segunda-feira, 28 de março de 2011


   Os problemas da agricultura convencional ou "moderna" não se resumem apenas ao uso de agrotóxicos. Os adubos químicos, além de acidificar o solo, tornando a prática da calagem necessária, são altamente solúveis e, por isso, contaminam os rios devido à erosão e, o que é pior, juntamente com os agrotóxicos, contaminam o meio ambiente. Os adubos químicos são hidrossolúveis (dissolvem-se na água), sendo uma parte rapidamente absorvida pelas raízes das plantas, a maior parte é lixiviada, ou seja, é lavada pelas águas das chuvas e regas, indo poluir rios, lagos, poços e lençóis freáticos , causando juntamente com os despejos de esgotos, a eutrofização dos corpos aquáticos - que é a morte de um rio ou lago por asfixia, pois os excessivos nutrientes além de estimularem um crescimento excessivo das algas, roubam para se degradarem, o oxigênio da água. Há ainda uma terceira parte que se evapora, como no caso dos adubos nitrogenados (como a uréia) que sob a forma de óxido nitroso contribui para destruir a camada de ozônio da atmosfera, sendo uma das causas do aquecimento global. Devemos encarar a terra considerando seu aspecto físico, químico e biológico, procurando promover, proteger e conservar a harmonia entre estas três partes. A prática da adubação orgânica é uma forma de tratar bem o solo, ou seja, como um "organismo vivo". De maneira simples e direta, pode-se dizer que a matéria orgânica é a parte do solo que já foi ou ainda é viva. É a matéria orgânica que dá a cor escura aos solos; em solo muito claro, aparentemente sem vida, "fraco", é bem provável que o teor de matéria orgânica seja muito baixo (Figura 1). A vida do solo depende da matéria orgânica que mantém a sua estrutura porosa (fofa), sem compactação, proporcionando a vida vegetal graças à entrada de ar, água e nutrientes.   A utilização dos adubos químicos, dos agrotóxicos e das sementes híbridas forma um círculo vicioso, interessante apenas para as multinacionais da agroindústria. As sementes ditas melhoradas necessitam mais adubação para se desenvolverem. A utilização do adubo torna as plantas mais fracas e mais suscetíveis ao ataque de pragas e doenças. E se tem que utilizar cada vez mais adubos e defensivos para manter o nível desejável de produção.  O uso de adubos químicos faz com que os aminoácidos (proteínas) se apresentem em forma livre, ao contrário da adubação orgânica onde os aminoácidos formam cadeias complexas, não estando disponível às pragas.  O emprego excessivo de fertilizantes gera desequilíbrio ecológico. Além de melhorar a resistência das plantas às doenças, pragas e aos climas adverso (secas, chuvas intensas) e, especialmente a vida no solo, a adubação orgânica diminui o custo de produção dos cultivos. Além disso a adubação orgânica aumenta a penetração das raízes e a oxigenação do solo. Possui macro (NPK, Ca, Mg e S) e micronutrientes em quantidades bem equilibradas, que as plantas absorvem conforme sua necessidade, em quantidade e qualidade. Na adubação orgânica, as perdas dos nutrientes com as chuvas intensas e frequentes são bem menores, quando comparado a adubação química (altamente solúvel). Mas as vantagens da adubação orgânica não param por aí ! ela melhora também a qualidade dos alimentos, tornando-os mais ricos em vitaminas, aminoácidos, sais minerais, matéria seca e açúcares, além de serem mais aromáticos, saborosos e de melhor conservação pós-colheita.
   Além de produzir alimentos orgânicos sem o uso de adubos químicos e agrotóxicos, que outras atitudes e gestos concretos no seu dia a dia você poderia tomar para cuidar da vida no planeta? 1. Compre ou produza somente alimentos orgânicos: por enquanto, os orgânicos são um pouco mais caros, pois a oferta e a demanda ainda é pequena no Brasil. Mas você sabia que, além de não usar agroquímicos, os orgânicos respeitam os ciclos de vida de animais, insetos e, ainda por cima absorvem mais gás carbônico da atmosfera que a agricultura "tradicional" ?   Se toda a produção de soja e milho dos EUA fosse orgânica, cerca de 240 bilhões de quilos de gás carbônico seriam removidos da atmosfera.   2.Faça compostagem: cerca de 3% do metano que ajuda a causar o efeito estufa é gerado pelo lixo orgânico doméstico.   Aprenda a fazer compostagem:  além de reduzir o problema, você terá uma horta e e um jardim saudável e lindo. Restos de cultivos e inços, palhas, cascas de frutas e hortaliças, borra e cascas de café, erva de chimarrão, cinzas de madeira, aparas de gramas, casca de ovos e outros proporcionam um adubo de ótima qualidade. Quando bem feita não provoca cheiro e não atrai moscas. 3.Recicle o seu lixo: ao separar o lixo reciclável (papelão, vidros, metais e plástico) você estará contribuindo para a melhoria da vida no planeta e, ainda, humanizando o trabalho dos catadores nos lixões. A separação do lixo reciclável misturado ao lixo orgânico nos aterros é uma tarefa desumana. 4. Utilize uma sacola para as compras: sacolinhas plásticas descartáveis são um dos grandes inimigos do meio-ambiente.   Elas não apenas liberam gás carbônico e metano na atmosfera, como também poluem o solo e o mar. Ao ir ao supermercado, leve uma sacola de feira ou suas próprias sacolinhas plásticas.
