dos consumidores com o ambiente, recomendam-se várias práticas no sentido de reduzir ao máximo os danos com as pragas. O ensacamento, o controle biológico natural, o uso do extrato e do óleo de nim e o preparo de armadilhas são práticas recomendadas:

Ensacamento das frutas: é uma das práticas fitossanitárias mais antigas e eficazes. Na década de 60, na grande Porto Alegre, era prática usual, mesmo na produção comercial, a utilização de sacos de papel encerado e de papel-manteiga para ensacar as frutas e folhas de jornal para proteger os cachos de uva do ataque de vespas e outros insetos. No caso de citros, até hoje ainda é feita a proteção com papel-jornal. De forma geral, deve-se proteger os frutos no período de maior ataque das moscas, ou seja, no final da primavera e no verão. Em geral, a mosca ataca preferencialmente frutos maduros (amarelos), pois as larvas não conseguem se desenvolver em frutos verdes. Para os frutos de pêssego, o ideal é ensacá-los antes do início do inchamento do fruto (diâmetro de 6 a 7cm). No caso das goiabas, recomendasse ensacar os frutos ainda pequenos (tamanho de azeitonas) com saquinhos de papel encerado com o objetivo de protegê-las das moscas e também do gorgulho e de outras pragas. Atualmente, existem no comércio vários tipos de sacos de papel, confeccionados por diversas firmas e destinados ao ensacamento de pêssego, ameixa, goiaba, laranja, bergamota ou mexerica, pêra, maçã e caqui, entre outras frutas. Os principais tipos são de papel encerado, branco (40g/m2) e de papel pardo. Os tamanhos são variáveis conforme a fruta, sendo o de 35 x 18cm para pêssego, ameixa e goiaba e o de 40 x 24cm para pêra, caqui e bergamota ou tangerina.

Controle biológico natural: consiste no recolhimento e no enterrio dos frutos caídos no solo com o objetivo de matar as larvas neles alojadas. A armadilha deve ser preparada da seguinte forma: faz-se a coleta dos frutos caídos, colocando-os em pequenos buracos (50 x 50 x 30cm) no meio do pomar; no fundo do buraco coloca-se uma camada de 10cm de areia, coberta por uma tela fina (malha de 2mm) para impedir a saída das moscas (larvas já transformadas em adultos) e facilitar a passagem das vespinhas que fazem o controle biológico.


Armadilhas (caça-moscas): é um recipiente simples utilizado como armadilha para capturar os adultos da mosca-das-frutas. Pode ser adquirido pronto nas casas agropecuárias ou pode ser adaptado de um recipiente de plástico, deixando-se algumas aberturas na porção mediana e colocando-se uma isca atrativa. As armadilhas deixam as moscas entrarem atraídas pela isca, as quais morrem por afogamento. Preparo e uso da armadilha PET (garrafas plásticas transparentes de refrigerantes, águas, sucos, etc.): marcam-se na garrafa PET, com auxílio de uma caneta, três retângulos de 2cm de altura por 1cm de largura na parede lateral, a uma altura de 10cm a partir da base da garrafa. Cortam-se os quadrados, seguindo as linhas marcadas com a caneta, com a ponta de um objeto cortante. Através desses quadrados vazados os insetos entrarão no interior da armadilha. Prende-se uma das extremidades do fio de arame de 30cm no gargalo da garrafa, logo abaixo do encaixe da tampa, sendo que a outra extremidade será usada para pendurar a armadilha na fruteira. Antes de pendurar a armadilha, deve-se abastecê-la com a isca atrativa (300ml) feita com melaço de cana-de-açúcar a 7% ou com vinagre de vinho tinto (25%); acrescentar 10g de bórax na solução para retardar a decomposição do atrativo e por ser tóxico para os adultos da mosca-das-frutas. Instalação e manutenção da armadilha PET: deve ser instalada uma a cada 50m na porção mediana da copa da fruteira a uma altura de 3/4 do total, a partir do nível do solo (Figura 1), num galho que fique mais para a periferia (Figura 2) e na porção menos exposta ao sol (leste). Os frascos devem ser inspecionados a cada 15 dias, no máximo, trocando-se a isca e enterrando-se no solo os insetos capturados. Deve-se tomar cuidado para que o frasco mantenha a transparência e que o atrativo não escorra pela parte externa do mesmo para evitar que as moscas se alimentem por fora e vão embora.

Figura 1. Armadilha caça-moscas confeccionada com garrafa PET e utilizada em goiabeira




Figura 2. Posição correta da instalação da armadilha em goiabeira
Ferreira On 10/10/2015 03:03:00 AM Comentarios LEIA MAIS

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Publicação:  O trabalho faz parte do ANEXO B do Boletim Didático nº 88 “Produção orgânica de hortaliças no litoral sul catarinense”. publicado pela Epagri. Interessados em adquirir a publicação completa e ilustrada com 204 páginas, devem entrar no site: www.epagri.sc.gov.br e acessar  os link “Publicações” e “Boletim didático”.


Mesmo no cultivo orgânico podem ocorrer desequilíbrios temporários que aumentam a população de insetos-pragas ou patógenos nocivos em níveis incontroláveis. Esses fatores podem ser chuvas ou secas excessivas, mudas ou sementes de baixa qualidade, tratamentos com agrotóxicos agressivos nas propriedades vizinhas, uso de cultivares não adaptados, solos degradados e adubações desequilibradas.
Recomenda-se no cultivo orgânico que o homem deve intervir o menos possível no meio ambiente para não provocar o desequilíbrio do sistema. Por isso, os produtos alternativos apresentados, mesmo que a grande maioria não cause riscos ao homem ou ao ambiente, somente devem ser utilizados quando realmente necessários. Neste caso, deve-se recorrer às caldas protetoras, aos preparados de plantas e outros produtos alternativos recomendados ou tolerados no cultivo orgânico, visando ao manejo de doenças e pragas em hortaliças.
Observação: A utilização de alguns dos preparados, bem como outros produtos alternativos, é baseada em trabalhos de pesquisa em determinadas condições edafoclimáticas, outros são resultados de experiências de técnicos e agricultores. Por isso, recomenda-se sempre que o agricultor teste o produto alternativo em pequena área de cultivo e observe os resultados.

Outros produtos alternativos recomendados ou tolerados no cultivo orgânico

a) Água de cinza e cal (“fertiprotetor” de plantas): É um produto ecológico obtido pela mistura de água, cinza e cal, recomendado para aumentar a resistência das culturas às pragas, reduzindo a ocorrência de vaquinhas e pulgões e também de doenças. Essa mistura contém expressivos teores de macro (Ca, Mg e K) e micronutrientes, estimulando a resistência às doenças fúngicas e bacterianas. (Fonte: Claro, 2001).
Modo de preparar: Em um recipiente de alvenaria, plástico ou latão misturar 5kg de cal hidratado e 5kg de cinza peneirada com 100L de água. A mistura deve permanecer em repouso no mínimo por 1 hora antes de ser utilizada. Nesse período, agita-se a mistura no mínimo três a quatro vezes, com madeira ou taquara. Após a última agitação, esperam-se 10 a 15 minutos para que ocorra a sedimentação das partículas sólidas. A água de cinza e cal deve ser coada antes do uso, usando-se a peneira do pulverizador. A mistura deve ser filtrada e armazenada em bombonas. No momento de usá-la, basta agitar o conteúdo que irá retomar a cor branco-leitosa. Preferencialmente, no momento de usá-la, pode-se associá-la a um espalhante adesivo (farinha de trigo a 2%).
Cuidados na aplicação: Evitar aplicar em horários de intenso calor. No verão, aplicar à tardinha ou de manhã cedo, especialmente quando a cinza utilizada for de madeira, pois tem maior concentração de nutrientes e é mais salina e alcalina. 

b) Enxofre (acaricida): É um produto natural que pode ser usado puro ou na calda sulfocálcica visando o manejo de ácaros. Ao ser utilizado puro, devem-se misturar, a seco, 800g de enxofre e 200g de farinha de milho bem fina, diluindo 34g em 10 litros de água e aplicar sobre as plantas (Fonte: Paulus, 2000).

