quarta-feira, 10 de maio de 2017

Fonte: Livro da Embrapa Hortaliças – Brasília, DF. Interessados em adquirir o livro “PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – Coleção 500 Perguntas – 500 Respostas” devem entrar em contato através do email: vendas@sct.embrapa.br;              Para ver o livro completo, acessar: http://mais500p500r.sct.embrapa.br/view/pdfs/90000021-ebook-pdf.pdf

     Com o objetivo de divulgar e aumentar o conhecimento sobre agricultura orgânica,  estamos transcrevendo  do livro, algumas perguntas e respostas que consideramos mais relevantes.


Capítulo 9 – Manejo de Insetos-Praga e Artrópodes


Autores:  Maria Alice de Medeiros, Geni Litvin Villas Bôas e Marina Castelo Branco


O que é uma praga?

     Até bem pouco tempo atrás, havia uma separação bem definida entre pragas (insetos, artrópodes, ácaros), doenças (fungos, vírus, bactérias, nematóides) e plantas espontâneas (plantas daninhas, no sistema convencional). Atualmente, considera-se ‘praga’ qualquer organismo vivo (insetos, fungos, bactérias, vírus, nematóides, plantas espontâneas e outros) que, em determinadas condições, alcance população elevada e afete um determinado cultivo, de forma direta ou indireta, causando prejuízos econômicos.

Como surgem os insetos-praga?

     Com a implantação de um sistema de agricultura simplificado e instável, típico da agricultura convencional, e a remoção da vegetação nativa pode ocorrer uma redução da diversidade de espécies. Essas mudanças podem favorecer a adaptação de algumas espécies de pragas a esses recursos abundantes, formando populações numerosas. Em geral, a população de inimigos naturais não acompanha o crescimento populacional da praga e não contribui para seu controle. Além disso, o uso intensivo de agrotóxicos, em geral, causa a mortalidade de inimigos naturais.

É verdade que insetos ou artrópodes só se tornam praga quando há um desequilíbrio?

     Sim. Os ecossistemas naturais são ambientes equilibrados que apresentam todos os componentes da cadeia alimentar exercendo sua função. Quanto mais distante um agroecossistema estiver de um modelo de ecossistema natural, maior será sua tendência ao desequilíbrio. É por essa razão que as monoculturas são mais suscetíveis às pragas, pois existe uma desproporção entre a população de espécies-praga e seus inimigos naturais, causada pela grande oferta de um só alimento. A retirada da vegetação nativa e o uso freqüente de produtos químicos são exemplos de situações que causam desequilíbrio porque reduzem o número de algumas espécies, ao mesmo tempo em que favorecem o desenvolvimento de outras que, ao longo do tempo, irão aumentar rapidamente sua quantidade e provavelmente se tornarão pragas. É importante salientar que o manejo do ambiente tem influência direta sobre seu estado de equilíbrio.

O que são inimigos naturais?

     Os inimigos naturais ou agentes de controle biológico, como também são chamados, podem ser microrganismos (vírus, bactérias, fungos, protozoários e nematóides) ou animais (ácaros predadores, aranhas, insetos e vertebrados). Esses agentes auxiliam o agricultor na medida em que podem causar mortalidade aos insetos herbívoros, seja provocando doenças (vírus, bactérias, fungos), seja utilizando a praga em sua alimentação (predadores), seja utilizando a praga como hospedeiro (parasitóides). Dentre todos os agentes empregados em controle biológico, os insetos são extremamente importantes, tanto pelo número e diversidade de espécies quanto por sua facilidade de manipulação e eficiência. Onde os inimigos naturais podem ser encontrados? Os inimigos naturais, como os predadores e parasitóides, estão sempre presentes no ambiente, especialmente em agroecossistemas onde não se utilizam agrotóxicos. Os insetos predadores são encontrados em quase todas as ordens de insetos, portanto apresentam grande diversidade, como joaninha, lixeiro, vespa, louva-a-deus, tesourinha-do-cartucho-do-milho, formigas predadoras, além de artrópodes, como aranhas e ácaros predadores. Os insetos parasitóides ocorrem principalmente em duas ordens (Díptera e Himenóptera). Porém, por serem pequenos, dificilmente os parasitóides são observados no ambiente. Para encontrar o parasitóide deve-se coletar a praga na fase suscetível (ovo ou larva) e mantê-la viva durante alguns dias em observação até a emergência do parasitóide adulto, ou utilizar um aspirador entomológico para coletá-lo diretamente no ambiente, como a Trichogramma pretiosum.

O que são insetos predadores?

     Insetos predadores são os que utilizam outros insetos como presa para alimentar-se. São de vida livre e durante sua existência atacam e consomem numerosas presas. A dieta é variada, podendo ocorrer espécies cuja dieta é generalista (vários tipos de presas) ou especialista (um tipo de presa). Para a captura de suas presas, os predadores são dotados de diversas adaptações, como visão e olfato bem desenvolvidos e pernas ágeis. O que são insetos parasitóides? Insetos parasitóides são os que precisam de um hospedeiro, durante a fase jovem, para completar seu desenvolvimento. Isso significa que a fase larval do parasitóide desenvolve-se às custas do hospedeiro e somente a fase adulta é de vida livre. Quando o parasitóide completa seu desenvolvimento, ou seja, torna-se adulto, seu hospedeiro morre. Logo que emerge, o parasitóide acasala e procura por novos hospedeiros para depositar seus ovos.

O que são insetos parasitóides?

     Insetos parasitóides são os que precisam de um hospedeiro, durante a fase jovem, para completar seu desenvolvimento. Isso significa que a fase larval do parasitóide desenvolve-se às custas do hospedeiro e somente a fase adulta é de vida livre. Quando o parasitóide completa seu desenvolvimento, ou seja, torna-se adulto, seu hospedeiro morre. Logo que emerge, o parasitóide acasala e procura por novos hospedeiros para depositar seus ovos.

O que são entomopatógenos?

     São diversos tipos de organismos que causam doenças e morte nos insetos, como vírus, bactérias e fungos. Potencialmente, podem ser usados como agentes de controle biológico.

O que é controle biológico?

     Controle biológico é o uso de inimigos naturais (predadores, parasitóides, entomopatógenos, nematóides) que causam a mortalidade da praga. Os inimigos naturais regulam a população da praga e podem ser manipulados pelo homem. O controle biológico pode ser natural ou artificial.

O que é controle biológico natural?

     O controle biológico natural geralmente ocorre em ecossistemas naturais, sem interferência do homem, como na Floresta Amazônica ou no Cerrado, onde as populações de plantas, de herbívoros e de seus inimigos naturais encontram-se em equilíbrio. Também ocorre em agroecossistemas orgânicos bem estabilizados.

O que é controle biológico artificial?
     O controle biológico artificial é o uso intencional de um ou mais organismos (insetos, bactérias, vírus, fungos, nematóides, protozoários, ácaros, aranhas, vertebrados) para conter ou regular o crescimento de outra população, vegetal, animal ou de microrganismo, que, direta ou indiretamente, esteja prejudicando as espécies cultivadas. Assim, o controle biológico visa reduzir o nível populacional de uma espécie previamente classificada como praga, mantendo-a abaixo do nível de dano econômico. Em outras palavras, o controle biológico artificial preconiza o restabelecimento do equilíbrio anteriormente quebrado, e isso é feito pela introdução, no ambiente, de inimigos naturais das pragas.

O que é controle biológico conservativo?

     É uma técnica de controle biológico que pode ser feita por qualquer agricultor. Consiste simplesmente em favorecer o ambiente para atrair os inimigos naturais, de forma a eliminar fatores adversos ou fornecer itens necessários ausentes no ambiente. Essa técnica é comum em agricultura orgânica. Entre as práticas que favorecem a conservação podem ser citadas:

 • Eliminação das aplicações de agrotóxicos.
 • Utilização de produtos seletivos.
 • Plantio de espécies que produzam pólen e néctar, essenciais para a reprodução de predadores e parasitóides.

Quais as vantagens do controle biológico?

     A prática do controle biológico apresenta numerosas vantagens, especialmente por causa de sua especificidade, pois atinge apenas uma determinada espécie. Por isso não causa desequilíbrio, ao contrário, restabelece o equilíbrio anteriormente perdido. Além do mais, essa prática não provoca impactos negativos sobre o meio ambiente, o que não ocorre com os agrotóxicos empregados em cultivos convencionais. 

As certificadoras permitem o uso de controle biológico? 

Sim, uma vez que o uso de controle biológico não deixa resíduos no ambiente, portanto não causa mal ao homem, aos animais, às plantas e ao meio ambiente. Além disso, os princípios do controle biológico são ecológicos e baseados nos sistemas naturais. Embora seja inócuo ao ambiente, algumas certificadoras exigem que o uso de inseticidas biológicos, como o Bacillus thuringiensis, não seja prolongado, e sim localizado, devendo-se retomar as medidas preventivas depois que a população da praga tiver sido regulada.

É caro fazer controle biológico?

     Em longo prazo é mais barato, pois embora a produção de agentes de controle biológico tenha um custo inicial alto, depois de estabelecida torna-se cada vez mais barata. Com os inseticidas acontece exatamente o contrário, pois o custo do controle tende a encarecer ao longo dos anos.

O que é Trichogramma pretiosum?

O Trichogramma pretiosum é um inseto que está se mostrando um grande aliado dos produtores de tomate no controle da traçado-tomateiro. O inseto já foi usado em várias partes do mundo (China, Estados Unidos e Europa) para o controle de diversas pragas, especialmente de borboletas e mariposas da ordem Lepidóptera.

Como utilizar o Trichogramma pretiosum?

