quinta-feira, 22 de janeiro de 2015



Principais benefícios do uso de cobertura do solo
• Promover a formação de cobertura vegetal, impedindo o impacto direto das gotas de chuva no solo e quebrando a energia cinética da chuva e, com isso, diminuindo a erosão do solo especialmente em terrenos com maior declividade e, em consequência, protegendo as fontes de água de assoreamento e contaminações e, o mais importante, diminuindo os riscos de enchentes e enxurradas;
• Manutenção da umidade do solo, diminuindo as perdas por evaporação. Pode ocorrer uma redução de até 20% na necessidade de irrigação;
• Aumentar a infiltração de água no solo, diminuindo o escorrimento superficial;
• Buscar uma melhor estruturação do solo (melhor agregação, maior aeração), favorecendo os cultivos posteriores;
• Implementar a reciclagem de nutrientes no solo. Através das espécies com sistema radicular mais profundos é possível reaproveitar os nutrientes já perdidos, para serem aproveitados pelos cultivos;
• Melhorar o manejo de plantas espontâneas (“mato” ou “inços”), cultivando plantas de cobertura com alto grau de competitividade e com isso, economizar capinas.  Algumas espécies de adubos verdes (ex.: aveia preta e feijão de porco) ainda tem efeito alelopático sobre as plantas espontâneas (papuã e tiririca ou junça), inibindo-as;
• Aumentar o teor de matéria orgânica do solo, melhorando características físicas, químicas e biológicas do solo. É a matéria orgânica que dá a cor escura aos solos e que garante que ele se mantenha “vivo”. A matéria orgânica atua tanto na fertilidade do solo quanto em seu condicionamento físico, tornando os solos argilosos mais “leves” e soltos e, tornando os arenosos com maior retenção de umidade;
. Aumentar a biodiversidade e, com isso, maior equilíbrio ecológico das espécies e, em consequência, menor surgimento de pragas e doenças. A agricultura convencional ao priorizar a monocultura, o uso frequente de agrotóxicos e a remoção da vegetação nativa, reduz a diversidade de espécies causando o desequilíbrio do meio ambiente favorecendo o desenvolvimento de pragas e desfavorecendo os inimigos naturais destas pragas. A cobertura vegetal, além de evitar a erosão do solo, pode servir de abrigo, alimento e local de reprodução;
. Tanto a cobertura morta como a cobertura viva facilita e favorece o plantio direto e cultivo mínimo dos cultivos. O revolvimento excessivo do solo provoca a destruição dos agregados do solo, acelerando a decomposição e a perda da matéria orgânica e, além disso, pode levar ao endurecimento da camada superior do solo, que fica então compactada e difícil de trabalhar;
. Regulação térmica do solo, observando-se amenização da temperatura nas horas mais quentes do dia com redução de até 10oC na palhada de superfície do solo, em relação ao solo desprotegido, e retenção do calor residual nas horas mais frias do dia.  


Tipos e características das coberturas do solo
Existem inúmeros tipos  de coberturas do solo, sendo que cada um possui características específicas. Quando decidir pelo uso de cobertura morta, deve-se sempre procurar aquele tipo que tem maior disponibilidade na propriedade ou em propriedades vizinhas. Por exemplo,  em regiões de grandes plantios de milho, feijão e arroz irrigado, deve-se dar preferência para as palhas destes cultivos. O cultivo de plantas de cobertura (adubos verdes) e o seu corte no próprio local é uma maneira de respeitar o princípio da sustentabilidade preconizado pelos sistemas orgânicos de produção, reduzindo a importação de insumos. A busca de palhada em outro local garante a cobertura do solo, mas não o efeito de estruturação do solo promovido pela “aração biológica”, que consiste na decomposição do sistema radicular das culturas precedentes, tornando o solo leve, poroso, além de aumentar seu teor de matéria orgânica. A vegetação espontânea (algumas gramíneas no verão e algumas folhas largas no inverno) também pode ser aproveitada como cobertura do solo, “viva” ou morta, caso seja roçada.

Cobertura morta
Essa prática consiste na colocação de capim ou palha seca (5 a 10cm) e outros materiais como bagaço de cana, nas entrelinhas das hortaliças cultivadas em espaçamentos maiores. A cobertura morta mantém a superfície do solo sem a formação de crosta (superfície endurecida), evita a evaporação da água da chuva ou da irrigação, reduz a erosão em solos inclinados, diminui a temperatura do solo no verão e, principalmente, economiza capinas devido à menor incidência de plantas espontâneas e também reduz a necessidade de fazer escarificações.    Além  de proteger as plantas das adversidades do clima (chuvas torrenciais, temperaturas elevadas e frio), desfavorece o aparecimento de pragas e doenças; a cobertura do solo ao reduzir o contraste entre a cor verde da planta e a cor do solo (palha seca, casca de arroz e serragem) diminui a incidência de pulgões.    Trabalhos de pesquisa evidenciam que, dependendo da cobertura morta, é possível reduzir a temperatura do solo em até 10ºC, quando comparado ao solo descoberto. Resíduos vegetais em decomposição não devem ser aplicados, pois a sua fermentação é prejudicial às plantas cultivadas.



Figura 1. Cobertura morta com casca de arroz no cultivo orgânico de morango na Epagri/Estação Experimental de Urussanga, SC.




Figura 2. Cultivo orgânico de repolho em cobertura de palha de milho na Epagri/Estação Experimental de Urussanga,SC


Figura 3. Cultivo orgânico de couve-flor sobre cobertura de palha de arroz na Epagri/Estação Experimental de Urussanga,SC


Cobertura viva
     O cultivo mínimo é a mínima manipulação do solo necessária para a semeadura ou plantio de mudas. O plantio direto é um método que não revolve o solo. A camada de cobertura vegetal é mantida e se faz apenas a abertura de um pequeno sulco ou cova onde é colocada a semente ou a muda. Neste sistema, basta fazer uma roçada com foice ou roçadeira manual (áreas menores)  ou trator com roçadeira  (áreas maiores); após deve-se abrir as covas ou sulcos, mantendo-se a linha de plantio no limpo e roçando, sempre que necessário, nas entrelinhas. No cultivo convencional, o plantio direto e cultivo mínimo são usados, mas sempre com herbicidas, visando dessecar o adubo verde ou as plantas espontâneas (“mato”), para permitir o plantio direto ou cultivo mínimo das sementes ou mudas. Muitos acreditam que o plantio direto e o cultivo mínimo só é possível com o uso de herbicidas, o que não é verdade. Vale lembrar que o uso de herbicidas nos perímetros urbanos é proibido em Santa Catarina. Na agricultura orgânica, as plantas espontâneas e de cobertura (adubos verdes) não são considerados problemas e, sim a solução, quando se deseja fazer o plantio direto ou cultivo mínimo das hortaliças. A competição por água e nutrientes exercida pelas plantas espontâneas e adubos verdes junto aos cultivos é uma preocupação para o hemisfério norte, onde a estação de crescimento é fria, única e curta. Nas condições tropicais e subtropicais que predomina no Brasil, esta competição é menos problemática do que a falta de cobertura do solo; as plantas espontâneas e os adubos verdes ajudam a cobrir o solo, reduzindo a erosão e o aquecimento superficial, nossos principais problemas.  Ao reduzir a erosão e o aquecimento superficial, contribuem para melhorar a disponibilidade de água e a absorção de nutrientes pelas raízes. As plantas espontâneas e os adubos verdes, além de aumentar a densidade e a diversidade de raízes, contribuem para a reciclagem de nutrientes e para melhorar a vida do solo. São fontes de biomassa, produzem flores que atraem insetos predadores e, ainda podem servir de alimento preferencial para as pragas das culturas.


