sábado, 14 de fevereiro de 2015



Pesquisa revela benefícios de cobertura vegetal para plantio
Método apresenta vantagens, entre as quais a redução da erosão do solo

Fonte: Jornal da Unicamp - Campinas, 1º a 14 de dezembro de 2008 – ANO XXIII – Nº 418

Se os agricultores utilizassem o sistema de plantio direto, protegendo a superfície do solo contra o impacto direto da chuva com uma cobertura morta, teríamos uma redução de cerca de 80% na erosão, que é um dos principais processos de degradação ambiental. A estimativa é de que o Brasil perde anualmente cerca de 500 milhões de toneladas de terra pela erosão hídrica. Estes dados são apresentados pelo professor Zigomar Menezes de Souza, da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) da Unicamp, que acaba de orientar pesquisa de mestrado envolvendo a aplicação de cobertura de resíduos de milho em cultura de feijão irrigado.
“Por meio do arraste das partículas do solo, há o transporte de nutrientes, matéria orgânica, água, sementes, fertilizantes e outros compostos, causando queda na produtividade das culturas e reduzindo a capacidade de armazenamento dos reservatórios de água, em conseqüência da sedimentação e assoreando de córregos. Além de proteger o solo, a cobertura vegetal induz a um maior armazenamento de água e melhoria dos atributos físicos, químicos e biológicos do solo”, explica o docente.



 Segundo Zigomar de Souza, o sistema de plantio direto segue três princípios básicos: manter o solo sempre coberto por resíduos vegetais, não mais revolver o solo (apenas nos sulcos de semeadura) e empregar herbicidas para o controle de plantas daninhas. “Nossa pesquisa focou somente uma das etapas do sistema de plantio direto, avaliando aplicação de resíduos de milho como cobertura do solo. Um dos motivos porque o sistema não é mais praticado no Estado de São Paulo é que ainda não temos uma planta de cobertura adaptada para a região”.
O professor esclarece que as condições climáticas do Sudeste são bem diferentes, por exemplo, do que as do Sul, onde a técnica de plantio direto está disseminada por quase toda a região e já existem várias plantas de cobertura adaptadas. “Aqui temos mais chuva e mais calor, que aceleram a degradação da cobertura residual para proteção da superfície do solo. Optamos por testar o milho por que seu cultivo é bem difundido no Estado de São Paulo e os resíduos estão disponíveis ao agricultor”. 

A pesquisa
Para sua dissertação, a mestranda Carolina Maria Sánchez Sáenz cultivou feijão irrigado no campo experimental da Feagri, organizando tratamentos com diferentes quantidades de cobertura (equivalentes a zero, 4, 6 e 10 toneladas por hectare). Um dos objetivos foi monitorar a decomposição dos resíduos de milho, os teores de matéria orgânica e de água, e a temperatura do solo ao longo do ciclo da cultura. A pesquisadora também avaliou atributos físico-hídricos do solo, como densidade, porosidade e retenção de água, além do nível de produção de feijão.
Carolina Sáenz constatou que nos tratamentos com cobertura vegetal, independentemente das quantidades, houve maior manutenção do teor de água no solo, em comparação com o tratamento onde a superfície foi deixada descoberta (tratamento testemunha). Entretanto, com a dose maior de cobertura (10 toneladas), registrou-se menor resistência do solo à penetração das raízes, teor de água mais elevado e melhor equilíbrio da temperatura ao longo do ciclo da cultura.
A taxa de decomposição dos resíduos foi semelhante em todos os tratamentos estudados, mantendo-se baixa e garantindo boa cobertura até a época da colheita, sem sofrer influência da aplicação de nitrogênio – um adubo essencial em qualquer cultura, mas que poderia acelerar a degradação da palha. A utilização de maiores quantidades de adubo nitrogenado e de resíduos de milho proporcionou um aumento na produção de feijão. Outra constatação foi a elevação do teor de matéria orgânica nos primeiros 2/3 do ciclo da cultura.
Na opinião de Zigomar de Souza, a pesquisa de Carolina Sáenz, além de comprovar as vantagens desta técnica de plantio, mostrou que as dosagens de resíduos de milhos não implicam em diferenças importantes em relação aos atributos físico-hídricos do solo. “Podemos dizer que, a partir de quatro toneladas por hectare, a cobertura vegetal já estará proporcionando benefícios ao agricultor. Estes resultados podem ser transportados para todas as regiões do Estado de São Paulo, já que o clima é praticamente homogêneo e a cultura do milho é praticada em todo o território”.
 





 Prós e contras
O professor da Feagri deixa claro que o maior benefício do sistema de plantio direto está no meio ambiente, com a redução significativa de 80% da perda de solo e de água em comparação com o sistema convencional. Contudo, a literatura também registra vantagens em relação às culturas, como maior produtividade em anos de estiagem e necessidade de menor volume de chuvas para o início do plantio, com a semeadura na época adequada, devido ao solo estar sempre úmido.
O agricultor se beneficiaria ainda com o aumento da atividade biológica do solo, graças à matéria orgânica produzida pela cobertura vegetal, que também assegura condições térmicas mais adequadas. Havendo menor evaporação e maior armazenamento de água no solo, a germinação e a emergência das plantas ocorrem de modo mais uniforme. “No aspecto econômico, temos uma diminuição de 70% no consumo de diesel, já que o trator não é tão utilizado”.
Zigomar de Souza ressalva, porém, que o sistema de plantio direto apresenta exigências, como maior custo de implantação e necessidade de melhor gerenciamento e de mão-de-obra especializada. Outra dificuldade está no uso de herbicidas para o controle de plantas daninhas, que é mais complexo do que no sistema convencional. “Na agricultura tradicional, joga-se o corretivo na superfície e simplesmente revolve-se o solo. No plantio direto, uma aplicação como a de calcário (para corrigir a acidez do solo) é feita em cima dos resíduos, o que requer conhecimento técnico”.

Rotação
Outra grande vantagem do sistema apontada pelo docente da Feagri é a exigência de rotação de culturas, como por exemplo, alternando gramíneas e leguminosas a cada ano, eliminando o monocultivo. Entretanto, Zigomar de Souza adverte que o agricultor não deve esperar que todos os benefícios ocorram já nos primeiros anos. “A cobertura vegetal constante e os restos de culturas anteriores elevam o teor de matéria orgânica, aumentando a atividade biológica do solo. São ganhos significativos, mas que levam tempo. Já a redução da erosão diminui sensivelmente já nas culturas iniciais, o que justifica a implantação do sistema”.

 Manejo conservacionista é estudado na cana-de-açúcar
O plantio direto foi introduzido no Brasil no início da década de 1970, como um sistema conservacionista com a finalidade específica de controlar a erosão do solo. Entretanto, pesquisas realizadas a partir dos anos 80 indicaram que não se tratava apenas de um método alternativo de manejo do solo, mas de um sistema complexo e totalmente novo de produção agrícola, com alterações substanciais nos atributos químicos, físicos e biológicos do solo e com grande impacto no rendimento das culturas.
O professor Zigomar Menezes de Souza explica que o plantio direto é considerado um sistema de manejo conservacionista, pois mantém a superfície do solo coberta por resíduos vegetais. “Até cerca de 20 anos atrás, o principal sistema de manejo no Brasil era o convencional, em que se pulveriza o solo revolvendo-o com arados e grades, no intuito de facilitar o plantio e a germinação da semente. Com qualquer chuva, perde-se grande quantidade de terra. Hoje, o sistema de plantio direto está presente em todo o país, mais disseminado no Sul e se expandindo pelo Centro-Oeste”.
Embora o sistema de cultivo direto tenha como premissa a rotação de culturas, em razão das inúmeras vantagens proporcionadas ao solo e às plantas, o docente da Feagri e outros pesquisadores já realizam estudos sobre o uso do mesmo sistema na monocultura da cana-de-açúcar. “Uma vantagem neste monocultivo, cada vez mais predominante no cenário rural do Estado de São Paulo, é que a cana já possui uma vegetação densa que protege o solo. E a iminente proibição da queimada no campo já fez surgir um boom para a co-geração de energia tendo a palha como fonte”.
Zigomar de Souza informa que já teve início uma pesquisa em parceria com a Unesp (campus de Jaboticabal), cujo objetivo é sugerir a quantidade de palha de cana a ser deixada para proteger e melhorar as condições do solo, e a outra destinada às caldeiras para geração e venda de energia. “A premissa é a mesma da pesquisa com resíduos de milho, mas ao invés de depositar a cobertura, vamos retirar a palha de cana em percentagens variadas, até chegar à ideal para proteger o solo, assegurando o restante para a indústria”.