     A forma de utilização do T. pretiosum para o controle da traçado-tomateiro é por meio da liberação periódica do inseto na lavoura, associada a aplicações de inseticidas biológicos (geralmente Bacillus thuringiensis). A quantidade e freqüência de liberação dependem do tamanho da área e do sistema de cultivo (no campo ou sob proteção). Atualmente, já existem no Brasil alguns laboratórios de criação massal de inimigos naturais que vendem T. pretiosum para os produtores. O produtor pode adquirir as cartelas de papelão com o parasitóide T. pretiosum, na fase de pupa, ou seja, próximo à emergência do adulto, para serem colocadas na cultura. Ao emergir, a fêmea de T. pretiosum sai em busca de seu hospedeiro, que nesse caso são os ovos da traça-do-tomateiro, para depositar seus ovos. Assim, o ovo que for parasitado por T. pretiosum, ao invés de dar origem a uma lagarta de traça-do-tomateiro, dará origem a um parasitóide, que é um inseto benéfico, ou seja, que não causa dano à cultura do tomateiro. As cartelas contendo T. pretiosum são preparadas em laboratório onde se faz a criação massal de hospedeiros alternativos como a Anagasta kuehniella (Lepidoptera: Pyralidae) ou a Sitotroga cerealella (Lepidoptera: Gelechiidae) para a produção de ovos. Estes são colados nas cartelas para serem parasitados por T. pretiosum. Depois de parasitados, podem ser levados para o campo. O Trichogramma é indicado principalmente para Lepidópteros na fase de ovo. Em cultivos de tomate, pode ser usado no controle biológico da traça-do-tomateiro (Tuta absoluta), da broca-pequena (Neoleucinodes elegantalis), e em cultivos de milho-doce, pode ser usado no controle da lagarta-da-espiga (Helicoverpa zea).

O que são inseticidas naturais?

     São chamados de inseticidas naturais os produtos derivados de plantas, como o piretro, a rotenona e o nim. É importante lembrar que essas substâncias, embora derivadas de plantas, têm um princípio ativo químico, sendo tóxicas para o homem e o meio ambiente, e devem ser utilizadas com critério. Além disso, podem provocar resistência em caso de uso prolongado e intensivo.

O extrato de nim pode ser considerado controle biológico?

     Não. Embora seja uma substância derivada de uma planta, é um princípio ativo químico que provoca a mortalidade de insetos como os inseticidas. Trata-se, portanto, de controle químico, e algumas certificadoras consideram o nim um produto de uso restrito.

O que são inseticidas biológicos?

São chamados de inseticidas biológicos os produtos que contêm organismos como fungos, vírus e bactérias. Para o controle de pragas de hortaliças, o produto mais conhecido é o que usa cristais da bactéria Bacillus thuringiensis.

O uso prolongado de inseticidas naturais e biológicos pode causar resistência?

     Embora os inseticidas naturais e biológicos causem impacto menor no meio ambiente, seu uso prolongado também pode causar resistência. Mesmo para esses produtos, alguns indivíduos da população do inseto-praga estarão aptos a sobreviver à dose aplicada e se multiplicar. Com isso, aumenta a população da praga resistente ao inseticida natural ou biológico. Isso ocorreu, por exemplo, com a traça-das-crucíferas, praga de repolho, brócolis e couve-flor. Populações resistentes ao inseticida biológico Bacillus thuringiensis foram encontradas no Brasil, nos EUA e na Ásia. Para evitar a resistência, o ideal é reduzir ao mínimo possível o número de aplicações desses produtos e, quando necessário empregá-los, usar a dose indicada no rótulo. Deve-se, também, fazer a rotação de produtos como se faz a rotação de inseticidas naturais (uso restrito) e biológicos. Pode-se, ainda, fazer a rotação dos inseticidas biológicos que contêm Bacillus thuringiensis, subespécie aizawai, e Bacillus thuringiensis, subespécie thuringiensis. Para identificar as subespécies de Bacillus thuringiensis que compõem o produto biológico, deve-se verificar o rótulo do inseticida e certificar-se de que o produto contenha apenas uma subespécie.

Como deve ser feito o manejo de insetos-praga em agricultura orgânica?

Em agricultura orgânica, o manejo de insetos-praga deve ser orientado para evitar as explosões populacionais de insetos que possam causar prejuízos econômicos. Para alcançar esse objetivo, é preciso fazer o planejamento do sistema para que as populações de insetos-praga e de organismos benéficos sejam equilibradas, garantindo a estabilidade do sistema de cultivo. O equilíbrio da fauna pode ser alcançado incrementando-se a diversidade da vegetação dentro e fora da área cultivada, por meio da manipulação da época de plantio, tamanho das áreas, composição de espécies cultivadas e de outras espécies vegetais para diversificar o ambiente. Com isso é possível fornecer continuamente alimento aos organismos benéficos e tornar o ambiente menos favorável às pragas.

Como deve ser feito o monitoramento de insetos-praga em cultivos orgânicos de hortaliças?

     O monitoramento de insetos-praga pode ser feito com armadilhas de feromônio que indicam o momento em que os insetos-praga aparecem na lavoura, mas não fazem seu controle. Esses feromônios já estão disponíveis comercialmente para a traçado-tomateiro e a traça-das-crucíferas. É também fundamental vistoriar a cultura à procura de ovos, larvas e adultos de insetos e ácaros, para os quais não existem armadilhas de feromônios. Com base nessas observações, pode-se avaliar seu crescimento populacional e seu potencial de dano. É importante avaliar também a ocorrência de inimigos naturais na cultura e seu crescimento populacional para estimar a mortalidade natural da praga.

O que deve ser feito na ocorrência de insetos-praga?

     Em geral, em agricultura orgânica, é esperada uma situação de equilíbrio na área. No entanto, em caso de um surto populacional de alguma espécie-praga, podem ser adotadas algumas medidas de controle, de acordo com a certificadora, como o uso de enxofre para ácaros, inseticidas biológicos como o Bacillus thuringiensis, nim, inseticidas naturais ou agentes de controle biológico, dependendo da praga e da cultura.

Por que podem ocorrer surtos de insetos-praga durante a conversão da agricultura convencional para a orgânica?

     A transição de um agroecossistema uniforme de monocultura para um sistema mais diversificado, que sustenta processos e interações benéficas, envolve principalmente o reequilíbrio do solo e das populações de insetos, portanto requer tempo. A ausência de agrotóxicos facilita o incremento gradual de inimigos naturais na área, mas a manutenção desses agentes somente será alcançada se houver condições favoráveis no ambiente, como espécies produtoras de pólen e hospedeiros alternativos ao longo de todo ano. É necessário combinar a interrupção dos agrotóxicos com a diversificação do ambiente, e essa operação exige tempo para ser estabelecida. Além disso, é importante considerar que a fertilidade do solo também exerce influência sobre as populações de insetos, mas de maneira gradativa. O processo de conversão envolve aprendizado por parte dos produtores e podem ocorrer erros durante essa fase. Assim, é importante que o surto de alguma praga específica seja contido de forma pontual com o controle biológico e o uso de inseticida biológico. O manejo da diversidade deve ser considerado como medida para restaurar o equilíbrio.

Quando devem ser utilizados inimigos naturais em sistemas orgânicos?

     Em geral, espera-se que nos cultivos orgânicos não haja a necessidade de fazer liberação de inimigos naturais, pois, de acordo com os princípios ecológicos, se o ambiente estiver estabilizado, haverá equilíbrio entre o número de insetos herbívoros e inimigos naturais. Eventualmente, porém, pode ocorrer um surto de uma praga e, nesse caso, pode-se introduzir um agente de controle biológico. Para alguns cultivos reconhecidamente mais suscetíveis a uma determinada praga, como o tomate, pode ser planejado um programa de liberação periódica de inimigo natural. No entanto, deve-se sempre lembrar que a melhoria da diversificação das espécies é a ferramenta mais valiosa e de caráter permanente.

Como atrair inimigos naturais para as áreas cultivadas?
A ausência de produtos químicos nos sistemas orgânicos, por si só, já fornece um ambiente adequado para a proliferação de  inimigos naturais. No entanto, algumas ações podem ser tomadas para aumentar essas populações, como:

• Preservar a vegetação natural com a finalidade de manter a diversidade da fauna, como ácaros predadores, aranhas, insetos, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Esses organismos são importantes para a manutenção do equilíbrio do agroecossistema porque muitos deles se alimentam de insetos.
• Manter próximo aos cultivos espécies que forneçam pólen e néctar, alimentos importantes para melhorar a capacidade reprodutiva de parasitóides e predadores.
• Diversificar os cultivos. Usar consórcio de culturas, cultivo em faixas, corredor ecológico, rotação.

É verdade que a vegetação espontânea pode ser útil?

     Sim. Plantas que crescem espontaneamente em geral são produtoras de pólen e isso melhora a reprodução de predadores e inimigos naturais, servindo como reservatório desses agentes. Quando houver um aumento populacional de insetos-praga, os inimigos naturais presentes podem migrar do mato para a cultura.

O controle cultural é importante em agricultura orgânica?

Sim. O controle cultural é importante porque permite a quebra do ciclo biológico de pragas e patógenos, evitando que se disseminem dos cultivos mais velhos para os mais novos. Para isso, devem ser adotadas as seguintes práticas:

• Eliminar os restos culturais, para evitar a multiplicação das pragas.
• Adotar a irrigação por aspersão, para eliminar ovos e larvas pequenas das plantas.
• Adotar a rotação de culturas, com plantas de famílias botânicas não relacionadas.
• Adotar o pousio ou a adubação verde, quando possível, para interromper o ciclo de vida de determinado inseto.

O ‘idiamin’, muito comum em cultivos orgânicos, pode ser considerado inseto-praga?

     O ‘idiamin’ ou Lagria villosa é um besouro da família Lagriidae que comumente ocorre em hortaliças. Em cultivos convencionais, sua ocorrência é esporádica por causa do uso freqüente de inseticidas. Em cultivos orgânicos, a presença desses besouros, às vezes, alcança nível populacional alto. No entanto, mesmo quando a população é alta, não há motivo para preocupação por parte dos produtores porque esse besouro alimenta-se de várias espécies de plantas, principalmente de plantas em decomposição, não havendo necessidade de adotar medidas de controle. 
Ferreira On 5/10/2017 02:10:00 PM Comentarios LEIA MAIS

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Fonte: Livro da Embrapa Hortaliças – Brasília, DF. Interessados em adquirir o livro “PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – Coleção 500 Perguntas – 500 Respostas” devem entrar em contato através do email: vendas@sct.embrapa.brPara ver o livro completo, acessar: http://mais500p500r.sct.embrapa.br/view/pdfs/90000021-ebook-pdf.pdf

     Com o objetivo de divulgar e aumentar o conhecimento sobre agricultura orgânica,  estamos transcrevendo  do livro, algumas perguntas e respostas que consideramos mais relevantes.

Capítulo 8 – Manejo da água

Autores:  Henoque R. da Silva e Waldir A. Marouelli




Que problemas a água de irrigação pode apresentar?
     Os principais problemas estão relacionados à disponibilidade e à qualidade da água. Antes de implantar o projeto de irrigação é preciso avaliar se a fonte de água é suficiente para suprir a demanda das culturas a serem estabelecidas, e se os aspectos de natureza física, química e biológica da água não limitam sua utilização para a irrigação de hortaliças.

