sexta-feira, 20 de julho de 2012


    O cultivo orgânico de alface e repolho, embora sejam importantes hortaliças-folhosas, já foram abordadas neste blog, sendo as matérias postadas em 18/01/2011 e 09/02/2011, respectivamente. Por outro lado, a cebolinha e a salsa, embora sejam também consideradas hortaliças-folhosas, já foram abordadas recentemente neste blog em matéria postada no dia 21/05/2012, dentro do grupo de hortaliças-condimentos (Parte II). É importante, sempre que pensar no cultivo de hortaliças, coletar amostra do solo para análise da fertilidade e da acidez, com antecedência. A calagem e a adubação orgânica de plantio e, em cobertura recomendada, caso necessárias, será com base nesta análise, interpretada por um técnico de seu município. 

Figura 1. Hortaliças-folhosas: repolho, espinafre, agrião, rúcula, radiche, alface, salsa, couve e 
cebolinha 

Acelga 


A acelga (Beta vulgaris var. cicla) é uma planta bianual (no 1º ano apresenta o crescimento vegetativo e no 2º ano produz sementes) de ciclo longo, pertencente à família Quenopodiáceas, assim como a beterraba, que tem como parte comestível às folhas cuja coloração é variável (de verde escuro à verde claro) que são ovaladas com as bordas encouraçadas. Para que ocorra a formação de flores é necessário que a planta passe por um período de temperaturas baixas. As sementes são muito pequenas e estão encerradas em um pequeno fruto, que é comumente chamado de semente. Cada fruto contém de 3 a 4 sementes muito pequenas. A hortaliça (Figura 2) é originária da Europa, onde cresce espontâneamente e é cultivada há mais de 2000 anos, muito apreciada em São Paulo e arredores. 

Figura 2. Hortaliça-folhosa: acelga

   A acelga é uma hortaliça composta por vários e importantes nutrientes e com sabor agradável. A acelga, também conhecida como beterraba branca, é uma verdura muito nutritiva, mas ainda pouco consumida no Brasil. É rica em vitaminas (A, B, B2, B5 e C), Niacina e de sais minerais (cobre, enxofre, iodo, cálcio, ferro, fósforo, potássio e sódio). Tem poucas calorias e quase nenhuma gordura, podendo ser usada em dietas de baixo consumo calórico. A vitamina A encontrada nesta hortaliça, é indispensável para manter a saúde dos olhos, garantindo uma boa visão. Ajuda a manter a pele e as mucosas saudáveis, auxilia no crescimento e faz parte da formação do esmalte dos dentes. A vitamina C dá resistência aos vasos sanguíneos, combate processos infecciosos, evita problemas de pele, hemorragias e fortalece os ossos e os dentes. A Niacina, assim como todas as outras vitaminas do Complexo B, protege o aparelho digestivo e o sistema nervoso central. A acelga possui ainda grande quantidade de fibras que facilitam o bom funcionamento dos intestinos. Pode-se usar o suco deste vegetal, misturado em partes iguais com o suco de agrião para combater os cálculos biliares. Toma-se um copo, por dia, em jejum. Também se utiliza a acelga para combater a prisão-de-ventre, preparando um laxante poderoso com meio copo de suco de acelga e uma colher de sopa de azeite. Mas atenção, ela não deve ser consumida de forma exagerada, pois possui grande quantidade de oxalato, uma substância que prejudica a absorção de cálcio no organismo. O chá da raiz é remédio contra enfermidades do fígado. As sementes são boas para combater a disenteria, a metrorragia (sangramentos acíclicos do útero fora do ciclo menstrual normal) e a poliúria (sintoma que corresponde ao aumento do volume urinário). 

Cultivo: A acelga é uma planta de clima temperado, suportando até geadas suaves. Desenvolve-se com temperaturas que são compreendidas entre um mínimo de 6º C e um máximo de 27º a 33º C, sendo o período mais favorável entre 15º e 25º C. Em algumas regiões tropicais e subtropicais seu desenvolvimento é bom, contanto que seja cultivada em áreas altas e, nestas situações, pode se comportar como uma planta perene, devido à ausência de inverno definido nestas regiões. Requer solos profundos e ricos em matéria orgânica. Suporta muito bem solos salinos, mas requer solos alcalinos, com um pH ótimo de 7,2. Tolera solos com pH variando de 5,5 a 8, mas não tolera os solos ácidos. É uma planta que necessita de alta umidade, especialmente quando é jovem. No verão, a falta de água proporciona folhas amargas. Dentre as variedades, destacam-se a Kukai, Chinesa, Européia, Branca de Lyon e a Crespa de Lukullus. O espaçamento recomendado para esta cultura é de 0,6 entre fileiras por 0,2 m entre plantas, com 3-4 sementes por cova. A semeadura é feita em local definitivo. Para se obter melhores porcentagens de germinação, deve-se deixar de molho as sementes por 24 horas antecedendo ao plantio. Quando as plantinhas tiverem alcançado 10 a 15 cm de altura, faz-se o desbaste, deixando uma planta por cova. A vaquinha e a lagarta das folhas são as principais pragas que podem prejudicar as plantas. A rotação ou consorciação de culturas deve ser feita, especialmente com leguminosas, pois estas fornecem nitrogênio para a hortaliça. 

Colheita: As folhas externas da planta mais desenvolvidas são colhidas geralmente entre 55 e 65 dias após o plantio, cuidando-se para não danificar as folhas internas. Esta operação persiste por 3 a 4 meses. Quando for comprar acelga, atenção para as folhas que devem estar novas e na cor verde-claro, com o talo verde-esbranquiçado. A consistência deve ser firme, parecida com a do repolho. As folhas internas precisam estar viçosas, sem manchas ou marcas de insetos. Quando o talo está mole ou com manchas pretas, é sinal de que a acelga já está passada. Guarde a acelga na gaveta de verduras da geladeira, onde se conserva em bom estado durante 3 ou 4 dias. 


Agrião 

O agrião (Lepidium sativum, L.) pertence à família das Brassicaceae. O agrião (Figura 3) saiu da região Sudeste da Ásia para o continente europeu há vários séculos, espalhando-se pelo mundo. De folhas pequenas e verde-escuras, a hortaliça é uma excelente opção para enriquecer saladas. Com baixo teor calórico, o agrião é também fonte de provitamina A (especialmente betacaroteno), possui grande quantidade de vitamina C, vitaminas do complexo B e sais minerais. É uma fonte valiosa de cálcio, ferro e potássio. O talo crocante tem ainda alto teor de iodo. Para completar, as folhas apresentam um sabor picante, mas suave, que estimula o apetite. Propriedades medicinais não faltam ao agrião. O agrião é uma planta de características medicinais muito conhecidas. Atualmente, é muito utilizado em combinação com o mel de abelha, para a fabricação de xaropes ou sprays que destinam-se a combater problemas na garganta ou pulmonares, tais como tosse, rouquidão, etc. Outras propriedades medicinais do agrião são: diurético, laxante e vermífugo. É rico em antioxidantes que ajudam a prevenir o câncer. Ele é, ainda, utilizado para ajudar no tratamento de doenças nos rins, fígado e em problemas de pele. A hortaliça faz bem para o fígado, é diurética e recomendada para diabéticos. Além disso, o agrião combate o ácido úrico, tuberculose, raquitismo, formação de pedra nos rins e efeitos tóxicos da nicotina. O suco de agrião fervido com leite é expectorante e, se misturado com mel, ajuda a aliviar a bronquite. 
Figura 3. Hortaliça-folhosa: agrião
As variedades mais conhecidas são: folha larga e folha d'água. Existe ainda o agrião da terra, mais picante, conhecido também por "mastruço". Mais popular por aqui são as variedades chamadas de "agrião de água", sobretudo aquelas que pertencem ao grupo de folhas largas. Os brasileiros também costumam consumir muito o agrião de terra seca, sendo algumas vezes preferida como broto. As temperaturas ideais variam entre 16 e 20ºC, mas produz em regiões mais quentes. Os terrenos argilosos, com muita matéria orgânica e baixa acidez (pH entre 6,0 e 6,8) são os ideais. 

