domingo, 10 de junho de 2018


“Horta se parece com filho. Vai acontecendo aos poucos, a gente vai se alegrando a cada momento, cada momento é hora de colheita. Tanto o filho quanto a horta nascem de semeaduras. Semente, sêmen: a coisinha é colocada dentro, seja da mãe/mulher, seja da mãe/terra, e a gente fica esperando, pra ver se o milagre ocorreu, se a vida aconteceu. E quando germina -seja criança, seja planta - é uma sensação de euforia, de fertilidade, de vitalidade. Tenho vida dentro de mim! E a gente se sente um semideus, pelo poder de gerar, pela capacidade de despertar o cio da terra.”
 (Rubem Alves)

Horta da escola municipal Núcleo Rio Caeté, em Urussanga, SC

































Horta da escola municipal Ernesto César Mariot, em Urussanga, SC



Porque fazer uma horta escolar? 

     A reflexão sobre o meio ambiente que nos cerca e o repensar de responsabilidades e atitudes de cada um de nós, gera processos educativos ricos e significativos. A implantação e condução de hortas escolares é um valioso instrumento educativo e fundamental na formação de crianças comprometidas com o meio ambiente e com a sustentabilidade do planeta.Através de práticas ambientalmente corretas, promove-se a educação ambiental, conscientizando os alunos e pais sobre a importância da preservação e conservação dos recursos naturais (água, solo, flora e fauna)e, simultaneamente, complementando e enriquecendo através da merenda escolar, uma alimentação nutritiva, saudável e com menor custo, e assim, promovendo uma mudança de hábitos e atitudes relacionados à educação alimentar de todos.Vale destacar que a fome, a desnutrição e as consequentes enfermidades são resultantes da pouca ou má alimentação.A alimentação e a nutrição, são caminhos para uma vida saudável.Através da horta escolarpretende-se estimular os alunos a perceberem um espaço vivo, onde existe muita vida e todos juntos, formam uma cadeia, proporcionando uma produção sustentável e fonte de alimentação saudável para todas as gerações, sem riscos ao meio ambiente.Outro objetivo da horta escolar é resgatar junto à comunidade o hábito de produção de alimentos para auto-consumo e produção própria de mudas e sementes crioulas.Todos ganham com a horta escolar sustentável! os alunos, os pais dos alunos, os professores, a comunidade, o município e o meio ambiente. 

     O contato com a terra e, a descoberta de inúmeras formas de vida que ali existem e convivem, o encanto com as sementes que brotam, a prática diária do cuidado –o preparo do solo, semear, transplantar, desbrotar, tutorar, desbastar o excesso de plantas, adubar, regar e proteger os cultivos das pragas e doenças, é um exercício de paciência e perseverança, até que a natureza nos brinde com a transformação de pequenas sementes em hortaliças coloridas, saudáveis, frescas e, o mais importante, sem nenhum risco para a saúde dos alunos e do meio ambiente.Através das atividades na horta, os alunos se tornam multiplicadores na comunidade onde moram, levando para casa o que aprendem e fazendo com que as famílias interagem neste processo de mudança de comportamento em relação à alimentação e ao meio ambiente. Dependemos do meio ambiente para sobreviver e o meio ambiente depende de cada cidadão deste planeta. 


A importância das hortaliças orgânicas na nutrição e prevenção das doenças 


     Hortaliça é o nome dado a um grupo de mais de 100 espécies de plantas, das quais se utilizam diferentes partes na alimentação. Algumas são consumidas cruas ou cozidas, outras industrializadas e também como condimentos. Muitas são conhecidas do público em geral, mas algumas só aparecem em mercados regionais fazendo parte de pratos típicos. 

     A produção de hortaliças sem o uso de agrotóxicos e adubos químicos, contribui para a sustentabilidade do planeta, pois é realizada em paz com a natureza. As hortaliças, quando produzidas sem agroquímicos e, com técnicas ambientalmente corretas, são os alimentos ideais para toda a família, pois além de terem menor custo, mais sabor e conservação, são mais ricas em vitaminas, sais minerais, carboidratos, proteínas e fibras, além de possuirem virtudes dietéticas e até terapêuticas. Por isso, são incluídas pelos médicos em regimes alimentares e na composição do cardápio diário.As vitaminas não se acumulam no organismo, daí a necessidade do consumo diário de hortaliças.A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um consumo de vegetais superior a 400/pessoa/dia para preservar e/ou incrementar a saúde. 


     A vitamina A (vitamina da beleza), encontrada na cenoura, é fundamental para a saúde dos olhos, da pele, dos dentes e do cabelo, atuando sobre o crescimento e aumentando a resistência do organismo às doenças. As fontes mais significativas são: abóbora, agrião, alface, batata-doce, cenoura, couve, espinafre, pimentão, tomate, salsa e feijão-vagem. 

Numa horta orgânica as crianças podem visitar, participar, colher e até saborear a cenoura, fonte significativa de vitamina A (vitamina da beleza)


      A vitamina C é muito importante para o organismo aumentar a resistência às infecções, especialmente aos resfriados. As fontes mais significativas são: batata-doce, brócolis, couve, couve-flor, espinafre, pimentão, repolho, tomate e feijão-vagem.

A vitamina B estimula o apetite, auxilia no crescimento e no funcionamento normal dos nervos, facilita a digestão e fortalece a pele e o cabelo. É encontrada em quantidades suficiente no agrião, alface, beterraba, cenoura, couve-flor, ervilha, espinafre, pimentão, repolho e feijão-vagem
A vitamina E previne distúrbios cardiovasculares e neurológicos, acelera a cicatrização de ferimentos e aumenta a fertilidade. As fontes mais significativas são: alface e repolho.
A vitamina K é essencial para a coagulação do sangue e mineralização dos ossos. Está presente na alface, couve, couve-flor, ervilhya, espinafre, repolho e tomate.
Os sais minerais são reguladores exigidos em pequenas quantidades, como o cálcio, fundamental para a formação dos ossos e dos dentes, e o ferro, que faz parte do sangue e previne a anemia. As fontes mais significativas de cálcio são brócolis, couve, couve-flor e rabanete, enquanto que o ferro, na couve, espinafre e beterraba.
As fibras regulam a digestão e previnem diverticulite, arteriosclerose, apendicite, varizes, hemorroidas e tumores intestinais. Elas também auxiliam no controle do colesterol e da glicose. Estão presentes em quantidades razoáveis na abóbora, no almeirão, na alface, no aipo, no agrião, na chicória, na cebola, na couve, no espinafre, no jiló, no pimentão e na cenoura e beterraba cruas.
As proteínas, essenciais para a formação e renovação dos tecidos, são encontradas em quantidades razoáveis na ervilha, nos brócolis, na couve-flor, na beterraba, na vagem, no espinafre, na batata e na batata-doce. As duas últimas também são as principais fontes de carboidratos, responsáveis pela energia.
     Além da importância nutricional e medicinal, a implantação de uma horta tem sido cada vez mais importante como terapia ocupacional para as pessoas de todas as faixas de idade viverem mais e melhor. O cultivo de hortaliças, quando realizado com prazer, torna-se uma terapiaeficiente para problemas como estresse, depressão e outros, além de melhorar a autoestima das pessoas.O cultivo de uma horta orgânica e sustentável melhora a qualidade de vida das pessoas, pois além de garantir alimentos saudáveis, nutritivos e saborosos mais baratos, previne e até cura doenças, educa, ocupa e, quando implantada com prazer, proporciona lazer e exercícios ao ar livre. 

Como tornar a horta escolar, sustentável?

     O termo “desenvolvimento sustentável” foi utilizado pela primeira vez, em 1983, por ocasião da criação da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, pela ONU (Organização das Nações Unidas).Atualmente a palavra “sustentabilidade” está em destaque e, tem sido cada vez mais uma preocupação mundial, felizmente. Não se trata de modismo, pois exemplos de sustentabilidadesão relatados em todos os setores de produção, mostrando a preocupação com o meio ambiente.Meio ambiente é toda a natureza que nos cerca, nos envolve, inclusive nós mesmos e nossa relação com o mundo em que vivemos. Tudo está interligado - pessoas, animais, florestas, rios, lagos, mares, oceanos, cidades, além do ar que respiramos. Todos dependemos do meio ambiente para sobreviver. Desenvolvimento sustentável tem sido definido como “modelo econômico capaz de satisfazer as necessidades das gerações atuais, levando em consideração as necessidades e interesses das futuras gerações”;ou seja, a sustentabilidade está diretamente relacionada ao desenvolvimento econômico e material sem agredir o meio ambiente, usando os recursos naturais de forma inteligente para que eles se mantenham no futuro. É o desenvolvimento que não esgota os recursos naturais para o futuro, conciliando crescimento econômico  e preservação da natureza.Qualquer país que provoque a exaustão de seus recursos naturais em nome da riqueza à curto prazo, causará danos à sua população. O desenvolvimento sustentável prioriza a qualidade em vez de quantidade, com a redução do uso de matérias-primas e produtos e o aumento da reutilização e da reciclagem.
     Sendo o planeta terra a “Casa Comum”, tema da campanha da fraternidade deste ano, é responsabilidadede todos preservar o meio ambiente e garantir a sustentabilidade para que as futuras gerações possam usufruir da natureza. Segundo a Constituição Federal:“Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. Quando desrespeitamos a natureza, não utilizamos de forma sustentável os rios, as florestas, o solo, o ar e tudo aquilo que é necessário para a vida do planeta e demonstramos que não estamos pensando nas futuras gerações e, além disso, transmitimos a ideia de que precisamos extrair tudo agora e que todos os recursos naturais são infinitos.
Assim sendo, para que uma  horta escolar seja considerada sustentável, terá de continuar a produzir, numa sucessão sem fim, basicamente com um mínimo de compra de materiais para confeccionar os canteiros, de insumos(sementes, adubos, produtos alternativos para o manejo de pragas e doenças) e água de qualidade para irrigação.  
Contrução dos canteiros: a sustentabilidade da horta começa na preparação dos canteiros, sempre aproveitando os materiais disponíveis e descartados, como por exemplo, garrafas PET e pneus velhos. Segundo especialistas, “lixo” não existe! Quase tudo pode ser reutilizado, reciclado ou transformado. O “lixo”, assim como a sociedade e o meio em que vivemos, pertence a todos nós. Somos nós que produzimos, por issocabe a todos nós cuidar dele.  Ao construir os canteiros, as crianças, desde cedo, aprendem a prática dos três Erres!REDUZIR, RECICLAR e REUTILIZAR!
Início do preparo dos canteiros pelas mães dos alunos da escola Núcleo Rio Caeté, em Urussanga



