sexta-feira, 27 de abril de 2012
terça-feira, 3 de abril de 2012
ENTREVISTA COM,
Raquel Rigotto, professora do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), participou como palestrante do Seminário Nacional Contra o Uso de Agrotóxicos, realizado de 14 a 16 de setembro na Escola Nacional Florestan Fernandes – Guararema, São Paulo. Coordenadora do Núcleo Tramas – Trabalho, Meio Ambiente e Saúde, pesquisa a relação entre agrotóxicos, ambiente e saúde no contexto da modernização agrícola no estado do Ceará. Nesta entrevista, ela defende o debate sobre uso de agrotóxicos como um tema estratégico e critica a ideia de que é possível utilizá-los de forma segura.
Qual a importância da discussão sobre agrotóxicos na atual conjuntura?
Os agrotóxicos não podem ser vistos apenas como um conjunto de substâncias químicas que pode causar riscos químicos à saúde. Eles precisam ser entendidos no contexto em que são utilizados, que envolve o processo de modernização agrícola conservadora em curso no Brasil, que tem a ver com a reestruturação produtiva no campo e a divisão internacional da produção e do trabalho, na qual cabe ao Brasil a produção de commodities de origem agrícola. Esse contexto mais geral precisa ser considerado, assim como o entendimento do agronegócio não apenas em sua dimensão de latifúndios e monoculturas, mas também como um subsistema técnico e político que envolve o capital financeiro, a indústria química, a indústria de biotecnologia, sementes, fertilizantes, tratores, enfim, toda a indústria metal-mecânica. Esse contexto determina a vulnerabilidade das populações aos agrotóxicos. E que populações são essas? Temos em primeiro lugar os trabalhadores das empresas, mas também outros segmentos de trabalhadores que são influenciados por esse processo, como os pequenos produtores. No Ceará, os pequenos produtores foram colocados na condição de parceiros do agronegócio, o que na verdade é uma forma de terceirização. O cultivo de fumo no Rio Grande do Sul também é um exemplo disso, são pequenos produtores que estão completamente subordinados às exigências da indústria fumageira. Além desses trabalhadores, são atingidos os moradores dessas regiões. No Mato Grosso, há municípios completamente cercados pelo agronegócio, que atinge até mesmo a reserva do povo Xingu: há rios que nascem fora de sua área e cuja água já entra no território indígena contaminada por agrotóxicos. Há também a questão dos consumidores de alimentos, que têm uma ingestão diária aceitável de veneno. É o ‘veneno nosso de cada dia’ na alimentação. E, ainda, temos os trabalhadores que fabricam esses venenos. Há conflitos ambientais já identificados com esses trabalhadores de fábricas e as comunidades do entorno das fábricas, que são contaminadas. No nordeste, há uma fábrica de agrotóxicos que tem problemas sérios com 11 bairros na sua vizinhança por causa da sua contaminação atmosférica. Além disso, a questão dos agrotóxicos é abrangente porque vai nos ajudar a resgatar a interrelação campo e cidade. Na medida em que o país se urbaniza, tendemos a pensar o Brasil como um país urbano – e há uma conotação simbólica de que isso nos aproxima mais do perfil dos países desenvolvidos e deixa para trás o ‘atraso do campo’ –, perdendo de vista que há uma dinâmica rural-urbana fundamental. Isso se expressa na produção de alimentos, na manutenção de riquezas naturais como a água, os microclimas, as chuvas (importantes para a cidade e ‘produzidas’ no campo) e também do ponto de vista da organização do campo. A concentração de terra, que expulsa pessoas das áreas rurais, faz com que as cidades fiquem cada vez mais ingovernáveis, por causa da migração e de todos os processos de degradação da qualidade de vida, como a violência, as drogas e outros. Enfim, faz com que toda a problemática ambiental urbana cresça. Os agrotóxicos dão oportunidade para discutirmos tudo isso, e também para debatermos a ciência e seus limites hoje. Há substâncias químicas que nos mostram a insuficiência dos conhecimentos produzidos para que possamos ter alguma segurança ao lidar com elas. Um exemplo é o problema da exposição múltipla a vários ingredientes ativos, que ainda carece de respostas. São várias situações que nos colocam os limites da ciência e que também desafiam o Estado, porque não há como tratar os problemas dos agrotóxicos apenas como problema agrícola ou agrário, apenas como problema de saúde ou de meio ambiente. Esse é um problema que perpassa diversos setores das políticas públicas e exige uma atuação integrada, o que também é um exercício interessante de fazermos.
Na sua palestra no Seminário Nacional Contra o Uso de Agrotóxicos, foi destacada a importância de esclarecermos se estamos discutindo agrotóxicos e saúde ou agrotóxicos e doença. Qual a diferença entre as abordagens e o que isso significa para o debate?
Na cultura positivista que temos, existe uma certa tendência, tantos dos empresários como algumas vezes até da própria mídia, de procurar por agravos à saúde que pudessem ser atribuídos aos agrotóxicos, identificando e quantificando casos. É como se, para validar a questão dos agrotóxicos como um problema digno de atenção, relevante e urgente, dependêssemos disso, como se precisássemos ter geração e comprovação da doença para começarmos a pensar no assunto e nos problemas dos agrotóxicos. O que estamos propondo é que o conhecimento sobre a nocividade dos agrotóxicos está dado a priori, porque ao defini-los como agrotóxicos estamos dizendo que são biocidas, que fulminam a vida, e ao atribuir a eles uma classificação toxicológica que vai de pouco tóxico a extremamente tóxico também estamos deixando isso claro. Não há nenhuma classificação que seja ‘não-tóxico’. O mesmo acontece em termos da classificação ambiental, que se relaciona à resistência do solo, e aos estudos da biomagnificação, teratogênese, mutagênese e carcinogênese [referentes ao acúmulo de produtos tóxicos ao longo da cadeia alimentar e à possibilidade de anomalias e malformações fetais, mutações genéticas e desenvolvimento de câncer]. Então, os agrotóxicos já estão classificados nesse sentido. Não há que se perguntar se são veneno ou remédio, está claro que são um tipo de veneno. Esse potencial de dano está dado, e defendemos que não precisaríamos provar a existência do dano para postergar políticas públicas e iniciativas dos agentes econômicos para combater esse problema. Poderíamos, desde já, estar trabalhando na perspectiva de que existe um risco e um contexto de risco, partindo para o controle desses riscos.
Por que é difícil estabelecer relações entre exposição humana aos agrotóxicos e os danos à saúde?
Os efeitos crônicos causados pela exposição a agrotóxicos são muito diversificados. Cada composto e princípio ativo tem um perfil toxicológico e uma nocividade própria, e isso se relaciona a uma série de patologias que vão desde dermatoses até infertilidade, abortamento, malformações congênitas, cânceres, distúrbios imunológicos, endócrinos, problemas hepáticos e renais... Mas todas essas patologias têm etiologias variadas, o que significa que podem ser causadas por outros elementos que não os agrotóxicos. E, como somos acostumados a fazer raciocínio muito linear entre doença e agente causal, isso fica muito complicado. É possível, por exemplo, quando uma empresa quer se negar a assumir suas responsabilidades, que ela diga que o trabalhador teve uma leucemia porque a família tem carga genética para isso. Do ponto de vista epidemiológico, os estudos têm evidenciado essas correlações, demonstrando que populações mais expostas, comparando com não expostas, têm carga maior de doenças. Mas gerar essa informação é difícil. No caso do Ceará, o instituto que recebe a maioria dos cânceres hematológicos não tem na sua ficha de investigação o dado sobre a ocupação do trabalhador. Isso é um exemplo da dificuldade que temos para fazer um perfil que relacione a ocupação e, por consequência, o contato com agrotóxicos, a uma determinada doença.
Existe um discurso muito difundido de que os agrotóxicos seriam uma necessidade para garantir a produção de alimentos, e de que sem eles ‘o mundo morreria de fome’. A partir daí, a proposta é desenvolver formas seguras de lidar com os agrotóxicos. Qual a sua opinião sobre isso? O ‘uso seguro’ é possível?
A ‘Revolução Verde’, que é o momento que marca na história da humanidade a questão dos agrotóxicos, aconteceu há cerca de 50 anos. A humanidade tem cerca de 8 mil anos de história conhecida na agricultura, e nós vivemos e nos alimentamos por todos esses milênios sem os agrotóxicos e transgênicos (o que é um outro argumento muito comum agora, de que, de repente, não podemos mais viver sem os transgênicos). É claro, há relatos de que desde os povos mais antigos havia uso de algumas substâncias para controle de pragas e de processos de cultivo, a humanidade tem um acúmulo nesse sentido. Estou me referindo a esse uso massivo de agrotóxicos, estimulado pela indústria química, que pode fazer propaganda na televisão, ter isenção de impostos como o ICMS, IPI, Cofins, PIS/Pasep. Então, a primeira coisa importante de tomarmos consciência é que já vivemos muitos anos como humanidade sem os venenos, e que depois do uso de venenos a produtividade da agricultura certamente elevou-se, mas a segurança e a soberania alimentar da humanidade não. Continuamos tendo quase um bilhão de pessoas desnutridas ou subnutridas no mundo, então está clara que essa não é uma crise que seja explicada pela subprodução, mas sim pela má distribuição. Isso se deve ao fato de que aquilo que o agronegócio e a modernização agrícola produzem não são alimentos, mas sim commodities, o que é muito diferente. Há todo um aparato jurídico, institucional, legal, para regular o uso de agrotóxicos e o que vemos é que esse aparato não tem sido eficaz. O que se vê é que, desde o processo de normatização, houve interferência. Temos documentos dos produtores de agrotóxicos em que afirmam a sua estratégia de interferir no processo regulatório, fazer lobby, interferir na capacitação dos servidores públicos e dos operadores de direito que lidam com essa área. Então, desde o início da regulação, há problemas. Quantos desses estatutos que estão previstos na legislação funcionam efetivamente? O receituário agronômico não funciona e há pouquísmos laboratórios, no país inteiro, que são capazes de fazer análise da água e da contaminação humana por agrotóxicos. Estamos agora no processo de revisão da Portaria 518, que diz respeito à potabilidade da água para consumo humano, e um dos grandes dramas é esse: podemos colocar lá todos os 450 ingredientes ativos de veneno registrados que temos no Brasil, mas onde vão ser analisados para cada uma das prefeituras de cada um dos quase 6 mil municípios do nosso país? Não temos essa capacidade instalada. Fazemos o licenciamento ambiental desse empreendimento, mas não temos condições de monitorar se as condicionantes e requisitos colocados no licenciamento são cumpridos, porque não há fiscal, não tem diária, não tem aparelho e laboratório. Há também uma série de argumentos que foram trazidos pelo Censo Agropecuário, através do qual podemos constatar que há mais de 5 milhões de estabelecimentos com mais de 16 milhões de trabalhadores rurais dos quais um número significativo é de crianças, com escolaridade considerada baixa. Como podemos pensar em uso seguro numa vastidão dessa? A assistência técnica é precária. O Censo mostra que as propriedades que mais receberam assistência são aquelas acima de 200 hectares, ou seja, há milhões de propriedades de pequenos produtores que estão à revelia de assistência técnica. Como podemos imaginar que o uso seguro acontecerá assim? Qualquer pessoa pode chegar a uma loja e comprar o veneno que o balconista estiver interessado em vender e usar do jeito que o balconista ensinar. É muito difícil pensar em uso seguro assim.
Você falou em sua palestra que há um despreparo dos profissionais de saúde e do próprio SUS para lidar com essa questão. Como isso acontece?
Do ponto de vista da Política Nacional de Saúde do Trabalhador, temos previstas ações que vão desde a atenção básica – que seria principalmente através da Estratégica de Saúde da Família – até os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerests), com ações hierarquizadas. A proposta é muito interessante. Mas o que vemos, especialmente no Ceará, é que a forma como o SUS chega aos territórios que sofreram profundas transformações pelos processos de mordenização agrícola é insuficiente. Os profissionais da atenção primária estão completamente absorvidos pela assistência médica, têm pouco tempo de fazer as outras ações pensadas para sua atuação e conhecem muito pouco a dinâmica viva dos territórios em que as unidades de saúde estão inseridas. Então, têm poucas notícias sobre a instalação de empresas de agronegócio, não sabem se há trabalhadores migrantes que vêm para atender demanda de força de trabalho sazonal, para, por exemplo, a colheita do melão (que é um caso muito comum), que estão sem suas famílias e que isso causa a expansão de uma rede de prostituição — o que gera outros problemas, como gravidez indesejada na adolescência, uso de drogas, doenças sexualmente transmissíveis, inclusive Aids. Então, para o sistema de saúde que está ali absorvido em diagnosticar e tratar doenças – embora estejamos tentando superar esse paradigma, isso nem sempre é possível –, é difícil enxergar essas dinâmicas. A resposta às novas necessidades de saúde tem sido insuficiente, é isso que mostrou o estudo realizado pela Vanira Mattos na UFC. Nos Cerests, há experiências ricas pelo Brasil afora, mas estou falando de um olhar local do Ceará. Ainda não conseguimos, ao longo dos três anos da nossa pesquisa, envolvê-los no atendimento a esses trabalhadores, nem desenvolver conjuntamente as ações de vigilância sanitária, epidemiológica, ambiental e em saúde do trabalhador, que ainda não estão acontecendo adequadamente.
Entrevista realizada por Leila Leal em 22/09/2010.
quarta-feira, 21 de março de 2012
Verdade: a agricultura orgânica reduz o aquecimento global e economiza energia
Já há algum tempo, boa parte dos pesquisadores alertam para os problemas causados pelo aumento das temperaturas do planeta, o que tem provocado as alterações no clima e todas as suas consequências, tais como o derretimento dos gelos polares e a elevação do nível do mar, além de mais tormentas, furacões e inundações. Recentemente, um número maior de cientistas chegou à conclusão de que tais problemas são provocados pelo aumento da emissão dos gases causadores do "efeito estufa" e que são provenientes das diversas atividades humanas, sendo as principais: a industrialização, a queima de combustíveis fósseis, a derrubada e queimadas das florestas e a produção agropecuária, ou seja, são problemas causados pelo "homem civilizado" e terão que ser enfrentados pelo "ser humano". Estes gases (ozônio, dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e monóxido de carbono) formam uma camada de poluentes, de difícil dispersão, causando o famoso efeito estufa.
Este fenômeno ocorre, pois, estes gases absorvem grande parte da radiação infra-vermelha emitida pela Terra, dificultando a dispersão do calor. O desmatamento e a queimada de florestas e matas também colabora para este processo. Os raios do sol atingem o solo e irradiam calor na atmosfera. Como esta camada de poluentes dificulta a dispersão do calor, o resultado é o aumento da temperatura global. Embora este fenômeno ocorra de forma mais evidente nas grandes cidades, já se verifica suas conseqüências em nível global. A agricultura é totalmente dependente do clima e se, não for feito nada, em pouco tempo, haverá uma grave crise mundial provocada pela falta de água potável e de alimentos, inclusive nos países mais ricos e poderosos do planeta.
Principais gases causadores do efeito estufa e suas consequências
Segundo dados do IPCC – Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (órgão da ONU composto por delegações de 130 governos para realizar avaliações regulares sobre mudanças climáticas) os "gases do efeito estufa" considerados mais nocivos são: dióxido de carbono ou gás carbônico (CO2), proveniente da queima de combustíveis fósseis, desmatamento e queimadas, os quais respondem por 75% do efeito estufa; o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O) produzidos especialmente pelo setor agrícola, estão aumentando a taxas aceleradas, além de apresentarem um poder ainda mais "letal" quando se trata de aprisionar calor. O metano é 23 vezes mais poderoso do que o gás carbônico e permanece na atmosfera por até 15 anos; desde antes da revolução industrial até os dias atuais, a produção de metano aumentou de 700ppm para 1745ppm. Para efeitos comparativos, o gás carbônico cresceu de 280 para 365ppm. Já o óxido nitroso, volatizado dos fertilizantes químicos, embora encontrado em concentrações ainda muito baixas, consegue ser 296 vezes mais "eficiente" que o gás carbônico, além de permanecer na troposfera ao longo de 114 anos antes de ser absorvido e neutralizado. Além disso, alguns adubos químicos são hidrossolúveis, isto é, dissolvem-se na água, sendo uma parte rapidamente absorvida pelas raízes das plantas, a maior parte é lixiviada, ou seja, é lavada pelas águas das chuvas e regas, indo poluir rios, lagos e lençóis freáticos e há ainda uma terceira parte que se evapora, como no caso dos adubos nitrogenados (como a uréia) que sob a forma de óxido nitroso pode destruir a camada de ozônio da atmosfera, sendo uma das causas do aquecimento global.