Quais os principais problemas relacionados aos aspectos físicos da água de irrigação?
     Na natureza, a água pode apresentar impurezas de ordem física que afetam seu uso na irrigação. A presença de partículas sólidas é o que mais restringe o uso da água na irrigação, pois essas partículas podem provocar entupimento em filtros, gotejadores e microaspersores, desgaste de bombas hidráulicas e tubulações, além de depositar sedimentos sobre as plantas afetando as trocas gasosas e a qualidade visual dos produtos. Outras características de menor importância dizem respeito a turbidez, cor, odor e temperatura da água.

Quais os principais problemas relacionados aos aspectos químicos da água de irrigação?
      As principais características químicas relacionam-se à salinidade, à proporção do elemento sódio em relação aos elementos cálcio e magnésio (razão de adsorção de sódio), ao pH e a elementos tóxicos às plantas. A salinidade está associada à quantidade total de sais solúveis presentes na solução do solo e a seus efeitos no desenvolvimento e produção das plantas. Os danos causados são devidos, principalmente, ao “aumento” da pressão osmótica da solução do solo, o que reduz a disponibilidade de água às plantas. A salinidade é expressa pela concentração de sais dissolvidos totais (SDT), em miligramas por litro (mg L-1) ou, mais comumente, pela condutividade elétrica (CE), 191 192 193 131 expressa em deciSiemens por metro (dS m-1).
     Elevadas concentrações de sódio trocável, relativamente ao cálcio e magnésio, especialmente quando a concentração salina for reduzida, aumentam a dispersão e movimentação das partículas finas reduzindo a porosidade e a infiltração, dificultando a reposição de água ao solo e a oxigenação na zona radicular. A proporção relativa de sódio em relação ao cálcio e magnésio é expressa em termos da Razão de Adsorção de Sódio (SAR).
     O pH é um indicador da acidez ou basicidade da água, quase nunca um problema para a irrigação. Valores de pH na faixa entre 6,5 e 8,4 são, no entanto, um indicativo da necessidade de se realizar análise mais detalhada da água. A água também pode conter íons como boro, cloreto e sódio, que, mesmo em concentrações reduzidas, podem ser tóxicos às plantas.

Quais os principais problemas relacionados aos aspectos biológicos da água de irrigação?
     Os principais problemas estão associados à transmissão de doenças, entupimentos de emissores e proliferação de algas e plantas aquáticas. Quando contaminada por efluentes não tratados (esgoto), a água é um meio eficiente de transmissão de doenças ao homem, as quais podem ser causadas por bactérias, protozoários, helmintos, vírus e fungos. A água também pode transmitir várias doenças às plantas.
     A proliferação de algas e bactérias pode causar problemas de entupimento de gotejadores e microaspersores. A proliferação de plantas aquáticas em canais de irrigação e reservatórios de água também pode acarretar problemas. Além disso, pode servir de criadouro para mosquitos e outros seres vivos transmissores de moléstias infecciosas.

Existe algum método simples para avaliar a qualidade da água de irrigação?
     Sim. Algumas características da água podem ser avaliadas visualmente in loco ou por meio de informações dos agricultores. A turbidez é o primeiro aspecto a ser observado. Água com aparência turva e opaca indica a presença de partículas em suspensão e/ou substâncias em solução. Em geral, a presença de argila e silte dá à água um aspecto barrento. Águas poluídas por efluentes não tratados (esgoto), em geral ricas em matéria orgânica, apresentam coloração acinzentada, e quanto mais escuras geralmente são mais contaminadas. Águas contaminadas por esgoto podem ainda ser identificadas pelo odor.
     Em relação à qualidade química, águas salobras indicam grande presença de sais e requerem manejo adequado para fins de irrigação. Informações de agricultores sobre possíveis danos causados pela água às culturas específicas e formação de camadas esbranquiçadas de sal na superfície do solo também são úteis ao se fazer uma avaliação qualitativa da água. A presença de ferro solúvel na água, que pode causar problemas sérios de entupimento de gotejadores, pode ser constatada por sua precipitação, que provoca a formação de pontos amarelados nas margens de fontes de água.

Que tipos de poluição podem afetar a qualidade da água de irrigação?
     Os principais poluentes da água de irrigação têm origem nos efluentes domésticos (esgoto), industriais (poluentes orgânicos e inorgânicos) e da própria atividade agrícola. A água pode ser o veículo de disseminação de doenças entre os seres vivos quando contaminada por agentes patogênicos (bactérias, protozoários, helmintos, vírus e fungos) ou químicos (nitrato, agrotóxicos, metais pesados).

Como a poluição da água pode afetar a produção de hortaliças no sistema orgânico?
     Primeiramente, não é recomendado o uso de águas contendo grau de poluição acima dos limites estabelecidos pela Resolução no 357, de 17 de março de 2005, do Conama/MMA. Portanto, o uso de águas com grau de contaminação acima do aceitável, além de desrespeitar as normas vigentes, pode não permitir a certificação da propriedade.
     A legislação brasileira sobre as normas de produção orgânica está em processo de construção. Atualmente, encontra-se distribuída em vários instrumentos de diretrizes e normas, os quais não contemplam em seu bojo os limites estabelecidos de qualidade de água de irrigação. Assim, até que se publique uma legislação específica, a qualidade da água estabelecida na Resolução 357/05 deve ser tomada como parâmetro, respeitados os limites máximos de contaminação por coliformes termotolerantes, pois a produção pode ser seriamente comprometida, dependendo do grau e da natureza da poluição da água.
     Águas poluídas, em geral, apresentam características físicas, químicas e biológicas que afetam negativamente o equilíbrio do sistema orgânico como um todo, especialmente a microbiologia do solo. Águas com alta concentração de metais pesados e nitrogênio podem prejudicar o desenvolvimento das plantas, além de depositar e acrescentar resíduos tóxicos nos produtos.

Como proteger as fontes e os mananciais de água na propriedade?
     Basicamente, a proteção das fontes e mananciais de água tem por objetivo manter a quantidade e a qualidade da água disponível. Caso a fonte ou o manancial já estejam comprometidos, ações mitigadoras devem ser tomadas para melhorar a conservação da água. Práticas de manejo integrado de bacias hidrográficas, por exemplo, têm por objetivo melhorar a recarga dos sistemas hídricos que as compõem, proporcionando maior disponibilidade de água, com expressiva melhoria da qualidade.
     Dentro da propriedade agrícola, devem-se adotar práticas que proporcionem maior infiltração de água e o controle de erosão do solo. Dentre essas práticas, podem-se destacar:
• Preservação da vegetação nativa.
• Proteção de nascentes.
• Regulação do regime dos corpos de água por meio de represamento.
• Práticas diversas de conservação do solo, como construção de terraços, plantio em nível, sistema de plantio direto e recuperação da estrutura física e biológica dos solos por meio de adubação verde, uso de compostagem e cobertura morta (mulching).

Que sistemas de irrigação estão disponíveis, atualmente, para a produção orgânica de hortaliças?
     Em princípio, todos os sistemas de irrigação podem ser utilizados para a irrigação de hortaliças em sistema orgânico, com destaque para os sistemas por aspersão, por sulco e por gotejamento. Não existe nenhum sistema que possa ser recomendado indistintamente para todas as hortaliças, tipos de solo e condições climáticas, pois os sistemas apresentam características próprias, com custos variáveis, vantagens e desvantagens. Dentre os sistemas por aspersão, o convencional é o mais empregado em razão do menor custo e do fato de a produção de hortaliças em sistemas orgânicos ocorrer em áreas geralmente menores que 5 ha.

Existe alguma restrição para usar na agricultura orgânica sistemas de irrigação normalmente utilizados no cultivo convencional?
     Não, pois não existe sistema de irrigação específico para a agricultura orgânica. Entretanto, o sistema de irrigação a ser selecionado deve ser o que melhor se adapte a cada situação ou cultura, especialmente no que se refere ao favorecimento de doenças e ao custo.

Qual a relação entre sistemas de irrigação e incidência de pragas e doenças?
     Para que a maioria das doenças se desenvolva é fundamental a existência de água livre na folha ou água abundante no solo. Assim, a irrigação inadequada, seja na quantidade, na freqüência ou na forma de aplicação, favorece diretamente a ocorrência e a severidade da maioria das doenças nas plantas.
     Em geral, os sistemas por aspersão acentuam a sobrevivência e a dispersão de patógenos na lavoura, em razão de a água ser aplicada sobre a parte aérea das plantas, ao passo que os sistemas por gotejamento e, principalmente, por sulco favorecem as doenças causadas por patógenos de solo, especialmente em solos com problema de drenagem (argilosos ou compactados). Entretanto, a aspersão, em virtude da ação mecânica das gotas de água, minimiza a incidência de pragas, como ácaros, traça-do-tomateiro e pulgões, bem como de algumas doenças, como o oídio. O uso de irrigação por sulco ou gotejamento, especialmente em cultivo protegido, pode minimizar consideravelmente a incidência de doenças bacterianas em pimentão e tomate, por exemplo.

Quais as vantagens e desvantagens do sistema de irrigação por sulco?

Vantagens
• Baixo investimento inicial.
• Uso reduzido de energia.
• Simplicidade na operação e na manutenção.
• Possibilidade de utilização de águas com sedimentos.
• Redução da incidência de doenças da parte aérea. Desvantagens • Requer terrenos planos ou sistematizados.
• Requer maior uso de água e de mão-de-obra.
• Inadequado para solos permeáveis (arenosos).
• Maior incidência de doenças de solo.
• Dificuldade de circulação de máquinas na área irrigada.
• Maior potencial de salinização e erosão do solo.

Quais as vantagens e desvantagens do sistema de irrigação por aspersão?

Vantagens
• Pode ser utilizado em terrenos com diferentes declividades e solos de diferentes texturas, inclusive os arenosos.
 • Menor gasto de água que o sistema por sulco.
• Menor uso de mão-de-obra.
 • Melhor distribuição de água sobre o terreno.
 • Permite a aplicação de nutrientes via água de irrigação.
• Reduz o ataque de ácaros e outros insetos. Desvantagens
 • Maior custo de implantação que o sistema por sulco.
• Maior consumo de energia.
• Sofre interferência do vento.
• Perda de água por evaporação em climas secos e quentes.
 • Interferência nos tratamentos fitossanitários.
 • Maior incidência de doenças da parte aérea.

