quarta-feira, 31 de outubro de 2012



   A exemplo das hortaliças-folhosas, que possui grande número de espécies, vamos dividir as hortaliças-frutos em 5 matérias a serem postadas. Nas quatro primeiras matérias vamos tratar das hortaliças-frutos pertencentes a família botânica das cucurbitáceas. O cultivo orgânico das hortaliças-frutos tomate, milho-verde e morango, já foram abordadas em matérias postadas em 01/03/2011, 05/10/2011 e 21/09/2012, respectivamente.
Figura 1. Hortaliças-frutos: melancia, melão, abóbora japonesa, abobrinha, chuchu, pepino, morango, pimentão, berinjela e tomate

Recomendações gerais para o cultivo das hortaliças-frutos (cucurbitáceas)
Influência de fatores climáticos: A temperatura é o fator mais importante para as hortaliças-frutos (moranga, abóbora, abobrinha, melancia, melão, chuchu e pepino) que pertencem a família botânica das cucurbitáceas. Em condições abaixo de 12ºC, o crescimento da planta paralisa. Não tolera geadas. As temperaturas mais adequadas para as cucurbitáceas estão entre 18 a 25ºC. A produtividade depende da eficiência da polinização feita pelas abelhas, sendo que a maior atividade está entre 28 a 30ºC. Temperaturas mais elevadas proporcionam maior número de flores masculinas, enquanto que temperaturas mais amenas e com período curto de luz estimulam maior número de flores femininas que darão origem aos frutos. Nos primeiros estádios de desenvolvimento, as plantas são exigentes em água, porque as raízes são ainda superficiais e o armazenamento de água na superfície é praticamente nulo. A deficiência de umidade, associada às temperaturas elevadas no solo ou no ar, pode provocar um déficit hídrico na planta com a conseqüente descoloração das folhas e secamento das plantas. Na fase de polinização e desenvolvimento do fruto, deve-se evitar que a umidade em excesso crie um microclima, ambiente favorável às doenças.
Escolha do local e análise do solo: Área de solos profundos, bem estruturados e drenados, que tenham topografia plana a levemente ondulada são as mais indicadas. O solo ideal é o areno-argiloso, fértil e rico em matéria orgânica. A exposição norte deverá ser a preferencial, por favorecer os aspectos de crescimento vegetativo e de ordem fitossanitária; porém tem-se observado na prática que nas exposições leste e oeste as plantas produzem mais flores femininas. Para melhoria da polinização e conseqüente maior pegamento de frutos é necessário escolher área protegidas dos ventos dominantes ou que tenham quebra-vento. Evitar o plantio em áreas onde, nos dois últimos anos, foram cultivadas outras cucurbitáceas e solanáceas. As espécies da família das cucurbitáceas desenvolvem-se melhor em solos moderadamente ácidos, com pH entre 5,5 e 6,5. Solos de textura média, com teores de argila em torno de 30 a 35% são os mais recomendados. Embora mais de 75% das raízes se encontrem na camadas superiores do solo (0-30cm), é recomendável que o solo tenha profundidade efetiva maior. A análise do solo deve ser feita com antecedência para que o técnico faça a recomendação adequada da adubação e correção da acidez do solo.
Produção de mudas: Ao invés do semeio direto no campo, recomenda-se a produção de mudas em copinhos de papel ou jornal (10 a 12cm de altura), confeccionados com o auxílio de uma lata de refrigerante ou cano de PVC e protegidas em abrigo. Este sistema diminui as perdas ou falhas no campo, melhora a uniformidade do estande e permite um melhor controle fitossanitário e manejo das plantas espontâneas. Além disso, os riscos de perdas de plantas devido ao frio excessivo (as plantas não toleram geadas), praticamente não existe, pois as mudas estariam protegidas. Confecção dos copinhos (Figuras 2, 3 e 4): corta-se uma folha de jornal, sem ser colorida, em cinco tiras, no sentido horizontal da página, com cerca de 11,5 cm de largura cada uma e enrola-se em torno de um cano de PVC (50mm) com 7 cm de comprimento. A extremidade do cilindro de papel é dobrada para dentro, de modo a formar o fundo do copinho e depois bate-se o fundo do cano para comprimir as dobras do fundo do molde. Posteriormente, enche-se o cano com o copinho de papel com o substrato e retira-se o mesmo para confecção de outros copinhos de papel. A reutilização de copos plásticos de refrigerantes descartáveis furados na parte de baixo e protegido em abrigos de plástico com substrato de boa qualidade é outra opção. Semeia-se 3 sementes por copo e realiza-se o desbaste quando as plantas apresentarem uma folha definitiva, deixando-se 2 mudas por copinho. As mudas devem ser transplantadas quando não houver risco de geadas e tiverem duas folhas e no máximo no início de surgimento da terceira folha verdadeira. No caso de copinhos de papel não há necessidade de retirar o papel, pois este se degrada facilmente.
Figura 2. Material necessário para confecção dos copinhos de papel
Figura 3. Confecção de copinho de papel jornal - início
Figura 4. Confecção de copinho de papel jornal – final
Preparo do solo e adubação: Sistema em covas em plantio direto : apresenta a vantagem de melhor proteção do solo e dos frutos, favorece a retenção de água, apresenta menor incidência de plantas espontâneas ("mato") e menor custo da lavoura. No outono semeia-se o adubo verde, que pode ser ervilhaca, aveia preta ou uma mistura de ambas. Após a floração da cobertura verde, no período de formação dos grãos, faz-se seu acamamento com rolo-faca ou roçadeira. Após preparar as covas (30 x30x15cm de profundidade), distribuir e incorporar o adubo; Sistema em faixas em cultivo mínimo : No outono semeia-se o adubo verde, que pode ser ervilhaca, aveia preta ou uma mistura de ambas. Trinta dias antes do plantio, lavrar e gradear em faixas com largura de 0,6 m. As faixas serão distanciadas umas das outras por 3m; Sistema em faixas com preparo do solo: deve ser feita uma aração profunda. Os torrões entre as faixas facilitam a fixação dos ramos pelas garras (gavinhas) evitando o dano pelo vento. Após a aração preparar apenas a faixa de plantio de mais ou menos 60 cm de largura espaçados de 3 em 3 metros. Abre-se um sulco e coloca-se o adubo orgânico, conforme análise do solo. Em geral, para solos de média fertilidade, recomenda-se preferencialmente composto orgânico ou ainda esterco de gado ou de aves curtidos, nas quantidades de 2,4 e 2 kg por metro de sulco , respectivamente, incorporados uniformemente ao solo 10 a 15 dias antes do plantio das mudas. Irrigação: quando necessária, pode ser por aspersão ou preferencialmente localizada. Adubação de cobertura: Se necessário (plantas pouco viçosas), deve ser realizada 20 dias após o transplante e/ou no início da frutificação, com base na análise do solo. Manejo de plantas espontâneas: quando necessário é recomendado realizar na época da adubação de cobertura. O manejo deve ser feito antes do desenvolvimento das ramas nas entrelinhas, através de roçadas (cultivo mínimo ou direto) ou grade no caso do terreno lavrado (sistema em faixas). Próximo às plantas usar a enxada.
Principais pragas e doenças: dentre as pragas destacam-se a broca dos frutos na fase de frutificação, vaquinhas (patriotas) no início de desenvolvimento das plantas e os pulgões. A broca perfura o fruto próximo ao botão floral, causando o apodrecimento. Manejo da broca das cucurbitáceas: para o manejo da broca recomenda-se utilizar iscas atrativas, como por exemplo, a abobrinha italiana - caserta (Figura 5) que também atrai a vaquinha – Diabrotica speciosa, especialmente, no início do desenvolvimento das plantas e, pulverizações semanais com dipel (broca), a partir do início da frutificação. No caso do uso de isca atrativa (abobrinha), recomenda-se a destruição das plantas, quando estiverem muito atacadas pela broca. Os pulgões formam colônias na parte de baixo das folhas sugando a seiva e transmitindo viroses. Manejo de vaquinhas e pulgões: recomenda-se os preparados à base de plantas tais como pimenta e cebola para o manejo de pulgões e vaquinhas. Para o manejo de pulgões, outros preparados tais como, cavalinha-do-campo, losna, confrei, samambaia, cinamomo, coentro e cravo-de-defunto também são eficientes (ver como preparar através de matérias já postadas neste blog). No manejo de vaquinhas, ainda existem as plantas que podem servir como iscas atrativas, tais como abobrinha caserta , tajujá , porongo ou cabaça). Dentre as doenças destaca-se o oídio (Figura 5), que é um fungo que desenvolve-se nas folhas, hastes e frutos das cucurbitáceas e feijão-vagem, apresentando uma formação semelhantes ao "pó de giz", espalhando-se por toda a superfície da folha. A doença é favorecida por temperaturas, entre 15 e 18ºC e, umidade relativa do ar, entre 20 e 100%. Manejo do oídio: no cultivo orgânico recomenda-se, preferencialmente, leite de vaca cru na concentração de 10 a 15%, mesmo após o início da infecção no campo ou produtos a base de enxofre (Kolossus ou Thiovit SC). Obs.: em função da maior atividade das abelhas na polinização, pela manhã, recomenda-se pulverizar, se necessário, sempre a tarde.
Figura 5. A abobrinha italiana – caserta (à esquerda) é uma boa isca atrativa da broca das cucurbitáceas e também da vaquinha. O fungo oídio que tem como principal sintoma a formação de um pó branco sobre as folhas, ataca o feijão-vagem (foto à direita) e as demais espécies da família das cucurbitáceas (melão, melancia, pepino, abóbora, abobrinha e moranga); o leite cru e fresco à 10% (1 L para 100 L de água) é eficiente no manejo desta doença, mesmo no início da infecção.
Rotação e consorciação de culturas: Esta é considerada a prática mais antiga no manejo de doenças e de pragas e continua sendo uma das mais eficientes entre os métodos culturais de controle. Os princípios de controle envolvido na rotação e consorciação de culturas são a redução ou destruição do meio que serve para multiplicação da doença e pragas e a melhoria das condições físicas, químicas e biológicas do solo. Dentre as famílias botânicas, as cucurbitáceas estão entre as que mais possuem problemas de pragas e doenças. Por isso, a rotação de culturas com espécies que não pertencem às cucurbitáceas é uma prática preventiva muito eficiente no manejo das pragas e doenças. O plantio de abóbora, moranga, abobrinha, pepino, melancia, melão e chuchu na mesma área e na mesma estação de cultivo favorece o aumento das pragas e doenças que são comuns. Também deve-se evitar o escalonamento de plantio destas espécies, pois as plantas mais velhas podem disseminar pragas e doenças para as plantas mais jovens. Outra prática recomendável para manejar as pragas e doenças das cucurbitáceas é a diversificação de cultivos que pode ser feita através da consorciação de cultivos com espécies de outras famílias botânicas. O aproveitamento de áreas, especialmente na implantação de pomares (Figura 6) é altamente recomendável para a consorciação com cucurbitáceas, pois além de cobrir o solo evitando a erosão, diminui a infestação de plantas espontâneas. Outra prática também recomendável visando a melhoria da fertilidade do solo é a consorciação das cucurbitáceas com adubos verdes de inverno; o crescimento lento das cucurbitáceas no final do inverno favorece esta consorciação, mantendo-se inicialmente no limpo as covas e as entrelinhas cobertas pelos adubos verdes. Quando os cultivos começarem a desenvolverem-se mais rapidamente (crescimento das gavinhas) faz-se a roçada ou gradagem nas entrelinhas.
Figura 6. Cultivo de moranga híbrida (abóbora japonesa ou kabotiá) em um pomar de oliveiras recém-implantado na Epagri/Estação Experimental de Urussanga