Figura 4. Cultivo mínimo de repolho sobre adubos verdes


Plantas de cobertura do solo e adubação verde:   Até pouco tempo atrás, a adubação verde, embora reconhecida como importante prática agrícola, não era feita nas pequenas propriedades devido ao tempo e área que ocupava, impedindo os cultivos comerciais que davam o retorno financeiro. Nesta época se pensava que as espécies semeadas, ao atingir o desenvolvimento máximo, teriam como única opção serem  roçadas e incorporadas ao solo. Atualmente, este conceito evoluiu e os adubos verdes tem sido utilizados como cobertura morta ou viva até consorciados com as culturas, possibilitando o plantio direto e o cultivo mínimo dos cultivos e ainda a proteção do solo e diminuição das plantas espontâneas (“mato”) através da alelopatia (substâncias químicas liberadas pelas plantas que influenciam o desenvolvimento de outras plantas).  Também no outono/inverno, embora com menor frequência, podem ocorrer fortes chuvas que provocam erosão do solo e, também o surgimento de plantas espontâneas (“mato”) de inverno,  daí a importância da cobertura do solo com adubos verdes. São importantes na conservação do solo, no suprimento de nutrientes  e, principalmente, no manejo de plantas espontâneas (“mato”). Estas plantas são a garantia de continuidade da vida, pois o solo estará suprido de alimentos (matéria orgânica e outros nutrientes, além do ar e da água) para que os bilhões de seres vivos possam interagir para melhorar a estrutura do solo, disponibilizando nutrientes essenciais para os cultivos. A adubação verde consiste no cultivo de algumas espécies de plantas que, ao serem incorporadas ou derrubadas no solo, fornecem matéria orgânica, servindo ainda como cobertura do solo, evitando a erosão. Além disso, podem fornecer nitrogênio, funcionam como subsoladores naturais do solo, permitindo a entrada de ar e de água de maneira adequada no solo,  pois suas raízes ao atingir diferentes profundidades, ainda reciclam nutrientes, trazendo-os até à superfície. As plantas da família botânica das leguminosas, são consideradas ótimas para adubação verde por serem ricas em nitrogênio e possuírem raízes ramificadas e profundas. A mucuna cultivada isoladamente ou em consorciação com milho-verde é um ótimo exemplo de adubação verde e de cobertura do solo.
Os principais benefícios da adubação verde para o solo são: proteção contra a erosão e lavagem de nutrientes do solo pelas chuvas; maior infiltração e retenção de água; aumento da matéria orgânica  e melhoria do solo no aspecto físico redução do impacto das gotas de chuva, diminuindo a erosão e compactação do solo, maior infiltração e retenção de água em 10 vezes mais e, ainda menor variação da temperatura no solo; químico -  aumento do teor de húmus no solo, enriquecimento variado de nutrientes (poupança verde) e maior disponibilidade e reciclagem de nutrientes e,  biológico -  aumento da atividade de microorganismos benéficos (vida do solo). Além disso, reduz a evaporação de água e as oscilações de temperaturas das camadas superficiais do solo; a grande produção de raízes profundas e ramificadas rompe camadas compactadas, promove a aeração beneficiando a vida do solo e, mobiliza e recicla nutrientes das camadas mais profundas do solo; reduz as plantas espontâneas (“matos”), devido o crescimento rápido e agressivo. As plantas de cobertura afetam diretamente a germinação das sementes e o crescimento das plantas espontâneas, podendo, quando a cobertura do solo estiver acima de 90%, reduzir o número de plantas espontâneas em até 75%.;  a adubação verde torna disponível vários nutrientes, reduz a acidez do solo e as pragas e doenças quando em rotação e, em consorciação e, ainda serve de abrigo para os inimigos naturais das pragas.
Rotação e consorciação de culturas:  o consórcio de adubos verdes (aveia - 60 kg/ha; ervilhaca -18 kg/ha  e nabo forrageiro – 4 kg/ha) é também uma ótima opção para melhorar a cobertura do solo no outono e inverno, auxiliar no manejo de plantas espontâneas e melhorar a fertilidade (fornecendo nitrogênio e reciclando nutrientes) e a descompactação do solo. A rotação de culturas com milho-verde (gramínea) consorciado com mucuna (leguminosa), na primavera e verão, reduz doenças e pragas,  inibe a presença de plantas espontâneas (ex.: tiririca, picão preto e branco, capim carrapicho e capim paulista), protege o solo contra a erosão, melhora a fertilidade do solo e, ainda recicla nutrientes devido ao sistema radicular profundo da mucuna; O uso de leguminosas consorciadas com os cultivos também contribuem para aumentar a biodiversidade e favorecer a reprodução e manutenção de inimigos naturais de insetos pragas dos cultivos comerciais, contribuindo para o equilíbrio ecológico, fundamental para a produção sustentável de alimentos.



Figura 5. Rotação e consorciação de milho-verde e mucuna na Epagri/Estação Experimental de Urussanga, SC


O uso dos adubos verdes pode ser feito tanto em áreas em que se fez o preparo do solo como em áreas cobertas por palhadas ou restos culturais. A forma de manejo depende da finalidade da adubação verde.
Incorporados ao solo:  esta é a forma antiga de manejo dos adubos verdes, quando o objetivo principal é o fornecimento de nutrientes para a cultura seguinte, devido a decomposição rápida.
Mantidos na superfície do solo: esta é a forma moderna de manejo de adubos verdes, visando-se a proteção do solo contra erosão e plantas espontâneas (decomposição lenta), a produção de palhada (cobertura morta ou viva) para o plantio direto ou cultivo mínimo, a reciclagem de nutrientes, o aumento da infiltração e retenção de água no solo e, favorecimento da população de organismos benéficos e inimigos naturais dos insetos-pragas.
Acamamento: é a prática mais recomendada para realização de plantio direto e cultivo mínimo de hortaliças ou grãos e também nos pomares. O acamamento pode ser feito com equipamentos simples como o rolo-faca e outros.
Roçada: Esta prática é usada quando não se consegue fazer o acamamento ou então quando os adubos verdes em consorciação estão competindo especialmente por luz. Quando é preciso fazer canteiros e a produção de massa verde é muito grande deve-se roçar para ficar mais fácil para incorporar a adubação verde. Para cultivo de cenoura, por exemplo, deve-se incorporar a adubação verde superficial (10 a 15 cm de profundidade) com antecedência de 3 semanas antes da semeadura ou transplante (outras hortaliças) para dar tempo para a decomposição do material. Quando for feito o preparo do solo é muito importante tomar cuidado com o uso de enxadas rotativas, especialmente microtratores, pois movimenta excessivamente o solo, desestruturando-o e compactando-o. Por isso, sempre que possível deve-se dar preferência para o plantio direto e cultivo mínimo, tanto para culturas anuais como perenes.
Na agricultura orgânica o “mato”  é considerado “amigo” das plantas cultivadas porque cobre o solo, protegendo-o contra a erosão, chuvas fortes e estiagens, pode servir como adubação verde e até como abrigo e alimento de inimigos naturais dos insetos-pragas que atacam as culturas
As plantas espontâneas também podem servir de cobertura do solo, por isso, não devem ser totalmente eliminadas:  ocorre um mecanismo de sucessão natural de espécies numa determinada área e, por isso, a intervenção deverá ser no sentido de auxiliar a natureza para que este processo ocorra ao longo do tempo, para que a população de plantas espontâneas mais “agressivas” seja reduzida a níveis toleráveis, cedendo espaço para as mais “comportadas” e de mais fácil manejo. O crescimento das plantas espontâneas ao redor dos cultivos ou o estabelecimento de áreas ou faixas de vegetação espontâneas fora da área cultivada tem a vantagem de assegurar maior estabilidade do sistema produtivo, reduzindo os problemas com pragas e doenças e aumentando a atividade de inimigos naturais das pragas;        
Roçada das plantas espontâneas: estas plantas podem conviver com os cultivos após o período crítico de competição, especialmente por luz, nos 30 dias após o plantio. Dependendo da espécie cultivada, é possível permitir o crescimento das plantas espontâneas, as quais podem dificultar um pouco a colheita, porém , isto pode ser mais preferível do que controlá-las. Em certos casos, amassar as plantas espontâneas pode ser mais vantajoso do que roçar e roçar mais vantajoso do que capinar. Plantas espontâneas mais persistentes podem ter sua população controlada a níveis toleráveis se permitirmos que outras de ciclo mais longo as abafem.