5. Plante uma árvore: uma árvore absorve uma tonelada de gás carbônico durante sua vida. Plante árvores no seu jardim ou inscreva-se em programas como o SOS Mata Atlântica ou Iniciativa Verde.
6.Compre alimentos produzidos na sua região: com isso, além de economizar combustível, você incentiva o desenvolvimento do seu município, beneficiando a sua comunidade e os produtores.
7.Compre alimentos frescos ao invés de congelados e conservas: alimentos congelados e em conserva, além de mais caro, consome até 10 vezes mais energia para serem produzidos. 8.Ande menos de carro, mantenha o carro regulado e ao trocar, escolha um modelo menos poluente : use menos o carro e mais o transporte coletivo  (ônibus, metrô)  ou o limpo (bicicleta ou a pé).   Se você deixar o carro em casa 2 vezes por semana, deixará de emitir 700 quilos de poluentes por ano. Calibre os pneus a cada 15 dias e faça uma revisão completa a cada seis meses, ou de acordo com a recomendação do fabricante.   Carros regulados poluem menos.   A manutenção correta de apenas 1% da frota de veículos mundial representa meia tonelada de gás carbônico a menos na atmosfera. Apesar da dúvida sobre o álcool ser menos poluente que a gasolina ou não, existem indícios de que parte do gás carbônico emitido pela sua queima é reabsorvida pela própria cana de açúcar plantada.    Carros menores e de motor 1.0 poluem menos.   Em cidades como São Paulo, onde no horário de pico anda-se a 10km/h, não faz muito sentido ter carros grandes e potentes para ficar parados nos congestionamentos.
9. Use o telefone ou a Internet: a quantas reuniões de 15 minutos você já compareceu esse ano, para as quais teve que dirigir por quase uma hora para ir e outra para voltar?   Usar o telefone ou skype pode poupar você de stress, além de economizar um bom dinheiro e poupar a atmosfera.
10. Proteja as florestas:
os ambientalistas sempre foram vistos como "eco-chatos" .   Mas em tempos de aquecimento global, as árvores precisam de mais defensores do que nunca.   O papel delas no aquecimento global é crítico, pois mantém a quantidade de gás carbônico controlada na atmosfera.
11. Considere o impacto de seus investimentos: o que você investe não rende juros sozinho. Isso só acontece quando ele é investido em empresas que dão lucro.  Na onda da sustentabilidade, vários bancos estão considerando o impacto ambiental das empresas em que investem o dinheiro dos seus clientes. Informe-se com o seu gerente antes de escolher o melhor investimento para você e o meio ambiente.
12. No escritório, desligue o ar condicionado uma hora antes do final do expediente: Num período de 8 horas, isso equivale a 12,5% de economia diária, o que equivale a quase um mês de economia no final do ano.   Além disso, no final do expediente a temperatura começa a ser mais amena.
13. Não permita que as crianças brinquem com água: banho de mangueira, guerrinha de balões de água e toda sorte de brincadeiras com água são, sem dúvida, divertidas, mas passam a equivocada idéia de que a água é um recurso infinito, justamente para aqueles que mais precisam de orientação, as crianças.   Não deixe que seus filhos brinquem com água, ensine a eles o valor desse bem tão precioso.
14.  Frequente restaurantes naturais/orgânicos: com o aumento da consciência para a preservação ambiental, estão surgindo cada vez mais restaurantes naturais, orgânicos e vegetarianos está.   Ainda que você não seja vegetariano, experimente os novos sabores que essa onda verde está trazendo e, assim estará incentivando o mercado de orgânicos, livres de agrotóxicos e menos agressivos ao meio-ambiente.
15. Divulgue essa lista e tantas outras que existem ! envie essa lista de dicas por e-mail para seus amigos..., reproduza-a livremente... Mude! O mundo agradece, e o planeta também!  Para cada tonelada de papel reciclada poupam-se 20 árvores e 70% de energia e água usadas na sua fabricação.
Figura 1. Representação de um solo cultivado no sistema convencional (com revolvimento excessivo do solo,compactado e com alto grau de erosão) e um solo orgânico (solo tratado como “organismo vivo”).


