quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

     A modernização da agricultura, após a Segunda Guerra, acrescentou, ao processo de produção de alimentos, a utilização de máquinas e equipamentos agrícolas, além de fertilizantes e pesticidas químicos, tornando o sistema altamente dependente de recursos(insumos agrícolas) externos às propriedades rurais. A aplicação dessas tecnologias acarretam aumento dos custos de produção com conseqüente aumento dos preços dos alimentos para os consumidores, inviabilizando freqüentemente as produções agrícolas e, o que é pior, com esse sistema vieram também muitos casos de intoxicações de agricultores, aumento da mortalidade de animais domésticos e silvestres, contaminação dos solos, das águas e dos alimentos com resíduos de pesticidas que afeta, direta e indiretamente, a saúde das comunidades envolvidas na produção de alimentos.
     No cultivo orgânico o homem deve intervir o menos possível no meio ambiente para não provocar o desequilíbrio do sistema. Por isso, os produtos alternativos, mesmo que não causem riscos ao homem e meio ambiente, somente devem ser utilizados quando necessários e, sempre aplicados com proteção e, tomando-se o cuidado de não deixá-los ao alcance de crianças e animais.
. Iscas tóxicas com ácido bórico - manejo de lesmas. A isca deve ser formulada com 7 partes de farinha de trigo, 3 partes de farinha de milho, 3% a 5% de ácido bórico (encontrado em farmácias) e ovos. A pasta resultante deve ser filamentosa, seca à sombra, fragmentada em pedaços de 0,5cm de comprimento e distribuída na área infestada (Fonte: Milanez & Chiaradia, 1999b).
. Iscas com plantas e sementes de gergelim e com raízes de mandioca brava ralada - manejo de formigas. O uso de sementes de gergelim como iscas, para ninhos pequenos, na base de 30 a 50 gramas ao redor  do olheiro, é útil no combate a formigas, que irão carregá-las para dentro com o objetivo de alimentar os fungos, que, por sua vez, morrem intoxicados, deixando as formigas sem alimento (fungos). Um bom método natural para espantar as formigas é espalhar sementes de gergelim em torno dos canteiros ou da área a ser protegida. Raízes de mandioca-brava raladas colocadas ao redor do formigueiro intoxicam as formigas com o ácido cianídrico.
. Cinzas de madeira - manejo de pulgões, lagarta-rosca e os fungos míldio e sapeco; nutrição. Além de um ótimo adubo rico em potássio, a cinza  controla os pulgões dos cítrus (laranja, limão e outras) das hortaliças e de outras espécies. Polvilhada sobre o solo ou incorporada a ele, controla a lagarta-rosca por um período de 10 dias, dependendo do clima. No manejo da doença do sapeco da folha, que ocorre em cebolinha verde, e em sementeiras de cebola na fase de produção de mudas,  aplica-se sobre as plantas, antes que o sereno (orvalho) evapore, 50g/m2 de cinza de madeira.
. Urina de vaca em lactação - manejo de pragas, doenças e nutrição. Indicada para hortaliças em geral e para o abacaxi, pois contém catecol, substância  que aumenta a resistência das plantas ao ataque de pragas e doenças. No abacaxi, a urina é eficiente no controle de fusariose. No geral, durante os 3 primeiros dias após aplicação, age como repelente contra insetos, principalmente a mosca-branca. Serve também como fonte de macro e micronutrientes (Fonte: Gadela et al., 2002). Coleta e preparo: coletar a urina e colocá-la em recipiente plástico fechado durante 3 dias, que é o tempo necessário para que a ureia se transforme em amônia.  Pode ser guardada por 1 ano em vasilha fechada. A coleta da urina é simples e deve ser feita na hora de tirar o leite, pois ao ter as pernas amarradas para a ordenha é normal o animal urinar. Dosagem e aplicação: para cada 100L de água usar 1L de urina de vaca em lactação. Pulverizar sobre a planta a cada 15 dias. Recomendações: toda pulverização com solução de urina deve ser aplicada nas horas frescas do dia. Evitar o uso em hortaliças folhosas e em hortaliças-frutos próximo à colheita devido ao forte odor. A urina de cabra também pode ser utilizada, mas como possui maior concentração de nitrogênio, deve ser colocado meio litro de urina para cada 100L de água. Dar preferência à urina de vacas em lactação porque tem mais substâncias (fenóis e hormônios) que as outras. O cheiro forte após a aplicação permanece durante 3 dias,  agindo nesse período como repelente de insetos.
. Bactéria Baccillus thurigiensismanejo da broca das cucurbitáceas (pepino, melão, moranga, melancia), brocas do tomateiro,  lagarta das brássicas (couve, repolho, couve-flor e brócolis) e lagarta do cartucho do milho. O produto é vendido pelas agropecuárias com o nome comercial de Dipel e diversos outros nomes. É o controle biológico, recomendado no cultivo orgânico de alimentos.
. Caldas bordalesa e sulfocálcica – as caldas possuem baixo impacto ambiental sobre o homem e os animais. O cobre presente na calda bordalesa (Figura 1) é pouco tóxico para a maioria dos pássaros, abelhas e mamíferos, porém é tóxico para peixes. A aplicação de caldas não tem o objetivo de erradicar os insetos e as doenças, mas proteger as plantas e ativar o seu mecanismo de resistência. A vantagem é que além de serem facilmente preparadas na propriedade, reduzem significativamente o custo de produção dos cultivos. Estas caldas, especialmente a sulfocálcica, são vendidas em agropecuárias já prontas com um custo baixo. As caldas podem serem aplicadas em frutas e hortaliças, seguindo as dosagens específicas e alguns cuidados no preparo e aplicação.
     Para maiores informações sobre os preparados à base de plantas, caldas e outros produtos alternativos, bem como os cuidados no uso e aplicação visando o manejo de pragas e doenças, a Epagri através da Estação Experimental de Urussanga, tem a disposição para venda ao preço de R$ 30,00,   o livro ”Cultive uma horta e um pomar orgânicos: sementes e mudas para preservar a biodiversidade”.

Figura 1. A foto mostra a eficiência da calda bordalesa no manejo da requeima (sapeco) do tomateiro (à esquerda), que também ataca a batata e o pimentão, comparada a fila de tomateiros (à direita) sem aplicação da calda, totalmente atacada pelo fungo. Epagri/Estação Experimental de  Urussanga.
Ferreira On 12/22/2010 02:55:00 AM 1 comment LEIA MAIS
O manejo de pragas no cultivo orgânico não procura exterminar os insetos-pragas, mas simplesmente mantê-los em determinados níveis de equilíbrio e, não colocando em risco a  lavoura e o lucro do agricultor e, especialmente a saúde do produtor e consumidor. Em geral, os insetos causam prejuízos ao homem e animais, sejam através dos danos às plantações, ou através da transmissão de doenças. Outros são benéficos como o bicho-da-seda, abelhas e demais polinizadores e insetos que se alimentam de outros insetos. O grande desafio da agricultura é manter a produtividade dos cultivos e ao mesmo tempo melhorar a qualidade e sanidade dos alimentos, conservando os recursos naturais (solo, água, ar e organismos benéficos) para gerações futuras. O reconhecimento dos insetos-pragas e seus inimigos naturais não pode ser dispensado no cultivo orgânico. Inseto pode ser considerado praga quando causa danos econômicos ao produtor. A simples presença de insetos na lavoura não significa perdas; é necessário que a população destes seja elevada. Antes de iniciar um controle o produtor deve primeiro reconhecer qual a praga que costuma sempre causar danos a sua lavoura. Caso não consiga reconhecer, deve recorrer ao técnico do município para determinar a praga e, principalmente, verificar a necessidade de tratamentos fitossanitários com produtos alternativos. No cultivo orgânico o homem deve intervir o menos possível no meio ambiente para não desequilibrar o sistema. Por isso, os produtos alternativos, mesmo que não causem riscos ao homem e meio ambiente, somente devem ser utilizados quando realmente necessários e, sempre aplicados com equipamentos de proteção e, tomando-se o cuidado de não deixá-los ao alcance de crianças e animais.
. Água de cinza e cal (“fertiprotetor” de plantas): É um produto ecológico obtido pela mistura de água, cinza e cal, recomendado para aumentar a resistência das culturas às pragas, reduzindo a ocorrência de vaquinhas e pulgões e também de doenças. Essa mistura contém expressivos teores de macro (Ca, Mg e K) e micronutrientes, estimulando a resistência às doenças fúngicas e bacterianas. (Fonte: Claro, 2001). Modo de preparar: Em um recipiente de alvenaria, plástico ou latão misturar 5kg de cal hidratado e 5kg de cinza peneirada com 100L de água. A mistura deve permanecer em repouso no mínimo por 1 hora antes de ser utilizada. Nesse período, agita-se a mistura no mínimo três a quatro vezes, com madeira ou taquara. Após a última agitação, esperam-se 10 a 15 minutos para que ocorra a sedimentação das partículas sólidas. A água de cinza e cal deve ser coada antes do uso, usando-se a peneira do pulverizador. A mistura deve ser filtrada e armazenada em bombonas. No momento de usá-la, basta agitar o conteúdo que irá retomar a cor branco-leitosa. Preferencialmente, no momento de usá-la, pode-se associá-la a um espalhante adesivo (farinha de trigo a 2%). Cuidados na aplicação: evitar aplicar em horários de intenso calor. No verão, aplicar à tardinha ou de manhã cedo, especialmente quando a cinza utilizada for de madeira, pois tem maior concentração de nutrientes e é mais salina e alcalina. 
. Enxofre (acaricida): é um produto natural que pode ser usado puro ou na calda sulfocálcica visando o manejo de ácaros. Ao ser utilizado puro, devem-se misturar, a seco, 800g de enxofre e 200g de farinha de milho bem fina, diluindo 34g em 10 litros de água e aplicar sobre as plantas (Fonte: Paulus, 2000).
. Farinha de trigo - espalhante adesivo ecológico e manejo de ácaros, pulgões e lagartas. Quanto mais cerosa for a superfície da folha ou ramos das plantas tratadas, maior número de gotas se forma, menor a área de molhamento, maior a possibilidade de injúrias e menor a eficiência da pulverização sobre a nutrição ou manejo de pragas e doenças. Dentre as hortaliças, alho, cebola, repolho e couve-flor são exemplos de culturas com alta cerosidade nas folhas e que exigem, por isso, o uso de espalhante adesivo nas pulverizações das caldas, da água de cinza e cal e de outros produtos alternativos. Quando as gotas permanecem inteiras sobre a superfície foliar, por falta de espalhante adesivo, podem danificar os tecidos vegetais quando o sol incide sobre elas. Modo de preparar: Em um recipiente apropriado, misture com água os ingredientes a serem pulverizados, acrescentando a farinha por último. Adicionar a farinha aos poucos, lentamente, sob forte e constante agitação com auxílio de uma pá de madeira ou taquara para que a dissolução seja completa. Para evitar obstrução de bicos do pulverizador recomenda-se coar a calda, podendo-se utilizar a própria peneira do pulverizador. Dosagem: 200g de farinha de trigo em cada 10L de calda. Essa dose pode ser aumentada ou diminuída de acordo com o grau de cerosidade das folhas. No manejo de insetos-pragas que ocorrem em hortas, recomenda-se o seguinte preparo: diluir 1 colher de sopa de farinha de trigo em 1L de água e pulverizar nas folhas atacadas. Aplicar pela manhã em cobertura total nas folhas, em dias quentes, secos e com sol; mais tarde, as folhas secando com o sol formam uma película que envolve as pragas e caem com o vento.
. Leite cru - manejo de ácaros, ovos de lagartas, lesmas, doenças fúngicas  e viróticas. O leite, na sua forma natural ou como soro de leite, é indicado para o manejo de ácaros e ovos de diversas lagartas como atrativo para lesmas e no controle de várias doenças fúngicas tais como o oídio (Figura 1) e viróticas. Pesquisa comprovou a eficiência do leite cru (+10%) sobre o oídio em cucurbitáceas, mesmo após o início da infecção no campo, superando o leite industrializado (tipo C e o longa vida). Essa maior eficiência do leite cru e fresco pode ser explicada, em parte, pela maior concentração de substâncias e de microrganismos fermentados em relação aos leites industrializados. (Fonte: Zatarim et al., 2005).


Figura 1. O fungo oídio que tem como principal sintoma a formação de um pó branco sobre as folhas, ataca o feijão-vagem (foto) e as demais espécies da família das cucurbitáceas (melão, melancia, pepino, abóbora e moranga). O leite cru e fresco à 10%  (1 L para 100 L de água) é eficiente no controle desta doença, mesmo no início da infecção.












