terça-feira, 30 de novembro de 2010


Márcio Sônego[1], Luiz Augusto Martins Peruch[2], Luiz Alberto Lichtemberg[3], Cristiano Nunes Nesi[4]


[1] Eng.agr,, Dr., Epagri/Estação Experimental de Urussanga, C.P. 49, 88840-000 Urussanga, SC, fone: (48) 3465-1209, e-mail: sonego@epagri.sc.gov.br
[2] Eng.agr,, Dr., Epagri/Estação Experimental de Urussang, e-mail: lamperuch@epagri.sc.gov.br
[3] Eng.agr,, M.Sc., Epagri/Estação Experimental de Itajai, C.P. 277, 88301-970 Itajai, SC, fone: (47) 3341-5244, e-mail: licht@epagri.sc.gov.br
[4] Eng.agr., M.Sc., Epagri/Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar – Cepaf-, C.P. 791, 89801-970 Chapecó, SC, fone: (49) 3361-0600, e-mail:cristiano@epagri.sc.gov.br

A banana é a fruta mais cultivada no Litoral Sul de Santa Catarina. Em torno de 8.500 hectares são ocupados com bananais, distribuídos em pequenas propriedades rurais (Sônego et al., 2003). As cultivares mais plantadas nos pomares comerciais da região pertencem ao subgrupo Prata (AAB) e ao subgrupo Cavendish (AAA), com 84% e 16% da área total, respectivamente (Souza & Conceição, 2002).
A bananeira também se destaca como a principal fruta na produção orgânica em âmbito estadual (Oltramari et al., 2002). Todavia, o cultivo orgânico desta fruta apresenta uma série de particularidades inerentes ao sistema de produção. Fungicidas, inseticidas e herbicidas, em sua maioria, não podem ser aplicados para controlar doenças, pragas e plantas daninhas, respectivamente. Por este motivo, existem inúmeros desafios em relação às questões relacionadas à qualidade fitossanitária da bananeira a serem superados a fim de viabilizar a produção orgânica.
Pela sua rusticidade ao clima subtropical (Lichtemberg & Moreira, 2006), a ‘Enxerto’ é a banana mais comumente cultivada no sistema orgânico no Litoral Sul de Santa Catarina. Entretanto essa cultivar apresenta alta susceptibilidade ao mal-de-sigatoka, mal-do-Panamá e pencas falhadas. Alguns trabalhos têm determinado o comportamento de diferentes cultivares sob sistema orgânico (Marcílio et al., 2006; Gómez et al., 2006). No Brasil, Marcílio et al. (2006) determinou que ‘Tropical’ e ‘IAC 2001’ como adequados a produção orgânica no Mato Grosso. Os clones FHIA 2, FHIA 17 e 18  foram considerados como apropriados para cultivo orgânico em condições de trópico seco da Venezuela (Gómez et al., 2006).
Mundialmente, programas de melhoramento genético têm procurado desenvolver genótipos de bananeira com maior resistência às pragas e doenças, sendo muitos deles recomendados para cultivo orgânico, a exemplo de materiais lançados pela FHIA - Fundação Hondurenha de Investigação Agrícola (Rowe, 1999).
O presente trabalho aborda o desempenho agronômico de 21 cultivares de banana, com o objetivo de identificar genótipos mais adequados à produção orgânica nas condições ambientais do Litoral Sul de Santa Catarina. 
Em outubro de 2001 foi implantada uma coleção com 21 cultivares de bananeiras na Epagri/Estação Experimental de Urussanga. O solo é do tipo argissolo vermelho-amarelo originário de diabásio neozólico, com as seguintes características físico-químicas: Argila = 53%; pH índice SMP = 6,5; P = 8,0 mg/L; K = 166 mg/L; Matéria Orgânica = 2,5%; Ca + Mg = 5,7 cmolc/L. As mudas de bananeira do tipo pedaços de rizoma foram plantadas no espaçamento de 3 metros entre fileiras e 2,5 metros entre plantas, sendo que cada um dos 21 cultivares formou uma fileira de 12 plantas. Cada cova de plantio recebeu 500 gramas de calcário dolomítico e dois quilos de esterco curtido de aviário. A cada seis meses foram aplicados 6,0 t/ha de cama de aviário de palha de arroz, divididos em 4,0 kg por touceira, amontoados a um metro de distância da planta filha e cobertos com restos culturais. Seis e 12 meses após o plantio foi aplicado 2,0 t/ha de calcário dolomítico sem incorporação. O controle das ervas no bananal foi feito através de roçadas e capinas no primeiro ano, e por roçadas nos anos subsequentes. O bananal foi conduzido no sistema mãe-filha-neta.  As folhas com mais de 50% de severidade da sigatoka ou necroses naturais foram cortadas e colocadas ao chão.
A altura do pseudocaule, sua circunferência a 30 cm do chão e o número de folhas foram avaliados por ocasião da emissão do cacho. A colheita foi feita a partir de março de 2003, em intervalos semanais, estendendo-se até fevereiro de 2006. Os cachos foram despencados, pesando-se cada penca para obter o peso total do cacho sem o engaço (ráquis). Para as características avaliadas foram calculados os intervalos de confiança (IC) para a média de cada variável, dado por:


em que X é a média das observações referentes à característica avaliada; t é o valor da distribuição t de Student, a 5% de probabilidade de erro; s é o desvio padrão das observações e n o número de observações. A apresentação dos resultados é feita pela média seguida da semi-amplitude do intervalo de confiança (Tabela 1).     
A emissão do primeiro cacho após o plantio variou de 373 dias para a ‘Pioneira’, até 490 dias para ‘Williams’ e ‘Ouro da Mata’.  Em geral, bananeiras do subgrupo Prata (AAB) e Figo (ABB) lançaram os primeiros cachos mais precocemente do que bananeiras do subgrupo Cavendish (AAA) e híbridas (AAAB).  Entretanto, Lichtemberg et al. (2002) relatam que após o primeiro ciclo de produção as cultivares do subgrupo Cavendish (‘Nanicão’ e ‘Grande Naine’) se tornam mais precoces do que as cultivares do subgrupo Prata (‘Enxerto’ e ‘Branca’).  Os valores de altura e da circunferência do pseudocaule à época da emissão do cacho aumentaram no segundo ano de produção para todas as cultivares. De maneira geral, houve redução no número de folhas no momento de emissão do segundo cacho, comparado aos valores da primeira inflorescência. A tendência de redução de folhas úteis ao longo dos anos está relacionado com vários fatores. Parte dos danos deve-se a incidência de sigatoka, mas cultivares resistentes a esta doença também apresentaram comportamento semelhante.
O número de pencas por cacho aumentou do primeiro para o segundo cacho na maioria das cultivares de banana, tendo sido mais expressivo para os cv. ‘Pioneira’ e ‘Prata Baby’ (Figura 1 e 2).  Cultivares do subgrupo Prata (AAB) apresentaram pouca alteração no peso do cacho do primeiro para o segundo ciclo. Já os híbridos (AAAB) mostraram incremento no peso do cacho do primeiro para o segundo ciclos, com destaque para ‘Pioneira’ e ‘Prata Baby’. Tendência semelhante foi encontrada por Lichtemberg et al. (2002), tanto para cultivares do subgrupo Prata como para os híbridos, mesmo em cultivo convencional. Por sua vez, cultivares do subgrupo Cavendish (AAA) apresentaram redução do peso do cacho no segundo ciclo, contrastando com resultados apresentados por Lichtemberg et al. (2002) que apontam incremento no peso de cacho no segundo ciclo para o subgrupo Cavendish, em cultivo convencional.
Além dos aspectos de fisiologia e produtividade da cultivar também é importante considerar a sua resistência ao mal-de-sigatoka. Segundo dados de Peruch et al. (2007) verificou-se que as cultivares ‘Figo’, ‘Figo Cinza’, ‘Tropical’, ‘Prata Baby’ (‘Nam’), ‘Thap Maeo’, ‘Pioneira’, ‘FHIA-01’ e ‘Ouro da Mata’ (Figura 3) mostraram-se mais resistentes à doença sob condições de cultivo orgânico.
Levando-se em consideração os aspectos de produção e resistência ao mal-de-sigatoka podem-se recomendar as cultivares para cultivo orgânico de acordo com a sua aptidão: ‘Tropical’, ‘Prata Baby’ (‘Nam’), ‘Thap Maeo’, ‘Ouro da Mata’ e ‘FHIA-01’ para consumo in natura; ‘Figo’, ‘Figo Cinza’ e ‘FHIA-01’ para fabricação de chips; ‘Pioneira’ para fabricação de polpa ou banana passa.