Assista o vídeo da campanha da Fraternidade 2011:Fraternidade e a 

a vida no planeta.



Ferreira On 3/28/2011 07:02:00 AM Comentarios LEIA MAIS

quarta-feira, 23 de março de 2011


   A campanha da fraternidade 2011 com o tema "fraternidade e a vida no planeta" lançará luzes para uma reflexão profunda sobre o resultado da ação nociva da humanidade sobre a terra, olhando através do sinal mais contundente das dores que o planeta sente: o aquecimento global. A campanha pretende denunciar situações e apontar responsabilidades dos problemas ambientais decorrentes do aquecimento global. Com a espiritualidade fundamentada na conversão e na busca da vida nova em Cristo Ressuscitado, somos convidados e convocados a assumir com responsabilidade o cuidado da natureza e do planeta. É um convite para rever as nossa atitudes e gestos concretos para preservar e cuidar do meio ambiente. O ser humano depende da natureza e dos cuidados com o planeta para sobreviver. A terra deveria ser amada e não explorada pelo capitalismo selvagem e mercantilista. Tudo o que existe foi criado por Deus e entregue ao homem e à mulher. Mas o que a humanidade vem fazendo com a criação de Deus? O que você ou sua comunidade tem feito para contribuir com essa campanha de conscientização sobre a importância da preservação do meio ambiente? Que atitudes e gestos concretos no seu dia a dia você poderia tomar para cuidar da vida no planeta?
   O CAPS – centro de atenção psicosocial - secretaria de saúde/prefeitura municipal de Urussanga, está fazendo a sua parte; desde outubro/2010 mais de 20 hortaliças estão sendo colhidos na horta orgânica conduzida por pacientes e voluntários (Figura 1). Além de produzir hortaliças frescas e saudáveis diariamente para o refeitório, a horta orgânica serve como terapia ocupacional, é uma forma de economizar e, o mais importante, preserva a saúde das pessoas e do meio ambiente.
Figura 1. Aspecto geral da horta orgânica do CAPS, conduzida por pacientes e voluntários, em Urussanga/SC.
   Pesquisa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA – em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ – realizada com frutas e hortaliças produzidas com agrotóxicos e adubos químicos, nos maiores centros consumidores do Brasil desde 2001, comprova que várias espécies cultivadas estão seriamente contaminadas por resíduos de agrotóxicos e, o que é pior, por produtos não autorizados para as culturas. Relatório recente da Anvisa, em 26 estados, pesquisando 20 espécies (frutas e hortaliças) em 2009, revela que 907 (29%) amostras de um total de 3.130 amostras coletadas, incluindo todas as espécies pesquisadas, estavam contaminadas, alcançando no pimentão, uva, pepino, morango, couve, abacaxi, mamão, alface, tomate e beterraba até 80; 56,4; 54,8; 50,8; 44,2; 44,1; 38,8; 38,4; 32,6 e 32% de amostras contaminadas, respectivamente. Os agrotóxicos encontrados nos cultivos, são ingredientes ativos com alto grau de toxicidade aguda comprovada, e que causam problemas neurológicos, reprodutivos, de desregulação hormonal e até câncer. Mas os problemas do uso de agrotóxicos não param por aí! é muito comum tanto na zona rural como nas cidades o uso de herbicidas para eliminar as "plantas daninhas", mato ou inços com graves implicações destes produtos no meio ambiente. É a chamada capina química, onde são utilizados os herbicidas com inúmeras conseqüências ao meio ambiente e à saúde das pessoas, especialmente quando não são usados os equipamentos de proteção individual (Figura 2). Os herbicidas mais utilizados são a base de glyphosate e paraquat, mais conhecidos comercialmente como roundup e gramoxone, respectivamente. O roundup para a saúde humana é um dos produtos que mais causam doenças de pele, problemas respiratórios, além de causar danos genéticos e efeitos negativos na reprodução de vários organismos. O glyphosate fica no solo por mais de um ano, mata insetos benéficos como vespas parasitárias e joaninhas, afeta minhoca e fungos benéficos e ainda aumenta a susceptibilidade das plantas às doenças. É importante lembrar que estes produtos estão proibidos pela Anvisa de serem usados em áreas urbanas, pois não tem como impedir o trânsito de pedestres nas ruas das cidades por pelo menos nas 24 horas após a aplicação.    
   Um exemplo das sérias conseqüências à saúde humana do uso crescente e abusivo de agrotóxicos na agricultura são os casos de intoxicação e mortes registradas no Centro de Informações Toxicológicas – CIT, situado no Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina em Florianópolis, SC. No período de 1990 até 2007, o CIT detectou 9.300 intoxicações de agricultores e 233 mortes em Santa Catarina (Fonte: www.cit.sc.gov.br). Segundo os técnicos, isto representa apenas uma pequena parte (aquilo que se conseguiu registrar) da realidade. Os números são, na verdade, bem maiores. Estima-se que para cada caso registrado existam mais 10 que não são registrados devido à dificuldade no diagnóstico correto.
Esta cena não deve ser mais vista nas cidades.
Figura 2. Lei 6.288/02 aprovada pela câmara dos deputados em 12/08/2009, proíbe capina química em área urbana. A partir de 15/01/2010, a Anvisa também proíbe a aplicação de herbicidas em área urbana. Além de contaminar o meio ambiente, pode contaminar as pessoas através do vento.
   Os agroquímicos deixam as plantas mais suculentas para as doenças e pragas e, o que é pior, destroem os inimigos naturais (seres que se alimentam das doenças e insetos-pragas) e ainda prejudicam a vida do solo. Com o tempo, os agrotóxicos matam as doenças e insetos-pragas mais fracos e vão ficando só os mais fortes. Pior ainda, alguns insetos que não eram pragas passam a atacar os cultivos. A utilização intensiva da mecanização, dos adubos químicos, dos agrotóxicos e das sementes híbridas, predominantes na agricultura convencional ou "moderna", formam um círculo vicioso, interessante apenas para as multinacionais da agroindústria. O revolvimento intenso do solo com máquinas e equipamentos, favorecendo a erosão, faz com que se utilize cada vez mais adubos químicos, exigidos em quantidades cada vez maiores pelas cultivares modernas criadas e, em conseqüência do desequilíbrio nutricional do solo, as plantas tornam-se mais susceptíveis às pragas e doenças, exigindo cada vez mais agrotóxicos.   
   A agricultura orgânica, por sua vez, trata o solo como um "organismo vivo", ou seja, revolvendo o solo o mínimo possível, sem uso de agroquímicos e priorizando a adubação orgânica, rotação e consorciação de culturas, cultivo mínimo, plantio direto e outras, favorecendo o desenvolvimento dos cultivos e os inimigos naturais e, desfavorecendo o surgimento de pragas e doenças. A ocorrência de insetos-pragas e doenças são a conseqüência e não a causa do problema. Por isso, em agricultura orgânica tratam-se as causas para que os resultados sejam os mais duradouros e equilibrados possíveis.
 Pesquisas na Epagri/Estação Experimental de Urussanga, comparando sistemas de produção, comprovam que é fácil produzir hortaliças orgânicas, ou seja, sem o uso de agroquímicos e, que alguns mitos criados sobre a agricultura orgânica são falsos: é cara, produz menos e com pior qualidade quando comparados aos obtidos no sistema convencional. Os resultados evidenciaram que o cultivo orgânico de hortaliças é mais barato (reduz o custo com insumos em até 50%), produz tanto  quanto no sistema convencional e,  para algumas espécies a produtividade é superior e de melhor qualidade, a fertilidade do solo é maior e mais duradoura , além de tornar o produtor menos dependente de insumos (a maioria são importados e caros), pois pode prepará-los na própria propriedade e, o mais importante, sem riscos ao produtor, consumidor e meio ambiente. A agricultura orgânica só tem vantagens!


 
Ferreira On 3/23/2011 07:21:00 AM 1 comment LEIA MAIS

terça-feira, 15 de março de 2011

Em novembro de 2008, a EPAGRI, através da Estação Experimental de Urussanga/SC, lançou a primeira cultivar de batata para o cultivo orgânico: A SCS 365 - COTA