Cultivo do agrião d'água: O agrião (Rorippa nasturtium-aquaticum L.) é uma planta que se desenvolve em terrenos alagados ou muito úmidos e, por esta razão, é conhecido também como agrião-d'água ou agrião aquático. É uma planta de clima ameno e seu desenvolvimento é melhor em temperaturas que variam de 16 a 20ºC. Com temperaturas mais elevadas, o agrião floresce mais rápido, apresenta um desenvolvimento menor da planta, além de prejudicar a qualidade. Por ser uma planta que necessita de muita água e umidade, os solos mais indicados para o seu cultivo são os que possuem maior capacidade de retenção de água, os solos argilosos. Como é uma planta rústica e resistente, o agrião é fácil de cultivar. Porém, precisa de muita água limpa disponível. No geral, a multiplicação é feita por meio de estacas, isto é, por meio de pedaços de hastes fortes. Deixa-se depois entrar água, que não mais é retirada; com o crescimento das plantas, procura-se ir aumentando a altura da água. Pode-se também fazer a multiplicação do agrião por meio de sementes. A sementeira é feita pelos métodos comuns, tendo-se o cuidado de pulverizar bem a terra do canteiro, porque as sementes são muito miúdas. Na sementeira utiliza-se sulcos separados por 10cm e 0,5cm de profundidade. Também pode ser plantada diretamente nos canteiros. Em um grama há, aproximadamente, 5000 sementes que germinam na proporção de 40%. Para o plantio, são necessários 4 kg de sementes/ha. Com 8 cm de altura leva-se as mudas para as agrieiras. O espaçamento recomendado para o cultivo do agrião são de 20 centímetros entre plantas e 25 entre linhas. Deve-se evitar a concorrência por água e nutrientes com a eliminação de plantas espontâneas ("mato") no local. Assim que as plantinhas apresentarem ramas de cinco centímetros, é hora de realizar o raleamento. Em cada cova, é bom deixar de três a quatro plantas. As agrieiras devem sempre estar inundadas, mas somente até o ponto em que a folhagem fique fora d'água. Outro ponto importante é a utilização de adubação de cobertura. As mudas devem ser transplantadas para o canteiro durante os meses de temperaturas mais amenas. 
Cultivo do agrião do seco: O agrião do seco (Lepidium sativum L.) é uma planta herbácea anual conhecido também como agrião-de-jardim, agrião, agrião-da-índia, agrião-mouro, mastruço e mastruço-ordinário. Ele pode ser utilizado como medicinal ou na alimentação humana, sendo consumido principalmente na forma de brotos. Suas folhas basais são diferentes das folhas do caule. As folhas basais tem longos pecíolos, são duplamente lobadas, com margens denteadas e dispostas em roseta, enquanto que as folhas caulinares são lanceoladas a lineares, menores e com margens inteiras. Quando adulta pode alcançar 60 cm de altura. As inflorescências são do tipo rácimo, apresentando flores pequenas e brancas, que dão origem à frutos do tipo síliqua, deiscentes. O cultivo do agrião do seco pode ser comercial, em larga escala, ou até mesmo em apartamento para o consumo dos próprios residentes. É uma importante hortaliça para cultivar em pequenos espaços, enriquecendo a alimentação de crianças, adultos e idosos. Ele pode ser utilizado cru em saladas, sanduíches, sucos, ou cozido, temperando diversos pratos. Seu sabor é levemente picante como as outras espécies de agrião: o agrião-da-água (Nasturtium officinale) e o agrião-da-terra (Barbarea verna) . É rico em vitaminas do complexo B, vitaminas A e C, além de sais minerais. 
Colheita: após cerca de dois meses do plantio, o agrião já pode ser colhido. Antes, verifique se as folhas estão desenvolvidas e tenras. É possível fazer de três a quatro cortes, com intervalos de um mês. Os melhores cortes são os de época fria. No verão, há tendência para o florescimento, diminuindo o tamanho das folhas. Os cortes são feitos à 8 cm do solo, evitando abalar a planta. 


Almeirão ou radiche 

   O almeirão (Cichorium intybus), planta perene, conhecido também por radiche e chicória, pertencente a família botânica das Asteraceae, tem como origem a Ásia, Europa e África. É uma planta herbácea da mesma família da alface e chicória que apresenta sistema radicular do tipo pivotante, profundo e sem ramificações laterais; as folhas são lanceoladas e de sabor amargo acentuado, muito utilizadas como salada ou, em alguns casos, refogadas. Apresenta folhas alongadas, largas ou estreitas, mais ou menos pubescentes, de coloração verde ou arroxeada de acordo com a variedade. Esta hortaliça (Figura 4) é uma boa fonte de fósforo e ferro e também fornece vitaminas A, C e do complexo B. 
   Com as folhas do almeirão podem ser preparadas ricas saladas cruas, e saborosos refogados, acompanhando legumes, cereais ou carnes. Seu sabor é amargo e seu valor nutricional é superior à alface, sendo mais rico em vitaminas, minerais e fibras. As raízes prestam-se para a extração industrial do carboidrato inulina, de importantes aplicações na indústria farmacêutica e de alimentos dietéticos; e para a produção de um substituto do café, após sofrerem secagem, torrefação e moagem. As flores do almeirão também são comestíveis e podem adornar saladas com efeito surpreendente. É plantado para fins ornamentais, principalmente na Europa, devido às belas flores, que acrescentam um efeito campestre em maciços ou em conjuntos com outras flores. 

Figura 4. Hortaliça-folhosa: Almeirão ou radiche

Cultivo: produz melhor sob temperaturas amenas, sendo cultivado, geralmente, no outono-inverno; à cultura se adapta melhor à semeadura direta; o espaçamento entre linhas varia de 20cm a 40cm;.é uma espécie que sofreu intenso melhoramento genético, disponibilizando atualmente plantas com folhas abertas, de cabeça (folhas justapostas e fechadas) e plantas de raiz mais engrossada. As principais variedades são "Catalonha", "Pão-de-açúcar", "Radiche (Folha larga)", "Palla Rossa", "Madnesburgo (de raiz)" e "Spadona". Deve ser cultivado sob sol pleno, em solo fértil, bem drenável, enriquecido com matéria orgânica e irrigado regularmente. Tolera o frio e o calor. O solo deve estar bem preparado na ocasião do plantio. Multiplica-se por sementes diretamente no local definitivo. O desbaste deve ser realizado quando as plantas atingirem 10 cm, deixando uma planta a cada 15 cm. 
Colheita: A colheita inicia-se em 80 dias no verão e 100 dias no inverno. Apesar de perene é cultivada como anual, .efetuando-se o corte das folhas externas, obtendo-se até 6 colheitas parceladas; as folhas são comercializadas na forma de maços. O almeirão, como a maioria das hortaliças-folhosas, estraga-se rapidamente, murchando e amarelecendo depois de colhido. O almeirão pode ser mantido por até três dias na geladeira 


































Ferreira On 7/20/2012 03:10:00 AM 2 comments LEIA MAIS

quinta-feira, 5 de julho de 2012


Coentro



O coentro (Coriandrum sativum L.), pertencente a família botânica das Umbelliferae (aipo e batata-salsa), é originário da Costa do Mediterrâneio (Sul da Europa, Oriente Médio e África do Norte). É uma planta anual, herbácea, com caule cilíndrico, estriado e pouco ramificado, que pode atingir de 0,70 a 1 m de comprimento. As folhas são de coloração verde-brilhante que exalam um aroma forte e fétido quando esmagadas, lembrando o cheiro exalado por percevejos (Figura 1). O florescimento ocorre entre a primavera e o verão. 
Figura 1. Coentro

Principais usos: O coentro, também chamado de coentro-das-hortas, é um excelente condimento, de uso generalizado não só no Brasil como em quase todo o mundo, sendo particularmente utilizado para temperar peixes. Suas sementes são ricas em retinol, tiamina, riboflavina, niacina, cálcio, fósforo, ferro e ácido ascórbico. Nos frutos, encontramos também vitamina C. 
   O coentro pode ser encontrado na forma de ramos, grãos ou em pó. Pode ser empregado para temperar carnes, sopas, legumes, patês, biscoitos, pães, bolos e variados pratos salgados. Como uso terapêutico, é indicado em casos de flatulência e diarréia. É vermífugo, carminativo e estimulante das funções digestivas. Ajuda a disfarçar o hálito, quando mastigado imediatamente após o consumo de alho. 
   O coentro também pode ser utilizado no manejo de insetos-pragas: quando consorciado com tomate diminui o ataque da traça do tomateiro e da mosca branca, além de atrair inimigos naturais de diversas pragas que atacam as hortaliças. O preparado com coentro é eficiente no manejo de ácaros e pulgões. Como preparar: cozinhar folhas de coentro em 2 L de água; para pulverizar as plantas, acrescentar mais água. 