 Quais as vantagens e desvantagens do sistema de irrigação por gotejamento?

Vantagens
 • Economia e eficiência no uso de água.
• Uso reduzido de energia e de mão-de-obra.
 • Não sofre ação de fatores climáticos.
• Pouca interferência nas práticas culturais.
• O sistema pode ser usado em solos de diferentes texturas, declividades e grau de salinidade.
 • Permite automação total da irrigação.
• A aplicação localizada da água reduz a incidência de plantas daninhas nas entrelinhas.
 • Reduz a incidência de doenças da parte aérea.
 • Permite a aplicação parcelada de diferentes nutrientes via água. Desvantagens
 • Elevado custo de implantação.
• Alto risco de entupimento de emissores.
 • Necessidade de remoção das linhas de gotejadores ao final do ciclo da cultura.
 • Favorece algumas doenças de solo, como a murcha bacteriana.
 • Requer cuidados especiais para o manejo e manutenção do sistema.
 • Alto custo de manutenção do sistema.

Qual a importância do manejo da irrigação no sistema de produção orgânica de hortaliças?
     As hortaliças são culturas altamente sensíveis tanto à falta quanto ao excesso de água. Portanto, a determinação do momento correto de se irrigar e da quantidade adequada de água a ser aplicada por irrigação é de importância primordial para a produção de hortaliças. Irrigar menos que o necessário restringe as atividades fisiológicas das plantas, comprometendo a produtividade e qualidade dos produtos colhidos. Por sua vez, irrigações em excesso favorecem maior incidência de doenças, lixiviação de nutrientes e gastos extras com água e energia.

Na agricultura orgânica, as irrigações devem ter a mesma freqüência e quantidade de água que na agricultura convencional?
     O uso de grandes quantidades de material orgânico em sistemas orgânicos de produção promove a melhoria da estrutura física do solo, o que favorece maior capacidade de retenção de água e o maior crescimento do sistema radicular. Assim, por causa do maior armazenamento de água, o intervalo entre irrigações e a quantidade de água a ser aplicada por irrigação devem ser ligeiramente maiores que no sistema convencional. No sistema orgânico, onde não é permitida a aplicação de agrotóxicos, turnos de rega mais espaçados permitem minimizar a incidência de doenças, pois aumentam a eficiência dos tratos fitossanitários e reduzem o tempo com água livre no solo e na superfície da planta.

Como determinar o momento correto de se irrigar?
     As irrigações devem ser feitas antes que a deficiência de água no solo e/ou na planta possa prejudicar a produção da cultura. Muito embora o murchamento das folhas no final do período matinal seja um indicativo visual da necessidade de irrigação, existem critérios mais precisos para determinar o momento correto para irrigar. Uma opção é avaliar a força com que a água está retida no solo (tensão matricial) ou a fração de água disponível no solo.
     A tensão matricial pode ser determinada direta ou indiretamente por diferentes tipos de sensores. O sensor mais conhecido é o tensiômetro, equipamento que mede a tensão de forma direta e contínua. Outro sensor, bastante simples e de baixo custo, é o Irrigas®, desenvolvido recentemente pela Embrapa Hortaliças. Outra opção é fazer o balanço de água no solo, e, nesse caso, o momento de irrigar é aquele em que as plantas tenham utilizado toda a água disponível. Maiores informações sobre ambos os critérios podem ser obtidos no livro Manejo da Irrigação em Hortaliças, publicado pela Embrapa Hortaliças. Na prática, a grande maioria dos agricultores avalia a umidade do solo visualmente, ou seja, de forma empírica. Nesse caso, dever-se-ia, pelo menos, avaliar a umidade na profundidade média das raízes e não na camada superficial do solo.

Como determinar a necessidade de água para cada tipo de hortaliça?
     A necessidade de água, que é variável ao longo do ciclo de crescimento das plantas, varia de hortaliça para hortaliça e até mesmo entre cultivares da mesma espécie. Depende ainda do sistema de irrigação, do sistema de cultivo e, principalmente, das condições climáticas.
     Portanto, não é uma tarefa simples calcular a quantidade de água a ser aplicada a cada irrigação. Plantas na fase inicial consomem menos água, ao passo que na fase de produção demandam mais água para manter os processos fisiológicos. O consumo diário de água, denominado evapotranspiração da cultura (ETc), é normalmente determinado por meio de equações, com base em variáveis climáticas, ou tanques de evaporação e de coeficientes de cultura (Kc). Valores de Kc, específicos para cada fase de desenvolvimento da cultura, estão disponíveis para as principais hortaliças e podem ser obtidos na publicação Manejo da Irrigação em Hortaliças, da Embrapa Hortaliças .

Como determinar a quantidade de água a ser aplicada por irrigação?
     Basicamente existem duas maneiras de calcular a quantidade de água a ser aplicada. A primeira baseia-se na quantidade de água  evapotranspirada pela cultura desde a última irrigação, ou seja, pela soma dos valores de ETc diários no período.
     A segunda consiste em determinar a quantidade de água necessária para elevar a umidade do solo, na profundidade das raízes, à capacidade de campo (teor de umidade que o solo atinge depois de drenado o excesso de água). Nesse caso, é necessário determinar em laboratório as características de retenção de água do solo a ser irrigado.
     Em ambos os procedimentos, deve-se levar em conta a eficiência de irrigação do sistema na determinação da quantidade de água a ser aplicada. A grande maioria dos produtores, todavia, determina a quantidade de água a ser aplicada por irrigação de forma empírica, baseada em tentativa e erro. Nesse caso, a quantidade de água deve ser a suficiente para molhar a camada de solo até na profundidade das raízes sem, contudo, encharcar o solo. Caso a umidade do solo abaixo do limite inferior do sistema radicular comece a aumentar, deve-se reduzir a quantidade de água nas irrigações subseqüentes.

Como determinar o tempo de irrigação para aplicar a água total necessária?
     O tempo para aplicar a quantidade total de água necessária por rega depende da intensidade de aplicação de água do sistema de irrigação. Assim, o tempo de irrigação em sistemas que aplicam água mais rapidamente será menor que sistemas que aplicam água lentamente. No caso de aspersão convencional, o tempo é função do espaçamento entre aspersores, do diâmetro de bocais e da pressão de serviço dos aspersores. Para gotejamento, o tempo é função da vazão e espaçamento entre gotejadores. Para o sistema por sulco, o tempo depende do espaçamento entre sulcos e do tipo de solo, devendo ser igual ao tempo necessário para a água atingir o final do sulco mais o tempo para que a quantidade de água necessária infiltre no solo.

É verdade que no sistema orgânico ocorre maior economia de água?
     Muito embora existam poucos estudos com esse enfoque, pode-se dizer que a economia é ligeiramente maior que no sistema convencional de produção. O menor gasto de água ocorre principalmente em razão do uso mais intensivo de material orgânico e de cobertura, que promovem a melhoria da estrutura física do solo e, conseqüentemente, o aumento de sua capacidade de armazenamento e de conservação de água. Assim, o intervalo entre irrigações no sistema orgânico pode ser maior que no sistema convencional, minimizando perdas de água por evaporação e percolação profunda.

Qual o melhor horário do dia para fazer as irrigações?
     Essa questão é de difícil resposta, pois depende de vários fatores, muitos deles pouco estudados. Em geral, o horário da irrigação tem pequena influência sobre o rendimento das culturas, exceto quando as regas são realizadas por aspersão, o que pode favorecer significativamente a severidade de doenças da parte aérea. A severidade depende do tipo de hortaliça, da pressão da população de patógenos, das condições climáticas e do tempo de molhamento foliar.
     A fim de minimizar o risco de algumas doenças da parte aérea, especialmente em regiões sujeitas à formação de orvalho, as regas por aspersão devem ser feitas preferencialmente depois das primeiras horas da manhã e antes das últimas horas da tarde, a fim de reduzir o tempo em que a água permanece sobre a folha. No sistema por aspersão, as regas devem ser feitas em horários sem vento ou com ventos de baixa intensidade. Irrigações durante períodos de ventos intensos, além de favorecer a maior evaporação de água, prejudica demasiadamente sua distribuição, podendo comprometer a produtividade.

Que outros aspectos devem ser considerados na escolha do horário de irrigação?
     Outros aspectos que não afetam a produtividade, mas que podem influenciar na escolha do horário da irrigação, estão relacionados à operação do sistema de irrigação, à disponibilidade de mão-de-obra e ao custo de energia. As companhias elétricas dispõem de tarifas com desconto especial para consumidores de irrigação agrícola. Os descontos, que dependem da região, podem variar entre 70 % e 90 %, para consumidores de alta tensão e entre 60 % e 73 %, para consumidores de baixa tensão. A exigência é que haja adesão do produtor ao programa e que as irrigações sejam feitas no horário noturno, entre 21h30 e 6h.
     A irrigação no período noturno apresenta a vantagem de minimizar as perdas de água por evaporação e, assim, conservar água e energia. Por sua vez, a irrigação noturna depende de maior grau de automatização do sistema de irrigação e da disponibilidade de mão-de-obra, além de envolver aspectos trabalhistas. Na escolha do horário de irrigação, outro fator importante é a capacidade do sistema de irrigação, pois este é geralmente dimensionado para funcionar durante um número máximo de horas por dia a fim de atender toda a área irrigada inicialmente prevista em projeto. Assim, muitas vezes, não se tem flexibilidade na escolha do horário de irrigação.

É necessário irrigar as hortaliças até no dia da colheita?
     Apenas as hortaliças folhosas devem ser irrigadas até na véspera da colheita. Para os demais tipos de hortaliças, as irrigações podem ser paralisadas vários dias antes da última colheita, pois o solo pode fornecer água às plantas por vários dias.
     A época correta de se paralisar as irrigações depende da textura do solo, do clima e da hortaliça cultivada. Em solos argilosos e clima ameno (temperatura baixa e umidade relativa alta), as irrigações podem ser paralisadas bem antes que em solos arenosos  e regiões de clima quente e seco. Em cultivos de cebola, batata e alho, por exemplo, as irrigações podem ser interrompidas de 5 a 10 dias antes da colheita. Em hortaliças do tipo fruto, como tomate e pimentão, as regas podem ser paralisadas entre 3 e 7 dias antes da última colheita.
Ferreira On 4/10/2017 02:31:00 AM Comentarios LEIA MAIS

quarta-feira, 10 de maio de 2017

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – Capítulo 9: Manejo de Insetos-Praga e Artrópodes

Fonte: Livro da Embrapa Hortaliças – Brasília, DF. Interessados em adquirir o livro “PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – Coleção 500 Perguntas – 500 Respostas” devem entrar em contato através do email: vendas@sct.embrapa.br;              Para ver o livro completo, acessar: http://mais500p500r.sct.embrapa.br/view/pdfs/90000021-ebook-pdf.pdf

     Com o objetivo de divulgar e aumentar o conhecimento sobre agricultura orgânica,  estamos transcrevendo  do livro, algumas perguntas e respostas que consideramos mais relevantes.