Ferreira On 3/15/2011 05:42:00 AM 1 comment LEIA MAIS

terça-feira, 1 de março de 2011


   O tomate (Lycopersicon esculentum) é uma espécie da família botânica das solanáceas, assim como a batata, fumo, pimentão e berinjela. O tomate é de alto valor nutricional, com boa fonte de vitaminas A e C e rico em sais minerais (cálcio e fósforo), essenciais para a formação dos ossos e dentes. Pesquisa realizada sugere que o licopeno, substância em quantidade apreciável no tomate, traz benefícios contra a hiperplasia benigna da próstata (BPH), a qual afeta mais da metade dos homens a partir dos 50 anos. Por ser uma das hortaliças mais consumidas no mundo, especialmente na forma de salada (in natura) e, muito sensível ao ataque de pragas e doenças, é vital o cultivo orgânico de tomate (sem agroquímicos) para garantir a saúde do agricultor, consumidor, meio ambiente e as futuras gerações. Pesquisa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, com 21 espécies de frutas e hortaliças no Brasil, revelou que, das 3.130 amostras coletadas em 2009, 29% apresentaram resultados insatisfatórios,ou seja,com resíduos de agrotóxicos, especialmente, os não autorizados para a cultura. Dentre as hortaliças, o tomate foi uma das mais contaminadas por agrotóxicos, apresentando 32% das amostras coletadas com resíduos de agrotóxicos. O uso incorreto e excessivo de agrotóxicos aplicados no tomateiro, explica os resultados. Os produtores, para evitar prejuízos parciais ou totais na lavoura, devido as inúmeras doenças e pragas e, condições climáticas desfavoráveis, chegam a pulverizar duas vezes por semana e, o que é pior, não levam em conta a carência dos produtos (tempo mínimo em dias necessário, entre a última pulverização e a colheita e consumo dos frutos). Como as colheitas são feitas duas vezes por semana, a carência ou intervalo de segurança dos agrotóxicos, geralmente de 7 a 10 dias, não é respeitada. As vantagens do cultivo orgânico do tomateiro não param por aí; pesquisa revelou que a qualidade nutritiva dos frutos no cultivo orgânico é maior, produzindo 21,1 e 34,3% a mais de vitamina A e C, respectivamente, em relação ao cultivo convencional, além de serem mais nutritivos e saborosos, com melhor conservação e, ainda com menor custo de produção.
Principais recomendações técnicas
.Escolha correta da área e análise do solo: evitar áreas úmidas de baixada sujeitas à neblina e, já cultivadas com espécies da mesma família botânica (fumo, batata e pimentão) nos últimos anos. 
.Épocas de plantio e cultivares: o clima fresco, seco e alta luminosidade favorecem a cultura. Temperaturas acima de 32 ºC e excesso de chuvas prejudicam a frutificação, com queda acentuada de flores e frutos novos, além de favorecer a murchadeira. No Litoral, a época mais favorável para o plantio é de julho a agosto; a partir de setembro favorecem maior incidência de pragas e doenças no final do ciclo da cultura. Em regiões onde não ocorrem geadas, é possível o plantio no final do verão e início de outono desde que as cultivares sejam rústicas e resistentes às pragas e doenças; neste período, as pulverizações preventivas com calda bordalesa devem ser a cada 7 dias. Pesquisa realizada na Estação Experimental de Urussanga (Epagri), indica para o Litoral: tipo Santa Cruz - cultivar Santa Clara; tipo Cereja – variedades regionais com formato arredondado ou alongado e tipo Italiano - variedades regionais com formato alongado. Recomenda-se para todas estas cultivares, retirar as sementes para o próximo plantio, seguindo-se algumas orientações (ver orientações na matéria já postada neste blog: "produção própria de mudas e sementes orgânicas".
.Produção de mudas: mudas sadias e vigorosas produzidas em abrigos protegidos, garante o sucesso da cultura do tomateiro. O copinho de papel jornal ou copo plástico descartável, utilizados para refrigerantes, são os mais recomendados para produção de mudas de tomate, utilizando-se substratos de boa qualidade. 
.Preparo do solo: adotar o plantio direto ou o cultivo mínimo do solo. Para o cultivo nos meses de julho a agosto, no Litoral, o mais indicado é a semeadura de adubos verdes (aveia, ervilhaca e nabo forrageiro) no outono, isoladamente, ou em consórcio e, a abertura de covas ou sulcos para o plantio das mudas. Outra opção é utilizar milho-verde consorciado com mucuna no mês de dezembro e, a abertura de covas e plantio das mudas no final de março/início de abril (Litoral) ou ainda julho e agosto, sobre a palhada. Pode-se também utilizar as plantas espontâneas como cobertura, manejando-as nas entrelinhas, através de roçadas. As plantas de cobertura protegem o solo, mantêm o solo mais úmido, além de aumentar o teor de matéria orgânica e reciclar nutrientes.
.Adubação de plantio: plantas bem nutridas são mais resistentes às pragas e doenças. Com base na análise do solo e nos teores de nutrientes do adubo orgânico, fazer a recomendação da adubação. 
.Plantio e espaçamento: as mudas são transplantadas quando atingirem 10 a 12cm de altura e com 4 a 5 folhas definitivas. O espaçamento indicado é de 1,2 a 1,5m entre fileiras por 0,4 a 0,5m entre plantas.
.Irrigação: a irrigação por gotejamento é a mais indicada. O sistema de aspersão é contra-indicado para o tomateiro, pois molha as folhas e umedece o ambiente em torno das plantas, favorecendo a requeima. 
.Práticas culturais: a capina é realizada em faixas, mantendo-se limpo a área junto às fileiras de tomate para evitar competição com as plantas espontâneas ou de cobertura. Nas entrelinhas, deixar uma faixa de plantas de cobertura e, se necessário, roçá-las para evitar competição por luz e facilitar a pulverização das folhas baixeiras do tomate. O tutoramento ideal é o vertical e, sempre no sentido norte-sul para permitir maior insolação das plantas.Não recomenda-se o tutoramento tradicional ("V" invertido), pois é formada uma câmara úmida que favorece os fungos e ainda torna os tratamentos fitossanitários ineficientes, pois não atingem a parte interna das plantas. À medida que a planta cresce, é preciso fazer amarrios e desbrotas, semanalmente. Para evitar o ferimento e o estrangulamento do caule, faz-se o amarrio, deixando-se uma folga. A desbrota consiste em eliminar todos os brotos que saem das axilas da plantas, deixando-se uma ou duas hastes por planta; não deve ser realizada com as plantas molhadas, evitando-se a disseminação de doenças. 
.Manejo de doenças e pragas: o tomateiro é o mais atacado por doenças e pragas que causam perdas parciais e até totais da lavoura. No entanto, se forem seguidos os princípios da agricultura orgânica, é possível prevenir e/ou reduzir os danos na lavoura. As principais doenças são: requeima ou sapeco (Phytophthora infestans), pinta preta (Alternaria solani) e murchadeira (Ralstonia solanacearum). As principais pragas são: broca pequena do fruto (Neulocinodes elegantalis) e traça (Tuta absoluta). Para o manejo, recomenda-se as medidas: a) escolha correta da área; b) evitar plantios escalonados e próximos a lavouras velhas; c) plantio na época recomendada; d) uso de cultivares resistentes; e) adubação com base na análise do solo;f) arranquio e destruição de plantas viróticas; g) destruir restos da cultura; h) rotação de culturas; i) pulverizar, preventivamente, a cada 10 dias, com calda bordalesa a 0,5 %,para o manejo das doenças foliares e j) pulverizar preventivamente,a partir do início da frutificação,com Bacillus thuringiensis, produto comercialmente conhecido como dipel, para o manejo da broca pequena do fruto e traça do tomateiro. O consórcio de tomate com coentro (planta repelente) reduz estas pragas e, ainda atrai os inimigos naturais destas. 
.Colheita: a colheita inicia quando os frutos estão amarelados ou rosados. Para mercados mais próximos podem ser colhidos num estádio de maturação mais adiantado, mas ainda bem firmes. A calda bordalesa, embora seja tolerada no cultivo orgânico, possui carência de 7 dias que deve ser respeitada, Para a limpeza dos frutos com resíduos de calda bordalesa, proceder a imersão dos frutos, por 5 minutos, em solução de ácido acético (vinagre), na concentração de 2%. Deixar secar e proceder a embalagem.                                                                                  
Tomate tipo cereja (variedade resistente às pragas e doenças),no tutoramento vertical.





Danos causados pela traça (foto) e broca pequena em frutos de tomate, são reduzidos, quando o tomate é consorciado com coentro.