Propagação: por sementes. 

Cultivo: o coentro é uma planta que tolera bem tanto o frio como o calor, assim como curtos períodos de seca. O plantio é feito através de seus frutos ou sementes. A semeadura deve ser em local definitivo, em canteiros bem preparados, utilizando-se 15 a 25 kg de sementes por hectare. Cada região tem sua época mais adequada, mas recomenda-se que seja feita no início da primavera. Deve-se evitar a semeadura no período de inverno, devido principalmente ao risco de ocorrência de geadas. Usar espaçamento entre as linhas de 30 cm, para solos livres ou com pouca ocorrência de plantas espontâneas. As sementes devem ser semeadas nos sulcos das linhas a uma profundidade de 2 a 2,5 cm, e cobertas com 1 a 2 cm de terra. Utilizar espaçamento de 2 a 5 cm, entre as sementes na linha. A germinação ocorre no período de 7 a 14 dias. Deve-se então realizar o desbaste, eliminando as plantas fracas e determinando-se o espaçamento final entre uma planta e outra na linha, de 15 a 25 cm. Os solos férteis, profundos, bem drenados e com boa exposição à radiação solar são os preferidos. Devem ser evitados solos ácidos e os que retêm muita umidade. Solos ricos em nitrogênio e adubações nitrogenadas intensas devem ser evitadas, pois o excesso de nitrogênio atrasa o amadurecimento das sementes ou prolonga o período de progressivo amadurecimento e reduz a produção. Adubações com fósforo e potássio no mesmo ano do plantio produzem sementes mais aromáticas. Realizar controle e combate de ervas daninhas. Irrigar ou drenar o solo, e adubar, sempre que necessário.

Wilt, oídio e fel-tronco são as principais doenças. O Wilt causado pelo fungo Fusarium oxysporum f.sp. corianderii pode ser facilmente reconhecida no campo pela inclinação das porções terminais, seguido de murchamento e secamento de folhas, o que pode resultar em morte. Aração profunda deve ser feito durante a temporada de verão. Rotação de culturas em áreas atacadas pela doença, por 2 ou 3 anos, também é recomendado. O Oídio causado pelo fungo Erysiphe polygoni aparece como pequenas, brancas manchas circulares em partes jovens de caules e folhas. Estes aumentos em tamanho, muitas vezes se aglutinam para cobrir extensas áreas de superfície da folha. As folhas afetadas são reduzidas em tamanho e distorcidas. Para controlar esta doença, pó de enxofre (20-25 kg/ha) é eficiente.    
    Pulverização de enxofre molhável 0,25% também pode controlar esta doença. Outra doença que pode causar prejuízos a lavoura é o Fel-tronco causado pelo fungo Protomyces macrosporus; galhas aparecem nas folhas e caules das plantas afetadas por esta doença.
Colheita: A colheita dos frutos é realizada a partir do momento em que 50 a 60% dos frutos, apresentam cor amarelo-dourado ou marrom-claro-amarelado, ou pardo, conforme a variedade. A colheita é feita, cortando-se os ramos com as umbelas (extremidades dos ramos onde estão os frutos). As umbelas cortadas podem ser colocadas em recipientes sem furos, para serem transportados para o local de secagem. A colheita das folhas é feita a partir do momento em que a planta possui folhas suficientes que possam ser colhidas, sem prejudicar o seu desenvolvimento, encerrando a colheita quando surgirem os primeiros órgãos que originarão as flores.

Pimentas
(Fonte: www.cnph.embrapa.br/paginas/sistemas_producao/cultivo_da_pimenta.htm)
   As espécies de pimentas do gênero Capsicum pertencem à família botânica Solanaceae, como o tomate, a batata, a berinjela e o jiló. Dentre as espécies do gênero Capsicum, cinco são domesticadas e largamente cultivadas e utilizadas pelo homem: Capsicum annuum; C. bacccatum; C. chinense; C. frutescens e C. pubescens. Destas, apenas C. pubescens não é cultivada no Brasil. Com a chegada dos navegadores portugueses e espanhóis ao continente americano, muitas espécies de plantas foram descobertas, entre elas as pimentas. As pimentas do gênero Capsicum já eram utilizadas pelos nativos e mostraram-se mais picantes (pungentes) que a pimenta-do-reino ou pimenta-negra, do gênero Piper, cuja busca foi, possivelmente, uma das razões das viagens que culminaram com o descobrimento do Novo Mundo. É igualmente substancial a contribuição histórica brasileira na dispersão destas plantas pelo mundo, eficientemente feita pelos navegadores portugueses e pelos povos que eram transportados em suas embarcações. As rotas de navegação no período 1492-1600 permitiram que as espécies picantes e doces de pimentas viajassem o mundo. As pimentas foram então, introduzidas na África, Europa e posteriormente na Ásia. O cultivo de pimentas ocorre praticamente em todas as regiões do país e é um dos melhores exemplos de agricultura familiar e de integração pequeno agricultor-agroindústria. As pimentas (doces e picantes), além de serem consumidas frescas, podem ser processadas e utilizadas em diversas linhas de produtos na indústria de alimentos. A área anual cultivada é de cerca de dois mil ha e os principais estados produtores são Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Ceará e Rio Grande do Sul. Altas cotações para o produto são alcançadas nos meses de inverno quando o Sul e Sudeste são abastecidos principalmente, pela produção das regiões Nordeste e Centro-Oeste,
Principais usos: Diversos relatos de exploradores do Brasil-colônia demonstram que a pimenta era amplamente cultivada e representava um item significativo na dieta das populações indígenas. Ainda hoje, a importância das pimentas continua grande, seja na culinária, nas crenças, na medicina alopática ou natural e inclusive como arma de defesa. São remédios para artrites (pomadas a base de capsaicina), dores musculares (emplastro 'Sabiá'), dor de dente, má digestão, dor de cabeça e gastrite. A capsaicina, responsável pela pungência das pimentas, é a única substância que, usada externamente no corpo, gera endorfinas internamente que promovem uma sensação de bem-estar, acionando o potencial imunológico. Os índios Caetés foram os primeiros brasileiros a usar a pimenta como arma, sem imaginar que séculos depois a oleorresina de pimenta em aerossol ou em espuma, os famosos 'pepper spray' e 'pepper foam', seriam utilizados pela polícia moderna. Além do mercado interno, parte da produção brasileira de pimentas é exportada em diferentes formas, como páprica, pasta, desidratada e conservas ornamentais.
O extrato de pimentas picantes, especialmente a pimenta malagueta é eficiente para o manejo de grilos, paquinhas, lagarta rosca, vaquinhas e pulgões que atacam as hortaliças. Modo de preparo: coloca-se a quantidade disponível de pimentas num frasco, acrescentando-se álcool, até cobrí-las;  fecha-se e deixa-se curtir por pelo menos 3 dias. Após, o extrato já pode ser utilizado ou armazenado em local escuro. Recomenda-se uma colher de sopa deste extrato por litro de água para pulverizar as plantas. Mas também é possível utilizar dosagens mais fortes (até 1%) para aplicações em hortas. Seu uso deve ser repetido após chuvas ou irrigação. Usar luvas ao manipular a pimenta e vestimenta de proteção ao aplicar o extrato. Quando utilizar este extrato em hortaliças folhosas e hortaliças-frutos, deve-se obedecer um período de carência mínima de 12 dias da colheita para evitar a obtenção de frutos e folhas com forte odor.
Propagação: por sementes
Cultivo: A pimenteira é uma planta exigente em calor, sensível a baixas temperaturas e intolerante a geadas, por isso deve ser cultivada preferencialmente nos meses de alta temperatura, condição que favorece a germinação, o desenvolvimento e a frutificação, obtendo-se assim, um produto de alto valor comercial com menor custo de produção. Nas diferentes regiões produtoras do Sul e Sudeste do país as temperaturas elevadas consideradas ideais acontecem na primavera e verão, sendo indicados os meses de agosto a janeiro para semeadura. Entretanto, nas regiões serranas e de temperaturas mais amenas, a época mais conveniente é de setembro a novembro em razão de sua exigência em temperaturas elevadas. Os solos utilizados para o cultivo de pimenta devem ser profundos, leves, drenados (com bom escoamento de água, não sujeitos a encharcamento), preferencialmente férteis, com pH entre 5,5 a 7,0. Devem ser evitados solos salinos ou com elevada salinidade, uma vez que as pimentas, assim como pimentão, são sensíveis.
Recomenda-se que sejam evitadas áreas que tenham sido cultivadas nos últimos 3-4 anos com outras plantas da família das solanáceas (como batata, tomate, berinjela, pimenta, jiló, fumo, Physalis) ou Cucurbitáceas (como abóbora, moranga, pepino, melão e melancia). Áreas com cultivos anteriores de gramíneas (milho, sorgo, arroz, trigo, aveia), leguminosas (feijão, soja) ou aliáceas (cebola, alho), são as mais indicadas. A quantidade de adubo a ser aplicada é determinada com base na análise química do solo. A maioria das cultivares de pimentas plantadas no Brasil como a ''Malagueta'' (Capsicum. Frutescens – Figura 2), 'Dedo-de-Moça' (C. baccatum), 'Cumari' (C. baccatum var. praetermissum), 'De Cheiro' e 'Bode' (C. chinense), são consideradas variedades botânicas ou grupos varietais, com características de frutos bem definidas. Normalmente, o produtor produz sua própria semente, e as diferenças existentes dentro destes grupos estão relacionadas às diferentes fontes de sementes utilizadas para o cultivo. O transplante é realizado quando as mudas apresentarem de 4 a 6 folhas definitivas ou aproximadamente 10cm de altura. No caso de terem sido formadas em sementeiras, as mudas devem ser retiradas com cuidado, preferencialmente com o torrão para se evitar danos às raízes. Os espaçamentos dos sulcos de plantio ou canteiros são definidos de acordo com a cultivar ou tipo de pimenta, região de plantio ou ciclo da cultura (Tabela 1). As hastes lenhosas da maioria dos tipos de pimenta dispensam tutoramento e desbrota. Entretanto, caso apareçam brotações na haste principal abaixo da primeira bifurcação, elas podem ser retiradas. Em locais de ventos fortes, pode ocorrer a necessidade de se fazer tutoramento da planta (colocando-se uma estaca de madeira ou bambu junto à planta) ou o plantio de quebra-vento em volta do campo (capim-elefante, milho, cana-de-açúcar).
Figura 2. Pimenta malagueta
   A deficiência de água, especialmente durante os estádios de floração e pegamento de frutos, reduz a produtividade em decorrência da queda de flores e abortamento de frutos. Todavia, plantas de pimenta submetidas a deficiência moderada de água no solo produzem frutos mais pungentes, com maior teor de sólidos solúveis e de matéria seca. O excesso de água no solo também pode comprometer a produção de pimentas. Irrigações excessivas, principalmente em solos de drenagem deficitária, prejudica a aeração do solo e favorece o desenvolvimento de várias doenças de solo, como a causada por Phytophthora capsici.
Tabela 1. Informações sobre espaçamentos, época de plantio e ciclo dos principais tipos de pimentas em diferentes regiões do país.  