Capítulo 9 – Manejo de Insetos-Praga e Artrópodes


Autores:  Maria Alice de Medeiros, Geni Litvin Villas Bôas e Marina Castelo Branco


O que é uma praga?

     Até bem pouco tempo atrás, havia uma separação bem definida entre pragas (insetos, artrópodes, ácaros), doenças (fungos, vírus, bactérias, nematóides) e plantas espontâneas (plantas daninhas, no sistema convencional). Atualmente, considera-se ‘praga’ qualquer organismo vivo (insetos, fungos, bactérias, vírus, nematóides, plantas espontâneas e outros) que, em determinadas condições, alcance população elevada e afete um determinado cultivo, de forma direta ou indireta, causando prejuízos econômicos.

Como surgem os insetos-praga?

     Com a implantação de um sistema de agricultura simplificado e instável, típico da agricultura convencional, e a remoção da vegetação nativa pode ocorrer uma redução da diversidade de espécies. Essas mudanças podem favorecer a adaptação de algumas espécies de pragas a esses recursos abundantes, formando populações numerosas. Em geral, a população de inimigos naturais não acompanha o crescimento populacional da praga e não contribui para seu controle. Além disso, o uso intensivo de agrotóxicos, em geral, causa a mortalidade de inimigos naturais.

É verdade que insetos ou artrópodes só se tornam praga quando há um desequilíbrio?

     Sim. Os ecossistemas naturais são ambientes equilibrados que apresentam todos os componentes da cadeia alimentar exercendo sua função. Quanto mais distante um agroecossistema estiver de um modelo de ecossistema natural, maior será sua tendência ao desequilíbrio. É por essa razão que as monoculturas são mais suscetíveis às pragas, pois existe uma desproporção entre a população de espécies-praga e seus inimigos naturais, causada pela grande oferta de um só alimento. A retirada da vegetação nativa e o uso freqüente de produtos químicos são exemplos de situações que causam desequilíbrio porque reduzem o número de algumas espécies, ao mesmo tempo em que favorecem o desenvolvimento de outras que, ao longo do tempo, irão aumentar rapidamente sua quantidade e provavelmente se tornarão pragas. É importante salientar que o manejo do ambiente tem influência direta sobre seu estado de equilíbrio.

O que são inimigos naturais?

     Os inimigos naturais ou agentes de controle biológico, como também são chamados, podem ser microrganismos (vírus, bactérias, fungos, protozoários e nematóides) ou animais (ácaros predadores, aranhas, insetos e vertebrados). Esses agentes auxiliam o agricultor na medida em que podem causar mortalidade aos insetos herbívoros, seja provocando doenças (vírus, bactérias, fungos), seja utilizando a praga em sua alimentação (predadores), seja utilizando a praga como hospedeiro (parasitóides). Dentre todos os agentes empregados em controle biológico, os insetos são extremamente importantes, tanto pelo número e diversidade de espécies quanto por sua facilidade de manipulação e eficiência. Onde os inimigos naturais podem ser encontrados? Os inimigos naturais, como os predadores e parasitóides, estão sempre presentes no ambiente, especialmente em agroecossistemas onde não se utilizam agrotóxicos. Os insetos predadores são encontrados em quase todas as ordens de insetos, portanto apresentam grande diversidade, como joaninha, lixeiro, vespa, louva-a-deus, tesourinha-do-cartucho-do-milho, formigas predadoras, além de artrópodes, como aranhas e ácaros predadores. Os insetos parasitóides ocorrem principalmente em duas ordens (Díptera e Himenóptera). Porém, por serem pequenos, dificilmente os parasitóides são observados no ambiente. Para encontrar o parasitóide deve-se coletar a praga na fase suscetível (ovo ou larva) e mantê-la viva durante alguns dias em observação até a emergência do parasitóide adulto, ou utilizar um aspirador entomológico para coletá-lo diretamente no ambiente, como a Trichogramma pretiosum.

O que são insetos predadores?

     Insetos predadores são os que utilizam outros insetos como presa para alimentar-se. São de vida livre e durante sua existência atacam e consomem numerosas presas. A dieta é variada, podendo ocorrer espécies cuja dieta é generalista (vários tipos de presas) ou especialista (um tipo de presa). Para a captura de suas presas, os predadores são dotados de diversas adaptações, como visão e olfato bem desenvolvidos e pernas ágeis. O que são insetos parasitóides? Insetos parasitóides são os que precisam de um hospedeiro, durante a fase jovem, para completar seu desenvolvimento. Isso significa que a fase larval do parasitóide desenvolve-se às custas do hospedeiro e somente a fase adulta é de vida livre. Quando o parasitóide completa seu desenvolvimento, ou seja, torna-se adulto, seu hospedeiro morre. Logo que emerge, o parasitóide acasala e procura por novos hospedeiros para depositar seus ovos.

O que são insetos parasitóides?

     Insetos parasitóides são os que precisam de um hospedeiro, durante a fase jovem, para completar seu desenvolvimento. Isso significa que a fase larval do parasitóide desenvolve-se às custas do hospedeiro e somente a fase adulta é de vida livre. Quando o parasitóide completa seu desenvolvimento, ou seja, torna-se adulto, seu hospedeiro morre. Logo que emerge, o parasitóide acasala e procura por novos hospedeiros para depositar seus ovos.

O que são entomopatógenos?

     São diversos tipos de organismos que causam doenças e morte nos insetos, como vírus, bactérias e fungos. Potencialmente, podem ser usados como agentes de controle biológico.

O que é controle biológico?

     Controle biológico é o uso de inimigos naturais (predadores, parasitóides, entomopatógenos, nematóides) que causam a mortalidade da praga. Os inimigos naturais regulam a população da praga e podem ser manipulados pelo homem. O controle biológico pode ser natural ou artificial.

O que é controle biológico natural?

     O controle biológico natural geralmente ocorre em ecossistemas naturais, sem interferência do homem, como na Floresta Amazônica ou no Cerrado, onde as populações de plantas, de herbívoros e de seus inimigos naturais encontram-se em equilíbrio. Também ocorre em agroecossistemas orgânicos bem estabilizados.

O que é controle biológico artificial?
     O controle biológico artificial é o uso intencional de um ou mais organismos (insetos, bactérias, vírus, fungos, nematóides, protozoários, ácaros, aranhas, vertebrados) para conter ou regular o crescimento de outra população, vegetal, animal ou de microrganismo, que, direta ou indiretamente, esteja prejudicando as espécies cultivadas. Assim, o controle biológico visa reduzir o nível populacional de uma espécie previamente classificada como praga, mantendo-a abaixo do nível de dano econômico. Em outras palavras, o controle biológico artificial preconiza o restabelecimento do equilíbrio anteriormente quebrado, e isso é feito pela introdução, no ambiente, de inimigos naturais das pragas.

O que é controle biológico conservativo?

     É uma técnica de controle biológico que pode ser feita por qualquer agricultor. Consiste simplesmente em favorecer o ambiente para atrair os inimigos naturais, de forma a eliminar fatores adversos ou fornecer itens necessários ausentes no ambiente. Essa técnica é comum em agricultura orgânica. Entre as práticas que favorecem a conservação podem ser citadas:

 • Eliminação das aplicações de agrotóxicos.
 • Utilização de produtos seletivos.
 • Plantio de espécies que produzam pólen e néctar, essenciais para a reprodução de predadores e parasitóides.

Quais as vantagens do controle biológico?

     A prática do controle biológico apresenta numerosas vantagens, especialmente por causa de sua especificidade, pois atinge apenas uma determinada espécie. Por isso não causa desequilíbrio, ao contrário, restabelece o equilíbrio anteriormente perdido. Além do mais, essa prática não provoca impactos negativos sobre o meio ambiente, o que não ocorre com os agrotóxicos empregados em cultivos convencionais. 

As certificadoras permitem o uso de controle biológico? 

Sim, uma vez que o uso de controle biológico não deixa resíduos no ambiente, portanto não causa mal ao homem, aos animais, às plantas e ao meio ambiente. Além disso, os princípios do controle biológico são ecológicos e baseados nos sistemas naturais. Embora seja inócuo ao ambiente, algumas certificadoras exigem que o uso de inseticidas biológicos, como o Bacillus thuringiensis, não seja prolongado, e sim localizado, devendo-se retomar as medidas preventivas depois que a população da praga tiver sido regulada.

É caro fazer controle biológico?

     Em longo prazo é mais barato, pois embora a produção de agentes de controle biológico tenha um custo inicial alto, depois de estabelecida torna-se cada vez mais barata. Com os inseticidas acontece exatamente o contrário, pois o custo do controle tende a encarecer ao longo dos anos.

O que é Trichogramma pretiosum?

O Trichogramma pretiosum é um inseto que está se mostrando um grande aliado dos produtores de tomate no controle da traçado-tomateiro. O inseto já foi usado em várias partes do mundo (China, Estados Unidos e Europa) para o controle de diversas pragas, especialmente de borboletas e mariposas da ordem Lepidóptera.

Como utilizar o Trichogramma pretiosum?