Figura 1. O cultivo do tomateiro consorciado com coentro, associado com práticas como o tutoramento vertical, uso de cultivares resistentes às pragas e doenças e, especialmente, pulverizações preventivas com calda bordalesa, além de outras práticas, tornam viável técnica e economicamente o cultivo orgânico de tomate e, o melhor, sem riscos ao meio ambiente, produtor e consumidor, com menor custo de produção e, ainda com frutos mais nutritivos e saborosos e com maior conservação.
Ferreira On 3/01/2011 04:01:00 AM 7 comments LEIA MAIS

segunda-feira, 28 de março de 2011

“Fraternidade e a vida no planeta” Parte II


   Os problemas da agricultura convencional ou "moderna" não se resumem apenas ao uso de agrotóxicos. Os adubos químicos, além de acidificar o solo, tornando a prática da calagem necessária, são altamente solúveis e, por isso, contaminam os rios devido à erosão e, o que é pior, juntamente com os agrotóxicos, contaminam o meio ambiente. Os adubos químicos são hidrossolúveis (dissolvem-se na água), sendo uma parte rapidamente absorvida pelas raízes das plantas, a maior parte é lixiviada, ou seja, é lavada pelas águas das chuvas e regas, indo poluir rios, lagos, poços e lençóis freáticos , causando juntamente com os despejos de esgotos, a eutrofização dos corpos aquáticos - que é a morte de um rio ou lago por asfixia, pois os excessivos nutrientes além de estimularem um crescimento excessivo das algas, roubam para se degradarem, o oxigênio da água. Há ainda uma terceira parte que se evapora, como no caso dos adubos nitrogenados (como a uréia) que sob a forma de óxido nitroso contribui para destruir a camada de ozônio da atmosfera, sendo uma das causas do aquecimento global. Devemos encarar a terra considerando seu aspecto físico, químico e biológico, procurando promover, proteger e conservar a harmonia entre estas três partes. A prática da adubação orgânica é uma forma de tratar bem o solo, ou seja, como um "organismo vivo". De maneira simples e direta, pode-se dizer que a matéria orgânica é a parte do solo que já foi ou ainda é viva. É a matéria orgânica que dá a cor escura aos solos; em solo muito claro, aparentemente sem vida, "fraco", é bem provável que o teor de matéria orgânica seja muito baixo (Figura 1). A vida do solo depende da matéria orgânica que mantém a sua estrutura porosa (fofa), sem compactação, proporcionando a vida vegetal graças à entrada de ar, água e nutrientes.   A utilização dos adubos químicos, dos agrotóxicos e das sementes híbridas forma um círculo vicioso, interessante apenas para as multinacionais da agroindústria. As sementes ditas melhoradas necessitam mais adubação para se desenvolverem. A utilização do adubo torna as plantas mais fracas e mais suscetíveis ao ataque de pragas e doenças. E se tem que utilizar cada vez mais adubos e defensivos para manter o nível desejável de produção.  O uso de adubos químicos faz com que os aminoácidos (proteínas) se apresentem em forma livre, ao contrário da adubação orgânica onde os aminoácidos formam cadeias complexas, não estando disponível às pragas.  O emprego excessivo de fertilizantes gera desequilíbrio ecológico. Além de melhorar a resistência das plantas às doenças, pragas e aos climas adverso (secas, chuvas intensas) e, especialmente a vida no solo, a adubação orgânica diminui o custo de produção dos cultivos. Além disso a adubação orgânica aumenta a penetração das raízes e a oxigenação do solo. Possui macro (NPK, Ca, Mg e S) e micronutrientes em quantidades bem equilibradas, que as plantas absorvem conforme sua necessidade, em quantidade e qualidade. Na adubação orgânica, as perdas dos nutrientes com as chuvas intensas e frequentes são bem menores, quando comparado a adubação química (altamente solúvel). Mas as vantagens da adubação orgânica não param por aí ! ela melhora também a qualidade dos alimentos, tornando-os mais ricos em vitaminas, aminoácidos, sais minerais, matéria seca e açúcares, além de serem mais aromáticos, saborosos e de melhor conservação pós-colheita.
   Além de produzir alimentos orgânicos sem o uso de adubos químicos e agrotóxicos, que outras atitudes e gestos concretos no seu dia a dia você poderia tomar para cuidar da vida no planeta? 1. Compre ou produza somente alimentos orgânicos: por enquanto, os orgânicos são um pouco mais caros, pois a oferta e a demanda ainda é pequena no Brasil. Mas você sabia que, além de não usar agroquímicos, os orgânicos respeitam os ciclos de vida de animais, insetos e, ainda por cima absorvem mais gás carbônico da atmosfera que a agricultura "tradicional" ?   Se toda a produção de soja e milho dos EUA fosse orgânica, cerca de 240 bilhões de quilos de gás carbônico seriam removidos da atmosfera.   2.Faça compostagem: cerca de 3% do metano que ajuda a causar o efeito estufa é gerado pelo lixo orgânico doméstico.   