Produção própria de sementes crioulas: Na produção de hortaliças com base agroecológica recomenda-se resgatar a produção de sementes crioulas. As sementes crioulas são aquelas que foram sendo selecionadas e melhoradas pelos agricultores ao longo do tempo, segundo as suas necessidades e em função das condições de clima e de solo da sua região. Devido a essa seleção na região de cultivo, essas sementes são mais rústicas e resistentes às doenças e às pragas, além de serem de baixo custo e de fácil produção.
Na produção própria de sementes, alguns cuidados são importantes:
• selecionar as plantas mais vigorosas, sadias e produtivas;
• selecionar espécies e variedades adaptadas à região, ao clima e à época de semeadura/plantio;
• colher as sementes na época adequada, ou seja, quando ocorrer a maturação completa;
• armazenar as sementes em lugar fresco, arejado, seco e protegido da luz direta.
Um dos problemas enfrentados, especialmente pelos produtores de hortaliças, é o alto custo das sementes, principalmente de híbridos. Para algumas hortaliças propagadas por sementes, desde que sejam variedades e não-híbridos, pode-se produzir a própria semente para diminuir o custo e evitar a compra todos os anos. É impossível produzir sementes próprias de cultivares híbridas porque são obtidas do cruzamento entre os pais da cultivar que são um segredo de mercado, conhecidos apenas pelo melhorista ou pela companhia de sementes responsável pelo desenvolvimento do híbrido. Essas sementes geram plantas com enorme desuniformidade entre si em relação a velocidade de crescimento, resistência às pragas, doenças e adversidade climáticas, tamanho, formato, coloração, sabor e qualidade do produto final. Em geral, o nível de desuniformidade é tão alto que a exploração econômica da produção fica comprometida.

Colheita e beneficiamento de sementes de cucurbitáceas (cultivares ou sementes crioulas de pepino, moranga, abóboras, abobrinha, melão e melancia)

• Procedimento: selecionar frutos bem formados, completamente maduros, sem defeitos e doenças. Colocar as sementes e a mucilagem (líquido placentário) em vasilhas de plástico por um período de 24 a 48 horas. Após esse período, quando ocorre a fermentação natural, deve-se lavar imediatamente as sementes em água corrente, utilizando-se uma peneira. A secagem deve ser naturalmente à sombra, revolvendo-se as mesmas para diminuir o agrupamento (empelotamento).
• Beneficiamento e armazenamento: retirar as impurezas, guardar as sementes em sacos plásticos, tendo o cuidado de retirar o máximo de ar, e armazená-las em geladeira, na última gaveta da parte inferior.
Obs.: para a colheita e beneficiamento de sementes de hortaliças-frutos pertencentes à família das solanáceais (tomate, pimentão, berinjela e pimenta), recomenda-se o mesmo procedimento.









 

Ferreira On 10/31/2012 08:32:00 AM 3 comments LEIA MAIS

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Ferreira On 10/17/2012 01:33:00 PM Comentarios LEIA MAIS

quarta-feira, 3 de outubro de 2012



Chicória
A chicória (Cichorium endivia L.) é uma planta que tem sua origem na Índia Oriental e é conhecida e utilizada na alimentação humana desde o Egito antigo, na forma cozida ou como salada. Existem duas variedades claramente definidas que são Cichorium endivia var. crispa L., que é a chicória crespa, caracterizada pelas folhas bastante recortadas e, Cichorium endivia var. latifolia L., variedade lisa que tem no Brasil o maior consumo e valor comercial. Ambas têm o característico sabor amargo, que é mais forte nas folhas mais verdes. A chicória (Cichorium endívia), hortaliça-folhosa, de ciclo anual, conhecida também por endívia, escarola e chicarola, pertencente a família botânica das Asteraceae, conhecida também por Compositae ou Compostas; são aproximadamente 50.000 espécies, sendo os representantes desta família a alface, o crisântemo, o girassol, a margarida e muitos outros. A chicória é cultivada na região centro-sul do país e não forma cabeça (Figura 1). Endívias produzidas no escuro têm o sabor mais suave e doce, e coloração branca-amarelada. As flores das chicórias são azuis, muito bonitas e delicadas.
Uso culinário e propriedades nutricionais e terapêuticas: Endívias e escarolas podem ser consumidas cruas, refogadas, cozidas no vapor ou assadas. Na culinária é mais uma opção no preparo de saladas , mas também fica ótima em sopas, purês, cozidos, além de ser especialmente recomendada como recheio de pizzas. Apesar de amargas, elas têm sabor refrescante e são muito apreciadas na culinária européia. Endívias acrescentam um toque de requinte em entradas e combinam muito bem com azeite de oliva, alho, queijos cremosos, coalhadas e tomates secos. Suas folhas côncavas podem ser recheadas e servidas de várias maneiras e têm um excelente efeito na apresentação dos pratos. Elas possuem pouquíssimas calorias, cerca de 17 kcal por 100 gramas e desta forma são muito indicadas para dietas de emagrecimento. As folhas da chicória destacam-se das demais hortaliças pelo seu elevado teor de potássio. Trata-se de uma hortaliça rica em fibras, ótima para o bom funcionamento do intestino. Além disso, contém a vitamina A e é rica em vitaminas do complexo B. Possui , ainda , sais minerais como cálcio , fósforo e ferro, importantes para manter o equilíbrio do organismo.  As principais propriedades medicinais são: limpa o fígado, estimula o baço e, é recomendada para os problemas de visão em geral; também fortalece os ossos, dentes e cabelos e ativa as funções do estômago, intestino e fígado e estimula o apetite. Ativa a função biliar, quando a secreção da bile se mostra escassa, e atua como laxante.

Figura 1. Hortaliça-folhosa: chicória
Cultivo: A chicória produz melhor sob temperaturas amenas, embora haja cultivares tolerantes a temperaturas mais elevadas. Geralmente a semeadura ocorre no outono e inverno, porém pode-se cultivar ao longo do ano, em regiões de altitude. Prefere solos areno-argilosos, férteis, ricos em matéria orgânica, drenados e com o pH entre 6 e 6,8. A semeadura desta hortaliça é realizada da seguinte maneira: primeiramente, na sementeira, procede-se a semeadura utilizando-se 4 g/m2 de sementes. Após ter transcorrido quatro a cinco semanas as plantinhas terão 4 a 6 folhas, momento do transplante para o local definitivo, em canteiros com cerca de 20 cm e irrigado regularmente. A época de cultivo das chicórias varia de acordo com o clima e com a cultivar. A chicória lisa é a variedade com maior valor comercial e é colhida em até 80 dias após a semeação. As diversas cultivares de chicória apreciam o clima ameno, com temperaturas entre 14º e 18ºC. Em climas quentes elas tendem a ficar com o sabor muito amargo. Temperaturas acima de 25ºC afetam o desenvolvimento da planta, que fica com folhas mais grossas e menores. Chicórias são muito exigentes em fertilidade e, se ressentem em caso de excesso ou carência de adubos. Rega-se abundantemente. Para se conseguir chicórias de melhor apresentação, mais claras e tenras, recorre-se ao estiolamento, procedendo da seguinte forma: amarra-se um cordão ou material similar de modo a proteger o "coração" da planta dos raios solares e mantendo-se neste estado por uns 15 dias. As regas não deverão atingir o "coração" da planta.
Outros tratos culturais importantes são as irrigações freqüentes e escarificações, mantendo o solo fofo, a fim de possibilitar à planta melhores condições de desenvolvimento. As doenças e pragas que atacam a chicória são basicamente as mesmas que atacam o alface, que são os pulgões, lesmas, caracóis e insetos que mastigam suas folhas. As doenças mais comuns são a podridão-basal, o vira-cabeça, a septoriose e a queima-de-saia, entre outras. Dentre as medidas preventivas para o manejo das pragas e doenças, estão a adubação equilibrada conforme análise do solo, pois um solo bem suprido de nutrientes dará maior resistência às plantas e a rotação de culturas com espécies de famílias botânicas diferentes; por ser uma hortaliça folhosa é bastante exigente em nitrogênio, por isso, na rotação de culturas recomenda-se, especialmente as leguminosas. Caso seja necessário o uso de produtos alternativos no manejo de doenças e pragas, recomenda-se os utilizados no cultivo de alface (ver matéria postada neste blog em18/01/2011).

Colheita:
A colheita deve ser realizada aos 80 a 90 dias após a semeadura, com rendimento aproximado de 25 a 30 toneladas por hectare. A chicória pode ser guardada em geladeira, em sacos plásticos, sem lavar, por até 7 dias.