    O produtor de pimenta procura, sempre que possível, cultivar áreas sob rotação de culturas, evitando aquelas previamente utilizadas com solanáceas. A rotação adequada de culturas é importante para o manejo de plantas espontâneas, pois as práticas culturais provocam mudanças na população de plantas, havendo a cada ano uma nova relação de interferência entre as diferentes espécies. Para que as doenças sejam bem controladas é necessário que a cultura seja bem conduzida, ou seja, que a planta não esteja sujeita a estresses provocados por fatores diversos, tais como época de plantio desfavorável, adubação desbalanceada, ferimentos nas plantas, competição com plantas daninhas e o uso de cultivares não adaptadas ao clima. Dentre estes fatores, deve ser dada atenção especial ao tipo de solo e modo de irrigação. Plantas de pimenta são muito sensíveis a solos encharcados e morrem prematuramente por esta causa. O controle de doenças de plantas é, mais que tudo, 'medicina preventiva', ou seja, a estrita observação de medidas que devem ser adotadas antes mesmo do plantio.
A seguir, são mencionadas algumas medidas para evitar o aparecimento de doenças ou reduzir seu efeito:
1. Plantar sementes de boa qualidade, adquiridas de firmas idôneas. Em caso de produção própria, devem ser escolhidas as plantas saudáveis para se retirar sementes. Muitas doenças das pimentas são transmitidas pela semente;
2. Preferir variedades bem adaptadas ao clima local e à época de plantio, e que tenham resistência às principais doenças que ocorrem na região. Estas informações podem ser obtidas em catálogos de empresas de sementes;
3. Escolher para instalação da cultura uma área bem ventilada, que não tenha histórico de plantio recente com solanáceas (pimentão, tomate, berinjela, jiló), com solo bem drenado, não sujeita a empoçamento de água;
4. Fazer uma adubação balanceada, baseada em análise do solo. Falta ou excesso de nutrientes são causas freqüentes de distúrbios fisiológicos graves;
5. Produzir ou adquirir mudas sadias. Infecções precoces, provocadas por semente contaminada ou substrato infestado, dificultam sobremaneira a manutenção da sanidade nas plantas adultas. Sementeiras devem ser feitas preferencialmente em telados instalados em locais separados do campo de cultivo, onde as mudas ficam protegidas de vetores de viroses;
6. Evitar o excesso de água na irrigação, pois este é o fator que mais afeta o desenvolvimento de doenças, em especial aquelas associadas ao solo;
7. Usar água de irrigação de boa qualidade, que não tenha sofrido contaminação antes de chegar à propriedade;
8. Controlar os insetos que são vetores de viroses e que provocam ferimentos nas plantas, principalmente nos frutos;
9. Evitar ferimentos à planta durante as operações de amarrio, capinas, irrigação ou outros tratos culturais;
10.Realizar as pulverizações de preferência de forma preventiva, quando as condições climáticas forem favoráveis a uma determinada doença. Após o seu estabelecimento, a maioria das doenças não pode mais ser controlada;
11.Evitar ao máximo o trânsito de pessoas e de máquinas que podem levar estruturas de patógenos de uma área para outra. Em cultivos protegidos, recomenda-se colocar uma caixa com cal virgem na entrada para desinfestação de calçados;
12.Destruir os restos culturais, que normalmente hospedam populações de patógenos e insetos. Esta destruição pode ser feita por enterrio profundo ou queima controlada;
13.Realizar rotação de culturas, de preferência com gramíneas, tais como milho, trigo, arroz, sorgo ou capim. Esta medida é muito importante para o controle de doenças de solo, mais difíceis de serem controladas;
14.Inspecionar a lavoura com freqüência para identificar possíveis focos de doença, ainda em seu início.
O controle de insetos e ácaros deve ser feito de maneira integrada, onde práticas como a destruição de restos culturais, eliminação de plantas hospedeiras silvestres ou voluntárias, rotação de culturas, utilização de cultivares resistentes, utilização de mudas sadias, além de mecanismos que assegurem a presença de inimigos naturais nas áreas cultivadas, sejam combinadas com pulverizações produtos alternativos recomendados no sistema de produção orgânico;
Colheita: As pimentas apresentam diferentes pontos de colheita, de acordo com cada tipo, região de cultivo e época do ano. O ciclo da cultura e o período de colheita são afetados diretamente pelas condições climáticas e pelos tratos culturais, como adubação, irrigação, incidência de pragas e doenças, e a adoção de medidas de controle fitossanitário. De uma maneira geral, as primeiras colheitas são feitas a partir de 90 dias após a semeadura para as pimentas mais precoces, como a 'Murupi', e após 120 dias para as mais tardias. O ponto de colheita ideal das pimentas é determinado visualmente, quando os frutos atingem o tamanho máximo de crescimento e o formato típico de cada espécie, com a cor específica demandada pelo mercado: verde para a pimenta 'Cambuci'; vermelho para a 'Malagueta'; amarela ou vermelha para a pimenta 'Bode'; verde-claro para a 'De Cheiro'; amarela para a 'Cumari do Pará'; e amarelo-claro para a 'Murupi'. As pimentas são mais difíceis de serem colhidas quando comparadas com pimentão devido ao menor tamanho dos frutos e a arquitetura da planta, principalmente aquelas de menor porte e com maior número de galhos. Para efetuar a colheita das pimentas com plantas de porte mais baixo, como a 'Cumari do Pará' e 'Malagueta', é necessário que os apanhadores fiquem agachados ou curvados, enquanto para aquelas pimentas com plantas mais altas, como a 'Bode', é possível fazer a colheita em pé, em uma posição mais confortável. A posição dos frutos das pimentas, seu tamanho e a resistência do pedúnculo também interferem na velocidade da colheita.
    As pimentas 'Bode' e 'Dedo-de-Moça' possuem frutos maiores e são mais fáceis de apanhar, sendo possível colher até 60kg/dia/operário, enquanto as pimentas 'Malagueta' e 'Cumari do Pará' possuem frutos menores, o que reduz a velocidade da colheita (aproximadamente 10kg/dia/operário). As pimentas são colhidas manualmente, arrancando-se os frutos das plantas com ou sem os pedúnculos, dependendo do tipo de pimenta e o uso do produto. Cada colhedor utiliza um recipiente pequeno, como uma lata, prato ou bolsa para recolher os frutos das plantas. Um recipiente adequado para a colheita das pimentas pode ser feito a partir de garrafas plásticas de refrigerante de 2L do tipo 'PET', cortando-se o terço superior da garrafa e colocando-se um cordão em duas extremidades laterais para pendurar no pescoço. Além de ser um recipiente barato e fácil de ser feito, o operário fica com as duas mãos livres para executar a colheita, sendo possível segurar os ramos e destacar os frutos sem quebrar a planta. Depois de cheios, estes recipientes são vertidos em baldes ou latas maiores (5-10L) ou então em caixas localizadas estrategicamente próximas do local de colheita. Quando as pimentas são destinadas especificamente para a indústria de conservas e molhos, podem ser apanhadas sem o pedúnculo diretamente no campo. Para aquelas pimentas com maior resistência do pedúnculo, como a 'Bode' e a 'Dedo de Moça', às vezes é necessária uma operação adicional no galpão de beneficiamento para retirar completamente o pedúnculo dos frutos destinados para conservas. As pimentas mais picantes ('ardidas'), como a 'Malagueta', causam irritação e até queimaduras na pele das mãos dos colhedores devido aos teores mais elevados de capsaicina, o composto químico responsável pela ardência nas pimentas. Pessoas com pele muito sensível devem utilizar luvas ou outro material de proteção na colheita, embora causem desconforto pelo suor e dificultem a operação. Existem indicações de alguns produtos que podem aliviar as queimaduras e irritação causadas pela capsaicina, como álcool, água sanitária, água ou leite quentes.    
    Aparentemente, a melhor indicação para reduzir os efeitos negativos das pimentas mais ardidas ou picantes é usar óleos vegetais (soja, canola, girassol), azeite de oliva, banha, manteiga ou margarina ou outros produtos a base de gordura, por que a capsaicina é uma substância lipossolúvel, ou seja, solúvel em óleo e outros tipos de gorduras. Este tratamento não elimina completamente o desconforto das queimaduras, mas pode reduzir parcialmente a concentração do composto das mãos. Os colhedores devem sempre se lembrar de não se coçarem ou tocar partes sensíveis do corpo, como olhos e boca, enquanto executam a colheita por conta das queimaduras e pela irritação causadas pelas pimentas, principalmente pela exposição contínua. O horário ideal para a colheita das pimentas é nas horas menos quentes do dia, no início da manhã e no final da tarde. Quando não é possível colher tudo nestes dois períodos, deve-se armazenar os frutos colhidos sempre a sombra, em local arejado e fresco. A exposição direta ao sol aumenta a respiração e a perda de água, resultando em murcha e deterioração dos frutos. Deve-se também evitar a colheita de frutos molhados pela chuva ou orvalho porque tendem a apodrecer mais rapidamente durante o transporte e a comercialização. Restos de folhas e galhos também devem ser eliminados porque podem tendem a fermentar rapidamente, principalmente quando molhados ou úmidos, e assim aumentar a temperatura no interior das embalagens e reduzir a durabilidade pós-colheita dos frutos. À medida que baldes, caixas e sacos com as pimentas no campo vão ficando cheios, devem ser transportados até pequenos galpões ou sob a sombra de árvores nas margens da plantação. Estes galpões podem ser construídos de modo simples, com uma cobertura de plástico preto recoberto com capim ou folhas de palmeira, servindo para proteger as pimentas do sol direto e da chuva. Posteriormente, os frutos são acondicionados em sacos plásticos grandes (30kg) ou caixas plásticas ou de madeira (15kg), ou outro tipo de embalagem demandado pelo mercado. Para as pimentas destinadas para a indústria de molhos e conservas, é possível retirar os pedúnculos dos frutos em galpões ao lado da lavoura e armazenar as pimentas diretamente em recipientes plásticos de 50L ('bombas' ou 'bombonas') com a calda apropriada, feita a base de vinagre ou outro tipo de álcool e sal.   Este processo reduz problemas de conservação pós-colheita dos frutos de pimenta colhidos mantidos in natura.