Aprenda a fazer compostagem:  além de reduzir o problema, você terá uma horta e e um jardim saudável e lindo. Restos de cultivos e inços, palhas, cascas de frutas e hortaliças, borra e cascas de café, erva de chimarrão, cinzas de madeira, aparas de gramas, casca de ovos e outros proporcionam um adubo de ótima qualidade. Quando bem feita não provoca cheiro e não atrai moscas. 3.Recicle o seu lixo: ao separar o lixo reciclável (papelão, vidros, metais e plástico) você estará contribuindo para a melhoria da vida no planeta e, ainda, humanizando o trabalho dos catadores nos lixões. A separação do lixo reciclável misturado ao lixo orgânico nos aterros é uma tarefa desumana. 4. Utilize uma sacola para as compras: sacolinhas plásticas descartáveis são um dos grandes inimigos do meio-ambiente.   Elas não apenas liberam gás carbônico e metano na atmosfera, como também poluem o solo e o mar. Ao ir ao supermercado, leve uma sacola de feira ou suas próprias sacolinhas plásticas.
5. Plante uma árvore: uma árvore absorve uma tonelada de gás carbônico durante sua vida. Plante árvores no seu jardim ou inscreva-se em programas como o SOS Mata Atlântica ou Iniciativa Verde.
6.Compre alimentos produzidos na sua região: com isso, além de economizar combustível, você incentiva o desenvolvimento do seu município, beneficiando a sua comunidade e os produtores.
7.Compre alimentos frescos ao invés de congelados e conservas: alimentos congelados e em conserva, além de mais caro, consome até 10 vezes mais energia para serem produzidos. 8.Ande menos de carro, mantenha o carro regulado e ao trocar, escolha um modelo menos poluente : use menos o carro e mais o transporte coletivo  (ônibus, metrô)  ou o limpo (bicicleta ou a pé).   Se você deixar o carro em casa 2 vezes por semana, deixará de emitir 700 quilos de poluentes por ano. Calibre os pneus a cada 15 dias e faça uma revisão completa a cada seis meses, ou de acordo com a recomendação do fabricante.   Carros regulados poluem menos.   A manutenção correta de apenas 1% da frota de veículos mundial representa meia tonelada de gás carbônico a menos na atmosfera. Apesar da dúvida sobre o álcool ser menos poluente que a gasolina ou não, existem indícios de que parte do gás carbônico emitido pela sua queima é reabsorvida pela própria cana de açúcar plantada.    Carros menores e de motor 1.0 poluem menos.   Em cidades como São Paulo, onde no horário de pico anda-se a 10km/h, não faz muito sentido ter carros grandes e potentes para ficar parados nos congestionamentos.
9. Use o telefone ou a Internet: a quantas reuniões de 15 minutos você já compareceu esse ano, para as quais teve que dirigir por quase uma hora para ir e outra para voltar?   Usar o telefone ou skype pode poupar você de stress, além de economizar um bom dinheiro e poupar a atmosfera.
10. Proteja as florestas:
os ambientalistas sempre foram vistos como "eco-chatos" .   Mas em tempos de aquecimento global, as árvores precisam de mais defensores do que nunca.   O papel delas no aquecimento global é crítico, pois mantém a quantidade de gás carbônico controlada na atmosfera.
11. Considere o impacto de seus investimentos: o que você investe não rende juros sozinho. Isso só acontece quando ele é investido em empresas que dão lucro.  Na onda da sustentabilidade, vários bancos estão considerando o impacto ambiental das empresas em que investem o dinheiro dos seus clientes. Informe-se com o seu gerente antes de escolher o melhor investimento para você e o meio ambiente.
12. No escritório, desligue o ar condicionado uma hora antes do final do expediente: Num período de 8 horas, isso equivale a 12,5% de economia diária, o que equivale a quase um mês de economia no final do ano.   Além disso, no final do expediente a temperatura começa a ser mais amena.
13. Não permita que as crianças brinquem com água: banho de mangueira, guerrinha de balões de água e toda sorte de brincadeiras com água são, sem dúvida, divertidas, mas passam a equivocada idéia de que a água é um recurso infinito, justamente para aqueles que mais precisam de orientação, as crianças.   Não deixe que seus filhos brinquem com água, ensine a eles o valor desse bem tão precioso.
14.  Frequente restaurantes naturais/orgânicos: com o aumento da consciência para a preservação ambiental, estão surgindo cada vez mais restaurantes naturais, orgânicos e vegetarianos está.   Ainda que você não seja vegetariano, experimente os novos sabores que essa onda verde está trazendo e, assim estará incentivando o mercado de orgânicos, livres de agrotóxicos e menos agressivos ao meio-ambiente.
15. Divulgue essa lista e tantas outras que existem ! envie essa lista de dicas por e-mail para seus amigos..., reproduza-a livremente... Mude! O mundo agradece, e o planeta também!  Para cada tonelada de papel reciclada poupam-se 20 árvores e 70% de energia e água usadas na sua fabricação.
Figura 1. Representação de um solo cultivado no sistema convencional (com revolvimento excessivo do solo,compactado e com alto grau de erosão) e um solo orgânico (solo tratado como “organismo vivo”).