As principais consequências do aquecimento global são:
- Aumento do nível dos oceanos; com o aumento da temperatura no mundo, está em curso o derretimento das calotas polares. Ao aumentar o nível da águas dos oceanos, podem ocorrer, futuramente, a submersão de muitas cidades litorâneas;
- Crescimento e surgimento de desertos: o aumento da temperatura provoca a morte de várias espécies animais e vegetais, desequilibrando vários ecossistemas. Somado ao desmatamento que vem ocorrendo, principalmente em florestas de países tropicais (Brasil e países africanos) a tendência é aumentar cada vez mais as regiões desérticas do planeta Terra;
- Aumento de furacões, tufões e ciclones: o aumento da temperatura faz com que ocorra maior evaporação das águas dos oceanos, potencializando estes tipos de catástrofes climáticas;
- Ondas de calor: regiões de temperaturas amenas tem sofrido com as ondas de calor. No verão europeu, por exemplo, tem se verificado uma intensa onda de calor, provocando até mesmo mortes de idosos e crianças.
Outras conclusões importantes segundo o IPCC?
O IPCC estima que até o fim deste século a temperatura da Terra deve subir entre 1,8ºC e 4ºC, o que aumentaria a intensidade de tufões e secas, ameaçando um terço das espécies do planeta. Populações estariam mais vulneráveis à doenças e desnutrição. Calcula-se também que o derretimento das camadas polares pode fazer com que os oceanos se elevem entre 18 cm e 58 cm até 2100, fazendo desaparecer pequenas ilhas e obrigando centenas de milhares de pessoas a deixarem o local onde vivem . A estimativa do IPCC é de que mais de 1 bilhão de pessoas poderia ficar sem água potável por conta do derretimento do gelo no topo de cordilheiras importantes, como o Himalaia e os Andes. Essas cordilheiras geladas servem como 'depósitos naturais' que armazenam a água da chuva e a liberam gradualmente, garantindo um abastecimento constante dos rios que sustentam populações ribeirinhas.
Segundo cálculos da FAO, com relação ao setor pecuário, todo rebanho mundial responde por, aproximadamente, 18% de todas as emissões de gases do efeito estufa originados por intervenção humana. Os cinco maiores emissores de gases causadores do efeito estufa são: a produção de energia, o setor industrial, o lixo, as mudanças no uso do solo e a agropecuária. As conclusões do relatório reforçam que a emissão de dióxido de carbono proveniente de mudanças no uso do solo acontece a partir do desmatamento e da perda de material biológico do solo, com a conversão de florestas em pastagens, "são muito mais elevadas do que as emissões do setor energético". Para os pesquisadores da FAO, os solos vegetados apresentam enorme capacidade de servirem como sumidouros de carbono. Portanto, os solos cultivados, aliado às boas práticas de manejo podem trazer ganhos gigantescos para humanidade. Os resultados apresentados pela "revolução verde", com o uso de máquinas pesadas, o desmatamento, a monocultura, os híbridos, e a aplicação dos insumos químicos, embora significativos do ponto de vista da produção, causaram inegáveis danos ao meio ambiente e a exclusão de milhões de pessoas do meio rural. Por outro lado, o incremento na produção não foi capaz de resolver o problema de desnutrição e da fome no planeta. A pecuária também será afetada pelo aquecimento do planeta, pois é tão ou mais sensível do que a agricultura. Os pesquisadores alertam para os riscos de redução na produção de leite e incremento das taxas de aborto. No caso dos suínos, espera-se um aumento na taxa de mortalidade durante a gestação e no nascimento dos leitões. Para as aves, prevê-se queda na produção e o aumento de postura de ovos sem casca, afetando a oferta de animais para reprodução e abate.
Agricultura ecológica é uma das alternativas para reduzir o efeito estufa e economizar energia
Os defensores da agricultura orgânica sustentam que suas práticas consomem 33% a 56% menos energia que a convencional, dobram a quantidade de carbono seqüestrado no solo, reduzem 48% a 60% as emissões de CO2 e retêm 20% a 40% mais de água no solo. Ou seja, são muito melhores para diminuir os efeitos do aquecimento global e da escassez de água que rondam o planeta. Ficar esperando para ver o que acontece é a pior atitude para o planeta e, conseqüentemente, para a economia em geral, especialmente, para o setor agrícola, que é totalmente dependente do clima. O aquecimento global pode provocar problemas muito mais graves à economia do planeta do que os causados pela 2ª grande guerra.
No Brasil, além da destruição das florestas, dos rios e solos, um dos principais problemas do setor agrícola é o endividamento. Trata-se, nesse momento, de desenvolver fórmulas adaptadas para mitigar os efeitos das alterações climáticas que deverão se consolidar ao longo do século. As mudanças não ocorrem de uma só vez, é um processo gradual que já começou, mas existe a possibilidade de se produzir tecnologias que permitam realizar as adaptações necessárias para o setor agropecuário. "O setor agrícola terá que retomar princípios agronômicos que foram abandonados, e que definem alternativas para uma produção ambientalmente sustentável," é o que afirma o pesquisador Renato Roscoe, da Embrapa Agropecuária Oeste, Dourados – MS. O respeito às áreas de reserva legal e de preservação permanente, o plantio de árvores e arbustos para criar um ambiente de conforto para os animais, com pastejo rotacionado, rotação de culturas, plantio direto e adubação verde (ver matérias já postadas neste blog em 03/01/2011, 04/07/2011 e 29/11/2011), reflorestamento, ou seja, são todas práticas de manejo ecológico, fundamentais para a preservação e a sustentabilidade da agropecuária. O mesmo pesquisador afirmou: "O trabalho agora é apontar caminhos para o uso de alternativas de recuperação de áreas degradadas, ao mesmo tempo em que se procuram meios para evitar a abertura de novas áreas para exploração agropecuária e muito menos para produção de carvão. É possível integrar agricultura e pecuária, usar apenas as áreas disponíveis, promover a recuperação dos solos, capturar carbono, economizar água e reduzir a emissão de gases poluentes, ao mesmo tempo".
"O mundo desenvolvido já tem a tecnologia e dinheiro suficientes para frear o aquecimento do planeta, mas precisa de compromisso político entre governos para evitar uma catástrofe"; essa é uma das principais afirmações do relatório do IPCC, sobre estratégias para lidar com a atual crise ambiental que começou a ser debatido em Bangcoc, na Tailândia. O Jornal Estado de São Paulo obteve na sede da ONU, em Genebra, relatórios preliminares do IPCC. Eles mostram que as tecnologias existentes e outras em desenvolvimento, se aplicadas, reduziriam em 26 bilhões de toneladas as emissões dos gases geradores do efeito estufa até 2030. Isso seria suficiente para evitar que o aumento da temperatura não ultrapasse os 2 ºC neste século.
O IPCC considera que a preservação das florestas existentes, bem como o reflorestamento é fundamental para mitigar a emissão dos gases do efeito estufa. É recomendado um manejo 'diferente' dos solos agrícolas tropicais. Práticas agrícolas com aplicação de fertilizantes mais eficientes e de menor impacto para o solo e a natureza, "que se adote o manejo ecológico, usando-se o mínimo de insumos químicos e o máximo de material orgânico, para restituir a vida do solo e o seu equilíbrio natural".
"O futuro do Brasil está ligado à sua terra; o manejo adequado de seus solos é a chave mágica para a prosperidade e bem estar geral", segundo Primavesi. Ecológico vem da palavra grega "oikos" que significa lugar. Portanto, é uma atividade que trabalha em estreita interligação com os sistemas naturais existentes num lugar. Isso inclui o solo, sua vida, estrutura, regime de ar e água, seus equilíbrios minerais, seu declive, inclinação para o sol, as sociedades vegetais que lá se assentam e suas sucessões, o clima e até a atividade do homem. Ecológico não é uma planta ou um animal que se tenta preservar, significa os ciclos e equilíbrios naturais de um lugar, onde o homem está incluído. O homem não necessita ser um agente de destruição e pode administrar os equilíbrios naturais a seu favor. A produção sustentável em um "agroecossistema" deriva do equilíbrio entre plantas, solo, nutrientes, luz solar, umidade e outros organismos coexistentes. O ambiente agrícola é produtivo e saudável, somente quando essas condições de crescimento rica em equilíbrio prevalecem, tornando as plantas mais resistentes e tolerantes ao estresse e adversidades. Quando a biodiversidade é restituída, complexas interações benéficas passam a estabelecer-se entre o solo, as plantas e os animais.
Segundo Primavesi, é preciso criar e desenvolver tecnologias adaptadas às 'terras quentes do Sul', onde predomina o "clima tropical", assim como foram desenvolvidas tecnologias próprias para as 'terras frias do Norte', onde predomina o "clima temperado"; parece óbvio, mas o ensino agrícola no Brasil, especialmente no tocante à Ciência do solo, infelizmente é copiado do nosso 'irmão rico do Norte', que nos vende todo o seu "pacote tecnológico". A agropecuária poderá contribuir com a redução dos gases do efeito estufa, desde que se adotem práticas ecológicas de manejo, o que não significa abdicar dos avanços tecnológicos alcançados pelas ciências agrárias, basta aplicar um conjunto de técnicas simples para mudar a história:
• atingir uma produção ótima, não máxima, o que se pode obter com diversificação planejada, adubação verde, rotação de culturas e pousio, recuperando a fertilidade dos solos cultivados;
• cultivar plantas e animais os quais devem estar integrados e em harmonia com os mecanismos reguladores da natureza;
• observar a natureza e o ambiente agrícola, e desenvolver tecnologias adaptadas e adequadas, respeitando os sistemas biológicos naturais e as iniciativas locais;
O objetivo fundamental da agricultura convencional ou "moderna" continua sendo produtividade a qualquer preço, maximização dos lucros, retorno dos investimentos num menor período de tempo possível. Não há preocupação com os efeitos da tecnologia empregada sobre o meio ambiente e a sociedade. O modelo da agricultura convencional conduz ao exagerado consumo e desperdício de energia. Em 1973 com a crise do petróleo, obrigou, principalmente os governos dos países importadores, a buscar fontes de energia alternativa que permitisse a manutenção da produtividade e a redução dos custos de produção. Na década de 80, a agricultura dos países não industrializados, alicerçada nos princípios da "Revolução Verde", se aprofunda em crise; dependente de subsídios, que não mais existia, o aumento dos custos de produção, provocou desde então, um constante aumento da descapitalização, além de ter criado um ambiente desfavorável à produção, pela forma despreocupada de intervenção no meio ambiente. Nesta mesma época, houve um redescobrimento das bases filosóficas dos vários movimentos preocupados com uma agricultura permanente e auto-sustentável. Este renascer, não significava uma readaptação de velhas técnicas do passado, mas a redescoberta dos princípios harmônicos que norteiam a convivência do homem, consigo mesmo e com a natureza da qual ele faz parte.
Diversos estudos referentes a alimentos orgânicos já foram realizados, indicando que esses alimentos ganham em valor nutricional em relação aos convencionais. Além disso, a agricultura orgânica também traz muitos benefícios para o meio ambiente, promovendo a sustentabilidade, melhorando a biodiversidade e estabelecendo um equilíbrio ecológico. Além disso, a agricultura orgânica possui outras vantagens, tais como:
Como a agricultura orgânica envolve práticas como a rotação das plantações, associações simbióticas, proteção das plantações e lavoura mínima, o período durante o qual o solo fica exposto à erosão é menor, minimizando a perda de nutrientes e aumentando a produtividade do solo;
A poluição da água e do solo é reduzida devido ao fato de esse tipo de alimento ser produzido sem o uso de resíduos de fertilizantes, pesticidas, hormônios de crescimento, irradiação e antibióticos;
Ajuda a minimizar o efeito estufa e o aquecimento global, devido a sua capacidade de retirar carbono do solo;
Evita problemas com a fertilidade do solo ou com pragas. Esse tipo de cultivo, utiliza insumos de origem natural, como esterco, húmus de minhoca, farinha de osso, cinzas e farelo de mamona, além de extratos naturais de plantas para controle de possíveis pragas e doenças;
Uma variedade de produtos pode ser produzida organicamente, incluindo frutas, grãos, carne, laticínios, ovos e comida processada.
Algumas dicas práticas, no seu dia a dia, para economizar energia, diminuir o aquecimento global e proteger o planeta
Fonte: adaptado do "53 dicas práticas para você economizar energia e proteger o planeta" de Daniel Cassiano Lima - Biólogo (CRBio 27587/5-D)
Vale a pena lembrar ! Cada um faz sua parte independente de que o outro faça a dele …
1. Tampe suas panelas enquanto cozinha
Ao tampar as panelas, enquanto cozinha, você aproveita o calor que simplesmente se perderia no ar.
2. Aprenda a cozinhar em panela de pressão
Acredite... dá pra cozinhar tudo em panela de pressão: Feijão, arroz, macarrão, carne, peixe etc... Muito mais rápido e economizando 70% de gás.
3. Cozinhe com fogo mínimo
Não adianta, por mais que você aumente o fogo, sua comida não vai cozinhar mais depressa, pois a água não ultrapassa 100ºC em uma panela comum. Com o fogo alto, você vai é queimar sua comida.
4. Antes de cozinhar, retire da geladeira todos os ingredientes de uma só vez
Evite o abre-fecha da geladeira toda vez que seu cozido precisar de uma cebola, uma cenoura, etc...
5. Coma menos carne vermelha
A criação de bovinos é um dos maiores responsáveis pelo efeito estufa. Você já sentiu aquele cheiro quando você se aproximou de alguma fazenda/criação de gado? é o metano, um gás inflamável, poluente e, com cheiro desagradável. Além disso, a produção de carne vermelha demanda uma quantidade enorme de água. Para se ter uma idéia: para produzir 1kg de carne vermelha é necessário 200 litros de água potável. O mesmo quilo de frango só consome 10 litros. Além disso, a carne de frango é mais saudável que a carne vermelha.
6. Não troque o seu celular
Já foi o tempo que celular era sinal de status. Fique com o antigo pelo menos enquanto estiver funcionando perfeitamente ou em bom estado. Celulares trouxeram muita comodidade à nossa vida, mas utilizam de derivados de petróleo em suas peças e metais pesados em suas baterias.
7. Compre um ventilador de teto
Nem sempre faz calor suficiente para se ligar o ar condicionado. Na maioria das vezes, um ventilador de teto é o ideal para refrescar o ambiente gastando 90% menos de energia. Combinar o uso dos dois também é uma boa idéia: regule seu ar condicionado para o mínimo e ligue o ventilador de teto.
8. Use somente pilhas e baterias recarregáveis
É certo que são caras, mas o uso a médio e longo prazo se pagam com muito lucro. Duram anos e podem ser recarregadas em média 1000 vezes.
9. Limpe ou troque os filtros do seu ar condicionado
Um ar condicionado sujo representa 158 quilos de gás carbônico a mais na atmosfera por ano.
10.Troque suas lâmpadas incandescentes por fluorescentes
Lâmpadas fluorescentes gastam 60% menos energia que uma incandescente. Assim, você economizará 136 quilos de gás carbônico anualmente.
11.Escolha eletrodomésticos de baixo consumo energético
Procure por aparelhos com o selo do Procel (no caso de nacionais) ou Energy Star (no caso de importados).
12.Não deixe seus aparelhos em standby
Simplesmente desligue ou tire da tomada quando não estiver usando um eletrodoméstico. A função de standby de um aparelho usa cerca de 15% a 40% da energia consumida quando ele está em uso.
13.Mude sua geladeira ou freezer de lugar
Ao colocá-los próximos ao fogão, eles utilizam muito mais energia para compensar o ganho de temperatura. Mantenha-os afastados pelos menos 15cm das paredes para evitar o superaquecimento. Colocar roupas e tênis para secar atrás deles então, nem pensar!
14.Descongele geladeiras e freezers antigos a cada 15 ou 20 dias
O excesso de gelo reduz a circulação de ar frio no aparelho, fazendo que gaste mais energia para compensar. Se for o caso, considere trocar de aparelho. Os novos modelos consomem até metade da energia dos modelos mais antigos, o que subsidia o valor do eletrodoméstico a médio/longo prazo.
15.Use a máquina de lavar roupas/louça só quando estiverem cheias
Caso você realmente precise usá-las com metade da capacidade, selecione os modos de menor consumo de água. Se você usa lava-louças, não é necessário usar água quente para pratos e talheres pouco sujos. Só o detergente já resolve.
16.Retire imediatamente as roupas da máquina de lavar quando estiverem limpas
As roupas esquecidas na máquina de lavar ficam muito amassadas, exigindo muito mais trabalho e tempo para passar e consumindo assim muito mais energia elétrica.
17.Tome banho de chuveiro
E de preferência, rápido. Um banho de banheira consome até quatro vezes mais energia e água que um chuveiro.
18.Use menos água quente
Aquecer água consome muita energia. Para lavar a louça ou as roupas, prefira usar água morna ou fria.
19.Pendure ao invés de usar a secadora
Você pode economizar mais de 317 quilos de gás carbônico se pendurar as roupas durante metade do ano ao invés de usar a secadora.
20.Nunca é demais lembrar: recicle
Recicle no trabalho e em casa. Lembre-se de que o material reciclável deve ser lavado (no caso de plásticos, vidros e metais) e dobrado (papel).
