Produção agroecológica de mudas de hortaliças


   Frequentemente o produtor de hortaliças tem seu planejamento prejudicado em relação a área a ser cultivada devido à falhas ocorridas na fase de produção de mudas. Problemas nesta fase serão evidenciados na planta adulta, quando dificilmente poderão ser corrigidos. O sucesso de uma cultura depende em mais de 50% da qualidade das mudas. Além disso, o investimento em insumos (adubos e tratamentos fitossanitários), que representam alto custo, não terão o retorno desejado quando são utilizadas mudas de baixa qualidade. A produção de mudas vigorosas e sadias depende da qualidade do substrato, do vigor da semente, do bom controle fitossanitário e da proteção da sementeira. A aquisição de mudas orgânicas de produtores especializados que produzem em bandejas de isopor sob abrigos de plástico e/ou sombrite é uma boa opção para obter-se mudas de qualidade e na quantidade necessária.
Escolha da semente: devem ser adquiridas em embalagens herméticas, dentro do prazo de validade, com alto padrão de sanidade, germinação e vigor, e de empresas com reconhecida idoneidade. É importante o produtor exigir a nota fiscal para que possa, se necessário, reclamar da baixa qualidade da semente comprada. Hoje já são encontradas sementes de hortaliças orgânicas nas casas agropecuárias e associações de produtores orgânicos.
Produção de mudas em copinhos (plástico e papel) e bandejas de isopor: as principais vantagens na produção de mudas em recipientes são: maior uniformidade, precocidade e sanidade das mudas, além de maior economia de sementes. Devido ao fato de não haver rompimento das raízes, evita-se ou diminui-se a incidência de certas doenças e aumenta-se o índice de pegamento no campo, por ocasião do transplante das mudas.
Recipientes utilizados: as bandejas de isopor são as mais utilizadas. Para a alface pode ser utilizado as bandejas com 288 e 200 células, enquanto que para o tomate, pimentão, beterraba e brássicas, as de 128 células são as mais adequadas. Para hortaliças da família das cucurbitáceas (melancia, moranga e pepino) recomenda-se preferencialmente os copinhos de papel ou de plástico, podendo ser utilizadas também bandejas de 128 células.Confecção dos copinhos: corta-se uma folha de jornal, sem ser colorida, em cinco tiras, no sentido horizontal da página, com cerca de 11,5 cm de largura cada uma e enrola-se em torno de um cano de PVC (50mm) com 7 cm de comprimento. A extremidade do cilindro de papel é dobrada para dentro, de modo a formar o fundo do copinho e depois bate-se o fundo do cano para comprimir as dobras do fundo do molde. Posteriormente, enche-se o cano com o substrato e retira-se o mesmo para confecção de outros copinhos. Substratos: na produção de mudas é fundamental o uso de substrato de boa qualidade que permita servir de suporte as plantas e dar um ambiente favorável para o desenvolvimento das raízes quanto a nutrição e porosidade e, principalmente isento de contaminação por fungos e bactérias.Muitos substratos que estão a venda nas casas agropecuárias especializadas não preenchem estes requisitos, por isso é importante que o produtor teste, antes de adquirir grandes quantidades. Abaixo exemplos de formulação de substrato que o agricultor pode testar em sua propriedade: a)substrato A: composto orgânico peneirado; b) substrato B: 2 latas de subsolo ou terra de mato + 1 lata de cama de aviário curtida + 1 lata de casca de arroz carbonizada; c)substrato C: 2 latas de húmus + 2 latas de casca de arroz carbonizada ou 1 lata de areia lavada de rio; d) substrato D: 2 latas de composto orgânico + 1 lata de húmus de minhoca + 1 lata de terra de mato ou subsolo.Obs.: a terra não deve ser coletada em locais cultivados para evitar pragas, doenças e plantas espontâneas. Suporte e proteção das mudas : o suporte para as bandejas e os copinhos devem estar a uma altura de 80 cm para facilitar o trabalho do operador, durante semeadura, desbaste e eliminação de plantas espontâneas. As bandejas devem estar suspensas por arames fixados em palanques para permitir a poda seca das raízes. A estrutura do suporte deve ser bem rígida para suportar o peso das bandejas e mantê-las em nível. A finalidade da proteção é reduzir ao máximo as variações climáticas ou a força de impacto de certos fatores climáticos como vento, temperatura, luz, chuva, geada e etc. Os túneis altos cobertos com plástico que funcionam como um guarda-chuva, são os mais utilizados (Figura 1). No verão são auxiliados por sombrite que deixam passar 30 a 50 % da luz para reduzir o calor. No inverno são fechados. Nas laterais usa-se telas para evitar a entrada de pulgões e tripes, transmissores de viroses. Para a produção de pequenas quantidades de mudas reduz-se o tamanho do abrigo de mudas. O manejo é o mesmo, independente do tamanho.
 Figura 1. Produção de mudas em bandejas de isopor protegidas por um abrigo de plástico