Canteiros construídos com garrafas pet e pneus descartados e já cultivados com hortaliças na escola Núcleo Rio Caeté, em Urussanga

Produção de adubo natural, aproveitando o “lixo” orgânicoUm dos maiores potenciais desperdiçados é o não aproveitamento do “lixo” orgânico (em torno de 70%) que, geralmente, vem de restos de alimentos e de vegetais.Esse “lixo” pode se transformar em um adubo natural,  de ótima qualidade, sem custo, ao passar por um processo chamado compostagem.Outra razão, muito importante, para se fazer a compostagem está no fato que as atividades agropecuárias cada vez mais crescentes, geram grande quantidade de restos culturais, resíduos agroindustriais e dejetos de animais (gado e aves) que, caso não sejam reciclados ou compostados, provocam sérios problemas de poluição ambiental. 
O que é compostagem? é um processo natural de decomposição da matéria orgânica de origem animal ou vegetal que conta com a ajuda dos microorganismos do solo (fungos e bactérias), resultando no composto orgânico, um adubo de ótima qualidade  e, o mais importante, não polui o meio ambiente.
Benefícios do composto orgânico: além de aumentar a vida do solo, favorecendo a reprodução de microorganismos benéficos aos cultivos,atua como condicionador e melhorador das propriedades físicas do solo, é uma boa fonte de macronutrientes, possui micronutrientes essenciais para o desenvolvimento das plantas e, ainda reduz a acidez do solo, ao contrário dos adubos químicos e estercos de animais que podem salinizar, acidificar e contaminar o solo e os rios.  Convém destacar também que, em funçãoda alta temperatura que alcança o processo da compostagem (até 65ºC), durante a fermentação, os microorganismos causadores de doenças das plantas e as sementes de plantas espontâneas (“mato”) não sobrevivem.

Como fazer a compostagem? especificamente em relação à adubação das plantas, fundamental para o sucesso da horta sustentável, deverá ser feito pelos alunos, periodicamente, o composto orgânico, utilizando-se os restos de cultivos,corte de diversos capins e plantas espontâneas que forneçam massa verde, folhas das árvores, aparas de grama e restos de merenda (comida, com excessão de carnes,  cascas de frutas, hortaliças e de ovos, borra de café, entre outros).Ao fazer o composto orgânico, os alunos aprendem bem cedo que o que iria para o lixo, pode ser transformado em adubo natural para o jardim e horta, reduzindo significativamente o odor desagradável e diminuindo o trabalho na coleta do lixo. Para o preparo do composto orgânico (compostagem), deve-se  reservar  dois pequenos espaços (4 m x 2 m) para as composteiras, em área com pequeno declive,  no fundo da escola. A composteira pode ser feita de tijolos ou de madeira (0,5 m de altura), deixando-se aberturas para ventilação e o próprio piso do solo. O método mais prático e difundido, consiste em montar as pilhas, alternando-se restos vegetais de cultivos, capins, palhas, plantas espontâneas (“mato”), aparas de grama, folhas de árvores, restos domésticos (alimentos com excessão de carne, cascas de ovos, hortaliças e frutas, borra de café e erva-mate) e  resíduos de agroindústrias (bagaço de cana), com meios de fermentação (estrume fresco de animais), numa proporção aproximada de 3 a 5 partes (10 à 15 cm) de vegetais para 1 parte (5 cm) de esterco fresco de animais ou de terra. A cada camada realizada, deve-se irrigar, sem encharcar.Quanto maior a diversidade e  mais picado os vegetais utilizados, tanto mais rápido, o composto fica pronto para ser utilizado. Após o enchimento da composteira, recomenda-se fazer 3  revolvimentos do composto (a cada 15 dias), para melhorar o arejamento e caso não chova por muito tempo, irrigar. Após pronto, o composto (4 a 5 meses no verão), deve-se cobri-lo com plástico ou ensacá-lo e guardá-lo em ambiente coberto.Quando bem feita, a composteira não atrai moscas e não exala odor desagradável.

Composteira de madeira e de tijolos






Produção de mudas e sementes próprias: Na produção de uma horta sustentável, com base agroecológica, deve-se sempre que possível, tornar-se independente de insumos externos, priorizando, quando possível o resgate das variedades crioulas e/ou multiplicando as mudas e sementes de variedades comerciais que tenham se destacado. O uso e manutenção de variedades crioulas é muito importante na sustentabilidade da horta, pois são sementes com grande variabilidade genética,  rústicas e resistentes às doenças e pragas, melhoradas ao longo do tempo e, conservadas pelos agricultores, de geração para geração. Ao serem selecionadas as sementes vão se adaptando às mudanças climáticas com o tempo e, por isso, garantem maior estabilidade ou seja, mesmo em condições desfavoráveis, ainda assim haverá alguma produção. Com a “modernização” da agricultura as variedades crioulas foram sendo substituídas por variedades industriais e, especialmente híbridos e, mais recentemente, transgênicos, causando a dependência dos agricultores, a perda da agrobiodiversidade e, o que é pior, aumentando o risco para a saúde das atuais e futuras gerações (ex.: sementes transgênicas). Como exemplos de mudas e sementes que devem serem multiplicadas, podemos destacar a produção própria de ramas (mudas) de aipim e batata-doce e de sementes de alface (variedade crioula), tomate cereja (perinha), abobrinha, moranga, pepino, milho, entre outras.

Preparado de plantas e uso de plantas repelentes para o manejo de pragas e doenças: Em ambientes equilibrados e saudáveis, utilizando-se o composto orgânico (adubo orgânico natural), normalmente, não ocorre pragas e doenças. No entanto, especialmente na primavera, estação do ano de fertilidade e de grande atividade na natureza, poderão ocorrer algumas pragas que causam danos nas plantas, além de favorecerem o surgimento de doenças. Considerando que a proposta da horta é de ser sustentável e que os insumos químicos (agrotóxicos) prejudicam a vida do solo e do meio ambiente, além de aumentar o custo de produção, serão utilizados produtos alternativos produzidos na escola, a partir de preparados de plantas medicinais, sempre e somente quando necessários. Como exemplo, citamos a sálvia e o boldo (plantas medicinais plantadas na horta), ótimos repelentes da borboleta que põe os ovos nas plantas, dando origem as lagartas que atacam severamente as couves, repolho, brócolis e couve-flor. Outro produto alternativo muito eficiente para o manejo de vaquinhas, pulgões, grilos, paquinhas e outros insetos é o preparado com pimenta malagueta, muito fácil de ser produzido na escola.

Sálvia: planta medicinal que repele a borboleta que origina as lagartas





Biodiversidade e o manejo de pragas com o auxílio dos inimigos naturais: Um dos princípios para termos uma agricultura mais sustentável é a preservação e ampliação da biodiversidade ou diversidade biológica. Para o sucesso da agricultura orgânica deve-se procurar imitar, dentro do possível, o que ocorre numa floresta, onde todos os seres vivos estão em perfeito equilíbrio. Mas como preservar e ainda ampliar a biodiversidade e ainda obter lucro sem prejudicar o meio ambiente? Educação ambiental; Praticar agricultura orgânica: adubação orgânica, nunca utilizar agrotóxicos e adubos químicos, considerar as plantas espontâneas (“mato”) como plantas “amigas”, fazer rotação e consorciação de culturas, plantio direto e outras práticas; Produzir alimentos no sistema de produção agroflorestal, conciliando agricultura, pecuária e floresta; Proteger e fazer o plantio de árvores; Implantação nas propriedades de cordões de contorno ou cercas vivas e sempre que possível, deixar algumas áreas com vegetação espontânea. No planejamento da horta, deve-se reservar espaço para as principais plantas medicinais, condimentares e aromáticas, pois além de terem propriedades terapêuticas, servem para auxiliar no controle de pragas e deonças das hortaliças. Quanto maior é o número de espécies de plantas numa horta ou propriedade, maior são as chances dos inimigos naturais das pragas dos cultivos, de sobreviverem e, exercerem sua função. Todas as pragas das culturas tem seus inimigos naturais que as devoram, diminuindo e até eliminando o problema. Daí a importância de diversificar os cultivos o máximo possível (rotação e consorciação de cultivos), plantio de diferentes espécies de plantas e até preservar refúgios naturais como as matas, cercas vivas e capoeiras para manter a diversidade natural da fauna (ácaros predadores, aranhas, insetos, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Todos fazem parte do grande conjunto natural e cada um contribui para a manutenção do equilíbrio da natureza. Como exemplo, citamos as joaninhas (figura abaixo) que comem pulgões, praga que ataca especialmente a couve, repolho, brócolis e couve-flor. 