Vegetação no solo

Fonte:  Site “Ache Tudo e Região”

http://www.achetudoeregiao.com.br/animais/vegetacao_no_solo.htm

O regime de chuvas, o relevo com encostas íngremes e o manto de intemperismo bem desenvolvido são os ingredientes para a ocorrência de erosão pronunciada e movimentos de massa de diversos tipos. Antes da ocupação humana isto não vinha acontecendo porque na evolução natural da paisagem a vegetação vinha atuando como um importante elemento estabilizador da paisagem.

A água é o principal fator de desestabilização de uma encosta e é por isto que no verão aumentam os acidentes ligados aos movimentos de massa. A água ao se infiltrar aumenta seu peso de uma forma proporcional ao grau de saturação e à porosidade do solo. Para se ter uma ideia, tomemos um solo com porosidade igual a 20%. Se estiver totalmente saturado seu peso estará aumentado em cerca de 9%. A água infiltrada desenvolve forças que rompem a coesão do solo; dissolve sais cimentantes, cria pressões internas, diminui a força de atrito entre as superfícies dos grãos, como diminui também o atrito entre o manto de intemperismo e o substrato rochoso.

 A cobertura vegetal aumenta a infiltração da água no solo, principalmente quando se tem chuva fina e prolongada. Apesar disto a cobertura vegetal apresenta qualidades de contenção e proteção que compensam o efeitos negativos provocados pelo aumento de peso e maior infiltração.

a) A cobertura vegetal protege a parte superficial do solo do impacto direto das gotas de chuva.

b) A vegetação atua na melhor distribuição da água pela superfície, não permitindo que as partículas argilosas colmatem os poros do solo, mantendo sua aeração.

c) A presença de húmus, bem como a sombra proporcionada pelas plantas, mantém a umidade do solo, evitando seu ressecamento e gretamento. Um solo gretado é mais facilmente ravinado pelas chuvas.

d) A cobertura vegetal atua na contenção mecânica do solo, devido ao extenso sistema radicular das plantas, principalmente as de grande porte. Este sistema radicular se constitui numa verdadeira rede viva, que une os grãos entre si e mantém a coesão do solo.

Obs.: Não confundir sistema radicular com raízes, que no senso comum são somente aquelas partes do sistema radicular de maior diâmetro e facilmente visíveis.

Um solo sem cobertura vegetal ou com cobertura vegetal insuficiente, estará submetido à erosão. A chuva ao cair iniciará um processo de erosão laminar. Com o passar do tempo pequenas ravinas vão se formando e a camada superficial do solo será perdida. Esta camada é importante porque tem propriedades mecânicas diferentes das camadas subjacentes ( é mais coesiva). Quando se inicia a formação de pequenas ravinas a água começa a se concentrar em filetes cada vez mais volumosos aumentando em muito sua capacidade de transportar as partículas do solo. Neste estágio o solo passa a ser agressivamente erodido por qualquer chuvinha.


A destruição da vegetação pode se dar através da remoção direta pelo homem (capina ou aração), remoção pela pecuária intensiva (muito animal para pouco pasto), remoção pelo fogo.

Os animais de grande porte além de removerem a vegetação criam com suas patas sulcos no terreno, que aceleram o processo erosivo A pastagem intensiva não permite que o solo recupere sua cobertura vegetal, empobrecendo-o em matéria orgânica e nutrientes minerais. Um pasto com uso intensivo pode ser reconhecido facilmente porque entre a vegetação rasteira pode-se ver partes avermelhadas do solo aparecendo.





Ferreira On 2/14/2015 11:10:00 AM Comentarios LEIA MAIS

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015



Principais benefícios do uso de cobertura do solo
• Promover a formação de cobertura vegetal, impedindo o impacto direto das gotas de chuva no solo e quebrando a energia cinética da chuva e, com isso, diminuindo a erosão do solo especialmente em terrenos com maior declividade e, em consequência, protegendo as fontes de água de assoreamento e contaminações e, o mais importante, diminuindo os riscos de enchentes e enxurradas;
• Manutenção da umidade do solo, diminuindo as perdas por evaporação. Pode ocorrer uma redução de até 20% na necessidade de irrigação;
• Aumentar a infiltração de água no solo, diminuindo o escorrimento superficial;
• Buscar uma melhor estruturação do solo (melhor agregação, maior aeração), favorecendo os cultivos posteriores;
• Implementar a reciclagem de nutrientes no solo. Através das espécies com sistema radicular mais profundos é possível reaproveitar os nutrientes já perdidos, para serem aproveitados pelos cultivos;
• Melhorar o manejo de plantas espontâneas (“mato” ou “inços”), cultivando plantas de cobertura com alto grau de competitividade e com isso, economizar capinas.  Algumas espécies de adubos verdes (ex.: aveia preta e feijão de porco) ainda tem efeito alelopático sobre as plantas espontâneas (papuã e tiririca ou junça), inibindo-as;
• Aumentar o teor de matéria orgânica do solo, melhorando características físicas, químicas e biológicas do solo. É a matéria orgânica que dá a cor escura aos solos e que garante que ele se mantenha “vivo”. A matéria orgânica atua tanto na fertilidade do solo quanto em seu condicionamento físico, tornando os solos argilosos mais “leves” e soltos e, tornando os arenosos com maior retenção de umidade;
. Aumentar a biodiversidade e, com isso, maior equilíbrio ecológico das espécies e, em consequência, menor surgimento de pragas e doenças. A agricultura convencional ao priorizar a monocultura, o uso frequente de agrotóxicos e a remoção da vegetação nativa, reduz a diversidade de espécies causando o desequilíbrio do meio ambiente favorecendo o desenvolvimento de pragas e desfavorecendo os inimigos naturais destas pragas. A cobertura vegetal, além de evitar a erosão do solo, pode servir de abrigo, alimento e local de reprodução;
. Tanto a cobertura morta como a cobertura viva facilita e favorece o plantio direto e cultivo mínimo dos cultivos. O revolvimento excessivo do solo provoca a destruição dos agregados do solo, acelerando a decomposição e a perda da matéria orgânica e, além disso, pode levar ao endurecimento da camada superior do solo, que fica então compactada e difícil de trabalhar;
. Regulação térmica do solo, observando-se amenização da temperatura nas horas mais quentes do dia com redução de até 10oC na palhada de superfície do solo, em relação ao solo desprotegido, e retenção do calor residual nas horas mais frias do dia.  