Ferreira On 12/22/2010 02:53:00 AM Comentarios LEIA MAIS

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

  A utilização intensiva da mecanização, dos adubos químicos, dos agrotóxicos e das sementes híbridas, predominantes na agricultura convencional ou “moderna”, formam um círculo vicioso, interessante apenas para as multinacionais da agroindústria. O revolvimento intenso do solo com máquinas e equipamentos, favorecendo a erosão, faz com que se utilize cada vez mais adubos químicos, exigidos em quantidades cada vez maiores pelas cultivares modernas criadas e, em conseqüência do desequilíbrio nutricional do solo, as plantas tornam-se mais susceptíveis às pragas e doenças, exigindo cada vez mais a utilização de agrotóxicos.  O Brasil é um dos países campeões do mundo no consumo de agroquímicos. O faturamento de 2002 para 2004, aumentou de  R$1,2 bilhões para R$4,1 bilhões reais. Recente Relatório da FAO classifica o Brasil como o 3º maior consumidor de agrotóxicos, coincidentemente ou não, o 3º em mortalidade por câncer. Em Fortaleza, de acordo com levantamento em hospitais, 51% das pessoas atacadas de cirrose hepática são abstêmias e, em sua maioria, consumidoras de dieta a base de frutas e hortaliças, justamente as culturas mais contaminadas por agrotóxicos. Como conseqüência de intoxicações por agrotóxicos são citadas moléstias tais como câncer, cirrose hepática, abortos, deformações fetais, impotência sexual, fibrose pulmonar,braquicardia, distúrbios do sistema nervoso, hepatite, acnes, pancreatite, diabete,úlcera, alergia e distúrbios audiovisuais, que se somam a outras intoxicações consideradas leves (Ponte, 1999).
    Um dos princípios básicos da agricultura orgânica é a não dependência de insumos externos que, na sua grande maioria, são importados, custam caro e, o que é pior, contaminam o meio ambiente e prejudicam a saúde do produtor e do consumidor.  Daí a importância dos preparados caseiros à base de plantas, facilmente elaborados na propriedade, para o manejo de pragas e doenças que atacam os cultivos orgânicos. É importante ressaltar, no entanto, que plantas saudáveis produzidas em ambientes equilibrados, normalmente  são menos atacadas por pragas e doenças. Por isso, recomenda-se utilizar esses produtos alternativos,  somente quando realmente for necessário.  Alguns dos princípios ativos das plantas usados, podem provocar irritação e intoxicação, por isso devem ser manipulados com cuidado, utilizando-se equipamentos de proteção e  não deixando-os ao alcance de criança ou animais.
A maior parte das pragas ataca geralmente na primavera, estação do ano de fertilidade e de grande atividade na natureza. Elas podem causar vários danos nas plantas, além de favorecerem o surgimento de doenças, principalmente as fúngicas.
Preparado com pimenta vermelha - manejo de vaquinhas (Figura 1), pulgões, grilos e paquinhas. Modo de preparar: bater 500 g de pimenta vermelha em um liquidificador com 2 litros de água. Coar o preparado e misturar com 5 colheres de sopa de sabão de coco em pó, acrescentando mais 2 litros de água. Pulverizar sobre as plantas atacadas. Para evitar a obtenção de frutos com forte odor deve-se aplicar, no mínimo, até 12 dias antes da colheita (Fonte: Andrade, 1992). 
Preparado com cavalinha-do-campo – manejo de pulgões e ácaros e fungos de solo, míldio e outras e para nutrição das plantas. Modo de preparar:  ferver 1kg de folhas verdes ou 200g de folhas secas por 20 minutos em 2L de água (10%). Diluir em 10 a 20 litros de água e pulverizar no final da tarde (Deffune, 2000).
Preparado com confrei - manejo de pulgões, lagartas e lesmas. Modo de preparar: utilizar o liquidificador para triturar 1kg de folhas de confrei com água. Acrescentar 10 litros de água e pulverizar nas plantas.
Preparado com cebola - manejo de pulgões, lagartas e vaquinhas. Modo de preparar: Cortar 1kg de cebola e misturar em 10L de água, deixando o preparado curtindo durante 10 dias. Utilizar 1L da mistura em 3L de água para pulverizar as plantas, atuando como repelente.
Preparado com losna - manejo de lagartas, lesmas, percevejos e pulgões. Modo de preparar: Diluir 30g de folhas secas de losna em 1L de água, fervendo essa mistura durante 10 minutos. Adicionar 10L de água ao preparado para pulverização.
Preparado com samambaia- manejo de ácaros, cochonilhas e pulgões. Modo de preparar: Colocar 500g de folhas frescas ou 100g de folhas secas em 1L de água. Ferver por meia hora. Para a aplicação, diluir 1L desse macerado em 10L de água.
Preparado com cinamomo- manejo de pulgões e cochonilhas. Modo de preparar: Colocar 500g de sementes maduras, secas e moídas numa mistura de 1L de álcool e 1L de água. Deixar descansar por 4 dias. Depois de pronto o extrato, armazenar em vidros ou em garrafas de cor escura. Diluir a solução do extrato a 10%, ou seja, para cada litro de extrato usar 10L de água e aplicar nas partes atacadas das plantas. O restante das sementes secas pode ser guardado em potes para uso posterior. O cinamomo, ou árvore-santa (Melia azedarach), é uma planta da mesma família do nim, cujas folhas e sementes têm propriedades inseticidas.
Figura 1. O preparado de pimenta vermelha (à esquerda) é eficiente no manejo de insetos-pragas como vaquinhas (patriota), pulgões,  grilos e paquinhas. Ao controlar a vaquinha (adulto) que alimenta-se das folhas, com o preparado de pimenta, controla-se também a larva-alfinete (vaquinha na fase larval) que perfura os tubérculos de batata (à direita), bem como plantas recém-emergidas.

Ferreira On 12/13/2010 04:04:00 AM Comentarios LEIA MAIS
     Os alimentos orgânicos são os ideais para toda a família, por não utilizarem agrotóxicos e adubos químicos solúveis e, por serem produzidos com técnicas ambientalmente corretas. Em comparação com os alimentos obtidos na agricultura  convencional, os produtos orgânicos possuem maior teor de vitaminas, sais minerais, proteínas, aminoácidos, carboidratos e matéria seca e, ainda melhor sabor e conservação. Além do maior custo, os agroquímicos, especialmente quando aplicados incorretamente, contaminam rios, lagos e córregos, colocando em risco a saúde do agricultor, do consumidor e do meio ambiente.
     Pesquisa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA – em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ –  realizada com frutas e hortaliças nos maiores centros consumidores do Brasil desde 2001, comprova que várias espécies cultivadas estão seriamente contaminadas por resíduos de agrotóxicos e, o que é pior, por produtos não autorizados para as culturas. Relatório recente da Anvisa, em 26 estados, pesquisando 20 espécies (frutas e hortaliças) em 2009,  revela que 907 (29%) amostras de um total de 3.130 amostras coletadas, incluindo todas as espécies pesquisadas, estavam contaminadas, alcançando no pimentão, uva, pepino, morango, couve, abacaxi, mamão, alface, tomate e beterraba até 80; 56,4; 54,8; 50,8; 44,2; 44,1; 38,8; 38,4; 32,6 e 32% de amostras contaminadas, respectivamente.
     Numa floresta nativa com muitos tipos de plantas, as doenças e as pragas existem, mas não causam maiores problemas, porque estão em equilíbrio. Na agricultura orgânica o homem deve intervir o menos possível no meio ambiente para não provocar o desequilíbrio do sistema. Mesmo no cultivo orgânico podem ocorrer desequilíbrios temporários que aumentam a população de insetos-pragas ou patógenos que causam doenças à níveis incontroláveis. Estes fatores podem ser chuvas ou secas excessivas, mudas e/ou sementes de baixa qualidade,  uso de cultivares não adaptadas, solos degradados, adubações desequilibradas e outros. Neste caso, deve-se recorrer às caldas protetoras, aos preparados de plantas e outros produtos alternativos recomendados ou tolerados no cultivo orgânico, visando o manejo de doenças e pragas nas plantas cultivadas. É importante ressaltar, que práticas tais como plantio direto, cultivo mínimo, adubação orgânica e verde, uso de cultivares resistentes às pragas e doenças, cobertura morta, rotação e consorciação de culturas, são essenciais para o sucesso do cultivo orgânico, pois conduzem à estabilidade do agroecossistema, ao uso equilibrado do solo, ao fornecimento ordenado de nutrientes e à manutenção de uma fertilidade real e duradoura. Convém salientar, no entanto, que os produtos alternativos  mesmo que na grande maioria não cause riscos ao homem e ao meio ambiente, somente devem ser utilizados quando realmente necessários. A maioria das plantas utilizadas são plantas aromáticas, medicinais e algumas ornamentais. No entanto, alguns dos princípios ativos das plantas usados, podem provocar irritação e intoxicação, por isso devem ser manipulados com cuidado, utilizando-se equipamentos de proteção e  não deixando-os ao alcance de criança ou animais.
. Preparado com alho - manejo de tripes, pulgões (Figura 1), lagarta do cartucho do milho e doenças - podridão negra, ferrugem e alternária. O alho é um antibiótico natural, inibidor ou repelente de parasitas de plantas ou animais. Modo de preparar: moer 100g de alho e deixar em repouso por 24 horas em 2 colheres de óleo mineral. Dissolver, à parte, 10g de sabão em 0,5 L de água. Misturar todos os ingredientes, filtrar e, diluí-lo em 10 litros de água (Fonte: Abreu Junior, 1998);
.Preparado com cravo-de-defunto - manejo de pulgões, ácaros, lagartas e nematóide. Modo de preparar: misturar 1 kg de folhas e talos de cravo-de-defunto (Tagetes sp) com ou sem flores em 10 litros de água. Levar ao fogo, deixando ferver durante meia hora ou então deixar os talos e folhas picados em molho, por dois dias. Coar e pulverizar sem diluir. O cravo-de-defunto plantado em área infestada de nematóides é um repelente natural;
Preparado com sálvia - manejo de lagartas da couve, repolho, couve-flor e brócolis. Modo de preparar: derramar 1 litro de água fervente sobre 2 colheres de sopa de folhas secas de sálvia. Tampar o recipiente e deixar em infusão durante 10 minutos. Agitar bem, filtrar e pulverizar imediatamente sobre as plantas  para repelir a borboleta branca que coloca os ovos nas folhas das plantas cultivadas, originando as lagartas que comem as folhas (Figura 1).
Preparado com urtiga nutrição, estimulante de vigor e resistência, manejo de pulgões. Modo de preparar: deixar de molho por duas semanas 1kg de folhas verdes ou 200g de folhas secas/2 litros de água. Diluir em 20 litros de água e pulverizar nas plantas e solo no final da tarde, alternando com o preparado de cavalinha. (Deffune, 2000).
Preparado com camomila - manejo de doenças fúngicas. Modo de preparar: misturar 50g de flores de camomila em 1L de água. Deixar de molho durante 3 dias, agitando quatro vezes ao dia. Depois de coar, pulverizar a mistura sem diluir, três vezes a cada 5 dias.
Preparado com coentro - manejo de ácaros e pulgões. Modo de preparar: cozinhar folhas de coentro em 2L de água. Para pulverizar sobre as plantas, acrescentar água. (Fonte: Zamberlan & Froncheti, 1994).
Preparado com chuchu - manejo de lesmas e caracóis. Modo de preparar: colocar dentro de latas rasas, como as de azeite, pedaços de chuchu cortados ao meio e adicionar sal. Essa mistura é bastante atrativa para essas pragas e possibilita posteriormente, a eliminação e destruição destas pragas.
Preparado com buganville (primavera/maravilha)- manejo do vírus do vira-cabeça do tomateiro e pimentão. Modo de preparar: juntar 1 kg de folhas maduras e lavadas de buganville (flores rosa ou roxa) com água e bater no liquidificador. Coar e diluir o macerado em 20 L de  água. Pulverizar imediatamente o tomateiro nas horas mais frescas do dia., iniciando na fase de mudas e terminando no início da frutificação. (Souza, 2003).
Figura 1. Sálvia (planta medicinal) e alho (hortaliça-tempero), utilizadas em preparados que podem serem feitos na propriedade, são eficientes no manejo de lagartas  e pulgões, respectivamente, que atacam a couve, repolho, couve-flor e brócolis.
Ferreira On 12/13/2010 04:00:00 AM 2 comments LEIA MAIS

domingo, 12 de dezembro de 2010



1 – TÍTULO DO PROJETO
          Oficina de Horta Terapêutica do CAPS – I de Urussanga,SC.