Joaninha, atacando os pulgões


Irrigação: Embora dois terços do planeta terra seja formado por água, apenas 0,008 % do total é potável (própria para o consumo). E, o que é pior, grande parte das fontes desta água (rios, lagos e represas) está sendo contaminada, poluída e degradada pela ação predatória do homem. Esta situação é preocupante, pois poderá faltar, num futuro próximo, água para o consumo de grande parte da população mundial. Sendo a água de qualidade, um recurso natural cada vez mais escasso e, considerando que busca-se uma horta sustentável, recomenda-se que seja instalado na escola, com orientação de técnicos especializados, uma cisterna, objetivando o aproveitamento da água da chuva para a irrigação e também limpeza. O cultivo de hortaliças sem complementação de água de boa qualidade, através da irrigação, é praticamente, impossível, pois historicamente as chuvas que ocorrem em Santa Catarina são muito irregulares. As hortaliças, por terem ciclo curto, sofrem mais que outras espécies com pequenos períodos de estiagem. Além disso, a maioria das hortaliças são exigentes, pois apresentam em sua composição mais de 85% de água. A qualidade da água é muito importante, pois grande parte das hortaliças são consumidas cruas.
Cisterna de 2000 litros da escola Núcleo Rio Caeté, em Urussanga, SC para coleta de água da chuva para irrigação da horta








Planejamento, implantação e condução da horta escolar sustentável
A produção de hortaliças saudáveis e nutritivas, de boa qualidade o ano todo, em quantidade suficiente para os alunos e professores da escola é relativamente fácil. Para isso, basta ter uma pequena área de terra ensolarada na maior parte do dia, água de boa qualidade, algumas ferramentas, disposição para trabalhar e algumas orientações.O tamanho da horta varia de acordo com a finalidade, a disponibilidade de terra e mão de obra, o número de pessoas beneficiadas e as hortaliças cultivadas. Uma pessoa trabalhando algumas horas por dia pode cuidar de uma horta de 150 a 200m2.
Na implantação da horta, inicialmente deverão ser confeccionados os canteiros construídos com materiais reciclados tais como garrafas pet e pneus velhos descartados Posteriormente, será feito o revolvimento do solo com pá de corte e incorporação do adubo, preferencialmente o composto orgânico ou esterco curtido de animais.Especificamentenestas tarefas serão convidados os pais dos alunos para auxiliarem. Os alunos deverão participarem ativamente de todas as atividades de plantio, adubação, irrigação diária, capinas e colheita de diversas hortaliças (tomate cereja, pimentão, couve,brócolis, repolho, alface, beterraba, cebolinha verde, salsa, radiche, rúcula, cenoura, espinafre, cebola, milho verde e couve-flor) e de inúmeras plantas medicinais e aromáticas (capim-limão, sálvia, hortelã, orégano, funcho, poejo, manjerona, manjericão, coentro, boldo, camomila, malva, guaco, arruda e alecrim) que servem tempero e como plantas repelentes de insetos-pragas e no manejo de de algumas doenças, através de preparados. A natureza foi à primeira farmácia da humanidade. Por isso, no planejamento da horta deve-se reservar espaço para as principais espécies de plantas medicinais, pois elas proporcionam ao organismo humano sais minerais, ajudam a eliminar toxinas, limpando o sangue de impurezas e tonificando o estômago, os intestinos, os rins e o coração. Além de terem propriedades terapêuticas, algumas são utilizadas no manejo de pragas e doenças de hortaliças. Durante as férias escolares (dezembro, janeiro e fevereiro)e também, devido ao clima desfavorável para a maioria dos cultivos, será priorizado o plantio de adubos verdes (mucuna), consorciado com milho verde (variedades), objetivando restaurar a fertilidade do solo, multiplicar as sementes de  variedades de milho e fazer rotação de culturas, visando a redução de pragas,  doenças e plantas espontâneas (“mato”) ocorridas na horta.  
Dependendo da área disponível, sempre que possível, recomenda-se o plantio de um pequeno pomar com árvores frutíferas como acerola, araçá, bergamota, limão e maracujá, entre outras, para complementação na merenda dos alunos e no fornecimento de sucos naturais e nutritivos.


Pomar da escola Núcleo Rio Caeté, em Urussanga
Em todas as atividades dos alunos, sempre que possível, os professores devem auxiliar,  supervisionando os alunos em todas as fases de implantação e condução da horta.


Professora orientando os alunos na irrigação, na horta da escola do Rio Caeté, em Urussanga


Dez razões para você cultivar no sistema orgânico uma horta e um pomar doméstico


1. As frutas e hortaliças são mais saborosas e nutritivas.
2. Você tem frutas e hortaliças frescas ao seu alcance o ano inteiro.
3. Ao consumir frutas e hortaliças saudáveis diariamente, você se previne de doenças.
4. No cultivo orgânico, as substâncias químicas (adubos, agrotóxicos e outros) prejudiciais à saúde ficam fora de seu prato.
No sistema orgânico, as frutas e hortaliças são produzidas sem agrotóxicos (inseticidas, fungicidas e herbicidas) e sem adubos químicos e outros produtos prejudiciais à saúde.
5. Você protege a sua geração e as futuras.
6. Ao cultivar no sistema orgânico, você estará fazendo as pazes com a natureza.
O planeta Terra é composto por dois terços de água. Ao cultivar no sistema tradicional, a maioria dos agrotóxicos e adubos químicos infiltram-se nos lençóis freáticos e córregos de água, contaminando-os. Na agricultura orgânica os solos são vivos e saudáveis pois, além de não serem revolvidos (plantio direto ou cultivo mínimo), são mantidos nas entrelinhas com cobertura vegetal ou adubação verde, e também são adotadas outras práticas, como rotação, sucessão e consorciação de culturas. Com o solo saudável e as plantas bem nutridas, as pragas e doenças normalmente não ocorrem.
7. Você produz alimentos com menor custo e de melhor qualidade.
8. É uma ótima forma de você fazer terapia ocupacional e exercícios ao ar livre.
9. Você ajuda a restaurar a biodiversidade.
10. Você ajuda a reduzir o aquecimento global.
O solo tratado com substâncias químicas libera uma quantidade enorme de gás carbônico, gás metano e óxido nitroso, principais causas do aquecimento global (adaptado de www.planetaorganico.com.br).



Ferreira On 6/10/2018 11:55:00 AM Comentarios LEIA MAIS

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Autor: Mariane Carvalho Vidal - Embrapa Hortaliças, Caixa Postal 218, CEP 70359-970, Brasília, DF. mariane@cnph.embrapa.br

Fonte: Hortic. bras., v.29, n. 2 (Suplemento - CD ROM), julho 2011.


INTRODUÇÃO
     No artigo publicado no ano passado sobre as 100 questões mais importantes para o futuro da agricultura global (Pretty et al., 2010), a sustentabilidade aparece como ponto fundamental para o desafio de alimentar uma população do ordem de 9 bilhões de pessoas projetada para um futuro próximo. Dessa forma, o panorama para os próximos anos indica a necessidade de profundos câmbios em nosso sistema produtivo.
     O cultivo orgânico aparece não somente como uma forma alternativa ao sistema agroindustrial atual da agricultura mais, como uma forte base para uma mudança de paradigma da relação da sociedade com a agricultura. O resgate das questões sociais, ecológicas e ambientais no trato com a agricultura é o grande diferencial desse sistema, pois permite a equidade e o equilíbrio das relações e a sua sustentabilidade no tempo e no espaço.
     As hortaliças são, em muitos agroecosistemas, um componente chave para a diversificação, pois geralmente são de ciclo curto, o intervalo para o plantio também é curto, de uma semana a 15 dias em algumas espécies, a área ocupada por ciclo de cultivo é variável dependendo da espécie, o que facilita o redesenho das propriedades. Ainda, o retorno econômico é rápido e alguns produtos exigem pouco processamento, podendo ser vendidos in natura e são de fácil aceitação no mercado.
     Contudo, ainda existem muitos desafios para o desenvolvimento do sistema produtivo de hortaliças orgânicas. São muitos os problemas enfrentados pelos agricultores especialmente no que diz respeito ao manejo de solo e controle de pragas, doenças e plantas espontâneas. São esses alguns exemplos que limitam muitas vezes, o crescimento de áreas produtivas no sistema orgânico. Assim, vamos discutir nesse trabalho os desafios e as propostas para incrementar o sistema de produção de olerícolas orgânicas.