Literatura Citada

GOMÉZ, C.; SURGA, J.G.; MAGAÑA LEMOS, S.; VERA, J.; ROSALES, H.; PINO, N. Manejo orgânico de siete clones de banano en condiciones de bosque seco tropical. In: Reunião Internacional do Acorbat, 17, 2006. Joinville, Brazil, 2006, p.348.

GUZMAN, M. Estado actual y perspectivas futuras de manejo de la sigatoka negra em America Latina. In: REUNIÃO INTERNACIONAL DA ASSOCIAÇÃO PARA A COOPERAÇÃO NAS PESQUISAS SOBRE BANANA NO CARIBE E NA AMÉRICA TROPICAL, 7., 2006, Joinville. Anais...Joinville, 2006. p.83-91.

LICHTEMBERG, L. A.; MALBURG, J. L.; ZAFFARI, G. R. et al. Banana. In: EPAGRI (Ed.) Avaliação de cultivares para o Estado de Santa Catarina 2002/2003. Florianópolis: EPAGRI, 2002. p.31-37.

LICHTEMBERG, L.A.; MOREIRA, R.S. The history and characteristics of the ‘Enxerto’ banana. In: REUNIÃO INTERNACIONAL DA ASSOCIAÇÃO PARA A COOPERAÇÃO NAS PESQUISAS SOBRE BANANA NO CARIBE E NA AMÉRICA TROPICAL, 7., 2006, Joinville. Anais...Joinville, 2006. p.885-887.

MARCÍLIO, H. de C.; ANDRADE, A. L. de; PEREIRA, G. A.; ABREU, J. G. de; SANTOS, C. C. dos.  Avaliação de genótipos de bananeiras em sistema orgânico de produção. In: Reunião Internacional do Acorbat, 17, 2006. Joinville, Brazil, 2006, p.553-556.

Oltramari, A.C.; Zoldan, P.; Altamn, R. 2002. Agricultura orgânica em Santa Catarina. Florianópolis, Instituto Cepa, 55p.

PERUCH, L. A. M.; SÔNEGO, M. Resistência de genótipos de bananeiras a sigatoka amarela sob cultivo orgânico. Revista Brasileira de Agroecologia, Porto Alegre. v.3, n.2, p.86-93, set. 2007.

ROWE, P. Mejoramiento de banano y plátano resistentes a plagas y enfermedades. In: PRODUCCIÓN DE BANANO ORGÁNICO Y, O, AMBIENTALMENTE AMIGABLE. Memorias… Guácimo, 1998.  p.56-62.

SÔNEGO, M.; BRANCHER, A.; MADALOSSO, C. et al. A fruticultura no Litoral Sul Catarinense. Agropecuária Catarinense, Florianópolis, v.16, n.3, p.44-49, nov.2003.
SOUZA, A. T. de; CONCEIÇÃO, O. A. da. Fatores que afetam a qualidade da banana na agricultura familiar catarinense. Florianópolis: Instituto Cepa/SC, 2002. 68p.

Figura 1. Bananeira ‘Prata Baby’ com folhas sadias e cacho próximo ao ponto de colheita.

Figura 2- Penca de banana ‘Baby Prata’ em estágio médio de maturação. Esta cultivar apresentou o maior teor de doçura.

Figura 3- Penca de banana ‘Tropical’ em estágio médio de maturação. Esta cultivar pode substituir a banana ‘Maçã’.
Tabela 1- Valores da média e da semi-amplitude para as características agronômicas de 21 cultivares de bananeira sob manejo orgânico, na Estação Experimental da Epagri, em Urussanga, Santa Catarina, para primeira e segunda colheitas feitas entre os anos de 2003 a 2005.
* Os valores entre parênteses correspondem a semi-amplitude do intervalo de confiança para média com base na distribuição t de Student com 95% de confiança.