2 – IDENTIFICAÇÃO TÉCNICA
2.1 – Coordenador Geral e Técnico: Elisa Mª R. Hille Enfermeira, Thiago Stopassolli Assistente Social ambos do CAPS, e Sr. Antônio Carlos F. da Silva (voluntário) Agrônomo;
2.2 – Parcerias: Centro de Atenção Psicossocial, Secretaria Municipal de Saúde, Secretaria de Obras e voluntários;
2.5 – Responsável pela elaboração do Projeto:
Elisa Mª R. Hille Enfermeira, Thiago Stopassolli Assistente Social ambos do CAPS, e  Antônio Carlos Ferreira da Silva (voluntário) Eng. Agrônomo;
2.6 – Local de Execução: O presente Projeto será desenvolvido junto às instalações do Centro de Atenção Psicossocial – CAPS-I cito a Av. Presidente Vargas – 362 B: Centro, Urussanga-SC;
2.7 – Mão-de-obra: A implantação e condução de uma horta orgânica exige boa disponibilidade de mão-de-obra, com maior ou menor intensidade nas diferentes épocas do ano, dependendo da diversidade de cultivos. No caso específico, uma horta de 150 a 200m2 exigirá, 1 a 2 horas diárias de voluntários do CAPS e outros voluntários, na condução, após a implantação. Outras pessoas interessadas em aprender, na prática, como implantar e conduzir uma horta orgânica serão convidadas a participarem do projeto. Os princípios básicos da agricultura orgânica serão todos utilizados na horta orgânica. Dentre estes se destacam: adubação orgânica (composto orgânico e estercos de animais curtidos), adubação verde, cultivo mínimo, plantio direto, manejo de pragas e doenças com produtos alternativos sem riscos ao meio ambiente, rotação e consorciação de culturas, entre outros.
3 - JUSTIFICATIVA
Em todas as classes da sociedade, em todas as regiões do mundo há pessoas com algum tipo de deficiência mental, variando tanto quanto as causas como quanto as conseqüências. Essas variações resultam das circunstâncias sócio-econômicas e de medidas que os países adotam quanto ao bem estar dos cidadãos (PITTA, 2001). De muitas maneiras, ela reflete as condições gerais de vida e as políticas sociais e econômicas de diferentes épocas. Uma nova política de Saúde Mental, desencadeada a partir do processo de Reforma Psiquiátrica, vem sendo discutida e gradualmente implantada no cenário da Saúde no Brasil (SARACENO et al., 2001). Dentro do projeto geral está a proposta de criação de oficinas terapêuticas. Elas constituem-se em um importante espaço de tratamento, pois estimulam a capacidade de produção, de convivência e interação grupal.
No contexto da reforma psiquiátrica, a terminologia “oficinas terapêuticas” tem se firmado, em particular, a partir da década de 90, muitas vezes, tem designado um conjunto de práticas diversas desenvolvidas nos novos serviços de Saúde Mental. A oficina constitui hoje, uma ferramenta importante na clinica de saúde mental e, por não estar totalmente atrelada aos paradigmas técnicos e também por não ser um modelo homogêneo de intervenção, é, atualmente, um instrumento que comporta inúmeras invenções.
As oficinas terapêuticas surgem num processo que visa restabelecer a cidadania da pessoa com transtornos mentais através da desconstrução do modelo asilar de atenção à saúde mental. Dessa forma, as oficinas passam a exercer papel primordial, tanto como elemento terapêutico quanto como promotoras de reinserção social, através de ações que envolvem o trabalho, a criação de um produto, a geração de renda e a autonomia do sujeito. Uma oficina se torna terapêutica de fato, quando dá ênfase na relação terapeuta-paciente, na importância do pertencimento a um grupo, na convivência e na comunicação com o outro. Para isso, o usuário deve ser sujeito do processo, criar autonomia no pensar, ter capacidade de planejar o próprio trabalho e participar do processo de gestão.
Ao produzir uma oficina, deve-se ter em mente que o mesmo se torne um espaço de criação, expressão, produção, transformação, humanização, experimentação, socialização e convivência, operando-se mudanças subjetivas na representação social da pessoa, na diminuição do índice de uso de medicamentos, na ordenação do dia-a-dia do individuo e na adesão ao tratamento. De suma importância também é, respeitar e entender o sujeito/individuo como um todo, que possui uma história de vida, dentro de um contexto social dinâmico e complexo.
A presente proposta da Horta Terapêutica¹ tem como objetivo a construção coletiva de um espaço agroecológico que viabilizem diversas atividades de educação ambiental voltada para a prática da terapia ocupacional com os usuários da saúde mental desenvolvendo a relação com os espaços (canteiros), e o aprendizado de noções básicas de ecologia.
Atividades desta natureza são adotadas por diversas instituições e órgãos que tratam de pacientes portadores de sofrimento mental grave no auxílio a este tratamento. Busca-se assim, propiciar aos pacientes uma atividade auxiliar em seu tratamento e uma fonte de alimentação de qualidade2.
Sendo assim, um dos objetivos deste trabalho é o de auxiliar no tratamento de portadores de sofrimento mental grave e na melhoria da qualidade alimentar dos pacientes, por meio dos produtos produzidos no projeto através de um sistema orgânico, que consiste basicamente na não utilização de agroquímicos3.
Tal projeto busca auxiliar no tratamento de pacientes portadores de sofrimento mental grave, por meio de terapia ocupacional em atividades relativas à produção em uma horta de pequeno porte, como a confecção de canteiros, plantio, adubação, capina e colheita. A realização dessa atividade viabiliza a expressão, a espontaneidade, o conhecimento das potencialidades e das limitações dos pacientes e promove o desenvolvimento em diversos aspectos (emocional, social, intelectual e físico), possibilitando que o paciente adquira maior grau de independência e autonomia (ARRUDA, 1962).
Salientamos a necessidade da abertura deste projeto a participação de voluntários que tenham interesse em auxiliar-nos e levar conhecimentos a mais para o grupo.
1 Sugestão de algumas hortaliças para serem cultivadas na horta orgânica: alface, cenoura, beterraba, repolho, couve, espinafre, couve-flor, couve-brócoli, pepino, temperos (cebolinha verde, salsa, coentro, orégano, manjerona), rabanete, chicória, ervilha torta, almeirão, feijão-vagem, abobrinha caserta, rúcula, tomate cereja, pimentão, pimenta, alho, batata-doce, milho-verde.   Sugestão de plantas medicinais e aromáticas: sálvia, hortelã, arruda, alfavaca, cavalinha-do-campo, losna, camomila, capim-limão, guaco, alecrim, manjericão, poejo, funcho.
2  As hortaliças são ricas em vitaminas (A, B, C, E e K) e sais minerais (cálcio e ferro), com bom teor de proteína e fibras, além de outras virtudes dietéticas e até terapêuticas. A vitamina A é essencial para a saúde dos olhos, pele, dentes e cabelos, atuando sobre o crescimento e aumentando a resistência do organismo às doenças; a vitamina B estimula o apetite, auxilia no crescimento, facilita a digestão, ajuda no funcionamento normal dos nervos e fortalece a pele e os cabelos; a vitamina C é fundamental para aumentar a resistência do organismo às infecções, principalmente aos resfriados; a vitamina E é importante para prevenir distúrbios cardiovasculares e neurológicos, além de acelerar a cicatrização de ferimentos e aumentar a fertilidade; a vitamina K é essencial para biossíntese de vários fatores necessários para a coagulação do sangue e para a mineralização dos ossos.  Os sais minerais, como o cálcio é essencial para a formação de ossos e dentes e, o ferro que faz parte do sangue, participa na dieta alimentar diária prevenindo a anemia.  As proteínas, essenciais para formação e renovação dos tecidos, controlam o crescimento, a digestão, a absorção, o transporte, a manutenção da pressão e a formação de anticorpos para defesa das doenças.  Os carboidratos são responsáveis pela energia e pela força para as atividades mentais e para o trabalho. As fibras são importantes para regular a digestão e para prevenir doenças como diverticulite, arteriosclerose, apendicite, varizes, hemorróidas e certos tipos de tumores intestinais, além de auxiliar no controle das taxas de colesterol e glicose.
      Pesquisas realizadas no mundo inteiro comprovam a grande diferença entre o alimento orgânico e aquele produzido de forma convencional, ou seja, com adubos químicos e agrotóxicos. Os produtos orgânicos, além de possuírem maior teor de vitaminas e sais minerais, apresentam melhor sabor e conservação e ainda possuem menor custo de produção.
 3A natureza foi à primeira farmácia da humanidade. Por isso, no planejamento da horta deve-se reservar espaço para as principais espécies de plantas medicinais. As plantas medicinais proporcionam ao organismo humano sais minerais, ajudam a eliminar toxinas, limpando o sangue de impurezas e tonificando o estômago, os intestinos, os rins e o coração. Além de terem propriedades terapêuticas, algumas são utilizadas no manejo de pragas e doenças de hortaliças.
     Além da importância das hortaliças orgânicas na nutrição e das plantas medicinais na saúde das pessoas, a ocupação do tempo na implantação e condução de uma horta é essencial para que as pessoas se sintam úteis e melhorem a auto-estima. O contato com plantas funciona muito bem como terapia ocupacional. O fato de preparar o solo, semear, observar o crescimento colher e consumir hortaliças frescas, saudáveis e saborosas, bem como plantas medicinais, sem agroquímicos, é uma experiência fantástica e, o mais importante, sem riscos ao meio ambiente, ao trabalhador e consumidor.
 O cultivo de uma horta orgânica melhora a qualidade de vida das pessoas, pois além de garantir alimentos saudáveis, nutritivos e saborosos mais baratos, previne e até cura doenças, educa, ocupa e, quando implantada com prazer, proporciona lazer e exercícios ao ar livre.  No mundo inteiro existe atualmente uma preocupação dos consumidores em relação a qualidade dos alimentos. Há uma conscientização de que muitos problemas de saúde poderão ser evitados se for consumido alimentos livres de resíduos químicos. Cresce, também, a consciência de que devemos praticar uma agricultura integrada com a natureza e que preserve os recursos naturais.
     O cultivo orgânico é um sistema de produção agrícola ecológico e sustentável, baseado na preservação e no respeito a terra, ao meio ambiente e ao homem. Este sistema é centrado no ser humano e a base da sustentabilidade é o solo. Praticar agricultura orgânica ou com base agroecológica é, além de tudo, um novo modo de pensar e de se relacionar com as pessoas e com a natureza. O cultivo de uma horta orgânica é uma forma natural de produzir hortaliças e plantas medicinais, utilizando-se práticas culturais adequadas, sem uso de agrotóxicos, adubos químicos, sementes transgênicas, antibióticos e outros produtos prejudiciais à saúde humana e ao meio ambiente. Cultivar no sistema orgânico significa fazer as pazes com a natureza, protegendo os recursos naturais (solo, água, flora e fauna) e as futuras gerações, restaurando a biodiversidade e preservando a diversidade biológica, que é a base de uma sociedade equilibrada.


4 – OBJETIVO GERAL
Proporcionar o relaxamento através do contato com a terra e a natureza e o prazer de produzir hortaliças que serão utilizadas nas refeições diárias dos usuários e oportunizar atividades de cultivos de plantas, estimulando assim o desenvolvimento de responsabilidade por parte dos participantes.

5 – OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Ø  Estimular o contato com a terra e a produção no sistema orgânico de hortaliças, vegetais e plantas medicinais através da implantação de horta terapêutica;
Ø  Contribuir para a formação de hábitos alimentares mais saudáveis;
Ø  Incentivar o processo de construção e manutenção de hortas domésticas em sistema orgânico através;
Ø  Proporcionar o trabalho terapêutico e interação em equipe;
Ø  Estimular a valorização pessoal e social através do trabalho, bem como, o voluntariado e o envolvimento dos pacientes para a condução da horta;
Ø  Tornar o serviço referencia a nível comunitário das técnicas de produção de hortaliças no sistema orgânico;
Ø  Resgatar junto à comunidade o habito de produção de alimentos para auto-consumo.

6 – METODOLOGIA
     Para obter-se sucesso no cultivo orgânico de uma horta o solo deve ser equilibrado em nutrientes. Por isso, é necessário em primeiro lugar conhecer a fertilidade do terreno através de análise química do solo. Com base nesta análise recomenda-se a adubação orgânica e se necessário, a correção da acidez do solo.
     Para a implantação da horta serão levantados os canteiros (1,10m de largura) com madeiras rústicas (20 a 30 cm de largura) utilizadas em construção, deixando-se caminhos de 0,5m de largura entre eles, para facilitar o deslocamento dentro da horta. Após a adubação orgânica e calagem, com base na análise do solo, será feito o revolvimento do solo com pá de corte e incorporação do adubo (esterco de animais).
Espécies: as hortaliças a serem semeadas ou transplantadas em canteiros serão as seguintes: Alface, Cenoura, Beterraba, Repolho, Couve, Espinafre, Couve-brócoli, Couve-flor, Pepino, Temperos (cebolinha verde, salsa, coentro, orégano e manjerona) Rabanete, Chicória, Ervilha de vagem, Radiche (almeirão), Feijão-vagem, Abobrinha de moita, Rúcula, Tomate Cereja, Pimentão, Pimenta, Alho e Milho-verde.
Algumas plantas medicinais e aromáticas a serem plantadas, além de auxiliarem na melhoria da saúde das pessoas, servirão para auxiliar também no manejo de doenças e pragas. As plantas medicinais sugeridas são: sálvia, hortelã, arruda, alfavaca, cavalinha-do-campo, losna, camomila, capim-limão, guaco, alecrim, manjericão, poejo e funcho.

7 - CRONOGRAMA
Conforme previsão inicial, a  implantação e manutenção da horta requer 40 horas / mês, perfazendo um total de cerca de 2 horas diárias  quando o CAPS estiver em funcionamento.

8– Orçamento inicial para implantação da Horta Orgânica (200m²)
Necessitará o presente projeto, para sua implantação e manutenção os materiais, conforme descrição abaixo, perfazendo-se, desta forma, uma previsão orçamentária no valor de R$ 1.600,00 (mil e seiscentos reais), necessários em investimentos para a compra dos materiais abaixo relacionados


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9 – Previsão orçamento de materiais e equipamentos necessários para a manutenção da horta (200m2)

Ferreira On 12/12/2010 08:50:00 AM 19 comments LEIA MAIS

sábado, 11 de dezembro de 2010

Caros amigos,


As abelhas estão morrendo em todo o mundo, colocando em perigo a nossa cadeia alimentar. Os cientistas culpam os agrotóxicos e quatro governos europeus já os proibiram. Se conseguirmos que os EUA e a União Europeia se unam à proibição, outros governos ao redor do mundo poderão seguir o exemplo e salvar da extinção milhares de abelhas. Assine a petição e encaminhe este apelo urgente:

Sign the petition
Silenciosamente, bilhões de abelhas estão morrendo, colocando toda a nossa cadeia alimentar em perigo. Abelhas não fazem apenas mel, elas são uma força de trabalho gigante e humilde, polinizando 90% das plantas que produzimos.

Vários estudos científicos mencionam um tipo de agrotóxico que contribui para o extermínio das abelhas. Em quatro países Europeus que baniram estes produtos, a população de abelhas já está se recuperando. Mas empresas químicas poderosas estão fazendo um lobby pesado para continuar vendendo estes venenos. A única maneira de salvar as abelhas é pressionar os EUA e a União Europeia para eles aderirem à proibição destes produto letais - esta ação é fundamental e terá um efeito dominó no resto do mundo.

Não temos tempo a perder - o debate sobre o que fazer está esquentando. Não se trata apenas de salvar as abelhas, mas de uma questão de sobrevivência. Vamos gerar um zumbido global gigante de apelo à UE e aos EUA para proibir estes produtos letais e salvar as nossas abelhas e os nossos alimentos. Assine a petição de emergência agora, envie-a para todo mundo, nós a entregaremos aos governantes responsáveis:

https://secure.avaaz.org/po/save_the_bees/?vl

As abelhas são vitais para a vida na Terra - a cada ano elas polinizam plantas e plantações com um valor estimado em US$40 bilhões, mais de um terço da produção de alimentos em muitos países. Sem ações imediatas para salvar as abelhas, poderíamos acabar sem frutos, legumes, nozes, óleos e algodão.

Nos últimos anos, temos visto um declínio acentuado e preocupante a nível global das populações de abelhas - algumas espécies de abelhas estão extintas e outras chegaram a 4% da população no passado. Cientistas vêm lutando para obter respostas. Alguns estudos afirmam que o declínio pode ser devido a uma combinação de fatores, incluindo doenças, perda de habitat e utilização de produtos químicos tóxicos. Mas um importante estudo independente recente produziu evidências fortes culpando os agrotóxicos neonicotinóides. A França, Itália, Eslovênia, e até a Alemanha, sede do maior produtor do agrotóxico, a Bayer, baniram alguns destes produtos que matam abelhas. Porém, enquanto isto, a Bayer continua a exportar o seu veneno para o mundo inteiro.

Este debate está esquentando a medida que novos estudos confirmam a dimensão do problema. Se conseguirmos que os governantes europeus e dos EUA assumam medidas, outros países seguirão o exemplo. Não vai ser fácil. Um documento vazado mostra que a Agência de Proteção Ambiental dos EUA já sabia sobre os perigos do agrotóxico, mas os ignorou. O documento diz que o produto da Bayer é "altamente tóxico" e representa um "grande risco para os insetos não-alvo (abelhas)".

Temos de fazer ouvir as nossas vozes para combater a influência da Bayer sobre governantes e cientistas, tanto nos EUA quanto na UE, onde eles financiam pesquisas e participam de conselhos de políticas agrícolas. Os reais peritos - apicultores e agricultores - querem que estes agrotóxicos letais sejam proibidos, a não ser que hajam evidências sólidas comprovando que eles são seguros. Vamos apoiá-los agora. Assine a petição abaixo e, em seguida, encaminhe este alerta:

https://secure.avaaz.org/po/save_the_bees/?vl

Não podemos mais deixar a nossa cadeia alimentar delicada nas mãos de pesquisas patrocinadas por empresas químicas e os legisladores que eles pagam. Proibir este agrotóxico é um caminho necessário para um mundo mais seguro tanto para nós quanto para as outras espécies com as quais nos preocupamos e que dependem de nós.