PROBLEMAS
      Atualmente, o campo sofre as conseqüências da simplificação da agricultura, que seguiu o modelo da monocultura preconizado pela Revolução verde. São algumas dessas conseqüências: erosão, contaminação de solos e mananciais hídricos, desequilíbrios biológicos e crescente resistência das pragas aos agrotóxicos. A necessidade de mudança para uma estratégia mais conservacionista e preservacionista da agricultura é urgente.
     A conversão à horticultura orgânica bem como seu manejo exigem profundos conhecimentos agronômicos e ecológicos, como também das particularidades da propriedade rural, da qualidade e quantidade dos recursos humanos (Souza e Resende, 2006) e ainda da paciência e persistência do agricultor. Essas questões aliadas à falta de tecnologia para a produção, de assistência técnica especializada e canais de comercialização dos produtos, são os problemas mais importantes apontados pelos agricultores.
     Não são somente as questões relacionadas diretamente ao agricultor e seu sistema produtivo mais a preocupação da sociedade pelo consumo de alimentos mais “limpos” exigem cada vez mais do mercado a oferta de produtos oriundos de agricultura orgânica. Um exemplo muito cotidiano é o caso da presença elevada de nitratos nas hortaliças. A elevação do teor de nitrato nas plantas se dá pela oferta excessiva de adubos nitrogenados especialmente nas hortaliças folhosas de consumo in natura. O problema neste caso está relacionado ao efeito do nitrato na saúde humana que uma vez ingerido, pode ser transformado em nitrito e combinarse com as aminas para formar as nitrosaminas. Essas substâncias são cancerígenas, mutagênicas e teratogênicas (Darolt, 2003).
     Essas e outras questões fazem parte do debate atual na sociedade e leva a um repensar das formas de produção e consumo e das nossas relações com a indústria da alimentação.

LIMITAÇÕES
     Apesar dos avanços das pesquisas em horticultura orgânica ainda assim, existem pontos de limitação importantes a serem considerados e que influenciam a opção por adotar esse sistema.
     Segundo um levantamento das demandas da pesquisa encaminhadas pelas Comissões de Produção Orgânica (CPOrg) de distintos estados do país, sanidade vegetal, sistemas de produção vegetal e animal, processamento de alimentos e questões de socioeconomia como os sistemas de comercialização de produtos orgânicos são os temas mais importantes e que necessitam atuação direta do componente pesquisa e extensão. Mesmo que alguns desses fatores tenham sido explorados na literatura com a apresentação de resultados, ainda existem pontos específicos que precisam ser mais bem estudados e adaptados as condições inerentes à produção orgânica.
     Uma questão bastante recorrente e que é apontada como um limitante para a conversão ao sistema produtivo é o preço do produto orgânico. As dimensões éticas, sociais e ambientais que apresenta a agricultura orgânica não podem ser desconsideradas principalmente quando se discute o preço dos produtos orgânicos. Por suas características, a agricultura orgânica tem contribuído para a fixação no campo de um expressivo contingente de produtores familiares anteriormente excluídos. Os consumidores dos produtos orgânicos, ao priorizarem sua saúde e bem estar estão conscientes de que também promovem a qualidade de vida e saúde para os trabalhadores rurais e na conservação do meio ambiente (Valle et al., 2007). Outro fator relacionado ao preço é que o mercado orgânico ainda é visto como uma estratégia ou nicho de mercado principalmente pelos grandes centros de distribuição que reduzem sua margem de lucro, elitizando os produtos.
     As limitações da horticultura orgânica não podem estar baseadas nos preços de produção e consumo, pois quando se compara com o sistema convencional, observa-se que os custos variáveis de produção são mais baixos para algumas culturas no sistema orgânico (Vilela et al., 2007). Em um estudo comparativo entre os sistemas de cultivo de soja orgânica e convencional do ano de 2002 (Darolt e Skora Neto, 2002) foi constatado que tanto em adubos como em insumos para controle de doenças, os custos no sistema orgânico foram menores comparativamente ao convencional.
      Outras questões consideradas por muitas como limitações tais como mão de obra e acesso a informação, devem ter uma reflexão mais profunda da forma como são percebidas no sistema orgânico.

SOLUÇÕES TÉCNICAS
     Com base nesse panorama, muito se avançou nas soluções técnicas que auxiliam o sistema de produção de hortaliças orgânicas.
     A Embrapa enquanto empresa pública de pesquisa e tecnologias atua também nas áreas de capacitação e transferência de tecnologias, subsidiando a construção de políticas públicas e de mercado, gerando conhecimentos não somente para o sistema de produção orgânico mais também para os processos de transição e na sistematização de experiências dos agricultores.
     No processo de transição agroecológica, já existem esforços para sistematização de experiências de agricultores em distintas regiões do país. Essas experiências nos trazem informações sobre como a diversidade e as relações com a produção são tratadas. Por exemplo, na região Serrana do Rio de Janeiro onde a introdução de caprinos leiteiros e galinhas poedeiras, de forma a ampliar a oferta de alimentos (ovos, leite e carne) e de dejetos, foram destinadas a complementar a adubação orgânica das áreas cultivadas com hortaliças. Desta forma, buscou-se reduzir a dependência das unidades em relação a insumos externos e, principalmente, diversificar a renda da unidade e garantir a segurança alimentar da família. As áreas de lavouras foram manejadas dentro dos princípios da agricultura orgânica e são certificadas pela ABIO, ao passo que, em relação ao manejo do componente animal buscou-se incorporar práticas agroecológicas de forma a caracterizar processos de transição de sistemas de manejo.
     Uma vez implantado o sistema de produção, o mais importante é reconhecer que existe a integração entre os diferentes componentes desse sistema e que isso demanda o desenvolvimento de pesquisas transdisciplinares, o que muitas vezes é dificultado. Quando se trata de produção de hortaliças, considera-se principalmente a conservação do solo e da água, fertilidade do solo, controle de pragas e doenças e manejo de plantas espontâneas. Considerando esses fatores, o objetivo é desenvolver tecnologias e estratégias de manejo que produzam sinergismo entre eles.
     Sobre a fitosanidade, por exemplo, existem resultados concretos que comprovam que o uso da diversidade pode controlar pragas, como o consórcio do tomate com coentro e botão de ouro em sistema orgânico responsável por reduzir a abundância de pragas (Medeiros et al., 2009). Outro exemplo é o uso de plantas aromáticas como a hortelã e o manjericão ou alfavaca, para controlar a hérnia das crucíferas quando cultivadas previamente a couve chinesa (Vidal, 2010).
     São muitas as experiências de sucesso que mostram resultados importantes de pesquisa para o avance da agricultura orgânica. Recentemente, foi realizado pela Embrapa o zoneamento agroecológico de Mato Grosso do Sul, e que servirá de base para o planejamento territorial, no sentido de diversificar os cultivos agrícolas. As atividades dominantes em Mato Grosso do Sul, atualmente, são a pecuária e o plantio da soja e um dos pontos da pesquisa foi o levantamento de aptidão para mais de 15 culturas, incluindo, além da soja, abacaxi, banana, eucalipto, girassol, citros, goiaba, seringueira, milho e hortaliças entre outras.
     Como reflexão final é importante considerar que enquanto a agricultura orgânica for tratada pela indústria da alimentação como um nicho de mercado e não conseguir ser vista pela importância na segurança alimentar que apresenta, as discussões seguirão relacionadas ao preço final pago pelo produtor e consumidor. Os sistemas orgânicos são inspiradores de um novo paradigma no modo de conceber a agricultura. As adaptações necessárias em face das mudanças climáticas globais exigem que os sistemas sejam resilientes, com habilidade para continuar funcionando mesmo sob eventos inesperados. Os agricultores familiares, os mais vulneráveis a todas essas transformações, necessitam de práticas naturais mais adaptadas às adversidades locais com o passar do tempo. E é aí que a agricultura orgânica desponta como alternativa potencial, pois se baseia nos processos ecológicos e melhor uso dos recursos naturais para desenvolver a resiliência através do desenvolvimento de técnicas de uso e manejo correto do solo, água, biodiversidade e paisagem, combinando o conhecimento tradicional das comunidades com o conhecimento científico, melhor adaptado às condições dos ecossistemas locais e regionais.

REFERÊNCIAS

DAROLT, MR. 2003. A qualidade dos alimentos orgânicos. Disponível em: http://www.planetaorganico.com.br/daroltqualid.htm. Acessado em 26/05/2011.

DAROLT, MR; SKORA NETO, F. 2002. Sistema de plantio direto em agricultura orgânica. Disponível em: http://www.aeadf.org.br/noticias/pdf/Sistema%20de%20Plantio%20Direto%20em%20Ag ricultura%20Org%C3%A2nica.pdf. Acessado em 30/05/2011.

MEDEIROS, MA; SUJII, ER; MORAIS, HC. 2009. Effect of plant diversification on abundance of South American tomato pinworm and predators in two cropping systems. Horticultura Brasileira 27: 300-306.

PRETTY, J; SUTHERLAND, WJ; ASHBY, J et al. 2010. The top 100 questions of importance to the future of global agriculture. International Journal Of Agricultural Sustainability 8: 219-236.

SOUZA, JL; RESENDE, P. 2006. Manual de Horticultura Orgânica. 2 ed. Viçosa: Ed. Aprenda fácil. 843p. VALLE, JCV; CARNEIRO, RG; HENZ, GP. 2007. Mercado e comercialização. In: HENZ, GP; ALCÂNTARA, FA; RESENDE, FV. Produção Orgânica de Hortaliças. Brasília; Embrapa Informação Tecnológica. p. 227-236. VIDAL, M.C. Efecto de la asociación de plantas aromáticas com Brassica spp. em el control de la hernia de las crucíferas (Plasmodiophora brassicae Woron.). 2010. 152f. Tese (Doutorado Agroecología, Sociología y Desarrollo Rural Sostenible) – Instituto de Sociologia y Estudios Campesinos, Universidade de Córdoba, Espanha. 2010.


