segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Publicação:  O trabalho faz parte do ANEXO B do Boletim Didático nº 88 “Produção orgânica de hortaliças no litoral sul catarinense”. publicado pela Epagri. Interessados em adquirir a publicação completa e ilustrada com 204 páginas, devem entrar no site: www.epagri.sc.gov.br e acessar  os link “Publicações” e “Boletim didático”.


Mesmo no cultivo orgânico podem ocorrer desequilíbrios temporários que aumentam a população de insetos-pragas ou patógenos nocivos em níveis incontroláveis. Esses fatores podem ser chuvas ou secas excessivas, mudas ou sementes de baixa qualidade, tratamentos com agrotóxicos agressivos nas propriedades vizinhas, uso de cultivares não adaptados, solos degradados e adubações desequilibradas.
Recomenda-se no cultivo orgânico que o homem deve intervir o menos possível no meio ambiente para não provocar o desequilíbrio do sistema. Por isso, os produtos alternativos apresentados, mesmo que a grande maioria não cause riscos ao homem ou ao ambiente, somente devem ser utilizados quando realmente necessários. Neste caso, deve-se recorrer às caldas protetoras, aos preparados de plantas e outros produtos alternativos recomendados ou tolerados no cultivo orgânico, visando ao manejo de doenças e pragas em hortaliças.
Observação: A utilização de alguns dos preparados, bem como outros produtos alternativos, é baseada em trabalhos de pesquisa em determinadas condições edafoclimáticas, outros são resultados de experiências de técnicos e agricultores. Por isso, recomenda-se sempre que o agricultor teste o produto alternativo em pequena área de cultivo e observe os resultados.

  Produtos alternativos − preparados de plantas
O uso de preparados vegetais no manejo de doenças e pragas de plantas é denominado de fitoterapia vegetal. A maioria das plantas utilizadas são plantas aromáticas, medicinais e algumas ornamentais.
Observação: Alguns dos princípios ativos das plantas usados nas formulações podem provocar irritação e intoxicação. Por isso, devem ser manipulados com cuidado, não os deixando ao alcance de criança ou animais.
A extração dos princípios ativos dos vegetais para uso agrícola, geralmente, é feita pelos métodos de maceração, fervura e infusão.
 Preparado por maceração: As plantas são picadas bem finas ou amassadas e postas num recipiente com água, álcool ou óleo. O tempo de maceração varia de 1 a 10 dias, conforme as partes das plantas usadas. Partes mais tenras ficam menos tempo e as mais lenhosas, mais tempo. Deve-se agitar a maceração duas vezes por dia.
 Preparado por fervura: As plantas são picadas ou amassadas e postas a ferver por 10 minutos. O recipiente deve ter tampa e permanecer tampado até que o líquido esfrie, para não perder os princípios ativos com o vapor.
 Preparado por infusão: As plantas são picadas ou amassadas num recipiente, despejando-se água fervente sobre elas. Deixar abafado por, no mínimo, 10 minutos.

Diversos extratos são eficientes na nutrição suplementar, na estimulação fisiológica e na proteção sanitária. Outros preparados necessitam de comprovação através de pesquisas em diferentes condições de solo, clima e sistemas de produção.

     ● Preparado com cavalinha-do-campo (Equisetum arvense) Proteção de pragas – pulgões e ácaros; doenças – fungos de solo, míldio e outras e para nutrição das plantas: Ferver 1kg de folhas verdes ou 200g de folhas secas por 20 minutos em 2L de água (10%). Diluir em 10 a 20 litros de água e pulverizar no final da tarde (Deffune, 2000).

     ● Preparado com urtiga (Urtica urens L.) Nutrição, estimulante de vigor e resistência,   manejo de pulgões: deixar de molho por duas semanas 1kg de folhas verdes ou 200g de folhas secas/2 litros de água. Diluir em 20 litros de água e pulverizar nas plantas e solo no final da tarde, alternando com o preparado de cavalinha. (Deffune, 2000).

     ● Preparado com nim (Azadirachta indica) – Manejo da mosca-branca, pulgões, mosca-minadora, mosca-da-fruta, brocas-do-tomateiro, ácaros, trips, cochonilhas, minador-das-folhas-dos-citrus, outros besouros, vaquinha, nematoides, traça das crucíferas, lagartas em geral e outros; manejo de doenças: manchas de alternária, tombamento, ferrugem do feijoeiro, requeima, fusariose e esclerotínia: O nim, árvore da família Meliaceae, a mesma do cinamomo, do cedro e do mogno, é originário da Índia. O princípio ativo, denominado de azadirachtin, se concentra mais nas sementes e controla os insetos impedindo sua metamorfose em fase de larva, além de repeli-los.  O extrato de nim pode ser feito da seguinte forma:
a) folhas e ramos finos verdes picados: 1.250g para 100L de água. Deixar repousar a mistura durante 12 horas, no mínimo, coar e pulverizar imediatamente;
b) sementes moídas: 1,5 a 3kg para 100 litros de água. Deixar repousar por 12 horas, coar e pulverizar;
c) óleo de sementes: utilizar 250 a 500ml em 100L de água e pulverizar.
O extrato pode ser armazenado em frasco em local escuro por 3 dias. As lojas agropecuárias vendem o óleo de nim em embalagens de 1L, 100ml e 20ml. É empregado na dosagem de 0,5% (Abreu Junior, 1998).

 Preparado com confrei (Symphytum officinale) (manejo de pulgões): Utilizar o liquidificador para triturar 1kg de folhas de confrei com água. Acrescentar 10 litros de água e pulverizar nas plantas.

      ● Preparado com alho (manejo de trips, pulgões, lagarta-do-cartucho-do-milho e doenças [podridão negra, ferrugem e alternária]): O alho é um antibiótico natural e pode ser usado como inibidor ou repelente de parasitas de plantas ou animais.