Outros tipos de coberturas
O descarte de materiais oriundos de  cultivos,  indústrias ,serrarias ou outras têm assim uma aplicação para o material que ficaria em pilhas ocupando espaço e tornando-se ameaça de incêndios.
Capins e restos de cultivos:  diversos tipos de capins, além de servir para alimentação dos animais, também podem serem aproveitados para servir de cobertura morta, como por exemplo, o capim elefante que possui crescimento rápido e com  boa produção de  massa verde. Os restos dos cultivos sempre devem ser aproveitados ou na compostagem ou como cobertura morta. Quando as plantas de lavoura são colhidas no campo as máquinas ou os trabalhadores deixam as partes da planta que não necessitam no solo. É um tipo de prática conservacionista, pois além de agregar o material orgânico que decomposto se tornará terra, seus nutrientes ficarão acessíveis para as próximas plantas de cultivo.
Bagaço de cana-de-açúcar e outros:  Em regiões de cultivo de cana-de-açúcar visando a indústria do açúcar e álcool, há grande disponibilidade de bagaço que pode ser aproveitado na compostagem e também como cobertura morta. Também as indústrias de coco e outras proporcionam grande quantidade de resíduos que podem serem aproveitados como cobertura do solo.
Serragem: Por serragem entendemos o pó fino descartado pelas serrarias no processo de corte dos troncos. Tem consistência fina. Também necessita de sofrer decomposição e irá demorar mais tempo, pois a lignina do tronco é mais resistente aos microorganismos. Seu uso ao redor de plantas pode ocasionar a perda de nutrientes das plantas para os microorganismos, pois estes necessitam de nitrogênio para os processos de compostagem.
Aparas de gramados:  Nos jardins das casas, especialmente na cidade, são grandes as quantidades de aparas de gramados que podem serem aproveitados, depois de um certo tempo, como cobertura do solo nas hortas das casas. É um material orgânico e, portanto irá sofrer a ação dos microorganismos na decomposição. O processo é o mesmo explicado na  compostagem quando ocorre a elevação da temperatura pelos processos de decomposição. As plantas ao redor podem sofrer com isto. Ao recolher as aparas de grama deixar numa pilha em local destinado a isto. Somente usar depois de bem decompostas. Também pode ocorrer que gramados inçados forneçam sementes de inços, ocasionando uma infestação grande no local onde colocamos a cobertura. Deixando um tempo ao ar livre estas sementes germinarão e o inço poderá ser retirado.





Ferreira On 1/22/2015 02:14:00 AM Comentarios LEIA MAIS

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015




A perda de solo (erosão), que no Brasil alcança pelo menos 500 milhões de toneladas por ano, pode causar grandes prejuízos aos agricultores, que perdem rapidamente a capacidade produtiva e, o que é pior, vão parar nos rios, córregos e lagos, provocando cada vez mais enchentes e destruição, além de poluir as águas, causando a morte de peixes e outros animais. Boa parte dessa erosão poderia ser evitada pelo manejo adequado do solos, através de inúmeras práticas de conservação, especialmente a cobertura permanente do solo.

Figura 1. A “agricultura moderna”, ao praticar o revolvimento excessivo do solo e o uso de agrotóxicos e adubos químicos,  tem causado através da erosão, a redução da capacidade produtiva do solo e a contaminação dos rios, lagos e águas subterrâneas.


O que é o solo, como é formado e composição? O solo (terra) é a camada mais superficial da crosta terrestre, onde se desenvolvem muitas plantas e vive uma grande variedade de animais; é dele que retiramos parte dos nossos alimentos, além de servir como suporte à água, ao ar e nas construções das nossas moradias. Essa camada vem se formando há milhões de anos, com o acúmulo de pequenas partículas, formadas pelo desgaste das rochas, que foram se misturando com os restos de animais e plantas. Ações dos ventos, chuvas e organismos vivos são os responsáveis por este lento processo; calcula-se que cada centímetro do solo se forma em intervalo de tempo de 100 a 400 anos. O solo é uma mistura de ar, água, matéria orgânica e parte mineral. Dentro do solo existem pequenos furos (poros), onde ficam guardados a água e o ar que as raízes das plantas e os outros organismos necessitam para beber e respirar. A parte mineral do solo se divide, de acordo com o seu tamanho, em: areia (a parte mais grossa); silte (uma parte um pouco mais fina, ou seja o limo que faz escorregar) e argila (uma parte muito pequena ou seja, a mesma que gruda no sapato). O solo (considerado um “ser vivo”) é estudado em três aspectos: 1) físico (drenagem, capacidade de reter água, textura e porosidade); 2) químico (teor de matéria orgânica, pH, nutrientes, substâncias prejudiciais, húmus) e, 3) biológico (micro e macro organismos que o habitam).                        

Degradação e práticas de conservação do solo: A devastação das florestas, o preparo inadequado, o tráfego de máquinas, a erosão, a falta de cobertura e a compactação, são os fatores que mais degradam o solo, reduzindo sua vida e aumentando os distúrbios nutricionais e doenças e pragas. É mais econômico manter do que recuperar recursos naturais. A vida do solo depende da matéria orgânica que, por sua vez, influencia nos aspectos químicos, físicos e biológicos do solo e, ainda aumenta a resistência dos cultivos às pragas e doenças. As principais práticas para regenerar o solo degradado são: Cobertura permanente do solo, adubação orgânica, mecanização cautelosa e com equipamentos adequados, manejo de restos de culturas, cobertura morta, manejo das plantas espontâneas, rotação e consorciação de culturas, uso de quebra-ventos e de sistemas de produção integrados com árvores e com produção animal. A cobertura vegetal é a defesa natural de um terreno contra a erosão. Dessa forma, a copa das árvores e arbustos, em diferentes alturas, protege o solo do impacto direto das gotas das chuvas, enquanto as folhas mortas, galhos secos e matéria orgânica em vários estádios de decomposição e com abundância de organismos o mantém poroso (pela ação das raízes), com estrutura ideal para absorver grandes quantidades de água.
A perda de solo por erosão é considerado um dos maiores e mais alarmantes problemas ambientais, o que causa declínio dos rendimentos das culturas, aumentando os custos de produção, diminuindo, por conseguinte, a lucratividade da lavoura, entre outros danos, que em conjunto influenciam a qualidade de vida na Terra. A cobertura do solo, então, tem um papel relevante no processo de erosão, uma vez que ela pode atenuar os impactos das gotas de chuva, diminuindo a velocidade de escoamento da enxurrada. Experimentos realizados no Paraná, confirmam que a cobertura do solo com plantas ou restos vegetais é o principal fator que influi significativamente no processo de erosão, possibilitando uma redução drástica dos danos causados pela mesma. Os argumentos para seu uso dizem respeito ao impacto das gotas de chuva no solo, a radiação solar, evaporação, infestação de plantas invasoras e mineralização do solo a partir da matéria orgânica.

Importância e funções da cobertura do solo

Além da diminuição da erosão do solo, da evaporação e do consumo e preservação de água,  a cobertura do solo serve para:

1. Manejo de plantas espontâneas (“mato” ou “inços”)

A camada de 10 cm de cobertura  morta impede que  as sementes de inços germinem e se desenvolvam. É uma forma de controle barata e que não causa prejuízo ao meio ambiente. A cobertura do solo com adubos verdes (cobertura viva), por exemplo, com aveia preta, além de proteger muito bem o solo,  desfavorece o surgimento de plantas espontâneas, devido ao efeito alelopático desta importante gramínea, inibindo a germinação do papuã.  A mucuna, devido ao rápido desenvolvimento desfavorece as plantas espontâneas, suprimindo ou abafando. O feijão de porco, outra importante leguminosa, além de proteger e melhorar a fertilidade do solo,  através da alelopatia, inibe o desenvolvimento da tiririca ou junça,  As plantas espontâneas competem com as espécies cultivadas por luz, água e nutrientes, especialmente nos primeiros 30 dias. Por isso, é muito importante a retirada das mesmas ainda pequenas com a enxada, sacho ou, manualmente. Após o período crítico, as plantas espontâneas nas entrelinhas são consideradas “plantas amigas” pois ajudam a manter a umidade no solo e evitam a erosão do solo.