Ferreira On 7/05/2012 06:59:00 AM Comentarios LEIA MAIS

quinta-feira, 21 de junho de 2012


    

  O cultivo orgânico de hortaliças-condimentos é a melhor forma de garantir as características fitoquímicas e farmacológicas do produto para o mercado.

Manjerona

   A manjerona (Origanum Majorana L.), pertencente a família das Lamiaceae, é originária do Oriente Médio. A Manjerona era uma planta medicinal muito popular entre os gregos antigos. O nome próprio em grego significava "alegria da palavra das montanhas". A manjerona era uma das ervas favoritas de Afrodite (deusa do amor) e simbolizava a felicidade. Até hoje, é tida como a erva do amor eterno, usada em enfeites por noivos e amantes. Quem visita a Grécia, se depara com manjeronas silvestres cobrindo a paisagem, exalando seu perfume singular. Foi introduzida na Europa na Idade Média, sendo muito apreciada pelas damas sob a forma de sachês. As folhas são bem pequenas ovaladas verde-claras e flores brancas minúsculas que surgem no verão. Nos entrenós os talos que tocam o chão ocorrem o enraizamento espontâneo. Planta perene tipo arbusto que cresce até 60 cm de altura com os ramos cobertos de folhas ovais verdes escuras, com flores esbranquiçadas nos cachos. Toda a planta é extremamente aromática.
Principais usos: é conhecida como substituta do manjericão e do orégano por seu sabor ser parecido com ambos. Muito utilizada no tempero de aves, principalmente em recheio de frangos. A manjerona deve ser utilizada em pratos de cozimento rápido ou no final da preparação, já com o fogo desligado, para não perder seu aroma delicado. Usada em maionese, pizza, ,pastéis, molhos, patês, sopa de batata (suflê), com manteiga derretida, em legumes cozidos, feijão branco, omeletes, ovos mexidos, carne moída, manteiga derretida para peixes grelhados, recheios de frango e lingüiças em geral. Pode ser usada fresca, em raminhos picados, ou seca. Normalmente faz parte do tempero de galetos. Como especiaria, a manjerona possui forte cheiro aromático e pronunciado sabor de especiaria. Também não é rara a sua utilização em saladas e legumes, verduras cruas e regimes dietéticos. Deve, porém, ser empregada em pequenas doses, para não se notar excessivamente o seu sabor.

   As principais propriedades terapêuticas são: Indicada para o tratamento de feridas, queimaduras, astenia, sistema nervoso, resfriado, dor de cabeça, insônia, fraqueza do músculos, sílica nos intestinos, cólicas gástricas, intestinais e menstruais, incontinência dos instintos sexuais Usada na inalação, ajuda a eliminar muco e catarro, prevenindo a sinusite. Folhas frescas e cozidas aplicadas com gaze são boas desinflamadoras no caso de pancadas, feridas e tumores. O responsável pelas propriedades medicinais da manjerona é seu princípio ativo, constituído por tanino e óleo essencial, que garante o efeito expectorante e digestivo. Na forma de chá, a erva pode ajudar no tratamento contra o reumatismo e todas as formas de artrite. Nas corizas crônicas e para o tratamento de feridas pode utilizar-se um ungüento de manjerona, tal como é preparado nas farmácias. É popular o emprego do óleo de manjerona nas varizes, na gota, no reumatismo e nas doenças glandulares.

   Com os galhos secos da planta fazem-se sachês para perfumar roupas, travesseiros de ervas e arranjos de flores. Um bom banho de banheira revigorante e tônico se completa com a inclusão na banheira de uma infusão forte de manjerona.

  Na Europa, o suco da manjerona já foi muito usado para lustrar móveis e tingir lãs de vermelho-púrpura. Hoje, em muitos países, indústrias especializadas utilizam a erva para aromatizar bebidas, condimentos, carnes, sopas em pó, sorvetes, balas, etc.