Receita 1: Dissolver 50g de sabão em 4 litros de água, juntar 2 cabeças picadas de alho e 4 colheres de pimenta vermelha picada. Coar com pano fino e pulverizar.
Receita 2: Moer 100g de alho e deixar em repouso por 24 horas em 2 colheres de óleo mineral. Dissolver, à parte, 10g de sabão em 0,5L de água. Misturar todos os ingredientes e filtrar. Antes de usar o preparado, diluí-lo em 10L de água (Fonte: Abreu Junior, 1998);
Receita 3: (manejo de doenças fúngicas do tomateiro): 7 dentes de alho macerados em 1 litro de água. Deixa-se essa mistura em repouso durante 10 dias. Antes de usar, de forma preventiva, diluir em 10L de água (Fonte: Primavesi, 1994);

 Preparado com pimenta vermelha (manejo de vaquinhas, pulgões, grilos e paquinhas):
Receita 1: Bater 500g de pimenta vermelha em um liquidificador com 2L de água até a maceração total. Coar o preparado e misturar com 5 colheres de sopa de sabão de coco em pó, acrescentando então mais 2L de água. Pulverizar sobre as plantas atacadas (Fonte: Andrade, 1992).
Receita 2: Outra forma de preparo é bater 60g de pimenta no liquidificador com meio litro de água, acrescentando meio litro de água. Macerar por 12 horas, coar e diluir 1L do macerado para 5L de água. Pode-se dissolver um pedaço de sabão de 50g em 1L de água quente e, em seguida, misturar a calda como produto adesivo.
Receita 3: Colocar 100g de pimenta-do-reino em 1L de álcool durante 7 dias. Dissolver 60g de sabão de coco em 1L de água fervente. Retirar do fogo e juntar as duas partes. Utilizar um copo cheio para 10L de água fazendo três pulverizações a cada 3 dias. Indicação: pulgões, ácaros e cochonilhas (Fonte: Paiva, 1995).
Observação: Obedecer a um período de carência mínima de 12 dias da colheita, para evitar a obtenção de frutos com forte odor. 

 Preparado com primavera/maravilha (Bougainvillea spectabilis/Mirabilis jalapa) (manejo do vírus do vira-cabeça do tomateiro e pimentão): Juntar 1kg de folhas maduras e lavadas de buganvília (flor rosa ou roxa) com água e bater no liquidificador. Coar e diluir o macerado em 20L de água. Pulverizar imediatamente nas horas mais frescas do dia no tomateiro, iniciando na fase de mudas e terminando no início da frutificação. O preparado reduz os danos causados pelo vírus, que é disseminado por trips e sementes contaminadas, especialmente na primavera e no início do verão. O trips adquire o vírus depois de alimentar-se de plantas infectadas ou ervas nativas, transmitindo-o ao tomateiro (Fonte: Souza & Resende, 2003).


 Preparado com cebola (manejo de pulgões, lagartas e vaquinhas): Cortar 1kg de cebola e misturar em 10L de água, deixando o preparado curtindo durante 10 dias. Utilizar 1L da mistura em 3L de água para pulverizar as plantas, atuando como repelente.

 Preparado com losna (manejo de lagartas, lesmas, percevejos e pulgões): Diluir 30g de folhas secas de losna em 1L de água, fervendo essa mistura durante 10 minutos. Adicionar 10L de água ao preparado para pulverização.

Preparado com cravo-de-defunto (manejo de pulgões, ácaros, algumas lagartas e nematoides): Misturar 1kg de folhas e talos de cravo-de-defunto (Tagetes sp.) com ou sem flores em 10L de água. Levar ao fogo, deixando ferver durante meia hora ou deixar os talos e folhas picados em molho por 2 dias. Coar e pulverizar sem diluir. O cravo-de-defunto em área infestada de nematoides é um repelente natural.

 Preparado com chuchu (manejo de lesmas e caracóis): Colocar dentro de latas rasas pedaços de chuchu cortados ao meio, adicionando-se sal. A mistura é bastante atrativa para essas pragas, possibilitando, depois, a eliminação mecânica.

 Preparado com camomila (manejo de doenças fúngicas): Misturar 50g de flores de camomila em 1L de água. Deixar de molho durante 3 dias, agitando quatro vezes ao dia. Depois de coar, pulverizar a mistura sem diluir, três vezes a cada 5 dias.


Preparado com sálvia (manejo de lagartas da couve): Derramar 1L de água fervente sobre duas colheres de sopa de folhas secas de sálvia. Tampar o recipiente e deixar em infusão durante 10 minutos. Agitar bem, filtrar e pulverizar imediatamente sobre as plantas visando à borboleta branca, que coloca os ovos nas folhas de couve, originando as lagartas que comem as folhas.

● Preparado com samambaia (manejo de ácaros, cochonilhas e pulgões): Colocar 500g de folhas frescas ou 100g de folhas secas em 1L de água. Ferver por meia hora. Para a aplicação, diluir 1L desse macerado em 10L de água.

 Preparado com cinamomo (manejo de pulgões e cochonilhas): Colocar 500g de sementes maduras, secas e moídas numa mistura de 1L de álcool e 1L de água. Deixar descansar por 4 dias. Depois de pronto o extrato, armazenar em vidros ou em garrafas de cor escura. Diluir a solução do extrato a 10%, ou seja, para cada litro de extrato usar 10L de água e aplicar nas partes atacadas das plantas. O restante das sementes secas pode ser guardado em potes para uso posterior. O cinamomo, ou árvore-santa (Melia azedarach), é uma planta da mesma família do nim, cujas folhas e sementes têm propriedades inseticidas (Fonte: Uso do... 2001).

Preparado com coentro (manejo de ácaros e pulgões): Cozinhar folhas de coentro em 2L de água. Para pulverizar sobre as plantas, acrescentar água. (Fonte: Zamberlan & Froncheti, 1994).