Ferreira On 11/30/2010 05:46:00 AM Comentarios

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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Características agronômicas de 21 cultivares de banana em sistema orgânico


Márcio Sônego[1], Luiz Augusto Martins Peruch[2], Luiz Alberto Lichtemberg[3], Cristiano Nunes Nesi[4]


[1] Eng.agr,, Dr., Epagri/Estação Experimental de Urussanga, C.P. 49, 88840-000 Urussanga, SC, fone: (48) 3465-1209, e-mail: sonego@epagri.sc.gov.br
[2] Eng.agr,, Dr., Epagri/Estação Experimental de Urussang, e-mail: lamperuch@epagri.sc.gov.br
[3] Eng.agr,, M.Sc., Epagri/Estação Experimental de Itajai, C.P. 277, 88301-970 Itajai, SC, fone: (47) 3341-5244, e-mail: licht@epagri.sc.gov.br
[4] Eng.agr., M.Sc., Epagri/Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar – Cepaf-, C.P. 791, 89801-970 Chapecó, SC, fone: (49) 3361-0600, e-mail:cristiano@epagri.sc.gov.br

A banana é a fruta mais cultivada no Litoral Sul de Santa Catarina. Em torno de 8.500 hectares são ocupados com bananais, distribuídos em pequenas propriedades rurais (Sônego et al., 2003). As cultivares mais plantadas nos pomares comerciais da região pertencem ao subgrupo Prata (AAB) e ao subgrupo Cavendish (AAA), com 84% e 16% da área total, respectivamente (Souza & Conceição, 2002).
A bananeira também se destaca como a principal fruta na produção orgânica em âmbito estadual (Oltramari et al., 2002). Todavia, o cultivo orgânico desta fruta apresenta uma série de particularidades inerentes ao sistema de produção. Fungicidas, inseticidas e herbicidas, em sua maioria, não podem ser aplicados para controlar doenças, pragas e plantas daninhas, respectivamente. Por este motivo, existem inúmeros desafios em relação às questões relacionadas à qualidade fitossanitária da bananeira a serem superados a fim de viabilizar a produção orgânica.
Pela sua rusticidade ao clima subtropical (Lichtemberg & Moreira, 2006), a ‘Enxerto’ é a banana mais comumente cultivada no sistema orgânico no Litoral Sul de Santa Catarina. Entretanto essa cultivar apresenta alta susceptibilidade ao mal-de-sigatoka, mal-do-Panamá e pencas falhadas. Alguns trabalhos têm determinado o comportamento de diferentes cultivares sob sistema orgânico (Marcílio et al., 2006; Gómez et al., 2006). No Brasil, Marcílio et al. (2006) determinou que ‘Tropical’ e ‘IAC 2001’ como adequados a produção orgânica no Mato Grosso. Os clones FHIA 2, FHIA 17 e 18  foram considerados como apropriados para cultivo orgânico em condições de trópico seco da Venezuela (Gómez et al., 2006).
Mundialmente, programas de melhoramento genético têm procurado desenvolver genótipos de bananeira com maior resistência às pragas e doenças, sendo muitos deles recomendados para cultivo orgânico, a exemplo de materiais lançados pela FHIA - Fundação Hondurenha de Investigação Agrícola (Rowe, 1999).
O presente trabalho aborda o desempenho agronômico de 21 cultivares de banana, com o objetivo de identificar genótipos mais adequados à produção orgânica nas condições ambientais do Litoral Sul de Santa Catarina. 
Em outubro de 2001 foi implantada uma coleção com 21 cultivares de bananeiras na Epagri/Estação Experimental de Urussanga. O solo é do tipo argissolo vermelho-amarelo originário de diabásio neozólico, com as seguintes características físico-químicas: Argila = 53%; pH índice SMP = 6,5; P = 8,0 mg/L; K = 166 mg/L; Matéria Orgânica = 2,5%; Ca + Mg = 5,7 cmolc/L. As mudas de bananeira do tipo pedaços de rizoma foram plantadas no espaçamento de 3 metros entre fileiras e 2,5 metros entre plantas, sendo que cada um dos 21 cultivares formou uma fileira de 12 plantas. Cada cova de plantio recebeu 500 gramas de calcário dolomítico e dois quilos de esterco curtido de aviário. A cada seis meses foram aplicados 6,0 t/ha de cama de aviário de palha de arroz, divididos em 4,0 kg por touceira, amontoados a um metro de distância da planta filha e cobertos com restos culturais. Seis e 12 meses após o plantio foi aplicado 2,0 t/ha de calcário dolomítico sem incorporação. O controle das ervas no bananal foi feito através de roçadas e capinas no primeiro ano, e por roçadas nos anos subsequentes. O bananal foi conduzido no sistema mãe-filha-neta.  As folhas com mais de 50% de severidade da sigatoka ou necroses naturais foram cortadas e colocadas ao chão.
A altura do pseudocaule, sua circunferência a 30 cm do chão e o número de folhas foram avaliados por ocasião da emissão do cacho. A colheita foi feita a partir de março de 2003, em intervalos semanais, estendendo-se até fevereiro de 2006. Os cachos foram despencados, pesando-se cada penca para obter o peso total do cacho sem o engaço (ráquis). Para as características avaliadas foram calculados os intervalos de confiança (IC) para a média de cada variável, dado por:


em que X é a média das observações referentes à característica avaliada; t é o valor da distribuição t de Student, a 5% de probabilidade de erro; s é o desvio padrão das observações e n o número de observações. A apresentação dos resultados é feita pela média seguida da semi-amplitude do intervalo de confiança (Tabela 1).     
A emissão do primeiro cacho após o plantio variou de 373 dias para a ‘Pioneira’, até 490 dias para ‘Williams’ e ‘Ouro da Mata’.  Em geral, bananeiras do subgrupo Prata (AAB) e Figo (ABB) lançaram os primeiros cachos mais precocemente do que bananeiras do subgrupo Cavendish (AAA) e híbridas (AAAB).  Entretanto, Lichtemberg et al. (2002) relatam que após o primeiro ciclo de produção as cultivares do subgrupo Cavendish (‘Nanicão’ e ‘Grande Naine’) se tornam mais precoces do que as cultivares do subgrupo Prata (‘Enxerto’ e ‘Branca’).  Os valores de altura e da circunferência do pseudocaule à época da emissão do cacho aumentaram no segundo ano de produção para todas as cultivares. De maneira geral, houve redução no número de folhas no momento de emissão do segundo cacho, comparado aos valores da primeira inflorescência. A tendência de redução de folhas úteis ao longo dos anos está relacionado com vários fatores. Parte dos danos deve-se a incidência de sigatoka, mas cultivares resistentes a esta doença também apresentaram comportamento semelhante.
O número de pencas por cacho aumentou do primeiro para o segundo cacho na maioria das cultivares de banana, tendo sido mais expressivo para os cv. ‘Pioneira’ e ‘Prata Baby’ (Figura 1 e 2).  Cultivares do subgrupo Prata (AAB) apresentaram pouca alteração no peso do cacho do primeiro para o segundo ciclo. Já os híbridos (AAAB) mostraram incremento no peso do cacho do primeiro para o segundo ciclos, com destaque para ‘Pioneira’ e ‘Prata Baby’. Tendência semelhante foi encontrada por Lichtemberg et al. (2002), tanto para cultivares do subgrupo Prata como para os híbridos, mesmo em cultivo convencional. Por sua vez, cultivares do subgrupo Cavendish (AAA) apresentaram redução do peso do cacho no segundo ciclo, contrastando com resultados apresentados por Lichtemberg et al. (2002) que apontam incremento no peso de cacho no segundo ciclo para o subgrupo Cavendish, em cultivo convencional.
Além dos aspectos de fisiologia e produtividade da cultivar também é importante considerar a sua resistência ao mal-de-sigatoka. Segundo dados de Peruch et al. (2007) verificou-se que as cultivares ‘Figo’, ‘Figo Cinza’, ‘Tropical’, ‘Prata Baby’ (‘Nam’), ‘Thap Maeo’, ‘Pioneira’, ‘FHIA-01’ e ‘Ouro da Mata’ (Figura 3) mostraram-se mais resistentes à doença sob condições de cultivo orgânico.
Levando-se em consideração os aspectos de produção e resistência ao mal-de-sigatoka podem-se recomendar as cultivares para cultivo orgânico de acordo com a sua aptidão: ‘Tropical’, ‘Prata Baby’ (‘Nam’), ‘Thap Maeo’, ‘Ouro da Mata’ e ‘FHIA-01’ para consumo in natura; ‘Figo’, ‘Figo Cinza’ e ‘FHIA-01’ para fabricação de chips; ‘Pioneira’ para fabricação de polpa ou banana passa.