c) Farinha de trigo (espalhante adesivo ecológico e manejo de ácaros, pulgões e lagartas): Quanto mais cerosa for a superfície da folha ou ramos das plantas tratadas, maior número de gotas se forma, menor a área de molhamento, maior a possibilidade de injúrias e menor a eficiência da pulverização sobre a nutrição ou manejo de pragas e doenças. Dentre as hortaliças, alho, cebola, repolho e couve-flor são exemplos de culturas com alta cerosidade nas folhas e que exigem, por isso, o uso de espalhante adesivo nas pulverizações das caldas, da água de cinza e cal e de outros produtos alternativos. Quando as gotas permanecem inteiras sobre a superfície foliar, por falta de espalhante adesivo, podem danificar os tecidos vegetais quando o sol incide sobre elas.
Modo de preparar: Em um recipiente apropriado, misture com água os ingredientes a serem pulverizados, acrescentando a farinha por último. Adicionar a farinha aos poucos, lentamente, sob forte e constante agitação com auxílio de uma pá de madeira ou taquara para que a dissolução seja completa. Para evitar obstrução de bicos do pulverizador recomenda-se coar a calda, podendo-se utilizar a própria peneira do pulverizador.
Dosagem: 200g de farinha de trigo em cada 10L de calda. Essa dose pode ser aumentada ou diminuída de acordo com o grau de cerosidade das folhas.
No manejo de insetos-pragas que ocorrem em hortas, recomenda-se o seguinte preparo: diluir 1 colher de sopa de farinha de trigo em 1L de água e pulverizar nas folhas atacadas. Aplicar pela manhã em cobertura total nas folhas, em dias quentes, secos e com sol; mais tarde, as folhas secando com o sol formam uma película que envolve as pragas e caem com o vento.

d) Leite cru (manejo de ácaros, ovos de lagartas, lesmas, doenças fúngicas e viróticas): O leite, na sua forma natural ou como soro de leite, é indicado para o manejo de ácaros e ovos de diversas lagartas como atrativo para lesmas e no controle de várias doenças fúngicas e viróticas. Pesquisa comprovou a eficiência do leite cru (+10%) sobre o oídio em cucurbitáceas, mesmo após o início da infecção no campo, superando o leite industrializado (tipo C e o longa vida). Essa maior eficiência do leite cru e fresco pode ser explicada, em parte, pela maior concentração de substâncias e de microrganismos fermentados em relação aos leites industrializados. (Fonte: Zatarim et al., 2005).

e) Iscas tóxicas com ácido bórico (manejo de lesmas): A isca deve ser formulada com 7 partes de farinha de trigo, 3 partes de farinha de milho, 3% a 5% de ácido bórico (encontrado em farmácias) e ovos. A pasta resultante deve ser filamentosa, seca à sombra, fragmentada em pedaços de 0,5cm de comprimento e distribuída na área infestada (Fonte: Milanez & Chiaradia, 1999b).

f) Iscas com plantas e sementes de gergelim e com raízes de mandioca-brava ralada (manejo de formigas): O uso de sementes de gergelim como iscas, para ninhos pequenos, na base de 30 a 50g, ao redor do olheiro, é útil no combate a formigas, que vão carregá-las para dentro com o objetivo de alimentar os fungos que, por sua vez, morrem intoxicados, deixando as formigas sem alimento (fungos). Um bom método natural para espantar as formigas é espalhar sementes de gergelim em torno dos canteiros ou da área a ser protegida. Raízes de mandioca-brava raladas colocadas ao redor do formigueiro intoxicam as formigas com o ácido cianídrico.

g) Cinzas de madeira (manejo de pulgões e lagarta-rosca e dos fungos míldio e sapeco; nutrição): Além de ser um ótimo adubo rico em potássio, o polvilhamento de cinza sobre as culturas controla os pulgões dos cítrus (laranja, limão e outras) das hortaliças e de outras espécies. Polvilhada sobre o solo ou incorporada a ele, controla a lagarta-rosca por um período de 10 dias, dependendo do clima. No manejo da doença do sapeco da folha, que ocorre em cebolinha verde, e em sementeiras de cebola na fase de produção de mudas, recomenda-se aplicar sobre as plantas, antes que o sereno (orvalho) evapore, 50g/m2 de cinza de madeira.

h) Manipueira (nutrição; inseticida, acaricida, nematicida, fungicida, herbicida; manejo de fungos, pragas de solo e formigas): É um líquido de aspecto leitoso e de cor amarelo-clara que escorre das raízes da mandioca, por ocasião da sua prensagem para obtenção de fécula ou farinha de mandioca. Portanto, é um subproduto ou um resíduo da industrialização da mandioca que fisicamente se apresenta na forma de suspensão aquosa e, quimicamente, como uma miscelânea de compostos que possuem macro e micronutrientes vegetais. Embora atualmente seja cedida gratuitamente, pois é um produto descartável, muito em breve poderá ser aproveitada como inseticida, acaricida, nematicida, fungicida, herbicida e até como adubo.
Dosagem: Como inseticida e acaricida, o tratamento deve constar de, no mínimo, de três ou quatro pulverizações aplicadas em intervalos semanais, puras ou diluídas, conforme a cultura, acrescentando-se 1% de farinha de trigo para maior aderência. Para tratamento de árvores frutíferas (cítrus, abacateiro e outras) e arbustos (maracujá), usar a diluição 1:1 (manipueira:água); para plantas herbáceas de maior porte (pimentão, berinjela, etc.), diluições de 1:2 e 1:3 e para as espécies de menor porte, usar a diluição 1:4.
Como fungicida (para oídios e ferrugens) e bactericida, devem ser observadas as mesmas recomendações prescritas para seu uso como inseticida.
No controle de nematoides, utilizar manipueira (1:1) aplicando no solo, na linha de cultivo, com auxílio de regador, 2 a 4L da diluição por metro de sulco. A aplicação deve ser antes do plantio, devendo o solo ficar em repouso por 8 dias ou mais e, posteriormente, ser revolvido levemente a parte que compõe e margeia a linha de cultivo, antes de proceder à semeadura ou ao plantio.
Observação: recomenda-se sempre fazer um teste preliminar com algumas plantas com o objetivo de ajustar a diluição à sensibilidade da planta a ser tratada e da praga a ser controlada (Fonte: Ponte, 2006).
No manejo de formigas, utilizar 2L de manipueira no formigueiro para cada olheiro, repetindo a operação a cada 5 dias. Em tratamento de canteiro, regá-lo usando 4L de manipueira e uma parte de água, acrescentando 1% de açúcar ou farinha de trigo. Aplicar em intervalos de 14 dias, pulverizando ou irrigando.

i) Urina de vaca em lactação (manejo de pragas, doenças e nutrição): indicada para legumes em geral e para o abacaxi, pois contém catecol, substância que aumenta a resistência das plantas ao ataque de pragas e doenças. No abacaxi, a urina é eficiente no controle de fusariose. No geral, durante os 3 primeiros dias após aplicação, age como repelente contra insetos, principalmente a mosca-branca. Serve também como fonte de macro e micronutrientes (Fonte: Gadela et al., 2002).
Coleta e preparo: Coletar a urina e colocá-la em recipiente plástico fechado durante 3 dias, que é o tempo necessário para que a ureia se transforme em amônia.  Pode ser guardada por 1 ano em vasilha fechada. A coleta da urina é simples e deve ser feita na hora de tirar o leite, pois ao ter as pernas amarradas para a ordenha é normal o animal urinar. 
Dosagem e aplicação: Para cada 100L de água usar 1L de urina de vaca em lactação. Pulverizar sobre a planta a cada 15 dias.
Recomendações: Toda pulverização com solução de urina deve ser aplicada nas horas frescas do dia. Evitar o uso em hortaliças folhosas e em hortaliças-frutos próximo à colheita devido ao forte odor. A urina de cabra também pode ser utilizada, mas como possui maior concentração de nitrogênio, deve ser colocado meio litro de urina para cada 100L de água. Dar preferência à urina de vacas em lactação porque tem mais substâncias (fenóis e hormônios) que as outras. O cheiro forte após a aplicação permanece durante 3 dias,  agindo nesse período como repelente de insetos.


Bibliografia citada

CLARO, S.A. Uso de água de zinza e cal como fertiprotetor de plantas. Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável, Porto Alegre, v., n.4, p.55-57, out./dez.2001.

GADELHA, R.S.S.; CELESTINO, R.C.A.; SHIMOYA, A. Efeito da urina de vaca na produtividade do abacaxi. Pesquisa Agropecuária & Desenvolvimento Sustentável, Niterói, v.1, n.1, p.91-95, dez. 2002.

PAULUS, G.MULLER, A.M.; BARCELLOS, L.A.R. Agroecologia aplicada: práticas e métodos para uma agricultura de base ecológica. Porto Alegre, RS: Emater-RS, 2000. 86p.

ZATARIM, M.; CARDOSO, A.I.I.; FURTADO, E.L. Efeito de tipos de leite sobre oídio em abóbora plantadas a campo. Horticultura Brasileira, v.23, n.2, p.198-201, abr./jun, 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?scrip=sci-arttext&pid=SO102-05362005000200007>.Acesso em: 11 jul. 2008.