     A forma de utilização do T. pretiosum para o controle da traçado-tomateiro é por meio da liberação periódica do inseto na lavoura, associada a aplicações de inseticidas biológicos (geralmente Bacillus thuringiensis). A quantidade e freqüência de liberação dependem do tamanho da área e do sistema de cultivo (no campo ou sob proteção). Atualmente, já existem no Brasil alguns laboratórios de criação massal de inimigos naturais que vendem T. pretiosum para os produtores. O produtor pode adquirir as cartelas de papelão com o parasitóide T. pretiosum, na fase de pupa, ou seja, próximo à emergência do adulto, para serem colocadas na cultura. Ao emergir, a fêmea de T. pretiosum sai em busca de seu hospedeiro, que nesse caso são os ovos da traça-do-tomateiro, para depositar seus ovos. Assim, o ovo que for parasitado por T. pretiosum, ao invés de dar origem a uma lagarta de traça-do-tomateiro, dará origem a um parasitóide, que é um inseto benéfico, ou seja, que não causa dano à cultura do tomateiro. As cartelas contendo T. pretiosum são preparadas em laboratório onde se faz a criação massal de hospedeiros alternativos como a Anagasta kuehniella (Lepidoptera: Pyralidae) ou a Sitotroga cerealella (Lepidoptera: Gelechiidae) para a produção de ovos. Estes são colados nas cartelas para serem parasitados por T. pretiosum. Depois de parasitados, podem ser levados para o campo. O Trichogramma é indicado principalmente para Lepidópteros na fase de ovo. Em cultivos de tomate, pode ser usado no controle biológico da traça-do-tomateiro (Tuta absoluta), da broca-pequena (Neoleucinodes elegantalis), e em cultivos de milho-doce, pode ser usado no controle da lagarta-da-espiga (Helicoverpa zea).

O que são inseticidas naturais?

     São chamados de inseticidas naturais os produtos derivados de plantas, como o piretro, a rotenona e o nim. É importante lembrar que essas substâncias, embora derivadas de plantas, têm um princípio ativo químico, sendo tóxicas para o homem e o meio ambiente, e devem ser utilizadas com critério. Além disso, podem provocar resistência em caso de uso prolongado e intensivo.

O extrato de nim pode ser considerado controle biológico?

     Não. Embora seja uma substância derivada de uma planta, é um princípio ativo químico que provoca a mortalidade de insetos como os inseticidas. Trata-se, portanto, de controle químico, e algumas certificadoras consideram o nim um produto de uso restrito.

O que são inseticidas biológicos?

São chamados de inseticidas biológicos os produtos que contêm organismos como fungos, vírus e bactérias. Para o controle de pragas de hortaliças, o produto mais conhecido é o que usa cristais da bactéria Bacillus thuringiensis.

O uso prolongado de inseticidas naturais e biológicos pode causar resistência?

     Embora os inseticidas naturais e biológicos causem impacto menor no meio ambiente, seu uso prolongado também pode causar resistência. Mesmo para esses produtos, alguns indivíduos da população do inseto-praga estarão aptos a sobreviver à dose aplicada e se multiplicar. Com isso, aumenta a população da praga resistente ao inseticida natural ou biológico. Isso ocorreu, por exemplo, com a traça-das-crucíferas, praga de repolho, brócolis e couve-flor. Populações resistentes ao inseticida biológico Bacillus thuringiensis foram encontradas no Brasil, nos EUA e na Ásia. Para evitar a resistência, o ideal é reduzir ao mínimo possível o número de aplicações desses produtos e, quando necessário empregá-los, usar a dose indicada no rótulo. Deve-se, também, fazer a rotação de produtos como se faz a rotação de inseticidas naturais (uso restrito) e biológicos. Pode-se, ainda, fazer a rotação dos inseticidas biológicos que contêm Bacillus thuringiensis, subespécie aizawai, e Bacillus thuringiensis, subespécie thuringiensis. Para identificar as subespécies de Bacillus thuringiensis que compõem o produto biológico, deve-se verificar o rótulo do inseticida e certificar-se de que o produto contenha apenas uma subespécie.

Como deve ser feito o manejo de insetos-praga em agricultura orgânica?

Em agricultura orgânica, o manejo de insetos-praga deve ser orientado para evitar as explosões populacionais de insetos que possam causar prejuízos econômicos. Para alcançar esse objetivo, é preciso fazer o planejamento do sistema para que as populações de insetos-praga e de organismos benéficos sejam equilibradas, garantindo a estabilidade do sistema de cultivo. O equilíbrio da fauna pode ser alcançado incrementando-se a diversidade da vegetação dentro e fora da área cultivada, por meio da manipulação da época de plantio, tamanho das áreas, composição de espécies cultivadas e de outras espécies vegetais para diversificar o ambiente. Com isso é possível fornecer continuamente alimento aos organismos benéficos e tornar o ambiente menos favorável às pragas.

Como deve ser feito o monitoramento de insetos-praga em cultivos orgânicos de hortaliças?

     O monitoramento de insetos-praga pode ser feito com armadilhas de feromônio que indicam o momento em que os insetos-praga aparecem na lavoura, mas não fazem seu controle. Esses feromônios já estão disponíveis comercialmente para a traçado-tomateiro e a traça-das-crucíferas. É também fundamental vistoriar a cultura à procura de ovos, larvas e adultos de insetos e ácaros, para os quais não existem armadilhas de feromônios. Com base nessas observações, pode-se avaliar seu crescimento populacional e seu potencial de dano. É importante avaliar também a ocorrência de inimigos naturais na cultura e seu crescimento populacional para estimar a mortalidade natural da praga.

O que deve ser feito na ocorrência de insetos-praga?

     Em geral, em agricultura orgânica, é esperada uma situação de equilíbrio na área. No entanto, em caso de um surto populacional de alguma espécie-praga, podem ser adotadas algumas medidas de controle, de acordo com a certificadora, como o uso de enxofre para ácaros, inseticidas biológicos como o Bacillus thuringiensis, nim, inseticidas naturais ou agentes de controle biológico, dependendo da praga e da cultura.

Por que podem ocorrer surtos de insetos-praga durante a conversão da agricultura convencional para a orgânica?

     A transição de um agroecossistema uniforme de monocultura para um sistema mais diversificado, que sustenta processos e interações benéficas, envolve principalmente o reequilíbrio do solo e das populações de insetos, portanto requer tempo. A ausência de agrotóxicos facilita o incremento gradual de inimigos naturais na área, mas a manutenção desses agentes somente será alcançada se houver condições favoráveis no ambiente, como espécies produtoras de pólen e hospedeiros alternativos ao longo de todo ano. É necessário combinar a interrupção dos agrotóxicos com a diversificação do ambiente, e essa operação exige tempo para ser estabelecida. Além disso, é importante considerar que a fertilidade do solo também exerce influência sobre as populações de insetos, mas de maneira gradativa. O processo de conversão envolve aprendizado por parte dos produtores e podem ocorrer erros durante essa fase. Assim, é importante que o surto de alguma praga específica seja contido de forma pontual com o controle biológico e o uso de inseticida biológico. O manejo da diversidade deve ser considerado como medida para restaurar o equilíbrio.

Quando devem ser utilizados inimigos naturais em sistemas orgânicos?

     Em geral, espera-se que nos cultivos orgânicos não haja a necessidade de fazer liberação de inimigos naturais, pois, de acordo com os princípios ecológicos, se o ambiente estiver estabilizado, haverá equilíbrio entre o número de insetos herbívoros e inimigos naturais. Eventualmente, porém, pode ocorrer um surto de uma praga e, nesse caso, pode-se introduzir um agente de controle biológico. Para alguns cultivos reconhecidamente mais suscetíveis a uma determinada praga, como o tomate, pode ser planejado um programa de liberação periódica de inimigo natural. No entanto, deve-se sempre lembrar que a melhoria da diversificação das espécies é a ferramenta mais valiosa e de caráter permanente.

Como atrair inimigos naturais para as áreas cultivadas?
A ausência de produtos químicos nos sistemas orgânicos, por si só, já fornece um ambiente adequado para a proliferação de  inimigos naturais. No entanto, algumas ações podem ser tomadas para aumentar essas populações, como:

• Preservar a vegetação natural com a finalidade de manter a diversidade da fauna, como ácaros predadores, aranhas, insetos, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Esses organismos são importantes para a manutenção do equilíbrio do agroecossistema porque muitos deles se alimentam de insetos.
• Manter próximo aos cultivos espécies que forneçam pólen e néctar, alimentos importantes para melhorar a capacidade reprodutiva de parasitóides e predadores.
• Diversificar os cultivos. Usar consórcio de culturas, cultivo em faixas, corredor ecológico, rotação.

É verdade que a vegetação espontânea pode ser útil?

     Sim. Plantas que crescem espontaneamente em geral são produtoras de pólen e isso melhora a reprodução de predadores e inimigos naturais, servindo como reservatório desses agentes. Quando houver um aumento populacional de insetos-praga, os inimigos naturais presentes podem migrar do mato para a cultura.

O controle cultural é importante em agricultura orgânica?

Sim. O controle cultural é importante porque permite a quebra do ciclo biológico de pragas e patógenos, evitando que se disseminem dos cultivos mais velhos para os mais novos. Para isso, devem ser adotadas as seguintes práticas:

• Eliminar os restos culturais, para evitar a multiplicação das pragas.
• Adotar a irrigação por aspersão, para eliminar ovos e larvas pequenas das plantas.
• Adotar a rotação de culturas, com plantas de famílias botânicas não relacionadas.
• Adotar o pousio ou a adubação verde, quando possível, para interromper o ciclo de vida de determinado inseto.

O ‘idiamin’, muito comum em cultivos orgânicos, pode ser considerado inseto-praga?

     O ‘idiamin’ ou Lagria villosa é um besouro da família Lagriidae que comumente ocorre em hortaliças. Em cultivos convencionais, sua ocorrência é esporádica por causa do uso freqüente de inseticidas. Em cultivos orgânicos, a presença desses besouros, às vezes, alcança nível populacional alto. No entanto, mesmo quando a população é alta, não há motivo para preocupação por parte dos produtores porque esse besouro alimenta-se de várias espécies de plantas, principalmente de plantas em decomposição, não havendo necessidade de adotar medidas de controle. 

segunda-feira, 10 de abril de 2017

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – Capítulo 8: Manejo da água

Fonte: Livro da Embrapa Hortaliças – Brasília, DF. Interessados em adquirir o livro “PRODUÇÃO ORGÂNICA DE HORTALIÇAS – Coleção 500 Perguntas – 500 Respostas” devem entrar em contato através do email: vendas@sct.embrapa.brPara ver o livro completo, acessar: http://mais500p500r.sct.embrapa.br/view/pdfs/90000021-ebook-pdf.pdf

     Com o objetivo de divulgar e aumentar o conhecimento sobre agricultura orgânica,  estamos transcrevendo  do livro, algumas perguntas e respostas que consideramos mais relevantes.