Tipos e características das coberturas do solo
Existem inúmeros tipos  de coberturas do solo, sendo que cada um possui características específicas. Quando decidir pelo uso de cobertura morta, deve-se sempre procurar aquele tipo que tem maior disponibilidade na propriedade ou em propriedades vizinhas. Por exemplo,  em regiões de grandes plantios de milho, feijão e arroz irrigado, deve-se dar preferência para as palhas destes cultivos. O cultivo de plantas de cobertura (adubos verdes) e o seu corte no próprio local é uma maneira de respeitar o princípio da sustentabilidade preconizado pelos sistemas orgânicos de produção, reduzindo a importação de insumos. A busca de palhada em outro local garante a cobertura do solo, mas não o efeito de estruturação do solo promovido pela “aração biológica”, que consiste na decomposição do sistema radicular das culturas precedentes, tornando o solo leve, poroso, além de aumentar seu teor de matéria orgânica. A vegetação espontânea (algumas gramíneas no verão e algumas folhas largas no inverno) também pode ser aproveitada como cobertura do solo, “viva” ou morta, caso seja roçada.

Cobertura morta
Essa prática consiste na colocação de capim ou palha seca (5 a 10cm) e outros materiais como bagaço de cana, nas entrelinhas das hortaliças cultivadas em espaçamentos maiores. A cobertura morta mantém a superfície do solo sem a formação de crosta (superfície endurecida), evita a evaporação da água da chuva ou da irrigação, reduz a erosão em solos inclinados, diminui a temperatura do solo no verão e, principalmente, economiza capinas devido à menor incidência de plantas espontâneas e também reduz a necessidade de fazer escarificações.    Além  de proteger as plantas das adversidades do clima (chuvas torrenciais, temperaturas elevadas e frio), desfavorece o aparecimento de pragas e doenças; a cobertura do solo ao reduzir o contraste entre a cor verde da planta e a cor do solo (palha seca, casca de arroz e serragem) diminui a incidência de pulgões.    Trabalhos de pesquisa evidenciam que, dependendo da cobertura morta, é possível reduzir a temperatura do solo em até 10ºC, quando comparado ao solo descoberto. Resíduos vegetais em decomposição não devem ser aplicados, pois a sua fermentação é prejudicial às plantas cultivadas.



Figura 1. Cobertura morta com casca de arroz no cultivo orgânico de morango na Epagri/Estação Experimental de Urussanga, SC.




Figura 2. Cultivo orgânico de repolho em cobertura de palha de milho na Epagri/Estação Experimental de Urussanga,SC


Figura 3. Cultivo orgânico de couve-flor sobre cobertura de palha de arroz na Epagri/Estação Experimental de Urussanga,SC


Cobertura viva
     O cultivo mínimo é a mínima manipulação do solo necessária para a semeadura ou plantio de mudas. O plantio direto é um método que não revolve o solo. A camada de cobertura vegetal é mantida e se faz apenas a abertura de um pequeno sulco ou cova onde é colocada a semente ou a muda. Neste sistema, basta fazer uma roçada com foice ou roçadeira manual (áreas menores)  ou trator com roçadeira  (áreas maiores); após deve-se abrir as covas ou sulcos, mantendo-se a linha de plantio no limpo e roçando, sempre que necessário, nas entrelinhas. No cultivo convencional, o plantio direto e cultivo mínimo são usados, mas sempre com herbicidas, visando dessecar o adubo verde ou as plantas espontâneas (“mato”), para permitir o plantio direto ou cultivo mínimo das sementes ou mudas. Muitos acreditam que o plantio direto e o cultivo mínimo só é possível com o uso de herbicidas, o que não é verdade. Vale lembrar que o uso de herbicidas nos perímetros urbanos é proibido em Santa Catarina. Na agricultura orgânica, as plantas espontâneas e de cobertura (adubos verdes) não são considerados problemas e, sim a solução, quando se deseja fazer o plantio direto ou cultivo mínimo das hortaliças. A competição por água e nutrientes exercida pelas plantas espontâneas e adubos verdes junto aos cultivos é uma preocupação para o hemisfério norte, onde a estação de crescimento é fria, única e curta. Nas condições tropicais e subtropicais que predomina no Brasil, esta competição é menos problemática do que a falta de cobertura do solo; as plantas espontâneas e os adubos verdes ajudam a cobrir o solo, reduzindo a erosão e o aquecimento superficial, nossos principais problemas.  Ao reduzir a erosão e o aquecimento superficial, contribuem para melhorar a disponibilidade de água e a absorção de nutrientes pelas raízes. As plantas espontâneas e os adubos verdes, além de aumentar a densidade e a diversidade de raízes, contribuem para a reciclagem de nutrientes e para melhorar a vida do solo. São fontes de biomassa, produzem flores que atraem insetos predadores e, ainda podem servir de alimento preferencial para as pragas das culturas.


Figura 4. Cultivo mínimo de repolho sobre adubos verdes


Plantas de cobertura do solo e adubação verde:   Até pouco tempo atrás, a adubação verde, embora reconhecida como importante prática agrícola, não era feita nas pequenas propriedades devido ao tempo e área que ocupava, impedindo os cultivos comerciais que davam o retorno financeiro. Nesta época se pensava que as espécies semeadas, ao atingir o desenvolvimento máximo, teriam como única opção serem  roçadas e incorporadas ao solo. Atualmente, este conceito evoluiu e os adubos verdes tem sido utilizados como cobertura morta ou viva até consorciados com as culturas, possibilitando o plantio direto e o cultivo mínimo dos cultivos e ainda a proteção do solo e diminuição das plantas espontâneas (“mato”) através da alelopatia (substâncias químicas liberadas pelas plantas que influenciam o desenvolvimento de outras plantas).  Também no outono/inverno, embora com menor frequência, podem ocorrer fortes chuvas que provocam erosão do solo e, também o surgimento de plantas espontâneas (“mato”) de inverno,  daí a importância da cobertura do solo com adubos verdes. São importantes na conservação do solo, no suprimento de nutrientes  e, principalmente, no manejo de plantas espontâneas (“mato”). Estas plantas são a garantia de continuidade da vida, pois o solo estará suprido de alimentos (matéria orgânica e outros nutrientes, além do ar e da água) para que os bilhões de seres vivos possam interagir para melhorar a estrutura do solo, disponibilizando nutrientes essenciais para os cultivos. A adubação verde consiste no cultivo de algumas espécies de plantas que, ao serem incorporadas ou derrubadas no solo, fornecem matéria orgânica, servindo ainda como cobertura do solo, evitando a erosão. Além disso, podem fornecer nitrogênio, funcionam como subsoladores naturais do solo, permitindo a entrada de ar e de água de maneira adequada no solo,  pois suas raízes ao atingir diferentes profundidades, ainda reciclam nutrientes, trazendo-os até à superfície. As plantas da família botânica das leguminosas, são consideradas ótimas para adubação verde por serem ricas em nitrogênio e possuírem raízes ramificadas e profundas. A mucuna cultivada isoladamente ou em consorciação com milho-verde é um ótimo exemplo de adubação verde e de cobertura do solo.
Os principais benefícios da adubação verde para o solo são: proteção contra a erosão e lavagem de nutrientes do solo pelas chuvas; maior infiltração e retenção de água; aumento da matéria orgânica  e melhoria do solo no aspecto físico redução do impacto das gotas de chuva, diminuindo a erosão e compactação do solo, maior infiltração e retenção de água em 10 vezes mais e, ainda menor variação da temperatura no solo; químico -  aumento do teor de húmus no solo, enriquecimento variado de nutrientes (poupança verde) e maior disponibilidade e reciclagem de nutrientes e,  biológico -  aumento da atividade de microorganismos benéficos (vida do solo). Além disso, reduz a evaporação de água e as oscilações de temperaturas das camadas superficiais do solo; a grande produção de raízes profundas e ramificadas rompe camadas compactadas, promove a aeração beneficiando a vida do solo e, mobiliza e recicla nutrientes das camadas mais profundas do solo; reduz as plantas espontâneas (“matos”), devido o crescimento rápido e agressivo. As plantas de cobertura afetam diretamente a germinação das sementes e o crescimento das plantas espontâneas, podendo, quando a cobertura do solo estiver acima de 90%, reduzir o número de plantas espontâneas em até 75%.;  a adubação verde torna disponível vários nutrientes, reduz a acidez do solo e as pragas e doenças quando em rotação e, em consorciação e, ainda serve de abrigo para os inimigos naturais das pragas.
Rotação e consorciação de culturas:  o consórcio de adubos verdes (aveia - 60 kg/ha; ervilhaca -18 kg/ha  e nabo forrageiro – 4 kg/ha) é também uma ótima opção para melhorar a cobertura do solo no outono e inverno, auxiliar no manejo de plantas espontâneas e melhorar a fertilidade (fornecendo nitrogênio e reciclando nutrientes) e a descompactação do solo. A rotação de culturas com milho-verde (gramínea) consorciado com mucuna (leguminosa), na primavera e verão, reduz doenças e pragas,  inibe a presença de plantas espontâneas (ex.: tiririca, picão preto e branco, capim carrapicho e capim paulista), protege o solo contra a erosão, melhora a fertilidade do solo e, ainda recicla nutrientes devido ao sistema radicular profundo da mucuna; O uso de leguminosas consorciadas com os cultivos também contribuem para aumentar a biodiversidade e favorecer a reprodução e manutenção de inimigos naturais de insetos pragas dos cultivos comerciais, contribuindo para o equilíbrio ecológico, fundamental para a produção sustentável de alimentos.