 

2. Controle de temperatura e perda de água

No clima brasileiro, predominantemente tropical e subtropical, em muitos lugares, com  a temperatura chegando a mais de 40 C no verão é preciso diminuir o calor junto ao solo. As plantas também precisam da proteção de coberturas para evitar que a perda de água por evaporação seja muito grande. A água potável será nos próximos anos cada vez mais cara e escassa, por isso devemos pensar então em alternativas de plantas e de coberturas para evitar aumentar o consumo.
A água de chuvas ou das regas percola no perfil do solo em direção a camadas mais profundas. Uma parte fica no solo, outra a planta usa nos seus processos biológicos e o restante é evaporado. Em solos arenosos o calor do solo e a facilidade da água para penetrar é maior que em solos argilosos. É, também, um solo que aumenta mais a temperatura com o sol quando não tem nenhuma cobertura viva ou inerte sobre ele.
As plantas ficam com pouca água, murcham durante o dia e com a noite retornam ao estado normal. Se não houver chuvas ou regas o murchamento é permanente e a planta morre. Com solo desnudo será necessária muito maior quantidade de água para atender as exigências das plantas cultivadas.

3. Coberturas de solo – Mulch – Adiciona fertilidade ao solo

Materiais orgânicos de qualquer natureza sofrem a ação dos microorganismos e do intemperismo. Com o passar do tempo serão transformados em  húmus. Conforme os seus componentes, estes adicionarão ao solo nutrientes que poderão ser aproveitados pelas plantas.  Especialmente os adubos verdes (leguminosas) atuam na “reciclagem de nutrientes” por causa de seu sistema radicular profundo, buscando nas camadas profundas do solo, os nutrientes já perdidos pelos cultivos comerciais e, com isso, trazendo-os para a superfície do solo, para serem aproveitados nos cultivos subsequentes. Nos solos sem cobertura vegetal e, especialmente com espécies de raízes superficiais, todos os nutrientes das camadas mais profundas se perderão e, o que é pior, vão parar nos rios, lagos e córregos, causando poluição e prejudicando os peixes.  Ao ser adicionado matéria orgânica, através das diferentes espécies, os adubos verdes atuam como “condicionadores” do solo, promovendo melhorias  nas características químicas, físicas e biológicas do solo. Além de proteger o solo, os adubos verdes, tais como a mucuna, crotalária e feijão de porco, tem a capacidade de fixar nitrogênio do ar através da simbiose (até 157 kg/ha de nitrogênio), fertilizando o solo.

 

Figura 2. A rotação de culturas com adubos verde e/ou consórcio (ex.:milho/mucuna): ótima opção para aumentar a matéria orgânica, melhorar a fertilidade do solo, cobrir o solo protegendo-o da erosão e, ainda reduzir a incidência de plantas espontâneas e compactação do solo, além de promover a reciclagem de nutrientes, devido ao sistema radicular vigoroso e profundo 

 

4. Ajuda no controle da erosão superficial

As camadas de mulch ao redor de árvores não deve passar de 10 cm, mas em outros lugares como acabamentos de canteiros, passagens entre pisadas ou dormentes não há restrições. A chuva leve não causa nenhum dano à superfície desnuda do solo, a água penetra para as camadas mais profundas. Mas as chuvas de temporais que são intensas caem com força ao solo, e podem arrastar quantidade significativa da camada superficial com maior teor de matéria orgânica.

5. Reduz a injúria às árvores e arbustos por instrumentos de corte

Roçadeiras e máquinas de cortar grama de lâminas ou fio de nylon podem causar lesões na casca do tronco de árvores e arbustos em jardins, servindo de porta de entrada para patógenos e insetos do tipo broca que irão prejudicar a planta. Com a cobertura morta não há necessidade do gramado chegar junto dos troncos e portanto estes estarão protegidos. 

6. Possibilita o plantio direto e cultivo mínimo
Os princípios do sistema de plantio direto seguem a lógica das florestas. Assim como o material orgânico caído das árvores se transforma em rico adubo natural, a palha decomposta de safras anteriores macro e microorganismos, transformando-se no “alimento” do solo. As vantagens são a redução no uso de insumos químicos e controle dos processos erosivos, uma vez que a infiltração da água se torna mais lenta pela permanente cobertura no solo. A quantidade de matéria orgânica triplica, de uma concentração de pouco mais de 1% para acima de 3%.
     O sistema de plantio direto e cultivo mínimo são práticas importantíssimas no cultivo orgânico de hortaliças, tendo em vista que a maioria dos nossos solos estão sujeitos a processos de erosão causado por chuvas intensas, aliado a baixos teores de matéria orgânica. Outra vantagem dessas práticas é o fato do solo estar sempre preparado para semeadura/plantio, mesmo em períodos chuvosos que não permite o revolvimento do mesmo devido a umidade excessiva. Para o plantio direto ou cultivo mínimo, bastar fazer uma roçada utilizando uma foice ou roçadeira manual para áreas maiores e abrir as covas ou sulcos.     O plantio direto é um método que não revolve o solo. A camada de cobertura vegetal é mantida e se faz apenas a abertura de um pequeno sulco ou cova onde é colocada a semente ou a muda.      O cultivo mínimo é a mínima manipulação do solo necessária para a semeadura ou plantio de mudas. Deixa-se uma considerável quantidade de cobertura na superfície (resíduos culturais), o que desfavorece a erosão do solo.


 

Figura 3. O Sistema de Plantio Direto na Palha (SPDP) contribui para que o solo não seja levado pelas erosões e armazene mais nutrientes, fertilizantes e corretivos

 

7.  O uso de cobertura no solo no Brasil é ecologicamente correto

 O revolvimento do solo não combina com o uso sustentável do solo no Brasil.  Em regiões de clima tropical e subtropical, predominantes no Brasil, o trator equipado com arado, grade, escarificador e, principalmente a enxada rotativa, contribuem para desagregar e compactar cada vez mais o solo, causando rápida  decomposição da matéria orgânica em quantidades maiores do que a reposição e, em consequência, diminuindo a produtividade. Além disso, as chuvas intensas e frequentes, cada vez mais comum, associada aos declives dos terrenos, causam grande perdas de solo (erosão) assoreando os rios e, contribuindo para as enchentes. O manejo inadequado do solo torna as lavouras cada vez mais exigentes em insumos e, em geral menos produtivas e, o que é pior, com alto custo de produção, pois a maioria dos agroquímicos são importados. O revolvimento do solo somente se justifica em algumas situações específicas para algumas culturas mais exigentes no preparo do solo e, principalmente, quando houver a necessidade de corrigir a acidez e a fertilidade do solo e, especialmente, em países onde o solo permanece coberto por neve em longos períodos do ano.
         O solo é um “ser vivo” e como tal deve ser tratado. Como qualquer outro organismo vivo, o solo necessita de alimentação em quantidade, qualidade e regularidade adequadas. A perda de solo (erosão) pode causar grandes prejuízos aos agricultores, que perdem rapidamente a capacidade produtiva e, o que é mais grave, vão parar nos rios, córregos e lagos, provocando cada vez mais enchentes e destruição.
     O solo, também chamado de terra, é a camada mais superficial da crosta terrestre, onde se desenvolvem muitas plantas e vive uma grande variedade de animais. É do solo que retiramos parte dos nossos alimentos. Os solos, geradores de vida e gerados pela vida, também podem ficarem doentes. Por essa razão, o manejo dos solos deve ser sadio, para que os organismos que vivem neles se desenvolvam todo o tempo. É importante que sejam plantadas diversas espécies vegetais para cobrir o solo, protegendo-o do sol intenso e da força das gotas de chuvas e, com sistemas radiculares que irão explorar volumes diferentes do solo. Junto com as raízes dessas plantas se desenvolvem microrganismos, que ajudam a aumentar o volume do solo explorado em busca de nutrientes. Trabalhando juntos, plantas e organismos do solo absorvem quantidades grandes e diversificadas de nutrientes; quando morrem, devolvem esses nutrientes principalmente na camada superficial, possibilitando uma nutrição equilibrada para as plantas cultivadas. Tudo se passa como um ciclo de vida: os nutrientes presentes até grandes profundidades são absorvidos por plantas adaptadas e organismos do solo. Esses nutrientes voltam à superfície incorporados na matéria orgânica, protegendo e alimentando os organismos do solo que atuam na decomposição da matéria orgânica, liberando os nutrientes nela contidos para serem absorvidos pelas plantas e por outros organismos que se desenvolverão junto às suas raízes.