Espinafre

Os primeiros relatos do cultivo do espinafre (Figura 2) vêm da Espanha na época das cruzadas. Provavelmente foi trazido pelos árabes no seu avanço pela Península Ibérica. Logo foi introduzido na Europa inteira e no século 16 já era uma das verduras mais encontradas no continente. Existem dois tipos de espinafre, originários de diferentes regiões. Um deles pertence à família Chenopodiaceae, é nativo do sul da Ásia e foi levado para a Europa no início do século 12. O outro, mais fácil de ser encontrado no Brasil, é da família Aizoaceae, com origem na Nova Zelândia e Austrália. É cultivado principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. É muito consumido na Europa e nos Estados Unidos. Atualmente, o consumo no Brasil já é considerado bastante elevado, apesar de proporcionalmente bem menor do que nos países europeus e nos Estados Unidos. A planta (Spinacia oleracea) possui flores masculinas e femininas que, desta forma, são responsáveis pelo desenvolvimento e proliferação deste vegetal. O caule do espinafre é curto e as folhas crescem ao seu redor.
Uso culinário e propriedades nutricionais e terapêuticas: Na culinária, o espinafre é muito utilizado cozido ou em saladas, sopas e recheios de tortas, massas, como pasteis, calzones, raviolis e pizzas, além de patês e molhos cremosos para carnes e massas. O espinafre é uma planta bastante apreciada pelas suas características nutritivas, por conter muitas vitaminas, principalmente a C e por ter apenas 25 calorias em cada 100g.  A hortaliça é rica em ferro, vitaminas A, B1, B2, B5, C, D, E, K, cálcio, fósforo, potássio, magnésio, ferro, sódio, enxofre, cloro e silício. O espinafre é indicado para pessoas com anemia e desnutrição, além de ajudar no combate à pressão arterial alta e colesterol. Porém não é recomendado para quem sofre de ácido úrico, gota e cálculos renais, por ter alta concentração de ácido oxálico, o que atrapalha a absorção de ferro, cálcio e outros minerais. As folhas verde-escuras contêm antioxidantes e bioflavonóides que ajudam a bloquear as substâncias causadoras de câncer, especialmente do pulmão e próstata. Uma xícara de espinafre fresco também fornece 190 mcg (microgramas) de folato, um nutriente especialmente importante para mulheres grávidas ou que estejam planejando engravidar, porque ajuda a prevenir defeitos neurológicos congênitos. A deficiência de folato pode causar também um tipo grave de anemia. As quantidades de vitaminas e minerais em 100 gramas de espinafre cru são:. vitamina A (9376 UI), C (28.1 mg), E (2.0 mg), K (483 mcg), B6 (0.2 mg), niacina (0.7 mg), tiamina (0.1 mg), riboflavina (0.2 mg), folato (194 mcg), cálcio (99.0 mg), ferro (2.7 mg), magnésio (79.0 mg), fósforo (49.0 mg), potássio (558 mg), cobre (0.1 mg) e manganês (0.9 mg).
Figura 2. Hortaliça-folhosa: Espinafre
 Cultivo: Foram desenvolvidas muitas variedades de espinafres, que se dividem em três tipos principais: Savoy (de folhas verde-escuras e crespas, sendo o tipo mais vendido fresco em molhos), Folha plana e lisa (de folhas maiores, arredondas, planas, lisas e mais fáceis de limpar; utilizadas principalmente na indústria de alimentos) e Semi-savoy (tipo híbrido, de folhas crespas porém mais fáceis de limpar; é cultivado tanto para consumo in natura como para a indústria). As cultivares mais antigas tendem a ter um sabor mais amargo e as folhas mais escuras, além de serem mais sensíveis ao calor, florescendo mais rapidamente. Já as cultivares modernas, apresentam sabor mais suave, folhas mais largas e sementes arredondadas, além de serem mais precoces e demorarem mais a florescer. O espinafre é uma hortaliça que se desenvolve melhor em temperaturas médias e amenas, entre 15 e 21 ºC. Em locais com temperaturas um pouco mais altas, dependendo da variedade, o ambiente pode ficar mais favorável ao florescimento. O plantio no Brasil é feito, normalmente, de março a julho, a não ser em regiões com verão mais ameno, onde pode-se plantar o espinafre durante todo o ano. O excesso de calor prejudica o crescimento da hortaliça e facilita o florescimento precoce. No entanto, há cultivares mais tolerantes, que podem ser plantadas o ano inteiro.
Os solos mais indicados para esta cultura são os areno-argilosos, férteis, e adubados de acordo com o resultado da análise de solo. O pH indicado deve ficar entre 6 e 7.  A semeadura é feita diretamente no solo ou em sementeiras, para depois serem transplantadas para o canteiro. Em geral, utiliza-se de 3 a 4g de sementes por metro quadrado de sementeira. Quando as mudas apresentarem de 4 a 5 folhas, devem ser transplantadas para o local definitivo No plantio direto, coloque de duas a três sementes por cova, com profundidade de um a dois centímetros. O espaçamento entre covas pode mudar de acordo com a época do cultivo e variedade cultivada, entre outros fatores. Experiências na Embrapa Hortaliças obtiveram sucesso com espaços de 30 x 20 e de 30 x 30 centímetros Uma dica importante que deve ser utilizada na época do plantio é deixar as sementes imersas em água, durante cerca de 24 horas, antes da semeadura. Esse procedimento é indicado para facilitar a germinação, fazendo com que ocorra mais rápido. É uma planta relativamente resistente a pragas e doenças, sendo as mais comuns alguns tipos de fungos, além de alguns insetos que ''devoram'' as folhas ou sugam a planta. Algumas variedades híbridas são muito resistentes às doenças e às temperaturas bastante elevadas. Por este motivo, a escolha da variedade a ser plantada deve levar em consideração, principalmente, as médias de temperatura da região e a necessidade de resistência maior a algum tipo de praga que possa atacar, naquela região. Os tratos culturais indicados são: regas diárias ou irrigação nas sementeiras e adubação de cobertura, após o transplante das mudas para o local definitivo. Além disso, a adubação deve ser reforçada após cada corte das plantas. O terreno deve ser limpo, sempre que necessário, através de capinas.

Colheita: A colheita deve ser realizada de 40 a 60 dias após a semeadura, quando esta é feita diretamente no local definitivo. Em geral, após este período, as folhas estão com cerca de 25 a 32cm de comprimento, apresentando uma forte coloração verde-escura.
Ferreira On 10/03/2012 01:37:00 PM Comentarios LEIA MAIS

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Leia a cartilha Rimada de Agroecologia...

Ferreira On 9/28/2012 12:16:00 PM Comentarios LEIA MAIS

sexta-feira, 21 de setembro de 2012



José Angelo Rebelo1


O morangueiro é uma planta herbácea, rasteira e perene da família Rosácea. É propagada, anualmente, vegetativamente, por meio de estolhos. A parte comestível origina-se do receptáculo floral que se torna carnoso e suculento. Nesta parte comestível estão reunidos os verdadeiros frutos (aquênios), popularmente confundidos com sementes. As abelhas, fundamentais na qualidade da produção do morangueiro, podem se atraídas por meio da aplicação de Beehere no morangal, na dose de 1 a 2 gotas/L de água.
O comportamento das cultivares de morangueiro está altamente correlacionado com a temperatura e o fotoperíodo. De um modo geral, se a temperatura e o fotoperíodo aumetam, a planta cessa a floração e passa a vegetar. Por outro lado, se a temperatura e o fotoperíodo forem reduzidos, a atividade metabólica se reduz e a planta entra em dormência. Para que a dormência seja quebrada, as cultivares de morangueiro exigem somatório de horas com temperatura abaixo de 7,2ºC. Tal somatório pode variar, entre 100 e 1.000 horas.
Em função do comportamento das cultivares ante temperatura e fotoperíodo, elas são caracterizadas como 1. de dias curtos, que diferenciam as gemas florais sob fotoperíodo menor de 14 horas e temperaturas amenas (as de outono); 2. sempreflorescentes/reflorescentes, que florescem sempre - preferencialmente em dias longos - e só cessam de florescer quando a temperatura se aproxima de 10ºC ou quando maior de 28ºC; 3. de dias neutros – estas só paralisam a florada sob condição de temperatura muito baixas. Estas variedades são obtidas com o cruzamento de cultivares sempreflorescentes com plantas de dias curtos. Com tais plantas, pode-se obter frutos na entressafra (verão) em região de verão ameno.
Basicamente, para se obter boa produtividade de morangueiros, deve-se oferecer-lhes dias curtos e temperaturas amenas ou baixas (estímulo ao florescimento), já que, sob condições de dias longos e temperaturas elevadas, o crescimento vegetativo é estimulado. Estas últimas condições interessam logo após o plantio, para proporcionar o desejado crescimento das plantas, o que aumenta o potencial produtivo. A produtividade também está ligada ao número de horas de frio recebidas pelas mudas. Assim, locais frios são os mais indicados para a instalação de viveiros, onde as matrizes devem ser plantadas de setembro a outubro.
Não é recomendado fazer mudas em regiões quentes, principalmente a partir de soqueira, como fazem alguns produtores de morango do litoral catarinense. No entanto, se mudas assim forem produzidas, recomenda-se que sejam embaladas em sacos plásticos fechados e armazenadas a 4ºC, por cerca de 15-20 dias, antes do plantio.



_______________

1Eng. agr., Dr., Pesquisador da Epagri/Estação Experimental de Itajaí,
e-mail: jarebelo@epagri.rct-sc.br

  
Cultivares para a mesa

Cultivar
Origem
Precocidade
Quanto ao dia
Chandler
Califórnia
-
Curto
Oso grande
Califórnia
-
Curto
Selva
Califórnia
-
Neutro
Fern
Califórnia
-
Neutro
Camarosa
Califórnia
Precoce
Curto
Dover
Califórnia
-
Curto
Sweet Charlie
Flórida
Precoce
Curto
Gaviota
-
-
Curto
Aromas
Califórnia
Tardia
Neutro
Campinas
Brasil
-
Curto
Diamante
Califórnia
Tardia
Neutro
Tudla
Espanha
Precoce
Curto

O morangueiro é muito sensível às variações climáticas, por isso as cultivares podem apresentar comportamento dependente destas condições ambientais. Por isso, antes da escolha, é preciso saber da sua adaptabilidade local.

Características desejadas de uma cultivar de morangueiro.

1. de fácil de propagação, sem excessiva formação de estolhos, o que dificulta a formação de mudas vigorosas.
2. resistente a manchas foliares e a podridões de raízes e de frutos.
3. reflorescente, com flores completas e grandes.
4. de frutos grandes e uniformes e localizados fora da cobertura foliar para apresentarem melhor coloração, sanidade e sabor;
5. ser de produção precoce, com início da colheita entre maio a junho.
6. produzir, por planta, não menos de 400g de frutos comerciais por ciclo ou 30 a 35 t/ha. Há potencial para mais de 60 t/ha (800 g/planta).

Clima e época de plantio

O morangueiro é plantado desde o rio Grande do Sul ao Sul de Minas Gerais

A época de plantio está relacionada ao comportamento das cultivares ante à temperatura e ao fotoperíodo e à sua adaptabilidade à região de cultivo.
A título de orientação de época de plantio, considera-se que:
¤ em regiões com altitude acima de 700 metros, plantar em fevereiro e março;
¤ em regiões com altitude variando de 600 a 700 metros, plantar em abril;
¤ em regiões com altitude abaixo de 600 metros, plantar em maio.

Clima e solo

Temperatura acima de 28ºC inibe a floração e estimula a produção de estolhos. A geada danifica flores e frutos, especialmente os imaturos não protegidos pelas folhas. O morangueiro desenvolve-se melhor em solos de textura média, sem excesso de umidade e de matéria orgânica.


  
Espaçamento e mudas necessárias:

Espaçar as mudas de 30 x 30 a 35 cm, sendo as plantas dispostas em quadrado ou quincôncio, em canteiros com duas a quatro fileiras, de acordo com o porte da cultivar e da umidade do ar no local.
Dependendo do espaçamento e da área de carreadores, são utilizadas de 65 a 80 mil mudas por hectare.

Calagem e adubação

De acordo com as recomendações da análise de solo.
Aplicar calcário para elevar a saturação por base a 80% e o teor mínimo de Mg no solo a 8 mmolc/dm3.
A adubação deve ser feita 25 a 30 dias antes do transplante das mudas
Na região produtora de são Paulo, a maior do Brasil, emprega-se a seguinte adubação por hectare:
  • 15 a 30 t/ha de esterco de curral curtido ou 1/4 da quantidade em esterco de galinha
  • 300 a 1.200 kg/ha de P205
  • 50 a 400 kg/ha de K20.
  • Em cobertura, 180 kg/ha de N e 90 Kg/ha de K20, parcelados em seis aplicações mensais, sendo a primeira no início da floração.

    Plantio e cuidados com as mudas

    É feito manualmente, em canteiros com 20 a 30 cm de altura, e cerca de 1,2m de largura, para quatro fileiras de plantas. As mudas antes do plantio devem ser limpas de folhas velhas e separadas por tamanho para plantio de lotes homogênios.
    As mudas, de raízes nuas, são plantadas diretamente nos canteiros de produção de frutos.
    O enviveiramento das mudas em canteiros durante 30 dias, ou o seu estabelecimento em recipientes, diminui a morte de mudas no transplante e propicia colheitas mais precoces.
    Ao plantar, cuidar para distribuir bem as raízes e não enterrar a coroa.