Figura 5. Rotação e consorciação de milho-verde e mucuna na Epagri/Estação Experimental de Urussanga, SC


O uso dos adubos verdes pode ser feito tanto em áreas em que se fez o preparo do solo como em áreas cobertas por palhadas ou restos culturais. A forma de manejo depende da finalidade da adubação verde.
Incorporados ao solo:  esta é a forma antiga de manejo dos adubos verdes, quando o objetivo principal é o fornecimento de nutrientes para a cultura seguinte, devido a decomposição rápida.
Mantidos na superfície do solo: esta é a forma moderna de manejo de adubos verdes, visando-se a proteção do solo contra erosão e plantas espontâneas (decomposição lenta), a produção de palhada (cobertura morta ou viva) para o plantio direto ou cultivo mínimo, a reciclagem de nutrientes, o aumento da infiltração e retenção de água no solo e, favorecimento da população de organismos benéficos e inimigos naturais dos insetos-pragas.
Acamamento: é a prática mais recomendada para realização de plantio direto e cultivo mínimo de hortaliças ou grãos e também nos pomares. O acamamento pode ser feito com equipamentos simples como o rolo-faca e outros.
Roçada: Esta prática é usada quando não se consegue fazer o acamamento ou então quando os adubos verdes em consorciação estão competindo especialmente por luz. Quando é preciso fazer canteiros e a produção de massa verde é muito grande deve-se roçar para ficar mais fácil para incorporar a adubação verde. Para cultivo de cenoura, por exemplo, deve-se incorporar a adubação verde superficial (10 a 15 cm de profundidade) com antecedência de 3 semanas antes da semeadura ou transplante (outras hortaliças) para dar tempo para a decomposição do material. Quando for feito o preparo do solo é muito importante tomar cuidado com o uso de enxadas rotativas, especialmente microtratores, pois movimenta excessivamente o solo, desestruturando-o e compactando-o. Por isso, sempre que possível deve-se dar preferência para o plantio direto e cultivo mínimo, tanto para culturas anuais como perenes.
Na agricultura orgânica o “mato”  é considerado “amigo” das plantas cultivadas porque cobre o solo, protegendo-o contra a erosão, chuvas fortes e estiagens, pode servir como adubação verde e até como abrigo e alimento de inimigos naturais dos insetos-pragas que atacam as culturas
As plantas espontâneas também podem servir de cobertura do solo, por isso, não devem ser totalmente eliminadas:  ocorre um mecanismo de sucessão natural de espécies numa determinada área e, por isso, a intervenção deverá ser no sentido de auxiliar a natureza para que este processo ocorra ao longo do tempo, para que a população de plantas espontâneas mais “agressivas” seja reduzida a níveis toleráveis, cedendo espaço para as mais “comportadas” e de mais fácil manejo. O crescimento das plantas espontâneas ao redor dos cultivos ou o estabelecimento de áreas ou faixas de vegetação espontâneas fora da área cultivada tem a vantagem de assegurar maior estabilidade do sistema produtivo, reduzindo os problemas com pragas e doenças e aumentando a atividade de inimigos naturais das pragas;        
Roçada das plantas espontâneas: estas plantas podem conviver com os cultivos após o período crítico de competição, especialmente por luz, nos 30 dias após o plantio. Dependendo da espécie cultivada, é possível permitir o crescimento das plantas espontâneas, as quais podem dificultar um pouco a colheita, porém , isto pode ser mais preferível do que controlá-las. Em certos casos, amassar as plantas espontâneas pode ser mais vantajoso do que roçar e roçar mais vantajoso do que capinar. Plantas espontâneas mais persistentes podem ter sua população controlada a níveis toleráveis se permitirmos que outras de ciclo mais longo as abafem.

Outros tipos de coberturas
O descarte de materiais oriundos de  cultivos,  indústrias ,serrarias ou outras têm assim uma aplicação para o material que ficaria em pilhas ocupando espaço e tornando-se ameaça de incêndios.
Capins e restos de cultivos:  diversos tipos de capins, além de servir para alimentação dos animais, também podem serem aproveitados para servir de cobertura morta, como por exemplo, o capim elefante que possui crescimento rápido e com  boa produção de  massa verde. Os restos dos cultivos sempre devem ser aproveitados ou na compostagem ou como cobertura morta. Quando as plantas de lavoura são colhidas no campo as máquinas ou os trabalhadores deixam as partes da planta que não necessitam no solo. É um tipo de prática conservacionista, pois além de agregar o material orgânico que decomposto se tornará terra, seus nutrientes ficarão acessíveis para as próximas plantas de cultivo.
Bagaço de cana-de-açúcar e outros:  Em regiões de cultivo de cana-de-açúcar visando a indústria do açúcar e álcool, há grande disponibilidade de bagaço que pode ser aproveitado na compostagem e também como cobertura morta. Também as indústrias de coco e outras proporcionam grande quantidade de resíduos que podem serem aproveitados como cobertura do solo.
Serragem: Por serragem entendemos o pó fino descartado pelas serrarias no processo de corte dos troncos. Tem consistência fina. Também necessita de sofrer decomposição e irá demorar mais tempo, pois a lignina do tronco é mais resistente aos microorganismos. Seu uso ao redor de plantas pode ocasionar a perda de nutrientes das plantas para os microorganismos, pois estes necessitam de nitrogênio para os processos de compostagem.
Aparas de gramados:  Nos jardins das casas, especialmente na cidade, são grandes as quantidades de aparas de gramados que podem serem aproveitados, depois de um certo tempo, como cobertura do solo nas hortas das casas. É um material orgânico e, portanto irá sofrer a ação dos microorganismos na decomposição. O processo é o mesmo explicado na  compostagem quando ocorre a elevação da temperatura pelos processos de decomposição. As plantas ao redor podem sofrer com isto. Ao recolher as aparas de grama deixar numa pilha em local destinado a isto. Somente usar depois de bem decompostas. Também pode ocorrer que gramados inçados forneçam sementes de inços, ocasionando uma infestação grande no local onde colocamos a cobertura. Deixando um tempo ao ar livre estas sementes germinarão e o inço poderá ser retirado.