MILANEZ, J.M.; CHIARADIA, L.A.  Eficiência de iscas com base em ácido bórico no controle de Sarasinula linguaeformis (Semper, 1885) (Mollusca, Veronicellidae). Pesquisa Agropecuária Gaúcha, Porto Alegre, v.5, n.2, p.351-355, 1999 b.

PONTE, J.J. da. Cartilha da manipueira: uso do composto como insumo agrícola. e. ed. Fortaleza: Banco do Nordeste do Brasil, 2006. 64p.




Ferreira On 9/10/2015 11:43:00 AM Comentarios LEIA MAIS

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Publicação:  O trabalho faz parte do ANEXO B do Boletim Didático nº 88 “Produção orgânica de hortaliças no litoral sul catarinense”. publicado pela Epagri. Interessados em adquirir a publicação completa e ilustrada com 204 páginas, devem entrar no site: www.epagri.sc.gov.br e acessar  os link “Publicações” e “Boletim didático”.


Mesmo no cultivo orgânico podem ocorrer desequilíbrios temporários que aumentam a população de insetos-pragas ou patógenos nocivos em níveis incontroláveis. Esses fatores podem ser chuvas ou secas excessivas, mudas ou sementes de baixa qualidade, tratamentos com agrotóxicos agressivos nas propriedades vizinhas, uso de cultivares não adaptados, solos degradados e adubações desequilibradas.
Recomenda-se no cultivo orgânico que o homem deve intervir o menos possível no meio ambiente para não provocar o desequilíbrio do sistema. Por isso, os produtos alternativos apresentados, mesmo que a grande maioria não cause riscos ao homem ou ao ambiente, somente devem ser utilizados quando realmente necessários. Neste caso, deve-se recorrer às caldas protetoras, aos preparados de plantas e outros produtos alternativos recomendados ou tolerados no cultivo orgânico, visando ao manejo de doenças e pragas em hortaliças.
Observação: A utilização de alguns dos preparados, bem como outros produtos alternativos, é baseada em trabalhos de pesquisa em determinadas condições edafoclimáticas, outros são resultados de experiências de técnicos e agricultores. Por isso, recomenda-se sempre que o agricultor teste o produto alternativo em pequena área de cultivo e observe os resultados.

  Produtos alternativos − preparados de plantas
O uso de preparados vegetais no manejo de doenças e pragas de plantas é denominado de fitoterapia vegetal. A maioria das plantas utilizadas são plantas aromáticas, medicinais e algumas ornamentais.
Observação: Alguns dos princípios ativos das plantas usados nas formulações podem provocar irritação e intoxicação. Por isso, devem ser manipulados com cuidado, não os deixando ao alcance de criança ou animais.
A extração dos princípios ativos dos vegetais para uso agrícola, geralmente, é feita pelos métodos de maceração, fervura e infusão.
 Preparado por maceração: As plantas são picadas bem finas ou amassadas e postas num recipiente com água, álcool ou óleo. O tempo de maceração varia de 1 a 10 dias, conforme as partes das plantas usadas. Partes mais tenras ficam menos tempo e as mais lenhosas, mais tempo. Deve-se agitar a maceração duas vezes por dia.
 Preparado por fervura: As plantas são picadas ou amassadas e postas a ferver por 10 minutos. O recipiente deve ter tampa e permanecer tampado até que o líquido esfrie, para não perder os princípios ativos com o vapor.
 Preparado por infusão: As plantas são picadas ou amassadas num recipiente, despejando-se água fervente sobre elas. Deixar abafado por, no mínimo, 10 minutos.

Diversos extratos são eficientes na nutrição suplementar, na estimulação fisiológica e na proteção sanitária. Outros preparados necessitam de comprovação através de pesquisas em diferentes condições de solo, clima e sistemas de produção.

     ● Preparado com cavalinha-do-campo (Equisetum arvense) Proteção de pragas – pulgões e ácaros; doenças – fungos de solo, míldio e outras e para nutrição das plantas: Ferver 1kg de folhas verdes ou 200g de folhas secas por 20 minutos em 2L de água (10%). Diluir em 10 a 20 litros de água e pulverizar no final da tarde (Deffune, 2000).

     ● Preparado com urtiga (Urtica urens L.) Nutrição, estimulante de vigor e resistência,   manejo de pulgões: deixar de molho por duas semanas 1kg de folhas verdes ou 200g de folhas secas/2 litros de água. Diluir em 20 litros de água e pulverizar nas plantas e solo no final da tarde, alternando com o preparado de cavalinha. (Deffune, 2000).

     ● Preparado com nim (Azadirachta indica) – Manejo da mosca-branca, pulgões, mosca-minadora, mosca-da-fruta, brocas-do-tomateiro, ácaros, trips, cochonilhas, minador-das-folhas-dos-citrus, outros besouros, vaquinha, nematoides, traça das crucíferas, lagartas em geral e outros; manejo de doenças: manchas de alternária, tombamento, ferrugem do feijoeiro, requeima, fusariose e esclerotínia: O nim, árvore da família Meliaceae, a mesma do cinamomo, do cedro e do mogno, é originário da Índia. O princípio ativo, denominado de azadirachtin, se concentra mais nas sementes e controla os insetos impedindo sua metamorfose em fase de larva, além de repeli-los.  O extrato de nim pode ser feito da seguinte forma:
a) folhas e ramos finos verdes picados: 1.250g para 100L de água. Deixar repousar a mistura durante 12 horas, no mínimo, coar e pulverizar imediatamente;
b) sementes moídas: 1,5 a 3kg para 100 litros de água. Deixar repousar por 12 horas, coar e pulverizar;
c) óleo de sementes: utilizar 250 a 500ml em 100L de água e pulverizar.
O extrato pode ser armazenado em frasco em local escuro por 3 dias. As lojas agropecuárias vendem o óleo de nim em embalagens de 1L, 100ml e 20ml. É empregado na dosagem de 0,5% (Abreu Junior, 1998).

 Preparado com confrei (Symphytum officinale) (manejo de pulgões): Utilizar o liquidificador para triturar 1kg de folhas de confrei com água. Acrescentar 10 litros de água e pulverizar nas plantas.

      ● Preparado com alho (manejo de trips, pulgões, lagarta-do-cartucho-do-milho e doenças [podridão negra, ferrugem e alternária]): O alho é um antibiótico natural e pode ser usado como inibidor ou repelente de parasitas de plantas ou animais.

Receita 1: Dissolver 50g de sabão em 4 litros de água, juntar 2 cabeças picadas de alho e 4 colheres de pimenta vermelha picada. Coar com pano fino e pulverizar.
Receita 2: Moer 100g de alho e deixar em repouso por 24 horas em 2 colheres de óleo mineral. Dissolver, à parte, 10g de sabão em 0,5L de água. Misturar todos os ingredientes e filtrar. Antes de usar o preparado, diluí-lo em 10L de água (Fonte: Abreu Junior, 1998);
Receita 3: (manejo de doenças fúngicas do tomateiro): 7 dentes de alho macerados em 1 litro de água. Deixa-se essa mistura em repouso durante 10 dias. Antes de usar, de forma preventiva, diluir em 10L de água (Fonte: Primavesi, 1994);

 Preparado com pimenta vermelha (manejo de vaquinhas, pulgões, grilos e paquinhas):
Receita 1: Bater 500g de pimenta vermelha em um liquidificador com 2L de água até a maceração total. Coar o preparado e misturar com 5 colheres de sopa de sabão de coco em pó, acrescentando então mais 2L de água. Pulverizar sobre as plantas atacadas (Fonte: Andrade, 1992).
Receita 2: Outra forma de preparo é bater 60g de pimenta no liquidificador com meio litro de água, acrescentando meio litro de água. Macerar por 12 horas, coar e diluir 1L do macerado para 5L de água. Pode-se dissolver um pedaço de sabão de 50g em 1L de água quente e, em seguida, misturar a calda como produto adesivo.
Receita 3: Colocar 100g de pimenta-do-reino em 1L de álcool durante 7 dias. Dissolver 60g de sabão de coco em 1L de água fervente. Retirar do fogo e juntar as duas partes. Utilizar um copo cheio para 10L de água fazendo três pulverizações a cada 3 dias. Indicação: pulgões, ácaros e cochonilhas (Fonte: Paiva, 1995).
Observação: Obedecer a um período de carência mínima de 12 dias da colheita, para evitar a obtenção de frutos com forte odor. 