    Mulching (cobertura do solo)

    O mulching é necessário para se impedir o contato dos frutos com o solo, com vantagem para a qualidade da produção (sujeiras e podridões), para controle de ervas invasoras, manutenção da umidade do solo e preservação das raízes superficiais, refletindo em maior produção.
    Diversos materiais podem ser utilizados como mulching, tais como maravalha, casca de arroz, palha de cereais, bagaço de cana picada, capim sem sementes e acículas de pinus. O mais usado, por talvez ser o mais prático e eficiente, é o polietileno preto ou de dupla face (cor).
    A cobertura do solo deve ser feita logo após o plantio das mudas. Em caso de emprego de polietileno como mulching, aguarda-se a pega das mudas. O plástico é estendido sobre as plantas e preso com arames, arcos de bambu ou com terra, sobre os canteiros. Após, faz-se cortes em forma de x no plástico e sobre as plantas, por onde serão puxadas para fora.

    Irrigação

    Preferencialmente por gotejo. Ocorre maior exigência de água logo após o transplante, na formação dos botões, floração e frutificação. Até 30-40 dias após o plantio, irrigar diariamente. Depois disto, duas vezes por semana. Durante o período de colheita, utilizar cerca de 25mm de água por semana. Excesso de umidade dificulta a polinização e prejudicam o morangueiro.

    Colheita

    Inicia-se aos 60 a 80 dias da data do plantio. Nas variedades de dias curto, o início se dá em abril a junho, e se estende até dezembro, com pico em agosto e setembro, dependendo da região e da variedade. A colheita deve ser feita nos períodos mais secos do dia. Os frutos, no ponto de 1/2 a 3/4 maduro, são colhidos manualmente em cestas que serão encaminhadas aos locais de classificação e embalagem. Após embalados devem ser colocados em câmaras frigoríficas ou em locais arejados até o consumo.
    Comercialização
    É feita em caixetas de madeira, de papelão ou de poliestireno expandido (isopor), com capacidade entre 250 e 800g.
    A conservação do fruto é favorecida em atmosfera com 20% de gás carbônico (CO2). Assim é que a cobertura da embalagem com filme plástico retarda a deterioração por reter CO2 produzido pelos frutos.
    De um modo mais corriqueiro, os frutos são dispostos em fileiras em uma ou duas camadas. Para mercado de maior poder aquisitivo já se utiliza caixa plástica transparente e com tampa e a classificação dos frutos é feita em de primeira (6 a 14g) e em extra (acima de 14g).
    Atualmente existe uma classificação oficial, que deve ser exigida pelas centrais de abastecimento do país, como se segue:
    Classificação oficial (Classificar é separar o produto em lotes homogêneos).
  1. Grupos
De acordo com a suculência do produto
Grupo Suculento
Grupo não Suculento
IAC Campinas
Oso Grande
IAC Princesa Isabel
Tudla
Reiko
Seascape
Toyonoka
Dover
Sequóia
Capitola
Campidover
Camarosa
Toyohime
Cartuno
Piedade
Sweet Charlie
  
Chandler
  
Selva
  1. Classe
De acordo com o maior diâmetro transversal dos frutos.
Classe
Diâmetro (mm)
1
Menor do que 15
1,5
Maior ou igual a 15 e menor que 30
3
Maior ou igual a 30 e menor que 45
4,5
Maior ou igual a 45
 Tolera-se uma mistura de classes diferentes da especificada no rótulo, desde que não ultrapasse a 15% do número total de morangos.

3. Defeitos Graves

São aqueles que inviabilizam o consumo ou a comercialização do produto.


  
4. Defeitos Leves

Danos e defeitos superficiais que não inviabilizam o consumo ou a comercialização, mas prejudicam a aparência e a qualidade do produto.

   
5. Tipo ou Categoria:

De acordo com a qualidade do produto conforme especificado na tabela 1.                        Tabela1: Limites máximos de defeitos permitidos por categoria em percentagem (%)
Defeitos
Categoria
Defeitos graves
Extra 
I 
II 
III 
Podridão
0
3
5
10
Outros graves
0
5
10
20
Total de graves
0
5
10
20
Total de leves
5
10
30
100
Total de defeitos
5
10
30
100
Rótulo:
As embalagens deverão ser rotuladas em local de fácil visualização, conforme o exemplo abaixo.


Demanda de mão–de–obra
Por hectare de morangueiros, são necessárias seis pessoas fixas e mais seis volantes no pico de colheita.


Rotação de cultura
Deve ser feita com leguminosas para adubação verde, gramínias ou com hortaliças como alface, abobrinha ou beterraba, para aproveitamento de resíduos de adubação dos canteiros de morangueiros, da mão-de-obra e dos preços de verão.

Principais doenças do morangueiro

  1. Causadas por fungos

a1) A antracnose


É uma das mais importantes doenças que pode atingir o morangueiro. Existem duas formas de sintomatologia.

a1.1) chocolate

Pode atingir o rizoma, os frutos, os pecíolos e outras partes da planta;

a1.2) flor-preta


Atinge mais comumente os pedúnculos, as flores e os frutos pequenos e em desenvolvimento. O sintoma chocolate é caracterizado pelo aparecimento de tecido necrosado e firme e de coloração marrom no interior do rizoma. A planta murcha de modo progressivo, a começar pelas folhas mais velhas e finalizando nas jovens, terminando pela seca da planta. É causado pelo fungo Colletotrichum fragariae Esta doença é muito grave durante o transplante, mas pode ocorrer em qualquer idade da planta. Há acentuada redução do estande e a conseqüente queda da produção.
O inóculo pode ser introduzido na lavoura por meio de mudas doentes ou contaminadas ou via restos culturais infectados. A disseminação é feita pela água da chuva ou da irrigação e pelas mãos do plantador, que manuseou plantas doentes.
O sintoma flor- preta é caracterizado por necrose nos ramos florais e nos frutos novos que se tornam escuros e mumificados. Em frutos já desenvolvidos apresentam manchas marrons, profundas e firmes. É causado por C. acutatum. Evitam-se tais doenças pelo emprego de mudas sadias, rotação de culturas, destruição dos restos culturais, plantio em áreas bem-drenadas e a utilização de cultivares mais tolerantes a estes patógenos.

a2) Manchas foliares

a2.1) A mancha-de-micosferela causada pelo fungo Mycosphaerella fragariae, é caracterizada, inicialmente, pelo surgimento pequenas manchas de coloração púrpura e circulares que podem chegar a 3-4 mm de diâmetro. A remoção das folhas velhas, severamente danificadas pela doença, também auxilia no controle, uma vez que contribui para a diminuição do inóculo e também porque facilita a aeração e a ação dos fungicidas empregados no controle.

a2.2) mancha-de-diplocarpon Tem alto poder de destruição da folhagem do morangueiro. O sintoma é definido por manchas de formato e tamanho irregulares, cor púrpura. Podem ocorrer nos pecíolos, pedúnculos, cálices florais e estolões. As medidas de controle para micosferela também são indicadas para esta mancha.

a2.3) mancha-de-dendrofoma O sintoma básico é caracterizado por manchas arredondadas de cor púrpura. Uma zona necrosada de cor castanha, circuncidada por uma zona purpúrea violácea. Depois, três zonas irregularmente concêntricas aparecem. A central é castanha – escura; a do meio de cor marrom-clara e a externa de cor violácea. Pontuações (picnídios) podem ser observadas sobre as lesões. Normalmente não se apresenta de forma grave. É causada por Dendrophoma obscurans.

a3) As podridões do rizoma e das raízes São causadas por vários agentes habitantes do solo. Os sintomas caracterizam-se por murchamento das folhas mais velhas, evoluindo para crestamento e morte da planta. Este sintomas podem ser causados pela ação de Verticillium albo-atrum, Phytophthora sp, Fusarium sp, Rhizoctonia solani, Pythium sp, etc. Para se evitar o reduzir prejuízos devem-se aplicar as seguintes medidas:
• usar mudas sadias e isentas do patógeno;
• evitar áreas de plantio com ocorrência da doença;
• eliminar as plantas com suspeita de contaminação;
• fazer rotação de culturas que não contemplem, por exemplo, batata, tomate, algodão, pimentão, berinjela.

a4) Podridões dos frutos Causam prejuízos diretamente no produto comercial, cuja contaminação pode acontecer no campo ou durante o processo de comercialização. Danos mecânicos durante a colheita e o aquecimento dos frutos são favoráveis aos agentes de podridões de frutos, entre eles Botrytis cinérea (mofo-cinzento); Colletotrichum sp; Phytophthora sp e Rhizoctonia solani. Reduz-se prejuízos com o uso de mulching no canteiro com filme de polietileno; colheita nos períodos mais secos do dia; transporte e armazenamento em baixas temperaturas e uso de fungicidas específicos.


B) Doenças causadas por bactérias

b1) mancha-angular Caracterizada por manchas angulares nas folhas com aspecto de encharcamento, colapso dos pecíolos e morte das plantas, causada por Xanthomonas fragariae. O patógeno é favorecido por temperatura ao redor de 20ºC e alta umidade relativa.
O controle deve ser preventivo e na forma de erradicação de plantas suspeitas.


  1. Doenças causadas por vírus

    As viroses no morangueiro estão relacionadas à forma vegetativa de multiplicação das plantas e à presença de afídeos vetores. Isto permite que a infecção se perpetue.
    c1) mosqueado, que é o tipo mais comum;
    c2) clorose marginal;
    c3) encrespamento;
    c4) faixa das nervuras.
    O controle para viroses deve ser feito através de: • mudas sadias; • eliminação de plantas doentes; • controle dos insetos vetores (pulgões); • utilização de matrizes testadas e isentas de viroses.

    D) Doenças causadas por nematóides

    d1) Meloidogyne hapla e Pratylenchus vulnus, parasitam as raízes.
    Causam lesões nas raízes e reduzem o sistema radicular ativo da planta. As lesões abrem portas para outros patógeno de solo. As plantas atacadas por estes nematóide murcham, amarelecem, ficam enfezadas e podem apresentar sintoma de deficiência nutricional, além da perda do potencial produtivo.

    Estes nematóides podem ser controlados com o emprego de:
    • mudas saídas;
    • arranquio e destruição de plantas contaminadas;
    • evitar plantio em áreas já contaminadas;
    • rotação de culturas;
    • revolvimento do solo em períodos quentes do dia;

    • solarização do solo;
    • aumento de matéria orgânica no solo.
    O cultivo protegido (estufas) de morangueiro permite um controle mais eficiente das doenças do morangueiro e promove maior qualidade dos frutos além de protege-los contra o granizo, chuvas e ventos fortes, incompatíveis com estas plantas.
    Pragas do morangueiro

    Entre as pragas que podem atacar o morangueiro, duas tem grandes destaques:

    1. Ácaros

    1. Ácaro-rajado (Tetranychus urticae). É o principal ácaro do morangueiro, e ataca diversos outros hospedeiros. Produz uma teia na face inferior da folha que facilita sua detecção. Temperatura elevada e baica umidade do ar facilitam a sua proliferação. Pode reduzir a produção em até 80%. É de difícil controle pela falta de produtos seguros para uso em morangueiro que tem colheitas diárias.
    1. Pulgões (Capitophorus fragaefolii e Cerosipha forbesi) Os pulgões são vetores de viroses. A presença de ninhos de formiga-lava-pé sobre as plantas denunciam a presença de pulgões. Irrigação por aspersão reduz a incidência de pulgões.