Bibliografia citada

ABREU JUNIOR, H. (Coord.). Práticas alternativas de controle de pragas e doenças na agricultura: coletânea de receitas. Campinas, SP: Emopi, 1998. 112p.

DEFFUNE, G. Curso fundamental de revisão científica e prática em agroecologia, agricultura orgânica e alelopatia aplicada. 2000. 27p.

PRIMAVESI, A. Manejo ecológico de pragas e doenças: técnicas alternativas para a produção agropecuária e defesa do meio ambiente. São Paulo: Nobel, 1994. 137p.

SOUZA,J.L. DE; RESENDE, L. de S. E. Manual de horticultura orgânica. Viçosa: Aprenda Fácil, 2003 564p.

USO do cinamomo como inseticida e relente. Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável, Porto Alegre, v. 2, n.3, p.69, jul./set. 2001.

ZAMBERLAN, A.F.; FRONCHETI, A. Agricultura alternativa: um enfrentamento à agricultura química. Passo Fundo, RS:Ed. P. Berthier, 1994, 167p.








Ferreira On 8/10/2015 11:11:00 AM Comentarios LEIA MAIS

quinta-feira, 9 de julho de 2015


Publicação: O trabalho faz parte do ANEXO B do Boletim Didático nº 88 “Produção orgânica de hortaliças no litoral sul catarinense”. publicado pela Epagri. Interessados em adquirir a publicação completa e ilustrada com 204 páginas, devem entrar no site: www.epagri.sc.gov.br e acessar os link “Publicações” e “Boletim didático”.


Mesmo no cultivo orgânico podem ocorrer desequilíbrios temporários que aumentam a população de insetos-pragas ou patógenos nocivos em níveis incontroláveis. Esses fatores podem ser chuvas ou secas excessivas, mudas ou sementes de baixa qualidade, tratamentos com agrotóxicos agressivos nas propriedades vizinhas, uso de cultivares não adaptados, solos degradados e adubações desequilibradas.

Recomenda-se no cultivo orgânico que o homem deve intervir o menos possível no meio ambiente para não provocar o desequilíbrio do sistema. Por isso, os produtos alternativos apresentados, mesmo que a grande maioria não cause riscos ao homem ou ao ambiente, somente devem ser utilizados quando realmente necessários. Neste caso, deve-se recorrer às caldas protetoras, aos preparados de plantas e outros produtos alternativos recomendados ou tolerados no cultivo orgânico, visando ao manejo de doenças e pragas em hortaliças. 

Observação: A utilização de alguns dos preparados, bem como outros produtos alternativos, é baseada em trabalhos de pesquisa em determinadas condições edafoclimáticas (ver literatura citada e consultada), outros são resultados de experiências de técnicos e agricultores. Por isso, recomenda-se sempre que o agricultor teste o produto alternativo em pequena área de cultivo e observe os resultados.




Caldas

As caldas possuem baixo impacto ambiental sobre o homem e os animais. O cobre presente na calda bordalesa é pouco tóxico para a maioria dos pássaros, abelhas e mamíferos, porém é tóxico para peixes. A aplicação de caldas não tem o objetivo de erradicar os insetos e os microrganismos nocivos, mas proteger as plantas e ativar o seu mecanismo de resistência. Essas caldas podem ser preparadas na propriedade, reduzindo significativamente o custo de produção. 



Calda bordalesa

É o resultado da mistura simples de sulfato de cobre e cal virgem diluídos em água. É recomendada como fungicida para manejo preventivo de doenças fúngicas e bacterianas e também pode atuar como repelente de muitos insetos.

A calda bordalesa é uma das formulações mais antigas que se conhece, tendo sido descoberta quase por acaso, no final do século XIX na França, por um agricultor que estava aplicando água com cal para evitar que cachos de uva fossem roubados. Logo, percebeu-se que as plantas tratadas estavam livres do míldio. Estudando o caso, um pesquisador descobriu que o efeito estava associado ao fato de o leite de cal ter sido preparado em tachos de cobre. A partir daí, desenvolveram-se pesquisas para chegar à formulação mais adequada da proporção entre a cal e o sulfato de cobre. 

Observação: As doenças de hortaliças geralmente ocorrem em condições de alta umidade do ar. Portanto, quando as condições do ambiente forem favoráveis às doenças, devem-se fazer aplicações semanais. Caso contrário, pulverizar a cada quinzena ou a cada mês.



Vantagens

● Forma camada protetora contra doenças e pragas. 

● Possui alta resistência à lavagem pelas águas de irrigação ou chuvas. 

● Aumenta a resistência da planta à insolação. 

● Promove a resistência da planta e dos frutos. 

● Melhora a conservação e a regularidade de maturação e aumenta o teor de açúcares.

● Tem baixo impacto ambiental sobre o homem e os animais domésticos.

● É um dos fungicidas mais baratos e eficientes.



Preparo da calda bordalesa a 1%

A formulação a seguir é para preparo de 100 litros. Para fazer outras medidas, é só manter as proporções entre os ingredientes listados a seguir:

Ingredientes: Sulfato de cobre - - - 1.000g

Cal virgem ou hidratada - - 1.500g

Água - - - - - 100L

1o passo:  dissolver o sulfato de cobre – Colocar o sulfato de cobre em um saco de pano e mantê-lo imerso em suspensão na parte superior de um balde de água (a dissolução demora até 24 horas). Quando necessário, pode-se dissolver as pedras de sulfato de cobre para uso imediato, aquecendo a água ou moendo as pedras. Atualmente, já se encontra nas agropecuárias o sulfato de cobre moído, que dissolve rapidamente (em torno de 1 hora).