VILELA, NJ; RESENDE, FV; CARNEIRO, RG. 2007. Custos de produção. In: HENZ, GP; ALCÂNTARA, FA; RESENDE, FV. Produção Orgânica de Hortaliças. Brasília; Embrapa Informação Tecnológica. p. 237-245.
Ferreira On 5/10/2018 10:36:00 AM Comentarios LEIA MAIS

domingo, 10 de junho de 2018

Educando com a Horta Escolar Sustentável


“Horta se parece com filho. Vai acontecendo aos poucos, a gente vai se alegrando a cada momento, cada momento é hora de colheita. Tanto o filho quanto a horta nascem de semeaduras. Semente, sêmen: a coisinha é colocada dentro, seja da mãe/mulher, seja da mãe/terra, e a gente fica esperando, pra ver se o milagre ocorreu, se a vida aconteceu. E quando germina -seja criança, seja planta - é uma sensação de euforia, de fertilidade, de vitalidade. Tenho vida dentro de mim! E a gente se sente um semideus, pelo poder de gerar, pela capacidade de despertar o cio da terra.”
 (Rubem Alves)

Horta da escola municipal Núcleo Rio Caeté, em Urussanga, SC

































Horta da escola municipal Ernesto César Mariot, em Urussanga, SC



Porque fazer uma horta escolar? 

     A reflexão sobre o meio ambiente que nos cerca e o repensar de responsabilidades e atitudes de cada um de nós, gera processos educativos ricos e significativos. A implantação e condução de hortas escolares é um valioso instrumento educativo e fundamental na formação de crianças comprometidas com o meio ambiente e com a sustentabilidade do planeta.Através de práticas ambientalmente corretas, promove-se a educação ambiental, conscientizando os alunos e pais sobre a importância da preservação e conservação dos recursos naturais (água, solo, flora e fauna)e, simultaneamente, complementando e enriquecendo através da merenda escolar, uma alimentação nutritiva, saudável e com menor custo, e assim, promovendo uma mudança de hábitos e atitudes relacionados à educação alimentar de todos.Vale destacar que a fome, a desnutrição e as consequentes enfermidades são resultantes da pouca ou má alimentação.A alimentação e a nutrição, são caminhos para uma vida saudável.Através da horta escolarpretende-se estimular os alunos a perceberem um espaço vivo, onde existe muita vida e todos juntos, formam uma cadeia, proporcionando uma produção sustentável e fonte de alimentação saudável para todas as gerações, sem riscos ao meio ambiente.Outro objetivo da horta escolar é resgatar junto à comunidade o hábito de produção de alimentos para auto-consumo e produção própria de mudas e sementes crioulas.Todos ganham com a horta escolar sustentável! os alunos, os pais dos alunos, os professores, a comunidade, o município e o meio ambiente. 

     O contato com a terra e, a descoberta de inúmeras formas de vida que ali existem e convivem, o encanto com as sementes que brotam, a prática diária do cuidado –o preparo do solo, semear, transplantar, desbrotar, tutorar, desbastar o excesso de plantas, adubar, regar e proteger os cultivos das pragas e doenças, é um exercício de paciência e perseverança, até que a natureza nos brinde com a transformação de pequenas sementes em hortaliças coloridas, saudáveis, frescas e, o mais importante, sem nenhum risco para a saúde dos alunos e do meio ambiente.Através das atividades na horta, os alunos se tornam multiplicadores na comunidade onde moram, levando para casa o que aprendem e fazendo com que as famílias interagem neste processo de mudança de comportamento em relação à alimentação e ao meio ambiente. Dependemos do meio ambiente para sobreviver e o meio ambiente depende de cada cidadão deste planeta. 


A importância das hortaliças orgânicas na nutrição e prevenção das doenças 


     Hortaliça é o nome dado a um grupo de mais de 100 espécies de plantas, das quais se utilizam diferentes partes na alimentação. Algumas são consumidas cruas ou cozidas, outras industrializadas e também como condimentos. Muitas são conhecidas do público em geral, mas algumas só aparecem em mercados regionais fazendo parte de pratos típicos. 

     A produção de hortaliças sem o uso de agrotóxicos e adubos químicos, contribui para a sustentabilidade do planeta, pois é realizada em paz com a natureza. As hortaliças, quando produzidas sem agroquímicos e, com técnicas ambientalmente corretas, são os alimentos ideais para toda a família, pois além de terem menor custo, mais sabor e conservação, são mais ricas em vitaminas, sais minerais, carboidratos, proteínas e fibras, além de possuirem virtudes dietéticas e até terapêuticas. Por isso, são incluídas pelos médicos em regimes alimentares e na composição do cardápio diário.As vitaminas não se acumulam no organismo, daí a necessidade do consumo diário de hortaliças.A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um consumo de vegetais superior a 400/pessoa/dia para preservar e/ou incrementar a saúde. 


     A vitamina A (vitamina da beleza), encontrada na cenoura, é fundamental para a saúde dos olhos, da pele, dos dentes e do cabelo, atuando sobre o crescimento e aumentando a resistência do organismo às doenças. As fontes mais significativas são: abóbora, agrião, alface, batata-doce, cenoura, couve, espinafre, pimentão, tomate, salsa e feijão-vagem. 

Numa horta orgânica as crianças podem visitar, participar, colher e até saborear a cenoura, fonte significativa de vitamina A (vitamina da beleza)


      A vitamina C é muito importante para o organismo aumentar a resistência às infecções, especialmente aos resfriados. As fontes mais significativas são: batata-doce, brócolis, couve, couve-flor, espinafre, pimentão, repolho, tomate e feijão-vagem.

A vitamina B estimula o apetite, auxilia no crescimento e no funcionamento normal dos nervos, facilita a digestão e fortalece a pele e o cabelo. É encontrada em quantidades suficiente no agrião, alface, beterraba, cenoura, couve-flor, ervilha, espinafre, pimentão, repolho e feijão-vagem
A vitamina E previne distúrbios cardiovasculares e neurológicos, acelera a cicatrização de ferimentos e aumenta a fertilidade. As fontes mais significativas são: alface e repolho.
A vitamina K é essencial para a coagulação do sangue e mineralização dos ossos. Está presente na alface, couve, couve-flor, ervilhya, espinafre, repolho e tomate.
Os sais minerais são reguladores exigidos em pequenas quantidades, como o cálcio, fundamental para a formação dos ossos e dos dentes, e o ferro, que faz parte do sangue e previne a anemia. As fontes mais significativas de cálcio são brócolis, couve, couve-flor e rabanete, enquanto que o ferro, na couve, espinafre e beterraba.
As fibras regulam a digestão e previnem diverticulite, arteriosclerose, apendicite, varizes, hemorroidas e tumores intestinais. Elas também auxiliam no controle do colesterol e da glicose. Estão presentes em quantidades razoáveis na abóbora, no almeirão, na alface, no aipo, no agrião, na chicória, na cebola, na couve, no espinafre, no jiló, no pimentão e na cenoura e beterraba cruas.
As proteínas, essenciais para a formação e renovação dos tecidos, são encontradas em quantidades razoáveis na ervilha, nos brócolis, na couve-flor, na beterraba, na vagem, no espinafre, na batata e na batata-doce. As duas últimas também são as principais fontes de carboidratos, responsáveis pela energia.
     Além da importância nutricional e medicinal, a implantação de uma horta tem sido cada vez mais importante como terapia ocupacional para as pessoas de todas as faixas de idade viverem mais e melhor. O cultivo de hortaliças, quando realizado com prazer, torna-se uma terapiaeficiente para problemas como estresse, depressão e outros, além de melhorar a autoestima das pessoas.O cultivo de uma horta orgânica e sustentável melhora a qualidade de vida das pessoas, pois além de garantir alimentos saudáveis, nutritivos e saborosos mais baratos, previne e até cura doenças, educa, ocupa e, quando implantada com prazer, proporciona lazer e exercícios ao ar livre. 

Como tornar a horta escolar, sustentável?

     O termo “desenvolvimento sustentável” foi utilizado pela primeira vez, em 1983, por ocasião da criação da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, pela ONU (Organização das Nações Unidas).Atualmente a palavra “sustentabilidade” está em destaque e, tem sido cada vez mais uma preocupação mundial, felizmente. Não se trata de modismo, pois exemplos de sustentabilidadesão relatados em todos os setores de produção, mostrando a preocupação com o meio ambiente.Meio ambiente é toda a natureza que nos cerca, nos envolve, inclusive nós mesmos e nossa relação com o mundo em que vivemos. Tudo está interligado - pessoas, animais, florestas, rios, lagos, mares, oceanos, cidades, além do ar que respiramos. Todos dependemos do meio ambiente para sobreviver. Desenvolvimento sustentável tem sido definido como “modelo econômico capaz de satisfazer as necessidades das gerações atuais, levando em consideração as necessidades e interesses das futuras gerações”;ou seja, a sustentabilidade está diretamente relacionada ao desenvolvimento econômico e material sem agredir o meio ambiente, usando os recursos naturais de forma inteligente para que eles se mantenham no futuro. É o desenvolvimento que não esgota os recursos naturais para o futuro, conciliando crescimento econômico  e preservação da natureza.Qualquer país que provoque a exaustão de seus recursos naturais em nome da riqueza à curto prazo, causará danos à sua população. O desenvolvimento sustentável prioriza a qualidade em vez de quantidade, com a redução do uso de matérias-primas e produtos e o aumento da reutilização e da reciclagem.
     Sendo o planeta terra a “Casa Comum”, tema da campanha da fraternidade deste ano, é responsabilidadede todos preservar o meio ambiente e garantir a sustentabilidade para que as futuras gerações possam usufruir da natureza. Segundo a Constituição Federal:“Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. Quando desrespeitamos a natureza, não utilizamos de forma sustentável os rios, as florestas, o solo, o ar e tudo aquilo que é necessário para a vida do planeta e demonstramos que não estamos pensando nas futuras gerações e, além disso, transmitimos a ideia de que precisamos extrair tudo agora e que todos os recursos naturais são infinitos.
Assim sendo, para que uma  horta escolar seja considerada sustentável, terá de continuar a produzir, numa sucessão sem fim, basicamente com um mínimo de compra de materiais para confeccionar os canteiros, de insumos(sementes, adubos, produtos alternativos para o manejo de pragas e doenças) e água de qualidade para irrigação.  
Contrução dos canteiros: a sustentabilidade da horta começa na preparação dos canteiros, sempre aproveitando os materiais disponíveis e descartados, como por exemplo, garrafas PET e pneus velhos. Segundo especialistas, “lixo” não existe! Quase tudo pode ser reutilizado, reciclado ou transformado. O “lixo”, assim como a sociedade e o meio em que vivemos, pertence a todos nós. Somos nós que produzimos, por issocabe a todos nós cuidar dele.  Ao construir os canteiros, as crianças, desde cedo, aprendem a prática dos três Erres!REDUZIR, RECICLAR e REUTILIZAR!
Início do preparo dos canteiros pelas mães dos alunos da escola Núcleo Rio Caeté, em Urussanga