21. Faça compostagem
Cerca de 3% do metano que ajuda a causar o efeito estufa é gerado pelo lixo orgânico doméstico. Aprenda a fazer compostagem: além de reduzir o problema, especialmente nas cidades, a compostagem reduz pela metade o lixo e, em consequência diminui o trabalho e, o mais importante, polui menos o meio ambiente. Todos ganham com a transformação do lixo em composto orgânico! as prefeituras, os recolhedores do lixo, a população que terá uma cidade mais limpa e com menos cheiro desagradável, a horta, o jardim e até as plantas ornamentais cultivadas em vaso, pois terão um adubo natural de ótima qualidade e barato feito em casa, sem poluir o meio ambiente. Veja como preparar e os cuidados que se deve ter para produzir um adubo natural de boa qualidade através das matérias já postadas neste blog em 29/11/2010.
22.Reduza o uso de embalagens
Embalagem menor é sinônimo de desperdício de água, combustível e recursos naturais. Prefira embalagens maiores, de preferência com refil. Evite ao máximo comprar água em garrafinhas, leve sempre com você a sua própria. Não peça comida para viagem . Se você já foi até o restaurante ou à lanchonete, que tal sentar um pouco e curtir sua comida ao invés de pedir para viagem? Assim você economiza as embalagens de plástico e isopor utilizadas.
23.Compre papel reciclado
Produzir papel reciclado consome de 70 a 90% menos energia do que o papel comum, e poupa nossas florestas.
24.Utilize uma sacola para as compras
Sacolinhas plásticas descartáveis são um dos grandes inimigos do meio-ambiente. Elas não apenas liberam gás carbônico e metano na atmosfera, como também poluem o solo e o mar. Quando for ao supermercado, leve uma sacola de feira ou suas próprias sacolinhas plásticas.
25.Plante uma árvore
Uma árvore absorve uma tonelada de gás carbônico durante sua vida. Plante árvores no seu jardim ou inscreva-se em programas como o SOS Mata Atlântica ou Iniciativa Verde.
26.Compre alimentos produzidos na sua região
Fazendo isso, além de economizar combustível, você incentiva o crescimento da sua comunidade, bairro ou cidade.
27.Compre alimentos frescos ao invés de congelados
Comida congelada além de mais cara, consome até 10 vezes mais energia para ser produzida. É uma praticidade que nem sempre vale a pena.
28.Compre ou produza seus alimentos orgânicos
Por enquanto, alimentos orgânicos são um pouco mais caros, pois a demanda é maior que a oferta no Brasil. Mas você sabia que, além de não usar agrotóxicos e fertilizantes químicos, os orgânicos respeitam os ciclos de vida de animais, insetos e ainda por cima absorvem mais gás carbônico da atmosfera que a agricultura "tradicional"? Se toda a produção de soja e milho dos EUA fosse orgânica, cerca de 240 bilhões de quilos de gás carbônico seriam removidos da atmosfera. Portanto, incentive o comércio de orgânicos para que os preços possam cair com o tempo. Se dispor de pequeno terreno, faça sua horta orgânica, pois é fácil, o custo é mais barato, os alimentos são mais saudáveis e nutritivos, é uma forma de terapia ocupacional e, oportunidade de fazer exercícios ao ar livre e, o mais importante, não polui o meio ambiente. Em 10 m2 de terreno é possível produzir hortaliças de ciclo curto para toda a família; mesmo em apartamento é possível, em recipientes, produzir algumas hortaliças, temperos e plantas medicinais! Experimente!
29.Ande menos de carro, mantenha o carro regulado e ao trocar, escolha um modelo menos poluente : use menos o carro e mais o transporte coletivo (ônibus, metrô) ou o "limpo" (bicicleta ou a pé). Se você deixar o carro em casa 2 vezes por semana, deixará de emitir 700 quilos de poluentes por ano. . Se não tiver que carregar peso excessivo, prefira caminhar, pois assim, além de não poluir o ar com a descarga do carro, ainda evita de se estressar, procurando lugar para estacionar, especialmente nas grandes cidades. Calibre os pneus a cada 15 dias e faça uma revisão completa a cada seis meses, ou de acordo com a recomendação do fabricante. Carros regulados poluem menos. A manutenção correta de apenas 1% da frota de veículos mundial representa meia tonelada de gás carbônico a menos na atmosfera. Apesar da dúvida sobre o álcool ser menos poluente que a gasolina ou não, existem indícios de que parte do gás carbônico emitido pela sua queima é reabsorvida pela própria cana de açúcar plantada. Carros menores e de motor 1.0 poluem menos. Em cidades como São Paulo, onde no horário de pico anda-se a 10km/h, não faz muito sentido ter carros grandes e potentes para ficar parados nos congestionamentos.
30. Não deixe o bagageiro vazio em cima do carro
Qualquer peso extra no carro causa aumento no consumo de combustível. Um bagageiro vazio gasta 10% a mais de combustível, devido ao seu peso e aumento da resistência do ar.
31.Lave o carro à seco
Existem diversas opções de lavagem sem água, algumas até mais baratas do que a lavagem tradicional, que desperdiça centenas de litros a cada lavagem.
32.Use o telefone ou a Internet
A quantas reuniões de 15 minutos você já compareceu esse ano, para as quais teve que dirigir por quase uma hora para ir e outra para voltar? Usar o telefone ou skype pode poupar você de stress, além de economizar um bom dinheiro e poupar a atmosfera.
33.Voe menos, faça reuniões por videoconferência
Reuniões por videoconferência são tão efetivas quanto as presenciais. E deixar de pegar um avião faz uma diferença significativa para a atmosfera.
34.Economize CDs e DVDs
CDs e DVDs sem dúvida são mídias eficientes e baratas, mas você sabia que um CD leva cerca de 450 anos para se decompor e que, ao ser incinerado, ele volta como chuva ácida (como a maioria dos plásticos)? Utilize mídias regraváveis, como CD-RWs, drives USB ou mesmo e-mail ou FTP para carregar ou partilhar seus arquivos. Hoje em dia, são poucos arquivos que não podem ser disponibilizados virtualmente ao invés de em mídias físicas.
35.Proteja as florestas
Em tempos de aquecimento global, as árvores precisam de mais defensores do que nunca. O papel delas no aquecimento global é crítico, pois mantém a quantidade de gás carbônico controlada na atmosfera. Veja em matéria já postada neste blog no link "Publicações", a importância das florestas para o meio ambiente.
36.Considere o impacto de seus investimentos e informe-se sobre a política ambiental das empresas
O dinheiro que você investe não rende juros sozinho. Isso só acontece quando ele é investido em empresas ou países que dão lucro. Na onda da sustentabilidade, vários bancos estão considerando o impacto ambiental das empresas em que investem o dinheiro dos seus clientes. Informe-se com o seu gerente antes de escolher o melhor investimento para você e o meio ambiente. Seja o banco onde você investe ou o fabricante do shampoo que utiliza, todas as empresas deveriam ter políticas ambientais claras para seus consumidores. Ainda que a prática esteja se popularizando, muitas empresas ainda pensam mais nos lucros e na imagem institucional do que em ações concretas. Por isso, não olhe apenas para as ações que a empresa promove, mas também a sua margem de lucro. Será mesmo que eles estão colaborando tanto assim? fiscalize e divulgue!
37.Desligue o computador e considere trocar seu monitor
Muita gente tem o péssimo hábito de deixar o computador de casa ou da empresa ligado ininterruptamente, às vezes fazendo downloads, às vezes simplesmente por comodidade. Desligue o computador sempre que for ficar mais de 2 horas sem utilizá-lo e o monitor por até quinze minutos. O maior responsável pelo consumo de energia de um computador é o monitor. Monitores de LCD são mais econômicos, ocupam menos espaço na mesa e estão ficando cada vez mais baratos. O que fazer com o antigo? Doe a instituições como o Comitê para a Democratização da Informática.
38. No escritório, desligue o ar condicionado uma hora antes do final do expediente
Num período de 8 horas, isso equivale a 12,5% de economia diária, o que equivale a quase um mês de economia no final do ano. Além disso, no final do expediente a temperatura começa a ser mais amena.
39.Não permita o desperdício de água: banho de mangueira, guerrinha de balões de água e toda sorte de brincadeiras com água são, sem dúvida, divertidas, mas passam a equivocada idéia de que a água é um recurso infinito, justamente para aqueles que mais precisam de orientação, as crianças. Não deixe que seus filhos brinquem com água, ensine a eles o valor desse bem tão precioso. Cuidado com as torneiras; uma torneira aberta gasta de 12 a 20 litros de água por minuto e se estiver pingando, são 46 litros por dia. A cada 5 minutos, num banho de chuveiro, são gastos cerca de 30 litros de água, enquanto que um banho de banheira gasta, em média, 80 litros de água
40.Participe de ações virtuais
A Internet é uma arma poderosa na conscientização e mobilização das pessoas. Um exemplo é o site ClickÁrvore, que planta árvores com a ajuda dos internautas. Informe-se e aja!
41. Regue as plantas à noite e, no verão, procure utilizar sombrite, coberturas mortas e vivas
Ao regar as plantas à noite ou pela manhã, bem cedinho, você impede que a água se perca pela evaporação, e também evita choques térmicos que podem agredir suas plantas. O uso de sombrite, além de proteger as plantas das elevadas temperaturas e da fortes chuvas típicas do verão, economiza água. As coberturas mortas e vivas protege o solo evitando a erosão do solo e conservando a umidade. Neste blog, em matéria postada em 04/07/2011 você terá mais informações sobre estas tecnologias para produção de alimentos orgânicos.
42. Frequente restaurantes naturais/orgânicos
Com o aumento da consciência para a preservação ambiental, uma gama enorme de restaurantes naturais, orgânicos e vegetarianos está se espalhando pelas cidades. Ainda que você não seja vegetariano, experimente os novos sabores que essa onda verde está trazendo e assim estará incentivando o mercado de produtos orgânicos, livres de agrotóxicos e menos agressivos ao meio-ambiente.
43.Vá de escada
Para subir até dois andares ou descer três, que tal ir de escada? Além de fazer exercício, você economiza energia elétrica dos elevadores.
44.Faça sua voz ser ouvida pelos seus representantes
Use a Internet, cartas ou telefone para falar com os seus representantes em sua cidade, estado e país. Mobilize-se e certifique-se de que os seus interesses - e de todo o planeta - sejam atendidos.
45. Dia do livro: que tal desligar a televisão uma vez por semana e passar parte da noite lendo um livro ou brincando com as crianças? além de economizar energia, você ganhará saúde.
46.Divulgue essa lista! Envie essa lista por e-mail para seus amigos.
O planeta terra, o meio ambiente e a saúde de todos nós agradecem! reproduza-a livremente!
segunda-feira, 12 de março de 2012
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Ao iniciarmos o ano de 2012, renovamos a nossa esperança e a nossa fé em um mundo melhor, com paz, harmonia e amor construídos por pequenos gestos de compreensão, solidariedade, respeito, fraternidade e consciência ecológica. O mundo não podemos mudar, mas podemos mudar a nós mesmos. Cada um fazendo a sua parte, teremos um mundo melhor onde a natureza convive em paz com o homem! Que tal começarmos a ter uma maior consciência ecológica? Tudo o que existe foi criado por Deus e entregue ao homem e à mulher. Mas o que a humanidade vem fazendo com a criação de Deus? O que você tem feito de concreto para contribuir com essa campanha de conscientização sobre a importância da preservação do meio ambiente e da saúde pública?
Deus colocou o homem no mundo como gerente da criação como um todo e, lhe deu algumas ordens: cuidar da criação, de onde tiraria seu sustento, protegê-la e preservá-la, conhecê-la, estudá-la, para assim conhecer melhor a si mesmo e a Deus. O homem não é o soberano senhor, mas o responsável diante de Deus pelo emprego correto dos recursos naturais e pela preservação das demais espécies. Nossa tarefa é contribuir para que a criação seja protegida e, a nossa postura em relação a poluição ambiental, ao uso de agroquímicos, o desflorestamento, o aquecimento global e muito mais, deve ser para agradar a Deus e honrar Ele como criador de todas as coisas. Crer também é cuidar da flora, fauna e recursos naturais! A fé no Deus criador e na criação de Deus deveria, ao natural, nos levar ao engajamento concreto e prático em defesa da vida. Deveríamos ser ecológicos como é o Deus da nossa fé, o criador e defensor da vida. A Terra é a nossa casa comum, é o único lugar que temos para habitar. Mas ela não é somente nossa. É o espaço de muitos povos de hoje e do futuro e de uma infinidade de outras formas de vida.
Atualmente, o problema da poluição ambiental não está somente nas periferias das grandes cidades, mas também nos que vivem longe delas. O ar tóxico desprendido pelas fábricas entra nas casas de todos, independente de onde foi originada a emissão. A água e o solo contaminados por chorume e agroquímicos (adubos químicos e agrotóxicos), contaminam as fontes de água e os alimentos. Fazer a sua parte e alertar, esclarecer e orientar quem esteja perto é compromisso de todos. A cada ano a igreja católica no Brasil propõe um tema de reflexão para o período da quaresma, através da campanha da fraternidade, no sentido de ser um instrumento de ajuda para cada cristão(a) se preparar melhor para páscoa.
Neste ano, a campanha da fraternidade, promovida desde 1964 pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), propõe um tema de reflexão para o período da quaresma: "A Fraternidade e Saúde Pública". O lema da campanha "Que a saúde se difunda sobre a terra!" destaca a responsabilidade humana. O objetivo é despertar a solidariedade dos fiéis e de toda a sociedade em relação a um problema concreto que envolve todo o país, buscando uma solução para o mesmo. Saúde não é uma coisa só do corpo, mas do conjunto do ser humano, corpo, alma, mente, afeto, sexualidade e espiritualidade. A igreja deseja sensibilizar a todos sobre a dura realidade das pessoas que não têm acesso à assistência de saúde pública condizente com suas necessidades e dignidade.
A saúde é um dom de Deus confiado ao ser humano. Quanto mais cada um cuidar de si preventivamente e, dos que convivem com ele, melhor para todos e para o planeta! Cada um de nós precisa fazer a sua parte, preservando e melhorando as condições de vida no planeta, pois consciência ambiental e saúde estão diretamente relacionados. Uma pergunta que não quer calar: Para que utilizar adubos químicos e agrotóxicos na produção de alimentos quando já temos pesquisas comprovando que o adubo natural e os produtos alternativos para o manejo de pragas e doenças (ver matérias já postadas neste blog), produzidos na propriedade são mais baratos, eficientes e, o melhor, proporcionam alimentos mais nutritivos, não oferecem riscos ao meio ambiente e, especialmente à saúde pública?
. A contaminação dos alimentos com agrotóxicos e o uso de herbicidas (capina química) nas cidades são problemas de saúde pública
Pesquisa da ANVISA – em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ – realizada desde 2001 com frutas e hortaliças produzidas com agrotóxicos e adubos químicos, nos maiores centros consumidores do Brasil, comprova que várias espécies cultivadas estão seriamente contaminadas por resíduos de agrotóxicos e, o que é pior, por produtos não autorizados para as culturas. Relatório recente da Anvisa, em 26 estados, pesquisando 18 espécies (frutas e hortaliças) em 2010, a exemplo de 2009, revela que 696 amostras (28%) de um total de 2.488 amostras coletadas em todo o país, estavam contaminadas com resíduos de agrotóxicos, alcançando no pimentão, morango, pepino, alface, cenoura, abacaxi, beterraba, couve e mamão até 91,8; 63,4; 57,4; 54,2; 49,6; 32,8; 32,6; 31,9 e 30,4 % de amostras contaminadas, respectivamente. Os agrotóxicos encontrados nos cultivos são ingredientes ativos com alto grau de toxicidade aguda comprovada e, que causam problemas neurológicos, reprodutivos, de desregulação hormonal e até câncer.
Os problemas do uso de agrotóxicos não se resumem apenas a contaminação dos alimentos. E muito comum tanto na zona rural como nas cidades o uso de herbicidas para eliminar as "plantas daninhas", "mato ou inços" com graves implicações destes produtos no meio ambiente, pois eles ao serem lixiviados (lavados) pela água das chuvas ou irrigação vão parar nas fontes de água.
É a chamada capina química, onde são utilizados os herbicidas com inúmeras conseqüências ao meio ambiente e à saúde das pessoas, especialmente quando não são usados os equipamentos de proteção individual. Além de contaminar o meio ambiente, pode contaminar as pessoas através das poças d'água, inalação e vento.
Felizmente, pelo menos em Santa Catarina, existe uma lei estadual que proíbe o uso de herbicidas nas cidades, pois não tem como impedir o trânsito de pedestres no momento da aplicação e, pelo menos 24 horas após. A proibição é para todos os tipos de herbicidas! Não existe herbicida mais ou menos ecológico como alguns estão tentando vender o "Mata-Mato" e outros produtos proibidos para aplicação em zona urbana! Infelizmente, devido a falta de uma consciência ecológica das pessoas e uma maior fiscalização, ainda é prática comum nas cidades, colocando em risco a saúde pública.