2o passo: dissolver a cal virgem – Em outra vasilha (sem ser de plástico) fazer a queima da cal virgem de boa qualidade (cal velha com aspecto farinhento não deve ser utilizada), que pode ser no mesmo dia em que for usada. Colocar 1500g de cal em uma lata de metal de 20 litros e adicionar 9 litros de água aos poucos e mexer com pá de madeira até formar uma pasta mole. Tomar cuidado com a temperatura da mistura, que se eleva bastante. Após o resfriamento, adicionar um pouco de água, obtendo-se um leite de cal. A cal hidratada pode ser utilizada desde que tenha boa qualidade; é mais prática e proporciona a mesma eficiência. Passar a calda por uma peneira fina, colocando-se mais água e agitando-se para passar pela peneira. Adicionar água até 50 litros ao leite de cal. 

3o passo: Despejar a solução de sulfato de cobre em um tonel (sem ser de ferro ou aço) com capacidade para 200 litros. Adicionar água até 50 litros.

4o passo: com um balde, aos poucos,  despejar a solução de leite de cal sobre a solução de sulfato de cobre. As duas soluções devem estar sob a mesma temperatura. Com auxílio de uma pá de madeira, agitar constantemente durante a operação de mistura.

5o passo: Testar a acidez (pH) da calda – Mergulhar um prego novo durante um minuto na calda. Se houver escurecimento, significa que a calda está ácida (pH abaixo de 7) e precisa ainda de neutralização com mais leite de cal. Não escurecendo, a calda estará pronta (alcalina). Outra maneira de se verificar a acidez é pingar duas a três gotas sobre uma lâmina de faca bem limpa (sem ser de aço inoxidável). Após 1 minuto, sacudir a faca e, se ficarem manchas avermelhadas onde estavam as gotas da calda, ela está ácida. Quando a cal virgem é de má qualidade, a calda permanecerá ácida, sendo preciso, então, acrescentar mais leite de cal para neutralizar a acidez.

Observação: De modo geral, a cal é um bom aderente. Entretanto, certas culturas podem necessitar de um espalhante-adesivo. Para melhorar a aderência da calda bordalesa, acrescentar 1,5 litro de leite desnatado ou 1 a 2kg de farinha de trigo no preparo de 100L de calda (dissolver a farinha de trigo em água e depois peneirar) após o seu preparo.



Calda sulfocálcica

É o resultado da mistura de enxofre e cal, diluídos em água. É indicada como acaricida e inseticida (trips, cochonilhas, etc.), além de ter efeito fungicida, atuando de forma curativa (ferrugens, oídio, etc.). É muito utilizada para tratamento de inverno de fruteiras de clima temperado e subtropical. 

Vantagens
● Os ácaros não criam resistência à calda sulfocálcica.

● A calda fornece nutrientes essenciais (cálcio e enxofre);

● A calda aumenta a resistência das plantas e melhora o sabor dos frutos.

● A calda é um dos fungicidas/inseticidas mais baratos e eficientes.

Embora também possa ser preparada na propriedade, a calda sulfocálcica pode ser adquirida nas lojas agropecuárias a um baixo custo.



Aplicação das caldas e cuidados
A aplicação, o preparo correto e o uso de pulverizadores com bicos-cones, de preferência de cerâmica (os de metal estragam rapidamente) em bom estado e com jatos que formem uma névoa, cobrindo uniformemente folhas, frutos e ramos, são importantes para o êxito do tratamento, assim como a concentração e a qualidade dos ingredientes. A concentração das caldas depende das condições climáticas locais, da espécie, da fase da cultura e da forma de condução. Para evitar riscos de fitotoxidade e queima de folhas e frutos, deve-se fazer um teste em poucas plantas, podendo-se aplicar em toda a área depois de observado o seu efeito. 

Os principais cuidados a ser observados no momento da aplicação são:

● deve-se sempre utilizar o equipamento de proteção individual (EPI) no preparo e na aplicação;

● a aplicação deve ser com tempo bom, seco e fresco, pela manhã ou à tardinha. Quando aplicada com tempo úmido, os riscos de fitotoxidade são maiores;

● por ser um produto protetor, somente as partes atingidas pelas caldas estarão protegidas de doenças e pragas;

● as caldas devem ser mantidas sob forte agitação durante toda a aplicação; 

● para a maioria das plantas, não deve ser aplicada a calda bordalesa no período do florescimento, nem estando as plantas murchas ou molhadas e em época de forte estiagem;

● a aplicação deve ser no mesmo dia do preparo da calda. No entanto, o leite de cal e o sulfato de cobre, quando em recipientes separados, podem ser guardados por 2 a 3 dias; 

● a calda sulfocálcica deve ser aplicada durante a floração somente naquelas culturas que toleram o enxofre;

● a calda bordalesa pode ser misturada com os biofertilizantes;

● com temperaturas acima de 30ºC e abaixo de 10ºC, suspender a aplicação da calda;

● após aplicação das caldas, os equipamentos e os metais devem ser lavados para evitar corrosão, com vinagre (20%) e duas colheres de chá de óleo mineral. Verificar o desgaste dos bicos do pulverizador, fazendo a troca necessária. As caldas corroem os orifícios do bico, alterando a vazão e o tamanho de gotas e, em consequência, a dose aplicada e a cobertura de plantas;

● no caso de empregar a calda sulfocálcica após aplicação da calda bordalesa, deixar um intervalo mínimo de 30 dias. Quando for o contrário, isto é, aplicar a calda bordalesa após a aplicação da calda sulfocálcica, observar intervalo de 15 dias;

● o intervalo de aplicações da calda bordalesa varia de 7 a 15 dias ou até mais, dependendo das condições climáticas, da ocorrência de doenças e do desenvolvimento da planta;

● recomenda-se obedecer, no mínimo, ao intervalo de uma semana entre a aplicação das caldas e a colheita. 