Com esperança,

Alex, Alice, Iain, David e todos da Avaaz

Leia mais:

Itália proibe agrotóxicos neonicotinóides associados à morte de abelhas:
http://www.ecodebate.com.br/2008/09/22/italia-proibe-agrotoxicos-neonicotinoides-associados-a-morte-de-abelhas/

O desaparecimento das abelhas melíferas:
http://www.naturoverda.com.br/site/?p=180

Alemanha proíbe oito pesticidas neonicotinóides em razão da morte maciça de abelhas:
http://www.ecodebate.com.br/2008/08/30/alemanha-proibe-oito-pesticidas-neonicotinoides-em-razao-da-morte-macica-de-abelhas/

Campos silenciosos:
http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/campos_silenciosos_imprimir.html

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Ferreira On 12/11/2010 03:06:00 AM Comentarios LEIA MAIS

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Manejo de pragas e doenças no cultivo orgânico: práticas culturais e inimigos naturais
   Por que surgem as doenças e pragas nas plantas cultivadas? a maneira como trabalhamos na agricultura convencional ou “moderna” é uma das maiores criadoras de pragas e doenças para as plantas. A monocultura (cultivo de apenas uma espécie) é uma das principais causas de criação de doenças e pragas. Numa floresta nativa com muitos tipos de plantas, as doenças e as pragas existem, mas não causam maiores problemas.  Uma doença ou inseto-praga se espalha muito mais fácil com um único tipo de planta ofertada em grande quantidade. O excesso de oferta de comida “chama” as doenças e as pragas para as plantas. Os adubos químicos e agrotóxicos deixam as plantas mais suculentas para as doenças e pragas. E o que é pior, os agrotóxicos destroem os inimigos naturais (seres que se alimentam das doenças e insetos-pragas) e ainda prejudicam a vida do solo. Com o tempo, os agrotóxicos matam as doenças e insetos-pragas mais fracos e vão ficando só os mais fortes. Pior ainda, alguns insetos que não eram pragas passam a causar prejuízos aos cultivos (Ex.:a larva minadora das folhas). Lavrar a terra seguidamente, manter o solo sem plantas de cobertura e sem matéria orgânica diminui a vida do solo. Com o tempo, o solo fica duro, seco, compactado, pobre em vida e nutrientes. As plantas que crescem em solo desgastado se tornam mais fracas e mais fáceis de serem atacadas por doenças e pragas.
     O manejo eficiente das doenças e pragas na agricultura orgânica é baseado no seguinte princípio básico:  É impossível controlar totalmente as pragas e doenças, por isso recomenda-se manejar a cultura com diversas práticas que reduzem ao mínimo os danos causados, suficientes para evitar danos econômicos às culturas e, principalmente que  beneficiam os inimigos naturais. Dentre as práticas, destacam-se:
. Controle mecânico: através de visita diária a lavoura, eliminar e destruir (enterrio ou uso em compostagem)  plantas  doentes (ramos, folhas e frutos doentes) e/ou atacadas por pragas, evitando-se a disseminação rápida de doenças e pragas; através da irrigação por aspersão,  pode-se reduzir a ocorrência de pulgões, ácaros, tripes e lagartas do cartucho do milho, pragas que aparecem mais em condições de estiagem; a colocação de sacos de aniagem, umedecidos com leite,  entre os caminhos  da horta, no final do dia, atrai lesmas e caracóis. Deve-se fazer o recolhimento  pela manhã, combatendo-os com cal virgem ou sal.
. Manejo cultural: é o manejo de pragas através de espécies que as atraem ou repelem. Broca das cucurbitáceas (pepino) e vaquinha (patriota) - o cultivo de abobrinha caserta (abobrinha de moita) atrai estas pragas. O porongo verde cortado ao meio e a raiz de tajujá ou tayuyá, cortada em  fatias (10cm), espalhadas na horta também atraem a vaquinha. A seiva ou o líquido existente na raiz do tajujá atrai a vaquinha, fazendo com que não ataquem a planta cultivada. Tanto no caso do porongo como na raiz de tajujá deve-se renovar as iscas regularmente; Borboleta da couve -  a hortelã e o alecrim repelem a borboleta da couve que põe os ovos dando origem às lagartas que comem as folhas; Insetos e nematóides - o cravo-de-defunto ou tagetes, devido às suas glândulas aromáticas, repele muitos insetos e mantém o solo livre de nematóides; Ratos e formigas - a hortelã, quando plantada na bordadura dos canteiros e em volta da casa e/ou paióis, repele essas pragas. Um bom método natural para espantar as formigas é espalhar sementes de gergelim em torno dos canteiros. Para as formigas cortadeiras recomenda-se cortar e distribuir folhas de gergelim em locais de passagem das mesmas, próximos aos olheiros do formigueiro;  as formigas carregam as folhas para o formigueiro e intoxicam os fungos que servem de alimento para elas; Insetos em geral - alho, manjerona, camomila e mal-me-quer plantados no meio da horta inibem a presença de insetos; Moscas brancas – o uso de plantas repelentes como  cravo-de-defunto, hortelã e arruda, quando o ataque é pequeno, tem boa eficiência.
. Manejo de pragas com auxílio dos inimigos naturais: os inimigos naturais são insetos, fungos, bactérias, vírus, nematóides, répteis, aves e mamíferos pequenos. Os animais que comem insetos na forma larval e adulta, não são poucos, daí a importância da não contaminação do meio ambiente com agroquímicos. Todas as pragas têm seus inimigos naturais que as devoram ou destroem. Daí a importância de diversificar os cultivos (rotação, sucessão e consorciação de culturas) e  preservar refúgios naturais como matas, cercas vivas e capoeiras para manter a diversidade natural da fauna (ácaros predadores, aranhas, insetos, anfíbios, répteis, aves e mamíferos). Todos fazem parte do grande conjunto natural e contribuem para  manutenção do equilíbrio na natureza. Entre as espécies de plantas que servem de refúgio dos inimigos naturais, destacam-se: o menstrato (Ageratum conyzoides),  a beldroega (Portulaca oleracea), o caruru (Amaranthus viridis), o nabo forrageiro (Raphanus raphanistrum) e o sorgo granífero (Sorghum bicolor). No caso do sorgo, suas panículas em flor favorecem o abrigo e a reprodução do percevejo Orius insidiosus que é predador de lagartas, ácaros e tripes da cebola. Há no entanto, plantas que são desfavoráveis à preservação e ao aumento de inimigos naturais das pragas, como: mamona, guanxuma, tiririca e picão branco. Entre os insetos, o inimigo natural mais conhecido é a joaninha (Figura 1) e as vespinhas que parasitam especialmente pulgões, cochonilhas e lagartas. Outros exemplos de inimigos naturais e os principais depredados ou destruídos são: percevejos -  destroem lagartas e seus ovos; moscas - lagartas, seus ovos e outras pragas; coleópteros - lagartas e percevejos; louva-a-Deus,  joaninha e vespinhas -   pulgões; peixes – larvas de pernilongos; fungos – larvas e nematóides; garças – moluscos e insetos; pica-pau – insetos; tamanduá –  come formigas e cupins; outros animais que se alimentam de insetos – galinha d’angola,  morcegos, lagartas, sapos, rãs, tatus e pássaros (andorinhas, bem-te-vis, corruíras e beija-flor). Nas próximas matérias abordaremos sobre os principais produtos alternativos que podem serem utilizados no manejo de pragas e doenças na agricultura orgânica.
Figura 1. Joaninha (à esquerda), um dos inimigos naturais mais conhecido e eficiente no manejo de pragas, quando não são utilizados agrotóxicos. A joaninha come pulgões ou piolhos (à direita) que atacam especialmente as brássicas (repolho, couve, couve flor e brócolis), sugando a seiva das plantas e, no caso da batata, os pulgões ainda transmitem viroses, doenças que reduzem a produção a cada ano.  
Ferreira On 12/07/2010 04:43:00 PM Comentarios LEIA MAIS
Matéria publicada no site da Epagri em 29 de novembro de 2010
Em mais uma etapa do processo de sensibilização da sociedade para a conservação do ambiente, foi realizada em Itapiranga, no dia 20 de novembro, oficina para construção coletiva de decompositores orgânicos, resultado de parceria entre Epagri, Prefeitura Municipal e a empresa Seara/Marfrig.
Na ocasião, 17 famílias estiveram representadas e participaram do trabalho de confecção do seu equipamento.
“A construção de decompositores orgânicos tem chamado a atenção das pessoas pelos seus diversos benefícios”, explica a extensionista da Epagri de Itapiranga, Alésia Inês Lauschner Gesing, destacando a redução de resíduos a serem depositados em aterros sanitários, a ausência de insetos que se proliferam em ambientes com presença de resíduos orgânicos e a possibilidade de a família obter composto orgânico e chorume (fertilizante líquido) para fertilizar jardins e hortas agroecológicas.
Mais informações: Alésia Inês Lauschner Gesing/Extensionista Social/Epagri Itapiranga, no telefone: (49-3677-0527).

Ferreira On 12/07/2010 04:46:00 AM Comentarios LEIA MAIS
No manejo de pragas e doenças em cultivo orgânico, “prevenir é melhor que remediar”
      Normalmente, quando se considera o solo como um “organismo vivo” e tratando-o com métodos ecologicamente corretos, associados ao uso de práticas preventivas, não ocorrem doenças e pragas.  Estas quando surgem, são um sinal de desequilíbrio e indicam problemas no manejo do solo. Por outro lado, quando se pratica a agricultura moderna que prioriza o uso da monocultura (cultivo de apenas uma espécie), o uso intensivo de mecanização, adubos químicos e agrotóxicos em solos desequilibrados, favorecem o surgimento de inúmeras pragas e doenças que se não forem controladas podem prejudicar parcialmente ou totalmente a produção de alimentos e, o que é pior, contaminam o solo,  rios, lagos, córregos,  e ainda trazem sérias consequências  à saúde do agricultor e consumidor. Um exemplo das sérias conseqüências à saúde humana do uso crescente e abusivo de agrotóxicos na agricultura são os casos de intoxicação e mortes registradas no Centro de Informações Toxicológicas – CIT, situado no Hospital Universitário da  Universidade Federal de Santa Catarina em Florianópolis, SC. No período de 1990 até 2007, o CIT detectou 9.300 intoxicações de agricultores e 233 mortes em Santa Catarina (Fonte: www.cit.sc.gov.br). Estima-se que para cada notificação oficial ocorrem pelo menos 10 casos que não são registrados, devido a dificuldade de diagnosticar corretamente os casos de intoxicação.
     A agricultura orgânica, por sua vez, trata o solo como um “organismo vivo”, ou seja, revolvendo o solo o mínimo possível, sem uso de agroquímicos e priorizando a adubação orgânica, adubação verde, rotação, sucessão e consorciação de culturas, cultivo mínimo, plantio direto e outras que visam o equilíbrio do solo, favorecendo o desenvolvimento dos cultivos e os  inimigos naturais e desfavorecendo o surgimento de pragas e doenças. A ocorrência de insetos-pragas e doenças são a conseqüência e não a causa do problema. Por isso, em agricultura orgânica tratam-se as causas para que os resultados sejam os mais duradouros e equilibrados possíveis. Adotando as práticas recomendadas no cultivo orgânico e os métodos de prevenção, dificilmente os cultivos são atacados por pragas e doenças. A prevenção é a maneira mais fácil de manejar as pragas e doenças. Os principais métodos que previnem o aparecimento de pragas e doenças são:                        
Escolha correta da área – a área deve ser bem drenada e ensolarada, pois os raios solares auxiliam no manejo das doenças e pragas. Terrenos sujeitos a neblinas devem ser evitados;                                  
Destruição dos restos culturais:   deve-se sempre, antes de iniciar o cultivo, retirar da lavoura os restos do cultivo anterior (ramos, folhas e frutos)  e  fazer compostagem  (processo de fermentação através de camadas alternadas de resíduos vegetais e esterco fresco de animais),  para evitar possíveis doenças, especialmente se forem verificados focos de plantas murchas ou amarelecidas. Recomenda-se também destruir plantas que apresentam sintomas durante o cultivo. Esta é uma prática importante, especialmente para as espécies das famílias botânicas das solanáceas (batata, tomate, pimentão, beringela e fumo), cucurbitáceas (abóbora, abobrinha, moranga, melão,  melancia e pepino) e brássicas (repolho, couve-flor, couve e brócolis), cultivos mais sensíveis às doenças e pragas;                               
Adubação equilibrada:  a adubação orgânica, com base na análise de solo e nos nutrientes do adubo aplicado, é muito importante, pois as plantas bem nutridas possuem mais resistência às doenças e pragas. O excesso de nitrogênio resulta na produção de tecidos jovens e suculentos, atrasando a maturidade da planta. Por outro lado, plantas mal supridas com nitrogênio tem um fraco crescimento e amadurecimento precoce dos tecidos. Em ambos os casos, a planta se torna mais susceptível ao ataque de doenças e pragas. Em relação ao potássio, geralmente, tem-se demonstrado seu efeito benéfico na redução da severidade de inúmeras doenças.Todavia, o excesso do potássio causa desequilíbrio nutricional e aumenta a severidade,  de  doenças foliares. A sarna da batata é um exemplo de  doença favorecida pelo excesso de cálcio;   
Uso de material de propagação sadio e variedades resistentes: é importante, sempre que possível, utilizar cultivares resistentes com sementes e materiais propagativos (tubérculos, ramas, estolhos, bulbilhos e etc.) livres de  pragas e doenças. O plantio de ramas de batata-doce sadias é uma opção para evitar a doença “mal do pé”.  O tomate do tipo cerejinha  e tipo italiano são considerados mais resistente às pragas e doenças que os tomates de mesa tipo Santa Cruz e tipo Salada. O híbrido de repolho Fuyutoyo é considerado resistente à podridão negra. O híbrido de couve-flor Júlia F1 é resistente à alternariose.  As variedades de batata Epagri 361 Catucha  e SCS 365-Cota (Figura 1) são resistentes à requeima (sapeco) e pinta preta. A variedade de batata-doce Princesa é resistente ao “mal-do-pé” e a Brazlândia Roxa é tolerante aos insetos que causam perfurações nas raízes. A variedade de feijão-vagem Preferido é tolerante à ferrugem e antracnose, enquanto que a Favorito tolera a ferrugem e oídio.  As cenouras do grupo Brasília são resistentes ao sapeco;
Rotação e consorciação de culturas : o cultivo intensivo da mesma espécie na mesma área esgota o solo e ainda aumenta a ocorrência de pragas e doenças, especialmente no solo. A rotação e consorciação de culturas, além de melhorar o solo, desfavorece o surgimento de pragas e doenças e ainda, podem servir de abrigo para os seus inimigos naturais. Para o sucesso destas práticas, deve-se seguir dois princípios básicos: - não cultivar, no mesmo terreno, plantas da mesma família botânica, pois estão sujeitas às mesmas pragas e doenças. É o princípio de “matar de fome” os insetos, os fungos e as bactérias que atacam as plantas cultivadas. Ex.:onde se cultiva batata, não deve-se plantar fumo,tomate e pimentão, pois todas estas espécies pertencem a mesma família botânica, sabidamente as que mais possuem problemas de doenças e pragas;     -as espécies a serem incluídas no sistema de rotação devem ter diferentes exigências nutricionais e com diferentes sistemas radiculares para não esgotar o solo e também para explorar ao máximo os nutrientes que estão nas camadas mais profundas.
Figura 1. A escolha de variedades resistentes às doenças da folhagem é uma maneira de prevenir a ocorrência de doenças em batata. Na foto, a variedade de batata SCS 365 – Cota (à esquerda) lançada pela Epagri em 2008 para o cultivo orgânico, na Estação Experimental de Urussanga, é muito mais resistente ao sapeco da folhagem (requeima) quando comparada com a variedade Ágata (à direita), totalmente destruída, apesar de ser a mais cultivada no Brasil.   