Ferreira On 1/22/2015 02:14:00 AM Comentarios LEIA MAIS

sábado, 14 de fevereiro de 2015

A COBERTURA DO SOLO É MUITO IMPORTANTE PARA AS PLANTAS CULTIVADAS, ESPECIALMENTE NO VERÀO Parte III (final)



Pesquisa revela benefícios de cobertura vegetal para plantio
Método apresenta vantagens, entre as quais a redução da erosão do solo

Fonte: Jornal da Unicamp - Campinas, 1º a 14 de dezembro de 2008 – ANO XXIII – Nº 418

Se os agricultores utilizassem o sistema de plantio direto, protegendo a superfície do solo contra o impacto direto da chuva com uma cobertura morta, teríamos uma redução de cerca de 80% na erosão, que é um dos principais processos de degradação ambiental. A estimativa é de que o Brasil perde anualmente cerca de 500 milhões de toneladas de terra pela erosão hídrica. Estes dados são apresentados pelo professor Zigomar Menezes de Souza, da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) da Unicamp, que acaba de orientar pesquisa de mestrado envolvendo a aplicação de cobertura de resíduos de milho em cultura de feijão irrigado.
“Por meio do arraste das partículas do solo, há o transporte de nutrientes, matéria orgânica, água, sementes, fertilizantes e outros compostos, causando queda na produtividade das culturas e reduzindo a capacidade de armazenamento dos reservatórios de água, em conseqüência da sedimentação e assoreando de córregos. Além de proteger o solo, a cobertura vegetal induz a um maior armazenamento de água e melhoria dos atributos físicos, químicos e biológicos do solo”, explica o docente.



 Segundo Zigomar de Souza, o sistema de plantio direto segue três princípios básicos: manter o solo sempre coberto por resíduos vegetais, não mais revolver o solo (apenas nos sulcos de semeadura) e empregar herbicidas para o controle de plantas daninhas. “Nossa pesquisa focou somente uma das etapas do sistema de plantio direto, avaliando aplicação de resíduos de milho como cobertura do solo. Um dos motivos porque o sistema não é mais praticado no Estado de São Paulo é que ainda não temos uma planta de cobertura adaptada para a região”.
O professor esclarece que as condições climáticas do Sudeste são bem diferentes, por exemplo, do que as do Sul, onde a técnica de plantio direto está disseminada por quase toda a região e já existem várias plantas de cobertura adaptadas. “Aqui temos mais chuva e mais calor, que aceleram a degradação da cobertura residual para proteção da superfície do solo. Optamos por testar o milho por que seu cultivo é bem difundido no Estado de São Paulo e os resíduos estão disponíveis ao agricultor”. 

A pesquisa
Para sua dissertação, a mestranda Carolina Maria Sánchez Sáenz cultivou feijão irrigado no campo experimental da Feagri, organizando tratamentos com diferentes quantidades de cobertura (equivalentes a zero, 4, 6 e 10 toneladas por hectare). Um dos objetivos foi monitorar a decomposição dos resíduos de milho, os teores de matéria orgânica e de água, e a temperatura do solo ao longo do ciclo da cultura. A pesquisadora também avaliou atributos físico-hídricos do solo, como densidade, porosidade e retenção de água, além do nível de produção de feijão.
Carolina Sáenz constatou que nos tratamentos com cobertura vegetal, independentemente das quantidades, houve maior manutenção do teor de água no solo, em comparação com o tratamento onde a superfície foi deixada descoberta (tratamento testemunha). Entretanto, com a dose maior de cobertura (10 toneladas), registrou-se menor resistência do solo à penetração das raízes, teor de água mais elevado e melhor equilíbrio da temperatura ao longo do ciclo da cultura.
A taxa de decomposição dos resíduos foi semelhante em todos os tratamentos estudados, mantendo-se baixa e garantindo boa cobertura até a época da colheita, sem sofrer influência da aplicação de nitrogênio – um adubo essencial em qualquer cultura, mas que poderia acelerar a degradação da palha. A utilização de maiores quantidades de adubo nitrogenado e de resíduos de milho proporcionou um aumento na produção de feijão. Outra constatação foi a elevação do teor de matéria orgânica nos primeiros 2/3 do ciclo da cultura.
Na opinião de Zigomar de Souza, a pesquisa de Carolina Sáenz, além de comprovar as vantagens desta técnica de plantio, mostrou que as dosagens de resíduos de milhos não implicam em diferenças importantes em relação aos atributos físico-hídricos do solo. “Podemos dizer que, a partir de quatro toneladas por hectare, a cobertura vegetal já estará proporcionando benefícios ao agricultor. Estes resultados podem ser transportados para todas as regiões do Estado de São Paulo, já que o clima é praticamente homogêneo e a cultura do milho é praticada em todo o território”.
 





 Prós e contras
O professor da Feagri deixa claro que o maior benefício do sistema de plantio direto está no meio ambiente, com a redução significativa de 80% da perda de solo e de água em comparação com o sistema convencional. Contudo, a literatura também registra vantagens em relação às culturas, como maior produtividade em anos de estiagem e necessidade de menor volume de chuvas para o início do plantio, com a semeadura na época adequada, devido ao solo estar sempre úmido.
O agricultor se beneficiaria ainda com o aumento da atividade biológica do solo, graças à matéria orgânica produzida pela cobertura vegetal, que também assegura condições térmicas mais adequadas. Havendo menor evaporação e maior armazenamento de água no solo, a germinação e a emergência das plantas ocorrem de modo mais uniforme. “No aspecto econômico, temos uma diminuição de 70% no consumo de diesel, já que o trator não é tão utilizado”.
Zigomar de Souza ressalva, porém, que o sistema de plantio direto apresenta exigências, como maior custo de implantação e necessidade de melhor gerenciamento e de mão-de-obra especializada. Outra dificuldade está no uso de herbicidas para o controle de plantas daninhas, que é mais complexo do que no sistema convencional. “Na agricultura tradicional, joga-se o corretivo na superfície e simplesmente revolve-se o solo. No plantio direto, uma aplicação como a de calcário (para corrigir a acidez do solo) é feita em cima dos resíduos, o que requer conhecimento técnico”.

Rotação
Outra grande vantagem do sistema apontada pelo docente da Feagri é a exigência de rotação de culturas, como por exemplo, alternando gramíneas e leguminosas a cada ano, eliminando o monocultivo. Entretanto, Zigomar de Souza adverte que o agricultor não deve esperar que todos os benefícios ocorram já nos primeiros anos. “A cobertura vegetal constante e os restos de culturas anteriores elevam o teor de matéria orgânica, aumentando a atividade biológica do solo. São ganhos significativos, mas que levam tempo. Já a redução da erosão diminui sensivelmente já nas culturas iniciais, o que justifica a implantação do sistema”.

 Manejo conservacionista é estudado na cana-de-açúcar
O plantio direto foi introduzido no Brasil no início da década de 1970, como um sistema conservacionista com a finalidade específica de controlar a erosão do solo. Entretanto, pesquisas realizadas a partir dos anos 80 indicaram que não se tratava apenas de um método alternativo de manejo do solo, mas de um sistema complexo e totalmente novo de produção agrícola, com alterações substanciais nos atributos químicos, físicos e biológicos do solo e com grande impacto no rendimento das culturas.
O professor Zigomar Menezes de Souza explica que o plantio direto é considerado um sistema de manejo conservacionista, pois mantém a superfície do solo coberta por resíduos vegetais. “Até cerca de 20 anos atrás, o principal sistema de manejo no Brasil era o convencional, em que se pulveriza o solo revolvendo-o com arados e grades, no intuito de facilitar o plantio e a germinação da semente. Com qualquer chuva, perde-se grande quantidade de terra. Hoje, o sistema de plantio direto está presente em todo o país, mais disseminado no Sul e se expandindo pelo Centro-Oeste”.
Embora o sistema de cultivo direto tenha como premissa a rotação de culturas, em razão das inúmeras vantagens proporcionadas ao solo e às plantas, o docente da Feagri e outros pesquisadores já realizam estudos sobre o uso do mesmo sistema na monocultura da cana-de-açúcar. “Uma vantagem neste monocultivo, cada vez mais predominante no cenário rural do Estado de São Paulo, é que a cana já possui uma vegetação densa que protege o solo. E a iminente proibição da queimada no campo já fez surgir um boom para a co-geração de energia tendo a palha como fonte”.
Zigomar de Souza informa que já teve início uma pesquisa em parceria com a Unesp (campus de Jaboticabal), cujo objetivo é sugerir a quantidade de palha de cana a ser deixada para proteger e melhorar as condições do solo, e a outra destinada às caldeiras para geração e venda de energia. “A premissa é a mesma da pesquisa com resíduos de milho, mas ao invés de depositar a cobertura, vamos retirar a palha de cana em percentagens variadas, até chegar à ideal para proteger o solo, assegurando o restante para a indústria”.