 Preparado com primavera/maravilha (Bougainvillea spectabilis/Mirabilis jalapa) (manejo do vírus do vira-cabeça do tomateiro e pimentão): Juntar 1kg de folhas maduras e lavadas de buganvília (flor rosa ou roxa) com água e bater no liquidificador. Coar e diluir o macerado em 20L de água. Pulverizar imediatamente nas horas mais frescas do dia no tomateiro, iniciando na fase de mudas e terminando no início da frutificação. O preparado reduz os danos causados pelo vírus, que é disseminado por trips e sementes contaminadas, especialmente na primavera e no início do verão. O trips adquire o vírus depois de alimentar-se de plantas infectadas ou ervas nativas, transmitindo-o ao tomateiro (Fonte: Souza & Resende, 2003).


 Preparado com cebola (manejo de pulgões, lagartas e vaquinhas): Cortar 1kg de cebola e misturar em 10L de água, deixando o preparado curtindo durante 10 dias. Utilizar 1L da mistura em 3L de água para pulverizar as plantas, atuando como repelente.

 Preparado com losna (manejo de lagartas, lesmas, percevejos e pulgões): Diluir 30g de folhas secas de losna em 1L de água, fervendo essa mistura durante 10 minutos. Adicionar 10L de água ao preparado para pulverização.

Preparado com cravo-de-defunto (manejo de pulgões, ácaros, algumas lagartas e nematoides): Misturar 1kg de folhas e talos de cravo-de-defunto (Tagetes sp.) com ou sem flores em 10L de água. Levar ao fogo, deixando ferver durante meia hora ou deixar os talos e folhas picados em molho por 2 dias. Coar e pulverizar sem diluir. O cravo-de-defunto em área infestada de nematoides é um repelente natural.

 Preparado com chuchu (manejo de lesmas e caracóis): Colocar dentro de latas rasas pedaços de chuchu cortados ao meio, adicionando-se sal. A mistura é bastante atrativa para essas pragas, possibilitando, depois, a eliminação mecânica.

 Preparado com camomila (manejo de doenças fúngicas): Misturar 50g de flores de camomila em 1L de água. Deixar de molho durante 3 dias, agitando quatro vezes ao dia. Depois de coar, pulverizar a mistura sem diluir, três vezes a cada 5 dias.


Preparado com sálvia (manejo de lagartas da couve): Derramar 1L de água fervente sobre duas colheres de sopa de folhas secas de sálvia. Tampar o recipiente e deixar em infusão durante 10 minutos. Agitar bem, filtrar e pulverizar imediatamente sobre as plantas visando à borboleta branca, que coloca os ovos nas folhas de couve, originando as lagartas que comem as folhas.

● Preparado com samambaia (manejo de ácaros, cochonilhas e pulgões): Colocar 500g de folhas frescas ou 100g de folhas secas em 1L de água. Ferver por meia hora. Para a aplicação, diluir 1L desse macerado em 10L de água.

 Preparado com cinamomo (manejo de pulgões e cochonilhas): Colocar 500g de sementes maduras, secas e moídas numa mistura de 1L de álcool e 1L de água. Deixar descansar por 4 dias. Depois de pronto o extrato, armazenar em vidros ou em garrafas de cor escura. Diluir a solução do extrato a 10%, ou seja, para cada litro de extrato usar 10L de água e aplicar nas partes atacadas das plantas. O restante das sementes secas pode ser guardado em potes para uso posterior. O cinamomo, ou árvore-santa (Melia azedarach), é uma planta da mesma família do nim, cujas folhas e sementes têm propriedades inseticidas (Fonte: Uso do... 2001).

Preparado com coentro (manejo de ácaros e pulgões): Cozinhar folhas de coentro em 2L de água. Para pulverizar sobre as plantas, acrescentar água. (Fonte: Zamberlan & Froncheti, 1994).


Bibliografia citada

ABREU JUNIOR, H. (Coord.). Práticas alternativas de controle de pragas e doenças na agricultura: coletânea de receitas. Campinas, SP: Emopi, 1998. 112p.

DEFFUNE, G. Curso fundamental de revisão científica e prática em agroecologia, agricultura orgânica e alelopatia aplicada. 2000. 27p.

PRIMAVESI, A. Manejo ecológico de pragas e doenças: técnicas alternativas para a produção agropecuária e defesa do meio ambiente. São Paulo: Nobel, 1994. 137p.

SOUZA,J.L. DE; RESENDE, L. de S. E. Manual de horticultura orgânica. Viçosa: Aprenda Fácil, 2003 564p.

USO do cinamomo como inseticida e relente. Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável, Porto Alegre, v. 2, n.3, p.69, jul./set. 2001.

ZAMBERLAN, A.F.; FRONCHETI, A. Agricultura alternativa: um enfrentamento à agricultura química. Passo Fundo, RS:Ed. P. Berthier, 1994, 167p.








Ferreira On 8/10/2015 11:11:00 AM Comentarios LEIA MAIS

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Mercado e Economia

Autor: Irceu Agostini

Publicação:  O trabalho compõe a parte I – Recomendações gerais para produção sustentável de hortaliças -  do Boletim Didático nº 107  “Produção de hortaliças em Santa Catarina”, publicado pela Epagri. Interessados em adquirir a publicação completa e ilustrada com 156 páginas, devem entrar  em  contato  através do site: www.epagri.sc.gov.br

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Recomendações gerais
     A atividade olerícola possui algumas peculiaridades, entre elas a alta perecibilidade dos produtos, o ciclo curto das hortaliças e o uso intensivo de área, mão-de-obra e insumos.
     Devido a essas peculiaridades e, sobretudo, ao alto dinamismo da atividade, a primeira e mais importante providência do produtor ao iniciar (ou incrementar) a produção de hortaliças é procurar conhecer bem o mercado que irá absorver seus produtos. Algumas questões devem ser levantadas antes mesmo de iniciar o plantio, como: “o que, para quem e quanto produzir”. Só depois disso é que se passa a levantar a questão do “como produzir”, ou seja, “qual a tecnologia de produção”.

A rentabilidade de algumas hortaliças
     A título de exemplo, apresenta-se, a seguir, a rentabilidade de algumas hortaliças cultivadas na região central do Litoral Catarinense (Tabela 1). Estes resultados foram levantados pelo grupo de gestão agrícola, vinculado ao projeto de Administração Rural e Socioeconomia da Epagri, que acompanhou propriedades produtoras de hortaliças da região durante o período estudado.

Tabela 1 - Renda bruta, custos variáveis e margem bruta das principais hortaliças cultivadas na região central do Litoral Catarinense, nos anos 1995 -2001. 

Atividades

Indicadores (US$/ha)2
Renda
Bruta*
Custos Variáveis1
Margem Bruta*
Batata doce
3.733
223
3.510
Beterraba
4.985
1.200
3.785
Cenoura 
2.888
530
2.358
Couve-flor 
4.443
917
3.526
Repolho
6.888
870
6.019
Tomate
18.387
3.445
14.942
Fonte: Epagri, 2005.
1 A renda bruta resulta da quantidade vendida dividida pelo preço da hortaliça; a margem bruta é a diferença entre a renda bruta e o custo variável, que é a soma de todos os custos efetuados na cultura, excluídos os custos fixos (que são os gastos com a infraestrutura utilizada na produção, como terra, máquinas, equipamentos, benfeitorias, etc).

2 Os valores, em dólares (US$) por hectare, referem-se à média das melhores propriedades acompanhadas durante este período.


     Em todas as atividades é possível perceber que a margem bruta é sempre um valor muito alto em relação ao custo variável. É que o custo da mão-de-obra, que é um custo expressivo, foi incorporado ao custo fixo, por se tratar de mão-de-obra familiar. Assim, mesmo que o valor da margem bruta seja alto, isto não garante que a atividade seja lucrativa, pois desta margem bruta ainda precisa ser descontado o custo da mão-de-obra familiar e todos os demais custos fixos.
     O cultivo de tomate é o que apresenta a maior margem bruta, muito acima das dos demais cultivos, como pode ser observado na Tabela 1. Isto, no entanto, não permite concluir que o tomate sempre será o cultivo mais rentável dentro da olericultura porque o preço das hortaliças pode variar muito de um ano para outro e, consequentemente, a margem bruta também e qualquer projeção de resultados econômicos poderá ser rapidamente anulada devido a estas grandes flutuações nos preços. Diante disso, a recomendação econômica mais segura em relação à escolha da espécie a ser cultivada é a diversificação de cultivos. Ao diversificar os cultivos, o produtor tem a chance de recuperar com uma espécie o que tiver perdido com outra. Mas também não se pode exagerar na diversificação, utilizando um grande número de espécies, porque haverá dificuldades na operacionalização do sistema, seja pela dificuldade de especialização do produtor, seja pela maior complexidade na condução da produção em si e da própria comercialização.
     Ainda que o tomate apresente a maior margem bruta (Tabela 1) não é possível afirmar que o tomate seja a cultura olerícola mais rentável porque esta margem bruta está expressa como “por hectare”. Dividindo-se as margens brutas da Tabela 1 pelas respectivas necessidades de mão-de-obra de cada cultura, as margens brutas passam a ser expressas em margem bruta “por dia-homem (DH) trabalhado” (Tabela 2). Assim, pode se observar que o tomate apresenta uma das menores margens brutas por DH trabalhado, sendo o repolho o cultivo de maior margem bruta por DH.
     Então, de acordo com os dados apresentados, que cultivo o produtor deveria incrementar se pretendesse aumentar sua renda? Para saber a resposta é preciso investigar o motivo pelo qual o produtor não expande a sua produção atual, se é por falta de área ou por falta de mão-de-obra? Se for por falta de área, então o produtor deveria aumentar a área de tomate, pois é o que apresenta a maior margem bruta para cada hectare cultivado (Tabela 1). Se é por falta de mão-de-obra, que provavelmente será o caso mais frequente, então o produtor deveria aumentar a área de repolho, pois é o que apresenta a maior margem bruta para cada DH trabalhado.