Capítulo 8 – Manejo da água

Autores:  Henoque R. da Silva e Waldir A. Marouelli




Que problemas a água de irrigação pode apresentar?
     Os principais problemas estão relacionados à disponibilidade e à qualidade da água. Antes de implantar o projeto de irrigação é preciso avaliar se a fonte de água é suficiente para suprir a demanda das culturas a serem estabelecidas, e se os aspectos de natureza física, química e biológica da água não limitam sua utilização para a irrigação de hortaliças.

Quais os principais problemas relacionados aos aspectos físicos da água de irrigação?
     Na natureza, a água pode apresentar impurezas de ordem física que afetam seu uso na irrigação. A presença de partículas sólidas é o que mais restringe o uso da água na irrigação, pois essas partículas podem provocar entupimento em filtros, gotejadores e microaspersores, desgaste de bombas hidráulicas e tubulações, além de depositar sedimentos sobre as plantas afetando as trocas gasosas e a qualidade visual dos produtos. Outras características de menor importância dizem respeito a turbidez, cor, odor e temperatura da água.

Quais os principais problemas relacionados aos aspectos químicos da água de irrigação?
      As principais características químicas relacionam-se à salinidade, à proporção do elemento sódio em relação aos elementos cálcio e magnésio (razão de adsorção de sódio), ao pH e a elementos tóxicos às plantas. A salinidade está associada à quantidade total de sais solúveis presentes na solução do solo e a seus efeitos no desenvolvimento e produção das plantas. Os danos causados são devidos, principalmente, ao “aumento” da pressão osmótica da solução do solo, o que reduz a disponibilidade de água às plantas. A salinidade é expressa pela concentração de sais dissolvidos totais (SDT), em miligramas por litro (mg L-1) ou, mais comumente, pela condutividade elétrica (CE), 191 192 193 131 expressa em deciSiemens por metro (dS m-1).
     Elevadas concentrações de sódio trocável, relativamente ao cálcio e magnésio, especialmente quando a concentração salina for reduzida, aumentam a dispersão e movimentação das partículas finas reduzindo a porosidade e a infiltração, dificultando a reposição de água ao solo e a oxigenação na zona radicular. A proporção relativa de sódio em relação ao cálcio e magnésio é expressa em termos da Razão de Adsorção de Sódio (SAR).
     O pH é um indicador da acidez ou basicidade da água, quase nunca um problema para a irrigação. Valores de pH na faixa entre 6,5 e 8,4 são, no entanto, um indicativo da necessidade de se realizar análise mais detalhada da água. A água também pode conter íons como boro, cloreto e sódio, que, mesmo em concentrações reduzidas, podem ser tóxicos às plantas.

Quais os principais problemas relacionados aos aspectos biológicos da água de irrigação?
     Os principais problemas estão associados à transmissão de doenças, entupimentos de emissores e proliferação de algas e plantas aquáticas. Quando contaminada por efluentes não tratados (esgoto), a água é um meio eficiente de transmissão de doenças ao homem, as quais podem ser causadas por bactérias, protozoários, helmintos, vírus e fungos. A água também pode transmitir várias doenças às plantas.
     A proliferação de algas e bactérias pode causar problemas de entupimento de gotejadores e microaspersores. A proliferação de plantas aquáticas em canais de irrigação e reservatórios de água também pode acarretar problemas. Além disso, pode servir de criadouro para mosquitos e outros seres vivos transmissores de moléstias infecciosas.

Existe algum método simples para avaliar a qualidade da água de irrigação?
     Sim. Algumas características da água podem ser avaliadas visualmente in loco ou por meio de informações dos agricultores. A turbidez é o primeiro aspecto a ser observado. Água com aparência turva e opaca indica a presença de partículas em suspensão e/ou substâncias em solução. Em geral, a presença de argila e silte dá à água um aspecto barrento. Águas poluídas por efluentes não tratados (esgoto), em geral ricas em matéria orgânica, apresentam coloração acinzentada, e quanto mais escuras geralmente são mais contaminadas. Águas contaminadas por esgoto podem ainda ser identificadas pelo odor.
     Em relação à qualidade química, águas salobras indicam grande presença de sais e requerem manejo adequado para fins de irrigação. Informações de agricultores sobre possíveis danos causados pela água às culturas específicas e formação de camadas esbranquiçadas de sal na superfície do solo também são úteis ao se fazer uma avaliação qualitativa da água. A presença de ferro solúvel na água, que pode causar problemas sérios de entupimento de gotejadores, pode ser constatada por sua precipitação, que provoca a formação de pontos amarelados nas margens de fontes de água.

Que tipos de poluição podem afetar a qualidade da água de irrigação?
     Os principais poluentes da água de irrigação têm origem nos efluentes domésticos (esgoto), industriais (poluentes orgânicos e inorgânicos) e da própria atividade agrícola. A água pode ser o veículo de disseminação de doenças entre os seres vivos quando contaminada por agentes patogênicos (bactérias, protozoários, helmintos, vírus e fungos) ou químicos (nitrato, agrotóxicos, metais pesados).

Como a poluição da água pode afetar a produção de hortaliças no sistema orgânico?
     Primeiramente, não é recomendado o uso de águas contendo grau de poluição acima dos limites estabelecidos pela Resolução no 357, de 17 de março de 2005, do Conama/MMA. Portanto, o uso de águas com grau de contaminação acima do aceitável, além de desrespeitar as normas vigentes, pode não permitir a certificação da propriedade.
     A legislação brasileira sobre as normas de produção orgânica está em processo de construção. Atualmente, encontra-se distribuída em vários instrumentos de diretrizes e normas, os quais não contemplam em seu bojo os limites estabelecidos de qualidade de água de irrigação. Assim, até que se publique uma legislação específica, a qualidade da água estabelecida na Resolução 357/05 deve ser tomada como parâmetro, respeitados os limites máximos de contaminação por coliformes termotolerantes, pois a produção pode ser seriamente comprometida, dependendo do grau e da natureza da poluição da água.
     Águas poluídas, em geral, apresentam características físicas, químicas e biológicas que afetam negativamente o equilíbrio do sistema orgânico como um todo, especialmente a microbiologia do solo. Águas com alta concentração de metais pesados e nitrogênio podem prejudicar o desenvolvimento das plantas, além de depositar e acrescentar resíduos tóxicos nos produtos.

Como proteger as fontes e os mananciais de água na propriedade?
     Basicamente, a proteção das fontes e mananciais de água tem por objetivo manter a quantidade e a qualidade da água disponível. Caso a fonte ou o manancial já estejam comprometidos, ações mitigadoras devem ser tomadas para melhorar a conservação da água. Práticas de manejo integrado de bacias hidrográficas, por exemplo, têm por objetivo melhorar a recarga dos sistemas hídricos que as compõem, proporcionando maior disponibilidade de água, com expressiva melhoria da qualidade.
     Dentro da propriedade agrícola, devem-se adotar práticas que proporcionem maior infiltração de água e o controle de erosão do solo. Dentre essas práticas, podem-se destacar:
• Preservação da vegetação nativa.
• Proteção de nascentes.
• Regulação do regime dos corpos de água por meio de represamento.
• Práticas diversas de conservação do solo, como construção de terraços, plantio em nível, sistema de plantio direto e recuperação da estrutura física e biológica dos solos por meio de adubação verde, uso de compostagem e cobertura morta (mulching).

Que sistemas de irrigação estão disponíveis, atualmente, para a produção orgânica de hortaliças?
     Em princípio, todos os sistemas de irrigação podem ser utilizados para a irrigação de hortaliças em sistema orgânico, com destaque para os sistemas por aspersão, por sulco e por gotejamento. Não existe nenhum sistema que possa ser recomendado indistintamente para todas as hortaliças, tipos de solo e condições climáticas, pois os sistemas apresentam características próprias, com custos variáveis, vantagens e desvantagens. Dentre os sistemas por aspersão, o convencional é o mais empregado em razão do menor custo e do fato de a produção de hortaliças em sistemas orgânicos ocorrer em áreas geralmente menores que 5 ha.

Existe alguma restrição para usar na agricultura orgânica sistemas de irrigação normalmente utilizados no cultivo convencional?
     Não, pois não existe sistema de irrigação específico para a agricultura orgânica. Entretanto, o sistema de irrigação a ser selecionado deve ser o que melhor se adapte a cada situação ou cultura, especialmente no que se refere ao favorecimento de doenças e ao custo.

Qual a relação entre sistemas de irrigação e incidência de pragas e doenças?
     Para que a maioria das doenças se desenvolva é fundamental a existência de água livre na folha ou água abundante no solo. Assim, a irrigação inadequada, seja na quantidade, na freqüência ou na forma de aplicação, favorece diretamente a ocorrência e a severidade da maioria das doenças nas plantas.
     Em geral, os sistemas por aspersão acentuam a sobrevivência e a dispersão de patógenos na lavoura, em razão de a água ser aplicada sobre a parte aérea das plantas, ao passo que os sistemas por gotejamento e, principalmente, por sulco favorecem as doenças causadas por patógenos de solo, especialmente em solos com problema de drenagem (argilosos ou compactados). Entretanto, a aspersão, em virtude da ação mecânica das gotas de água, minimiza a incidência de pragas, como ácaros, traça-do-tomateiro e pulgões, bem como de algumas doenças, como o oídio. O uso de irrigação por sulco ou gotejamento, especialmente em cultivo protegido, pode minimizar consideravelmente a incidência de doenças bacterianas em pimentão e tomate, por exemplo.

Quais as vantagens e desvantagens do sistema de irrigação por sulco?

Vantagens
• Baixo investimento inicial.
• Uso reduzido de energia.
• Simplicidade na operação e na manutenção.
• Possibilidade de utilização de águas com sedimentos.
• Redução da incidência de doenças da parte aérea. Desvantagens • Requer terrenos planos ou sistematizados.
• Requer maior uso de água e de mão-de-obra.
• Inadequado para solos permeáveis (arenosos).
• Maior incidência de doenças de solo.
• Dificuldade de circulação de máquinas na área irrigada.
• Maior potencial de salinização e erosão do solo.

Quais as vantagens e desvantagens do sistema de irrigação por aspersão?

Vantagens
• Pode ser utilizado em terrenos com diferentes declividades e solos de diferentes texturas, inclusive os arenosos.
 • Menor gasto de água que o sistema por sulco.
• Menor uso de mão-de-obra.
 • Melhor distribuição de água sobre o terreno.
 • Permite a aplicação de nutrientes via água de irrigação.
• Reduz o ataque de ácaros e outros insetos. Desvantagens
 • Maior custo de implantação que o sistema por sulco.
• Maior consumo de energia.
• Sofre interferência do vento.
• Perda de água por evaporação em climas secos e quentes.
 • Interferência nos tratamentos fitossanitários.
 • Maior incidência de doenças da parte aérea.