Ferreira On 12/07/2010 03:34:00 AM 2 comments LEIA MAIS

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Manejo de pragas e doenças com produtos alternativos recomendados ou tolerados no cultivo orgânico – Parte II

     A modernização da agricultura, após a Segunda Guerra, acrescentou, ao processo de produção de alimentos, a utilização de máquinas e equipamentos agrícolas, além de fertilizantes e pesticidas químicos, tornando o sistema altamente dependente de recursos(insumos agrícolas) externos às propriedades rurais. A aplicação dessas tecnologias acarretam aumento dos custos de produção com conseqüente aumento dos preços dos alimentos para os consumidores, inviabilizando freqüentemente as produções agrícolas e, o que é pior, com esse sistema vieram também muitos casos de intoxicações de agricultores, aumento da mortalidade de animais domésticos e silvestres, contaminação dos solos, das águas e dos alimentos com resíduos de pesticidas que afeta, direta e indiretamente, a saúde das comunidades envolvidas na produção de alimentos.
     No cultivo orgânico o homem deve intervir o menos possível no meio ambiente para não provocar o desequilíbrio do sistema. Por isso, os produtos alternativos, mesmo que não causem riscos ao homem e meio ambiente, somente devem ser utilizados quando necessários e, sempre aplicados com proteção e, tomando-se o cuidado de não deixá-los ao alcance de crianças e animais.
. Iscas tóxicas com ácido bórico - manejo de lesmas. A isca deve ser formulada com 7 partes de farinha de trigo, 3 partes de farinha de milho, 3% a 5% de ácido bórico (encontrado em farmácias) e ovos. A pasta resultante deve ser filamentosa, seca à sombra, fragmentada em pedaços de 0,5cm de comprimento e distribuída na área infestada (Fonte: Milanez & Chiaradia, 1999b).
. Iscas com plantas e sementes de gergelim e com raízes de mandioca brava ralada - manejo de formigas. O uso de sementes de gergelim como iscas, para ninhos pequenos, na base de 30 a 50 gramas ao redor  do olheiro, é útil no combate a formigas, que irão carregá-las para dentro com o objetivo de alimentar os fungos, que, por sua vez, morrem intoxicados, deixando as formigas sem alimento (fungos). Um bom método natural para espantar as formigas é espalhar sementes de gergelim em torno dos canteiros ou da área a ser protegida. Raízes de mandioca-brava raladas colocadas ao redor do formigueiro intoxicam as formigas com o ácido cianídrico.
. Cinzas de madeira - manejo de pulgões, lagarta-rosca e os fungos míldio e sapeco; nutrição. Além de um ótimo adubo rico em potássio, a cinza  controla os pulgões dos cítrus (laranja, limão e outras) das hortaliças e de outras espécies. Polvilhada sobre o solo ou incorporada a ele, controla a lagarta-rosca por um período de 10 dias, dependendo do clima. No manejo da doença do sapeco da folha, que ocorre em cebolinha verde, e em sementeiras de cebola na fase de produção de mudas,  aplica-se sobre as plantas, antes que o sereno (orvalho) evapore, 50g/m2 de cinza de madeira.
. Urina de vaca em lactação - manejo de pragas, doenças e nutrição. Indicada para hortaliças em geral e para o abacaxi, pois contém catecol, substância  que aumenta a resistência das plantas ao ataque de pragas e doenças. No abacaxi, a urina é eficiente no controle de fusariose. No geral, durante os 3 primeiros dias após aplicação, age como repelente contra insetos, principalmente a mosca-branca. Serve também como fonte de macro e micronutrientes (Fonte: Gadela et al., 2002). Coleta e preparo: coletar a urina e colocá-la em recipiente plástico fechado durante 3 dias, que é o tempo necessário para que a ureia se transforme em amônia.  Pode ser guardada por 1 ano em vasilha fechada. A coleta da urina é simples e deve ser feita na hora de tirar o leite, pois ao ter as pernas amarradas para a ordenha é normal o animal urinar. Dosagem e aplicação: para cada 100L de água usar 1L de urina de vaca em lactação. Pulverizar sobre a planta a cada 15 dias. Recomendações: toda pulverização com solução de urina deve ser aplicada nas horas frescas do dia. Evitar o uso em hortaliças folhosas e em hortaliças-frutos próximo à colheita devido ao forte odor. A urina de cabra também pode ser utilizada, mas como possui maior concentração de nitrogênio, deve ser colocado meio litro de urina para cada 100L de água. Dar preferência à urina de vacas em lactação porque tem mais substâncias (fenóis e hormônios) que as outras. O cheiro forte após a aplicação permanece durante 3 dias,  agindo nesse período como repelente de insetos.
. Bactéria Baccillus thurigiensismanejo da broca das cucurbitáceas (pepino, melão, moranga, melancia), brocas do tomateiro,  lagarta das brássicas (couve, repolho, couve-flor e brócolis) e lagarta do cartucho do milho. O produto é vendido pelas agropecuárias com o nome comercial de Dipel e diversos outros nomes. É o controle biológico, recomendado no cultivo orgânico de alimentos.
. Caldas bordalesa e sulfocálcica – as caldas possuem baixo impacto ambiental sobre o homem e os animais. O cobre presente na calda bordalesa (Figura 1) é pouco tóxico para a maioria dos pássaros, abelhas e mamíferos, porém é tóxico para peixes. A aplicação de caldas não tem o objetivo de erradicar os insetos e as doenças, mas proteger as plantas e ativar o seu mecanismo de resistência. A vantagem é que além de serem facilmente preparadas na propriedade, reduzem significativamente o custo de produção dos cultivos. Estas caldas, especialmente a sulfocálcica, são vendidas em agropecuárias já prontas com um custo baixo. As caldas podem serem aplicadas em frutas e hortaliças, seguindo as dosagens específicas e alguns cuidados no preparo e aplicação.
     Para maiores informações sobre os preparados à base de plantas, caldas e outros produtos alternativos, bem como os cuidados no uso e aplicação visando o manejo de pragas e doenças, a Epagri através da Estação Experimental de Urussanga, tem a disposição para venda ao preço de R$ 30,00,   o livro ”Cultive uma horta e um pomar orgânicos: sementes e mudas para preservar a biodiversidade”.

Figura 1. A foto mostra a eficiência da calda bordalesa no manejo da requeima (sapeco) do tomateiro (à esquerda), que também ataca a batata e o pimentão, comparada a fila de tomateiros (à direita) sem aplicação da calda, totalmente atacada pelo fungo. Epagri/Estação Experimental de  Urussanga.

Manejo de pragas e doenças com produtos alternativos recomendados ou tolerados no cultivo orgânico – Parte I

O manejo de pragas no cultivo orgânico não procura exterminar os insetos-pragas, mas simplesmente mantê-los em determinados níveis de equilíbrio e, não colocando em risco a  lavoura e o lucro do agricultor e, especialmente a saúde do produtor e consumidor. Em geral, os insetos causam prejuízos ao homem e animais, sejam através dos danos às plantações, ou através da transmissão de doenças. Outros são benéficos como o bicho-da-seda, abelhas e demais polinizadores e insetos que se alimentam de outros insetos. O grande desafio da agricultura é manter a produtividade dos cultivos e ao mesmo tempo melhorar a qualidade e sanidade dos alimentos, conservando os recursos naturais (solo, água, ar e organismos benéficos) para gerações futuras. O reconhecimento dos insetos-pragas e seus inimigos naturais não pode ser dispensado no cultivo orgânico. Inseto pode ser considerado praga quando causa danos econômicos ao produtor. A simples presença de insetos na lavoura não significa perdas; é necessário que a população destes seja elevada. Antes de iniciar um controle o produtor deve primeiro reconhecer qual a praga que costuma sempre causar danos a sua lavoura. Caso não consiga reconhecer, deve recorrer ao técnico do município para determinar a praga e, principalmente, verificar a necessidade de tratamentos fitossanitários com produtos alternativos. No cultivo orgânico o homem deve intervir o menos possível no meio ambiente para não desequilibrar o sistema. Por isso, os produtos alternativos, mesmo que não causem riscos ao homem e meio ambiente, somente devem ser utilizados quando realmente necessários e, sempre aplicados com equipamentos de proteção e, tomando-se o cuidado de não deixá-los ao alcance de crianças e animais.
. Água de cinza e cal (“fertiprotetor” de plantas): É um produto ecológico obtido pela mistura de água, cinza e cal, recomendado para aumentar a resistência das culturas às pragas, reduzindo a ocorrência de vaquinhas e pulgões e também de doenças. Essa mistura contém expressivos teores de macro (Ca, Mg e K) e micronutrientes, estimulando a resistência às doenças fúngicas e bacterianas. (Fonte: Claro, 2001). Modo de preparar: Em um recipiente de alvenaria, plástico ou latão misturar 5kg de cal hidratado e 5kg de cinza peneirada com 100L de água. A mistura deve permanecer em repouso no mínimo por 1 hora antes de ser utilizada. Nesse período, agita-se a mistura no mínimo três a quatro vezes, com madeira ou taquara. Após a última agitação, esperam-se 10 a 15 minutos para que ocorra a sedimentação das partículas sólidas. A água de cinza e cal deve ser coada antes do uso, usando-se a peneira do pulverizador. A mistura deve ser filtrada e armazenada em bombonas. No momento de usá-la, basta agitar o conteúdo que irá retomar a cor branco-leitosa. Preferencialmente, no momento de usá-la, pode-se associá-la a um espalhante adesivo (farinha de trigo a 2%). Cuidados na aplicação: evitar aplicar em horários de intenso calor. No verão, aplicar à tardinha ou de manhã cedo, especialmente quando a cinza utilizada for de madeira, pois tem maior concentração de nutrientes e é mais salina e alcalina. 
. Enxofre (acaricida): é um produto natural que pode ser usado puro ou na calda sulfocálcica visando o manejo de ácaros. Ao ser utilizado puro, devem-se misturar, a seco, 800g de enxofre e 200g de farinha de milho bem fina, diluindo 34g em 10 litros de água e aplicar sobre as plantas (Fonte: Paulus, 2000).
. Farinha de trigo - espalhante adesivo ecológico e manejo de ácaros, pulgões e lagartas. Quanto mais cerosa for a superfície da folha ou ramos das plantas tratadas, maior número de gotas se forma, menor a área de molhamento, maior a possibilidade de injúrias e menor a eficiência da pulverização sobre a nutrição ou manejo de pragas e doenças. Dentre as hortaliças, alho, cebola, repolho e couve-flor são exemplos de culturas com alta cerosidade nas folhas e que exigem, por isso, o uso de espalhante adesivo nas pulverizações das caldas, da água de cinza e cal e de outros produtos alternativos. Quando as gotas permanecem inteiras sobre a superfície foliar, por falta de espalhante adesivo, podem danificar os tecidos vegetais quando o sol incide sobre elas. Modo de preparar: Em um recipiente apropriado, misture com água os ingredientes a serem pulverizados, acrescentando a farinha por último. Adicionar a farinha aos poucos, lentamente, sob forte e constante agitação com auxílio de uma pá de madeira ou taquara para que a dissolução seja completa. Para evitar obstrução de bicos do pulverizador recomenda-se coar a calda, podendo-se utilizar a própria peneira do pulverizador. Dosagem: 200g de farinha de trigo em cada 10L de calda. Essa dose pode ser aumentada ou diminuída de acordo com o grau de cerosidade das folhas. No manejo de insetos-pragas que ocorrem em hortas, recomenda-se o seguinte preparo: diluir 1 colher de sopa de farinha de trigo em 1L de água e pulverizar nas folhas atacadas. Aplicar pela manhã em cobertura total nas folhas, em dias quentes, secos e com sol; mais tarde, as folhas secando com o sol formam uma película que envolve as pragas e caem com o vento.
. Leite cru - manejo de ácaros, ovos de lagartas, lesmas, doenças fúngicas  e viróticas. O leite, na sua forma natural ou como soro de leite, é indicado para o manejo de ácaros e ovos de diversas lagartas como atrativo para lesmas e no controle de várias doenças fúngicas tais como o oídio (Figura 1) e viróticas. Pesquisa comprovou a eficiência do leite cru (+10%) sobre o oídio em cucurbitáceas, mesmo após o início da infecção no campo, superando o leite industrializado (tipo C e o longa vida). Essa maior eficiência do leite cru e fresco pode ser explicada, em parte, pela maior concentração de substâncias e de microrganismos fermentados em relação aos leites industrializados. (Fonte: Zatarim et al., 2005).


Figura 1. O fungo oídio que tem como principal sintoma a formação de um pó branco sobre as folhas, ataca o feijão-vagem (foto) e as demais espécies da família das cucurbitáceas (melão, melancia, pepino, abóbora e moranga). O leite cru e fresco à 10%  (1 L para 100 L de água) é eficiente no controle desta doença, mesmo no início da infecção.












segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Manejo de pragas e doenças no cultivo orgânico: Preparados à base de plantas – Parte II