Canteiros construídos com garrafas pet e pneus descartados e já cultivados com hortaliças na escola Núcleo Rio Caeté, em Urussanga

Produção de adubo natural, aproveitando o “lixo” orgânicoUm dos maiores potenciais desperdiçados é o não aproveitamento do “lixo” orgânico (em torno de 70%) que, geralmente, vem de restos de alimentos e de vegetais.Esse “lixo” pode se transformar em um adubo natural,  de ótima qualidade, sem custo, ao passar por um processo chamado compostagem.Outra razão, muito importante, para se fazer a compostagem está no fato que as atividades agropecuárias cada vez mais crescentes, geram grande quantidade de restos culturais, resíduos agroindustriais e dejetos de animais (gado e aves) que, caso não sejam reciclados ou compostados, provocam sérios problemas de poluição ambiental. 
O que é compostagem? é um processo natural de decomposição da matéria orgânica de origem animal ou vegetal que conta com a ajuda dos microorganismos do solo (fungos e bactérias), resultando no composto orgânico, um adubo de ótima qualidade  e, o mais importante, não polui o meio ambiente.
Benefícios do composto orgânico: além de aumentar a vida do solo, favorecendo a reprodução de microorganismos benéficos aos cultivos,atua como condicionador e melhorador das propriedades físicas do solo, é uma boa fonte de macronutrientes, possui micronutrientes essenciais para o desenvolvimento das plantas e, ainda reduz a acidez do solo, ao contrário dos adubos químicos e estercos de animais que podem salinizar, acidificar e contaminar o solo e os rios.  Convém destacar também que, em funçãoda alta temperatura que alcança o processo da compostagem (até 65ºC), durante a fermentação, os microorganismos causadores de doenças das plantas e as sementes de plantas espontâneas (“mato”) não sobrevivem.

Como fazer a compostagem? especificamente em relação à adubação das plantas, fundamental para o sucesso da horta sustentável, deverá ser feito pelos alunos, periodicamente, o composto orgânico, utilizando-se os restos de cultivos,corte de diversos capins e plantas espontâneas que forneçam massa verde, folhas das árvores, aparas de grama e restos de merenda (comida, com excessão de carnes,  cascas de frutas, hortaliças e de ovos, borra de café, entre outros).Ao fazer o composto orgânico, os alunos aprendem bem cedo que o que iria para o lixo, pode ser transformado em adubo natural para o jardim e horta, reduzindo significativamente o odor desagradável e diminuindo o trabalho na coleta do lixo. Para o preparo do composto orgânico (compostagem), deve-se  reservar  dois pequenos espaços (4 m x 2 m) para as composteiras, em área com pequeno declive,  no fundo da escola. A composteira pode ser feita de tijolos ou de madeira (0,5 m de altura), deixando-se aberturas para ventilação e o próprio piso do solo. O método mais prático e difundido, consiste em montar as pilhas, alternando-se restos vegetais de cultivos, capins, palhas, plantas espontâneas (“mato”), aparas de grama, folhas de árvores, restos domésticos (alimentos com excessão de carne, cascas de ovos, hortaliças e frutas, borra de café e erva-mate) e  resíduos de agroindústrias (bagaço de cana), com meios de fermentação (estrume fresco de animais), numa proporção aproximada de 3 a 5 partes (10 à 15 cm) de vegetais para 1 parte (5 cm) de esterco fresco de animais ou de terra. A cada camada realizada, deve-se irrigar, sem encharcar.Quanto maior a diversidade e  mais picado os vegetais utilizados, tanto mais rápido, o composto fica pronto para ser utilizado. Após o enchimento da composteira, recomenda-se fazer 3  revolvimentos do composto (a cada 15 dias), para melhorar o arejamento e caso não chova por muito tempo, irrigar. Após pronto, o composto (4 a 5 meses no verão), deve-se cobri-lo com plástico ou ensacá-lo e guardá-lo em ambiente coberto.Quando bem feita, a composteira não atrai moscas e não exala odor desagradável.

Composteira de madeira e de tijolos






Produção de mudas e sementes próprias: Na produção de uma horta sustentável, com base agroecológica, deve-se sempre que possível, tornar-se independente de insumos externos, priorizando, quando possível o resgate das variedades crioulas e/ou multiplicando as mudas e sementes de variedades comerciais que tenham se destacado. O uso e manutenção de variedades crioulas é muito importante na sustentabilidade da horta, pois são sementes com grande variabilidade genética,  rústicas e resistentes às doenças e pragas, melhoradas ao longo do tempo e, conservadas pelos agricultores, de geração para geração. Ao serem selecionadas as sementes vão se adaptando às mudanças climáticas com o tempo e, por isso, garantem maior estabilidade ou seja, mesmo em condições desfavoráveis, ainda assim haverá alguma produção. Com a “modernização” da agricultura as variedades crioulas foram sendo substituídas por variedades industriais e, especialmente híbridos e, mais recentemente, transgênicos, causando a dependência dos agricultores, a perda da agrobiodiversidade e, o que é pior, aumentando o risco para a saúde das atuais e futuras gerações (ex.: sementes transgênicas). Como exemplos de mudas e sementes que devem serem multiplicadas, podemos destacar a produção própria de ramas (mudas) de aipim e batata-doce e de sementes de alface (variedade crioula), tomate cereja (perinha), abobrinha, moranga, pepino, milho, entre outras.

Preparado de plantas e uso de plantas repelentes para o manejo de pragas e doenças: Em ambientes equilibrados e saudáveis, utilizando-se o composto orgânico (adubo orgânico natural), normalmente, não ocorre pragas e doenças. No entanto, especialmente na primavera, estação do ano de fertilidade e de grande atividade na natureza, poderão ocorrer algumas pragas que causam danos nas plantas, além de favorecerem o surgimento de doenças. Considerando que a proposta da horta é de ser sustentável e que os insumos químicos (agrotóxicos) prejudicam a vida do solo e do meio ambiente, além de aumentar o custo de produção, serão utilizados produtos alternativos produzidos na escola, a partir de preparados de plantas medicinais, sempre e somente quando necessários. Como exemplo, citamos a sálvia e o boldo (plantas medicinais plantadas na horta), ótimos repelentes da borboleta que põe os ovos nas plantas, dando origem as lagartas que atacam severamente as couves, repolho, brócolis e couve-flor. Outro produto alternativo muito eficiente para o manejo de vaquinhas, pulgões, grilos, paquinhas e outros insetos é o preparado com pimenta malagueta, muito fácil de ser produzido na escola.

Sálvia: planta medicinal que repele a borboleta que origina as lagartas





Biodiversidade e o manejo de pragas com o auxílio dos inimigos naturais: Um dos princípios para termos uma agricultura mais sustentável é a preservação e ampliação da biodiversidade ou diversidade biológica. Para o sucesso da agricultura orgânica deve-se procurar imitar, dentro do possível, o que ocorre numa floresta, onde todos os seres vivos estão em perfeito equilíbrio. Mas como preservar e ainda ampliar a biodiversidade e ainda obter lucro sem prejudicar o meio ambiente? Educação ambiental; Praticar agricultura orgânica: adubação orgânica, nunca utilizar agrotóxicos e adubos químicos, considerar as plantas espontâneas (“mato”) como plantas “amigas”, fazer rotação e consorciação de culturas, plantio direto e outras práticas; Produzir alimentos no sistema de produção agroflorestal, conciliando agricultura, pecuária e floresta; Proteger e fazer o plantio de árvores; Implantação nas propriedades de cordões de contorno ou cercas vivas e sempre que possível, deixar algumas áreas com vegetação espontânea. No planejamento da horta, deve-se reservar espaço para as principais plantas medicinais, condimentares e aromáticas, pois além de terem propriedades terapêuticas, servem para auxiliar no controle de pragas e deonças das hortaliças. Quanto maior é o número de espécies de plantas numa horta ou propriedade, maior são as chances dos inimigos naturais das pragas dos cultivos, de sobreviverem e, exercerem sua função. Todas as pragas das culturas tem seus inimigos naturais que as devoram, diminuindo e até eliminando o problema. Daí a importância de diversificar os cultivos o máximo possível (rotação e consorciação de cultivos), plantio de diferentes espécies de plantas e até preservar refúgios naturais como as matas, cercas vivas e capoeiras para manter a diversidade natural da fauna (ácaros predadores, aranhas, insetos, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Todos fazem parte do grande conjunto natural e cada um contribui para a manutenção do equilíbrio da natureza. Como exemplo, citamos as joaninhas (figura abaixo) que comem pulgões, praga que ataca especialmente a couve, repolho, brócolis e couve-flor. 