Por favor, faça a sua parte! denuncie!
O MEIO AMBIENTE E A SAÚDE PÚBLICA AGRADECEM!
Esta cena não deveria ser mais vista nas cidades em Santa Catarina Figura 1.
Lei estadual 6.288/02 aprovada pela câmara dos deputados em 12/08/2009, proíbe capina química em área urbana nas cidades de Santa Catarina. A partir de 15/01/2010, a Anvisa também proibiu a aplicação de herbicidas em área urbana. Além de contaminar o meio ambiente, pode contaminar as pessoas através das poças d'água e vento.
. O uso de agrotóxicos e as consequências para a saúde das pessoas
Todos os herbicidas causam preocupações em termos de saúde pública. Os principais são: 2,4D, glifosato (round-up) e paraquat (gramoxone).
O paraquat provoca, quando absorvido, especialmente por via digestiva, lesões hepáticas e renais e principalmente, fibrose pulmonar irreversível, determinando a morte em cerca de 2 semanas, por insuficiência respiratória; causa lesões na pele (via dérmica); causa lesões graves nas mucosas (via oral), sangramento pelo nariz, mal-estar, fraqueza e até ulcerações na boca; Torna as unhas quebradiças; produz conjuntivite ou opacidade da córnea (contato com os olhos).
O 2,4D é bem absorvido pela pele, via digestiva e inalação, determinando de forma aguda, alterações da glicemia de forma transitória e ainda pode simular um quadro clínico de diabetes, além de alterações neuro-musculares provocando um processo inflamatório dos nervos longos dos membros inferiores e superiores.
O Glifosato (round-up) causa problemas dermatológicos, principalmente dermatite de contato. Além disso, é irritante de mucosas, principalmente da mucosa ocular.
Em relação aos agrotóxicos utilizados no controle de pragas e doenças das culturas, os principais sinais e sintomas de envenenamento são:
irritação ou nervosismo; ansiedade e angústia; tremores no corpo; indisposição, fraqueza e mal estar, dor de cabeça, tonturas, vertigem, náuseas, vômitos, cólicas abdominais; alterações visuais; respiração difícil, com dores no peito e falta de ar; queimaduras e alterações da pele; dores pelo corpo inteiro; irritação de nariz, garganta e olhos; urina alterada; convulsões ou ataques; desmaios, perda de consciência e até o coma.
. Intoxicações e mortes causadas pelos agrotóxicos em Santa Catarina
Um exemplo das sérias conseqüências à saúde humana do uso crescente e abusivo de agrotóxicos são os casos de intoxicação e mortes registradas no Centro de Informações Toxicológicas – CIT (UFSC), em Florianópolis, SC. No período de 1984 a 2010, o CIT detectou 11.801 intoxicações de agricultores e 263 mortes em Santa Catarina (Fonte: www.cit.sc.gov.br).
Segundo os técnicos, isto representa apenas uma pequena parte da realidade; os números são, na verdade, bem maiores. Estima-se que, para cada caso registrado, existam mais 10 que não são registrados devido à dificuldade no diagnóstico correto. Tendo em vista o aumento significativo na última década nos casos de intoxicação de pessoas por agrotóxicos em Santa Catarina em até 70% (década de 90 - 350 pessoas intoxicadas registradas por ano, enquanto que na última década chegou a 600 pessoas intoxicadas por ano), apelamos para que as pessoas denunciem para a vigilância sanitária de seu município, quando houver aplicação de herbicidas em sua cidade.
. O que pode ser feito pelo consumidor para diminuir a ingestão de agrotóxicos?
Optar por alimentos certificados como, por exemplo, os orgânicos, e por alimentos da época, que a princípio necessitam de uma carga menor de agrotóxicos para serem produzidos. A orientação é procurar produtos com a origem identificada (nas feiras, por exemplo, é possível conversar diretamente com o produtor) pois, isto aumenta o comprometimento dos produtores em relação à qualidade dos alimentos, com a adoção das boas práticas agrícolas. Outra opção, a ideal, para quem dispor de pequena área (10 m2 é suficiente para produzir as principais hortaliças de ciclo curto para uma família) é ter sua própria horta orgânica, pois é fácil, mais barato, os alimentos são mais nutritivos, podem ser colhidos próximo a hora de consumir (frescos), além de ser uma boa oportunidade de fazer exercícios ao ar livre e, o melhor, não oferece riscos à saúde das pessoas e ao meio ambiente. O CAPS – Centro de Atenção Psicossocial da secretaria de saúde de Urussanga, SC, está fazendo a sua parte; desde outubro/2010 mais de 20 hortaliças foram colhidos na horta orgânica conduzida por pacientes e voluntários. Além de produzir hortaliças frescas e saudáveis, a horta serve como terapia ocupacional, é uma forma de economizar e, o mais importante, não coloca em risco o tratamento das pessoas através de uma série de medicamentos utilizados, pois os alimentos contaminados podem interagir com estes e comprometer ainda mais a saúde destas pessoas. Nas instituições que tratam as pessoas doentes, já com a saúde debilitada, é fundamental que os alimentos sejam saudáveis.
É importante lembrar que a lavagem dos alimentos contribui para a retirada de apenas parte dos agrotóxicos, ou seja, os produtos chamados de contato (que agem externamente). Para os agrotóxicos sistêmicos, ou seja, aqueles que, quando aplicados nas plantas, circulam através da seiva por todos os tecidos vegetais, de forma a se distribuir uniformemente e ampliar o seu tempo de ação, não adianta lavar os alimentos, pois os resíduos de agrotóxicos foram absorvidos pelos tecidos internos da plantas. A água sanitária não remove resíduos de agrotóxicos dos alimentos. Soluções de hipoclorito de sódio (água sanitária ou solução) devem ser usadas para a higienização dos alimentos na proporção de uma colher de sopa para um litro de água com o objetivo apenas de matar agentes microbiológicos que possam estar presentes nos alimentos.
. Os efeitos dos adubos químicos no meio ambiente e na saúde das pessoas
A maioria dos adubos químicos utilizados atualmente, além de acidificar o solo, tornando a prática da calagem necessária, são altamente solúveis e, por isso, contaminam os rios devido à erosão e, o que é pior, juntamente com os agrotóxicos, contaminam o meio ambiente. Os adubos químicos são hidrossolúveis (dissolvem-se na água), sendo que: 1) uma parte é rapidamente absorvida pelas raízes das plantas; 2) a maior parte é lixiviada, ou seja, é lavada pelas águas das chuvas e regas, indo poluir rios, lagos, poços e lençóis freáticos; 3) há ainda uma terceira parte que se evapora, como no caso dos adubos nitrogenados (como a uréia) que sob a forma de óxido nitroso contribui para destruir a camada de ozônio da atmosfera, sendo uma das causas do aquecimento global. Os agroquímicos deixam as plantas mais suculentas para as doenças e pragas e, o que é pior, destroem os inimigos naturais (seres que se alimentam das doenças e insetos-pragas) e ainda prejudicam a vida do solo. Com o tempo, os agrotóxicos matam as doenças e insetos-pragas mais fracos e vão ficando só os mais fortes e, em consequência, devido à seleção natural, ficam resistentes aos agrotóxicos e, por isso, as empresas que produzem tem que descobrir novos produtos, cada vez mais perigosos, para serem aplicados na agricultura.
Dessa forma, alguns insetos que não eram pragas passam a atacar os cultivos. O revolvimento intenso do solo com máquinas e equipamentos, favorecendo a erosão, faz com que se utilize cada vez mais adubos químicos, exigidos em quantidades cada vez maiores pelas cultivares modernas criadas e, em conseqüência do desequilíbrio nutricional do solo, as plantas tornam-se mais susceptíveis às pragas e doenças, exigindo cada vez mais agrotóxicos. O uso de adubos químicos faz com que os aminoácidos (proteínas) se apresentem em forma livre, ao contrário da adubação orgânica onde os aminoácidos formam cadeias complexas, não estando disponível às pragas. Os problemas do uso dos adubos químicos na produção de alimentos, não param por aí! O uso de adubos nitrogenados, especialmente a uréia, provoca o acúmulo de nitratos e nitritos nos tecidos das plantas. O nitrato ingerido passa a corrente sanguínea e reduz-se a nitritos que, combinado com aminas, forma as nitrosaminas, substâncias cancerígenas. O aumento rápido do teor de nitrato nas plantas é a conseqüência mais conhecida do crescente uso de adubos químicos nitrogenados, utilizados na agricultura convencional, para aumentar rapidamente a produtividade de hortaliças de folhas como a alface, couve, agrião, chicória etc. Porém, o uso excessivo deste fertilizante associado à irrigação freqüente, faz com que ocorra acúmulo de nitrato (NO3-) e nitrito (NO2-) nos tecidos de plantas. Resultados de pesquisa em alface revelaram que no cultivo orgânico, cultivo convencional e hidropônico (cultivo de plantas sem solo) são acumulados 565,4; 2782,1 e 3.093,4 mg/kg de nitrato, respectivamente. Segundo a FAO - Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, o índice máximo de ingestão diária admissível de nitratos é de 5 mg/kg de peso vivo e 0,2 mg/kg para nitritos. Ou seja: uma pessoa de 70 kg comendo entre 4 e 9 folhas de alface hidropônica, por 1 dia, já estará atingindo a dose máxima de nitratos permitida. Já no sistema orgânico esta mesma pessoa poderia comer mais de 50 folhas, sem riscos para a saúde.
. De que forma podemos substituir os adubos químicos? A adubação orgânica substitui com inúmeras vantagens os adubos químicos pois, além de ser mais barata, ainda melhora a qualidade dos alimentos, sem riscos para a saúde das pessoas.
A agricultura orgânica é a saída, pois ao contrário da agricultura convencional, trata o solo como um "organismo vivo", ou seja, revolvendo o solo o mínimo possível, sem uso de agroquímicos e priorizando a adubação orgânica, rotação e consorciação de culturas, cultivo mínimo, plantio direto e outras, que favorecem os cultivos e, desfavorecem as pragas e doenças. A ocorrência de insetos-pragas e doenças são a conseqüência e não a causa do problema. Por isso, em agricultura orgânica tratam-se as causas para que os resultados sejam os mais duradouros e equilibrados possíveis. De maneira simples, pode-se dizer que a matéria orgânica é a parte do solo que já foi ou ainda é viva. É a matéria orgânica que dá a cor escura aos solos; em solo muito claro, aparentemente sem vida, "fraco", é provável que o teor de matéria orgânica seja muito baixo (Figura 2). A vida do solo depende da matéria orgânica que mantém a sua estrutura porosa (fofa), sem compactação, proporcionando a vida vegetal graças à entrada de ar, água e nutrientes. Além de estimular a saúde natural das plantas, aumentando a resistência às doenças, pragas e ao "mato" e, ao clima adverso e, especialmente melhorando a vida no solo, a adubação orgânica diminui o custo de produção dos cultivos e, ainda reduz a acidez do solo. Além disso a adubação orgânica aumenta a penetração das raízes e a oxigenação do solo. Possui macronutrientes (Nitrogênio, Fósforo e Potássio - NPK, Cálcio, Magnésio e Enxofre) e micronutrientes em quantidades bem equilibradas, que as plantas absorvem conforme a necessidade, em quantidade e qualidade. Por outro lado, nas inúmeras fórmulas de adubos químicos só existem os macronutrientes NPK – nitrogênio, fósforo e potássio que, ao serem aplicados de forma exagerada, ainda contribuem para acidificar e salinizar o solo. Na adubação orgânica, as perdas dos nutrientes com as chuvas intensas e frequentes são bem menores, quando comparado a adubação química (altamente solúvel). Mas as vantagens da adubação orgânica não param por aí ! ela melhora também a qualidade dos alimentos, tornando-os mais ricos em vitaminas, aminoácidos, sais minerais, matéria seca e açúcares, além de serem mais aromáticos, saborosos e de melhor conservação pós-colheita.
Outra vantagem da adubação orgânica é a oportunidade de fazer a compostagem (adubo natural), especialmente nas cidades, reduzindo pela metade o lixo e, diminuindo o trabalho e, o mais importante, poluindo menos o meio ambiente. Todos ganham com a transformação dos resíduos domésticos em composto orgânico, ou seja, adubo natural! As prefeituras, os recolhedores do lixo, a população que terá uma cidade mais limpa e com menos cheiro desagradável, a horta, o jardim e até as plantas ornamentais, pois terão um adubo de ótima qualidade e barato feito em casa, sem poluir o meio ambiente. Em matérias já publicadas neste blog, mostramos, passo a passo, como fazer a compostagem e utilizar a adubação verde.
Figura 2. Representação de um solo cultivado no sistema convencional (com revolvimento excessivo do solo, compactado e com alto grau de erosão) e um solo orgânico (solo tratado como "organismo vivo").
. O uso de raticidas é um problema de saúde pública
Inundações, enchentes, terremotos, secas, deslizamentos, tsunamis… Até que ponto os recentes desastres ocorridos no planeta podem ser considerados apenas acaso da natureza? Qual a responsabilidade e interferência do ser humano sobre os últimos acontecimentos? Quanto maior a consciência ambiental, melhor será a saúde das pessoas. No mundo há tantas doenças devido aos produtos químicos, que são utilizados de forma exagerada, irresponsável e inadequada, contaminando e poluindo o ar, as fontes de água e, principalmente os alimentos.
Dentre os roedores, os ratos são os que mais causam prejuízos às pessoas tanto na agricultura como nas residências e, o que é pior, podem transmitir doenças tais como a leptospirose. É uma doença infecciosa causada por uma bactéria chamada Leptospira presente na urina do rato. Em situações de enchentes e inundações, a urina dos ratos, presente em esgotos e bueiros, mistura-se à enxurrada e à lama das enchentes. Qualquer pessoa que tiver contato com a água ou lama contaminadas poderá se infectar. A Leptospira penetra no corpo pela pele, através de algum ferimento ou arranhão. Na época de seca, a bactéria oferece riscos à saúde humana através do contato com água ou lama de esgoto, lagoas ou rios contaminados e terrenos baldios onde existem ratos. O controle dos ratos mais conhecido é através de raticidas, embora eficientes, são substâncias químicas de alta periculosidade. O problema é a contaminação do meio ambiente e das pessoas e, especialmente, crianças que não tem noção do perigo e animais. No Centro de Intoxicações Toxicológicas – CIT, do Hospital Universitário da UFSC (www.cit.sc.gov.br), verifica-se mensalmente um elevado número de intoxicações de pessoas com raticidas e, o que é pior, o número de casos está aumentando. Comparando-se os registros no período de 1984/1988 (130 pessoas intoxicadas e 7 animais intoxicados) em relação ao período de 2004/2008 (1.423 pessoas e 79 animais intoxicados), verifica-se um aumento de 1.094 e 1.128%, respectivamente
Controle ecológico de ratos com feijão cru moído
Como fazer: pegue uma xícara de qualquer feijão cru (sem lavar mesmo), coloque no multiprocessador, ou liquidificador (SEM ÁGUA) e triture até virar uma farofinha bem fininha, mas sem virar totalmente pó.
Onde colocar: coloque em montinhos (uma colher de chá) nos cantos do chão, perto das portas, e janelas (sim, eles as escalam), atrás da geladeira, atrás do fogão, atrás de tudo!
O que acontece: o rato come essa farofinha, mas ele não tem como digerir o feijão (cru), por falta de substâncias que digerem feijão cru, causando assim um envenenamento natural por fermentação. Os ratos morrem em até 3 dias. E o mais importante, não tem contra-indicação: ao contrário dos tradicionais venenos, o rato morre e não contamina animais de estimação que por sua vez morreriam por terem comido o rato envenenado. E a quantidade de feijão que ele ingeriu e morreu é insuficiente para matar um cão ou gato, mesmo porque estes gostam de MATAR pra comer... mas morto eles não os comem. Se tiver crianças pequenas (bebês) num período que ainda engatinham, fase que colocam tudo na boca, não faz mal algum, pois o feijão para o ser humano, mesmo cru é digerido.
Controle de ratos com ratoeira ecológica
Como fazer (Figura 3):
basta uma lata, um arame grosso, uma espiga de milho e água. Enche-se meia lata com água e coloca-se o arame transpassando a espiga, depois se coloca um suporte (ripa) para que os ratos possam chegar até a borda da lata. Quando eles forem comer o milho, escorregam, pois a espiga rola, e eles ficam presos na água. A armadilha também pode ser feita com garrafa pet para controlar camundongos em residências.
Por favor, repassem a todos! Faça a sua parte!
O MEIO AMBIENTE E A SAÚDE DE TODOS NÓS AGRADECEM!
Figura 3.