    -----------------------------------------------------------------------
     Fontes Consultadas: Informe Agropecuário v.20, n.198, maio – junho de 1999;
    Epagri - BOLETIM TÉCNICO n. 46, 3a edição, 1997
    CATI – SAA - Desenvolvimento da cultura do morango
    Site: www. srjundiaí.com.br/cultmoran.htm
Ferreira On 9/21/2012 11:11:00 AM Comentarios LEIA MAIS

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Cultivo orgânico de hortaliças-frutos Parte I



   A exemplo das hortaliças-folhosas, que possui grande número de espécies, vamos dividir as hortaliças-frutos em 5 matérias a serem postadas. Nas quatro primeiras matérias vamos tratar das hortaliças-frutos pertencentes a família botânica das cucurbitáceas. O cultivo orgânico das hortaliças-frutos tomate, milho-verde e morango, já foram abordadas em matérias postadas em 01/03/2011, 05/10/2011 e 21/09/2012, respectivamente.
Figura 1. Hortaliças-frutos: melancia, melão, abóbora japonesa, abobrinha, chuchu, pepino, morango, pimentão, berinjela e tomate

Recomendações gerais para o cultivo das hortaliças-frutos (cucurbitáceas)
Influência de fatores climáticos: A temperatura é o fator mais importante para as hortaliças-frutos (moranga, abóbora, abobrinha, melancia, melão, chuchu e pepino) que pertencem a família botânica das cucurbitáceas. Em condições abaixo de 12ºC, o crescimento da planta paralisa. Não tolera geadas. As temperaturas mais adequadas para as cucurbitáceas estão entre 18 a 25ºC. A produtividade depende da eficiência da polinização feita pelas abelhas, sendo que a maior atividade está entre 28 a 30ºC. Temperaturas mais elevadas proporcionam maior número de flores masculinas, enquanto que temperaturas mais amenas e com período curto de luz estimulam maior número de flores femininas que darão origem aos frutos. Nos primeiros estádios de desenvolvimento, as plantas são exigentes em água, porque as raízes são ainda superficiais e o armazenamento de água na superfície é praticamente nulo. A deficiência de umidade, associada às temperaturas elevadas no solo ou no ar, pode provocar um déficit hídrico na planta com a conseqüente descoloração das folhas e secamento das plantas. Na fase de polinização e desenvolvimento do fruto, deve-se evitar que a umidade em excesso crie um microclima, ambiente favorável às doenças.
Escolha do local e análise do solo: Área de solos profundos, bem estruturados e drenados, que tenham topografia plana a levemente ondulada são as mais indicadas. O solo ideal é o areno-argiloso, fértil e rico em matéria orgânica. A exposição norte deverá ser a preferencial, por favorecer os aspectos de crescimento vegetativo e de ordem fitossanitária; porém tem-se observado na prática que nas exposições leste e oeste as plantas produzem mais flores femininas. Para melhoria da polinização e conseqüente maior pegamento de frutos é necessário escolher área protegidas dos ventos dominantes ou que tenham quebra-vento. Evitar o plantio em áreas onde, nos dois últimos anos, foram cultivadas outras cucurbitáceas e solanáceas. As espécies da família das cucurbitáceas desenvolvem-se melhor em solos moderadamente ácidos, com pH entre 5,5 e 6,5. Solos de textura média, com teores de argila em torno de 30 a 35% são os mais recomendados. Embora mais de 75% das raízes se encontrem na camadas superiores do solo (0-30cm), é recomendável que o solo tenha profundidade efetiva maior. A análise do solo deve ser feita com antecedência para que o técnico faça a recomendação adequada da adubação e correção da acidez do solo.
Produção de mudas: Ao invés do semeio direto no campo, recomenda-se a produção de mudas em copinhos de papel ou jornal (10 a 12cm de altura), confeccionados com o auxílio de uma lata de refrigerante ou cano de PVC e protegidas em abrigo. Este sistema diminui as perdas ou falhas no campo, melhora a uniformidade do estande e permite um melhor controle fitossanitário e manejo das plantas espontâneas. Além disso, os riscos de perdas de plantas devido ao frio excessivo (as plantas não toleram geadas), praticamente não existe, pois as mudas estariam protegidas. Confecção dos copinhos (Figuras 2, 3 e 4): corta-se uma folha de jornal, sem ser colorida, em cinco tiras, no sentido horizontal da página, com cerca de 11,5 cm de largura cada uma e enrola-se em torno de um cano de PVC (50mm) com 7 cm de comprimento. A extremidade do cilindro de papel é dobrada para dentro, de modo a formar o fundo do copinho e depois bate-se o fundo do cano para comprimir as dobras do fundo do molde. Posteriormente, enche-se o cano com o copinho de papel com o substrato e retira-se o mesmo para confecção de outros copinhos de papel. A reutilização de copos plásticos de refrigerantes descartáveis furados na parte de baixo e protegido em abrigos de plástico com substrato de boa qualidade é outra opção. Semeia-se 3 sementes por copo e realiza-se o desbaste quando as plantas apresentarem uma folha definitiva, deixando-se 2 mudas por copinho. As mudas devem ser transplantadas quando não houver risco de geadas e tiverem duas folhas e no máximo no início de surgimento da terceira folha verdadeira. No caso de copinhos de papel não há necessidade de retirar o papel, pois este se degrada facilmente.
Figura 2. Material necessário para confecção dos copinhos de papel
Figura 3. Confecção de copinho de papel jornal - início
Figura 4. Confecção de copinho de papel jornal – final
Preparo do solo e adubação: Sistema em covas em plantio direto : apresenta a vantagem de melhor proteção do solo e dos frutos, favorece a retenção de água, apresenta menor incidência de plantas espontâneas ("mato") e menor custo da lavoura. No outono semeia-se o adubo verde, que pode ser ervilhaca, aveia preta ou uma mistura de ambas. Após a floração da cobertura verde, no período de formação dos grãos, faz-se seu acamamento com rolo-faca ou roçadeira. Após preparar as covas (30 x30x15cm de profundidade), distribuir e incorporar o adubo; Sistema em faixas em cultivo mínimo : No outono semeia-se o adubo verde, que pode ser ervilhaca, aveia preta ou uma mistura de ambas. Trinta dias antes do plantio, lavrar e gradear em faixas com largura de 0,6 m. As faixas serão distanciadas umas das outras por 3m; Sistema em faixas com preparo do solo: deve ser feita uma aração profunda. Os torrões entre as faixas facilitam a fixação dos ramos pelas garras (gavinhas) evitando o dano pelo vento. Após a aração preparar apenas a faixa de plantio de mais ou menos 60 cm de largura espaçados de 3 em 3 metros. Abre-se um sulco e coloca-se o adubo orgânico, conforme análise do solo. Em geral, para solos de média fertilidade, recomenda-se preferencialmente composto orgânico ou ainda esterco de gado ou de aves curtidos, nas quantidades de 2,4 e 2 kg por metro de sulco , respectivamente, incorporados uniformemente ao solo 10 a 15 dias antes do plantio das mudas. Irrigação: quando necessária, pode ser por aspersão ou preferencialmente localizada. Adubação de cobertura: Se necessário (plantas pouco viçosas), deve ser realizada 20 dias após o transplante e/ou no início da frutificação, com base na análise do solo. Manejo de plantas espontâneas: quando necessário é recomendado realizar na época da adubação de cobertura. O manejo deve ser feito antes do desenvolvimento das ramas nas entrelinhas, através de roçadas (cultivo mínimo ou direto) ou grade no caso do terreno lavrado (sistema em faixas). Próximo às plantas usar a enxada.
Principais pragas e doenças: dentre as pragas destacam-se a broca dos frutos na fase de frutificação, vaquinhas (patriotas) no início de desenvolvimento das plantas e os pulgões. A broca perfura o fruto próximo ao botão floral, causando o apodrecimento. Manejo da broca das cucurbitáceas: para o manejo da broca recomenda-se utilizar iscas atrativas, como por exemplo, a abobrinha italiana - caserta (Figura 5) que também atrai a vaquinha – Diabrotica speciosa, especialmente, no início do desenvolvimento das plantas e, pulverizações semanais com dipel (broca), a partir do início da frutificação. No caso do uso de isca atrativa (abobrinha), recomenda-se a destruição das plantas, quando estiverem muito atacadas pela broca. Os pulgões formam colônias na parte de baixo das folhas sugando a seiva e transmitindo viroses. Manejo de vaquinhas e pulgões: recomenda-se os preparados à base de plantas tais como pimenta e cebola para o manejo de pulgões e vaquinhas. Para o manejo de pulgões, outros preparados tais como, cavalinha-do-campo, losna, confrei, samambaia, cinamomo, coentro e cravo-de-defunto também são eficientes (ver como preparar através de matérias já postadas neste blog). No manejo de vaquinhas, ainda existem as plantas que podem servir como iscas atrativas, tais como abobrinha caserta , tajujá , porongo ou cabaça). Dentre as doenças destaca-se o oídio (Figura 5), que é um fungo que desenvolve-se nas folhas, hastes e frutos das cucurbitáceas e feijão-vagem, apresentando uma formação semelhantes ao "pó de giz", espalhando-se por toda a superfície da folha. A doença é favorecida por temperaturas, entre 15 e 18ºC e, umidade relativa do ar, entre 20 e 100%. Manejo do oídio: no cultivo orgânico recomenda-se, preferencialmente, leite de vaca cru na concentração de 10 a 15%, mesmo após o início da infecção no campo ou produtos a base de enxofre (Kolossus ou Thiovit SC). Obs.: em função da maior atividade das abelhas na polinização, pela manhã, recomenda-se pulverizar, se necessário, sempre a tarde.
Figura 5. A abobrinha italiana – caserta (à esquerda) é uma boa isca atrativa da broca das cucurbitáceas e também da vaquinha. O fungo oídio que tem como principal sintoma a formação de um pó branco sobre as folhas, ataca o feijão-vagem (foto à direita) e as demais espécies da família das cucurbitáceas (melão, melancia, pepino, abóbora, abobrinha e moranga); o leite cru e fresco à 10% (1 L para 100 L de água) é eficiente no manejo desta doença, mesmo no início da infecção.
Rotação e consorciação de culturas: Esta é considerada a prática mais antiga no manejo de doenças e de pragas e continua sendo uma das mais eficientes entre os métodos culturais de controle. Os princípios de controle envolvido na rotação e consorciação de culturas são a redução ou destruição do meio que serve para multiplicação da doença e pragas e a melhoria das condições físicas, químicas e biológicas do solo. Dentre as famílias botânicas, as cucurbitáceas estão entre as que mais possuem problemas de pragas e doenças. Por isso, a rotação de culturas com espécies que não pertencem às cucurbitáceas é uma prática preventiva muito eficiente no manejo das pragas e doenças. O plantio de abóbora, moranga, abobrinha, pepino, melancia, melão e chuchu na mesma área e na mesma estação de cultivo favorece o aumento das pragas e doenças que são comuns. Também deve-se evitar o escalonamento de plantio destas espécies, pois as plantas mais velhas podem disseminar pragas e doenças para as plantas mais jovens. Outra prática recomendável para manejar as pragas e doenças das cucurbitáceas é a diversificação de cultivos que pode ser feita através da consorciação de cultivos com espécies de outras famílias botânicas. O aproveitamento de áreas, especialmente na implantação de pomares (Figura 6) é altamente recomendável para a consorciação com cucurbitáceas, pois além de cobrir o solo evitando a erosão, diminui a infestação de plantas espontâneas. Outra prática também recomendável visando a melhoria da fertilidade do solo é a consorciação das cucurbitáceas com adubos verdes de inverno; o crescimento lento das cucurbitáceas no final do inverno favorece esta consorciação, mantendo-se inicialmente no limpo as covas e as entrelinhas cobertas pelos adubos verdes. Quando os cultivos começarem a desenvolverem-se mais rapidamente (crescimento das gavinhas) faz-se a roçada ou gradagem nas entrelinhas.
Figura 6. Cultivo de moranga híbrida (abóbora japonesa ou kabotiá) em um pomar de oliveiras recém-implantado na Epagri/Estação Experimental de Urussanga