   


   
Ferreira On 1/07/2015 11:29:00 AM Comentarios LEIA MAIS

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

A COBERTURA DO SOLO É MUITO IMPORTANTE PARA AS PLANTAS CULTIVADAS, ESPECIALMENTE NO VERÃO Parte II



Principais benefícios do uso de cobertura do solo
• Promover a formação de cobertura vegetal, impedindo o impacto direto das gotas de chuva no solo e quebrando a energia cinética da chuva e, com isso, diminuindo a erosão do solo especialmente em terrenos com maior declividade e, em consequência, protegendo as fontes de água de assoreamento e contaminações e, o mais importante, diminuindo os riscos de enchentes e enxurradas;
• Manutenção da umidade do solo, diminuindo as perdas por evaporação. Pode ocorrer uma redução de até 20% na necessidade de irrigação;
• Aumentar a infiltração de água no solo, diminuindo o escorrimento superficial;
• Buscar uma melhor estruturação do solo (melhor agregação, maior aeração), favorecendo os cultivos posteriores;
• Implementar a reciclagem de nutrientes no solo. Através das espécies com sistema radicular mais profundos é possível reaproveitar os nutrientes já perdidos, para serem aproveitados pelos cultivos;
• Melhorar o manejo de plantas espontâneas (“mato” ou “inços”), cultivando plantas de cobertura com alto grau de competitividade e com isso, economizar capinas.  Algumas espécies de adubos verdes (ex.: aveia preta e feijão de porco) ainda tem efeito alelopático sobre as plantas espontâneas (papuã e tiririca ou junça), inibindo-as;
• Aumentar o teor de matéria orgânica do solo, melhorando características físicas, químicas e biológicas do solo. É a matéria orgânica que dá a cor escura aos solos e que garante que ele se mantenha “vivo”. A matéria orgânica atua tanto na fertilidade do solo quanto em seu condicionamento físico, tornando os solos argilosos mais “leves” e soltos e, tornando os arenosos com maior retenção de umidade;
. Aumentar a biodiversidade e, com isso, maior equilíbrio ecológico das espécies e, em consequência, menor surgimento de pragas e doenças. A agricultura convencional ao priorizar a monocultura, o uso frequente de agrotóxicos e a remoção da vegetação nativa, reduz a diversidade de espécies causando o desequilíbrio do meio ambiente favorecendo o desenvolvimento de pragas e desfavorecendo os inimigos naturais destas pragas. A cobertura vegetal, além de evitar a erosão do solo, pode servir de abrigo, alimento e local de reprodução;
. Tanto a cobertura morta como a cobertura viva facilita e favorece o plantio direto e cultivo mínimo dos cultivos. O revolvimento excessivo do solo provoca a destruição dos agregados do solo, acelerando a decomposição e a perda da matéria orgânica e, além disso, pode levar ao endurecimento da camada superior do solo, que fica então compactada e difícil de trabalhar;
. Regulação térmica do solo, observando-se amenização da temperatura nas horas mais quentes do dia com redução de até 10oC na palhada de superfície do solo, em relação ao solo desprotegido, e retenção do calor residual nas horas mais frias do dia.  


Tipos e características das coberturas do solo
Existem inúmeros tipos  de coberturas do solo, sendo que cada um possui características específicas. Quando decidir pelo uso de cobertura morta, deve-se sempre procurar aquele tipo que tem maior disponibilidade na propriedade ou em propriedades vizinhas. Por exemplo,  em regiões de grandes plantios de milho, feijão e arroz irrigado, deve-se dar preferência para as palhas destes cultivos. O cultivo de plantas de cobertura (adubos verdes) e o seu corte no próprio local é uma maneira de respeitar o princípio da sustentabilidade preconizado pelos sistemas orgânicos de produção, reduzindo a importação de insumos. A busca de palhada em outro local garante a cobertura do solo, mas não o efeito de estruturação do solo promovido pela “aração biológica”, que consiste na decomposição do sistema radicular das culturas precedentes, tornando o solo leve, poroso, além de aumentar seu teor de matéria orgânica. A vegetação espontânea (algumas gramíneas no verão e algumas folhas largas no inverno) também pode ser aproveitada como cobertura do solo, “viva” ou morta, caso seja roçada.

Cobertura morta
Essa prática consiste na colocação de capim ou palha seca (5 a 10cm) e outros materiais como bagaço de cana, nas entrelinhas das hortaliças cultivadas em espaçamentos maiores. A cobertura morta mantém a superfície do solo sem a formação de crosta (superfície endurecida), evita a evaporação da água da chuva ou da irrigação, reduz a erosão em solos inclinados, diminui a temperatura do solo no verão e, principalmente, economiza capinas devido à menor incidência de plantas espontâneas e também reduz a necessidade de fazer escarificações.    Além  de proteger as plantas das adversidades do clima (chuvas torrenciais, temperaturas elevadas e frio), desfavorece o aparecimento de pragas e doenças; a cobertura do solo ao reduzir o contraste entre a cor verde da planta e a cor do solo (palha seca, casca de arroz e serragem) diminui a incidência de pulgões.    Trabalhos de pesquisa evidenciam que, dependendo da cobertura morta, é possível reduzir a temperatura do solo em até 10ºC, quando comparado ao solo descoberto. Resíduos vegetais em decomposição não devem ser aplicados, pois a sua fermentação é prejudicial às plantas cultivadas.



Figura 1. Cobertura morta com casca de arroz no cultivo orgânico de morango na Epagri/Estação Experimental de Urussanga, SC.




Figura 2. Cultivo orgânico de repolho em cobertura de palha de milho na Epagri/Estação Experimental de Urussanga,SC


Figura 3. Cultivo orgânico de couve-flor sobre cobertura de palha de arroz na Epagri/Estação Experimental de Urussanga,SC


Cobertura viva
     O cultivo mínimo é a mínima manipulação do solo necessária para a semeadura ou plantio de mudas. O plantio direto é um método que não revolve o solo. A camada de cobertura vegetal é mantida e se faz apenas a abertura de um pequeno sulco ou cova onde é colocada a semente ou a muda. Neste sistema, basta fazer uma roçada com foice ou roçadeira manual (áreas menores)  ou trator com roçadeira  (áreas maiores); após deve-se abrir as covas ou sulcos, mantendo-se a linha de plantio no limpo e roçando, sempre que necessário, nas entrelinhas. No cultivo convencional, o plantio direto e cultivo mínimo são usados, mas sempre com herbicidas, visando dessecar o adubo verde ou as plantas espontâneas (“mato”), para permitir o plantio direto ou cultivo mínimo das sementes ou mudas. Muitos acreditam que o plantio direto e o cultivo mínimo só é possível com o uso de herbicidas, o que não é verdade. Vale lembrar que o uso de herbicidas nos perímetros urbanos é proibido em Santa Catarina. Na agricultura orgânica, as plantas espontâneas e de cobertura (adubos verdes) não são considerados problemas e, sim a solução, quando se deseja fazer o plantio direto ou cultivo mínimo das hortaliças. A competição por água e nutrientes exercida pelas plantas espontâneas e adubos verdes junto aos cultivos é uma preocupação para o hemisfério norte, onde a estação de crescimento é fria, única e curta. Nas condições tropicais e subtropicais que predomina no Brasil, esta competição é menos problemática do que a falta de cobertura do solo; as plantas espontâneas e os adubos verdes ajudam a cobrir o solo, reduzindo a erosão e o aquecimento superficial, nossos principais problemas.  Ao reduzir a erosão e o aquecimento superficial, contribuem para melhorar a disponibilidade de água e a absorção de nutrientes pelas raízes. As plantas espontâneas e os adubos verdes, além de aumentar a densidade e a diversidade de raízes, contribuem para a reciclagem de nutrientes e para melhorar a vida do solo. São fontes de biomassa, produzem flores que atraem insetos predadores e, ainda podem servir de alimento preferencial para as pragas das culturas.