Propagação: A manjerona pode se propagar por sementes, divisão de touceiras ou por estacas. A divisão de touceiras e/ou estacas deve ser realizada no outono ou no inverno. Por sementes, o ideal é na primavera, gastando-se 1 grama de semente/m2, sendo que a germinação ocorre em torno de 10 dias.

Cultivo: É uma planta perene em regiões de clima quente, porém, em climas muito frios é anual por não suportar temperaturas muito baixas. A planta gosta de solos arenosos ou areno-argilosos, ricos em matéria orgânica e com boa drenagem, com pH entre 6,0 e 7,0. O clima úmido é ideal, entretanto, é preciso atenção: o solo não deve ser excessiva e constantemente molhado. As plantas que crescem e se desenvolvem em climas secos e com temperaturas elevadas adquirem um sabor mais apimentado e apresentam odor mais forte, penetrante e amargo. O local deve receber sol pelo menos uma parte do dia, mesmo quando cultivada dentro de casa. Deve-se deixar uma distância de 40 cm entre linhas e de 25-30 cm entre plantas. Em solos férteis e climas favoráveis, pode-se deixar uma distância de 50 cm entre linhas e de 30 cm entre plantas. Deve-se escolher dias nublados e solo úmido, evitando-se os dias secos de verão. Se o objetivo do plantio for apenas as folhas, sem as flores, é recomendável retirar as pontas dos ramos que ameaçam formar os futuros órgãos florais e flores. Isso pode ser feito com o auxílio de uma tesoura ou simplesmente com os dedos

   Assim, as folhas se desenvolverão mais vigorosas. Em boas condições de cultivo, normalmente não há incidência de doenças e pragas. A manjerona é própria também para o cultivo em vasilhame ou caixotes, tanto mais que para uma família média bastam algumas plantas.

Colheita: é feita por ocasião do aparecimento dos primeiros botões apicais, indicadores do início da floração. Portanto, o tempo da colheita é imediatamente antes de dar flor, porque a planta possui então maior força como condimento. Já para a colheita de flores, a planta florida deve ser cortada no momento em que as primeiras flores se abrem, mas antes que os demais botões florais na mesma haste tenham se aberto completamente. As plantas cortadas não devem ficar expostas à chuva, porque perdem a cor e assim dificilmente se vendem. Escolhem-se dias secos e horas favoráveis à colheita. Corta-se sempre, no mínimo a 3cm acima do solo para favorecer um bom rebrote das plantas. A colheita é variável, dependendo do número de cortes possíveis e do crescimento das plantas, ficando em 10 a 15 t em 3 cortes de plantas verdes, que ficarão reduzidas a 2,5 a 3 t de planta seca. Após o 4º ano a cultura deverá ser renovada.

Orégano

   O orégano, conhecido cientificamente como Origanum vulgare L., pertence à família Lamiaceae (Labiatae) da qual também faz parte, manjericão (Ocimum basilicul L.), alfavaca (Ocimum gratissimum L.), hortelã (Mentha arvensis L.), alfazema (Lavandula angustifolia Mill.), alecrim (Rosmarinus officinalis L.) e sálvia (Salvia officinalis L.). O orégano é conhecido por muitos nomes, sendo eles orégão, manjerona silvestre ou manjerona rasteira. A palavra "orégano" tem origem grega e quer dizer "alegria da montanha". Para os gregos esta erva possui a magia de trazer felicidade. O orégano é uma planta perene, tem entre 25-40 cm de altura, folhas opostas, ovais, verde-escuras, pecioladas, inteiras ou serrilhadas, com aproximadamente 35 mm de comprimento, ou seja maior que a da manjerona e com extremidades pontiagudas. Com duração de 4 a 6 anos, seca no inverno e rebrota no verão. As hastes são consideradas anuais e se não forem colhidas, secam. Nativa de regiões montanhosas do sul da Europa e da Ásia ocidental vegeta espontaneamente em diversas regiões da Europa. A espécie Origanum vulgare L. é cultivada no Brasil principalmente nas regiões sul e sudeste, onde foi aclimatada há muito tempo, sendo bastante popular.

Principais usos: A grande utilização é como especiarias na culinária, podendo ser utilizado em carnes, molhos de tomate e outros tipos de massas, sendo o ingrediente fundamental da pizza. De preferência, não cozinhe este tempero, seja ele fresco ou seco, adicione-o ao prato depois de pronto, pois ele perde seus benefícios terapêuticos com o cozimento. A partir de estudos recentes, o orégano foi classificado como a planta de mais alta atividade antioxidante, até mais que a vitamina E. O óleo é usado na composição de aromatizantes de alimentos e perfumes, além de possuir efeito inibitório sobre diversas bactérias alimentícias e fungos. Orégano é um estimulante para o estomago, especialmente nos casos de perda do apetito, dificuldade de digestão ou gases. Além disso é carminativo; antiespasmódico; expectorante, especialmente nos casos de bronquite ou asma; antisséptico; diurético; sudorífico, eliminando as toxinas do organismo; também é muito usado contra anemia. É muito bom também contra a insónia, o estresse, cansaço nervoso, exaltações febris, e em seu uso externo alivia dores reumáticas e articulares como também para combater a celulite. Também é emenagogo, o que quer dizer que reduz as dores menstruais, assim como o que vem depois: dor de cabeça, de estômago e retenção de líquidos. É um antioxidante, o que pode ser muito vantajoso para os tratamentos de Aids e Câncer. 

 Orégano: Origanum vulgare L.

Propagação: As formas possíveis de propagação da cultura do orégano são por sementes, estacas ou divisão de touceiras. As sementes são muito pequenas tendo em um grama aproximadamente 12.000 sementes e devem ser semeadas de preferência na primavera em sementeiras ou bandejas. 

Cultivo: O orégano tem preferência por regiões de clima subtropical com bastante luminosidade. Em locais mais quentes, ganha aroma mais intenso, sabor mais picante e perfume mais persistente. Não tolera alta umidade relativa do ar, nem exposição direta aos ventos fortes e frios e também não suporta geadas acentuadas; está entre as espécies com resistência a grandes variações de altitude (50 a 3400 m) e temperatura. Temperaturas abaixo de 5 ºC acarretam retardo de crescimento e queima dos bordos das folhas. O orégano uma cultura que se alastra no solo, com isso o desbaste de plantas invasoras passa a ser um importante manejo, evitando incidência de pragas e doenças, competição pelos nutrientes do solo e consequentemente baixa produção. O amontoamento de terra ao redor da planta é uma prática realizada a fim de proteger a planta, proporcionar a multiplicação dos ramos, evitar o ataque de fungos e o apodrecimento das raízes. Manter a área cultivada sempre coberta é um manejo importante para a conservação do solo. A aplicação da cobertura morta ou mulch deve ser feita na área toda, evitando somente a aplicação muito próxima ao contorno da planta para não abafá-las. As pragas mais comuns na cultura são pulgões verdes (Macrosiphum solanifoli), formigas e brocas dos ponteiros, ácaros (Tetranichus sp.), lagarta-falsa-medideira (Pseudoplusia sp.) e nematóides (Meloidoginesp.). As doenças mais comuns são devido a excesso de umidade no solo causando incidência de fungos comoPuccinia sp., Fusarium sp., Phoma sp, e carência de nutrientes. A Puccinia sp. é um dos patógenos de maior importância agrícola e econômica por reduzir a produtividade, depreciar o produto causando assim, sérias perdas em plantios comerciais.

Colheita e beneficiamento: A colheita de ramos e folhas deve ser feita quando a planta estiver no começo da floração (15% a 20% de flores/planta), iniciando-se o processo de colheita para comercialização no ano seguinte do plantio. O período mais adequado para se fazer a coleta do material é em dias secos, logo depois a evaporação do orvalho, fim do verão o começo do outono. No primeiro ano de colheita, estima-se produção de 3 toneladas métricas de folhas/ hectare; a partir do segundo ano, fazendo-se dois cortes por ano, a produção fica em torno de 15 toneladas métricas de folhas/hectare/ano. Após a colheita do orégano, deve-se fazer a desfolha, retirando as folhas dos ramos. Na limpeza, é feita a eliminação de folhas de outras espécies, principalmente de plantas daninhas. Após a secagem, o peso do material é reduzido em 4 vezes, isto é de 100 quilos de folhas e flores recém-colhidas resultarão em aproximadamente 25 quilos de produto seco. A secagem deve ser feita à sombra ou em estufas com regulação de temperatura não excedendo a 40 ºC durante 24 horas. A luz solar não é aconselhável por reduzir a quantidade do óleo essencial presente no material. Porém, pode ser feita a secagem com métodos mistos, isto é, deixa-se as plantas perderem um pouco de água na sombra e depois coloca-las ao sol. Outro método é colocar as plantas em câmaras frias (o frio retira um pouco de água) e depois secar ao sol ou em secadoras.