Tabela 2 - Renda bruta, custos variáveis e margem bruta das principais hortaliças cultivadas na região central do Litoral Catarinense, nos anos 1995 a 2001.

Atividades

Mão de obra utilizada (DH/ha)

Indicadores econômicos (US$/DH)*
Renda
Bruta
Custos Variáveis
Margem Bruta
Batata doce
71
53
3
50
Beterraba
55
91
22
69
Cenoura 
118
24
4
20
Couve-flor
60
74
15
59
Repolho
53
130
16
114
Tomate
454
41
8
33
Nota: ha = hectare.
*Os valores, em dólares (US$) por dia-homem (DH), referem-se à média das melhores propriedades acompanhadas durante este período
Fonte:  Rochenbach et al., 2005

     Portanto, o fator determinante para que o produtor possa escolher a espécie olerícola que irá cultivar está em conhecer qual o fator de produção mais limitante, se a área ou a mão-de-obra. O produtor deve preferir aquela que  agrega mais margem bruta em relação ao fator de produção que mais limita a produção.












sábado, 10 de outubro de 2015

Mosca-das-frutas: principal praga das frutíferas, especialmente no final da primavera e verão

Fonte:  O trabalho faz parte do livro “Cultive uma horta e um pomar orgânico: colha sabor e saúde”, publicado pela Epagri. Interessados em adquirir a publicação completa e ilustrada com 319 páginas, devem entrar no site: www.epagri.sc.gov.br e acessar  os link “Publicações” e “Livros”.

É a principal praga da maioria das frutas comestíveis, tendo em vista que as condições climáticas permitem, durante todo o ano, a existência de frutos cultivados e silvestres, favorecendo a sobrevivência e o deslocamento da praga de uma planta para outra. Os danos são causados diretamente nos frutos pela fêmea adulta, principalmente das espécies Anastrepha fraterculus e Ceratitis capitata), que os perfura  com o ovipositor (formato de agulha). São depositados de um a cinco ovos de onde eclodem as larvas que consomem a polpa, provocando o apodrecimento interno. A fase de oviposição dura de 65 a 80 dias, sendo que nesse período a fêmea oviposita de 278 a 437 ovos. Dentro da fruta, as larvas passam por várias fases de desenvolvimento até alcançar a maturação, momento em que saem do fruto para o solo, se enterram e, em aproximadamente duas semanas, surgem as novas moscas adultas que reiniciam o ciclo de vida. O período de maior ocorrência das moscas vai de novembro a março, quando as temperaturas são mais altas. Outro fator que também favorece a disseminação da praga é a existência de diversos ciclos de frutificação de um mesmo hospedeiro ao longo do ano, a exemplo da goiaba, da carambola e dos citros.

Manejo da praga: antes do advento dos inseticidas químicos, o controle da mosca limitava-se às práticas de controle biológico e mecânico, tais como limpeza dos pomares, recolhimento dos frutos que caíram no solo, capinas e lavras superficiais, com a finalidade de destruição das pupas, e caça com vidros pega-moscas (armadilha). Atualmente, diante da preocupação cada vez maior dos consumidores com o ambiente, recomendam-se várias práticas no sentido de reduzir ao máximo os danos com as pragas. O ensacamento, o controle biológico natural, o uso do extrato e do óleo de nim e o preparo de armadilhas são práticas recomendadas:

Ensacamento das frutas: é uma das práticas fitossanitárias mais antigas e eficazes. Na década de 60, na grande Porto Alegre, era prática usual, mesmo na produção comercial, a utilização de sacos de papel encerado e de papel-manteiga para ensacar as frutas e folhas de jornal para proteger os cachos de uva do ataque de vespas e outros insetos. No caso de citros, até hoje ainda é feita a proteção com papel-jornal. De forma geral, deve-se proteger os frutos no período de maior ataque das moscas, ou seja, no final da primavera e no verão. Em geral, a mosca ataca preferencialmente frutos maduros (amarelos), pois as larvas não conseguem se desenvolver em frutos verdes. Para os frutos de pêssego, o ideal é ensacá-los antes do início do inchamento do fruto (diâmetro de 6 a 7cm). No caso das goiabas, recomendasse ensacar os frutos ainda pequenos (tamanho de azeitonas) com saquinhos de papel encerado com o objetivo de protegê-las das moscas e também do gorgulho e de outras pragas. Atualmente, existem no comércio vários tipos de sacos de papel, confeccionados por diversas firmas e destinados ao ensacamento de pêssego, ameixa, goiaba, laranja, bergamota ou mexerica, pêra, maçã e caqui, entre outras frutas. Os principais tipos são de papel encerado, branco (40g/m2) e de papel pardo. Os tamanhos são variáveis conforme a fruta, sendo o de 35 x 18cm para pêssego, ameixa e goiaba e o de 40 x 24cm para pêra, caqui e bergamota ou tangerina.

Controle biológico natural: consiste no recolhimento e no enterrio dos frutos caídos no solo com o objetivo de matar as larvas neles alojadas. A armadilha deve ser preparada da seguinte forma: faz-se a coleta dos frutos caídos, colocando-os em pequenos buracos (50 x 50 x 30cm) no meio do pomar; no fundo do buraco coloca-se uma camada de 10cm de areia, coberta por uma tela fina (malha de 2mm) para impedir a saída das moscas (larvas já transformadas em adultos) e facilitar a passagem das vespinhas que fazem o controle biológico.


Armadilhas (caça-moscas): é um recipiente simples utilizado como armadilha para capturar os adultos da mosca-das-frutas. Pode ser adquirido pronto nas casas agropecuárias ou pode ser adaptado de um recipiente de plástico, deixando-se algumas aberturas na porção mediana e colocando-se uma isca atrativa. As armadilhas deixam as moscas entrarem atraídas pela isca, as quais morrem por afogamento. Preparo e uso da armadilha PET (garrafas plásticas transparentes de refrigerantes, águas, sucos, etc.): marcam-se na garrafa PET, com auxílio de uma caneta, três retângulos de 2cm de altura por 1cm de largura na parede lateral, a uma altura de 10cm a partir da base da garrafa. Cortam-se os quadrados, seguindo as linhas marcadas com a caneta, com a ponta de um objeto cortante. Através desses quadrados vazados os insetos entrarão no interior da armadilha. Prende-se uma das extremidades do fio de arame de 30cm no gargalo da garrafa, logo abaixo do encaixe da tampa, sendo que a outra extremidade será usada para pendurar a armadilha na fruteira. Antes de pendurar a armadilha, deve-se abastecê-la com a isca atrativa (300ml) feita com melaço de cana-de-açúcar a 7% ou com vinagre de vinho tinto (25%); acrescentar 10g de bórax na solução para retardar a decomposição do atrativo e por ser tóxico para os adultos da mosca-das-frutas. Instalação e manutenção da armadilha PET: deve ser instalada uma a cada 50m na porção mediana da copa da fruteira a uma altura de 3/4 do total, a partir do nível do solo (Figura 1), num galho que fique mais para a periferia (Figura 2) e na porção menos exposta ao sol (leste). Os frascos devem ser inspecionados a cada 15 dias, no máximo, trocando-se a isca e enterrando-se no solo os insetos capturados. Deve-se tomar cuidado para que o frasco mantenha a transparência e que o atrativo não escorra pela parte externa do mesmo para evitar que as moscas se alimentem por fora e vão embora.