Assista o vídeo da campanha da Fraternidade 2011:Fraternidade e a 

a vida no planeta.



quarta-feira, 23 de março de 2011

“Fraternidade e a vida no planeta” Parte I


   A campanha da fraternidade 2011 com o tema "fraternidade e a vida no planeta" lançará luzes para uma reflexão profunda sobre o resultado da ação nociva da humanidade sobre a terra, olhando através do sinal mais contundente das dores que o planeta sente: o aquecimento global. A campanha pretende denunciar situações e apontar responsabilidades dos problemas ambientais decorrentes do aquecimento global. Com a espiritualidade fundamentada na conversão e na busca da vida nova em Cristo Ressuscitado, somos convidados e convocados a assumir com responsabilidade o cuidado da natureza e do planeta. É um convite para rever as nossa atitudes e gestos concretos para preservar e cuidar do meio ambiente. O ser humano depende da natureza e dos cuidados com o planeta para sobreviver. A terra deveria ser amada e não explorada pelo capitalismo selvagem e mercantilista. Tudo o que existe foi criado por Deus e entregue ao homem e à mulher. Mas o que a humanidade vem fazendo com a criação de Deus? O que você ou sua comunidade tem feito para contribuir com essa campanha de conscientização sobre a importância da preservação do meio ambiente? Que atitudes e gestos concretos no seu dia a dia você poderia tomar para cuidar da vida no planeta?
   O CAPS – centro de atenção psicosocial - secretaria de saúde/prefeitura municipal de Urussanga, está fazendo a sua parte; desde outubro/2010 mais de 20 hortaliças estão sendo colhidos na horta orgânica conduzida por pacientes e voluntários (Figura 1). Além de produzir hortaliças frescas e saudáveis diariamente para o refeitório, a horta orgânica serve como terapia ocupacional, é uma forma de economizar e, o mais importante, preserva a saúde das pessoas e do meio ambiente.
Figura 1. Aspecto geral da horta orgânica do CAPS, conduzida por pacientes e voluntários, em Urussanga/SC.
   Pesquisa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA – em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ – realizada com frutas e hortaliças produzidas com agrotóxicos e adubos químicos, nos maiores centros consumidores do Brasil desde 2001, comprova que várias espécies cultivadas estão seriamente contaminadas por resíduos de agrotóxicos e, o que é pior, por produtos não autorizados para as culturas. Relatório recente da Anvisa, em 26 estados, pesquisando 20 espécies (frutas e hortaliças) em 2009, revela que 907 (29%) amostras de um total de 3.130 amostras coletadas, incluindo todas as espécies pesquisadas, estavam contaminadas, alcançando no pimentão, uva, pepino, morango, couve, abacaxi, mamão, alface, tomate e beterraba até 80; 56,4; 54,8; 50,8; 44,2; 44,1; 38,8; 38,4; 32,6 e 32% de amostras contaminadas, respectivamente. Os agrotóxicos encontrados nos cultivos, são ingredientes ativos com alto grau de toxicidade aguda comprovada, e que causam problemas neurológicos, reprodutivos, de desregulação hormonal e até câncer. Mas os problemas do uso de agrotóxicos não param por aí! é muito comum tanto na zona rural como nas cidades o uso de herbicidas para eliminar as "plantas daninhas", mato ou inços com graves implicações destes produtos no meio ambiente. É a chamada capina química, onde são utilizados os herbicidas com inúmeras conseqüências ao meio ambiente e à saúde das pessoas, especialmente quando não são usados os equipamentos de proteção individual (Figura 2). Os herbicidas mais utilizados são a base de glyphosate e paraquat, mais conhecidos comercialmente como roundup e gramoxone, respectivamente. O roundup para a saúde humana é um dos produtos que mais causam doenças de pele, problemas respiratórios, além de causar danos genéticos e efeitos negativos na reprodução de vários organismos. O glyphosate fica no solo por mais de um ano, mata insetos benéficos como vespas parasitárias e joaninhas, afeta minhoca e fungos benéficos e ainda aumenta a susceptibilidade das plantas às doenças. É importante lembrar que estes produtos estão proibidos pela Anvisa de serem usados em áreas urbanas, pois não tem como impedir o trânsito de pedestres nas ruas das cidades por pelo menos nas 24 horas após a aplicação.    
   Um exemplo das sérias conseqüências à saúde humana do uso crescente e abusivo de agrotóxicos na agricultura são os casos de intoxicação e mortes registradas no Centro de Informações Toxicológicas – CIT, situado no Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina em Florianópolis, SC. No período de 1990 até 2007, o CIT detectou 9.300 intoxicações de agricultores e 233 mortes em Santa Catarina (Fonte: www.cit.sc.gov.br). Segundo os técnicos, isto representa apenas uma pequena parte (aquilo que se conseguiu registrar) da realidade. Os números são, na verdade, bem maiores. Estima-se que para cada caso registrado existam mais 10 que não são registrados devido à dificuldade no diagnóstico correto.
Esta cena não deve ser mais vista nas cidades.
Figura 2. Lei 6.288/02 aprovada pela câmara dos deputados em 12/08/2009, proíbe capina química em área urbana. A partir de 15/01/2010, a Anvisa também proíbe a aplicação de herbicidas em área urbana. Além de contaminar o meio ambiente, pode contaminar as pessoas através do vento.
   Os agroquímicos deixam as plantas mais suculentas para as doenças e pragas e, o que é pior, destroem os inimigos naturais (seres que se alimentam das doenças e insetos-pragas) e ainda prejudicam a vida do solo. Com o tempo, os agrotóxicos matam as doenças e insetos-pragas mais fracos e vão ficando só os mais fortes. Pior ainda, alguns insetos que não eram pragas passam a atacar os cultivos. A utilização intensiva da mecanização, dos adubos químicos, dos agrotóxicos e das sementes híbridas, predominantes na agricultura convencional ou "moderna", formam um círculo vicioso, interessante apenas para as multinacionais da agroindústria. O revolvimento intenso do solo com máquinas e equipamentos, favorecendo a erosão, faz com que se utilize cada vez mais adubos químicos, exigidos em quantidades cada vez maiores pelas cultivares modernas criadas e, em conseqüência do desequilíbrio nutricional do solo, as plantas tornam-se mais susceptíveis às pragas e doenças, exigindo cada vez mais agrotóxicos.   
   A agricultura orgânica, por sua vez, trata o solo como um "organismo vivo", ou seja, revolvendo o solo o mínimo possível, sem uso de agroquímicos e priorizando a adubação orgânica, rotação e consorciação de culturas, cultivo mínimo, plantio direto e outras, favorecendo o desenvolvimento dos cultivos e os inimigos naturais e, desfavorecendo o surgimento de pragas e doenças. A ocorrência de insetos-pragas e doenças são a conseqüência e não a causa do problema. Por isso, em agricultura orgânica tratam-se as causas para que os resultados sejam os mais duradouros e equilibrados possíveis.
 Pesquisas na Epagri/Estação Experimental de Urussanga, comparando sistemas de produção, comprovam que é fácil produzir hortaliças orgânicas, ou seja, sem o uso de agroquímicos e, que alguns mitos criados sobre a agricultura orgânica são falsos: é cara, produz menos e com pior qualidade quando comparados aos obtidos no sistema convencional. Os resultados evidenciaram que o cultivo orgânico de hortaliças é mais barato (reduz o custo com insumos em até 50%), produz tanto  quanto no sistema convencional e,  para algumas espécies a produtividade é superior e de melhor qualidade, a fertilidade do solo é maior e mais duradoura , além de tornar o produtor menos dependente de insumos (a maioria são importados e caros), pois pode prepará-los na própria propriedade e, o mais importante, sem riscos ao produtor, consumidor e meio ambiente. A agricultura orgânica só tem vantagens!


 

terça-feira, 15 de março de 2011

Vídeo "Batata Cota"

Em novembro de 2008, a EPAGRI, através da Estação Experimental de Urussanga/SC, lançou a primeira cultivar de batata para o cultivo orgânico: A SCS 365 - COTA