Vegetação no solo

Fonte:  Site “Ache Tudo e Região”

http://www.achetudoeregiao.com.br/animais/vegetacao_no_solo.htm

O regime de chuvas, o relevo com encostas íngremes e o manto de intemperismo bem desenvolvido são os ingredientes para a ocorrência de erosão pronunciada e movimentos de massa de diversos tipos. Antes da ocupação humana isto não vinha acontecendo porque na evolução natural da paisagem a vegetação vinha atuando como um importante elemento estabilizador da paisagem.

A água é o principal fator de desestabilização de uma encosta e é por isto que no verão aumentam os acidentes ligados aos movimentos de massa. A água ao se infiltrar aumenta seu peso de uma forma proporcional ao grau de saturação e à porosidade do solo. Para se ter uma ideia, tomemos um solo com porosidade igual a 20%. Se estiver totalmente saturado seu peso estará aumentado em cerca de 9%. A água infiltrada desenvolve forças que rompem a coesão do solo; dissolve sais cimentantes, cria pressões internas, diminui a força de atrito entre as superfícies dos grãos, como diminui também o atrito entre o manto de intemperismo e o substrato rochoso.

 A cobertura vegetal aumenta a infiltração da água no solo, principalmente quando se tem chuva fina e prolongada. Apesar disto a cobertura vegetal apresenta qualidades de contenção e proteção que compensam o efeitos negativos provocados pelo aumento de peso e maior infiltração.

a) A cobertura vegetal protege a parte superficial do solo do impacto direto das gotas de chuva.

b) A vegetação atua na melhor distribuição da água pela superfície, não permitindo que as partículas argilosas colmatem os poros do solo, mantendo sua aeração.

c) A presença de húmus, bem como a sombra proporcionada pelas plantas, mantém a umidade do solo, evitando seu ressecamento e gretamento. Um solo gretado é mais facilmente ravinado pelas chuvas.

d) A cobertura vegetal atua na contenção mecânica do solo, devido ao extenso sistema radicular das plantas, principalmente as de grande porte. Este sistema radicular se constitui numa verdadeira rede viva, que une os grãos entre si e mantém a coesão do solo.

Obs.: Não confundir sistema radicular com raízes, que no senso comum são somente aquelas partes do sistema radicular de maior diâmetro e facilmente visíveis.

Um solo sem cobertura vegetal ou com cobertura vegetal insuficiente, estará submetido à erosão. A chuva ao cair iniciará um processo de erosão laminar. Com o passar do tempo pequenas ravinas vão se formando e a camada superficial do solo será perdida. Esta camada é importante porque tem propriedades mecânicas diferentes das camadas subjacentes ( é mais coesiva). Quando se inicia a formação de pequenas ravinas a água começa a se concentrar em filetes cada vez mais volumosos aumentando em muito sua capacidade de transportar as partículas do solo. Neste estágio o solo passa a ser agressivamente erodido por qualquer chuvinha.


A destruição da vegetação pode se dar através da remoção direta pelo homem (capina ou aração), remoção pela pecuária intensiva (muito animal para pouco pasto), remoção pelo fogo.

Os animais de grande porte além de removerem a vegetação criam com suas patas sulcos no terreno, que aceleram o processo erosivo A pastagem intensiva não permite que o solo recupere sua cobertura vegetal, empobrecendo-o em matéria orgânica e nutrientes minerais. Um pasto com uso intensivo pode ser reconhecido facilmente porque entre a vegetação rasteira pode-se ver partes avermelhadas do solo aparecendo.





quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

A COBERTURA DO SOLO É MUITO IMPORTANTE PARA AS PLANTAS CULTIVADAS, ESPECIALMENTE NO VERÃO Parte II



Principais benefícios do uso de cobertura do solo
• Promover a formação de cobertura vegetal, impedindo o impacto direto das gotas de chuva no solo e quebrando a energia cinética da chuva e, com isso, diminuindo a erosão do solo especialmente em terrenos com maior declividade e, em consequência, protegendo as fontes de água de assoreamento e contaminações e, o mais importante, diminuindo os riscos de enchentes e enxurradas;
• Manutenção da umidade do solo, diminuindo as perdas por evaporação. Pode ocorrer uma redução de até 20% na necessidade de irrigação;
• Aumentar a infiltração de água no solo, diminuindo o escorrimento superficial;
• Buscar uma melhor estruturação do solo (melhor agregação, maior aeração), favorecendo os cultivos posteriores;
• Implementar a reciclagem de nutrientes no solo. Através das espécies com sistema radicular mais profundos é possível reaproveitar os nutrientes já perdidos, para serem aproveitados pelos cultivos;
• Melhorar o manejo de plantas espontâneas (“mato” ou “inços”), cultivando plantas de cobertura com alto grau de competitividade e com isso, economizar capinas.  Algumas espécies de adubos verdes (ex.: aveia preta e feijão de porco) ainda tem efeito alelopático sobre as plantas espontâneas (papuã e tiririca ou junça), inibindo-as;
• Aumentar o teor de matéria orgânica do solo, melhorando características físicas, químicas e biológicas do solo. É a matéria orgânica que dá a cor escura aos solos e que garante que ele se mantenha “vivo”. A matéria orgânica atua tanto na fertilidade do solo quanto em seu condicionamento físico, tornando os solos argilosos mais “leves” e soltos e, tornando os arenosos com maior retenção de umidade;
. Aumentar a biodiversidade e, com isso, maior equilíbrio ecológico das espécies e, em consequência, menor surgimento de pragas e doenças. A agricultura convencional ao priorizar a monocultura, o uso frequente de agrotóxicos e a remoção da vegetação nativa, reduz a diversidade de espécies causando o desequilíbrio do meio ambiente favorecendo o desenvolvimento de pragas e desfavorecendo os inimigos naturais destas pragas. A cobertura vegetal, além de evitar a erosão do solo, pode servir de abrigo, alimento e local de reprodução;
. Tanto a cobertura morta como a cobertura viva facilita e favorece o plantio direto e cultivo mínimo dos cultivos. O revolvimento excessivo do solo provoca a destruição dos agregados do solo, acelerando a decomposição e a perda da matéria orgânica e, além disso, pode levar ao endurecimento da camada superior do solo, que fica então compactada e difícil de trabalhar;
. Regulação térmica do solo, observando-se amenização da temperatura nas horas mais quentes do dia com redução de até 10oC na palhada de superfície do solo, em relação ao solo desprotegido, e retenção do calor residual nas horas mais frias do dia.  