Produção própria de sementes crioulas: Na produção de hortaliças com base agroecológica recomenda-se resgatar a produção de sementes crioulas. As sementes crioulas são aquelas que foram sendo selecionadas e melhoradas pelos agricultores ao longo do tempo, segundo as suas necessidades e em função das condições de clima e de solo da sua região. Devido a essa seleção na região de cultivo, essas sementes são mais rústicas e resistentes às doenças e às pragas, além de serem de baixo custo e de fácil produção.
Na produção própria de sementes, alguns cuidados são importantes:
• selecionar as plantas mais vigorosas, sadias e produtivas;
• selecionar espécies e variedades adaptadas à região, ao clima e à época de semeadura/plantio;
• colher as sementes na época adequada, ou seja, quando ocorrer a maturação completa;
• armazenar as sementes em lugar fresco, arejado, seco e protegido da luz direta.
Um dos problemas enfrentados, especialmente pelos produtores de hortaliças, é o alto custo das sementes, principalmente de híbridos. Para algumas hortaliças propagadas por sementes, desde que sejam variedades e não-híbridos, pode-se produzir a própria semente para diminuir o custo e evitar a compra todos os anos. É impossível produzir sementes próprias de cultivares híbridas porque são obtidas do cruzamento entre os pais da cultivar que são um segredo de mercado, conhecidos apenas pelo melhorista ou pela companhia de sementes responsável pelo desenvolvimento do híbrido. Essas sementes geram plantas com enorme desuniformidade entre si em relação a velocidade de crescimento, resistência às pragas, doenças e adversidade climáticas, tamanho, formato, coloração, sabor e qualidade do produto final. Em geral, o nível de desuniformidade é tão alto que a exploração econômica da produção fica comprometida.

Colheita e beneficiamento de sementes de cucurbitáceas (cultivares ou sementes crioulas de pepino, moranga, abóboras, abobrinha, melão e melancia)

• Procedimento: selecionar frutos bem formados, completamente maduros, sem defeitos e doenças. Colocar as sementes e a mucilagem (líquido placentário) em vasilhas de plástico por um período de 24 a 48 horas. Após esse período, quando ocorre a fermentação natural, deve-se lavar imediatamente as sementes em água corrente, utilizando-se uma peneira. A secagem deve ser naturalmente à sombra, revolvendo-se as mesmas para diminuir o agrupamento (empelotamento).
• Beneficiamento e armazenamento: retirar as impurezas, guardar as sementes em sacos plásticos, tendo o cuidado de retirar o máximo de ar, e armazená-las em geladeira, na última gaveta da parte inferior.
Obs.: para a colheita e beneficiamento de sementes de hortaliças-frutos pertencentes à família das solanáceais (tomate, pimentão, berinjela e pimenta), recomenda-se o mesmo procedimento.









 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Segredos do mar

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Cultivo orgânico de hortaliças-folhosas: Chicória e Espinafre - Parte IV (Final)



Chicória
A chicória (Cichorium endivia L.) é uma planta que tem sua origem na Índia Oriental e é conhecida e utilizada na alimentação humana desde o Egito antigo, na forma cozida ou como salada. Existem duas variedades claramente definidas que são Cichorium endivia var. crispa L., que é a chicória crespa, caracterizada pelas folhas bastante recortadas e, Cichorium endivia var. latifolia L., variedade lisa que tem no Brasil o maior consumo e valor comercial. Ambas têm o característico sabor amargo, que é mais forte nas folhas mais verdes. A chicória (Cichorium endívia), hortaliça-folhosa, de ciclo anual, conhecida também por endívia, escarola e chicarola, pertencente a família botânica das Asteraceae, conhecida também por Compositae ou Compostas; são aproximadamente 50.000 espécies, sendo os representantes desta família a alface, o crisântemo, o girassol, a margarida e muitos outros. A chicória é cultivada na região centro-sul do país e não forma cabeça (Figura 1). Endívias produzidas no escuro têm o sabor mais suave e doce, e coloração branca-amarelada. As flores das chicórias são azuis, muito bonitas e delicadas.
Uso culinário e propriedades nutricionais e terapêuticas: Endívias e escarolas podem ser consumidas cruas, refogadas, cozidas no vapor ou assadas. Na culinária é mais uma opção no preparo de saladas , mas também fica ótima em sopas, purês, cozidos, além de ser especialmente recomendada como recheio de pizzas. Apesar de amargas, elas têm sabor refrescante e são muito apreciadas na culinária européia. Endívias acrescentam um toque de requinte em entradas e combinam muito bem com azeite de oliva, alho, queijos cremosos, coalhadas e tomates secos. Suas folhas côncavas podem ser recheadas e servidas de várias maneiras e têm um excelente efeito na apresentação dos pratos. Elas possuem pouquíssimas calorias, cerca de 17 kcal por 100 gramas e desta forma são muito indicadas para dietas de emagrecimento. As folhas da chicória destacam-se das demais hortaliças pelo seu elevado teor de potássio. Trata-se de uma hortaliça rica em fibras, ótima para o bom funcionamento do intestino. Além disso, contém a vitamina A e é rica em vitaminas do complexo B. Possui , ainda , sais minerais como cálcio , fósforo e ferro, importantes para manter o equilíbrio do organismo.  As principais propriedades medicinais são: limpa o fígado, estimula o baço e, é recomendada para os problemas de visão em geral; também fortalece os ossos, dentes e cabelos e ativa as funções do estômago, intestino e fígado e estimula o apetite. Ativa a função biliar, quando a secreção da bile se mostra escassa, e atua como laxante.

Figura 1. Hortaliça-folhosa: chicória
Cultivo: A chicória produz melhor sob temperaturas amenas, embora haja cultivares tolerantes a temperaturas mais elevadas. Geralmente a semeadura ocorre no outono e inverno, porém pode-se cultivar ao longo do ano, em regiões de altitude. Prefere solos areno-argilosos, férteis, ricos em matéria orgânica, drenados e com o pH entre 6 e 6,8. A semeadura desta hortaliça é realizada da seguinte maneira: primeiramente, na sementeira, procede-se a semeadura utilizando-se 4 g/m2 de sementes. Após ter transcorrido quatro a cinco semanas as plantinhas terão 4 a 6 folhas, momento do transplante para o local definitivo, em canteiros com cerca de 20 cm e irrigado regularmente. A época de cultivo das chicórias varia de acordo com o clima e com a cultivar. A chicória lisa é a variedade com maior valor comercial e é colhida em até 80 dias após a semeação. As diversas cultivares de chicória apreciam o clima ameno, com temperaturas entre 14º e 18ºC. Em climas quentes elas tendem a ficar com o sabor muito amargo. Temperaturas acima de 25ºC afetam o desenvolvimento da planta, que fica com folhas mais grossas e menores. Chicórias são muito exigentes em fertilidade e, se ressentem em caso de excesso ou carência de adubos. Rega-se abundantemente. Para se conseguir chicórias de melhor apresentação, mais claras e tenras, recorre-se ao estiolamento, procedendo da seguinte forma: amarra-se um cordão ou material similar de modo a proteger o "coração" da planta dos raios solares e mantendo-se neste estado por uns 15 dias. As regas não deverão atingir o "coração" da planta.
Outros tratos culturais importantes são as irrigações freqüentes e escarificações, mantendo o solo fofo, a fim de possibilitar à planta melhores condições de desenvolvimento. As doenças e pragas que atacam a chicória são basicamente as mesmas que atacam o alface, que são os pulgões, lesmas, caracóis e insetos que mastigam suas folhas. As doenças mais comuns são a podridão-basal, o vira-cabeça, a septoriose e a queima-de-saia, entre outras. Dentre as medidas preventivas para o manejo das pragas e doenças, estão a adubação equilibrada conforme análise do solo, pois um solo bem suprido de nutrientes dará maior resistência às plantas e a rotação de culturas com espécies de famílias botânicas diferentes; por ser uma hortaliça folhosa é bastante exigente em nitrogênio, por isso, na rotação de culturas recomenda-se, especialmente as leguminosas. Caso seja necessário o uso de produtos alternativos no manejo de doenças e pragas, recomenda-se os utilizados no cultivo de alface (ver matéria postada neste blog em18/01/2011).

Colheita:
A colheita deve ser realizada aos 80 a 90 dias após a semeadura, com rendimento aproximado de 25 a 30 toneladas por hectare. A chicória pode ser guardada em geladeira, em sacos plásticos, sem lavar, por até 7 dias.