Ferreira On 7/09/2015 11:31:00 AM Comentarios LEIA MAIS

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Produtos alternativos utilizados no manejo de doenças e pragas em hortaliças Parte II : Preparados de Plantas

Publicação:  O trabalho faz parte do ANEXO B do Boletim Didático nº 88 “Produção orgânica de hortaliças no litoral sul catarinense”. publicado pela Epagri. Interessados em adquirir a publicação completa e ilustrada com 204 páginas, devem entrar no site: www.epagri.sc.gov.br e acessar  os link “Publicações” e “Boletim didático”.


Mesmo no cultivo orgânico podem ocorrer desequilíbrios temporários que aumentam a população de insetos-pragas ou patógenos nocivos em níveis incontroláveis. Esses fatores podem ser chuvas ou secas excessivas, mudas ou sementes de baixa qualidade, tratamentos com agrotóxicos agressivos nas propriedades vizinhas, uso de cultivares não adaptados, solos degradados e adubações desequilibradas.
Recomenda-se no cultivo orgânico que o homem deve intervir o menos possível no meio ambiente para não provocar o desequilíbrio do sistema. Por isso, os produtos alternativos apresentados, mesmo que a grande maioria não cause riscos ao homem ou ao ambiente, somente devem ser utilizados quando realmente necessários. Neste caso, deve-se recorrer às caldas protetoras, aos preparados de plantas e outros produtos alternativos recomendados ou tolerados no cultivo orgânico, visando ao manejo de doenças e pragas em hortaliças.
Observação: A utilização de alguns dos preparados, bem como outros produtos alternativos, é baseada em trabalhos de pesquisa em determinadas condições edafoclimáticas, outros são resultados de experiências de técnicos e agricultores. Por isso, recomenda-se sempre que o agricultor teste o produto alternativo em pequena área de cultivo e observe os resultados.

  Produtos alternativos − preparados de plantas
O uso de preparados vegetais no manejo de doenças e pragas de plantas é denominado de fitoterapia vegetal. A maioria das plantas utilizadas são plantas aromáticas, medicinais e algumas ornamentais.
Observação: Alguns dos princípios ativos das plantas usados nas formulações podem provocar irritação e intoxicação. Por isso, devem ser manipulados com cuidado, não os deixando ao alcance de criança ou animais.
A extração dos princípios ativos dos vegetais para uso agrícola, geralmente, é feita pelos métodos de maceração, fervura e infusão.
 Preparado por maceração: As plantas são picadas bem finas ou amassadas e postas num recipiente com água, álcool ou óleo. O tempo de maceração varia de 1 a 10 dias, conforme as partes das plantas usadas. Partes mais tenras ficam menos tempo e as mais lenhosas, mais tempo. Deve-se agitar a maceração duas vezes por dia.
 Preparado por fervura: As plantas são picadas ou amassadas e postas a ferver por 10 minutos. O recipiente deve ter tampa e permanecer tampado até que o líquido esfrie, para não perder os princípios ativos com o vapor.
 Preparado por infusão: As plantas são picadas ou amassadas num recipiente, despejando-se água fervente sobre elas. Deixar abafado por, no mínimo, 10 minutos.

Diversos extratos são eficientes na nutrição suplementar, na estimulação fisiológica e na proteção sanitária. Outros preparados necessitam de comprovação através de pesquisas em diferentes condições de solo, clima e sistemas de produção.

     ● Preparado com cavalinha-do-campo (Equisetum arvense) Proteção de pragas – pulgões e ácaros; doenças – fungos de solo, míldio e outras e para nutrição das plantas: Ferver 1kg de folhas verdes ou 200g de folhas secas por 20 minutos em 2L de água (10%). Diluir em 10 a 20 litros de água e pulverizar no final da tarde (Deffune, 2000).

     ● Preparado com urtiga (Urtica urens L.) Nutrição, estimulante de vigor e resistência,   manejo de pulgões: deixar de molho por duas semanas 1kg de folhas verdes ou 200g de folhas secas/2 litros de água. Diluir em 20 litros de água e pulverizar nas plantas e solo no final da tarde, alternando com o preparado de cavalinha. (Deffune, 2000).

     ● Preparado com nim (Azadirachta indica) – Manejo da mosca-branca, pulgões, mosca-minadora, mosca-da-fruta, brocas-do-tomateiro, ácaros, trips, cochonilhas, minador-das-folhas-dos-citrus, outros besouros, vaquinha, nematoides, traça das crucíferas, lagartas em geral e outros; manejo de doenças: manchas de alternária, tombamento, ferrugem do feijoeiro, requeima, fusariose e esclerotínia: O nim, árvore da família Meliaceae, a mesma do cinamomo, do cedro e do mogno, é originário da Índia. O princípio ativo, denominado de azadirachtin, se concentra mais nas sementes e controla os insetos impedindo sua metamorfose em fase de larva, além de repeli-los.  O extrato de nim pode ser feito da seguinte forma:
a) folhas e ramos finos verdes picados: 1.250g para 100L de água. Deixar repousar a mistura durante 12 horas, no mínimo, coar e pulverizar imediatamente;
b) sementes moídas: 1,5 a 3kg para 100 litros de água. Deixar repousar por 12 horas, coar e pulverizar;
c) óleo de sementes: utilizar 250 a 500ml em 100L de água e pulverizar.
O extrato pode ser armazenado em frasco em local escuro por 3 dias. As lojas agropecuárias vendem o óleo de nim em embalagens de 1L, 100ml e 20ml. É empregado na dosagem de 0,5% (Abreu Junior, 1998).

 Preparado com confrei (Symphytum officinale) (manejo de pulgões): Utilizar o liquidificador para triturar 1kg de folhas de confrei com água. Acrescentar 10 litros de água e pulverizar nas plantas.

      ● Preparado com alho (manejo de trips, pulgões, lagarta-do-cartucho-do-milho e doenças [podridão negra, ferrugem e alternária]): O alho é um antibiótico natural e pode ser usado como inibidor ou repelente de parasitas de plantas ou animais.