Ratoeira ecológica (foto de Hernandes Werner)
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sexta-feira, 27 de abril de 2012
terça-feira, 17 de abril de 2012
terça-feira, 3 de abril de 2012
Entrevista com a professora da (UFC) Raquel Rigotto “O uso seguro de agrotóxicos é um mito”
ENTREVISTA COM,
Raquel Rigotto, professora do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), participou como palestrante do Seminário Nacional Contra o Uso de Agrotóxicos, realizado de 14 a 16 de setembro na Escola Nacional Florestan Fernandes – Guararema, São Paulo. Coordenadora do Núcleo Tramas – Trabalho, Meio Ambiente e Saúde, pesquisa a relação entre agrotóxicos, ambiente e saúde no contexto da modernização agrícola no estado do Ceará. Nesta entrevista, ela defende o debate sobre uso de agrotóxicos como um tema estratégico e critica a ideia de que é possível utilizá-los de forma segura.
Qual a importância da discussão sobre agrotóxicos na atual conjuntura?
Os agrotóxicos não podem ser vistos apenas como um conjunto de substâncias químicas que pode causar riscos químicos à saúde. Eles precisam ser entendidos no contexto em que são utilizados, que envolve o processo de modernização agrícola conservadora em curso no Brasil, que tem a ver com a reestruturação produtiva no campo e a divisão internacional da produção e do trabalho, na qual cabe ao Brasil a produção de commodities de origem agrícola. Esse contexto mais geral precisa ser considerado, assim como o entendimento do agronegócio não apenas em sua dimensão de latifúndios e monoculturas, mas também como um subsistema técnico e político que envolve o capital financeiro, a indústria química, a indústria de biotecnologia, sementes, fertilizantes, tratores, enfim, toda a indústria metal-mecânica. Esse contexto determina a vulnerabilidade das populações aos agrotóxicos. E que populações são essas? Temos em primeiro lugar os trabalhadores das empresas, mas também outros segmentos de trabalhadores que são influenciados por esse processo, como os pequenos produtores. No Ceará, os pequenos produtores foram colocados na condição de parceiros do agronegócio, o que na verdade é uma forma de terceirização. O cultivo de fumo no Rio Grande do Sul também é um exemplo disso, são pequenos produtores que estão completamente subordinados às exigências da indústria fumageira. Além desses trabalhadores, são atingidos os moradores dessas regiões. No Mato Grosso, há municípios completamente cercados pelo agronegócio, que atinge até mesmo a reserva do povo Xingu: há rios que nascem fora de sua área e cuja água já entra no território indígena contaminada por agrotóxicos. Há também a questão dos consumidores de alimentos, que têm uma ingestão diária aceitável de veneno. É o ‘veneno nosso de cada dia’ na alimentação. E, ainda, temos os trabalhadores que fabricam esses venenos. Há conflitos ambientais já identificados com esses trabalhadores de fábricas e as comunidades do entorno das fábricas, que são contaminadas. No nordeste, há uma fábrica de agrotóxicos que tem problemas sérios com 11 bairros na sua vizinhança por causa da sua contaminação atmosférica. Além disso, a questão dos agrotóxicos é abrangente porque vai nos ajudar a resgatar a interrelação campo e cidade. Na medida em que o país se urbaniza, tendemos a pensar o Brasil como um país urbano – e há uma conotação simbólica de que isso nos aproxima mais do perfil dos países desenvolvidos e deixa para trás o ‘atraso do campo’ –, perdendo de vista que há uma dinâmica rural-urbana fundamental. Isso se expressa na produção de alimentos, na manutenção de riquezas naturais como a água, os microclimas, as chuvas (importantes para a cidade e ‘produzidas’ no campo) e também do ponto de vista da organização do campo. A concentração de terra, que expulsa pessoas das áreas rurais, faz com que as cidades fiquem cada vez mais ingovernáveis, por causa da migração e de todos os processos de degradação da qualidade de vida, como a violência, as drogas e outros. Enfim, faz com que toda a problemática ambiental urbana cresça. Os agrotóxicos dão oportunidade para discutirmos tudo isso, e também para debatermos a ciência e seus limites hoje. Há substâncias químicas que nos mostram a insuficiência dos conhecimentos produzidos para que possamos ter alguma segurança ao lidar com elas. Um exemplo é o problema da exposição múltipla a vários ingredientes ativos, que ainda carece de respostas. São várias situações que nos colocam os limites da ciência e que também desafiam o Estado, porque não há como tratar os problemas dos agrotóxicos apenas como problema agrícola ou agrário, apenas como problema de saúde ou de meio ambiente. Esse é um problema que perpassa diversos setores das políticas públicas e exige uma atuação integrada, o que também é um exercício interessante de fazermos.
Na sua palestra no Seminário Nacional Contra o Uso de Agrotóxicos, foi destacada a importância de esclarecermos se estamos discutindo agrotóxicos e saúde ou agrotóxicos e doença. Qual a diferença entre as abordagens e o que isso significa para o debate?
Na cultura positivista que temos, existe uma certa tendência, tantos dos empresários como algumas vezes até da própria mídia, de procurar por agravos à saúde que pudessem ser atribuídos aos agrotóxicos, identificando e quantificando casos. É como se, para validar a questão dos agrotóxicos como um problema digno de atenção, relevante e urgente, dependêssemos disso, como se precisássemos ter geração e comprovação da doença para começarmos a pensar no assunto e nos problemas dos agrotóxicos. O que estamos propondo é que o conhecimento sobre a nocividade dos agrotóxicos está dado a priori, porque ao defini-los como agrotóxicos estamos dizendo que são biocidas, que fulminam a vida, e ao atribuir a eles uma classificação toxicológica que vai de pouco tóxico a extremamente tóxico também estamos deixando isso claro. Não há nenhuma classificação que seja ‘não-tóxico’. O mesmo acontece em termos da classificação ambiental, que se relaciona à resistência do solo, e aos estudos da biomagnificação, teratogênese, mutagênese e carcinogênese [referentes ao acúmulo de produtos tóxicos ao longo da cadeia alimentar e à possibilidade de anomalias e malformações fetais, mutações genéticas e desenvolvimento de câncer]. Então, os agrotóxicos já estão classificados nesse sentido. Não há que se perguntar se são veneno ou remédio, está claro que são um tipo de veneno. Esse potencial de dano está dado, e defendemos que não precisaríamos provar a existência do dano para postergar políticas públicas e iniciativas dos agentes econômicos para combater esse problema. Poderíamos, desde já, estar trabalhando na perspectiva de que existe um risco e um contexto de risco, partindo para o controle desses riscos.
Por que é difícil estabelecer relações entre exposição humana aos agrotóxicos e os danos à saúde?
Os efeitos crônicos causados pela exposição a agrotóxicos são muito diversificados. Cada composto e princípio ativo tem um perfil toxicológico e uma nocividade própria, e isso se relaciona a uma série de patologias que vão desde dermatoses até infertilidade, abortamento, malformações congênitas, cânceres, distúrbios imunológicos, endócrinos, problemas hepáticos e renais... Mas todas essas patologias têm etiologias variadas, o que significa que podem ser causadas por outros elementos que não os agrotóxicos. E, como somos acostumados a fazer raciocínio muito linear entre doença e agente causal, isso fica muito complicado. É possível, por exemplo, quando uma empresa quer se negar a assumir suas responsabilidades, que ela diga que o trabalhador teve uma leucemia porque a família tem carga genética para isso. Do ponto de vista epidemiológico, os estudos têm evidenciado essas correlações, demonstrando que populações mais expostas, comparando com não expostas, têm carga maior de doenças. Mas gerar essa informação é difícil. No caso do Ceará, o instituto que recebe a maioria dos cânceres hematológicos não tem na sua ficha de investigação o dado sobre a ocupação do trabalhador. Isso é um exemplo da dificuldade que temos para fazer um perfil que relacione a ocupação e, por consequência, o contato com agrotóxicos, a uma determinada doença.
Existe um discurso muito difundido de que os agrotóxicos seriam uma necessidade para garantir a produção de alimentos, e de que sem eles ‘o mundo morreria de fome’. A partir daí, a proposta é desenvolver formas seguras de lidar com os agrotóxicos. Qual a sua opinião sobre isso? O ‘uso seguro’ é possível?
A ‘Revolução Verde’, que é o momento que marca na história da humanidade a questão dos agrotóxicos, aconteceu há cerca de 50 anos. A humanidade tem cerca de 8 mil anos de história conhecida na agricultura, e nós vivemos e nos alimentamos por todos esses milênios sem os agrotóxicos e transgênicos (o que é um outro argumento muito comum agora, de que, de repente, não podemos mais viver sem os transgênicos). É claro, há relatos de que desde os povos mais antigos havia uso de algumas substâncias para controle de pragas e de processos de cultivo, a humanidade tem um acúmulo nesse sentido. Estou me referindo a esse uso massivo de agrotóxicos, estimulado pela indústria química, que pode fazer propaganda na televisão, ter isenção de impostos como o ICMS, IPI, Cofins, PIS/Pasep. Então, a primeira coisa importante de tomarmos consciência é que já vivemos muitos anos como humanidade sem os venenos, e que depois do uso de venenos a produtividade da agricultura certamente elevou-se, mas a segurança e a soberania alimentar da humanidade não. Continuamos tendo quase um bilhão de pessoas desnutridas ou subnutridas no mundo, então está clara que essa não é uma crise que seja explicada pela subprodução, mas sim pela má distribuição. Isso se deve ao fato de que aquilo que o agronegócio e a modernização agrícola produzem não são alimentos, mas sim commodities, o que é muito diferente. Há todo um aparato jurídico, institucional, legal, para regular o uso de agrotóxicos e o que vemos é que esse aparato não tem sido eficaz. O que se vê é que, desde o processo de normatização, houve interferência. Temos documentos dos produtores de agrotóxicos em que afirmam a sua estratégia de interferir no processo regulatório, fazer lobby, interferir na capacitação dos servidores públicos e dos operadores de direito que lidam com essa área. Então, desde o início da regulação, há problemas. Quantos desses estatutos que estão previstos na legislação funcionam efetivamente? O receituário agronômico não funciona e há pouquísmos laboratórios, no país inteiro, que são capazes de fazer análise da água e da contaminação humana por agrotóxicos. Estamos agora no processo de revisão da Portaria 518, que diz respeito à potabilidade da água para consumo humano, e um dos grandes dramas é esse: podemos colocar lá todos os 450 ingredientes ativos de veneno registrados que temos no Brasil, mas onde vão ser analisados para cada uma das prefeituras de cada um dos quase 6 mil municípios do nosso país? Não temos essa capacidade instalada. Fazemos o licenciamento ambiental desse empreendimento, mas não temos condições de monitorar se as condicionantes e requisitos colocados no licenciamento são cumpridos, porque não há fiscal, não tem diária, não tem aparelho e laboratório. Há também uma série de argumentos que foram trazidos pelo Censo Agropecuário, através do qual podemos constatar que há mais de 5 milhões de estabelecimentos com mais de 16 milhões de trabalhadores rurais dos quais um número significativo é de crianças, com escolaridade considerada baixa. Como podemos pensar em uso seguro numa vastidão dessa? A assistência técnica é precária. O Censo mostra que as propriedades que mais receberam assistência são aquelas acima de 200 hectares, ou seja, há milhões de propriedades de pequenos produtores que estão à revelia de assistência técnica. Como podemos imaginar que o uso seguro acontecerá assim? Qualquer pessoa pode chegar a uma loja e comprar o veneno que o balconista estiver interessado em vender e usar do jeito que o balconista ensinar. É muito difícil pensar em uso seguro assim.
Você falou em sua palestra que há um despreparo dos profissionais de saúde e do próprio SUS para lidar com essa questão. Como isso acontece?
Do ponto de vista da Política Nacional de Saúde do Trabalhador, temos previstas ações que vão desde a atenção básica – que seria principalmente através da Estratégica de Saúde da Família – até os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerests), com ações hierarquizadas. A proposta é muito interessante. Mas o que vemos, especialmente no Ceará, é que a forma como o SUS chega aos territórios que sofreram profundas transformações pelos processos de mordenização agrícola é insuficiente. Os profissionais da atenção primária estão completamente absorvidos pela assistência médica, têm pouco tempo de fazer as outras ações pensadas para sua atuação e conhecem muito pouco a dinâmica viva dos territórios em que as unidades de saúde estão inseridas. Então, têm poucas notícias sobre a instalação de empresas de agronegócio, não sabem se há trabalhadores migrantes que vêm para atender demanda de força de trabalho sazonal, para, por exemplo, a colheita do melão (que é um caso muito comum), que estão sem suas famílias e que isso causa a expansão de uma rede de prostituição — o que gera outros problemas, como gravidez indesejada na adolescência, uso de drogas, doenças sexualmente transmissíveis, inclusive Aids. Então, para o sistema de saúde que está ali absorvido em diagnosticar e tratar doenças – embora estejamos tentando superar esse paradigma, isso nem sempre é possível –, é difícil enxergar essas dinâmicas. A resposta às novas necessidades de saúde tem sido insuficiente, é isso que mostrou o estudo realizado pela Vanira Mattos na UFC. Nos Cerests, há experiências ricas pelo Brasil afora, mas estou falando de um olhar local do Ceará. Ainda não conseguimos, ao longo dos três anos da nossa pesquisa, envolvê-los no atendimento a esses trabalhadores, nem desenvolver conjuntamente as ações de vigilância sanitária, epidemiológica, ambiental e em saúde do trabalhador, que ainda não estão acontecendo adequadamente.
Entrevista realizada por Leila Leal em 22/09/2010.
quarta-feira, 21 de março de 2012
Agricultura orgânica X agricultura convencional: Mitos e verdades Parte XI – Final
Verdade: a agricultura orgânica reduz o aquecimento global e economiza energia
Já há algum tempo, boa parte dos pesquisadores alertam para os problemas causados pelo aumento das temperaturas do planeta, o que tem provocado as alterações no clima e todas as suas consequências, tais como o derretimento dos gelos polares e a elevação do nível do mar, além de mais tormentas, furacões e inundações. Recentemente, um número maior de cientistas chegou à conclusão de que tais problemas são provocados pelo aumento da emissão dos gases causadores do "efeito estufa" e que são provenientes das diversas atividades humanas, sendo as principais: a industrialização, a queima de combustíveis fósseis, a derrubada e queimadas das florestas e a produção agropecuária, ou seja, são problemas causados pelo "homem civilizado" e terão que ser enfrentados pelo "ser humano". Estes gases (ozônio, dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e monóxido de carbono) formam uma camada de poluentes, de difícil dispersão, causando o famoso efeito estufa.
Este fenômeno ocorre, pois, estes gases absorvem grande parte da radiação infra-vermelha emitida pela Terra, dificultando a dispersão do calor. O desmatamento e a queimada de florestas e matas também colabora para este processo. Os raios do sol atingem o solo e irradiam calor na atmosfera. Como esta camada de poluentes dificulta a dispersão do calor, o resultado é o aumento da temperatura global. Embora este fenômeno ocorra de forma mais evidente nas grandes cidades, já se verifica suas conseqüências em nível global. A agricultura é totalmente dependente do clima e se, não for feito nada, em pouco tempo, haverá uma grave crise mundial provocada pela falta de água potável e de alimentos, inclusive nos países mais ricos e poderosos do planeta.
Principais gases causadores do efeito estufa e suas consequências
Segundo dados do IPCC – Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (órgão da ONU composto por delegações de 130 governos para realizar avaliações regulares sobre mudanças climáticas) os "gases do efeito estufa" considerados mais nocivos são: dióxido de carbono ou gás carbônico (CO2), proveniente da queima de combustíveis fósseis, desmatamento e queimadas, os quais respondem por 75% do efeito estufa; o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O) produzidos especialmente pelo setor agrícola, estão aumentando a taxas aceleradas, além de apresentarem um poder ainda mais "letal" quando se trata de aprisionar calor. O metano é 23 vezes mais poderoso do que o gás carbônico e permanece na atmosfera por até 15 anos; desde antes da revolução industrial até os dias atuais, a produção de metano aumentou de 700ppm para 1745ppm. Para efeitos comparativos, o gás carbônico cresceu de 280 para 365ppm. Já o óxido nitroso, volatizado dos fertilizantes químicos, embora encontrado em concentrações ainda muito baixas, consegue ser 296 vezes mais "eficiente" que o gás carbônico, além de permanecer na troposfera ao longo de 114 anos antes de ser absorvido e neutralizado. Além disso, alguns adubos químicos são hidrossolúveis, isto é, dissolvem-se na água, sendo uma parte rapidamente absorvida pelas raízes das plantas, a maior parte é lixiviada, ou seja, é lavada pelas águas das chuvas e regas, indo poluir rios, lagos e lençóis freáticos e há ainda uma terceira parte que se evapora, como no caso dos adubos nitrogenados (como a uréia) que sob a forma de óxido nitroso pode destruir a camada de ozônio da atmosfera, sendo uma das causas do aquecimento global.