Espinafre

Os primeiros relatos do cultivo do espinafre (Figura 2) vêm da Espanha na época das cruzadas. Provavelmente foi trazido pelos árabes no seu avanço pela Península Ibérica. Logo foi introduzido na Europa inteira e no século 16 já era uma das verduras mais encontradas no continente. Existem dois tipos de espinafre, originários de diferentes regiões. Um deles pertence à família Chenopodiaceae, é nativo do sul da Ásia e foi levado para a Europa no início do século 12. O outro, mais fácil de ser encontrado no Brasil, é da família Aizoaceae, com origem na Nova Zelândia e Austrália. É cultivado principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. É muito consumido na Europa e nos Estados Unidos. Atualmente, o consumo no Brasil já é considerado bastante elevado, apesar de proporcionalmente bem menor do que nos países europeus e nos Estados Unidos. A planta (Spinacia oleracea) possui flores masculinas e femininas que, desta forma, são responsáveis pelo desenvolvimento e proliferação deste vegetal. O caule do espinafre é curto e as folhas crescem ao seu redor.
Uso culinário e propriedades nutricionais e terapêuticas: Na culinária, o espinafre é muito utilizado cozido ou em saladas, sopas e recheios de tortas, massas, como pasteis, calzones, raviolis e pizzas, além de patês e molhos cremosos para carnes e massas. O espinafre é uma planta bastante apreciada pelas suas características nutritivas, por conter muitas vitaminas, principalmente a C e por ter apenas 25 calorias em cada 100g.  A hortaliça é rica em ferro, vitaminas A, B1, B2, B5, C, D, E, K, cálcio, fósforo, potássio, magnésio, ferro, sódio, enxofre, cloro e silício. O espinafre é indicado para pessoas com anemia e desnutrição, além de ajudar no combate à pressão arterial alta e colesterol. Porém não é recomendado para quem sofre de ácido úrico, gota e cálculos renais, por ter alta concentração de ácido oxálico, o que atrapalha a absorção de ferro, cálcio e outros minerais. As folhas verde-escuras contêm antioxidantes e bioflavonóides que ajudam a bloquear as substâncias causadoras de câncer, especialmente do pulmão e próstata. Uma xícara de espinafre fresco também fornece 190 mcg (microgramas) de folato, um nutriente especialmente importante para mulheres grávidas ou que estejam planejando engravidar, porque ajuda a prevenir defeitos neurológicos congênitos. A deficiência de folato pode causar também um tipo grave de anemia. As quantidades de vitaminas e minerais em 100 gramas de espinafre cru são:. vitamina A (9376 UI), C (28.1 mg), E (2.0 mg), K (483 mcg), B6 (0.2 mg), niacina (0.7 mg), tiamina (0.1 mg), riboflavina (0.2 mg), folato (194 mcg), cálcio (99.0 mg), ferro (2.7 mg), magnésio (79.0 mg), fósforo (49.0 mg), potássio (558 mg), cobre (0.1 mg) e manganês (0.9 mg).
Figura 2. Hortaliça-folhosa: Espinafre
 Cultivo: Foram desenvolvidas muitas variedades de espinafres, que se dividem em três tipos principais: Savoy (de folhas verde-escuras e crespas, sendo o tipo mais vendido fresco em molhos), Folha plana e lisa (de folhas maiores, arredondas, planas, lisas e mais fáceis de limpar; utilizadas principalmente na indústria de alimentos) e Semi-savoy (tipo híbrido, de folhas crespas porém mais fáceis de limpar; é cultivado tanto para consumo in natura como para a indústria). As cultivares mais antigas tendem a ter um sabor mais amargo e as folhas mais escuras, além de serem mais sensíveis ao calor, florescendo mais rapidamente. Já as cultivares modernas, apresentam sabor mais suave, folhas mais largas e sementes arredondadas, além de serem mais precoces e demorarem mais a florescer. O espinafre é uma hortaliça que se desenvolve melhor em temperaturas médias e amenas, entre 15 e 21 ºC. Em locais com temperaturas um pouco mais altas, dependendo da variedade, o ambiente pode ficar mais favorável ao florescimento. O plantio no Brasil é feito, normalmente, de março a julho, a não ser em regiões com verão mais ameno, onde pode-se plantar o espinafre durante todo o ano. O excesso de calor prejudica o crescimento da hortaliça e facilita o florescimento precoce. No entanto, há cultivares mais tolerantes, que podem ser plantadas o ano inteiro.
Os solos mais indicados para esta cultura são os areno-argilosos, férteis, e adubados de acordo com o resultado da análise de solo. O pH indicado deve ficar entre 6 e 7.  A semeadura é feita diretamente no solo ou em sementeiras, para depois serem transplantadas para o canteiro. Em geral, utiliza-se de 3 a 4g de sementes por metro quadrado de sementeira. Quando as mudas apresentarem de 4 a 5 folhas, devem ser transplantadas para o local definitivo No plantio direto, coloque de duas a três sementes por cova, com profundidade de um a dois centímetros. O espaçamento entre covas pode mudar de acordo com a época do cultivo e variedade cultivada, entre outros fatores. Experiências na Embrapa Hortaliças obtiveram sucesso com espaços de 30 x 20 e de 30 x 30 centímetros Uma dica importante que deve ser utilizada na época do plantio é deixar as sementes imersas em água, durante cerca de 24 horas, antes da semeadura. Esse procedimento é indicado para facilitar a germinação, fazendo com que ocorra mais rápido. É uma planta relativamente resistente a pragas e doenças, sendo as mais comuns alguns tipos de fungos, além de alguns insetos que ''devoram'' as folhas ou sugam a planta. Algumas variedades híbridas são muito resistentes às doenças e às temperaturas bastante elevadas. Por este motivo, a escolha da variedade a ser plantada deve levar em consideração, principalmente, as médias de temperatura da região e a necessidade de resistência maior a algum tipo de praga que possa atacar, naquela região. Os tratos culturais indicados são: regas diárias ou irrigação nas sementeiras e adubação de cobertura, após o transplante das mudas para o local definitivo. Além disso, a adubação deve ser reforçada após cada corte das plantas. O terreno deve ser limpo, sempre que necessário, através de capinas.

Colheita: A colheita deve ser realizada de 40 a 60 dias após a semeadura, quando esta é feita diretamente no local definitivo. Em geral, após este período, as folhas estão com cerca de 25 a 32cm de comprimento, apresentando uma forte coloração verde-escura.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Cultivo de morangueiros de frutos para mesa



José Angelo Rebelo1


O morangueiro é uma planta herbácea, rasteira e perene da família Rosácea. É propagada, anualmente, vegetativamente, por meio de estolhos. A parte comestível origina-se do receptáculo floral que se torna carnoso e suculento. Nesta parte comestível estão reunidos os verdadeiros frutos (aquênios), popularmente confundidos com sementes. As abelhas, fundamentais na qualidade da produção do morangueiro, podem se atraídas por meio da aplicação de Beehere no morangal, na dose de 1 a 2 gotas/L de água.
O comportamento das cultivares de morangueiro está altamente correlacionado com a temperatura e o fotoperíodo. De um modo geral, se a temperatura e o fotoperíodo aumetam, a planta cessa a floração e passa a vegetar. Por outro lado, se a temperatura e o fotoperíodo forem reduzidos, a atividade metabólica se reduz e a planta entra em dormência. Para que a dormência seja quebrada, as cultivares de morangueiro exigem somatório de horas com temperatura abaixo de 7,2ºC. Tal somatório pode variar, entre 100 e 1.000 horas.
Em função do comportamento das cultivares ante temperatura e fotoperíodo, elas são caracterizadas como 1. de dias curtos, que diferenciam as gemas florais sob fotoperíodo menor de 14 horas e temperaturas amenas (as de outono); 2. sempreflorescentes/reflorescentes, que florescem sempre - preferencialmente em dias longos - e só cessam de florescer quando a temperatura se aproxima de 10ºC ou quando maior de 28ºC; 3. de dias neutros – estas só paralisam a florada sob condição de temperatura muito baixas. Estas variedades são obtidas com o cruzamento de cultivares sempreflorescentes com plantas de dias curtos. Com tais plantas, pode-se obter frutos na entressafra (verão) em região de verão ameno.
Basicamente, para se obter boa produtividade de morangueiros, deve-se oferecer-lhes dias curtos e temperaturas amenas ou baixas (estímulo ao florescimento), já que, sob condições de dias longos e temperaturas elevadas, o crescimento vegetativo é estimulado. Estas últimas condições interessam logo após o plantio, para proporcionar o desejado crescimento das plantas, o que aumenta o potencial produtivo. A produtividade também está ligada ao número de horas de frio recebidas pelas mudas. Assim, locais frios são os mais indicados para a instalação de viveiros, onde as matrizes devem ser plantadas de setembro a outubro.
Não é recomendado fazer mudas em regiões quentes, principalmente a partir de soqueira, como fazem alguns produtores de morango do litoral catarinense. No entanto, se mudas assim forem produzidas, recomenda-se que sejam embaladas em sacos plásticos fechados e armazenadas a 4ºC, por cerca de 15-20 dias, antes do plantio.



_______________

1Eng. agr., Dr., Pesquisador da Epagri/Estação Experimental de Itajaí,
e-mail: jarebelo@epagri.rct-sc.br

  
Cultivares para a mesa

Cultivar
Origem
Precocidade
Quanto ao dia
Chandler
Califórnia
-
Curto
Oso grande
Califórnia
-
Curto
Selva
Califórnia
-
Neutro
Fern
Califórnia
-
Neutro
Camarosa
Califórnia
Precoce
Curto
Dover
Califórnia
-
Curto
Sweet Charlie
Flórida
Precoce
Curto
Gaviota
-
-
Curto
Aromas
Califórnia
Tardia
Neutro
Campinas
Brasil
-
Curto
Diamante
Califórnia
Tardia
Neutro
Tudla
Espanha
Precoce
Curto

O morangueiro é muito sensível às variações climáticas, por isso as cultivares podem apresentar comportamento dependente destas condições ambientais. Por isso, antes da escolha, é preciso saber da sua adaptabilidade local.

Características desejadas de uma cultivar de morangueiro.

1. de fácil de propagação, sem excessiva formação de estolhos, o que dificulta a formação de mudas vigorosas.
2. resistente a manchas foliares e a podridões de raízes e de frutos.
3. reflorescente, com flores completas e grandes.
4. de frutos grandes e uniformes e localizados fora da cobertura foliar para apresentarem melhor coloração, sanidade e sabor;
5. ser de produção precoce, com início da colheita entre maio a junho.
6. produzir, por planta, não menos de 400g de frutos comerciais por ciclo ou 30 a 35 t/ha. Há potencial para mais de 60 t/ha (800 g/planta).

Clima e época de plantio

O morangueiro é plantado desde o rio Grande do Sul ao Sul de Minas Gerais

A época de plantio está relacionada ao comportamento das cultivares ante à temperatura e ao fotoperíodo e à sua adaptabilidade à região de cultivo.
A título de orientação de época de plantio, considera-se que:
¤ em regiões com altitude acima de 700 metros, plantar em fevereiro e março;
¤ em regiões com altitude variando de 600 a 700 metros, plantar em abril;
¤ em regiões com altitude abaixo de 600 metros, plantar em maio.

Clima e solo

Temperatura acima de 28ºC inibe a floração e estimula a produção de estolhos. A geada danifica flores e frutos, especialmente os imaturos não protegidos pelas folhas. O morangueiro desenvolve-se melhor em solos de textura média, sem excesso de umidade e de matéria orgânica.


  
Espaçamento e mudas necessárias:

Espaçar as mudas de 30 x 30 a 35 cm, sendo as plantas dispostas em quadrado ou quincôncio, em canteiros com duas a quatro fileiras, de acordo com o porte da cultivar e da umidade do ar no local.
Dependendo do espaçamento e da área de carreadores, são utilizadas de 65 a 80 mil mudas por hectare.

Calagem e adubação

De acordo com as recomendações da análise de solo.
Aplicar calcário para elevar a saturação por base a 80% e o teor mínimo de Mg no solo a 8 mmolc/dm3.
A adubação deve ser feita 25 a 30 dias antes do transplante das mudas
Na região produtora de são Paulo, a maior do Brasil, emprega-se a seguinte adubação por hectare:
  • 15 a 30 t/ha de esterco de curral curtido ou 1/4 da quantidade em esterco de galinha
  • 300 a 1.200 kg/ha de P205
  • 50 a 400 kg/ha de K20.
  • Em cobertura, 180 kg/ha de N e 90 Kg/ha de K20, parcelados em seis aplicações mensais, sendo a primeira no início da floração.

    Plantio e cuidados com as mudas

    É feito manualmente, em canteiros com 20 a 30 cm de altura, e cerca de 1,2m de largura, para quatro fileiras de plantas. As mudas antes do plantio devem ser limpas de folhas velhas e separadas por tamanho para plantio de lotes homogênios.
    As mudas, de raízes nuas, são plantadas diretamente nos canteiros de produção de frutos.
    O enviveiramento das mudas em canteiros durante 30 dias, ou o seu estabelecimento em recipientes, diminui a morte de mudas no transplante e propicia colheitas mais precoces.
    Ao plantar, cuidar para distribuir bem as raízes e não enterrar a coroa.

    Mulching (cobertura do solo)

    O mulching é necessário para se impedir o contato dos frutos com o solo, com vantagem para a qualidade da produção (sujeiras e podridões), para controle de ervas invasoras, manutenção da umidade do solo e preservação das raízes superficiais, refletindo em maior produção.
    Diversos materiais podem ser utilizados como mulching, tais como maravalha, casca de arroz, palha de cereais, bagaço de cana picada, capim sem sementes e acículas de pinus. O mais usado, por talvez ser o mais prático e eficiente, é o polietileno preto ou de dupla face (cor).
    A cobertura do solo deve ser feita logo após o plantio das mudas. Em caso de emprego de polietileno como mulching, aguarda-se a pega das mudas. O plástico é estendido sobre as plantas e preso com arames, arcos de bambu ou com terra, sobre os canteiros. Após, faz-se cortes em forma de x no plástico e sobre as plantas, por onde serão puxadas para fora.