Literatura Citada

GOMÉZ, C.; SURGA, J.G.; MAGAÑA LEMOS, S.; VERA, J.; ROSALES, H.; PINO, N. Manejo orgânico de siete clones de banano en condiciones de bosque seco tropical. In: Reunião Internacional do Acorbat, 17, 2006. Joinville, Brazil, 2006, p.348.

GUZMAN, M. Estado actual y perspectivas futuras de manejo de la sigatoka negra em America Latina. In: REUNIÃO INTERNACIONAL DA ASSOCIAÇÃO PARA A COOPERAÇÃO NAS PESQUISAS SOBRE BANANA NO CARIBE E NA AMÉRICA TROPICAL, 7., 2006, Joinville. Anais...Joinville, 2006. p.83-91.

LICHTEMBERG, L. A.; MALBURG, J. L.; ZAFFARI, G. R. et al. Banana. In: EPAGRI (Ed.) Avaliação de cultivares para o Estado de Santa Catarina 2002/2003. Florianópolis: EPAGRI, 2002. p.31-37.

LICHTEMBERG, L.A.; MOREIRA, R.S. The history and characteristics of the ‘Enxerto’ banana. In: REUNIÃO INTERNACIONAL DA ASSOCIAÇÃO PARA A COOPERAÇÃO NAS PESQUISAS SOBRE BANANA NO CARIBE E NA AMÉRICA TROPICAL, 7., 2006, Joinville. Anais...Joinville, 2006. p.885-887.

MARCÍLIO, H. de C.; ANDRADE, A. L. de; PEREIRA, G. A.; ABREU, J. G. de; SANTOS, C. C. dos.  Avaliação de genótipos de bananeiras em sistema orgânico de produção. In: Reunião Internacional do Acorbat, 17, 2006. Joinville, Brazil, 2006, p.553-556.

Oltramari, A.C.; Zoldan, P.; Altamn, R. 2002. Agricultura orgânica em Santa Catarina. Florianópolis, Instituto Cepa, 55p.

PERUCH, L. A. M.; SÔNEGO, M. Resistência de genótipos de bananeiras a sigatoka amarela sob cultivo orgânico. Revista Brasileira de Agroecologia, Porto Alegre. v.3, n.2, p.86-93, set. 2007.

ROWE, P. Mejoramiento de banano y plátano resistentes a plagas y enfermedades. In: PRODUCCIÓN DE BANANO ORGÁNICO Y, O, AMBIENTALMENTE AMIGABLE. Memorias… Guácimo, 1998.  p.56-62.

SÔNEGO, M.; BRANCHER, A.; MADALOSSO, C. et al. A fruticultura no Litoral Sul Catarinense. Agropecuária Catarinense, Florianópolis, v.16, n.3, p.44-49, nov.2003.
SOUZA, A. T. de; CONCEIÇÃO, O. A. da. Fatores que afetam a qualidade da banana na agricultura familiar catarinense. Florianópolis: Instituto Cepa/SC, 2002. 68p.

Figura 1. Bananeira ‘Prata Baby’ com folhas sadias e cacho próximo ao ponto de colheita.

Figura 2- Penca de banana ‘Baby Prata’ em estágio médio de maturação. Esta cultivar apresentou o maior teor de doçura.

Figura 3- Penca de banana ‘Tropical’ em estágio médio de maturação. Esta cultivar pode substituir a banana ‘Maçã’.
Tabela 1- Valores da média e da semi-amplitude para as características agronômicas de 21 cultivares de bananeira sob manejo orgânico, na Estação Experimental da Epagri, em Urussanga, Santa Catarina, para primeira e segunda colheitas feitas entre os anos de 2003 a 2005.
* Os valores entre parênteses correspondem a semi-amplitude do intervalo de confiança para média com base na distribuição t de Student com 95% de confiança.


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