Joaninha, atacando os pulgões


Irrigação: Embora dois terços do planeta terra seja formado por água, apenas 0,008 % do total é potável (própria para o consumo). E, o que é pior, grande parte das fontes desta água (rios, lagos e represas) está sendo contaminada, poluída e degradada pela ação predatória do homem. Esta situação é preocupante, pois poderá faltar, num futuro próximo, água para o consumo de grande parte da população mundial. Sendo a água de qualidade, um recurso natural cada vez mais escasso e, considerando que busca-se uma horta sustentável, recomenda-se que seja instalado na escola, com orientação de técnicos especializados, uma cisterna, objetivando o aproveitamento da água da chuva para a irrigação e também limpeza. O cultivo de hortaliças sem complementação de água de boa qualidade, através da irrigação, é praticamente, impossível, pois historicamente as chuvas que ocorrem em Santa Catarina são muito irregulares. As hortaliças, por terem ciclo curto, sofrem mais que outras espécies com pequenos períodos de estiagem. Além disso, a maioria das hortaliças são exigentes, pois apresentam em sua composição mais de 85% de água. A qualidade da água é muito importante, pois grande parte das hortaliças são consumidas cruas.
Cisterna de 2000 litros da escola Núcleo Rio Caeté, em Urussanga, SC para coleta de água da chuva para irrigação da horta








Planejamento, implantação e condução da horta escolar sustentável
A produção de hortaliças saudáveis e nutritivas, de boa qualidade o ano todo, em quantidade suficiente para os alunos e professores da escola é relativamente fácil. Para isso, basta ter uma pequena área de terra ensolarada na maior parte do dia, água de boa qualidade, algumas ferramentas, disposição para trabalhar e algumas orientações.O tamanho da horta varia de acordo com a finalidade, a disponibilidade de terra e mão de obra, o número de pessoas beneficiadas e as hortaliças cultivadas. Uma pessoa trabalhando algumas horas por dia pode cuidar de uma horta de 150 a 200m2.
Na implantação da horta, inicialmente deverão ser confeccionados os canteiros construídos com materiais reciclados tais como garrafas pet e pneus velhos descartados Posteriormente, será feito o revolvimento do solo com pá de corte e incorporação do adubo, preferencialmente o composto orgânico ou esterco curtido de animais.Especificamentenestas tarefas serão convidados os pais dos alunos para auxiliarem. Os alunos deverão participarem ativamente de todas as atividades de plantio, adubação, irrigação diária, capinas e colheita de diversas hortaliças (tomate cereja, pimentão, couve,brócolis, repolho, alface, beterraba, cebolinha verde, salsa, radiche, rúcula, cenoura, espinafre, cebola, milho verde e couve-flor) e de inúmeras plantas medicinais e aromáticas (capim-limão, sálvia, hortelã, orégano, funcho, poejo, manjerona, manjericão, coentro, boldo, camomila, malva, guaco, arruda e alecrim) que servem tempero e como plantas repelentes de insetos-pragas e no manejo de de algumas doenças, através de preparados. A natureza foi à primeira farmácia da humanidade. Por isso, no planejamento da horta deve-se reservar espaço para as principais espécies de plantas medicinais, pois elas proporcionam ao organismo humano sais minerais, ajudam a eliminar toxinas, limpando o sangue de impurezas e tonificando o estômago, os intestinos, os rins e o coração. Além de terem propriedades terapêuticas, algumas são utilizadas no manejo de pragas e doenças de hortaliças. Durante as férias escolares (dezembro, janeiro e fevereiro)e também, devido ao clima desfavorável para a maioria dos cultivos, será priorizado o plantio de adubos verdes (mucuna), consorciado com milho verde (variedades), objetivando restaurar a fertilidade do solo, multiplicar as sementes de  variedades de milho e fazer rotação de culturas, visando a redução de pragas,  doenças e plantas espontâneas (“mato”) ocorridas na horta.  
Dependendo da área disponível, sempre que possível, recomenda-se o plantio de um pequeno pomar com árvores frutíferas como acerola, araçá, bergamota, limão e maracujá, entre outras, para complementação na merenda dos alunos e no fornecimento de sucos naturais e nutritivos.


Pomar da escola Núcleo Rio Caeté, em Urussanga
Em todas as atividades dos alunos, sempre que possível, os professores devem auxiliar,  supervisionando os alunos em todas as fases de implantação e condução da horta.


Professora orientando os alunos na irrigação, na horta da escola do Rio Caeté, em Urussanga


Dez razões para você cultivar no sistema orgânico uma horta e um pomar doméstico


1. As frutas e hortaliças são mais saborosas e nutritivas.
2. Você tem frutas e hortaliças frescas ao seu alcance o ano inteiro.
3. Ao consumir frutas e hortaliças saudáveis diariamente, você se previne de doenças.
4. No cultivo orgânico, as substâncias químicas (adubos, agrotóxicos e outros) prejudiciais à saúde ficam fora de seu prato.
No sistema orgânico, as frutas e hortaliças são produzidas sem agrotóxicos (inseticidas, fungicidas e herbicidas) e sem adubos químicos e outros produtos prejudiciais à saúde.
5. Você protege a sua geração e as futuras.
6. Ao cultivar no sistema orgânico, você estará fazendo as pazes com a natureza.
O planeta Terra é composto por dois terços de água. Ao cultivar no sistema tradicional, a maioria dos agrotóxicos e adubos químicos infiltram-se nos lençóis freáticos e córregos de água, contaminando-os. Na agricultura orgânica os solos são vivos e saudáveis pois, além de não serem revolvidos (plantio direto ou cultivo mínimo), são mantidos nas entrelinhas com cobertura vegetal ou adubação verde, e também são adotadas outras práticas, como rotação, sucessão e consorciação de culturas. Com o solo saudável e as plantas bem nutridas, as pragas e doenças normalmente não ocorrem.
7. Você produz alimentos com menor custo e de melhor qualidade.
8. É uma ótima forma de você fazer terapia ocupacional e exercícios ao ar livre.
9. Você ajuda a restaurar a biodiversidade.
10. Você ajuda a reduzir o aquecimento global.
O solo tratado com substâncias químicas libera uma quantidade enorme de gás carbônico, gás metano e óxido nitroso, principais causas do aquecimento global (adaptado de www.planetaorganico.com.br).



quinta-feira, 10 de maio de 2018

Cultivo Orgânico de Hortaliças

Autor: Mariane Carvalho Vidal - Embrapa Hortaliças, Caixa Postal 218, CEP 70359-970, Brasília, DF. mariane@cnph.embrapa.br

Fonte: Hortic. bras., v.29, n. 2 (Suplemento - CD ROM), julho 2011.


INTRODUÇÃO
     No artigo publicado no ano passado sobre as 100 questões mais importantes para o futuro da agricultura global (Pretty et al., 2010), a sustentabilidade aparece como ponto fundamental para o desafio de alimentar uma população do ordem de 9 bilhões de pessoas projetada para um futuro próximo. Dessa forma, o panorama para os próximos anos indica a necessidade de profundos câmbios em nosso sistema produtivo.
     O cultivo orgânico aparece não somente como uma forma alternativa ao sistema agroindustrial atual da agricultura mais, como uma forte base para uma mudança de paradigma da relação da sociedade com a agricultura. O resgate das questões sociais, ecológicas e ambientais no trato com a agricultura é o grande diferencial desse sistema, pois permite a equidade e o equilíbrio das relações e a sua sustentabilidade no tempo e no espaço.
     As hortaliças são, em muitos agroecosistemas, um componente chave para a diversificação, pois geralmente são de ciclo curto, o intervalo para o plantio também é curto, de uma semana a 15 dias em algumas espécies, a área ocupada por ciclo de cultivo é variável dependendo da espécie, o que facilita o redesenho das propriedades. Ainda, o retorno econômico é rápido e alguns produtos exigem pouco processamento, podendo ser vendidos in natura e são de fácil aceitação no mercado.
     Contudo, ainda existem muitos desafios para o desenvolvimento do sistema produtivo de hortaliças orgânicas. São muitos os problemas enfrentados pelos agricultores especialmente no que diz respeito ao manejo de solo e controle de pragas, doenças e plantas espontâneas. São esses alguns exemplos que limitam muitas vezes, o crescimento de áreas produtivas no sistema orgânico. Assim, vamos discutir nesse trabalho os desafios e as propostas para incrementar o sistema de produção de olerícolas orgânicas.