terça-feira, 1 de março de 2011

Cultivo orgânico de tomate


   O tomate (Lycopersicon esculentum) é uma espécie da família botânica das solanáceas, assim como a batata, fumo, pimentão e berinjela. O tomate é de alto valor nutricional, com boa fonte de vitaminas A e C e rico em sais minerais (cálcio e fósforo), essenciais para a formação dos ossos e dentes. Pesquisa realizada sugere que o licopeno, substância em quantidade apreciável no tomate, traz benefícios contra a hiperplasia benigna da próstata (BPH), a qual afeta mais da metade dos homens a partir dos 50 anos. Por ser uma das hortaliças mais consumidas no mundo, especialmente na forma de salada (in natura) e, muito sensível ao ataque de pragas e doenças, é vital o cultivo orgânico de tomate (sem agroquímicos) para garantir a saúde do agricultor, consumidor, meio ambiente e as futuras gerações. Pesquisa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, com 21 espécies de frutas e hortaliças no Brasil, revelou que, das 3.130 amostras coletadas em 2009, 29% apresentaram resultados insatisfatórios,ou seja,com resíduos de agrotóxicos, especialmente, os não autorizados para a cultura. Dentre as hortaliças, o tomate foi uma das mais contaminadas por agrotóxicos, apresentando 32% das amostras coletadas com resíduos de agrotóxicos. O uso incorreto e excessivo de agrotóxicos aplicados no tomateiro, explica os resultados. Os produtores, para evitar prejuízos parciais ou totais na lavoura, devido as inúmeras doenças e pragas e, condições climáticas desfavoráveis, chegam a pulverizar duas vezes por semana e, o que é pior, não levam em conta a carência dos produtos (tempo mínimo em dias necessário, entre a última pulverização e a colheita e consumo dos frutos). Como as colheitas são feitas duas vezes por semana, a carência ou intervalo de segurança dos agrotóxicos, geralmente de 7 a 10 dias, não é respeitada. As vantagens do cultivo orgânico do tomateiro não param por aí; pesquisa revelou que a qualidade nutritiva dos frutos no cultivo orgânico é maior, produzindo 21,1 e 34,3% a mais de vitamina A e C, respectivamente, em relação ao cultivo convencional, além de serem mais nutritivos e saborosos, com melhor conservação e, ainda com menor custo de produção.
Principais recomendações técnicas
.Escolha correta da área e análise do solo: evitar áreas úmidas de baixada sujeitas à neblina e, já cultivadas com espécies da mesma família botânica (fumo, batata e pimentão) nos últimos anos. 
.Épocas de plantio e cultivares: o clima fresco, seco e alta luminosidade favorecem a cultura. Temperaturas acima de 32 ºC e excesso de chuvas prejudicam a frutificação, com queda acentuada de flores e frutos novos, além de favorecer a murchadeira. No Litoral, a época mais favorável para o plantio é de julho a agosto; a partir de setembro favorecem maior incidência de pragas e doenças no final do ciclo da cultura. Em regiões onde não ocorrem geadas, é possível o plantio no final do verão e início de outono desde que as cultivares sejam rústicas e resistentes às pragas e doenças; neste período, as pulverizações preventivas com calda bordalesa devem ser a cada 7 dias. Pesquisa realizada na Estação Experimental de Urussanga (Epagri), indica para o Litoral: tipo Santa Cruz - cultivar Santa Clara; tipo Cereja – variedades regionais com formato arredondado ou alongado e tipo Italiano - variedades regionais com formato alongado. Recomenda-se para todas estas cultivares, retirar as sementes para o próximo plantio, seguindo-se algumas orientações (ver orientações na matéria já postada neste blog: "produção própria de mudas e sementes orgânicas".
.Produção de mudas: mudas sadias e vigorosas produzidas em abrigos protegidos, garante o sucesso da cultura do tomateiro. O copinho de papel jornal ou copo plástico descartável, utilizados para refrigerantes, são os mais recomendados para produção de mudas de tomate, utilizando-se substratos de boa qualidade. 
.Preparo do solo: adotar o plantio direto ou o cultivo mínimo do solo. Para o cultivo nos meses de julho a agosto, no Litoral, o mais indicado é a semeadura de adubos verdes (aveia, ervilhaca e nabo forrageiro) no outono, isoladamente, ou em consórcio e, a abertura de covas ou sulcos para o plantio das mudas. Outra opção é utilizar milho-verde consorciado com mucuna no mês de dezembro e, a abertura de covas e plantio das mudas no final de março/início de abril (Litoral) ou ainda julho e agosto, sobre a palhada. Pode-se também utilizar as plantas espontâneas como cobertura, manejando-as nas entrelinhas, através de roçadas. As plantas de cobertura protegem o solo, mantêm o solo mais úmido, além de aumentar o teor de matéria orgânica e reciclar nutrientes.
.Adubação de plantio: plantas bem nutridas são mais resistentes às pragas e doenças. Com base na análise do solo e nos teores de nutrientes do adubo orgânico, fazer a recomendação da adubação. 
.Plantio e espaçamento: as mudas são transplantadas quando atingirem 10 a 12cm de altura e com 4 a 5 folhas definitivas. O espaçamento indicado é de 1,2 a 1,5m entre fileiras por 0,4 a 0,5m entre plantas.
.Irrigação: a irrigação por gotejamento é a mais indicada. O sistema de aspersão é contra-indicado para o tomateiro, pois molha as folhas e umedece o ambiente em torno das plantas, favorecendo a requeima. 
.Práticas culturais: a capina é realizada em faixas, mantendo-se limpo a área junto às fileiras de tomate para evitar competição com as plantas espontâneas ou de cobertura. Nas entrelinhas, deixar uma faixa de plantas de cobertura e, se necessário, roçá-las para evitar competição por luz e facilitar a pulverização das folhas baixeiras do tomate. O tutoramento ideal é o vertical e, sempre no sentido norte-sul para permitir maior insolação das plantas.Não recomenda-se o tutoramento tradicional ("V" invertido), pois é formada uma câmara úmida que favorece os fungos e ainda torna os tratamentos fitossanitários ineficientes, pois não atingem a parte interna das plantas. À medida que a planta cresce, é preciso fazer amarrios e desbrotas, semanalmente. Para evitar o ferimento e o estrangulamento do caule, faz-se o amarrio, deixando-se uma folga. A desbrota consiste em eliminar todos os brotos que saem das axilas da plantas, deixando-se uma ou duas hastes por planta; não deve ser realizada com as plantas molhadas, evitando-se a disseminação de doenças. 
.Manejo de doenças e pragas: o tomateiro é o mais atacado por doenças e pragas que causam perdas parciais e até totais da lavoura. No entanto, se forem seguidos os princípios da agricultura orgânica, é possível prevenir e/ou reduzir os danos na lavoura. As principais doenças são: requeima ou sapeco (Phytophthora infestans), pinta preta (Alternaria solani) e murchadeira (Ralstonia solanacearum). As principais pragas são: broca pequena do fruto (Neulocinodes elegantalis) e traça (Tuta absoluta). Para o manejo, recomenda-se as medidas: a) escolha correta da área; b) evitar plantios escalonados e próximos a lavouras velhas; c) plantio na época recomendada; d) uso de cultivares resistentes; e) adubação com base na análise do solo;f) arranquio e destruição de plantas viróticas; g) destruir restos da cultura; h) rotação de culturas; i) pulverizar, preventivamente, a cada 10 dias, com calda bordalesa a 0,5 %,para o manejo das doenças foliares e j) pulverizar preventivamente,a partir do início da frutificação,com Bacillus thuringiensis, produto comercialmente conhecido como dipel, para o manejo da broca pequena do fruto e traça do tomateiro. O consórcio de tomate com coentro (planta repelente) reduz estas pragas e, ainda atrai os inimigos naturais destas. 
.Colheita: a colheita inicia quando os frutos estão amarelados ou rosados. Para mercados mais próximos podem ser colhidos num estádio de maturação mais adiantado, mas ainda bem firmes. A calda bordalesa, embora seja tolerada no cultivo orgânico, possui carência de 7 dias que deve ser respeitada, Para a limpeza dos frutos com resíduos de calda bordalesa, proceder a imersão dos frutos, por 5 minutos, em solução de ácido acético (vinagre), na concentração de 2%. Deixar secar e proceder a embalagem.                                                                                  
Tomate tipo cereja (variedade resistente às pragas e doenças),no tutoramento vertical.





Danos causados pela traça (foto) e broca pequena em frutos de tomate, são reduzidos, quando o tomate é consorciado com coentro.


Figura 1. O cultivo do tomateiro consorciado com coentro, associado com práticas como o tutoramento vertical, uso de cultivares resistentes às pragas e doenças e, especialmente, pulverizações preventivas com calda bordalesa, além de outras práticas, tornam viável técnica e economicamente o cultivo orgânico de tomate e, o melhor, sem riscos ao meio ambiente, produtor e consumidor, com menor custo de produção e, ainda com frutos mais nutritivos e saborosos e com maior conservação.
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