Figura 4. Cultivo mínimo de repolho sobre adubos verdes


Plantas de cobertura do solo e adubação verde:   Até pouco tempo atrás, a adubação verde, embora reconhecida como importante prática agrícola, não era feita nas pequenas propriedades devido ao tempo e área que ocupava, impedindo os cultivos comerciais que davam o retorno financeiro. Nesta época se pensava que as espécies semeadas, ao atingir o desenvolvimento máximo, teriam como única opção serem  roçadas e incorporadas ao solo. Atualmente, este conceito evoluiu e os adubos verdes tem sido utilizados como cobertura morta ou viva até consorciados com as culturas, possibilitando o plantio direto e o cultivo mínimo dos cultivos e ainda a proteção do solo e diminuição das plantas espontâneas (“mato”) através da alelopatia (substâncias químicas liberadas pelas plantas que influenciam o desenvolvimento de outras plantas).  Também no outono/inverno, embora com menor frequência, podem ocorrer fortes chuvas que provocam erosão do solo e, também o surgimento de plantas espontâneas (“mato”) de inverno,  daí a importância da cobertura do solo com adubos verdes. São importantes na conservação do solo, no suprimento de nutrientes  e, principalmente, no manejo de plantas espontâneas (“mato”). Estas plantas são a garantia de continuidade da vida, pois o solo estará suprido de alimentos (matéria orgânica e outros nutrientes, além do ar e da água) para que os bilhões de seres vivos possam interagir para melhorar a estrutura do solo, disponibilizando nutrientes essenciais para os cultivos. A adubação verde consiste no cultivo de algumas espécies de plantas que, ao serem incorporadas ou derrubadas no solo, fornecem matéria orgânica, servindo ainda como cobertura do solo, evitando a erosão. Além disso, podem fornecer nitrogênio, funcionam como subsoladores naturais do solo, permitindo a entrada de ar e de água de maneira adequada no solo,  pois suas raízes ao atingir diferentes profundidades, ainda reciclam nutrientes, trazendo-os até à superfície. As plantas da família botânica das leguminosas, são consideradas ótimas para adubação verde por serem ricas em nitrogênio e possuírem raízes ramificadas e profundas. A mucuna cultivada isoladamente ou em consorciação com milho-verde é um ótimo exemplo de adubação verde e de cobertura do solo.
Os principais benefícios da adubação verde para o solo são: proteção contra a erosão e lavagem de nutrientes do solo pelas chuvas; maior infiltração e retenção de água; aumento da matéria orgânica  e melhoria do solo no aspecto físico redução do impacto das gotas de chuva, diminuindo a erosão e compactação do solo, maior infiltração e retenção de água em 10 vezes mais e, ainda menor variação da temperatura no solo; químico -  aumento do teor de húmus no solo, enriquecimento variado de nutrientes (poupança verde) e maior disponibilidade e reciclagem de nutrientes e,  biológico -  aumento da atividade de microorganismos benéficos (vida do solo). Além disso, reduz a evaporação de água e as oscilações de temperaturas das camadas superficiais do solo; a grande produção de raízes profundas e ramificadas rompe camadas compactadas, promove a aeração beneficiando a vida do solo e, mobiliza e recicla nutrientes das camadas mais profundas do solo; reduz as plantas espontâneas (“matos”), devido o crescimento rápido e agressivo. As plantas de cobertura afetam diretamente a germinação das sementes e o crescimento das plantas espontâneas, podendo, quando a cobertura do solo estiver acima de 90%, reduzir o número de plantas espontâneas em até 75%.;  a adubação verde torna disponível vários nutrientes, reduz a acidez do solo e as pragas e doenças quando em rotação e, em consorciação e, ainda serve de abrigo para os inimigos naturais das pragas.
Rotação e consorciação de culturas:  o consórcio de adubos verdes (aveia - 60 kg/ha; ervilhaca -18 kg/ha  e nabo forrageiro – 4 kg/ha) é também uma ótima opção para melhorar a cobertura do solo no outono e inverno, auxiliar no manejo de plantas espontâneas e melhorar a fertilidade (fornecendo nitrogênio e reciclando nutrientes) e a descompactação do solo. A rotação de culturas com milho-verde (gramínea) consorciado com mucuna (leguminosa), na primavera e verão, reduz doenças e pragas,  inibe a presença de plantas espontâneas (ex.: tiririca, picão preto e branco, capim carrapicho e capim paulista), protege o solo contra a erosão, melhora a fertilidade do solo e, ainda recicla nutrientes devido ao sistema radicular profundo da mucuna; O uso de leguminosas consorciadas com os cultivos também contribuem para aumentar a biodiversidade e favorecer a reprodução e manutenção de inimigos naturais de insetos pragas dos cultivos comerciais, contribuindo para o equilíbrio ecológico, fundamental para a produção sustentável de alimentos.



Figura 5. Rotação e consorciação de milho-verde e mucuna na Epagri/Estação Experimental de Urussanga, SC


O uso dos adubos verdes pode ser feito tanto em áreas em que se fez o preparo do solo como em áreas cobertas por palhadas ou restos culturais. A forma de manejo depende da finalidade da adubação verde.
Incorporados ao solo:  esta é a forma antiga de manejo dos adubos verdes, quando o objetivo principal é o fornecimento de nutrientes para a cultura seguinte, devido a decomposição rápida.
Mantidos na superfície do solo: esta é a forma moderna de manejo de adubos verdes, visando-se a proteção do solo contra erosão e plantas espontâneas (decomposição lenta), a produção de palhada (cobertura morta ou viva) para o plantio direto ou cultivo mínimo, a reciclagem de nutrientes, o aumento da infiltração e retenção de água no solo e, favorecimento da população de organismos benéficos e inimigos naturais dos insetos-pragas.
Acamamento: é a prática mais recomendada para realização de plantio direto e cultivo mínimo de hortaliças ou grãos e também nos pomares. O acamamento pode ser feito com equipamentos simples como o rolo-faca e outros.
Roçada: Esta prática é usada quando não se consegue fazer o acamamento ou então quando os adubos verdes em consorciação estão competindo especialmente por luz. Quando é preciso fazer canteiros e a produção de massa verde é muito grande deve-se roçar para ficar mais fácil para incorporar a adubação verde. Para cultivo de cenoura, por exemplo, deve-se incorporar a adubação verde superficial (10 a 15 cm de profundidade) com antecedência de 3 semanas antes da semeadura ou transplante (outras hortaliças) para dar tempo para a decomposição do material. Quando for feito o preparo do solo é muito importante tomar cuidado com o uso de enxadas rotativas, especialmente microtratores, pois movimenta excessivamente o solo, desestruturando-o e compactando-o. Por isso, sempre que possível deve-se dar preferência para o plantio direto e cultivo mínimo, tanto para culturas anuais como perenes.
Na agricultura orgânica o “mato”  é considerado “amigo” das plantas cultivadas porque cobre o solo, protegendo-o contra a erosão, chuvas fortes e estiagens, pode servir como adubação verde e até como abrigo e alimento de inimigos naturais dos insetos-pragas que atacam as culturas
As plantas espontâneas também podem servir de cobertura do solo, por isso, não devem ser totalmente eliminadas:  ocorre um mecanismo de sucessão natural de espécies numa determinada área e, por isso, a intervenção deverá ser no sentido de auxiliar a natureza para que este processo ocorra ao longo do tempo, para que a população de plantas espontâneas mais “agressivas” seja reduzida a níveis toleráveis, cedendo espaço para as mais “comportadas” e de mais fácil manejo. O crescimento das plantas espontâneas ao redor dos cultivos ou o estabelecimento de áreas ou faixas de vegetação espontâneas fora da área cultivada tem a vantagem de assegurar maior estabilidade do sistema produtivo, reduzindo os problemas com pragas e doenças e aumentando a atividade de inimigos naturais das pragas;        
Roçada das plantas espontâneas: estas plantas podem conviver com os cultivos após o período crítico de competição, especialmente por luz, nos 30 dias após o plantio. Dependendo da espécie cultivada, é possível permitir o crescimento das plantas espontâneas, as quais podem dificultar um pouco a colheita, porém , isto pode ser mais preferível do que controlá-las. Em certos casos, amassar as plantas espontâneas pode ser mais vantajoso do que roçar e roçar mais vantajoso do que capinar. Plantas espontâneas mais persistentes podem ter sua população controlada a níveis toleráveis se permitirmos que outras de ciclo mais longo as abafem.