Tipos e características das coberturas do solo
Existem inúmeros tipos  de coberturas do solo, sendo que cada um possui características específicas. Quando decidir pelo uso de cobertura morta, deve-se sempre procurar aquele tipo que tem maior disponibilidade na propriedade ou em propriedades vizinhas. Por exemplo,  em regiões de grandes plantios de milho, feijão e arroz irrigado, deve-se dar preferência para as palhas destes cultivos. O cultivo de plantas de cobertura (adubos verdes) e o seu corte no próprio local é uma maneira de respeitar o princípio da sustentabilidade preconizado pelos sistemas orgânicos de produção, reduzindo a importação de insumos. A busca de palhada em outro local garante a cobertura do solo, mas não o efeito de estruturação do solo promovido pela “aração biológica”, que consiste na decomposição do sistema radicular das culturas precedentes, tornando o solo leve, poroso, além de aumentar seu teor de matéria orgânica. A vegetação espontânea (algumas gramíneas no verão e algumas folhas largas no inverno) também pode ser aproveitada como cobertura do solo, “viva” ou morta, caso seja roçada.

Cobertura morta
Essa prática consiste na colocação de capim ou palha seca (5 a 10cm) e outros materiais como bagaço de cana, nas entrelinhas das hortaliças cultivadas em espaçamentos maiores. A cobertura morta mantém a superfície do solo sem a formação de crosta (superfície endurecida), evita a evaporação da água da chuva ou da irrigação, reduz a erosão em solos inclinados, diminui a temperatura do solo no verão e, principalmente, economiza capinas devido à menor incidência de plantas espontâneas e também reduz a necessidade de fazer escarificações.    Além  de proteger as plantas das adversidades do clima (chuvas torrenciais, temperaturas elevadas e frio), desfavorece o aparecimento de pragas e doenças; a cobertura do solo ao reduzir o contraste entre a cor verde da planta e a cor do solo (palha seca, casca de arroz e serragem) diminui a incidência de pulgões.    Trabalhos de pesquisa evidenciam que, dependendo da cobertura morta, é possível reduzir a temperatura do solo em até 10ºC, quando comparado ao solo descoberto. Resíduos vegetais em decomposição não devem ser aplicados, pois a sua fermentação é prejudicial às plantas cultivadas.



Figura 1. Cobertura morta com casca de arroz no cultivo orgânico de morango na Epagri/Estação Experimental de Urussanga, SC.




Figura 2. Cultivo orgânico de repolho em cobertura de palha de milho na Epagri/Estação Experimental de Urussanga,SC


Figura 3. Cultivo orgânico de couve-flor sobre cobertura de palha de arroz na Epagri/Estação Experimental de Urussanga,SC


Cobertura viva
     O cultivo mínimo é a mínima manipulação do solo necessária para a semeadura ou plantio de mudas. O plantio direto é um método que não revolve o solo. A camada de cobertura vegetal é mantida e se faz apenas a abertura de um pequeno sulco ou cova onde é colocada a semente ou a muda. Neste sistema, basta fazer uma roçada com foice ou roçadeira manual (áreas menores)  ou trator com roçadeira  (áreas maiores); após deve-se abrir as covas ou sulcos, mantendo-se a linha de plantio no limpo e roçando, sempre que necessário, nas entrelinhas. No cultivo convencional, o plantio direto e cultivo mínimo são usados, mas sempre com herbicidas, visando dessecar o adubo verde ou as plantas espontâneas (“mato”), para permitir o plantio direto ou cultivo mínimo das sementes ou mudas. Muitos acreditam que o plantio direto e o cultivo mínimo só é possível com o uso de herbicidas, o que não é verdade. Vale lembrar que o uso de herbicidas nos perímetros urbanos é proibido em Santa Catarina. Na agricultura orgânica, as plantas espontâneas e de cobertura (adubos verdes) não são considerados problemas e, sim a solução, quando se deseja fazer o plantio direto ou cultivo mínimo das hortaliças. A competição por água e nutrientes exercida pelas plantas espontâneas e adubos verdes junto aos cultivos é uma preocupação para o hemisfério norte, onde a estação de crescimento é fria, única e curta. Nas condições tropicais e subtropicais que predomina no Brasil, esta competição é menos problemática do que a falta de cobertura do solo; as plantas espontâneas e os adubos verdes ajudam a cobrir o solo, reduzindo a erosão e o aquecimento superficial, nossos principais problemas.  Ao reduzir a erosão e o aquecimento superficial, contribuem para melhorar a disponibilidade de água e a absorção de nutrientes pelas raízes. As plantas espontâneas e os adubos verdes, além de aumentar a densidade e a diversidade de raízes, contribuem para a reciclagem de nutrientes e para melhorar a vida do solo. São fontes de biomassa, produzem flores que atraem insetos predadores e, ainda podem servir de alimento preferencial para as pragas das culturas.


Figura 4. Cultivo mínimo de repolho sobre adubos verdes


Plantas de cobertura do solo e adubação verde:   Até pouco tempo atrás, a adubação verde, embora reconhecida como importante prática agrícola, não era feita nas pequenas propriedades devido ao tempo e área que ocupava, impedindo os cultivos comerciais que davam o retorno financeiro. Nesta época se pensava que as espécies semeadas, ao atingir o desenvolvimento máximo, teriam como única opção serem  roçadas e incorporadas ao solo. Atualmente, este conceito evoluiu e os adubos verdes tem sido utilizados como cobertura morta ou viva até consorciados com as culturas, possibilitando o plantio direto e o cultivo mínimo dos cultivos e ainda a proteção do solo e diminuição das plantas espontâneas (“mato”) através da alelopatia (substâncias químicas liberadas pelas plantas que influenciam o desenvolvimento de outras plantas).  Também no outono/inverno, embora com menor frequência, podem ocorrer fortes chuvas que provocam erosão do solo e, também o surgimento de plantas espontâneas (“mato”) de inverno,  daí a importância da cobertura do solo com adubos verdes. São importantes na conservação do solo, no suprimento de nutrientes  e, principalmente, no manejo de plantas espontâneas (“mato”). Estas plantas são a garantia de continuidade da vida, pois o solo estará suprido de alimentos (matéria orgânica e outros nutrientes, além do ar e da água) para que os bilhões de seres vivos possam interagir para melhorar a estrutura do solo, disponibilizando nutrientes essenciais para os cultivos. A adubação verde consiste no cultivo de algumas espécies de plantas que, ao serem incorporadas ou derrubadas no solo, fornecem matéria orgânica, servindo ainda como cobertura do solo, evitando a erosão. Além disso, podem fornecer nitrogênio, funcionam como subsoladores naturais do solo, permitindo a entrada de ar e de água de maneira adequada no solo,  pois suas raízes ao atingir diferentes profundidades, ainda reciclam nutrientes, trazendo-os até à superfície. As plantas da família botânica das leguminosas, são consideradas ótimas para adubação verde por serem ricas em nitrogênio e possuírem raízes ramificadas e profundas. A mucuna cultivada isoladamente ou em consorciação com milho-verde é um ótimo exemplo de adubação verde e de cobertura do solo.
Os principais benefícios da adubação verde para o solo são: proteção contra a erosão e lavagem de nutrientes do solo pelas chuvas; maior infiltração e retenção de água; aumento da matéria orgânica  e melhoria do solo no aspecto físico redução do impacto das gotas de chuva, diminuindo a erosão e compactação do solo, maior infiltração e retenção de água em 10 vezes mais e, ainda menor variação da temperatura no solo; químico -  aumento do teor de húmus no solo, enriquecimento variado de nutrientes (poupança verde) e maior disponibilidade e reciclagem de nutrientes e,  biológico -  aumento da atividade de microorganismos benéficos (vida do solo). Além disso, reduz a evaporação de água e as oscilações de temperaturas das camadas superficiais do solo; a grande produção de raízes profundas e ramificadas rompe camadas compactadas, promove a aeração beneficiando a vida do solo e, mobiliza e recicla nutrientes das camadas mais profundas do solo; reduz as plantas espontâneas (“matos”), devido o crescimento rápido e agressivo. As plantas de cobertura afetam diretamente a germinação das sementes e o crescimento das plantas espontâneas, podendo, quando a cobertura do solo estiver acima de 90%, reduzir o número de plantas espontâneas em até 75%.;  a adubação verde torna disponível vários nutrientes, reduz a acidez do solo e as pragas e doenças quando em rotação e, em consorciação e, ainda serve de abrigo para os inimigos naturais das pragas.
Rotação e consorciação de culturas:  o consórcio de adubos verdes (aveia - 60 kg/ha; ervilhaca -18 kg/ha  e nabo forrageiro – 4 kg/ha) é também uma ótima opção para melhorar a cobertura do solo no outono e inverno, auxiliar no manejo de plantas espontâneas e melhorar a fertilidade (fornecendo nitrogênio e reciclando nutrientes) e a descompactação do solo. A rotação de culturas com milho-verde (gramínea) consorciado com mucuna (leguminosa), na primavera e verão, reduz doenças e pragas,  inibe a presença de plantas espontâneas (ex.: tiririca, picão preto e branco, capim carrapicho e capim paulista), protege o solo contra a erosão, melhora a fertilidade do solo e, ainda recicla nutrientes devido ao sistema radicular profundo da mucuna; O uso de leguminosas consorciadas com os cultivos também contribuem para aumentar a biodiversidade e favorecer a reprodução e manutenção de inimigos naturais de insetos pragas dos cultivos comerciais, contribuindo para o equilíbrio ecológico, fundamental para a produção sustentável de alimentos.