  A utilização intensiva da mecanização, dos adubos químicos, dos agrotóxicos e das sementes híbridas, predominantes na agricultura convencional ou “moderna”, formam um círculo vicioso, interessante apenas para as multinacionais da agroindústria. O revolvimento intenso do solo com máquinas e equipamentos, favorecendo a erosão, faz com que se utilize cada vez mais adubos químicos, exigidos em quantidades cada vez maiores pelas cultivares modernas criadas e, em conseqüência do desequilíbrio nutricional do solo, as plantas tornam-se mais susceptíveis às pragas e doenças, exigindo cada vez mais a utilização de agrotóxicos.  O Brasil é um dos países campeões do mundo no consumo de agroquímicos. O faturamento de 2002 para 2004, aumentou de  R$1,2 bilhões para R$4,1 bilhões reais. Recente Relatório da FAO classifica o Brasil como o 3º maior consumidor de agrotóxicos, coincidentemente ou não, o 3º em mortalidade por câncer. Em Fortaleza, de acordo com levantamento em hospitais, 51% das pessoas atacadas de cirrose hepática são abstêmias e, em sua maioria, consumidoras de dieta a base de frutas e hortaliças, justamente as culturas mais contaminadas por agrotóxicos. Como conseqüência de intoxicações por agrotóxicos são citadas moléstias tais como câncer, cirrose hepática, abortos, deformações fetais, impotência sexual, fibrose pulmonar,braquicardia, distúrbios do sistema nervoso, hepatite, acnes, pancreatite, diabete,úlcera, alergia e distúrbios audiovisuais, que se somam a outras intoxicações consideradas leves (Ponte, 1999).
    Um dos princípios básicos da agricultura orgânica é a não dependência de insumos externos que, na sua grande maioria, são importados, custam caro e, o que é pior, contaminam o meio ambiente e prejudicam a saúde do produtor e do consumidor.  Daí a importância dos preparados caseiros à base de plantas, facilmente elaborados na propriedade, para o manejo de pragas e doenças que atacam os cultivos orgânicos. É importante ressaltar, no entanto, que plantas saudáveis produzidas em ambientes equilibrados, normalmente  são menos atacadas por pragas e doenças. Por isso, recomenda-se utilizar esses produtos alternativos,  somente quando realmente for necessário.  Alguns dos princípios ativos das plantas usados, podem provocar irritação e intoxicação, por isso devem ser manipulados com cuidado, utilizando-se equipamentos de proteção e  não deixando-os ao alcance de criança ou animais.
A maior parte das pragas ataca geralmente na primavera, estação do ano de fertilidade e de grande atividade na natureza. Elas podem causar vários danos nas plantas, além de favorecerem o surgimento de doenças, principalmente as fúngicas.
Preparado com pimenta vermelha - manejo de vaquinhas (Figura 1), pulgões, grilos e paquinhas. Modo de preparar: bater 500 g de pimenta vermelha em um liquidificador com 2 litros de água. Coar o preparado e misturar com 5 colheres de sopa de sabão de coco em pó, acrescentando mais 2 litros de água. Pulverizar sobre as plantas atacadas. Para evitar a obtenção de frutos com forte odor deve-se aplicar, no mínimo, até 12 dias antes da colheita (Fonte: Andrade, 1992). 
Preparado com cavalinha-do-campo – manejo de pulgões e ácaros e fungos de solo, míldio e outras e para nutrição das plantas. Modo de preparar:  ferver 1kg de folhas verdes ou 200g de folhas secas por 20 minutos em 2L de água (10%). Diluir em 10 a 20 litros de água e pulverizar no final da tarde (Deffune, 2000).
Preparado com confrei - manejo de pulgões, lagartas e lesmas. Modo de preparar: utilizar o liquidificador para triturar 1kg de folhas de confrei com água. Acrescentar 10 litros de água e pulverizar nas plantas.
Preparado com cebola - manejo de pulgões, lagartas e vaquinhas. Modo de preparar: Cortar 1kg de cebola e misturar em 10L de água, deixando o preparado curtindo durante 10 dias. Utilizar 1L da mistura em 3L de água para pulverizar as plantas, atuando como repelente.
Preparado com losna - manejo de lagartas, lesmas, percevejos e pulgões. Modo de preparar: Diluir 30g de folhas secas de losna em 1L de água, fervendo essa mistura durante 10 minutos. Adicionar 10L de água ao preparado para pulverização.
Preparado com samambaia- manejo de ácaros, cochonilhas e pulgões. Modo de preparar: Colocar 500g de folhas frescas ou 100g de folhas secas em 1L de água. Ferver por meia hora. Para a aplicação, diluir 1L desse macerado em 10L de água.
Preparado com cinamomo- manejo de pulgões e cochonilhas. Modo de preparar: Colocar 500g de sementes maduras, secas e moídas numa mistura de 1L de álcool e 1L de água. Deixar descansar por 4 dias. Depois de pronto o extrato, armazenar em vidros ou em garrafas de cor escura. Diluir a solução do extrato a 10%, ou seja, para cada litro de extrato usar 10L de água e aplicar nas partes atacadas das plantas. O restante das sementes secas pode ser guardado em potes para uso posterior. O cinamomo, ou árvore-santa (Melia azedarach), é uma planta da mesma família do nim, cujas folhas e sementes têm propriedades inseticidas.
Figura 1. O preparado de pimenta vermelha (à esquerda) é eficiente no manejo de insetos-pragas como vaquinhas (patriota), pulgões,  grilos e paquinhas. Ao controlar a vaquinha (adulto) que alimenta-se das folhas, com o preparado de pimenta, controla-se também a larva-alfinete (vaquinha na fase larval) que perfura os tubérculos de batata (à direita), bem como plantas recém-emergidas.

Manejo de pragas e doenças no cultivo orgânico: Preparados à base de plantas - Parte I

     Os alimentos orgânicos são os ideais para toda a família, por não utilizarem agrotóxicos e adubos químicos solúveis e, por serem produzidos com técnicas ambientalmente corretas. Em comparação com os alimentos obtidos na agricultura  convencional, os produtos orgânicos possuem maior teor de vitaminas, sais minerais, proteínas, aminoácidos, carboidratos e matéria seca e, ainda melhor sabor e conservação. Além do maior custo, os agroquímicos, especialmente quando aplicados incorretamente, contaminam rios, lagos e córregos, colocando em risco a saúde do agricultor, do consumidor e do meio ambiente.
     Pesquisa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA – em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ –  realizada com frutas e hortaliças nos maiores centros consumidores do Brasil desde 2001, comprova que várias espécies cultivadas estão seriamente contaminadas por resíduos de agrotóxicos e, o que é pior, por produtos não autorizados para as culturas. Relatório recente da Anvisa, em 26 estados, pesquisando 20 espécies (frutas e hortaliças) em 2009,  revela que 907 (29%) amostras de um total de 3.130 amostras coletadas, incluindo todas as espécies pesquisadas, estavam contaminadas, alcançando no pimentão, uva, pepino, morango, couve, abacaxi, mamão, alface, tomate e beterraba até 80; 56,4; 54,8; 50,8; 44,2; 44,1; 38,8; 38,4; 32,6 e 32% de amostras contaminadas, respectivamente.
     Numa floresta nativa com muitos tipos de plantas, as doenças e as pragas existem, mas não causam maiores problemas, porque estão em equilíbrio. Na agricultura orgânica o homem deve intervir o menos possível no meio ambiente para não provocar o desequilíbrio do sistema. Mesmo no cultivo orgânico podem ocorrer desequilíbrios temporários que aumentam a população de insetos-pragas ou patógenos que causam doenças à níveis incontroláveis. Estes fatores podem ser chuvas ou secas excessivas, mudas e/ou sementes de baixa qualidade,  uso de cultivares não adaptadas, solos degradados, adubações desequilibradas e outros. Neste caso, deve-se recorrer às caldas protetoras, aos preparados de plantas e outros produtos alternativos recomendados ou tolerados no cultivo orgânico, visando o manejo de doenças e pragas nas plantas cultivadas. É importante ressaltar, que práticas tais como plantio direto, cultivo mínimo, adubação orgânica e verde, uso de cultivares resistentes às pragas e doenças, cobertura morta, rotação e consorciação de culturas, são essenciais para o sucesso do cultivo orgânico, pois conduzem à estabilidade do agroecossistema, ao uso equilibrado do solo, ao fornecimento ordenado de nutrientes e à manutenção de uma fertilidade real e duradoura. Convém salientar, no entanto, que os produtos alternativos  mesmo que na grande maioria não cause riscos ao homem e ao meio ambiente, somente devem ser utilizados quando realmente necessários. A maioria das plantas utilizadas são plantas aromáticas, medicinais e algumas ornamentais. No entanto, alguns dos princípios ativos das plantas usados, podem provocar irritação e intoxicação, por isso devem ser manipulados com cuidado, utilizando-se equipamentos de proteção e  não deixando-os ao alcance de criança ou animais.
. Preparado com alho - manejo de tripes, pulgões (Figura 1), lagarta do cartucho do milho e doenças - podridão negra, ferrugem e alternária. O alho é um antibiótico natural, inibidor ou repelente de parasitas de plantas ou animais. Modo de preparar: moer 100g de alho e deixar em repouso por 24 horas em 2 colheres de óleo mineral. Dissolver, à parte, 10g de sabão em 0,5 L de água. Misturar todos os ingredientes, filtrar e, diluí-lo em 10 litros de água (Fonte: Abreu Junior, 1998);
.Preparado com cravo-de-defunto - manejo de pulgões, ácaros, lagartas e nematóide. Modo de preparar: misturar 1 kg de folhas e talos de cravo-de-defunto (Tagetes sp) com ou sem flores em 10 litros de água. Levar ao fogo, deixando ferver durante meia hora ou então deixar os talos e folhas picados em molho, por dois dias. Coar e pulverizar sem diluir. O cravo-de-defunto plantado em área infestada de nematóides é um repelente natural;
Preparado com sálvia - manejo de lagartas da couve, repolho, couve-flor e brócolis. Modo de preparar: derramar 1 litro de água fervente sobre 2 colheres de sopa de folhas secas de sálvia. Tampar o recipiente e deixar em infusão durante 10 minutos. Agitar bem, filtrar e pulverizar imediatamente sobre as plantas  para repelir a borboleta branca que coloca os ovos nas folhas das plantas cultivadas, originando as lagartas que comem as folhas (Figura 1).
Preparado com urtiga nutrição, estimulante de vigor e resistência, manejo de pulgões. Modo de preparar: deixar de molho por duas semanas 1kg de folhas verdes ou 200g de folhas secas/2 litros de água. Diluir em 20 litros de água e pulverizar nas plantas e solo no final da tarde, alternando com o preparado de cavalinha. (Deffune, 2000).
Preparado com camomila - manejo de doenças fúngicas. Modo de preparar: misturar 50g de flores de camomila em 1L de água. Deixar de molho durante 3 dias, agitando quatro vezes ao dia. Depois de coar, pulverizar a mistura sem diluir, três vezes a cada 5 dias.
Preparado com coentro - manejo de ácaros e pulgões. Modo de preparar: cozinhar folhas de coentro em 2L de água. Para pulverizar sobre as plantas, acrescentar água. (Fonte: Zamberlan & Froncheti, 1994).
Preparado com chuchu - manejo de lesmas e caracóis. Modo de preparar: colocar dentro de latas rasas, como as de azeite, pedaços de chuchu cortados ao meio e adicionar sal. Essa mistura é bastante atrativa para essas pragas e possibilita posteriormente, a eliminação e destruição destas pragas.
Preparado com buganville (primavera/maravilha)- manejo do vírus do vira-cabeça do tomateiro e pimentão. Modo de preparar: juntar 1 kg de folhas maduras e lavadas de buganville (flores rosa ou roxa) com água e bater no liquidificador. Coar e diluir o macerado em 20 L de  água. Pulverizar imediatamente o tomateiro nas horas mais frescas do dia., iniciando na fase de mudas e terminando no início da frutificação. (Souza, 2003).
Figura 1. Sálvia (planta medicinal) e alho (hortaliça-tempero), utilizadas em preparados que podem serem feitos na propriedade, são eficientes no manejo de lagartas  e pulgões, respectivamente, que atacam a couve, repolho, couve-flor e brócolis.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Projeto Modelo de uma Horta Orgânica



1 – TÍTULO DO PROJETO
          Oficina de Horta Terapêutica do CAPS – I de Urussanga,SC.