    Irrigação

    Preferencialmente por gotejo. Ocorre maior exigência de água logo após o transplante, na formação dos botões, floração e frutificação. Até 30-40 dias após o plantio, irrigar diariamente. Depois disto, duas vezes por semana. Durante o período de colheita, utilizar cerca de 25mm de água por semana. Excesso de umidade dificulta a polinização e prejudicam o morangueiro.

    Colheita

    Inicia-se aos 60 a 80 dias da data do plantio. Nas variedades de dias curto, o início se dá em abril a junho, e se estende até dezembro, com pico em agosto e setembro, dependendo da região e da variedade. A colheita deve ser feita nos períodos mais secos do dia. Os frutos, no ponto de 1/2 a 3/4 maduro, são colhidos manualmente em cestas que serão encaminhadas aos locais de classificação e embalagem. Após embalados devem ser colocados em câmaras frigoríficas ou em locais arejados até o consumo.
    Comercialização
    É feita em caixetas de madeira, de papelão ou de poliestireno expandido (isopor), com capacidade entre 250 e 800g.
    A conservação do fruto é favorecida em atmosfera com 20% de gás carbônico (CO2). Assim é que a cobertura da embalagem com filme plástico retarda a deterioração por reter CO2 produzido pelos frutos.
    De um modo mais corriqueiro, os frutos são dispostos em fileiras em uma ou duas camadas. Para mercado de maior poder aquisitivo já se utiliza caixa plástica transparente e com tampa e a classificação dos frutos é feita em de primeira (6 a 14g) e em extra (acima de 14g).
    Atualmente existe uma classificação oficial, que deve ser exigida pelas centrais de abastecimento do país, como se segue:
    Classificação oficial (Classificar é separar o produto em lotes homogêneos).
  1. Grupos
De acordo com a suculência do produto
Grupo Suculento
Grupo não Suculento
IAC Campinas
Oso Grande
IAC Princesa Isabel
Tudla
Reiko
Seascape
Toyonoka
Dover
Sequóia
Capitola
Campidover
Camarosa
Toyohime
Cartuno
Piedade
Sweet Charlie
  
Chandler
  
Selva
  1. Classe
De acordo com o maior diâmetro transversal dos frutos.
Classe
Diâmetro (mm)
1
Menor do que 15
1,5
Maior ou igual a 15 e menor que 30
3
Maior ou igual a 30 e menor que 45
4,5
Maior ou igual a 45
 Tolera-se uma mistura de classes diferentes da especificada no rótulo, desde que não ultrapasse a 15% do número total de morangos.

3. Defeitos Graves

São aqueles que inviabilizam o consumo ou a comercialização do produto.


  
4. Defeitos Leves

Danos e defeitos superficiais que não inviabilizam o consumo ou a comercialização, mas prejudicam a aparência e a qualidade do produto.

   
5. Tipo ou Categoria:

De acordo com a qualidade do produto conforme especificado na tabela 1.                        Tabela1: Limites máximos de defeitos permitidos por categoria em percentagem (%)
Defeitos
Categoria
Defeitos graves
Extra 
I 
II 
III 
Podridão
0
3
5
10
Outros graves
0
5
10
20
Total de graves
0
5
10
20
Total de leves
5
10
30
100
Total de defeitos
5
10
30
100
Rótulo:
As embalagens deverão ser rotuladas em local de fácil visualização, conforme o exemplo abaixo.


Demanda de mão–de–obra
Por hectare de morangueiros, são necessárias seis pessoas fixas e mais seis volantes no pico de colheita.


Rotação de cultura
Deve ser feita com leguminosas para adubação verde, gramínias ou com hortaliças como alface, abobrinha ou beterraba, para aproveitamento de resíduos de adubação dos canteiros de morangueiros, da mão-de-obra e dos preços de verão.

Principais doenças do morangueiro

  1. Causadas por fungos

a1) A antracnose


É uma das mais importantes doenças que pode atingir o morangueiro. Existem duas formas de sintomatologia.

a1.1) chocolate

Pode atingir o rizoma, os frutos, os pecíolos e outras partes da planta;

a1.2) flor-preta


Atinge mais comumente os pedúnculos, as flores e os frutos pequenos e em desenvolvimento. O sintoma chocolate é caracterizado pelo aparecimento de tecido necrosado e firme e de coloração marrom no interior do rizoma. A planta murcha de modo progressivo, a começar pelas folhas mais velhas e finalizando nas jovens, terminando pela seca da planta. É causado pelo fungo Colletotrichum fragariae Esta doença é muito grave durante o transplante, mas pode ocorrer em qualquer idade da planta. Há acentuada redução do estande e a conseqüente queda da produção.
O inóculo pode ser introduzido na lavoura por meio de mudas doentes ou contaminadas ou via restos culturais infectados. A disseminação é feita pela água da chuva ou da irrigação e pelas mãos do plantador, que manuseou plantas doentes.
O sintoma flor- preta é caracterizado por necrose nos ramos florais e nos frutos novos que se tornam escuros e mumificados. Em frutos já desenvolvidos apresentam manchas marrons, profundas e firmes. É causado por C. acutatum. Evitam-se tais doenças pelo emprego de mudas sadias, rotação de culturas, destruição dos restos culturais, plantio em áreas bem-drenadas e a utilização de cultivares mais tolerantes a estes patógenos.

a2) Manchas foliares

a2.1) A mancha-de-micosferela causada pelo fungo Mycosphaerella fragariae, é caracterizada, inicialmente, pelo surgimento pequenas manchas de coloração púrpura e circulares que podem chegar a 3-4 mm de diâmetro. A remoção das folhas velhas, severamente danificadas pela doença, também auxilia no controle, uma vez que contribui para a diminuição do inóculo e também porque facilita a aeração e a ação dos fungicidas empregados no controle.

a2.2) mancha-de-diplocarpon Tem alto poder de destruição da folhagem do morangueiro. O sintoma é definido por manchas de formato e tamanho irregulares, cor púrpura. Podem ocorrer nos pecíolos, pedúnculos, cálices florais e estolões. As medidas de controle para micosferela também são indicadas para esta mancha.

a2.3) mancha-de-dendrofoma O sintoma básico é caracterizado por manchas arredondadas de cor púrpura. Uma zona necrosada de cor castanha, circuncidada por uma zona purpúrea violácea. Depois, três zonas irregularmente concêntricas aparecem. A central é castanha – escura; a do meio de cor marrom-clara e a externa de cor violácea. Pontuações (picnídios) podem ser observadas sobre as lesões. Normalmente não se apresenta de forma grave. É causada por Dendrophoma obscurans.

a3) As podridões do rizoma e das raízes São causadas por vários agentes habitantes do solo. Os sintomas caracterizam-se por murchamento das folhas mais velhas, evoluindo para crestamento e morte da planta. Este sintomas podem ser causados pela ação de Verticillium albo-atrum, Phytophthora sp, Fusarium sp, Rhizoctonia solani, Pythium sp, etc. Para se evitar o reduzir prejuízos devem-se aplicar as seguintes medidas:
• usar mudas sadias e isentas do patógeno;
• evitar áreas de plantio com ocorrência da doença;
• eliminar as plantas com suspeita de contaminação;
• fazer rotação de culturas que não contemplem, por exemplo, batata, tomate, algodão, pimentão, berinjela.

a4) Podridões dos frutos Causam prejuízos diretamente no produto comercial, cuja contaminação pode acontecer no campo ou durante o processo de comercialização. Danos mecânicos durante a colheita e o aquecimento dos frutos são favoráveis aos agentes de podridões de frutos, entre eles Botrytis cinérea (mofo-cinzento); Colletotrichum sp; Phytophthora sp e Rhizoctonia solani. Reduz-se prejuízos com o uso de mulching no canteiro com filme de polietileno; colheita nos períodos mais secos do dia; transporte e armazenamento em baixas temperaturas e uso de fungicidas específicos.


B) Doenças causadas por bactérias

b1) mancha-angular Caracterizada por manchas angulares nas folhas com aspecto de encharcamento, colapso dos pecíolos e morte das plantas, causada por Xanthomonas fragariae. O patógeno é favorecido por temperatura ao redor de 20ºC e alta umidade relativa.
O controle deve ser preventivo e na forma de erradicação de plantas suspeitas.


  1. Doenças causadas por vírus

    As viroses no morangueiro estão relacionadas à forma vegetativa de multiplicação das plantas e à presença de afídeos vetores. Isto permite que a infecção se perpetue.
    c1) mosqueado, que é o tipo mais comum;
    c2) clorose marginal;
    c3) encrespamento;
    c4) faixa das nervuras.
    O controle para viroses deve ser feito através de: • mudas sadias; • eliminação de plantas doentes; • controle dos insetos vetores (pulgões); • utilização de matrizes testadas e isentas de viroses.

    D) Doenças causadas por nematóides

    d1) Meloidogyne hapla e Pratylenchus vulnus, parasitam as raízes.
    Causam lesões nas raízes e reduzem o sistema radicular ativo da planta. As lesões abrem portas para outros patógeno de solo. As plantas atacadas por estes nematóide murcham, amarelecem, ficam enfezadas e podem apresentar sintoma de deficiência nutricional, além da perda do potencial produtivo.

    Estes nematóides podem ser controlados com o emprego de:
    • mudas saídas;
    • arranquio e destruição de plantas contaminadas;
    • evitar plantio em áreas já contaminadas;
    • rotação de culturas;
    • revolvimento do solo em períodos quentes do dia;

    • solarização do solo;
    • aumento de matéria orgânica no solo.
    O cultivo protegido (estufas) de morangueiro permite um controle mais eficiente das doenças do morangueiro e promove maior qualidade dos frutos além de protege-los contra o granizo, chuvas e ventos fortes, incompatíveis com estas plantas.
    Pragas do morangueiro

    Entre as pragas que podem atacar o morangueiro, duas tem grandes destaques:

    1. Ácaros

    1. Ácaro-rajado (Tetranychus urticae). É o principal ácaro do morangueiro, e ataca diversos outros hospedeiros. Produz uma teia na face inferior da folha que facilita sua detecção. Temperatura elevada e baica umidade do ar facilitam a sua proliferação. Pode reduzir a produção em até 80%. É de difícil controle pela falta de produtos seguros para uso em morangueiro que tem colheitas diárias.
    1. Pulgões (Capitophorus fragaefolii e Cerosipha forbesi) Os pulgões são vetores de viroses. A presença de ninhos de formiga-lava-pé sobre as plantas denunciam a presença de pulgões. Irrigação por aspersão reduz a incidência de pulgões.

    -----------------------------------------------------------------------
     Fontes Consultadas: Informe Agropecuário v.20, n.198, maio – junho de 1999;
    Epagri - BOLETIM TÉCNICO n. 46, 3a edição, 1997
    CATI – SAA - Desenvolvimento da cultura do morango
    Site: www. srjundiaí.com.br/cultmoran.htm
  • RSS
  • Delicious
  • Digg
  • Facebook
  • Twitter
  • Linkedin
  • Youtube

Blog Archive

Blogger templates