Receita 1: Dissolver 50g de sabão em 4 litros de água, juntar 2 cabeças picadas de alho e 4 colheres de pimenta vermelha picada. Coar com pano fino e pulverizar.
Receita 2: Moer 100g de alho e deixar em repouso por 24 horas em 2 colheres de óleo mineral. Dissolver, à parte, 10g de sabão em 0,5L de água. Misturar todos os ingredientes e filtrar. Antes de usar o preparado, diluí-lo em 10L de água (Fonte: Abreu Junior, 1998);
Receita 3: (manejo de doenças fúngicas do tomateiro): 7 dentes de alho macerados em 1 litro de água. Deixa-se essa mistura em repouso durante 10 dias. Antes de usar, de forma preventiva, diluir em 10L de água (Fonte: Primavesi, 1994);

 Preparado com pimenta vermelha (manejo de vaquinhas, pulgões, grilos e paquinhas):
Receita 1: Bater 500g de pimenta vermelha em um liquidificador com 2L de água até a maceração total. Coar o preparado e misturar com 5 colheres de sopa de sabão de coco em pó, acrescentando então mais 2L de água. Pulverizar sobre as plantas atacadas (Fonte: Andrade, 1992).
Receita 2: Outra forma de preparo é bater 60g de pimenta no liquidificador com meio litro de água, acrescentando meio litro de água. Macerar por 12 horas, coar e diluir 1L do macerado para 5L de água. Pode-se dissolver um pedaço de sabão de 50g em 1L de água quente e, em seguida, misturar a calda como produto adesivo.
Receita 3: Colocar 100g de pimenta-do-reino em 1L de álcool durante 7 dias. Dissolver 60g de sabão de coco em 1L de água fervente. Retirar do fogo e juntar as duas partes. Utilizar um copo cheio para 10L de água fazendo três pulverizações a cada 3 dias. Indicação: pulgões, ácaros e cochonilhas (Fonte: Paiva, 1995).
Observação: Obedecer a um período de carência mínima de 12 dias da colheita, para evitar a obtenção de frutos com forte odor. 

 Preparado com primavera/maravilha (Bougainvillea spectabilis/Mirabilis jalapa) (manejo do vírus do vira-cabeça do tomateiro e pimentão): Juntar 1kg de folhas maduras e lavadas de buganvília (flor rosa ou roxa) com água e bater no liquidificador. Coar e diluir o macerado em 20L de água. Pulverizar imediatamente nas horas mais frescas do dia no tomateiro, iniciando na fase de mudas e terminando no início da frutificação. O preparado reduz os danos causados pelo vírus, que é disseminado por trips e sementes contaminadas, especialmente na primavera e no início do verão. O trips adquire o vírus depois de alimentar-se de plantas infectadas ou ervas nativas, transmitindo-o ao tomateiro (Fonte: Souza & Resende, 2003).


 Preparado com cebola (manejo de pulgões, lagartas e vaquinhas): Cortar 1kg de cebola e misturar em 10L de água, deixando o preparado curtindo durante 10 dias. Utilizar 1L da mistura em 3L de água para pulverizar as plantas, atuando como repelente.

 Preparado com losna (manejo de lagartas, lesmas, percevejos e pulgões): Diluir 30g de folhas secas de losna em 1L de água, fervendo essa mistura durante 10 minutos. Adicionar 10L de água ao preparado para pulverização.

Preparado com cravo-de-defunto (manejo de pulgões, ácaros, algumas lagartas e nematoides): Misturar 1kg de folhas e talos de cravo-de-defunto (Tagetes sp.) com ou sem flores em 10L de água. Levar ao fogo, deixando ferver durante meia hora ou deixar os talos e folhas picados em molho por 2 dias. Coar e pulverizar sem diluir. O cravo-de-defunto em área infestada de nematoides é um repelente natural.

 Preparado com chuchu (manejo de lesmas e caracóis): Colocar dentro de latas rasas pedaços de chuchu cortados ao meio, adicionando-se sal. A mistura é bastante atrativa para essas pragas, possibilitando, depois, a eliminação mecânica.

 Preparado com camomila (manejo de doenças fúngicas): Misturar 50g de flores de camomila em 1L de água. Deixar de molho durante 3 dias, agitando quatro vezes ao dia. Depois de coar, pulverizar a mistura sem diluir, três vezes a cada 5 dias.


Preparado com sálvia (manejo de lagartas da couve): Derramar 1L de água fervente sobre duas colheres de sopa de folhas secas de sálvia. Tampar o recipiente e deixar em infusão durante 10 minutos. Agitar bem, filtrar e pulverizar imediatamente sobre as plantas visando à borboleta branca, que coloca os ovos nas folhas de couve, originando as lagartas que comem as folhas.

● Preparado com samambaia (manejo de ácaros, cochonilhas e pulgões): Colocar 500g de folhas frescas ou 100g de folhas secas em 1L de água. Ferver por meia hora. Para a aplicação, diluir 1L desse macerado em 10L de água.

 Preparado com cinamomo (manejo de pulgões e cochonilhas): Colocar 500g de sementes maduras, secas e moídas numa mistura de 1L de álcool e 1L de água. Deixar descansar por 4 dias. Depois de pronto o extrato, armazenar em vidros ou em garrafas de cor escura. Diluir a solução do extrato a 10%, ou seja, para cada litro de extrato usar 10L de água e aplicar nas partes atacadas das plantas. O restante das sementes secas pode ser guardado em potes para uso posterior. O cinamomo, ou árvore-santa (Melia azedarach), é uma planta da mesma família do nim, cujas folhas e sementes têm propriedades inseticidas (Fonte: Uso do... 2001).