Figura 1. Armadilha caça-moscas confeccionada com garrafa PET e utilizada em goiabeira




Figura 2. Posição correta da instalação da armadilha em goiabeira

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Produtos alternativos utilizados no manejo de doenças e pragas em hortaliças Parte III (final) : Outros produtos recomendados ou tolerados no cultivo orgânico

Publicação:  O trabalho faz parte do ANEXO B do Boletim Didático nº 88 “Produção orgânica de hortaliças no litoral sul catarinense”. publicado pela Epagri. Interessados em adquirir a publicação completa e ilustrada com 204 páginas, devem entrar no site: www.epagri.sc.gov.br e acessar  os link “Publicações” e “Boletim didático”.


Mesmo no cultivo orgânico podem ocorrer desequilíbrios temporários que aumentam a população de insetos-pragas ou patógenos nocivos em níveis incontroláveis. Esses fatores podem ser chuvas ou secas excessivas, mudas ou sementes de baixa qualidade, tratamentos com agrotóxicos agressivos nas propriedades vizinhas, uso de cultivares não adaptados, solos degradados e adubações desequilibradas.
Recomenda-se no cultivo orgânico que o homem deve intervir o menos possível no meio ambiente para não provocar o desequilíbrio do sistema. Por isso, os produtos alternativos apresentados, mesmo que a grande maioria não cause riscos ao homem ou ao ambiente, somente devem ser utilizados quando realmente necessários. Neste caso, deve-se recorrer às caldas protetoras, aos preparados de plantas e outros produtos alternativos recomendados ou tolerados no cultivo orgânico, visando ao manejo de doenças e pragas em hortaliças.
Observação: A utilização de alguns dos preparados, bem como outros produtos alternativos, é baseada em trabalhos de pesquisa em determinadas condições edafoclimáticas, outros são resultados de experiências de técnicos e agricultores. Por isso, recomenda-se sempre que o agricultor teste o produto alternativo em pequena área de cultivo e observe os resultados.

Outros produtos alternativos recomendados ou tolerados no cultivo orgânico

a) Água de cinza e cal (“fertiprotetor” de plantas): É um produto ecológico obtido pela mistura de água, cinza e cal, recomendado para aumentar a resistência das culturas às pragas, reduzindo a ocorrência de vaquinhas e pulgões e também de doenças. Essa mistura contém expressivos teores de macro (Ca, Mg e K) e micronutrientes, estimulando a resistência às doenças fúngicas e bacterianas. (Fonte: Claro, 2001).
Modo de preparar: Em um recipiente de alvenaria, plástico ou latão misturar 5kg de cal hidratado e 5kg de cinza peneirada com 100L de água. A mistura deve permanecer em repouso no mínimo por 1 hora antes de ser utilizada. Nesse período, agita-se a mistura no mínimo três a quatro vezes, com madeira ou taquara. Após a última agitação, esperam-se 10 a 15 minutos para que ocorra a sedimentação das partículas sólidas. A água de cinza e cal deve ser coada antes do uso, usando-se a peneira do pulverizador. A mistura deve ser filtrada e armazenada em bombonas. No momento de usá-la, basta agitar o conteúdo que irá retomar a cor branco-leitosa. Preferencialmente, no momento de usá-la, pode-se associá-la a um espalhante adesivo (farinha de trigo a 2%).
Cuidados na aplicação: Evitar aplicar em horários de intenso calor. No verão, aplicar à tardinha ou de manhã cedo, especialmente quando a cinza utilizada for de madeira, pois tem maior concentração de nutrientes e é mais salina e alcalina. 

b) Enxofre (acaricida): É um produto natural que pode ser usado puro ou na calda sulfocálcica visando o manejo de ácaros. Ao ser utilizado puro, devem-se misturar, a seco, 800g de enxofre e 200g de farinha de milho bem fina, diluindo 34g em 10 litros de água e aplicar sobre as plantas (Fonte: Paulus, 2000).

c) Farinha de trigo (espalhante adesivo ecológico e manejo de ácaros, pulgões e lagartas): Quanto mais cerosa for a superfície da folha ou ramos das plantas tratadas, maior número de gotas se forma, menor a área de molhamento, maior a possibilidade de injúrias e menor a eficiência da pulverização sobre a nutrição ou manejo de pragas e doenças. Dentre as hortaliças, alho, cebola, repolho e couve-flor são exemplos de culturas com alta cerosidade nas folhas e que exigem, por isso, o uso de espalhante adesivo nas pulverizações das caldas, da água de cinza e cal e de outros produtos alternativos. Quando as gotas permanecem inteiras sobre a superfície foliar, por falta de espalhante adesivo, podem danificar os tecidos vegetais quando o sol incide sobre elas.
Modo de preparar: Em um recipiente apropriado, misture com água os ingredientes a serem pulverizados, acrescentando a farinha por último. Adicionar a farinha aos poucos, lentamente, sob forte e constante agitação com auxílio de uma pá de madeira ou taquara para que a dissolução seja completa. Para evitar obstrução de bicos do pulverizador recomenda-se coar a calda, podendo-se utilizar a própria peneira do pulverizador.
Dosagem: 200g de farinha de trigo em cada 10L de calda. Essa dose pode ser aumentada ou diminuída de acordo com o grau de cerosidade das folhas.
No manejo de insetos-pragas que ocorrem em hortas, recomenda-se o seguinte preparo: diluir 1 colher de sopa de farinha de trigo em 1L de água e pulverizar nas folhas atacadas. Aplicar pela manhã em cobertura total nas folhas, em dias quentes, secos e com sol; mais tarde, as folhas secando com o sol formam uma película que envolve as pragas e caem com o vento.

d) Leite cru (manejo de ácaros, ovos de lagartas, lesmas, doenças fúngicas e viróticas): O leite, na sua forma natural ou como soro de leite, é indicado para o manejo de ácaros e ovos de diversas lagartas como atrativo para lesmas e no controle de várias doenças fúngicas e viróticas. Pesquisa comprovou a eficiência do leite cru (+10%) sobre o oídio em cucurbitáceas, mesmo após o início da infecção no campo, superando o leite industrializado (tipo C e o longa vida). Essa maior eficiência do leite cru e fresco pode ser explicada, em parte, pela maior concentração de substâncias e de microrganismos fermentados em relação aos leites industrializados. (Fonte: Zatarim et al., 2005).

e) Iscas tóxicas com ácido bórico (manejo de lesmas): A isca deve ser formulada com 7 partes de farinha de trigo, 3 partes de farinha de milho, 3% a 5% de ácido bórico (encontrado em farmácias) e ovos. A pasta resultante deve ser filamentosa, seca à sombra, fragmentada em pedaços de 0,5cm de comprimento e distribuída na área infestada (Fonte: Milanez & Chiaradia, 1999b).

f) Iscas com plantas e sementes de gergelim e com raízes de mandioca-brava ralada (manejo de formigas): O uso de sementes de gergelim como iscas, para ninhos pequenos, na base de 30 a 50g, ao redor do olheiro, é útil no combate a formigas, que vão carregá-las para dentro com o objetivo de alimentar os fungos que, por sua vez, morrem intoxicados, deixando as formigas sem alimento (fungos). Um bom método natural para espantar as formigas é espalhar sementes de gergelim em torno dos canteiros ou da área a ser protegida. Raízes de mandioca-brava raladas colocadas ao redor do formigueiro intoxicam as formigas com o ácido cianídrico.

g) Cinzas de madeira (manejo de pulgões e lagarta-rosca e dos fungos míldio e sapeco; nutrição): Além de ser um ótimo adubo rico em potássio, o polvilhamento de cinza sobre as culturas controla os pulgões dos cítrus (laranja, limão e outras) das hortaliças e de outras espécies. Polvilhada sobre o solo ou incorporada a ele, controla a lagarta-rosca por um período de 10 dias, dependendo do clima. No manejo da doença do sapeco da folha, que ocorre em cebolinha verde, e em sementeiras de cebola na fase de produção de mudas, recomenda-se aplicar sobre as plantas, antes que o sereno (orvalho) evapore, 50g/m2 de cinza de madeira.