As principais consequências do aquecimento global são:
- Aumento do nível dos oceanos; com o aumento da temperatura no mundo, está em curso o derretimento das calotas polares. Ao aumentar o nível da águas dos oceanos, podem ocorrer, futuramente, a submersão de muitas cidades litorâneas;
- Crescimento e surgimento de desertos: o aumento da temperatura provoca a morte de várias espécies animais e vegetais, desequilibrando vários ecossistemas. Somado ao desmatamento que vem ocorrendo, principalmente em florestas de países tropicais (Brasil e países africanos) a tendência é aumentar cada vez mais as regiões desérticas do planeta Terra;
- Aumento de furacões, tufões e ciclones: o aumento da temperatura faz com que ocorra maior evaporação das águas dos oceanos, potencializando estes tipos de catástrofes climáticas;
- Ondas de calor: regiões de temperaturas amenas tem sofrido com as ondas de calor. No verão europeu, por exemplo, tem se verificado uma intensa onda de calor, provocando até mesmo mortes de idosos e crianças.
Outras conclusões importantes segundo o IPCC?
O IPCC estima que até o fim deste século a temperatura da Terra deve subir entre 1,8ºC e 4ºC, o que aumentaria a intensidade de tufões e secas, ameaçando um terço das espécies do planeta. Populações estariam mais vulneráveis à doenças e desnutrição. Calcula-se também que o derretimento das camadas polares pode fazer com que os oceanos se elevem entre 18 cm e 58 cm até 2100, fazendo desaparecer pequenas ilhas e obrigando centenas de milhares de pessoas a deixarem o local onde vivem . A estimativa do IPCC é de que mais de 1 bilhão de pessoas poderia ficar sem água potável por conta do derretimento do gelo no topo de cordilheiras importantes, como o Himalaia e os Andes. Essas cordilheiras geladas servem como 'depósitos naturais' que armazenam a água da chuva e a liberam gradualmente, garantindo um abastecimento constante dos rios que sustentam populações ribeirinhas.
Segundo cálculos da FAO, com relação ao setor pecuário, todo rebanho mundial responde por, aproximadamente, 18% de todas as emissões de gases do efeito estufa originados por intervenção humana. Os cinco maiores emissores de gases causadores do efeito estufa são: a produção de energia, o setor industrial, o lixo, as mudanças no uso do solo e a agropecuária. As conclusões do relatório reforçam que a emissão de dióxido de carbono proveniente de mudanças no uso do solo acontece a partir do desmatamento e da perda de material biológico do solo, com a conversão de florestas em pastagens, "são muito mais elevadas do que as emissões do setor energético". Para os pesquisadores da FAO, os solos vegetados apresentam enorme capacidade de servirem como sumidouros de carbono. Portanto, os solos cultivados, aliado às boas práticas de manejo podem trazer ganhos gigantescos para humanidade. Os resultados apresentados pela "revolução verde", com o uso de máquinas pesadas, o desmatamento, a monocultura, os híbridos, e a aplicação dos insumos químicos, embora significativos do ponto de vista da produção, causaram inegáveis danos ao meio ambiente e a exclusão de milhões de pessoas do meio rural. Por outro lado, o incremento na produção não foi capaz de resolver o problema de desnutrição e da fome no planeta. A pecuária também será afetada pelo aquecimento do planeta, pois é tão ou mais sensível do que a agricultura. Os pesquisadores alertam para os riscos de redução na produção de leite e incremento das taxas de aborto. No caso dos suínos, espera-se um aumento na taxa de mortalidade durante a gestação e no nascimento dos leitões. Para as aves, prevê-se queda na produção e o aumento de postura de ovos sem casca, afetando a oferta de animais para reprodução e abate.
Agricultura ecológica é uma das alternativas para reduzir o efeito estufa e economizar energia
Os defensores da agricultura orgânica sustentam que suas práticas consomem 33% a 56% menos energia que a convencional, dobram a quantidade de carbono seqüestrado no solo, reduzem 48% a 60% as emissões de CO2 e retêm 20% a 40% mais de água no solo. Ou seja, são muito melhores para diminuir os efeitos do aquecimento global e da escassez de água que rondam o planeta. Ficar esperando para ver o que acontece é a pior atitude para o planeta e, conseqüentemente, para a economia em geral, especialmente, para o setor agrícola, que é totalmente dependente do clima. O aquecimento global pode provocar problemas muito mais graves à economia do planeta do que os causados pela 2ª grande guerra.
No Brasil, além da destruição das florestas, dos rios e solos, um dos principais problemas do setor agrícola é o endividamento. Trata-se, nesse momento, de desenvolver fórmulas adaptadas para mitigar os efeitos das alterações climáticas que deverão se consolidar ao longo do século. As mudanças não ocorrem de uma só vez, é um processo gradual que já começou, mas existe a possibilidade de se produzir tecnologias que permitam realizar as adaptações necessárias para o setor agropecuário. "O setor agrícola terá que retomar princípios agronômicos que foram abandonados, e que definem alternativas para uma produção ambientalmente sustentável," é o que afirma o pesquisador Renato Roscoe, da Embrapa Agropecuária Oeste, Dourados – MS. O respeito às áreas de reserva legal e de preservação permanente, o plantio de árvores e arbustos para criar um ambiente de conforto para os animais, com pastejo rotacionado, rotação de culturas, plantio direto e adubação verde (ver matérias já postadas neste blog em 03/01/2011, 04/07/2011 e 29/11/2011), reflorestamento, ou seja, são todas práticas de manejo ecológico, fundamentais para a preservação e a sustentabilidade da agropecuária. O mesmo pesquisador afirmou: "O trabalho agora é apontar caminhos para o uso de alternativas de recuperação de áreas degradadas, ao mesmo tempo em que se procuram meios para evitar a abertura de novas áreas para exploração agropecuária e muito menos para produção de carvão. É possível integrar agricultura e pecuária, usar apenas as áreas disponíveis, promover a recuperação dos solos, capturar carbono, economizar água e reduzir a emissão de gases poluentes, ao mesmo tempo".
"O mundo desenvolvido já tem a tecnologia e dinheiro suficientes para frear o aquecimento do planeta, mas precisa de compromisso político entre governos para evitar uma catástrofe"; essa é uma das principais afirmações do relatório do IPCC, sobre estratégias para lidar com a atual crise ambiental que começou a ser debatido em Bangcoc, na Tailândia. O Jornal Estado de São Paulo obteve na sede da ONU, em Genebra, relatórios preliminares do IPCC. Eles mostram que as tecnologias existentes e outras em desenvolvimento, se aplicadas, reduziriam em 26 bilhões de toneladas as emissões dos gases geradores do efeito estufa até 2030. Isso seria suficiente para evitar que o aumento da temperatura não ultrapasse os 2 ºC neste século.
O IPCC considera que a preservação das florestas existentes, bem como o reflorestamento é fundamental para mitigar a emissão dos gases do efeito estufa. É recomendado um manejo 'diferente' dos solos agrícolas tropicais. Práticas agrícolas com aplicação de fertilizantes mais eficientes e de menor impacto para o solo e a natureza, "que se adote o manejo ecológico, usando-se o mínimo de insumos químicos e o máximo de material orgânico, para restituir a vida do solo e o seu equilíbrio natural".
"O futuro do Brasil está ligado à sua terra; o manejo adequado de seus solos é a chave mágica para a prosperidade e bem estar geral", segundo Primavesi. Ecológico vem da palavra grega "oikos" que significa lugar. Portanto, é uma atividade que trabalha em estreita interligação com os sistemas naturais existentes num lugar. Isso inclui o solo, sua vida, estrutura, regime de ar e água, seus equilíbrios minerais, seu declive, inclinação para o sol, as sociedades vegetais que lá se assentam e suas sucessões, o clima e até a atividade do homem. Ecológico não é uma planta ou um animal que se tenta preservar, significa os ciclos e equilíbrios naturais de um lugar, onde o homem está incluído. O homem não necessita ser um agente de destruição e pode administrar os equilíbrios naturais a seu favor. A produção sustentável em um "agroecossistema" deriva do equilíbrio entre plantas, solo, nutrientes, luz solar, umidade e outros organismos coexistentes. O ambiente agrícola é produtivo e saudável, somente quando essas condições de crescimento rica em equilíbrio prevalecem, tornando as plantas mais resistentes e tolerantes ao estresse e adversidades. Quando a biodiversidade é restituída, complexas interações benéficas passam a estabelecer-se entre o solo, as plantas e os animais.
Segundo Primavesi, é preciso criar e desenvolver tecnologias adaptadas às 'terras quentes do Sul', onde predomina o "clima tropical", assim como foram desenvolvidas tecnologias próprias para as 'terras frias do Norte', onde predomina o "clima temperado"; parece óbvio, mas o ensino agrícola no Brasil, especialmente no tocante à Ciência do solo, infelizmente é copiado do nosso 'irmão rico do Norte', que nos vende todo o seu "pacote tecnológico". A agropecuária poderá contribuir com a redução dos gases do efeito estufa, desde que se adotem práticas ecológicas de manejo, o que não significa abdicar dos avanços tecnológicos alcançados pelas ciências agrárias, basta aplicar um conjunto de técnicas simples para mudar a história:
• atingir uma produção ótima, não máxima, o que se pode obter com diversificação planejada, adubação verde, rotação de culturas e pousio, recuperando a fertilidade dos solos cultivados;
• cultivar plantas e animais os quais devem estar integrados e em harmonia com os mecanismos reguladores da natureza;
• observar a natureza e o ambiente agrícola, e desenvolver tecnologias adaptadas e adequadas, respeitando os sistemas biológicos naturais e as iniciativas locais;
O objetivo fundamental da agricultura convencional ou "moderna" continua sendo produtividade a qualquer preço, maximização dos lucros, retorno dos investimentos num menor período de tempo possível. Não há preocupação com os efeitos da tecnologia empregada sobre o meio ambiente e a sociedade. O modelo da agricultura convencional conduz ao exagerado consumo e desperdício de energia. Em 1973 com a crise do petróleo, obrigou, principalmente os governos dos países importadores, a buscar fontes de energia alternativa que permitisse a manutenção da produtividade e a redução dos custos de produção. Na década de 80, a agricultura dos países não industrializados, alicerçada nos princípios da "Revolução Verde", se aprofunda em crise; dependente de subsídios, que não mais existia, o aumento dos custos de produção, provocou desde então, um constante aumento da descapitalização, além de ter criado um ambiente desfavorável à produção, pela forma despreocupada de intervenção no meio ambiente. Nesta mesma época, houve um redescobrimento das bases filosóficas dos vários movimentos preocupados com uma agricultura permanente e auto-sustentável. Este renascer, não significava uma readaptação de velhas técnicas do passado, mas a redescoberta dos princípios harmônicos que norteiam a convivência do homem, consigo mesmo e com a natureza da qual ele faz parte.
Diversos estudos referentes a alimentos orgânicos já foram realizados, indicando que esses alimentos ganham em valor nutricional em relação aos convencionais. Além disso, a agricultura orgânica também traz muitos benefícios para o meio ambiente, promovendo a sustentabilidade, melhorando a biodiversidade e estabelecendo um equilíbrio ecológico. Além disso, a agricultura orgânica possui outras vantagens, tais como:
Como a agricultura orgânica envolve práticas como a rotação das plantações, associações simbióticas, proteção das plantações e lavoura mínima, o período durante o qual o solo fica exposto à erosão é menor, minimizando a perda de nutrientes e aumentando a produtividade do solo;
A poluição da água e do solo é reduzida devido ao fato de esse tipo de alimento ser produzido sem o uso de resíduos de fertilizantes, pesticidas, hormônios de crescimento, irradiação e antibióticos;
Ajuda a minimizar o efeito estufa e o aquecimento global, devido a sua capacidade de retirar carbono do solo;
Evita problemas com a fertilidade do solo ou com pragas. Esse tipo de cultivo, utiliza insumos de origem natural, como esterco, húmus de minhoca, farinha de osso, cinzas e farelo de mamona, além de extratos naturais de plantas para controle de possíveis pragas e doenças;
Uma variedade de produtos pode ser produzida organicamente, incluindo frutas, grãos, carne, laticínios, ovos e comida processada.
Algumas dicas práticas, no seu dia a dia, para economizar energia, diminuir o aquecimento global e proteger o planeta
Fonte: adaptado do "53 dicas práticas para você economizar energia e proteger o planeta" de Daniel Cassiano Lima - Biólogo (CRBio 27587/5-D)
Vale a pena lembrar ! Cada um faz sua parte independente de que o outro faça a dele …
1. Tampe suas panelas enquanto cozinha
Ao tampar as panelas, enquanto cozinha, você aproveita o calor que simplesmente se perderia no ar.
2. Aprenda a cozinhar em panela de pressão
Acredite... dá pra cozinhar tudo em panela de pressão: Feijão, arroz, macarrão, carne, peixe etc... Muito mais rápido e economizando 70% de gás.
3. Cozinhe com fogo mínimo
Não adianta, por mais que você aumente o fogo, sua comida não vai cozinhar mais depressa, pois a água não ultrapassa 100ºC em uma panela comum. Com o fogo alto, você vai é queimar sua comida.
4. Antes de cozinhar, retire da geladeira todos os ingredientes de uma só vez
Evite o abre-fecha da geladeira toda vez que seu cozido precisar de uma cebola, uma cenoura, etc...
5. Coma menos carne vermelha
A criação de bovinos é um dos maiores responsáveis pelo efeito estufa. Você já sentiu aquele cheiro quando você se aproximou de alguma fazenda/criação de gado? é o metano, um gás inflamável, poluente e, com cheiro desagradável. Além disso, a produção de carne vermelha demanda uma quantidade enorme de água. Para se ter uma idéia: para produzir 1kg de carne vermelha é necessário 200 litros de água potável. O mesmo quilo de frango só consome 10 litros. Além disso, a carne de frango é mais saudável que a carne vermelha.
6. Não troque o seu celular
Já foi o tempo que celular era sinal de status. Fique com o antigo pelo menos enquanto estiver funcionando perfeitamente ou em bom estado. Celulares trouxeram muita comodidade à nossa vida, mas utilizam de derivados de petróleo em suas peças e metais pesados em suas baterias.
7. Compre um ventilador de teto
Nem sempre faz calor suficiente para se ligar o ar condicionado. Na maioria das vezes, um ventilador de teto é o ideal para refrescar o ambiente gastando 90% menos de energia. Combinar o uso dos dois também é uma boa idéia: regule seu ar condicionado para o mínimo e ligue o ventilador de teto.
8. Use somente pilhas e baterias recarregáveis
É certo que são caras, mas o uso a médio e longo prazo se pagam com muito lucro. Duram anos e podem ser recarregadas em média 1000 vezes.
9. Limpe ou troque os filtros do seu ar condicionado
Um ar condicionado sujo representa 158 quilos de gás carbônico a mais na atmosfera por ano.
10.Troque suas lâmpadas incandescentes por fluorescentes
Lâmpadas fluorescentes gastam 60% menos energia que uma incandescente. Assim, você economizará 136 quilos de gás carbônico anualmente.
11.Escolha eletrodomésticos de baixo consumo energético
Procure por aparelhos com o selo do Procel (no caso de nacionais) ou Energy Star (no caso de importados).
12.Não deixe seus aparelhos em standby
Simplesmente desligue ou tire da tomada quando não estiver usando um eletrodoméstico. A função de standby de um aparelho usa cerca de 15% a 40% da energia consumida quando ele está em uso.
13.Mude sua geladeira ou freezer de lugar
Ao colocá-los próximos ao fogão, eles utilizam muito mais energia para compensar o ganho de temperatura. Mantenha-os afastados pelos menos 15cm das paredes para evitar o superaquecimento. Colocar roupas e tênis para secar atrás deles então, nem pensar!
14.Descongele geladeiras e freezers antigos a cada 15 ou 20 dias
O excesso de gelo reduz a circulação de ar frio no aparelho, fazendo que gaste mais energia para compensar. Se for o caso, considere trocar de aparelho. Os novos modelos consomem até metade da energia dos modelos mais antigos, o que subsidia o valor do eletrodoméstico a médio/longo prazo.
15.Use a máquina de lavar roupas/louça só quando estiverem cheias
Caso você realmente precise usá-las com metade da capacidade, selecione os modos de menor consumo de água. Se você usa lava-louças, não é necessário usar água quente para pratos e talheres pouco sujos. Só o detergente já resolve.
16.Retire imediatamente as roupas da máquina de lavar quando estiverem limpas
As roupas esquecidas na máquina de lavar ficam muito amassadas, exigindo muito mais trabalho e tempo para passar e consumindo assim muito mais energia elétrica.
17.Tome banho de chuveiro
E de preferência, rápido. Um banho de banheira consome até quatro vezes mais energia e água que um chuveiro.
18.Use menos água quente
Aquecer água consome muita energia. Para lavar a louça ou as roupas, prefira usar água morna ou fria.
19.Pendure ao invés de usar a secadora
Você pode economizar mais de 317 quilos de gás carbônico se pendurar as roupas durante metade do ano ao invés de usar a secadora.