Preparado com coentro (manejo de ácaros e pulgões): Cozinhar folhas de coentro em 2L de água. Para pulverizar sobre as plantas, acrescentar água. (Fonte: Zamberlan & Froncheti, 1994).


Bibliografia citada

ABREU JUNIOR, H. (Coord.). Práticas alternativas de controle de pragas e doenças na agricultura: coletânea de receitas. Campinas, SP: Emopi, 1998. 112p.

DEFFUNE, G. Curso fundamental de revisão científica e prática em agroecologia, agricultura orgânica e alelopatia aplicada. 2000. 27p.

PRIMAVESI, A. Manejo ecológico de pragas e doenças: técnicas alternativas para a produção agropecuária e defesa do meio ambiente. São Paulo: Nobel, 1994. 137p.

SOUZA,J.L. DE; RESENDE, L. de S. E. Manual de horticultura orgânica. Viçosa: Aprenda Fácil, 2003 564p.

USO do cinamomo como inseticida e relente. Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável, Porto Alegre, v. 2, n.3, p.69, jul./set. 2001.

ZAMBERLAN, A.F.; FRONCHETI, A. Agricultura alternativa: um enfrentamento à agricultura química. Passo Fundo, RS:Ed. P. Berthier, 1994, 167p.








quinta-feira, 9 de julho de 2015

Produtos alternativos utilizados no manejo de doenças e pragas em hortaliças Parte I :Caldas


Publicação: O trabalho faz parte do ANEXO B do Boletim Didático nº 88 “Produção orgânica de hortaliças no litoral sul catarinense”. publicado pela Epagri. Interessados em adquirir a publicação completa e ilustrada com 204 páginas, devem entrar no site: www.epagri.sc.gov.br e acessar os link “Publicações” e “Boletim didático”.


Mesmo no cultivo orgânico podem ocorrer desequilíbrios temporários que aumentam a população de insetos-pragas ou patógenos nocivos em níveis incontroláveis. Esses fatores podem ser chuvas ou secas excessivas, mudas ou sementes de baixa qualidade, tratamentos com agrotóxicos agressivos nas propriedades vizinhas, uso de cultivares não adaptados, solos degradados e adubações desequilibradas.

Recomenda-se no cultivo orgânico que o homem deve intervir o menos possível no meio ambiente para não provocar o desequilíbrio do sistema. Por isso, os produtos alternativos apresentados, mesmo que a grande maioria não cause riscos ao homem ou ao ambiente, somente devem ser utilizados quando realmente necessários. Neste caso, deve-se recorrer às caldas protetoras, aos preparados de plantas e outros produtos alternativos recomendados ou tolerados no cultivo orgânico, visando ao manejo de doenças e pragas em hortaliças. 

Observação: A utilização de alguns dos preparados, bem como outros produtos alternativos, é baseada em trabalhos de pesquisa em determinadas condições edafoclimáticas (ver literatura citada e consultada), outros são resultados de experiências de técnicos e agricultores. Por isso, recomenda-se sempre que o agricultor teste o produto alternativo em pequena área de cultivo e observe os resultados.




Caldas

As caldas possuem baixo impacto ambiental sobre o homem e os animais. O cobre presente na calda bordalesa é pouco tóxico para a maioria dos pássaros, abelhas e mamíferos, porém é tóxico para peixes. A aplicação de caldas não tem o objetivo de erradicar os insetos e os microrganismos nocivos, mas proteger as plantas e ativar o seu mecanismo de resistência. Essas caldas podem ser preparadas na propriedade, reduzindo significativamente o custo de produção. 



Calda bordalesa

É o resultado da mistura simples de sulfato de cobre e cal virgem diluídos em água. É recomendada como fungicida para manejo preventivo de doenças fúngicas e bacterianas e também pode atuar como repelente de muitos insetos.

A calda bordalesa é uma das formulações mais antigas que se conhece, tendo sido descoberta quase por acaso, no final do século XIX na França, por um agricultor que estava aplicando água com cal para evitar que cachos de uva fossem roubados. Logo, percebeu-se que as plantas tratadas estavam livres do míldio. Estudando o caso, um pesquisador descobriu que o efeito estava associado ao fato de o leite de cal ter sido preparado em tachos de cobre. A partir daí, desenvolveram-se pesquisas para chegar à formulação mais adequada da proporção entre a cal e o sulfato de cobre. 

Observação: As doenças de hortaliças geralmente ocorrem em condições de alta umidade do ar. Portanto, quando as condições do ambiente forem favoráveis às doenças, devem-se fazer aplicações semanais. Caso contrário, pulverizar a cada quinzena ou a cada mês.



Vantagens

● Forma camada protetora contra doenças e pragas. 

● Possui alta resistência à lavagem pelas águas de irrigação ou chuvas. 

● Aumenta a resistência da planta à insolação. 

● Promove a resistência da planta e dos frutos. 

● Melhora a conservação e a regularidade de maturação e aumenta o teor de açúcares.

● Tem baixo impacto ambiental sobre o homem e os animais domésticos.

● É um dos fungicidas mais baratos e eficientes.



Preparo da calda bordalesa a 1%

A formulação a seguir é para preparo de 100 litros. Para fazer outras medidas, é só manter as proporções entre os ingredientes listados a seguir:

Ingredientes: Sulfato de cobre - - - 1.000g

Cal virgem ou hidratada - - 1.500g

Água - - - - - 100L

1o passo:  dissolver o sulfato de cobre – Colocar o sulfato de cobre em um saco de pano e mantê-lo imerso em suspensão na parte superior de um balde de água (a dissolução demora até 24 horas). Quando necessário, pode-se dissolver as pedras de sulfato de cobre para uso imediato, aquecendo a água ou moendo as pedras. Atualmente, já se encontra nas agropecuárias o sulfato de cobre moído, que dissolve rapidamente (em torno de 1 hora).