Ferreira On 6/21/2012 04:42:00 AM Comentarios LEIA MAIS

segunda-feira, 4 de junho de 2012




Hortelã 


   A hortelã (Figura 1) também chamada de menta pertence a família botânica das Lamiaceae. Acredita-se que é originária da Ásia, chegando no Brasil trazida pelos colonizadores. Existem várias espécies de hortelã que podem ser cultivadas na sua casa, que apresentam propriedades muito semelhantes, principalmente no que diz respeito ao aroma. As duas espécies mais comuns são: Mentha piperita e Mentha crispa A primeira espécie tem folhas lisas e de um verde mais claro. Já a segunda espécie tem folhas verdes escuras e são crespas. Seu aroma forte e muito característico é resultado da grande concentração de mentol, princípio ativo do seu óleo essencial. As partes utilizadas da planta são as folhas e flores. São plantas herbáceas, de aproximadamente 30 cm de altura, rasteiras, com flores pequenas reunidas em espigas, de cor rosa ou lilás. As folhas são ovais e dentadas e o caule é arroxeado. O cultivo orgânico da hortelã e outras plantas medicinais e condimentares é a melhor forma de garantir as características fitoquímicas e farmacológicas do produto para o mercado. 
Figura 1. Hortelã: hortaliça-condimento e planta medicinal indicada como vermífugo 

Principais usos: a hortelã é usada em receitas culinárias de muitos países pelo mundo todo, em chás, em adorno de pratos e composição de saladas. Na comética entra nas fórmulas de dentifrícios, sabonetes, cremes de massagem e para barba, desodorantes bucais e um sem números de aplicações. Contém muitos elementos químicos de uso farmacêutico utilizados para remédios. Na medicina popular é considerada excelente para tratamento de problemas estomacais, pois é digestiva, além de ajudar no tratamento de diarréias infantís e dores abdominais. Combate azia, gastrite, cólicas e gases intestinais. Também tem ação antifúngica e antiinflamatória. Seu suco ajuda a combater vermes intestinais. Tem possibilidade de ser usada em paisagismo de áreas sem pisoteio, pois seu caráter agressivo poderia ser melhor aproveitado para substituição de gramados ao redor de árvores e pequenos bosques. Tem também o poder de ser uma planta repelente de insetos de hortaliças como pulgões e besourinhos e poderemos usar deste poder para fazer um chá repelente que não tem nenhuma propriedade tóxica para animais em geral e humanos. 

Propagação: por meio de estolões ou estacas colhidos de plantas adultas. Durante o seu crescimento, a planta desenvolve estolões, um tipo de caule que cresce rente ao solo. Deste caule, a planta emite ramos com folhas e raízes. Basta cortar um pedaço deste caule (cerca de 10cm), que tenha raízes e alguns ramos e plantá-lo, de acordo com as instruções abaixo. Para um ha são necessários 300 kg de rizomas. 

Cultivo: seu cultivo é extremamente simples. O solo não deve ser bem adubado, pois quando há muito adubo disponível para a planta, ela cresce muito e não consegue concentrar sua essência. Então, quanto menor é a planta, mais concentrada será a essência. O plantio pode ser feito o ano todo, mas a melhor época é no início da primavera. O espaçamento recomendado é de 25 x 25 cm entre as plantas. Quando o plantio for feito por meio de estolões, basta colocar o caule com as raízes rente à superfície e cobrir com uma fina camada de terra, deixando os ramos com folhas acima do solo. Logo após o plantio, as mudas devem ser protegidas do excesso de sol, pois pode queimar as folhas. Quando adultas, elas toleram tanto ambientes bastante ensolarados, quanto sombreados. Um ambiente intermediário, ou seja, sujeito a sol e sombra ao longo do dia é o ideal. Quando plantada em vaso, a terra deve ser renovada no início da primavera. Neste momento você poderá podá-la, pois suas raízes ficam bem emaranhadas. Ótima época para fazer novas mudas. A hortelã plantada junto a alfaces e outras ervas aromáticas intensifica o sabor e perfume destas e é considerada planta companheira belos benefícios descritos. O plantio da hortelã em vaso é bem simples; Não esquecer, neste caso, de colocar o vaso junto a janelas onde haja sol direto que a planta necessita. A planta é atacada por doença (ferrugem) e pragas (formigas, lagartas, vaquinha e cigarrinha). 

Colheita: A colheita pode ser feita o ano todo. Se deixada crescer livremente, sem colheita ou poda, pode se tornar uma planta invasora. Os ramos de hortelã podem ser armazenados quando secos. Para isso, você deve pendurar os galhos com as folhas voltadas para baixo, em local seco, arejado e na sombra. Quando as folhas estiverem bem secas e quebradiças, podem ser guardadas em potes fechados. 


Manjericão 

    Pertencente à família Laminaceae, há o manjericão com folhas grandes (Ocimum basilicum) e o com folhas pequenas (Ocimum minimum). O de cor verde é o mais conhecido, mas também existem plantas de folhas avermelhadas - mais raras e com mais aroma. O perfume do manjericão tampouco é uniforme: há variedades com fragrância doce, lembrando limão, cinamato (canela), cânfora, anis e cravo.O manjericão (Figura 2) ou alfavaca (Ocimum basilicum L é originário do sul da Ásia. Planta herbácea de até 1,0 m de altura, bastante ramificada, forma irregular, de folhas ovais cor verde-claro, perfumadas. Flores pequenas brancas reunidas em espigas que surgem principalmente no verão. 
Figura 2. Alfavaca(manjericão): hortaliça-condimento e planta medicinal indicada como Broncodilatador 


Principais usos: com sabor e aroma intensos, o manjericão é uma ótima sugestão para fazer toda a diferença numa receita. Usado em saladas, molhos, recheios, pizzas e em várias massas, ele dá um toque especial aos pratos e, ainda melhor, pode ser cultivado até em vasos pelo próprio consumidor.. Os frutos colhidos e secos dão excelente tempero para carnes, com acentuado sabor picante. As folhas podem ser colocadas in natura em molhos e temperos de carne ou grãos, como no brasileiríssimo feijão. Para usar como tempero, pode-se colher as folhas e secá-las sobre folhas de jornal, deixando em local arejado e sem sol direto. Também as sumidades florais poderão ser usadas secas para tempero. Colher assim que os frutos amadurecerem, deixando em local seco e sem sol, depois debulhar e guardar em recipiente fechado. Na região do Mediterrâneo, onde é presença comum na alimentação, o manjericão é plantado em beirais de janelas. Com propriedades que repelem insetos, afasta moscas e mosquitos. Mas suas belas flores também são vistas como ornamento. Conhecida por alguns como alfavaca cheirosa, essa planta com propriedade digestiva, antibiótica e anti-reumática é utilizada para tratamento de enjôos, problemas respiratórios e reumáticos e ainda como calmante dos nervos. Das folhas ainda podem ser extraídos óleos essenciais como o linalol. O produto - que também é obtido da árvore pau-rosa, espécie em extinção encontrada na floresta amazônica - serve de matéria-prima para a fabricação de perfumes e para o processo de aromatização de alimentos e bebidas. Não se sabe ao certo da sua origem, mas há indícios de que o manjericão tenha se espalhado pelo mundo a partir do Oriente Médio, norte da África e Índia. 

Propagação: Sementes ou um das produzidas a partir de estacas de ramos novos. Necessita de 1,2 kg de sementes para produzir mudas para um hectare ou 3,0 a 5,0 kg para semeadura direta, raleando após a germinação. 

Cultivo: Ambientes com muita luminosidade e chuvas regulares são os preferidos para o desenvolvimento da planta, que pode chegar a produzir por até três anos. O clima frio não agrada a todas as variedades, que podem ser determinadas pelo porte, formato da copa, tamanho e características do seu óleo essencial. As sementes devem ser germinadas no final da primavera, preferencialmente, em solos ricos em matéria orgânica e bem drenados. Recomenda-se uma adubação com esterco de gado bem curtido ou composto orgânico, quando necessário. O plantio pode ser feito no período de setembro a novembro. O espaçamento recomendado é de 0,6 x 0,25m entre as plantas. Embora seja bastante resistente, o manjericão pode ser atacado principalmente pela larva minadora, pelo bicho-mineiro e pelas doenças rhizoctoniose, fusariose e cercosporiose. 