 Quais as vantagens e desvantagens do sistema de irrigação por gotejamento?

Vantagens
 • Economia e eficiência no uso de água.
• Uso reduzido de energia e de mão-de-obra.
 • Não sofre ação de fatores climáticos.
• Pouca interferência nas práticas culturais.
• O sistema pode ser usado em solos de diferentes texturas, declividades e grau de salinidade.
 • Permite automação total da irrigação.
• A aplicação localizada da água reduz a incidência de plantas daninhas nas entrelinhas.
 • Reduz a incidência de doenças da parte aérea.
 • Permite a aplicação parcelada de diferentes nutrientes via água. Desvantagens
 • Elevado custo de implantação.
• Alto risco de entupimento de emissores.
 • Necessidade de remoção das linhas de gotejadores ao final do ciclo da cultura.
 • Favorece algumas doenças de solo, como a murcha bacteriana.
 • Requer cuidados especiais para o manejo e manutenção do sistema.
 • Alto custo de manutenção do sistema.

Qual a importância do manejo da irrigação no sistema de produção orgânica de hortaliças?
     As hortaliças são culturas altamente sensíveis tanto à falta quanto ao excesso de água. Portanto, a determinação do momento correto de se irrigar e da quantidade adequada de água a ser aplicada por irrigação é de importância primordial para a produção de hortaliças. Irrigar menos que o necessário restringe as atividades fisiológicas das plantas, comprometendo a produtividade e qualidade dos produtos colhidos. Por sua vez, irrigações em excesso favorecem maior incidência de doenças, lixiviação de nutrientes e gastos extras com água e energia.

Na agricultura orgânica, as irrigações devem ter a mesma freqüência e quantidade de água que na agricultura convencional?
     O uso de grandes quantidades de material orgânico em sistemas orgânicos de produção promove a melhoria da estrutura física do solo, o que favorece maior capacidade de retenção de água e o maior crescimento do sistema radicular. Assim, por causa do maior armazenamento de água, o intervalo entre irrigações e a quantidade de água a ser aplicada por irrigação devem ser ligeiramente maiores que no sistema convencional. No sistema orgânico, onde não é permitida a aplicação de agrotóxicos, turnos de rega mais espaçados permitem minimizar a incidência de doenças, pois aumentam a eficiência dos tratos fitossanitários e reduzem o tempo com água livre no solo e na superfície da planta.

Como determinar o momento correto de se irrigar?
     As irrigações devem ser feitas antes que a deficiência de água no solo e/ou na planta possa prejudicar a produção da cultura. Muito embora o murchamento das folhas no final do período matinal seja um indicativo visual da necessidade de irrigação, existem critérios mais precisos para determinar o momento correto para irrigar. Uma opção é avaliar a força com que a água está retida no solo (tensão matricial) ou a fração de água disponível no solo.
     A tensão matricial pode ser determinada direta ou indiretamente por diferentes tipos de sensores. O sensor mais conhecido é o tensiômetro, equipamento que mede a tensão de forma direta e contínua. Outro sensor, bastante simples e de baixo custo, é o Irrigas®, desenvolvido recentemente pela Embrapa Hortaliças. Outra opção é fazer o balanço de água no solo, e, nesse caso, o momento de irrigar é aquele em que as plantas tenham utilizado toda a água disponível. Maiores informações sobre ambos os critérios podem ser obtidos no livro Manejo da Irrigação em Hortaliças, publicado pela Embrapa Hortaliças. Na prática, a grande maioria dos agricultores avalia a umidade do solo visualmente, ou seja, de forma empírica. Nesse caso, dever-se-ia, pelo menos, avaliar a umidade na profundidade média das raízes e não na camada superficial do solo.

Como determinar a necessidade de água para cada tipo de hortaliça?
     A necessidade de água, que é variável ao longo do ciclo de crescimento das plantas, varia de hortaliça para hortaliça e até mesmo entre cultivares da mesma espécie. Depende ainda do sistema de irrigação, do sistema de cultivo e, principalmente, das condições climáticas.
     Portanto, não é uma tarefa simples calcular a quantidade de água a ser aplicada a cada irrigação. Plantas na fase inicial consomem menos água, ao passo que na fase de produção demandam mais água para manter os processos fisiológicos. O consumo diário de água, denominado evapotranspiração da cultura (ETc), é normalmente determinado por meio de equações, com base em variáveis climáticas, ou tanques de evaporação e de coeficientes de cultura (Kc). Valores de Kc, específicos para cada fase de desenvolvimento da cultura, estão disponíveis para as principais hortaliças e podem ser obtidos na publicação Manejo da Irrigação em Hortaliças, da Embrapa Hortaliças .

Como determinar a quantidade de água a ser aplicada por irrigação?
     Basicamente existem duas maneiras de calcular a quantidade de água a ser aplicada. A primeira baseia-se na quantidade de água  evapotranspirada pela cultura desde a última irrigação, ou seja, pela soma dos valores de ETc diários no período.
     A segunda consiste em determinar a quantidade de água necessária para elevar a umidade do solo, na profundidade das raízes, à capacidade de campo (teor de umidade que o solo atinge depois de drenado o excesso de água). Nesse caso, é necessário determinar em laboratório as características de retenção de água do solo a ser irrigado.
     Em ambos os procedimentos, deve-se levar em conta a eficiência de irrigação do sistema na determinação da quantidade de água a ser aplicada. A grande maioria dos produtores, todavia, determina a quantidade de água a ser aplicada por irrigação de forma empírica, baseada em tentativa e erro. Nesse caso, a quantidade de água deve ser a suficiente para molhar a camada de solo até na profundidade das raízes sem, contudo, encharcar o solo. Caso a umidade do solo abaixo do limite inferior do sistema radicular comece a aumentar, deve-se reduzir a quantidade de água nas irrigações subseqüentes.

Como determinar o tempo de irrigação para aplicar a água total necessária?
     O tempo para aplicar a quantidade total de água necessária por rega depende da intensidade de aplicação de água do sistema de irrigação. Assim, o tempo de irrigação em sistemas que aplicam água mais rapidamente será menor que sistemas que aplicam água lentamente. No caso de aspersão convencional, o tempo é função do espaçamento entre aspersores, do diâmetro de bocais e da pressão de serviço dos aspersores. Para gotejamento, o tempo é função da vazão e espaçamento entre gotejadores. Para o sistema por sulco, o tempo depende do espaçamento entre sulcos e do tipo de solo, devendo ser igual ao tempo necessário para a água atingir o final do sulco mais o tempo para que a quantidade de água necessária infiltre no solo.

É verdade que no sistema orgânico ocorre maior economia de água?
     Muito embora existam poucos estudos com esse enfoque, pode-se dizer que a economia é ligeiramente maior que no sistema convencional de produção. O menor gasto de água ocorre principalmente em razão do uso mais intensivo de material orgânico e de cobertura, que promovem a melhoria da estrutura física do solo e, conseqüentemente, o aumento de sua capacidade de armazenamento e de conservação de água. Assim, o intervalo entre irrigações no sistema orgânico pode ser maior que no sistema convencional, minimizando perdas de água por evaporação e percolação profunda.

Qual o melhor horário do dia para fazer as irrigações?
     Essa questão é de difícil resposta, pois depende de vários fatores, muitos deles pouco estudados. Em geral, o horário da irrigação tem pequena influência sobre o rendimento das culturas, exceto quando as regas são realizadas por aspersão, o que pode favorecer significativamente a severidade de doenças da parte aérea. A severidade depende do tipo de hortaliça, da pressão da população de patógenos, das condições climáticas e do tempo de molhamento foliar.
     A fim de minimizar o risco de algumas doenças da parte aérea, especialmente em regiões sujeitas à formação de orvalho, as regas por aspersão devem ser feitas preferencialmente depois das primeiras horas da manhã e antes das últimas horas da tarde, a fim de reduzir o tempo em que a água permanece sobre a folha. No sistema por aspersão, as regas devem ser feitas em horários sem vento ou com ventos de baixa intensidade. Irrigações durante períodos de ventos intensos, além de favorecer a maior evaporação de água, prejudica demasiadamente sua distribuição, podendo comprometer a produtividade.

Que outros aspectos devem ser considerados na escolha do horário de irrigação?
     Outros aspectos que não afetam a produtividade, mas que podem influenciar na escolha do horário da irrigação, estão relacionados à operação do sistema de irrigação, à disponibilidade de mão-de-obra e ao custo de energia. As companhias elétricas dispõem de tarifas com desconto especial para consumidores de irrigação agrícola. Os descontos, que dependem da região, podem variar entre 70 % e 90 %, para consumidores de alta tensão e entre 60 % e 73 %, para consumidores de baixa tensão. A exigência é que haja adesão do produtor ao programa e que as irrigações sejam feitas no horário noturno, entre 21h30 e 6h.
     A irrigação no período noturno apresenta a vantagem de minimizar as perdas de água por evaporação e, assim, conservar água e energia. Por sua vez, a irrigação noturna depende de maior grau de automatização do sistema de irrigação e da disponibilidade de mão-de-obra, além de envolver aspectos trabalhistas. Na escolha do horário de irrigação, outro fator importante é a capacidade do sistema de irrigação, pois este é geralmente dimensionado para funcionar durante um número máximo de horas por dia a fim de atender toda a área irrigada inicialmente prevista em projeto. Assim, muitas vezes, não se tem flexibilidade na escolha do horário de irrigação.

É necessário irrigar as hortaliças até no dia da colheita?
     Apenas as hortaliças folhosas devem ser irrigadas até na véspera da colheita. Para os demais tipos de hortaliças, as irrigações podem ser paralisadas vários dias antes da última colheita, pois o solo pode fornecer água às plantas por vários dias.
     A época correta de se paralisar as irrigações depende da textura do solo, do clima e da hortaliça cultivada. Em solos argilosos e clima ameno (temperatura baixa e umidade relativa alta), as irrigações podem ser paralisadas bem antes que em solos arenosos  e regiões de clima quente e seco. Em cultivos de cebola, batata e alho, por exemplo, as irrigações podem ser interrompidas de 5 a 10 dias antes da colheita. Em hortaliças do tipo fruto, como tomate e pimentão, as regas podem ser paralisadas entre 3 e 7 dias antes da última colheita.
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