2 – IDENTIFICAÇÃO TÉCNICA
2.1 – Coordenador Geral e Técnico: Elisa Mª R. Hille Enfermeira, Thiago Stopassolli Assistente Social ambos do CAPS, e Sr. Antônio Carlos F. da Silva (voluntário) Agrônomo;
2.2 – Parcerias: Centro de Atenção Psicossocial, Secretaria Municipal de Saúde, Secretaria de Obras e voluntários;
2.5 – Responsável pela elaboração do Projeto:
Elisa Mª R. Hille Enfermeira, Thiago Stopassolli Assistente Social ambos do CAPS, e  Antônio Carlos Ferreira da Silva (voluntário) Eng. Agrônomo;
2.6 – Local de Execução: O presente Projeto será desenvolvido junto às instalações do Centro de Atenção Psicossocial – CAPS-I cito a Av. Presidente Vargas – 362 B: Centro, Urussanga-SC;
2.7 – Mão-de-obra: A implantação e condução de uma horta orgânica exige boa disponibilidade de mão-de-obra, com maior ou menor intensidade nas diferentes épocas do ano, dependendo da diversidade de cultivos. No caso específico, uma horta de 150 a 200m2 exigirá, 1 a 2 horas diárias de voluntários do CAPS e outros voluntários, na condução, após a implantação. Outras pessoas interessadas em aprender, na prática, como implantar e conduzir uma horta orgânica serão convidadas a participarem do projeto. Os princípios básicos da agricultura orgânica serão todos utilizados na horta orgânica. Dentre estes se destacam: adubação orgânica (composto orgânico e estercos de animais curtidos), adubação verde, cultivo mínimo, plantio direto, manejo de pragas e doenças com produtos alternativos sem riscos ao meio ambiente, rotação e consorciação de culturas, entre outros.
3 - JUSTIFICATIVA
Em todas as classes da sociedade, em todas as regiões do mundo há pessoas com algum tipo de deficiência mental, variando tanto quanto as causas como quanto as conseqüências. Essas variações resultam das circunstâncias sócio-econômicas e de medidas que os países adotam quanto ao bem estar dos cidadãos (PITTA, 2001). De muitas maneiras, ela reflete as condições gerais de vida e as políticas sociais e econômicas de diferentes épocas. Uma nova política de Saúde Mental, desencadeada a partir do processo de Reforma Psiquiátrica, vem sendo discutida e gradualmente implantada no cenário da Saúde no Brasil (SARACENO et al., 2001). Dentro do projeto geral está a proposta de criação de oficinas terapêuticas. Elas constituem-se em um importante espaço de tratamento, pois estimulam a capacidade de produção, de convivência e interação grupal.
No contexto da reforma psiquiátrica, a terminologia “oficinas terapêuticas” tem se firmado, em particular, a partir da década de 90, muitas vezes, tem designado um conjunto de práticas diversas desenvolvidas nos novos serviços de Saúde Mental. A oficina constitui hoje, uma ferramenta importante na clinica de saúde mental e, por não estar totalmente atrelada aos paradigmas técnicos e também por não ser um modelo homogêneo de intervenção, é, atualmente, um instrumento que comporta inúmeras invenções.
As oficinas terapêuticas surgem num processo que visa restabelecer a cidadania da pessoa com transtornos mentais através da desconstrução do modelo asilar de atenção à saúde mental. Dessa forma, as oficinas passam a exercer papel primordial, tanto como elemento terapêutico quanto como promotoras de reinserção social, através de ações que envolvem o trabalho, a criação de um produto, a geração de renda e a autonomia do sujeito. Uma oficina se torna terapêutica de fato, quando dá ênfase na relação terapeuta-paciente, na importância do pertencimento a um grupo, na convivência e na comunicação com o outro. Para isso, o usuário deve ser sujeito do processo, criar autonomia no pensar, ter capacidade de planejar o próprio trabalho e participar do processo de gestão.
Ao produzir uma oficina, deve-se ter em mente que o mesmo se torne um espaço de criação, expressão, produção, transformação, humanização, experimentação, socialização e convivência, operando-se mudanças subjetivas na representação social da pessoa, na diminuição do índice de uso de medicamentos, na ordenação do dia-a-dia do individuo e na adesão ao tratamento. De suma importância também é, respeitar e entender o sujeito/individuo como um todo, que possui uma história de vida, dentro de um contexto social dinâmico e complexo.
A presente proposta da Horta Terapêutica¹ tem como objetivo a construção coletiva de um espaço agroecológico que viabilizem diversas atividades de educação ambiental voltada para a prática da terapia ocupacional com os usuários da saúde mental desenvolvendo a relação com os espaços (canteiros), e o aprendizado de noções básicas de ecologia.
Atividades desta natureza são adotadas por diversas instituições e órgãos que tratam de pacientes portadores de sofrimento mental grave no auxílio a este tratamento. Busca-se assim, propiciar aos pacientes uma atividade auxiliar em seu tratamento e uma fonte de alimentação de qualidade2.
Sendo assim, um dos objetivos deste trabalho é o de auxiliar no tratamento de portadores de sofrimento mental grave e na melhoria da qualidade alimentar dos pacientes, por meio dos produtos produzidos no projeto através de um sistema orgânico, que consiste basicamente na não utilização de agroquímicos3.
Tal projeto busca auxiliar no tratamento de pacientes portadores de sofrimento mental grave, por meio de terapia ocupacional em atividades relativas à produção em uma horta de pequeno porte, como a confecção de canteiros, plantio, adubação, capina e colheita. A realização dessa atividade viabiliza a expressão, a espontaneidade, o conhecimento das potencialidades e das limitações dos pacientes e promove o desenvolvimento em diversos aspectos (emocional, social, intelectual e físico), possibilitando que o paciente adquira maior grau de independência e autonomia (ARRUDA, 1962).
Salientamos a necessidade da abertura deste projeto a participação de voluntários que tenham interesse em auxiliar-nos e levar conhecimentos a mais para o grupo.
1 Sugestão de algumas hortaliças para serem cultivadas na horta orgânica: alface, cenoura, beterraba, repolho, couve, espinafre, couve-flor, couve-brócoli, pepino, temperos (cebolinha verde, salsa, coentro, orégano, manjerona), rabanete, chicória, ervilha torta, almeirão, feijão-vagem, abobrinha caserta, rúcula, tomate cereja, pimentão, pimenta, alho, batata-doce, milho-verde.   Sugestão de plantas medicinais e aromáticas: sálvia, hortelã, arruda, alfavaca, cavalinha-do-campo, losna, camomila, capim-limão, guaco, alecrim, manjericão, poejo, funcho.
2  As hortaliças são ricas em vitaminas (A, B, C, E e K) e sais minerais (cálcio e ferro), com bom teor de proteína e fibras, além de outras virtudes dietéticas e até terapêuticas. A vitamina A é essencial para a saúde dos olhos, pele, dentes e cabelos, atuando sobre o crescimento e aumentando a resistência do organismo às doenças; a vitamina B estimula o apetite, auxilia no crescimento, facilita a digestão, ajuda no funcionamento normal dos nervos e fortalece a pele e os cabelos; a vitamina C é fundamental para aumentar a resistência do organismo às infecções, principalmente aos resfriados; a vitamina E é importante para prevenir distúrbios cardiovasculares e neurológicos, além de acelerar a cicatrização de ferimentos e aumentar a fertilidade; a vitamina K é essencial para biossíntese de vários fatores necessários para a coagulação do sangue e para a mineralização dos ossos.  Os sais minerais, como o cálcio é essencial para a formação de ossos e dentes e, o ferro que faz parte do sangue, participa na dieta alimentar diária prevenindo a anemia.  As proteínas, essenciais para formação e renovação dos tecidos, controlam o crescimento, a digestão, a absorção, o transporte, a manutenção da pressão e a formação de anticorpos para defesa das doenças.  Os carboidratos são responsáveis pela energia e pela força para as atividades mentais e para o trabalho. As fibras são importantes para regular a digestão e para prevenir doenças como diverticulite, arteriosclerose, apendicite, varizes, hemorróidas e certos tipos de tumores intestinais, além de auxiliar no controle das taxas de colesterol e glicose.
      Pesquisas realizadas no mundo inteiro comprovam a grande diferença entre o alimento orgânico e aquele produzido de forma convencional, ou seja, com adubos químicos e agrotóxicos. Os produtos orgânicos, além de possuírem maior teor de vitaminas e sais minerais, apresentam melhor sabor e conservação e ainda possuem menor custo de produção.
 3A natureza foi à primeira farmácia da humanidade. Por isso, no planejamento da horta deve-se reservar espaço para as principais espécies de plantas medicinais. As plantas medicinais proporcionam ao organismo humano sais minerais, ajudam a eliminar toxinas, limpando o sangue de impurezas e tonificando o estômago, os intestinos, os rins e o coração. Além de terem propriedades terapêuticas, algumas são utilizadas no manejo de pragas e doenças de hortaliças.
     Além da importância das hortaliças orgânicas na nutrição e das plantas medicinais na saúde das pessoas, a ocupação do tempo na implantação e condução de uma horta é essencial para que as pessoas se sintam úteis e melhorem a auto-estima. O contato com plantas funciona muito bem como terapia ocupacional. O fato de preparar o solo, semear, observar o crescimento colher e consumir hortaliças frescas, saudáveis e saborosas, bem como plantas medicinais, sem agroquímicos, é uma experiência fantástica e, o mais importante, sem riscos ao meio ambiente, ao trabalhador e consumidor.
 O cultivo de uma horta orgânica melhora a qualidade de vida das pessoas, pois além de garantir alimentos saudáveis, nutritivos e saborosos mais baratos, previne e até cura doenças, educa, ocupa e, quando implantada com prazer, proporciona lazer e exercícios ao ar livre.  No mundo inteiro existe atualmente uma preocupação dos consumidores em relação a qualidade dos alimentos. Há uma conscientização de que muitos problemas de saúde poderão ser evitados se for consumido alimentos livres de resíduos químicos. Cresce, também, a consciência de que devemos praticar uma agricultura integrada com a natureza e que preserve os recursos naturais.
     O cultivo orgânico é um sistema de produção agrícola ecológico e sustentável, baseado na preservação e no respeito a terra, ao meio ambiente e ao homem. Este sistema é centrado no ser humano e a base da sustentabilidade é o solo. Praticar agricultura orgânica ou com base agroecológica é, além de tudo, um novo modo de pensar e de se relacionar com as pessoas e com a natureza. O cultivo de uma horta orgânica é uma forma natural de produzir hortaliças e plantas medicinais, utilizando-se práticas culturais adequadas, sem uso de agrotóxicos, adubos químicos, sementes transgênicas, antibióticos e outros produtos prejudiciais à saúde humana e ao meio ambiente. Cultivar no sistema orgânico significa fazer as pazes com a natureza, protegendo os recursos naturais (solo, água, flora e fauna) e as futuras gerações, restaurando a biodiversidade e preservando a diversidade biológica, que é a base de uma sociedade equilibrada.


4 – OBJETIVO GERAL
Proporcionar o relaxamento através do contato com a terra e a natureza e o prazer de produzir hortaliças que serão utilizadas nas refeições diárias dos usuários e oportunizar atividades de cultivos de plantas, estimulando assim o desenvolvimento de responsabilidade por parte dos participantes.

5 – OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Ø  Estimular o contato com a terra e a produção no sistema orgânico de hortaliças, vegetais e plantas medicinais através da implantação de horta terapêutica;
Ø  Contribuir para a formação de hábitos alimentares mais saudáveis;
Ø  Incentivar o processo de construção e manutenção de hortas domésticas em sistema orgânico através;
Ø  Proporcionar o trabalho terapêutico e interação em equipe;
Ø  Estimular a valorização pessoal e social através do trabalho, bem como, o voluntariado e o envolvimento dos pacientes para a condução da horta;
Ø  Tornar o serviço referencia a nível comunitário das técnicas de produção de hortaliças no sistema orgânico;
Ø  Resgatar junto à comunidade o habito de produção de alimentos para auto-consumo.

6 – METODOLOGIA
     Para obter-se sucesso no cultivo orgânico de uma horta o solo deve ser equilibrado em nutrientes. Por isso, é necessário em primeiro lugar conhecer a fertilidade do terreno através de análise química do solo. Com base nesta análise recomenda-se a adubação orgânica e se necessário, a correção da acidez do solo.
     Para a implantação da horta serão levantados os canteiros (1,10m de largura) com madeiras rústicas (20 a 30 cm de largura) utilizadas em construção, deixando-se caminhos de 0,5m de largura entre eles, para facilitar o deslocamento dentro da horta. Após a adubação orgânica e calagem, com base na análise do solo, será feito o revolvimento do solo com pá de corte e incorporação do adubo (esterco de animais).
Espécies: as hortaliças a serem semeadas ou transplantadas em canteiros serão as seguintes: Alface, Cenoura, Beterraba, Repolho, Couve, Espinafre, Couve-brócoli, Couve-flor, Pepino, Temperos (cebolinha verde, salsa, coentro, orégano e manjerona) Rabanete, Chicória, Ervilha de vagem, Radiche (almeirão), Feijão-vagem, Abobrinha de moita, Rúcula, Tomate Cereja, Pimentão, Pimenta, Alho e Milho-verde.
Algumas plantas medicinais e aromáticas a serem plantadas, além de auxiliarem na melhoria da saúde das pessoas, servirão para auxiliar também no manejo de doenças e pragas. As plantas medicinais sugeridas são: sálvia, hortelã, arruda, alfavaca, cavalinha-do-campo, losna, camomila, capim-limão, guaco, alecrim, manjericão, poejo e funcho.

7 - CRONOGRAMA
Conforme previsão inicial, a  implantação e manutenção da horta requer 40 horas / mês, perfazendo um total de cerca de 2 horas diárias  quando o CAPS estiver em funcionamento.

8– Orçamento inicial para implantação da Horta Orgânica (200m²)
Necessitará o presente projeto, para sua implantação e manutenção os materiais, conforme descrição abaixo, perfazendo-se, desta forma, uma previsão orçamentária no valor de R$ 1.600,00 (mil e seiscentos reais), necessários em investimentos para a compra dos materiais abaixo relacionados


:
9 – Previsão orçamento de materiais e equipamentos necessários para a manutenção da horta (200m2)

sábado, 11 de dezembro de 2010

Silenciosamente, bilhões de abelhas estão morrendo, colocando toda a nossa cadeia alimentar em perigo

Caros amigos,


As abelhas estão morrendo em todo o mundo, colocando em perigo a nossa cadeia alimentar. Os cientistas culpam os agrotóxicos e quatro governos europeus já os proibiram. Se conseguirmos que os EUA e a União Europeia se unam à proibição, outros governos ao redor do mundo poderão seguir o exemplo e salvar da extinção milhares de abelhas. Assine a petição e encaminhe este apelo urgente:

Sign the petition
Silenciosamente, bilhões de abelhas estão morrendo, colocando toda a nossa cadeia alimentar em perigo. Abelhas não fazem apenas mel, elas são uma força de trabalho gigante e humilde, polinizando 90% das plantas que produzimos.

Vários estudos científicos mencionam um tipo de agrotóxico que contribui para o extermínio das abelhas. Em quatro países Europeus que baniram estes produtos, a população de abelhas já está se recuperando. Mas empresas químicas poderosas estão fazendo um lobby pesado para continuar vendendo estes venenos. A única maneira de salvar as abelhas é pressionar os EUA e a União Europeia para eles aderirem à proibição destes produto letais - esta ação é fundamental e terá um efeito dominó no resto do mundo.

Não temos tempo a perder - o debate sobre o que fazer está esquentando. Não se trata apenas de salvar as abelhas, mas de uma questão de sobrevivência. Vamos gerar um zumbido global gigante de apelo à UE e aos EUA para proibir estes produtos letais e salvar as nossas abelhas e os nossos alimentos. Assine a petição de emergência agora, envie-a para todo mundo, nós a entregaremos aos governantes responsáveis:

https://secure.avaaz.org/po/save_the_bees/?vl

As abelhas são vitais para a vida na Terra - a cada ano elas polinizam plantas e plantações com um valor estimado em US$40 bilhões, mais de um terço da produção de alimentos em muitos países. Sem ações imediatas para salvar as abelhas, poderíamos acabar sem frutos, legumes, nozes, óleos e algodão.

Nos últimos anos, temos visto um declínio acentuado e preocupante a nível global das populações de abelhas - algumas espécies de abelhas estão extintas e outras chegaram a 4% da população no passado. Cientistas vêm lutando para obter respostas. Alguns estudos afirmam que o declínio pode ser devido a uma combinação de fatores, incluindo doenças, perda de habitat e utilização de produtos químicos tóxicos. Mas um importante estudo independente recente produziu evidências fortes culpando os agrotóxicos neonicotinóides. A França, Itália, Eslovênia, e até a Alemanha, sede do maior produtor do agrotóxico, a Bayer, baniram alguns destes produtos que matam abelhas. Porém, enquanto isto, a Bayer continua a exportar o seu veneno para o mundo inteiro.

Este debate está esquentando a medida que novos estudos confirmam a dimensão do problema. Se conseguirmos que os governantes europeus e dos EUA assumam medidas, outros países seguirão o exemplo. Não vai ser fácil. Um documento vazado mostra que a Agência de Proteção Ambiental dos EUA já sabia sobre os perigos do agrotóxico, mas os ignorou. O documento diz que o produto da Bayer é "altamente tóxico" e representa um "grande risco para os insetos não-alvo (abelhas)".

Temos de fazer ouvir as nossas vozes para combater a influência da Bayer sobre governantes e cientistas, tanto nos EUA quanto na UE, onde eles financiam pesquisas e participam de conselhos de políticas agrícolas. Os reais peritos - apicultores e agricultores - querem que estes agrotóxicos letais sejam proibidos, a não ser que hajam evidências sólidas comprovando que eles são seguros. Vamos apoiá-los agora. Assine a petição abaixo e, em seguida, encaminhe este alerta:

https://secure.avaaz.org/po/save_the_bees/?vl

Não podemos mais deixar a nossa cadeia alimentar delicada nas mãos de pesquisas patrocinadas por empresas químicas e os legisladores que eles pagam. Proibir este agrotóxico é um caminho necessário para um mundo mais seguro tanto para nós quanto para as outras espécies com as quais nos preocupamos e que dependem de nós.