Outros tipos de coberturas
O descarte de materiais oriundos de  cultivos,  indústrias ,serrarias ou outras têm assim uma aplicação para o material que ficaria em pilhas ocupando espaço e tornando-se ameaça de incêndios.
Capins e restos de cultivos:  diversos tipos de capins, além de servir para alimentação dos animais, também podem serem aproveitados para servir de cobertura morta, como por exemplo, o capim elefante que possui crescimento rápido e com  boa produção de  massa verde. Os restos dos cultivos sempre devem ser aproveitados ou na compostagem ou como cobertura morta. Quando as plantas de lavoura são colhidas no campo as máquinas ou os trabalhadores deixam as partes da planta que não necessitam no solo. É um tipo de prática conservacionista, pois além de agregar o material orgânico que decomposto se tornará terra, seus nutrientes ficarão acessíveis para as próximas plantas de cultivo.
Bagaço de cana-de-açúcar e outros:  Em regiões de cultivo de cana-de-açúcar visando a indústria do açúcar e álcool, há grande disponibilidade de bagaço que pode ser aproveitado na compostagem e também como cobertura morta. Também as indústrias de coco e outras proporcionam grande quantidade de resíduos que podem serem aproveitados como cobertura do solo.
Serragem: Por serragem entendemos o pó fino descartado pelas serrarias no processo de corte dos troncos. Tem consistência fina. Também necessita de sofrer decomposição e irá demorar mais tempo, pois a lignina do tronco é mais resistente aos microorganismos. Seu uso ao redor de plantas pode ocasionar a perda de nutrientes das plantas para os microorganismos, pois estes necessitam de nitrogênio para os processos de compostagem.
Aparas de gramados:  Nos jardins das casas, especialmente na cidade, são grandes as quantidades de aparas de gramados que podem serem aproveitados, depois de um certo tempo, como cobertura do solo nas hortas das casas. É um material orgânico e, portanto irá sofrer a ação dos microorganismos na decomposição. O processo é o mesmo explicado na  compostagem quando ocorre a elevação da temperatura pelos processos de decomposição. As plantas ao redor podem sofrer com isto. Ao recolher as aparas de grama deixar numa pilha em local destinado a isto. Somente usar depois de bem decompostas. Também pode ocorrer que gramados inçados forneçam sementes de inços, ocasionando uma infestação grande no local onde colocamos a cobertura. Deixando um tempo ao ar livre estas sementes germinarão e o inço poderá ser retirado.





quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

A COBERTURA DO SOLO É MUITO IMPORTANTE PARA AS PLANTAS CULTIVADAS, ESPECIALMENTE NO VERÃO Parte I




A perda de solo (erosão), que no Brasil alcança pelo menos 500 milhões de toneladas por ano, pode causar grandes prejuízos aos agricultores, que perdem rapidamente a capacidade produtiva e, o que é pior, vão parar nos rios, córregos e lagos, provocando cada vez mais enchentes e destruição, além de poluir as águas, causando a morte de peixes e outros animais. Boa parte dessa erosão poderia ser evitada pelo manejo adequado do solos, através de inúmeras práticas de conservação, especialmente a cobertura permanente do solo.

Figura 1. A “agricultura moderna”, ao praticar o revolvimento excessivo do solo e o uso de agrotóxicos e adubos químicos,  tem causado através da erosão, a redução da capacidade produtiva do solo e a contaminação dos rios, lagos e águas subterrâneas.


O que é o solo, como é formado e composição? O solo (terra) é a camada mais superficial da crosta terrestre, onde se desenvolvem muitas plantas e vive uma grande variedade de animais; é dele que retiramos parte dos nossos alimentos, além de servir como suporte à água, ao ar e nas construções das nossas moradias. Essa camada vem se formando há milhões de anos, com o acúmulo de pequenas partículas, formadas pelo desgaste das rochas, que foram se misturando com os restos de animais e plantas. Ações dos ventos, chuvas e organismos vivos são os responsáveis por este lento processo; calcula-se que cada centímetro do solo se forma em intervalo de tempo de 100 a 400 anos. O solo é uma mistura de ar, água, matéria orgânica e parte mineral. Dentro do solo existem pequenos furos (poros), onde ficam guardados a água e o ar que as raízes das plantas e os outros organismos necessitam para beber e respirar. A parte mineral do solo se divide, de acordo com o seu tamanho, em: areia (a parte mais grossa); silte (uma parte um pouco mais fina, ou seja o limo que faz escorregar) e argila (uma parte muito pequena ou seja, a mesma que gruda no sapato). O solo (considerado um “ser vivo”) é estudado em três aspectos: 1) físico (drenagem, capacidade de reter água, textura e porosidade); 2) químico (teor de matéria orgânica, pH, nutrientes, substâncias prejudiciais, húmus) e, 3) biológico (micro e macro organismos que o habitam).                        

Degradação e práticas de conservação do solo: A devastação das florestas, o preparo inadequado, o tráfego de máquinas, a erosão, a falta de cobertura e a compactação, são os fatores que mais degradam o solo, reduzindo sua vida e aumentando os distúrbios nutricionais e doenças e pragas. É mais econômico manter do que recuperar recursos naturais. A vida do solo depende da matéria orgânica que, por sua vez, influencia nos aspectos químicos, físicos e biológicos do solo e, ainda aumenta a resistência dos cultivos às pragas e doenças. As principais práticas para regenerar o solo degradado são: Cobertura permanente do solo, adubação orgânica, mecanização cautelosa e com equipamentos adequados, manejo de restos de culturas, cobertura morta, manejo das plantas espontâneas, rotação e consorciação de culturas, uso de quebra-ventos e de sistemas de produção integrados com árvores e com produção animal. A cobertura vegetal é a defesa natural de um terreno contra a erosão. Dessa forma, a copa das árvores e arbustos, em diferentes alturas, protege o solo do impacto direto das gotas das chuvas, enquanto as folhas mortas, galhos secos e matéria orgânica em vários estádios de decomposição e com abundância de organismos o mantém poroso (pela ação das raízes), com estrutura ideal para absorver grandes quantidades de água.
A perda de solo por erosão é considerado um dos maiores e mais alarmantes problemas ambientais, o que causa declínio dos rendimentos das culturas, aumentando os custos de produção, diminuindo, por conseguinte, a lucratividade da lavoura, entre outros danos, que em conjunto influenciam a qualidade de vida na Terra. A cobertura do solo, então, tem um papel relevante no processo de erosão, uma vez que ela pode atenuar os impactos das gotas de chuva, diminuindo a velocidade de escoamento da enxurrada. Experimentos realizados no Paraná, confirmam que a cobertura do solo com plantas ou restos vegetais é o principal fator que influi significativamente no processo de erosão, possibilitando uma redução drástica dos danos causados pela mesma. Os argumentos para seu uso dizem respeito ao impacto das gotas de chuva no solo, a radiação solar, evaporação, infestação de plantas invasoras e mineralização do solo a partir da matéria orgânica.

Importância e funções da cobertura do solo

Além da diminuição da erosão do solo, da evaporação e do consumo e preservação de água,  a cobertura do solo serve para:

1. Manejo de plantas espontâneas (“mato” ou “inços”)

A camada de 10 cm de cobertura  morta impede que  as sementes de inços germinem e se desenvolvam. É uma forma de controle barata e que não causa prejuízo ao meio ambiente. A cobertura do solo com adubos verdes (cobertura viva), por exemplo, com aveia preta, além de proteger muito bem o solo,  desfavorece o surgimento de plantas espontâneas, devido ao efeito alelopático desta importante gramínea, inibindo a germinação do papuã.  A mucuna, devido ao rápido desenvolvimento desfavorece as plantas espontâneas, suprimindo ou abafando. O feijão de porco, outra importante leguminosa, além de proteger e melhorar a fertilidade do solo,  através da alelopatia, inibe o desenvolvimento da tiririca ou junça,  As plantas espontâneas competem com as espécies cultivadas por luz, água e nutrientes, especialmente nos primeiros 30 dias. Por isso, é muito importante a retirada das mesmas ainda pequenas com a enxada, sacho ou, manualmente. Após o período crítico, as plantas espontâneas nas entrelinhas são consideradas “plantas amigas” pois ajudam a manter a umidade no solo e evitam a erosão do solo.