Figura 5. Rotação e consorciação de milho-verde e mucuna na Epagri/Estação Experimental de Urussanga, SC


O uso dos adubos verdes pode ser feito tanto em áreas em que se fez o preparo do solo como em áreas cobertas por palhadas ou restos culturais. A forma de manejo depende da finalidade da adubação verde.
Incorporados ao solo:  esta é a forma antiga de manejo dos adubos verdes, quando o objetivo principal é o fornecimento de nutrientes para a cultura seguinte, devido a decomposição rápida.
Mantidos na superfície do solo: esta é a forma moderna de manejo de adubos verdes, visando-se a proteção do solo contra erosão e plantas espontâneas (decomposição lenta), a produção de palhada (cobertura morta ou viva) para o plantio direto ou cultivo mínimo, a reciclagem de nutrientes, o aumento da infiltração e retenção de água no solo e, favorecimento da população de organismos benéficos e inimigos naturais dos insetos-pragas.
Acamamento: é a prática mais recomendada para realização de plantio direto e cultivo mínimo de hortaliças ou grãos e também nos pomares. O acamamento pode ser feito com equipamentos simples como o rolo-faca e outros.
Roçada: Esta prática é usada quando não se consegue fazer o acamamento ou então quando os adubos verdes em consorciação estão competindo especialmente por luz. Quando é preciso fazer canteiros e a produção de massa verde é muito grande deve-se roçar para ficar mais fácil para incorporar a adubação verde. Para cultivo de cenoura, por exemplo, deve-se incorporar a adubação verde superficial (10 a 15 cm de profundidade) com antecedência de 3 semanas antes da semeadura ou transplante (outras hortaliças) para dar tempo para a decomposição do material. Quando for feito o preparo do solo é muito importante tomar cuidado com o uso de enxadas rotativas, especialmente microtratores, pois movimenta excessivamente o solo, desestruturando-o e compactando-o. Por isso, sempre que possível deve-se dar preferência para o plantio direto e cultivo mínimo, tanto para culturas anuais como perenes.
Na agricultura orgânica o “mato”  é considerado “amigo” das plantas cultivadas porque cobre o solo, protegendo-o contra a erosão, chuvas fortes e estiagens, pode servir como adubação verde e até como abrigo e alimento de inimigos naturais dos insetos-pragas que atacam as culturas
As plantas espontâneas também podem servir de cobertura do solo, por isso, não devem ser totalmente eliminadas:  ocorre um mecanismo de sucessão natural de espécies numa determinada área e, por isso, a intervenção deverá ser no sentido de auxiliar a natureza para que este processo ocorra ao longo do tempo, para que a população de plantas espontâneas mais “agressivas” seja reduzida a níveis toleráveis, cedendo espaço para as mais “comportadas” e de mais fácil manejo. O crescimento das plantas espontâneas ao redor dos cultivos ou o estabelecimento de áreas ou faixas de vegetação espontâneas fora da área cultivada tem a vantagem de assegurar maior estabilidade do sistema produtivo, reduzindo os problemas com pragas e doenças e aumentando a atividade de inimigos naturais das pragas;        
Roçada das plantas espontâneas: estas plantas podem conviver com os cultivos após o período crítico de competição, especialmente por luz, nos 30 dias após o plantio. Dependendo da espécie cultivada, é possível permitir o crescimento das plantas espontâneas, as quais podem dificultar um pouco a colheita, porém , isto pode ser mais preferível do que controlá-las. Em certos casos, amassar as plantas espontâneas pode ser mais vantajoso do que roçar e roçar mais vantajoso do que capinar. Plantas espontâneas mais persistentes podem ter sua população controlada a níveis toleráveis se permitirmos que outras de ciclo mais longo as abafem.

Outros tipos de coberturas
O descarte de materiais oriundos de  cultivos,  indústrias ,serrarias ou outras têm assim uma aplicação para o material que ficaria em pilhas ocupando espaço e tornando-se ameaça de incêndios.
Capins e restos de cultivos:  diversos tipos de capins, além de servir para alimentação dos animais, também podem serem aproveitados para servir de cobertura morta, como por exemplo, o capim elefante que possui crescimento rápido e com  boa produção de  massa verde. Os restos dos cultivos sempre devem ser aproveitados ou na compostagem ou como cobertura morta. Quando as plantas de lavoura são colhidas no campo as máquinas ou os trabalhadores deixam as partes da planta que não necessitam no solo. É um tipo de prática conservacionista, pois além de agregar o material orgânico que decomposto se tornará terra, seus nutrientes ficarão acessíveis para as próximas plantas de cultivo.
Bagaço de cana-de-açúcar e outros:  Em regiões de cultivo de cana-de-açúcar visando a indústria do açúcar e álcool, há grande disponibilidade de bagaço que pode ser aproveitado na compostagem e também como cobertura morta. Também as indústrias de coco e outras proporcionam grande quantidade de resíduos que podem serem aproveitados como cobertura do solo.
Serragem: Por serragem entendemos o pó fino descartado pelas serrarias no processo de corte dos troncos. Tem consistência fina. Também necessita de sofrer decomposição e irá demorar mais tempo, pois a lignina do tronco é mais resistente aos microorganismos. Seu uso ao redor de plantas pode ocasionar a perda de nutrientes das plantas para os microorganismos, pois estes necessitam de nitrogênio para os processos de compostagem.
Aparas de gramados:  Nos jardins das casas, especialmente na cidade, são grandes as quantidades de aparas de gramados que podem serem aproveitados, depois de um certo tempo, como cobertura do solo nas hortas das casas. É um material orgânico e, portanto irá sofrer a ação dos microorganismos na decomposição. O processo é o mesmo explicado na  compostagem quando ocorre a elevação da temperatura pelos processos de decomposição. As plantas ao redor podem sofrer com isto. Ao recolher as aparas de grama deixar numa pilha em local destinado a isto. Somente usar depois de bem decompostas. Também pode ocorrer que gramados inçados forneçam sementes de inços, ocasionando uma infestação grande no local onde colocamos a cobertura. Deixando um tempo ao ar livre estas sementes germinarão e o inço poderá ser retirado.





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