Irrigação nas sementeiras (bandejas) : como as células das bandejas têm uma superfície pequena, a distribuição de água deve ser uniforme para que cada célula receba a mesma quantidade de água. Isso pode ser feito manualmente com regador de crivo fino ou através de microaspersores especiais como os nebulizadores. A irrigação ideal é a que permite umedecer o substrato sem gotejar abaixo das células para não perder nutrientes e água. A frequência das irrigações depende da temperatura e umidade do ar, podendo variar de uma vez por dia no inverno até cinco vezes no verão. Entre uma irrigação e outra, a superfície do substrato precisa secar. Durante a noite a parte aérea das mudas tem que permanecer seca. A água para irrigação deve ser potável e de baixa salinidade, podendo ser obtida do subsolo (poços) e nascentes. A água proveniente de rede pública de abastecimento deve ser evitada devido ao excesso de cloro. Os equipamentos usados para a irrigação são os mais variados que existe no mercado, desde um regador com crivo fino, mangueira de jardim com difusor, microaspersores do tipo "fogger" (nebulizadores), sprinkler, bailarina e etc...
Manejo fitossanitário - as principais medidas visando o manejo fitossanitário são: a) evitar a colocação de abrigos em áreas que já apresentaram doenças e pragas, alta infestação de plantas espontâneas e perto de plantios definitivos da espécie; b) evitar água que passa por diversas propriedades ou que esteja próximo às culturas; c) não utilizar sementes contaminadas ou de origem desconhecida; d) evitar o excesso de água no ambiente; e) não permitir que as plantas se estressem com freqüência controlando a temperatura do ar e a irrigação, pois as plantas mal tratadas são mais susceptíveis ao ataque de pragas e doenças; f) evitar ferimentos nas plantas e g) não armazenar lixos ou restos de culturas próximo aos abrigos.
Adubação: quando o substrato e o manejo da irrigação são adequados, não haverá necessidade de adubação de cobertura. Se ocorrer deficiências, corrigir com, cinza e farinha de osso ou biofertilizantes ou ainda chorumes.
Transplante: um dia antes do transplante, diminuir a irrigação. No momento anterior ao transplante fazer uma boa irrigação nas bandejas para facilitar a retirada de muda com o torrão inteiro e permitir que a muda recupere a turgidez após o transplante. Enterrar apenas o torrão com raízes, não permitindo o contato de terra com a gema de crescimento da muda. Fazer uma irrigação no local do plantio definitivo antes ou logo que terminar a operação.

1 comentários:

gledson santos disse...

Parabéns pela explicação

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Objetivos!

Com o objetivo principal de divulgar os conhecimentos adquiridos, baseados nas pesquisas realizadas na Epagri/Estação Experimental de Urussanga em Santa Catarina, nas consultas bibliográficas e, na experiência adquirida nos 32 anos de vida profissional como pesquisador da Epagri na área de hortaliças, estamos colocando este blog à disposição dos interessados. Outros objetivos são: intercâmbio e socialização de informações relevantes sobre agricultura orgânica.

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