2o passo: dissolver a cal virgem – Em outra vasilha (sem ser de plástico) fazer a queima da cal virgem de boa qualidade (cal velha com aspecto farinhento não deve ser utilizada), que pode ser no mesmo dia em que for usada. Colocar 1500g de cal em uma lata de metal de 20 litros e adicionar 9 litros de água aos poucos e mexer com pá de madeira até formar uma pasta mole. Tomar cuidado com a temperatura da mistura, que se eleva bastante. Após o resfriamento, adicionar um pouco de água, obtendo-se um leite de cal. A cal hidratada pode ser utilizada desde que tenha boa qualidade; é mais prática e proporciona a mesma eficiência. Passar a calda por uma peneira fina, colocando-se mais água e agitando-se para passar pela peneira. Adicionar água até 50 litros ao leite de cal. 

3o passo: Despejar a solução de sulfato de cobre em um tonel (sem ser de ferro ou aço) com capacidade para 200 litros. Adicionar água até 50 litros.

4o passo: com um balde, aos poucos,  despejar a solução de leite de cal sobre a solução de sulfato de cobre. As duas soluções devem estar sob a mesma temperatura. Com auxílio de uma pá de madeira, agitar constantemente durante a operação de mistura.

5o passo: Testar a acidez (pH) da calda – Mergulhar um prego novo durante um minuto na calda. Se houver escurecimento, significa que a calda está ácida (pH abaixo de 7) e precisa ainda de neutralização com mais leite de cal. Não escurecendo, a calda estará pronta (alcalina). Outra maneira de se verificar a acidez é pingar duas a três gotas sobre uma lâmina de faca bem limpa (sem ser de aço inoxidável). Após 1 minuto, sacudir a faca e, se ficarem manchas avermelhadas onde estavam as gotas da calda, ela está ácida. Quando a cal virgem é de má qualidade, a calda permanecerá ácida, sendo preciso, então, acrescentar mais leite de cal para neutralizar a acidez.

Observação: De modo geral, a cal é um bom aderente. Entretanto, certas culturas podem necessitar de um espalhante-adesivo. Para melhorar a aderência da calda bordalesa, acrescentar 1,5 litro de leite desnatado ou 1 a 2kg de farinha de trigo no preparo de 100L de calda (dissolver a farinha de trigo em água e depois peneirar) após o seu preparo.



Calda sulfocálcica

É o resultado da mistura de enxofre e cal, diluídos em água. É indicada como acaricida e inseticida (trips, cochonilhas, etc.), além de ter efeito fungicida, atuando de forma curativa (ferrugens, oídio, etc.). É muito utilizada para tratamento de inverno de fruteiras de clima temperado e subtropical. 

Vantagens
● Os ácaros não criam resistência à calda sulfocálcica.

● A calda fornece nutrientes essenciais (cálcio e enxofre);

● A calda aumenta a resistência das plantas e melhora o sabor dos frutos.

● A calda é um dos fungicidas/inseticidas mais baratos e eficientes.

Embora também possa ser preparada na propriedade, a calda sulfocálcica pode ser adquirida nas lojas agropecuárias a um baixo custo.



Aplicação das caldas e cuidados
A aplicação, o preparo correto e o uso de pulverizadores com bicos-cones, de preferência de cerâmica (os de metal estragam rapidamente) em bom estado e com jatos que formem uma névoa, cobrindo uniformemente folhas, frutos e ramos, são importantes para o êxito do tratamento, assim como a concentração e a qualidade dos ingredientes. A concentração das caldas depende das condições climáticas locais, da espécie, da fase da cultura e da forma de condução. Para evitar riscos de fitotoxidade e queima de folhas e frutos, deve-se fazer um teste em poucas plantas, podendo-se aplicar em toda a área depois de observado o seu efeito. 

Os principais cuidados a ser observados no momento da aplicação são:

● deve-se sempre utilizar o equipamento de proteção individual (EPI) no preparo e na aplicação;

● a aplicação deve ser com tempo bom, seco e fresco, pela manhã ou à tardinha. Quando aplicada com tempo úmido, os riscos de fitotoxidade são maiores;

● por ser um produto protetor, somente as partes atingidas pelas caldas estarão protegidas de doenças e pragas;

● as caldas devem ser mantidas sob forte agitação durante toda a aplicação; 

● para a maioria das plantas, não deve ser aplicada a calda bordalesa no período do florescimento, nem estando as plantas murchas ou molhadas e em época de forte estiagem;

● a aplicação deve ser no mesmo dia do preparo da calda. No entanto, o leite de cal e o sulfato de cobre, quando em recipientes separados, podem ser guardados por 2 a 3 dias; 

● a calda sulfocálcica deve ser aplicada durante a floração somente naquelas culturas que toleram o enxofre;

● a calda bordalesa pode ser misturada com os biofertilizantes;

● com temperaturas acima de 30ºC e abaixo de 10ºC, suspender a aplicação da calda;

● após aplicação das caldas, os equipamentos e os metais devem ser lavados para evitar corrosão, com vinagre (20%) e duas colheres de chá de óleo mineral. Verificar o desgaste dos bicos do pulverizador, fazendo a troca necessária. As caldas corroem os orifícios do bico, alterando a vazão e o tamanho de gotas e, em consequência, a dose aplicada e a cobertura de plantas;

● no caso de empregar a calda sulfocálcica após aplicação da calda bordalesa, deixar um intervalo mínimo de 30 dias. Quando for o contrário, isto é, aplicar a calda bordalesa após a aplicação da calda sulfocálcica, observar intervalo de 15 dias;

● o intervalo de aplicações da calda bordalesa varia de 7 a 15 dias ou até mais, dependendo das condições climáticas, da ocorrência de doenças e do desenvolvimento da planta;

● recomenda-se obedecer, no mínimo, ao intervalo de uma semana entre a aplicação das caldas e a colheita. 












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