20.Nunca é demais lembrar: recicle
Recicle no trabalho e em casa. Lembre-se de que o material reciclável deve ser lavado (no caso de plásticos, vidros e metais) e dobrado (papel).
21. Faça compostagem
Cerca de 3% do metano que ajuda a causar o efeito estufa é gerado pelo lixo orgânico doméstico. Aprenda a fazer compostagem: além de reduzir o problema, especialmente nas cidades, a compostagem reduz pela metade o lixo e, em consequência diminui o trabalho e, o mais importante, polui menos o meio ambiente. Todos ganham com a transformação do lixo em composto orgânico! as prefeituras, os recolhedores do lixo, a população que terá uma cidade mais limpa e com menos cheiro desagradável, a horta, o jardim e até as plantas ornamentais cultivadas em vaso, pois terão um adubo natural de ótima qualidade e barato feito em casa, sem poluir o meio ambiente. Veja como preparar e os cuidados que se deve ter para produzir um adubo natural de boa qualidade através das matérias já postadas neste blog em 29/11/2010.
22.Reduza o uso de embalagens
Embalagem menor é sinônimo de desperdício de água, combustível e recursos naturais. Prefira embalagens maiores, de preferência com refil. Evite ao máximo comprar água em garrafinhas, leve sempre com você a sua própria. Não peça comida para viagem . Se você já foi até o restaurante ou à lanchonete, que tal sentar um pouco e curtir sua comida ao invés de pedir para viagem? Assim você economiza as embalagens de plástico e isopor utilizadas.
23.Compre papel reciclado
Produzir papel reciclado consome de 70 a 90% menos energia do que o papel comum, e poupa nossas florestas.
24.Utilize uma sacola para as compras
Sacolinhas plásticas descartáveis são um dos grandes inimigos do meio-ambiente. Elas não apenas liberam gás carbônico e metano na atmosfera, como também poluem o solo e o mar. Quando for ao supermercado, leve uma sacola de feira ou suas próprias sacolinhas plásticas.
25.Plante uma árvore
Uma árvore absorve uma tonelada de gás carbônico durante sua vida. Plante árvores no seu jardim ou inscreva-se em programas como o SOS Mata Atlântica ou Iniciativa Verde.
26.Compre alimentos produzidos na sua região
Fazendo isso, além de economizar combustível, você incentiva o crescimento da sua comunidade, bairro ou cidade.
27.Compre alimentos frescos ao invés de congelados
Comida congelada além de mais cara, consome até 10 vezes mais energia para ser produzida. É uma praticidade que nem sempre vale a pena.
28.Compre ou produza seus alimentos orgânicos
Por enquanto, alimentos orgânicos são um pouco mais caros, pois a demanda é maior que a oferta no Brasil. Mas você sabia que, além de não usar agrotóxicos e fertilizantes químicos, os orgânicos respeitam os ciclos de vida de animais, insetos e ainda por cima absorvem mais gás carbônico da atmosfera que a agricultura "tradicional"? Se toda a produção de soja e milho dos EUA fosse orgânica, cerca de 240 bilhões de quilos de gás carbônico seriam removidos da atmosfera. Portanto, incentive o comércio de orgânicos para que os preços possam cair com o tempo. Se dispor de pequeno terreno, faça sua horta orgânica, pois é fácil, o custo é mais barato, os alimentos são mais saudáveis e nutritivos, é uma forma de terapia ocupacional e, oportunidade de fazer exercícios ao ar livre e, o mais importante, não polui o meio ambiente. Em 10 m2 de terreno é possível produzir hortaliças de ciclo curto para toda a família; mesmo em apartamento é possível, em recipientes, produzir algumas hortaliças, temperos e plantas medicinais! Experimente!
29.Ande menos de carro, mantenha o carro regulado e ao trocar, escolha um modelo menos poluente : use menos o carro e mais o transporte coletivo (ônibus, metrô) ou o "limpo" (bicicleta ou a pé). Se você deixar o carro em casa 2 vezes por semana, deixará de emitir 700 quilos de poluentes por ano. . Se não tiver que carregar peso excessivo, prefira caminhar, pois assim, além de não poluir o ar com a descarga do carro, ainda evita de se estressar, procurando lugar para estacionar, especialmente nas grandes cidades. Calibre os pneus a cada 15 dias e faça uma revisão completa a cada seis meses, ou de acordo com a recomendação do fabricante. Carros regulados poluem menos. A manutenção correta de apenas 1% da frota de veículos mundial representa meia tonelada de gás carbônico a menos na atmosfera. Apesar da dúvida sobre o álcool ser menos poluente que a gasolina ou não, existem indícios de que parte do gás carbônico emitido pela sua queima é reabsorvida pela própria cana de açúcar plantada. Carros menores e de motor 1.0 poluem menos. Em cidades como São Paulo, onde no horário de pico anda-se a 10km/h, não faz muito sentido ter carros grandes e potentes para ficar parados nos congestionamentos.
30. Não deixe o bagageiro vazio em cima do carro
Qualquer peso extra no carro causa aumento no consumo de combustível. Um bagageiro vazio gasta 10% a mais de combustível, devido ao seu peso e aumento da resistência do ar.
31.Lave o carro à seco
Existem diversas opções de lavagem sem água, algumas até mais baratas do que a lavagem tradicional, que desperdiça centenas de litros a cada lavagem.
32.Use o telefone ou a Internet
A quantas reuniões de 15 minutos você já compareceu esse ano, para as quais teve que dirigir por quase uma hora para ir e outra para voltar? Usar o telefone ou skype pode poupar você de stress, além de economizar um bom dinheiro e poupar a atmosfera.
33.Voe menos, faça reuniões por videoconferência
Reuniões por videoconferência são tão efetivas quanto as presenciais. E deixar de pegar um avião faz uma diferença significativa para a atmosfera.
34.Economize CDs e DVDs
CDs e DVDs sem dúvida são mídias eficientes e baratas, mas você sabia que um CD leva cerca de 450 anos para se decompor e que, ao ser incinerado, ele volta como chuva ácida (como a maioria dos plásticos)? Utilize mídias regraváveis, como CD-RWs, drives USB ou mesmo e-mail ou FTP para carregar ou partilhar seus arquivos. Hoje em dia, são poucos arquivos que não podem ser disponibilizados virtualmente ao invés de em mídias físicas.
35.Proteja as florestas
Em tempos de aquecimento global, as árvores precisam de mais defensores do que nunca. O papel delas no aquecimento global é crítico, pois mantém a quantidade de gás carbônico controlada na atmosfera. Veja em matéria já postada neste blog no link "Publicações", a importância das florestas para o meio ambiente.
36.Considere o impacto de seus investimentos e informe-se sobre a política ambiental das empresas
O dinheiro que você investe não rende juros sozinho. Isso só acontece quando ele é investido em empresas ou países que dão lucro. Na onda da sustentabilidade, vários bancos estão considerando o impacto ambiental das empresas em que investem o dinheiro dos seus clientes. Informe-se com o seu gerente antes de escolher o melhor investimento para você e o meio ambiente. Seja o banco onde você investe ou o fabricante do shampoo que utiliza, todas as empresas deveriam ter políticas ambientais claras para seus consumidores. Ainda que a prática esteja se popularizando, muitas empresas ainda pensam mais nos lucros e na imagem institucional do que em ações concretas. Por isso, não olhe apenas para as ações que a empresa promove, mas também a sua margem de lucro. Será mesmo que eles estão colaborando tanto assim? fiscalize e divulgue!
37.Desligue o computador e considere trocar seu monitor
Muita gente tem o péssimo hábito de deixar o computador de casa ou da empresa ligado ininterruptamente, às vezes fazendo downloads, às vezes simplesmente por comodidade. Desligue o computador sempre que for ficar mais de 2 horas sem utilizá-lo e o monitor por até quinze minutos. O maior responsável pelo consumo de energia de um computador é o monitor. Monitores de LCD são mais econômicos, ocupam menos espaço na mesa e estão ficando cada vez mais baratos. O que fazer com o antigo? Doe a instituições como o Comitê para a Democratização da Informática.
38. No escritório, desligue o ar condicionado uma hora antes do final do expediente
Num período de 8 horas, isso equivale a 12,5% de economia diária, o que equivale a quase um mês de economia no final do ano. Além disso, no final do expediente a temperatura começa a ser mais amena.
39.Não permita o desperdício de água: banho de mangueira, guerrinha de balões de água e toda sorte de brincadeiras com água são, sem dúvida, divertidas, mas passam a equivocada idéia de que a água é um recurso infinito, justamente para aqueles que mais precisam de orientação, as crianças. Não deixe que seus filhos brinquem com água, ensine a eles o valor desse bem tão precioso. Cuidado com as torneiras; uma torneira aberta gasta de 12 a 20 litros de água por minuto e se estiver pingando, são 46 litros por dia. A cada 5 minutos, num banho de chuveiro, são gastos cerca de 30 litros de água, enquanto que um banho de banheira gasta, em média, 80 litros de água
40.Participe de ações virtuais
A Internet é uma arma poderosa na conscientização e mobilização das pessoas. Um exemplo é o site ClickÁrvore, que planta árvores com a ajuda dos internautas. Informe-se e aja!
41. Regue as plantas à noite e, no verão, procure utilizar sombrite, coberturas mortas e vivas
Ao regar as plantas à noite ou pela manhã, bem cedinho, você impede que a água se perca pela evaporação, e também evita choques térmicos que podem agredir suas plantas. O uso de sombrite, além de proteger as plantas das elevadas temperaturas e da fortes chuvas típicas do verão, economiza água. As coberturas mortas e vivas protege o solo evitando a erosão do solo e conservando a umidade. Neste blog, em matéria postada em 04/07/2011 você terá mais informações sobre estas tecnologias para produção de alimentos orgânicos.
42. Frequente restaurantes naturais/orgânicos
Com o aumento da consciência para a preservação ambiental, uma gama enorme de restaurantes naturais, orgânicos e vegetarianos está se espalhando pelas cidades. Ainda que você não seja vegetariano, experimente os novos sabores que essa onda verde está trazendo e assim estará incentivando o mercado de produtos orgânicos, livres de agrotóxicos e menos agressivos ao meio-ambiente.
43.Vá de escada
Para subir até dois andares ou descer três, que tal ir de escada? Além de fazer exercício, você economiza energia elétrica dos elevadores.
44.Faça sua voz ser ouvida pelos seus representantes
Use a Internet, cartas ou telefone para falar com os seus representantes em sua cidade, estado e país. Mobilize-se e certifique-se de que os seus interesses - e de todo o planeta - sejam atendidos.
45. Dia do livro: que tal desligar a televisão uma vez por semana e passar parte da noite lendo um livro ou brincando com as crianças? além de economizar energia, você ganhará saúde.
46.Divulgue essa lista! Envie essa lista por e-mail para seus amigos.
O planeta terra, o meio ambiente e a saúde de todos nós agradecem! reproduza-a livremente!
segunda-feira, 12 de março de 2012
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
A fé, a vida no planeta, fraternidade e saúde pública
Ao iniciarmos o ano de 2012, renovamos a nossa esperança e a nossa fé em um mundo melhor, com paz, harmonia e amor construídos por pequenos gestos de compreensão, solidariedade, respeito, fraternidade e consciência ecológica. O mundo não podemos mudar, mas podemos mudar a nós mesmos. Cada um fazendo a sua parte, teremos um mundo melhor onde a natureza convive em paz com o homem! Que tal começarmos a ter uma maior consciência ecológica? Tudo o que existe foi criado por Deus e entregue ao homem e à mulher. Mas o que a humanidade vem fazendo com a criação de Deus? O que você tem feito de concreto para contribuir com essa campanha de conscientização sobre a importância da preservação do meio ambiente e da saúde pública?
Deus colocou o homem no mundo como gerente da criação como um todo e, lhe deu algumas ordens: cuidar da criação, de onde tiraria seu sustento, protegê-la e preservá-la, conhecê-la, estudá-la, para assim conhecer melhor a si mesmo e a Deus. O homem não é o soberano senhor, mas o responsável diante de Deus pelo emprego correto dos recursos naturais e pela preservação das demais espécies. Nossa tarefa é contribuir para que a criação seja protegida e, a nossa postura em relação a poluição ambiental, ao uso de agroquímicos, o desflorestamento, o aquecimento global e muito mais, deve ser para agradar a Deus e honrar Ele como criador de todas as coisas. Crer também é cuidar da flora, fauna e recursos naturais! A fé no Deus criador e na criação de Deus deveria, ao natural, nos levar ao engajamento concreto e prático em defesa da vida. Deveríamos ser ecológicos como é o Deus da nossa fé, o criador e defensor da vida. A Terra é a nossa casa comum, é o único lugar que temos para habitar. Mas ela não é somente nossa. É o espaço de muitos povos de hoje e do futuro e de uma infinidade de outras formas de vida.
Atualmente, o problema da poluição ambiental não está somente nas periferias das grandes cidades, mas também nos que vivem longe delas. O ar tóxico desprendido pelas fábricas entra nas casas de todos, independente de onde foi originada a emissão. A água e o solo contaminados por chorume e agroquímicos (adubos químicos e agrotóxicos), contaminam as fontes de água e os alimentos. Fazer a sua parte e alertar, esclarecer e orientar quem esteja perto é compromisso de todos. A cada ano a igreja católica no Brasil propõe um tema de reflexão para o período da quaresma, através da campanha da fraternidade, no sentido de ser um instrumento de ajuda para cada cristão(a) se preparar melhor para páscoa.
Neste ano, a campanha da fraternidade, promovida desde 1964 pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), propõe um tema de reflexão para o período da quaresma: "A Fraternidade e Saúde Pública". O lema da campanha "Que a saúde se difunda sobre a terra!" destaca a responsabilidade humana. O objetivo é despertar a solidariedade dos fiéis e de toda a sociedade em relação a um problema concreto que envolve todo o país, buscando uma solução para o mesmo. Saúde não é uma coisa só do corpo, mas do conjunto do ser humano, corpo, alma, mente, afeto, sexualidade e espiritualidade. A igreja deseja sensibilizar a todos sobre a dura realidade das pessoas que não têm acesso à assistência de saúde pública condizente com suas necessidades e dignidade.
A saúde é um dom de Deus confiado ao ser humano. Quanto mais cada um cuidar de si preventivamente e, dos que convivem com ele, melhor para todos e para o planeta! Cada um de nós precisa fazer a sua parte, preservando e melhorando as condições de vida no planeta, pois consciência ambiental e saúde estão diretamente relacionados. Uma pergunta que não quer calar: Para que utilizar adubos químicos e agrotóxicos na produção de alimentos quando já temos pesquisas comprovando que o adubo natural e os produtos alternativos para o manejo de pragas e doenças (ver matérias já postadas neste blog), produzidos na propriedade são mais baratos, eficientes e, o melhor, proporcionam alimentos mais nutritivos, não oferecem riscos ao meio ambiente e, especialmente à saúde pública?
. A contaminação dos alimentos com agrotóxicos e o uso de herbicidas (capina química) nas cidades são problemas de saúde pública
Pesquisa da ANVISA – em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ – realizada desde 2001 com frutas e hortaliças produzidas com agrotóxicos e adubos químicos, nos maiores centros consumidores do Brasil, comprova que várias espécies cultivadas estão seriamente contaminadas por resíduos de agrotóxicos e, o que é pior, por produtos não autorizados para as culturas. Relatório recente da Anvisa, em 26 estados, pesquisando 18 espécies (frutas e hortaliças) em 2010, a exemplo de 2009, revela que 696 amostras (28%) de um total de 2.488 amostras coletadas em todo o país, estavam contaminadas com resíduos de agrotóxicos, alcançando no pimentão, morango, pepino, alface, cenoura, abacaxi, beterraba, couve e mamão até 91,8; 63,4; 57,4; 54,2; 49,6; 32,8; 32,6; 31,9 e 30,4 % de amostras contaminadas, respectivamente. Os agrotóxicos encontrados nos cultivos são ingredientes ativos com alto grau de toxicidade aguda comprovada e, que causam problemas neurológicos, reprodutivos, de desregulação hormonal e até câncer.
Os problemas do uso de agrotóxicos não se resumem apenas a contaminação dos alimentos. E muito comum tanto na zona rural como nas cidades o uso de herbicidas para eliminar as "plantas daninhas", "mato ou inços" com graves implicações destes produtos no meio ambiente, pois eles ao serem lixiviados (lavados) pela água das chuvas ou irrigação vão parar nas fontes de água.
É a chamada capina química, onde são utilizados os herbicidas com inúmeras conseqüências ao meio ambiente e à saúde das pessoas, especialmente quando não são usados os equipamentos de proteção individual. Além de contaminar o meio ambiente, pode contaminar as pessoas através das poças d'água, inalação e vento.