h) Manipueira (nutrição; inseticida, acaricida, nematicida, fungicida, herbicida; manejo de fungos, pragas de solo e formigas): É um líquido de aspecto leitoso e de cor amarelo-clara que escorre das raízes da mandioca, por ocasião da sua prensagem para obtenção de fécula ou farinha de mandioca. Portanto, é um subproduto ou um resíduo da industrialização da mandioca que fisicamente se apresenta na forma de suspensão aquosa e, quimicamente, como uma miscelânea de compostos que possuem macro e micronutrientes vegetais. Embora atualmente seja cedida gratuitamente, pois é um produto descartável, muito em breve poderá ser aproveitada como inseticida, acaricida, nematicida, fungicida, herbicida e até como adubo.
Dosagem: Como inseticida e acaricida, o tratamento deve constar de, no mínimo, de três ou quatro pulverizações aplicadas em intervalos semanais, puras ou diluídas, conforme a cultura, acrescentando-se 1% de farinha de trigo para maior aderência. Para tratamento de árvores frutíferas (cítrus, abacateiro e outras) e arbustos (maracujá), usar a diluição 1:1 (manipueira:água); para plantas herbáceas de maior porte (pimentão, berinjela, etc.), diluições de 1:2 e 1:3 e para as espécies de menor porte, usar a diluição 1:4.
Como fungicida (para oídios e ferrugens) e bactericida, devem ser observadas as mesmas recomendações prescritas para seu uso como inseticida.
No controle de nematoides, utilizar manipueira (1:1) aplicando no solo, na linha de cultivo, com auxílio de regador, 2 a 4L da diluição por metro de sulco. A aplicação deve ser antes do plantio, devendo o solo ficar em repouso por 8 dias ou mais e, posteriormente, ser revolvido levemente a parte que compõe e margeia a linha de cultivo, antes de proceder à semeadura ou ao plantio.
Observação: recomenda-se sempre fazer um teste preliminar com algumas plantas com o objetivo de ajustar a diluição à sensibilidade da planta a ser tratada e da praga a ser controlada (Fonte: Ponte, 2006).
No manejo de formigas, utilizar 2L de manipueira no formigueiro para cada olheiro, repetindo a operação a cada 5 dias. Em tratamento de canteiro, regá-lo usando 4L de manipueira e uma parte de água, acrescentando 1% de açúcar ou farinha de trigo. Aplicar em intervalos de 14 dias, pulverizando ou irrigando.

i) Urina de vaca em lactação (manejo de pragas, doenças e nutrição): indicada para legumes em geral e para o abacaxi, pois contém catecol, substância que aumenta a resistência das plantas ao ataque de pragas e doenças. No abacaxi, a urina é eficiente no controle de fusariose. No geral, durante os 3 primeiros dias após aplicação, age como repelente contra insetos, principalmente a mosca-branca. Serve também como fonte de macro e micronutrientes (Fonte: Gadela et al., 2002).
Coleta e preparo: Coletar a urina e colocá-la em recipiente plástico fechado durante 3 dias, que é o tempo necessário para que a ureia se transforme em amônia.  Pode ser guardada por 1 ano em vasilha fechada. A coleta da urina é simples e deve ser feita na hora de tirar o leite, pois ao ter as pernas amarradas para a ordenha é normal o animal urinar. 
Dosagem e aplicação: Para cada 100L de água usar 1L de urina de vaca em lactação. Pulverizar sobre a planta a cada 15 dias.
Recomendações: Toda pulverização com solução de urina deve ser aplicada nas horas frescas do dia. Evitar o uso em hortaliças folhosas e em hortaliças-frutos próximo à colheita devido ao forte odor. A urina de cabra também pode ser utilizada, mas como possui maior concentração de nitrogênio, deve ser colocado meio litro de urina para cada 100L de água. Dar preferência à urina de vacas em lactação porque tem mais substâncias (fenóis e hormônios) que as outras. O cheiro forte após a aplicação permanece durante 3 dias,  agindo nesse período como repelente de insetos.


Bibliografia citada

CLARO, S.A. Uso de água de zinza e cal como fertiprotetor de plantas. Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável, Porto Alegre, v., n.4, p.55-57, out./dez.2001.

GADELHA, R.S.S.; CELESTINO, R.C.A.; SHIMOYA, A. Efeito da urina de vaca na produtividade do abacaxi. Pesquisa Agropecuária & Desenvolvimento Sustentável, Niterói, v.1, n.1, p.91-95, dez. 2002.

PAULUS, G.MULLER, A.M.; BARCELLOS, L.A.R. Agroecologia aplicada: práticas e métodos para uma agricultura de base ecológica. Porto Alegre, RS: Emater-RS, 2000. 86p.

ZATARIM, M.; CARDOSO, A.I.I.; FURTADO, E.L. Efeito de tipos de leite sobre oídio em abóbora plantadas a campo. Horticultura Brasileira, v.23, n.2, p.198-201, abr./jun, 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?scrip=sci-arttext&pid=SO102-05362005000200007>.Acesso em: 11 jul. 2008.

MILANEZ, J.M.; CHIARADIA, L.A.  Eficiência de iscas com base em ácido bórico no controle de Sarasinula linguaeformis (Semper, 1885) (Mollusca, Veronicellidae). Pesquisa Agropecuária Gaúcha, Porto Alegre, v.5, n.2, p.351-355, 1999 b.

PONTE, J.J. da. Cartilha da manipueira: uso do composto como insumo agrícola. e. ed. Fortaleza: Banco do Nordeste do Brasil, 2006. 64p.




segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Produtos alternativos utilizados no manejo de doenças e pragas em hortaliças Parte II : Preparados de Plantas

Publicação:  O trabalho faz parte do ANEXO B do Boletim Didático nº 88 “Produção orgânica de hortaliças no litoral sul catarinense”. publicado pela Epagri. Interessados em adquirir a publicação completa e ilustrada com 204 páginas, devem entrar no site: www.epagri.sc.gov.br e acessar  os link “Publicações” e “Boletim didático”.


Mesmo no cultivo orgânico podem ocorrer desequilíbrios temporários que aumentam a população de insetos-pragas ou patógenos nocivos em níveis incontroláveis. Esses fatores podem ser chuvas ou secas excessivas, mudas ou sementes de baixa qualidade, tratamentos com agrotóxicos agressivos nas propriedades vizinhas, uso de cultivares não adaptados, solos degradados e adubações desequilibradas.
Recomenda-se no cultivo orgânico que o homem deve intervir o menos possível no meio ambiente para não provocar o desequilíbrio do sistema. Por isso, os produtos alternativos apresentados, mesmo que a grande maioria não cause riscos ao homem ou ao ambiente, somente devem ser utilizados quando realmente necessários. Neste caso, deve-se recorrer às caldas protetoras, aos preparados de plantas e outros produtos alternativos recomendados ou tolerados no cultivo orgânico, visando ao manejo de doenças e pragas em hortaliças.
Observação: A utilização de alguns dos preparados, bem como outros produtos alternativos, é baseada em trabalhos de pesquisa em determinadas condições edafoclimáticas, outros são resultados de experiências de técnicos e agricultores. Por isso, recomenda-se sempre que o agricultor teste o produto alternativo em pequena área de cultivo e observe os resultados.

  Produtos alternativos − preparados de plantas
O uso de preparados vegetais no manejo de doenças e pragas de plantas é denominado de fitoterapia vegetal. A maioria das plantas utilizadas são plantas aromáticas, medicinais e algumas ornamentais.
Observação: Alguns dos princípios ativos das plantas usados nas formulações podem provocar irritação e intoxicação. Por isso, devem ser manipulados com cuidado, não os deixando ao alcance de criança ou animais.
A extração dos princípios ativos dos vegetais para uso agrícola, geralmente, é feita pelos métodos de maceração, fervura e infusão.
 Preparado por maceração: As plantas são picadas bem finas ou amassadas e postas num recipiente com água, álcool ou óleo. O tempo de maceração varia de 1 a 10 dias, conforme as partes das plantas usadas. Partes mais tenras ficam menos tempo e as mais lenhosas, mais tempo. Deve-se agitar a maceração duas vezes por dia.
 Preparado por fervura: As plantas são picadas ou amassadas e postas a ferver por 10 minutos. O recipiente deve ter tampa e permanecer tampado até que o líquido esfrie, para não perder os princípios ativos com o vapor.
 Preparado por infusão: As plantas são picadas ou amassadas num recipiente, despejando-se água fervente sobre elas. Deixar abafado por, no mínimo, 10 minutos.

Diversos extratos são eficientes na nutrição suplementar, na estimulação fisiológica e na proteção sanitária. Outros preparados necessitam de comprovação através de pesquisas em diferentes condições de solo, clima e sistemas de produção.

     ● Preparado com cavalinha-do-campo (Equisetum arvense) Proteção de pragas – pulgões e ácaros; doenças – fungos de solo, míldio e outras e para nutrição das plantas: Ferver 1kg de folhas verdes ou 200g de folhas secas por 20 minutos em 2L de água (10%). Diluir em 10 a 20 litros de água e pulverizar no final da tarde (Deffune, 2000).

     ● Preparado com urtiga (Urtica urens L.) Nutrição, estimulante de vigor e resistência,   manejo de pulgões: deixar de molho por duas semanas 1kg de folhas verdes ou 200g de folhas secas/2 litros de água. Diluir em 20 litros de água e pulverizar nas plantas e solo no final da tarde, alternando com o preparado de cavalinha. (Deffune, 2000).