PROBLEMAS
      Atualmente, o campo sofre as conseqüências da simplificação da agricultura, que seguiu o modelo da monocultura preconizado pela Revolução verde. São algumas dessas conseqüências: erosão, contaminação de solos e mananciais hídricos, desequilíbrios biológicos e crescente resistência das pragas aos agrotóxicos. A necessidade de mudança para uma estratégia mais conservacionista e preservacionista da agricultura é urgente.
     A conversão à horticultura orgânica bem como seu manejo exigem profundos conhecimentos agronômicos e ecológicos, como também das particularidades da propriedade rural, da qualidade e quantidade dos recursos humanos (Souza e Resende, 2006) e ainda da paciência e persistência do agricultor. Essas questões aliadas à falta de tecnologia para a produção, de assistência técnica especializada e canais de comercialização dos produtos, são os problemas mais importantes apontados pelos agricultores.
     Não são somente as questões relacionadas diretamente ao agricultor e seu sistema produtivo mais a preocupação da sociedade pelo consumo de alimentos mais “limpos” exigem cada vez mais do mercado a oferta de produtos oriundos de agricultura orgânica. Um exemplo muito cotidiano é o caso da presença elevada de nitratos nas hortaliças. A elevação do teor de nitrato nas plantas se dá pela oferta excessiva de adubos nitrogenados especialmente nas hortaliças folhosas de consumo in natura. O problema neste caso está relacionado ao efeito do nitrato na saúde humana que uma vez ingerido, pode ser transformado em nitrito e combinarse com as aminas para formar as nitrosaminas. Essas substâncias são cancerígenas, mutagênicas e teratogênicas (Darolt, 2003).
     Essas e outras questões fazem parte do debate atual na sociedade e leva a um repensar das formas de produção e consumo e das nossas relações com a indústria da alimentação.

LIMITAÇÕES
     Apesar dos avanços das pesquisas em horticultura orgânica ainda assim, existem pontos de limitação importantes a serem considerados e que influenciam a opção por adotar esse sistema.
     Segundo um levantamento das demandas da pesquisa encaminhadas pelas Comissões de Produção Orgânica (CPOrg) de distintos estados do país, sanidade vegetal, sistemas de produção vegetal e animal, processamento de alimentos e questões de socioeconomia como os sistemas de comercialização de produtos orgânicos são os temas mais importantes e que necessitam atuação direta do componente pesquisa e extensão. Mesmo que alguns desses fatores tenham sido explorados na literatura com a apresentação de resultados, ainda existem pontos específicos que precisam ser mais bem estudados e adaptados as condições inerentes à produção orgânica.
     Uma questão bastante recorrente e que é apontada como um limitante para a conversão ao sistema produtivo é o preço do produto orgânico. As dimensões éticas, sociais e ambientais que apresenta a agricultura orgânica não podem ser desconsideradas principalmente quando se discute o preço dos produtos orgânicos. Por suas características, a agricultura orgânica tem contribuído para a fixação no campo de um expressivo contingente de produtores familiares anteriormente excluídos. Os consumidores dos produtos orgânicos, ao priorizarem sua saúde e bem estar estão conscientes de que também promovem a qualidade de vida e saúde para os trabalhadores rurais e na conservação do meio ambiente (Valle et al., 2007). Outro fator relacionado ao preço é que o mercado orgânico ainda é visto como uma estratégia ou nicho de mercado principalmente pelos grandes centros de distribuição que reduzem sua margem de lucro, elitizando os produtos.
     As limitações da horticultura orgânica não podem estar baseadas nos preços de produção e consumo, pois quando se compara com o sistema convencional, observa-se que os custos variáveis de produção são mais baixos para algumas culturas no sistema orgânico (Vilela et al., 2007). Em um estudo comparativo entre os sistemas de cultivo de soja orgânica e convencional do ano de 2002 (Darolt e Skora Neto, 2002) foi constatado que tanto em adubos como em insumos para controle de doenças, os custos no sistema orgânico foram menores comparativamente ao convencional.
      Outras questões consideradas por muitas como limitações tais como mão de obra e acesso a informação, devem ter uma reflexão mais profunda da forma como são percebidas no sistema orgânico.

SOLUÇÕES TÉCNICAS
     Com base nesse panorama, muito se avançou nas soluções técnicas que auxiliam o sistema de produção de hortaliças orgânicas.
     A Embrapa enquanto empresa pública de pesquisa e tecnologias atua também nas áreas de capacitação e transferência de tecnologias, subsidiando a construção de políticas públicas e de mercado, gerando conhecimentos não somente para o sistema de produção orgânico mais também para os processos de transição e na sistematização de experiências dos agricultores.
     No processo de transição agroecológica, já existem esforços para sistematização de experiências de agricultores em distintas regiões do país. Essas experiências nos trazem informações sobre como a diversidade e as relações com a produção são tratadas. Por exemplo, na região Serrana do Rio de Janeiro onde a introdução de caprinos leiteiros e galinhas poedeiras, de forma a ampliar a oferta de alimentos (ovos, leite e carne) e de dejetos, foram destinadas a complementar a adubação orgânica das áreas cultivadas com hortaliças. Desta forma, buscou-se reduzir a dependência das unidades em relação a insumos externos e, principalmente, diversificar a renda da unidade e garantir a segurança alimentar da família. As áreas de lavouras foram manejadas dentro dos princípios da agricultura orgânica e são certificadas pela ABIO, ao passo que, em relação ao manejo do componente animal buscou-se incorporar práticas agroecológicas de forma a caracterizar processos de transição de sistemas de manejo.
     Uma vez implantado o sistema de produção, o mais importante é reconhecer que existe a integração entre os diferentes componentes desse sistema e que isso demanda o desenvolvimento de pesquisas transdisciplinares, o que muitas vezes é dificultado. Quando se trata de produção de hortaliças, considera-se principalmente a conservação do solo e da água, fertilidade do solo, controle de pragas e doenças e manejo de plantas espontâneas. Considerando esses fatores, o objetivo é desenvolver tecnologias e estratégias de manejo que produzam sinergismo entre eles.
     Sobre a fitosanidade, por exemplo, existem resultados concretos que comprovam que o uso da diversidade pode controlar pragas, como o consórcio do tomate com coentro e botão de ouro em sistema orgânico responsável por reduzir a abundância de pragas (Medeiros et al., 2009). Outro exemplo é o uso de plantas aromáticas como a hortelã e o manjericão ou alfavaca, para controlar a hérnia das crucíferas quando cultivadas previamente a couve chinesa (Vidal, 2010).
     São muitas as experiências de sucesso que mostram resultados importantes de pesquisa para o avance da agricultura orgânica. Recentemente, foi realizado pela Embrapa o zoneamento agroecológico de Mato Grosso do Sul, e que servirá de base para o planejamento territorial, no sentido de diversificar os cultivos agrícolas. As atividades dominantes em Mato Grosso do Sul, atualmente, são a pecuária e o plantio da soja e um dos pontos da pesquisa foi o levantamento de aptidão para mais de 15 culturas, incluindo, além da soja, abacaxi, banana, eucalipto, girassol, citros, goiaba, seringueira, milho e hortaliças entre outras.
     Como reflexão final é importante considerar que enquanto a agricultura orgânica for tratada pela indústria da alimentação como um nicho de mercado e não conseguir ser vista pela importância na segurança alimentar que apresenta, as discussões seguirão relacionadas ao preço final pago pelo produtor e consumidor. Os sistemas orgânicos são inspiradores de um novo paradigma no modo de conceber a agricultura. As adaptações necessárias em face das mudanças climáticas globais exigem que os sistemas sejam resilientes, com habilidade para continuar funcionando mesmo sob eventos inesperados. Os agricultores familiares, os mais vulneráveis a todas essas transformações, necessitam de práticas naturais mais adaptadas às adversidades locais com o passar do tempo. E é aí que a agricultura orgânica desponta como alternativa potencial, pois se baseia nos processos ecológicos e melhor uso dos recursos naturais para desenvolver a resiliência através do desenvolvimento de técnicas de uso e manejo correto do solo, água, biodiversidade e paisagem, combinando o conhecimento tradicional das comunidades com o conhecimento científico, melhor adaptado às condições dos ecossistemas locais e regionais.

REFERÊNCIAS

DAROLT, MR. 2003. A qualidade dos alimentos orgânicos. Disponível em: http://www.planetaorganico.com.br/daroltqualid.htm. Acessado em 26/05/2011.

DAROLT, MR; SKORA NETO, F. 2002. Sistema de plantio direto em agricultura orgânica. Disponível em: http://www.aeadf.org.br/noticias/pdf/Sistema%20de%20Plantio%20Direto%20em%20Ag ricultura%20Org%C3%A2nica.pdf. Acessado em 30/05/2011.

MEDEIROS, MA; SUJII, ER; MORAIS, HC. 2009. Effect of plant diversification on abundance of South American tomato pinworm and predators in two cropping systems. Horticultura Brasileira 27: 300-306.

PRETTY, J; SUTHERLAND, WJ; ASHBY, J et al. 2010. The top 100 questions of importance to the future of global agriculture. International Journal Of Agricultural Sustainability 8: 219-236.

SOUZA, JL; RESENDE, P. 2006. Manual de Horticultura Orgânica. 2 ed. Viçosa: Ed. Aprenda fácil. 843p. VALLE, JCV; CARNEIRO, RG; HENZ, GP. 2007. Mercado e comercialização. In: HENZ, GP; ALCÂNTARA, FA; RESENDE, FV. Produção Orgânica de Hortaliças. Brasília; Embrapa Informação Tecnológica. p. 227-236. VIDAL, M.C. Efecto de la asociación de plantas aromáticas com Brassica spp. em el control de la hernia de las crucíferas (Plasmodiophora brassicae Woron.). 2010. 152f. Tese (Doutorado Agroecología, Sociología y Desarrollo Rural Sostenible) – Instituto de Sociologia y Estudios Campesinos, Universidade de Córdoba, Espanha. 2010.


VILELA, NJ; RESENDE, FV; CARNEIRO, RG. 2007. Custos de produção. In: HENZ, GP; ALCÂNTARA, FA; RESENDE, FV. Produção Orgânica de Hortaliças. Brasília; Embrapa Informação Tecnológica. p. 237-245.
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