 

2. Controle de temperatura e perda de água

No clima brasileiro, predominantemente tropical e subtropical, em muitos lugares, com  a temperatura chegando a mais de 40 C no verão é preciso diminuir o calor junto ao solo. As plantas também precisam da proteção de coberturas para evitar que a perda de água por evaporação seja muito grande. A água potável será nos próximos anos cada vez mais cara e escassa, por isso devemos pensar então em alternativas de plantas e de coberturas para evitar aumentar o consumo.
A água de chuvas ou das regas percola no perfil do solo em direção a camadas mais profundas. Uma parte fica no solo, outra a planta usa nos seus processos biológicos e o restante é evaporado. Em solos arenosos o calor do solo e a facilidade da água para penetrar é maior que em solos argilosos. É, também, um solo que aumenta mais a temperatura com o sol quando não tem nenhuma cobertura viva ou inerte sobre ele.
As plantas ficam com pouca água, murcham durante o dia e com a noite retornam ao estado normal. Se não houver chuvas ou regas o murchamento é permanente e a planta morre. Com solo desnudo será necessária muito maior quantidade de água para atender as exigências das plantas cultivadas.

3. Coberturas de solo – Mulch – Adiciona fertilidade ao solo

Materiais orgânicos de qualquer natureza sofrem a ação dos microorganismos e do intemperismo. Com o passar do tempo serão transformados em  húmus. Conforme os seus componentes, estes adicionarão ao solo nutrientes que poderão ser aproveitados pelas plantas.  Especialmente os adubos verdes (leguminosas) atuam na “reciclagem de nutrientes” por causa de seu sistema radicular profundo, buscando nas camadas profundas do solo, os nutrientes já perdidos pelos cultivos comerciais e, com isso, trazendo-os para a superfície do solo, para serem aproveitados nos cultivos subsequentes. Nos solos sem cobertura vegetal e, especialmente com espécies de raízes superficiais, todos os nutrientes das camadas mais profundas se perderão e, o que é pior, vão parar nos rios, lagos e córregos, causando poluição e prejudicando os peixes.  Ao ser adicionado matéria orgânica, através das diferentes espécies, os adubos verdes atuam como “condicionadores” do solo, promovendo melhorias  nas características químicas, físicas e biológicas do solo. Além de proteger o solo, os adubos verdes, tais como a mucuna, crotalária e feijão de porco, tem a capacidade de fixar nitrogênio do ar através da simbiose (até 157 kg/ha de nitrogênio), fertilizando o solo.

 

Figura 2. A rotação de culturas com adubos verde e/ou consórcio (ex.:milho/mucuna): ótima opção para aumentar a matéria orgânica, melhorar a fertilidade do solo, cobrir o solo protegendo-o da erosão e, ainda reduzir a incidência de plantas espontâneas e compactação do solo, além de promover a reciclagem de nutrientes, devido ao sistema radicular vigoroso e profundo 

 

4. Ajuda no controle da erosão superficial

As camadas de mulch ao redor de árvores não deve passar de 10 cm, mas em outros lugares como acabamentos de canteiros, passagens entre pisadas ou dormentes não há restrições. A chuva leve não causa nenhum dano à superfície desnuda do solo, a água penetra para as camadas mais profundas. Mas as chuvas de temporais que são intensas caem com força ao solo, e podem arrastar quantidade significativa da camada superficial com maior teor de matéria orgânica.

5. Reduz a injúria às árvores e arbustos por instrumentos de corte

Roçadeiras e máquinas de cortar grama de lâminas ou fio de nylon podem causar lesões na casca do tronco de árvores e arbustos em jardins, servindo de porta de entrada para patógenos e insetos do tipo broca que irão prejudicar a planta. Com a cobertura morta não há necessidade do gramado chegar junto dos troncos e portanto estes estarão protegidos. 

6. Possibilita o plantio direto e cultivo mínimo
Os princípios do sistema de plantio direto seguem a lógica das florestas. Assim como o material orgânico caído das árvores se transforma em rico adubo natural, a palha decomposta de safras anteriores macro e microorganismos, transformando-se no “alimento” do solo. As vantagens são a redução no uso de insumos químicos e controle dos processos erosivos, uma vez que a infiltração da água se torna mais lenta pela permanente cobertura no solo. A quantidade de matéria orgânica triplica, de uma concentração de pouco mais de 1% para acima de 3%.
     O sistema de plantio direto e cultivo mínimo são práticas importantíssimas no cultivo orgânico de hortaliças, tendo em vista que a maioria dos nossos solos estão sujeitos a processos de erosão causado por chuvas intensas, aliado a baixos teores de matéria orgânica. Outra vantagem dessas práticas é o fato do solo estar sempre preparado para semeadura/plantio, mesmo em períodos chuvosos que não permite o revolvimento do mesmo devido a umidade excessiva. Para o plantio direto ou cultivo mínimo, bastar fazer uma roçada utilizando uma foice ou roçadeira manual para áreas maiores e abrir as covas ou sulcos.     O plantio direto é um método que não revolve o solo. A camada de cobertura vegetal é mantida e se faz apenas a abertura de um pequeno sulco ou cova onde é colocada a semente ou a muda.      O cultivo mínimo é a mínima manipulação do solo necessária para a semeadura ou plantio de mudas. Deixa-se uma considerável quantidade de cobertura na superfície (resíduos culturais), o que desfavorece a erosão do solo.


 

Figura 3. O Sistema de Plantio Direto na Palha (SPDP) contribui para que o solo não seja levado pelas erosões e armazene mais nutrientes, fertilizantes e corretivos

 

7.  O uso de cobertura no solo no Brasil é ecologicamente correto

 O revolvimento do solo não combina com o uso sustentável do solo no Brasil.  Em regiões de clima tropical e subtropical, predominantes no Brasil, o trator equipado com arado, grade, escarificador e, principalmente a enxada rotativa, contribuem para desagregar e compactar cada vez mais o solo, causando rápida  decomposição da matéria orgânica em quantidades maiores do que a reposição e, em consequência, diminuindo a produtividade. Além disso, as chuvas intensas e frequentes, cada vez mais comum, associada aos declives dos terrenos, causam grande perdas de solo (erosão) assoreando os rios e, contribuindo para as enchentes. O manejo inadequado do solo torna as lavouras cada vez mais exigentes em insumos e, em geral menos produtivas e, o que é pior, com alto custo de produção, pois a maioria dos agroquímicos são importados. O revolvimento do solo somente se justifica em algumas situações específicas para algumas culturas mais exigentes no preparo do solo e, principalmente, quando houver a necessidade de corrigir a acidez e a fertilidade do solo e, especialmente, em países onde o solo permanece coberto por neve em longos períodos do ano.
         O solo é um “ser vivo” e como tal deve ser tratado. Como qualquer outro organismo vivo, o solo necessita de alimentação em quantidade, qualidade e regularidade adequadas. A perda de solo (erosão) pode causar grandes prejuízos aos agricultores, que perdem rapidamente a capacidade produtiva e, o que é mais grave, vão parar nos rios, córregos e lagos, provocando cada vez mais enchentes e destruição.
     O solo, também chamado de terra, é a camada mais superficial da crosta terrestre, onde se desenvolvem muitas plantas e vive uma grande variedade de animais. É do solo que retiramos parte dos nossos alimentos. Os solos, geradores de vida e gerados pela vida, também podem ficarem doentes. Por essa razão, o manejo dos solos deve ser sadio, para que os organismos que vivem neles se desenvolvam todo o tempo. É importante que sejam plantadas diversas espécies vegetais para cobrir o solo, protegendo-o do sol intenso e da força das gotas de chuvas e, com sistemas radiculares que irão explorar volumes diferentes do solo. Junto com as raízes dessas plantas se desenvolvem microrganismos, que ajudam a aumentar o volume do solo explorado em busca de nutrientes. Trabalhando juntos, plantas e organismos do solo absorvem quantidades grandes e diversificadas de nutrientes; quando morrem, devolvem esses nutrientes principalmente na camada superficial, possibilitando uma nutrição equilibrada para as plantas cultivadas. Tudo se passa como um ciclo de vida: os nutrientes presentes até grandes profundidades são absorvidos por plantas adaptadas e organismos do solo. Esses nutrientes voltam à superfície incorporados na matéria orgânica, protegendo e alimentando os organismos do solo que atuam na decomposição da matéria orgânica, liberando os nutrientes nela contidos para serem absorvidos pelas plantas e por outros organismos que se desenvolverão junto às suas raízes.


   


   
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