     ● Preparado com nim (Azadirachta indica) – Manejo da mosca-branca, pulgões, mosca-minadora, mosca-da-fruta, brocas-do-tomateiro, ácaros, trips, cochonilhas, minador-das-folhas-dos-citrus, outros besouros, vaquinha, nematoides, traça das crucíferas, lagartas em geral e outros; manejo de doenças: manchas de alternária, tombamento, ferrugem do feijoeiro, requeima, fusariose e esclerotínia: O nim, árvore da família Meliaceae, a mesma do cinamomo, do cedro e do mogno, é originário da Índia. O princípio ativo, denominado de azadirachtin, se concentra mais nas sementes e controla os insetos impedindo sua metamorfose em fase de larva, além de repeli-los.  O extrato de nim pode ser feito da seguinte forma:
a) folhas e ramos finos verdes picados: 1.250g para 100L de água. Deixar repousar a mistura durante 12 horas, no mínimo, coar e pulverizar imediatamente;
b) sementes moídas: 1,5 a 3kg para 100 litros de água. Deixar repousar por 12 horas, coar e pulverizar;
c) óleo de sementes: utilizar 250 a 500ml em 100L de água e pulverizar.
O extrato pode ser armazenado em frasco em local escuro por 3 dias. As lojas agropecuárias vendem o óleo de nim em embalagens de 1L, 100ml e 20ml. É empregado na dosagem de 0,5% (Abreu Junior, 1998).

 Preparado com confrei (Symphytum officinale) (manejo de pulgões): Utilizar o liquidificador para triturar 1kg de folhas de confrei com água. Acrescentar 10 litros de água e pulverizar nas plantas.

      ● Preparado com alho (manejo de trips, pulgões, lagarta-do-cartucho-do-milho e doenças [podridão negra, ferrugem e alternária]): O alho é um antibiótico natural e pode ser usado como inibidor ou repelente de parasitas de plantas ou animais.

Receita 1: Dissolver 50g de sabão em 4 litros de água, juntar 2 cabeças picadas de alho e 4 colheres de pimenta vermelha picada. Coar com pano fino e pulverizar.
Receita 2: Moer 100g de alho e deixar em repouso por 24 horas em 2 colheres de óleo mineral. Dissolver, à parte, 10g de sabão em 0,5L de água. Misturar todos os ingredientes e filtrar. Antes de usar o preparado, diluí-lo em 10L de água (Fonte: Abreu Junior, 1998);
Receita 3: (manejo de doenças fúngicas do tomateiro): 7 dentes de alho macerados em 1 litro de água. Deixa-se essa mistura em repouso durante 10 dias. Antes de usar, de forma preventiva, diluir em 10L de água (Fonte: Primavesi, 1994);

 Preparado com pimenta vermelha (manejo de vaquinhas, pulgões, grilos e paquinhas):
Receita 1: Bater 500g de pimenta vermelha em um liquidificador com 2L de água até a maceração total. Coar o preparado e misturar com 5 colheres de sopa de sabão de coco em pó, acrescentando então mais 2L de água. Pulverizar sobre as plantas atacadas (Fonte: Andrade, 1992).
Receita 2: Outra forma de preparo é bater 60g de pimenta no liquidificador com meio litro de água, acrescentando meio litro de água. Macerar por 12 horas, coar e diluir 1L do macerado para 5L de água. Pode-se dissolver um pedaço de sabão de 50g em 1L de água quente e, em seguida, misturar a calda como produto adesivo.
Receita 3: Colocar 100g de pimenta-do-reino em 1L de álcool durante 7 dias. Dissolver 60g de sabão de coco em 1L de água fervente. Retirar do fogo e juntar as duas partes. Utilizar um copo cheio para 10L de água fazendo três pulverizações a cada 3 dias. Indicação: pulgões, ácaros e cochonilhas (Fonte: Paiva, 1995).
Observação: Obedecer a um período de carência mínima de 12 dias da colheita, para evitar a obtenção de frutos com forte odor. 

 Preparado com primavera/maravilha (Bougainvillea spectabilis/Mirabilis jalapa) (manejo do vírus do vira-cabeça do tomateiro e pimentão): Juntar 1kg de folhas maduras e lavadas de buganvília (flor rosa ou roxa) com água e bater no liquidificador. Coar e diluir o macerado em 20L de água. Pulverizar imediatamente nas horas mais frescas do dia no tomateiro, iniciando na fase de mudas e terminando no início da frutificação. O preparado reduz os danos causados pelo vírus, que é disseminado por trips e sementes contaminadas, especialmente na primavera e no início do verão. O trips adquire o vírus depois de alimentar-se de plantas infectadas ou ervas nativas, transmitindo-o ao tomateiro (Fonte: Souza & Resende, 2003).


 Preparado com cebola (manejo de pulgões, lagartas e vaquinhas): Cortar 1kg de cebola e misturar em 10L de água, deixando o preparado curtindo durante 10 dias. Utilizar 1L da mistura em 3L de água para pulverizar as plantas, atuando como repelente.

 Preparado com losna (manejo de lagartas, lesmas, percevejos e pulgões): Diluir 30g de folhas secas de losna em 1L de água, fervendo essa mistura durante 10 minutos. Adicionar 10L de água ao preparado para pulverização.

Preparado com cravo-de-defunto (manejo de pulgões, ácaros, algumas lagartas e nematoides): Misturar 1kg de folhas e talos de cravo-de-defunto (Tagetes sp.) com ou sem flores em 10L de água. Levar ao fogo, deixando ferver durante meia hora ou deixar os talos e folhas picados em molho por 2 dias. Coar e pulverizar sem diluir. O cravo-de-defunto em área infestada de nematoides é um repelente natural.

 Preparado com chuchu (manejo de lesmas e caracóis): Colocar dentro de latas rasas pedaços de chuchu cortados ao meio, adicionando-se sal. A mistura é bastante atrativa para essas pragas, possibilitando, depois, a eliminação mecânica.

 Preparado com camomila (manejo de doenças fúngicas): Misturar 50g de flores de camomila em 1L de água. Deixar de molho durante 3 dias, agitando quatro vezes ao dia. Depois de coar, pulverizar a mistura sem diluir, três vezes a cada 5 dias.


Preparado com sálvia (manejo de lagartas da couve): Derramar 1L de água fervente sobre duas colheres de sopa de folhas secas de sálvia. Tampar o recipiente e deixar em infusão durante 10 minutos. Agitar bem, filtrar e pulverizar imediatamente sobre as plantas visando à borboleta branca, que coloca os ovos nas folhas de couve, originando as lagartas que comem as folhas.

● Preparado com samambaia (manejo de ácaros, cochonilhas e pulgões): Colocar 500g de folhas frescas ou 100g de folhas secas em 1L de água. Ferver por meia hora. Para a aplicação, diluir 1L desse macerado em 10L de água.

 Preparado com cinamomo (manejo de pulgões e cochonilhas): Colocar 500g de sementes maduras, secas e moídas numa mistura de 1L de álcool e 1L de água. Deixar descansar por 4 dias. Depois de pronto o extrato, armazenar em vidros ou em garrafas de cor escura. Diluir a solução do extrato a 10%, ou seja, para cada litro de extrato usar 10L de água e aplicar nas partes atacadas das plantas. O restante das sementes secas pode ser guardado em potes para uso posterior. O cinamomo, ou árvore-santa (Melia azedarach), é uma planta da mesma família do nim, cujas folhas e sementes têm propriedades inseticidas (Fonte: Uso do... 2001).

Preparado com coentro (manejo de ácaros e pulgões): Cozinhar folhas de coentro em 2L de água. Para pulverizar sobre as plantas, acrescentar água. (Fonte: Zamberlan & Froncheti, 1994).


Bibliografia citada

ABREU JUNIOR, H. (Coord.). Práticas alternativas de controle de pragas e doenças na agricultura: coletânea de receitas. Campinas, SP: Emopi, 1998. 112p.

DEFFUNE, G. Curso fundamental de revisão científica e prática em agroecologia, agricultura orgânica e alelopatia aplicada. 2000. 27p.

PRIMAVESI, A. Manejo ecológico de pragas e doenças: técnicas alternativas para a produção agropecuária e defesa do meio ambiente. São Paulo: Nobel, 1994. 137p.

SOUZA,J.L. DE; RESENDE, L. de S. E. Manual de horticultura orgânica. Viçosa: Aprenda Fácil, 2003 564p.

USO do cinamomo como inseticida e relente. Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável, Porto Alegre, v. 2, n.3, p.69, jul./set. 2001.

ZAMBERLAN, A.F.; FRONCHETI, A. Agricultura alternativa: um enfrentamento à agricultura química. Passo Fundo, RS:Ed. P. Berthier, 1994, 167p.








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