Com esperança,

Alex, Alice, Iain, David e todos da Avaaz

Leia mais:

Itália proibe agrotóxicos neonicotinóides associados à morte de abelhas:
http://www.ecodebate.com.br/2008/09/22/italia-proibe-agrotoxicos-neonicotinoides-associados-a-morte-de-abelhas/

O desaparecimento das abelhas melíferas:
http://www.naturoverda.com.br/site/?p=180

Alemanha proíbe oito pesticidas neonicotinóides em razão da morte maciça de abelhas:
http://www.ecodebate.com.br/2008/08/30/alemanha-proibe-oito-pesticidas-neonicotinoides-em-razao-da-morte-macica-de-abelhas/

Campos silenciosos:
http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/campos_silenciosos_imprimir.html

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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

PRINCÍPIOS BÁSICOS DA AGRICULTURA ORGÂNICA: Parte 7

Manejo de pragas e doenças no cultivo orgânico: práticas culturais e inimigos naturais
   Por que surgem as doenças e pragas nas plantas cultivadas? a maneira como trabalhamos na agricultura convencional ou “moderna” é uma das maiores criadoras de pragas e doenças para as plantas. A monocultura (cultivo de apenas uma espécie) é uma das principais causas de criação de doenças e pragas. Numa floresta nativa com muitos tipos de plantas, as doenças e as pragas existem, mas não causam maiores problemas.  Uma doença ou inseto-praga se espalha muito mais fácil com um único tipo de planta ofertada em grande quantidade. O excesso de oferta de comida “chama” as doenças e as pragas para as plantas. Os adubos químicos e agrotóxicos deixam as plantas mais suculentas para as doenças e pragas. E o que é pior, os agrotóxicos destroem os inimigos naturais (seres que se alimentam das doenças e insetos-pragas) e ainda prejudicam a vida do solo. Com o tempo, os agrotóxicos matam as doenças e insetos-pragas mais fracos e vão ficando só os mais fortes. Pior ainda, alguns insetos que não eram pragas passam a causar prejuízos aos cultivos (Ex.:a larva minadora das folhas). Lavrar a terra seguidamente, manter o solo sem plantas de cobertura e sem matéria orgânica diminui a vida do solo. Com o tempo, o solo fica duro, seco, compactado, pobre em vida e nutrientes. As plantas que crescem em solo desgastado se tornam mais fracas e mais fáceis de serem atacadas por doenças e pragas.
     O manejo eficiente das doenças e pragas na agricultura orgânica é baseado no seguinte princípio básico:  É impossível controlar totalmente as pragas e doenças, por isso recomenda-se manejar a cultura com diversas práticas que reduzem ao mínimo os danos causados, suficientes para evitar danos econômicos às culturas e, principalmente que  beneficiam os inimigos naturais. Dentre as práticas, destacam-se:
. Controle mecânico: através de visita diária a lavoura, eliminar e destruir (enterrio ou uso em compostagem)  plantas  doentes (ramos, folhas e frutos doentes) e/ou atacadas por pragas, evitando-se a disseminação rápida de doenças e pragas; através da irrigação por aspersão,  pode-se reduzir a ocorrência de pulgões, ácaros, tripes e lagartas do cartucho do milho, pragas que aparecem mais em condições de estiagem; a colocação de sacos de aniagem, umedecidos com leite,  entre os caminhos  da horta, no final do dia, atrai lesmas e caracóis. Deve-se fazer o recolhimento  pela manhã, combatendo-os com cal virgem ou sal.
. Manejo cultural: é o manejo de pragas através de espécies que as atraem ou repelem. Broca das cucurbitáceas (pepino) e vaquinha (patriota) - o cultivo de abobrinha caserta (abobrinha de moita) atrai estas pragas. O porongo verde cortado ao meio e a raiz de tajujá ou tayuyá, cortada em  fatias (10cm), espalhadas na horta também atraem a vaquinha. A seiva ou o líquido existente na raiz do tajujá atrai a vaquinha, fazendo com que não ataquem a planta cultivada. Tanto no caso do porongo como na raiz de tajujá deve-se renovar as iscas regularmente; Borboleta da couve -  a hortelã e o alecrim repelem a borboleta da couve que põe os ovos dando origem às lagartas que comem as folhas; Insetos e nematóides - o cravo-de-defunto ou tagetes, devido às suas glândulas aromáticas, repele muitos insetos e mantém o solo livre de nematóides; Ratos e formigas - a hortelã, quando plantada na bordadura dos canteiros e em volta da casa e/ou paióis, repele essas pragas. Um bom método natural para espantar as formigas é espalhar sementes de gergelim em torno dos canteiros. Para as formigas cortadeiras recomenda-se cortar e distribuir folhas de gergelim em locais de passagem das mesmas, próximos aos olheiros do formigueiro;  as formigas carregam as folhas para o formigueiro e intoxicam os fungos que servem de alimento para elas; Insetos em geral - alho, manjerona, camomila e mal-me-quer plantados no meio da horta inibem a presença de insetos; Moscas brancas – o uso de plantas repelentes como  cravo-de-defunto, hortelã e arruda, quando o ataque é pequeno, tem boa eficiência.
. Manejo de pragas com auxílio dos inimigos naturais: os inimigos naturais são insetos, fungos, bactérias, vírus, nematóides, répteis, aves e mamíferos pequenos. Os animais que comem insetos na forma larval e adulta, não são poucos, daí a importância da não contaminação do meio ambiente com agroquímicos. Todas as pragas têm seus inimigos naturais que as devoram ou destroem. Daí a importância de diversificar os cultivos (rotação, sucessão e consorciação de culturas) e  preservar refúgios naturais como matas, cercas vivas e capoeiras para manter a diversidade natural da fauna (ácaros predadores, aranhas, insetos, anfíbios, répteis, aves e mamíferos). Todos fazem parte do grande conjunto natural e contribuem para  manutenção do equilíbrio na natureza. Entre as espécies de plantas que servem de refúgio dos inimigos naturais, destacam-se: o menstrato (Ageratum conyzoides),  a beldroega (Portulaca oleracea), o caruru (Amaranthus viridis), o nabo forrageiro (Raphanus raphanistrum) e o sorgo granífero (Sorghum bicolor). No caso do sorgo, suas panículas em flor favorecem o abrigo e a reprodução do percevejo Orius insidiosus que é predador de lagartas, ácaros e tripes da cebola. Há no entanto, plantas que são desfavoráveis à preservação e ao aumento de inimigos naturais das pragas, como: mamona, guanxuma, tiririca e picão branco. Entre os insetos, o inimigo natural mais conhecido é a joaninha (Figura 1) e as vespinhas que parasitam especialmente pulgões, cochonilhas e lagartas. Outros exemplos de inimigos naturais e os principais depredados ou destruídos são: percevejos -  destroem lagartas e seus ovos; moscas - lagartas, seus ovos e outras pragas; coleópteros - lagartas e percevejos; louva-a-Deus,  joaninha e vespinhas -   pulgões; peixes – larvas de pernilongos; fungos – larvas e nematóides; garças – moluscos e insetos; pica-pau – insetos; tamanduá –  come formigas e cupins; outros animais que se alimentam de insetos – galinha d’angola,  morcegos, lagartas, sapos, rãs, tatus e pássaros (andorinhas, bem-te-vis, corruíras e beija-flor). Nas próximas matérias abordaremos sobre os principais produtos alternativos que podem serem utilizados no manejo de pragas e doenças na agricultura orgânica.
Figura 1. Joaninha (à esquerda), um dos inimigos naturais mais conhecido e eficiente no manejo de pragas, quando não são utilizados agrotóxicos. A joaninha come pulgões ou piolhos (à direita) que atacam especialmente as brássicas (repolho, couve, couve flor e brócolis), sugando a seiva das plantas e, no caso da batata, os pulgões ainda transmitem viroses, doenças que reduzem a produção a cada ano.  

Reciclagem do lixo orgânico

Matéria publicada no site da Epagri em 29 de novembro de 2010
Em mais uma etapa do processo de sensibilização da sociedade para a conservação do ambiente, foi realizada em Itapiranga, no dia 20 de novembro, oficina para construção coletiva de decompositores orgânicos, resultado de parceria entre Epagri, Prefeitura Municipal e a empresa Seara/Marfrig.
Na ocasião, 17 famílias estiveram representadas e participaram do trabalho de confecção do seu equipamento.
“A construção de decompositores orgânicos tem chamado a atenção das pessoas pelos seus diversos benefícios”, explica a extensionista da Epagri de Itapiranga, Alésia Inês Lauschner Gesing, destacando a redução de resíduos a serem depositados em aterros sanitários, a ausência de insetos que se proliferam em ambientes com presença de resíduos orgânicos e a possibilidade de a família obter composto orgânico e chorume (fertilizante líquido) para fertilizar jardins e hortas agroecológicas.
Mais informações: Alésia Inês Lauschner Gesing/Extensionista Social/Epagri Itapiranga, no telefone: (49-3677-0527).

PRINCÍPIOS BÁSICOS DA AGRICULTURA ORGÂNICA: Parte 6

No manejo de pragas e doenças em cultivo orgânico, “prevenir é melhor que remediar”
      Normalmente, quando se considera o solo como um “organismo vivo” e tratando-o com métodos ecologicamente corretos, associados ao uso de práticas preventivas, não ocorrem doenças e pragas.  Estas quando surgem, são um sinal de desequilíbrio e indicam problemas no manejo do solo. Por outro lado, quando se pratica a agricultura moderna que prioriza o uso da monocultura (cultivo de apenas uma espécie), o uso intensivo de mecanização, adubos químicos e agrotóxicos em solos desequilibrados, favorecem o surgimento de inúmeras pragas e doenças que se não forem controladas podem prejudicar parcialmente ou totalmente a produção de alimentos e, o que é pior, contaminam o solo,  rios, lagos, córregos,  e ainda trazem sérias consequências  à saúde do agricultor e consumidor. Um exemplo das sérias conseqüências à saúde humana do uso crescente e abusivo de agrotóxicos na agricultura são os casos de intoxicação e mortes registradas no Centro de Informações Toxicológicas – CIT, situado no Hospital Universitário da  Universidade Federal de Santa Catarina em Florianópolis, SC. No período de 1990 até 2007, o CIT detectou 9.300 intoxicações de agricultores e 233 mortes em Santa Catarina (Fonte: www.cit.sc.gov.br). Estima-se que para cada notificação oficial ocorrem pelo menos 10 casos que não são registrados, devido a dificuldade de diagnosticar corretamente os casos de intoxicação.
     A agricultura orgânica, por sua vez, trata o solo como um “organismo vivo”, ou seja, revolvendo o solo o mínimo possível, sem uso de agroquímicos e priorizando a adubação orgânica, adubação verde, rotação, sucessão e consorciação de culturas, cultivo mínimo, plantio direto e outras que visam o equilíbrio do solo, favorecendo o desenvolvimento dos cultivos e os  inimigos naturais e desfavorecendo o surgimento de pragas e doenças. A ocorrência de insetos-pragas e doenças são a conseqüência e não a causa do problema. Por isso, em agricultura orgânica tratam-se as causas para que os resultados sejam os mais duradouros e equilibrados possíveis. Adotando as práticas recomendadas no cultivo orgânico e os métodos de prevenção, dificilmente os cultivos são atacados por pragas e doenças. A prevenção é a maneira mais fácil de manejar as pragas e doenças. Os principais métodos que previnem o aparecimento de pragas e doenças são:                        
Escolha correta da área – a área deve ser bem drenada e ensolarada, pois os raios solares auxiliam no manejo das doenças e pragas. Terrenos sujeitos a neblinas devem ser evitados;                                  
Destruição dos restos culturais:   deve-se sempre, antes de iniciar o cultivo, retirar da lavoura os restos do cultivo anterior (ramos, folhas e frutos)  e  fazer compostagem  (processo de fermentação através de camadas alternadas de resíduos vegetais e esterco fresco de animais),  para evitar possíveis doenças, especialmente se forem verificados focos de plantas murchas ou amarelecidas. Recomenda-se também destruir plantas que apresentam sintomas durante o cultivo. Esta é uma prática importante, especialmente para as espécies das famílias botânicas das solanáceas (batata, tomate, pimentão, beringela e fumo), cucurbitáceas (abóbora, abobrinha, moranga, melão,  melancia e pepino) e brássicas (repolho, couve-flor, couve e brócolis), cultivos mais sensíveis às doenças e pragas;                               
Adubação equilibrada:  a adubação orgânica, com base na análise de solo e nos nutrientes do adubo aplicado, é muito importante, pois as plantas bem nutridas possuem mais resistência às doenças e pragas. O excesso de nitrogênio resulta na produção de tecidos jovens e suculentos, atrasando a maturidade da planta. Por outro lado, plantas mal supridas com nitrogênio tem um fraco crescimento e amadurecimento precoce dos tecidos. Em ambos os casos, a planta se torna mais susceptível ao ataque de doenças e pragas. Em relação ao potássio, geralmente, tem-se demonstrado seu efeito benéfico na redução da severidade de inúmeras doenças.Todavia, o excesso do potássio causa desequilíbrio nutricional e aumenta a severidade,  de  doenças foliares. A sarna da batata é um exemplo de  doença favorecida pelo excesso de cálcio;   
Uso de material de propagação sadio e variedades resistentes: é importante, sempre que possível, utilizar cultivares resistentes com sementes e materiais propagativos (tubérculos, ramas, estolhos, bulbilhos e etc.) livres de  pragas e doenças. O plantio de ramas de batata-doce sadias é uma opção para evitar a doença “mal do pé”.  O tomate do tipo cerejinha  e tipo italiano são considerados mais resistente às pragas e doenças que os tomates de mesa tipo Santa Cruz e tipo Salada. O híbrido de repolho Fuyutoyo é considerado resistente à podridão negra. O híbrido de couve-flor Júlia F1 é resistente à alternariose.  As variedades de batata Epagri 361 Catucha  e SCS 365-Cota (Figura 1) são resistentes à requeima (sapeco) e pinta preta. A variedade de batata-doce Princesa é resistente ao “mal-do-pé” e a Brazlândia Roxa é tolerante aos insetos que causam perfurações nas raízes. A variedade de feijão-vagem Preferido é tolerante à ferrugem e antracnose, enquanto que a Favorito tolera a ferrugem e oídio.  As cenouras do grupo Brasília são resistentes ao sapeco;
Rotação e consorciação de culturas : o cultivo intensivo da mesma espécie na mesma área esgota o solo e ainda aumenta a ocorrência de pragas e doenças, especialmente no solo. A rotação e consorciação de culturas, além de melhorar o solo, desfavorece o surgimento de pragas e doenças e ainda, podem servir de abrigo para os seus inimigos naturais. Para o sucesso destas práticas, deve-se seguir dois princípios básicos: - não cultivar, no mesmo terreno, plantas da mesma família botânica, pois estão sujeitas às mesmas pragas e doenças. É o princípio de “matar de fome” os insetos, os fungos e as bactérias que atacam as plantas cultivadas. Ex.:onde se cultiva batata, não deve-se plantar fumo,tomate e pimentão, pois todas estas espécies pertencem a mesma família botânica, sabidamente as que mais possuem problemas de doenças e pragas;     -as espécies a serem incluídas no sistema de rotação devem ter diferentes exigências nutricionais e com diferentes sistemas radiculares para não esgotar o solo e também para explorar ao máximo os nutrientes que estão nas camadas mais profundas.
Figura 1. A escolha de variedades resistentes às doenças da folhagem é uma maneira de prevenir a ocorrência de doenças em batata. Na foto, a variedade de batata SCS 365 – Cota (à esquerda) lançada pela Epagri em 2008 para o cultivo orgânico, na Estação Experimental de Urussanga, é muito mais resistente ao sapeco da folhagem (requeima) quando comparada com a variedade Ágata (à direita), totalmente destruída, apesar de ser a mais cultivada no Brasil.   


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