Felizmente, pelo menos em Santa Catarina, existe uma lei estadual que proíbe o uso de herbicidas nas cidades, pois não tem como impedir o trânsito de pedestres no momento da aplicação e, pelo menos 24 horas após. A proibição é para todos os tipos de herbicidas! Não existe herbicida mais ou menos ecológico como alguns estão tentando vender o "Mata-Mato" e outros produtos proibidos para aplicação em zona urbana! Infelizmente, devido a falta de uma consciência ecológica das pessoas e uma maior fiscalização, ainda é prática comum nas cidades, colocando em risco a saúde pública.
Por favor, faça a sua parte! denuncie!
O MEIO AMBIENTE E A SAÚDE PÚBLICA AGRADECEM!
Esta cena não deveria ser mais vista nas cidades em Santa Catarina Figura 1.
Lei estadual 6.288/02 aprovada pela câmara dos deputados em 12/08/2009, proíbe capina química em área urbana nas cidades de Santa Catarina. A partir de 15/01/2010, a Anvisa também proibiu a aplicação de herbicidas em área urbana. Além de contaminar o meio ambiente, pode contaminar as pessoas através das poças d'água e vento.
. O uso de agrotóxicos e as consequências para a saúde das pessoas
Todos os herbicidas causam preocupações em termos de saúde pública. Os principais são: 2,4D, glifosato (round-up) e paraquat (gramoxone).
O paraquat provoca, quando absorvido, especialmente por via digestiva, lesões hepáticas e renais e principalmente, fibrose pulmonar irreversível, determinando a morte em cerca de 2 semanas, por insuficiência respiratória; causa lesões na pele (via dérmica); causa lesões graves nas mucosas (via oral), sangramento pelo nariz, mal-estar, fraqueza e até ulcerações na boca; Torna as unhas quebradiças; produz conjuntivite ou opacidade da córnea (contato com os olhos).
O 2,4D é bem absorvido pela pele, via digestiva e inalação, determinando de forma aguda, alterações da glicemia de forma transitória e ainda pode simular um quadro clínico de diabetes, além de alterações neuro-musculares provocando um processo inflamatório dos nervos longos dos membros inferiores e superiores.
O Glifosato (round-up) causa problemas dermatológicos, principalmente dermatite de contato. Além disso, é irritante de mucosas, principalmente da mucosa ocular.
Em relação aos agrotóxicos utilizados no controle de pragas e doenças das culturas, os principais sinais e sintomas de envenenamento são:
irritação ou nervosismo; ansiedade e angústia; tremores no corpo; indisposição, fraqueza e mal estar, dor de cabeça, tonturas, vertigem, náuseas, vômitos, cólicas abdominais; alterações visuais; respiração difícil, com dores no peito e falta de ar; queimaduras e alterações da pele; dores pelo corpo inteiro; irritação de nariz, garganta e olhos; urina alterada; convulsões ou ataques; desmaios, perda de consciência e até o coma.
. Intoxicações e mortes causadas pelos agrotóxicos em Santa Catarina
Um exemplo das sérias conseqüências à saúde humana do uso crescente e abusivo de agrotóxicos são os casos de intoxicação e mortes registradas no Centro de Informações Toxicológicas – CIT (UFSC), em Florianópolis, SC. No período de 1984 a 2010, o CIT detectou 11.801 intoxicações de agricultores e 263 mortes em Santa Catarina (Fonte: www.cit.sc.gov.br).
Segundo os técnicos, isto representa apenas uma pequena parte da realidade; os números são, na verdade, bem maiores. Estima-se que, para cada caso registrado, existam mais 10 que não são registrados devido à dificuldade no diagnóstico correto. Tendo em vista o aumento significativo na última década nos casos de intoxicação de pessoas por agrotóxicos em Santa Catarina em até 70% (década de 90 - 350 pessoas intoxicadas registradas por ano, enquanto que na última década chegou a 600 pessoas intoxicadas por ano), apelamos para que as pessoas denunciem para a vigilância sanitária de seu município, quando houver aplicação de herbicidas em sua cidade.
. O que pode ser feito pelo consumidor para diminuir a ingestão de agrotóxicos?
Optar por alimentos certificados como, por exemplo, os orgânicos, e por alimentos da época, que a princípio necessitam de uma carga menor de agrotóxicos para serem produzidos. A orientação é procurar produtos com a origem identificada (nas feiras, por exemplo, é possível conversar diretamente com o produtor) pois, isto aumenta o comprometimento dos produtores em relação à qualidade dos alimentos, com a adoção das boas práticas agrícolas. Outra opção, a ideal, para quem dispor de pequena área (10 m2 é suficiente para produzir as principais hortaliças de ciclo curto para uma família) é ter sua própria horta orgânica, pois é fácil, mais barato, os alimentos são mais nutritivos, podem ser colhidos próximo a hora de consumir (frescos), além de ser uma boa oportunidade de fazer exercícios ao ar livre e, o melhor, não oferece riscos à saúde das pessoas e ao meio ambiente. O CAPS – Centro de Atenção Psicossocial da secretaria de saúde de Urussanga, SC, está fazendo a sua parte; desde outubro/2010 mais de 20 hortaliças foram colhidos na horta orgânica conduzida por pacientes e voluntários. Além de produzir hortaliças frescas e saudáveis, a horta serve como terapia ocupacional, é uma forma de economizar e, o mais importante, não coloca em risco o tratamento das pessoas através de uma série de medicamentos utilizados, pois os alimentos contaminados podem interagir com estes e comprometer ainda mais a saúde destas pessoas. Nas instituições que tratam as pessoas doentes, já com a saúde debilitada, é fundamental que os alimentos sejam saudáveis.
É importante lembrar que a lavagem dos alimentos contribui para a retirada de apenas parte dos agrotóxicos, ou seja, os produtos chamados de contato (que agem externamente). Para os agrotóxicos sistêmicos, ou seja, aqueles que, quando aplicados nas plantas, circulam através da seiva por todos os tecidos vegetais, de forma a se distribuir uniformemente e ampliar o seu tempo de ação, não adianta lavar os alimentos, pois os resíduos de agrotóxicos foram absorvidos pelos tecidos internos da plantas. A água sanitária não remove resíduos de agrotóxicos dos alimentos. Soluções de hipoclorito de sódio (água sanitária ou solução) devem ser usadas para a higienização dos alimentos na proporção de uma colher de sopa para um litro de água com o objetivo apenas de matar agentes microbiológicos que possam estar presentes nos alimentos.
. Os efeitos dos adubos químicos no meio ambiente e na saúde das pessoas
A maioria dos adubos químicos utilizados atualmente, além de acidificar o solo, tornando a prática da calagem necessária, são altamente solúveis e, por isso, contaminam os rios devido à erosão e, o que é pior, juntamente com os agrotóxicos, contaminam o meio ambiente. Os adubos químicos são hidrossolúveis (dissolvem-se na água), sendo que: 1) uma parte é rapidamente absorvida pelas raízes das plantas; 2) a maior parte é lixiviada, ou seja, é lavada pelas águas das chuvas e regas, indo poluir rios, lagos, poços e lençóis freáticos; 3) há ainda uma terceira parte que se evapora, como no caso dos adubos nitrogenados (como a uréia) que sob a forma de óxido nitroso contribui para destruir a camada de ozônio da atmosfera, sendo uma das causas do aquecimento global. Os agroquímicos deixam as plantas mais suculentas para as doenças e pragas e, o que é pior, destroem os inimigos naturais (seres que se alimentam das doenças e insetos-pragas) e ainda prejudicam a vida do solo. Com o tempo, os agrotóxicos matam as doenças e insetos-pragas mais fracos e vão ficando só os mais fortes e, em consequência, devido à seleção natural, ficam resistentes aos agrotóxicos e, por isso, as empresas que produzem tem que descobrir novos produtos, cada vez mais perigosos, para serem aplicados na agricultura.
Dessa forma, alguns insetos que não eram pragas passam a atacar os cultivos. O revolvimento intenso do solo com máquinas e equipamentos, favorecendo a erosão, faz com que se utilize cada vez mais adubos químicos, exigidos em quantidades cada vez maiores pelas cultivares modernas criadas e, em conseqüência do desequilíbrio nutricional do solo, as plantas tornam-se mais susceptíveis às pragas e doenças, exigindo cada vez mais agrotóxicos. O uso de adubos químicos faz com que os aminoácidos (proteínas) se apresentem em forma livre, ao contrário da adubação orgânica onde os aminoácidos formam cadeias complexas, não estando disponível às pragas. Os problemas do uso dos adubos químicos na produção de alimentos, não param por aí! O uso de adubos nitrogenados, especialmente a uréia, provoca o acúmulo de nitratos e nitritos nos tecidos das plantas. O nitrato ingerido passa a corrente sanguínea e reduz-se a nitritos que, combinado com aminas, forma as nitrosaminas, substâncias cancerígenas. O aumento rápido do teor de nitrato nas plantas é a conseqüência mais conhecida do crescente uso de adubos químicos nitrogenados, utilizados na agricultura convencional, para aumentar rapidamente a produtividade de hortaliças de folhas como a alface, couve, agrião, chicória etc. Porém, o uso excessivo deste fertilizante associado à irrigação freqüente, faz com que ocorra acúmulo de nitrato (NO3-) e nitrito (NO2-) nos tecidos de plantas. Resultados de pesquisa em alface revelaram que no cultivo orgânico, cultivo convencional e hidropônico (cultivo de plantas sem solo) são acumulados 565,4; 2782,1 e 3.093,4 mg/kg de nitrato, respectivamente. Segundo a FAO - Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, o índice máximo de ingestão diária admissível de nitratos é de 5 mg/kg de peso vivo e 0,2 mg/kg para nitritos. Ou seja: uma pessoa de 70 kg comendo entre 4 e 9 folhas de alface hidropônica, por 1 dia, já estará atingindo a dose máxima de nitratos permitida. Já no sistema orgânico esta mesma pessoa poderia comer mais de 50 folhas, sem riscos para a saúde.
. De que forma podemos substituir os adubos químicos? A adubação orgânica substitui com inúmeras vantagens os adubos químicos pois, além de ser mais barata, ainda melhora a qualidade dos alimentos, sem riscos para a saúde das pessoas.
A agricultura orgânica é a saída, pois ao contrário da agricultura convencional, trata o solo como um "organismo vivo", ou seja, revolvendo o solo o mínimo possível, sem uso de agroquímicos e priorizando a adubação orgânica, rotação e consorciação de culturas, cultivo mínimo, plantio direto e outras, que favorecem os cultivos e, desfavorecem as pragas e doenças. A ocorrência de insetos-pragas e doenças são a conseqüência e não a causa do problema. Por isso, em agricultura orgânica tratam-se as causas para que os resultados sejam os mais duradouros e equilibrados possíveis. De maneira simples, pode-se dizer que a matéria orgânica é a parte do solo que já foi ou ainda é viva. É a matéria orgânica que dá a cor escura aos solos; em solo muito claro, aparentemente sem vida, "fraco", é provável que o teor de matéria orgânica seja muito baixo (Figura 2). A vida do solo depende da matéria orgânica que mantém a sua estrutura porosa (fofa), sem compactação, proporcionando a vida vegetal graças à entrada de ar, água e nutrientes. Além de estimular a saúde natural das plantas, aumentando a resistência às doenças, pragas e ao "mato" e, ao clima adverso e, especialmente melhorando a vida no solo, a adubação orgânica diminui o custo de produção dos cultivos e, ainda reduz a acidez do solo. Além disso a adubação orgânica aumenta a penetração das raízes e a oxigenação do solo. Possui macronutrientes (Nitrogênio, Fósforo e Potássio - NPK, Cálcio, Magnésio e Enxofre) e micronutrientes em quantidades bem equilibradas, que as plantas absorvem conforme a necessidade, em quantidade e qualidade. Por outro lado, nas inúmeras fórmulas de adubos químicos só existem os macronutrientes NPK – nitrogênio, fósforo e potássio que, ao serem aplicados de forma exagerada, ainda contribuem para acidificar e salinizar o solo. Na adubação orgânica, as perdas dos nutrientes com as chuvas intensas e frequentes são bem menores, quando comparado a adubação química (altamente solúvel). Mas as vantagens da adubação orgânica não param por aí ! ela melhora também a qualidade dos alimentos, tornando-os mais ricos em vitaminas, aminoácidos, sais minerais, matéria seca e açúcares, além de serem mais aromáticos, saborosos e de melhor conservação pós-colheita.
Outra vantagem da adubação orgânica é a oportunidade de fazer a compostagem (adubo natural), especialmente nas cidades, reduzindo pela metade o lixo e, diminuindo o trabalho e, o mais importante, poluindo menos o meio ambiente. Todos ganham com a transformação dos resíduos domésticos em composto orgânico, ou seja, adubo natural! As prefeituras, os recolhedores do lixo, a população que terá uma cidade mais limpa e com menos cheiro desagradável, a horta, o jardim e até as plantas ornamentais, pois terão um adubo de ótima qualidade e barato feito em casa, sem poluir o meio ambiente. Em matérias já publicadas neste blog, mostramos, passo a passo, como fazer a compostagem e utilizar a adubação verde.
Figura 2. Representação de um solo cultivado no sistema convencional (com revolvimento excessivo do solo, compactado e com alto grau de erosão) e um solo orgânico (solo tratado como "organismo vivo").
. O uso de raticidas é um problema de saúde pública
Inundações, enchentes, terremotos, secas, deslizamentos, tsunamis… Até que ponto os recentes desastres ocorridos no planeta podem ser considerados apenas acaso da natureza? Qual a responsabilidade e interferência do ser humano sobre os últimos acontecimentos? Quanto maior a consciência ambiental, melhor será a saúde das pessoas. No mundo há tantas doenças devido aos produtos químicos, que são utilizados de forma exagerada, irresponsável e inadequada, contaminando e poluindo o ar, as fontes de água e, principalmente os alimentos.
Dentre os roedores, os ratos são os que mais causam prejuízos às pessoas tanto na agricultura como nas residências e, o que é pior, podem transmitir doenças tais como a leptospirose. É uma doença infecciosa causada por uma bactéria chamada Leptospira presente na urina do rato. Em situações de enchentes e inundações, a urina dos ratos, presente em esgotos e bueiros, mistura-se à enxurrada e à lama das enchentes. Qualquer pessoa que tiver contato com a água ou lama contaminadas poderá se infectar. A Leptospira penetra no corpo pela pele, através de algum ferimento ou arranhão. Na época de seca, a bactéria oferece riscos à saúde humana através do contato com água ou lama de esgoto, lagoas ou rios contaminados e terrenos baldios onde existem ratos. O controle dos ratos mais conhecido é através de raticidas, embora eficientes, são substâncias químicas de alta periculosidade. O problema é a contaminação do meio ambiente e das pessoas e, especialmente, crianças que não tem noção do perigo e animais. No Centro de Intoxicações Toxicológicas – CIT, do Hospital Universitário da UFSC (www.cit.sc.gov.br), verifica-se mensalmente um elevado número de intoxicações de pessoas com raticidas e, o que é pior, o número de casos está aumentando. Comparando-se os registros no período de 1984/1988 (130 pessoas intoxicadas e 7 animais intoxicados) em relação ao período de 2004/2008 (1.423 pessoas e 79 animais intoxicados), verifica-se um aumento de 1.094 e 1.128%, respectivamente
Controle ecológico de ratos com feijão cru moído
Como fazer: pegue uma xícara de qualquer feijão cru (sem lavar mesmo), coloque no multiprocessador, ou liquidificador (SEM ÁGUA) e triture até virar uma farofinha bem fininha, mas sem virar totalmente pó.
Onde colocar: coloque em montinhos (uma colher de chá) nos cantos do chão, perto das portas, e janelas (sim, eles as escalam), atrás da geladeira, atrás do fogão, atrás de tudo!
O que acontece: o rato come essa farofinha, mas ele não tem como digerir o feijão (cru), por falta de substâncias que digerem feijão cru, causando assim um envenenamento natural por fermentação. Os ratos morrem em até 3 dias. E o mais importante, não tem contra-indicação: ao contrário dos tradicionais venenos, o rato morre e não contamina animais de estimação que por sua vez morreriam por terem comido o rato envenenado. E a quantidade de feijão que ele ingeriu e morreu é insuficiente para matar um cão ou gato, mesmo porque estes gostam de MATAR pra comer... mas morto eles não os comem. Se tiver crianças pequenas (bebês) num período que ainda engatinham, fase que colocam tudo na boca, não faz mal algum, pois o feijão para o ser humano, mesmo cru é digerido.
Controle de ratos com ratoeira ecológica
Como fazer (Figura 3):
basta uma lata, um arame grosso, uma espiga de milho e água. Enche-se meia lata com água e coloca-se o arame transpassando a espiga, depois se coloca um suporte (ripa) para que os ratos possam chegar até a borda da lata. Quando eles forem comer o milho, escorregam, pois a espiga rola, e eles ficam presos na água. A armadilha também pode ser feita com garrafa pet para controlar camundongos em residências.
Por favor, repassem a todos! Faça a sua parte!
O MEIO AMBIENTE E A SAÚDE DE TODOS NÓS AGRADECEM!
Figura 3.
Ratoeira ecológica (foto de Hernandes Werner)
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