Colheita e beneficiamento: As folhas para consumo fresco podem ser colhidas ao longo do ano, enquanto as folhas destinadas à secagem devem ser colhidas juntamente com as flores, na época de floração. As folhas podem ser colhidas quando a planta atingir cerca de 1,2 m de altura. faça o primeiro corte somente após três meses do plantio. Ele deve ser a 40 centímetros do nível do solo. Repita o processo a cada 50 ou 60 dias, ou quando observar que há uma aproximação das copas, a ponto de prejudicar as folhas mais baixas por impedir a luminosidade. Os cortes favorecem a produtividade, pois o manjericão volta a brotar e a ramificar. Em geral, isso ocorre aos 60 dias. A primeira colheita, no entanto, é indicada somente após três meses do plantio.
Ferreira On 6/04/2012 06:55:00 AM 3 comments LEIA MAIS

segunda-feira, 21 de maio de 2012




A cebolinha verde e a salsinha, chamados também de temperos ou cheiro-verde, são as hortaliças-condimentos mais apreciados pela população e consumida em quase todos os lares brasileiros. 

Cebolinha verde
A cebolinha é uma planta condimentar considerada perene, muito apreciada pela população. É semelhante à cebola, mas não desenvolve bulbo. As raízes são fasciculadas, finas e curtas, formando touceiras. Pertence à família Alliaceae. Duas espécies são cultivadas: Alliaceae fistulosum (cebolinha verde ou comum) e Alliaceae schoenoprasum (cebolinha-de-folhas-finas ou galega). A cebolinha verde é natural do Oriente ou da Sibéria, possui folhas numerosas, fistulosas, com comprimento variando de 25 a 35cm e cor verde mais clara do que a galega. A cebolinha galega é originária da Europa e seu sabor é semelhante ao da cebola. As plantas formam tufos bem fechados com folhas numerosas, finas e cor verde-escura. Produz, na base da haste, um engrossamento semelhante a bulbos ovais.


Principais usos: No uso doméstico a cebolinha, tanto crua como cozida, é muito usada nas cozinhas chinesa e ocidental. É indispensável no preparo de saladas, sanduíches, sopas e omeletes. Dá sabor especial em manteigas, queijos cremosos, molhos, massas, carnes, peixes e patês. Pode decorar pratos prontos antes de serem servidos. Como planta medicinal é importante, pois contém ferro e vitaminas diversas, é estimulante do apetite, além de auxiliar a digestão. Ajuda no combate à gripe, e nas doenças das vias respiratórias.

Figura 1. Salsa e cebolinha verde: os temperos mais apreciados


Propagação: Embora possa ser propagada por sementes, na prática, é feita através dos perfilhos da touceira. Arranca-se a touceira plantada no ano anterior e abre-se a mesma, transformando-a em tantas mudas quantos forem os rebentos.


Cultivo: O cultivo da cebolinha é indicado para regiões de clima ameno, entre 8 e 22oC, resistindo ao frio. Para os demais locais a melhor época é de fevereiro a julho. Embora a planta suporte frios prolongados, existem cultivares que resistem bem ao calor, tendo poucas restrições para o seu plantio em qualquer época do ano. As cultivares mais conhecidas são 'Todo Ano', 'Futonegui' e 'Hossonegui'. As variedades do grupo 'Todo Ano', no entanto, toleram temperaturas altas. Prefere solos de textura média, ricos em matéria orgânica, bem drenados e com pH entre 6,0 e 6,8. Quando propagada por sementes faz-se a semeadura em canteiros, em sulcos distanciados de 10cm e com profundidade de 0,2 a 0,5cm, distribuindo-se as sementes em linha contínua. O transplante é feito 30 a 40 dias após a semeadura, em canteiros definitivos, em sulcos com profundidade de 3 a 4cm, distanciados de 0,25 entre linhas por 0,15 entre plantas. Outra opção é transplantar mudas de touceiras antigas, cortando as folhas acima da gema apical e podando as raízes. Deve-se ter o cuidado de transplantar as mudas à mesma profundidade em que se encontravam. Essa operação deve ser feita, de preferência, de março a julho, utilizando-se irrigação, sempre que necessário. A adubação de plantio deve ser por ocasião do plantio definitivo, preferencialmente, com composto orgânico, seguindo a recomendação baseada na análise do solo. Adubação orgânica de cobertura deve ser parcelada em três aplicações, aos 15, 30 e 45 dias após o transplante; à medida que vão sendo feitos os cortes, deve-se repetir a adubação de cobertura, parcelando-a em duas vezes, na época do corte e 15 dias após. A cultura deve ser mantida livre de plantas espontâneas pois, além da concorrência, a cebolinha perde valor comercial quando cortada juntamente com "mato". Fazer escarificações sempre que houver formação de crosta na superfície do canteiro.
As principais pragas são os pulgões e o tripes, enquanto que a doença que mais causa problema é o sapeco ou queima-das-pontas (Figura 2) que ataca a cebola de cabeça na fase de produção de mudas e no plantio definitivo e também a cebolinha verde; pode ser provocada por diversos fungos, deficiência hídrica, desequilíbrio nutricional, fitotoxidez, ozônio e, indiretamente, pelos patógenos do solo. Dentre as pragas, o tripes ou piolho (Thrips tabaci) podem causar danos econômicos e ainda favorecer a entrada de doenças. Quando a temperatura aumenta e ocorrem estiagens, o tripes pode causar sérios danos por meio da raspagem e sucção da seiva das plantas. Com o aumento do ataque ocorre o amarelecimento, o retorcimento e a seca dos ponteiros das plantas. A irrigação desfavorece a praga propiciando um melhor desenvolvimento da planta. No manejo da principal doença que ocorre no canteiro (sapeco), recomenda-se a aplicação de cinzas de madeira em pó (50 g/m2) ou diluído em água a 10%, em regas antes do orvalho da manhã evaporar.

Figura 2. Queima das pontas ou sapeco, a principal doença que ataca a cebola de cabeça e também a cebolinha verde


Colheita: A colheita da cebolinha inicia-se entre 55 e 60 dias após o plantio ou entre 85 e 100 dias após a semeadura, quando as folhas atingem de 20cm a 40 cm de altura. Na cebolinha, o rebrotamento é aproveitado para novos cortes, possibilitando novas colheitas a cada 50 dias e podendo o cultivo ser explorado por 2 a 3 anos, principalmente em condições de clima ameno. O corte é feito entre 10 a 15 cm do solo (acima da gema apical). Quando houver excesso de produção, especialmente em épocas mais favoráveis para a produção, recomenda-se o corte das plantas, lavando-se as folhas e picando-se, colocando-se em potes de plástico e congela-se.


Rotação e consorciação de culturas: Recomenda-se a rotação de culturas com outras hortaliças pertencentes a outras famílias botânicas e também com gramíneas tais como o milho e aveia e também com leguminosas utilizadas como adubo verde. Nunca fazer rotação com culturas que pertencem a mesma família botânica como alho e cebola, pois estas espécies possuem pragas e doenças comuns. Trabalhos de pesquisa comprovaram bons resultados na consorciação cebolinha verde x radiche (almeirão). A associação/consorciação de culturas é um sistema de cultivo utilizado há séculos pelos agricultores e é praticado amplamente nas regiões tropicais, sobretudo por pequenos agricultores. Isso porque, ao utilizarem nível tecnológico mais baixo, procuram maximizar os lucros, buscando melhor aproveitamento dos insumos e da mão-de-obra ,geralmente da própria família. O aumento da produtividade por unidade de área é uma das razões para se cultivar duas ou mais culturas no sistema de consorciação, pois permite melhor aproveitamento da terra e de outros recursos disponíveis, resultando em maior rendimento econômico.


Salsa  Salsa ou salsinha (Petroselinum crispum (Mill.), pertencente à família botânica das Apiaceae (Umbelliferae) é uma planta herbácea bienal (demora 24 meses para completar o ciclo biológico), podendo-se também cultivar como anual. Forma uma roseta empenachada de folhas muito divididas, alcança 15 cm de altura e possui talos floríferos que podem chegar a exceder 60 cm. Natural da Europa, a salsa (conhecida também por salsinha, salsa-de-cheiro ou salsa-hortense) foi trazida para o Brasil no início da colonização. O cultivo da salsa faz-se há mais de trezentos anos, sendo uma das plantas aromáticas mais populares da gastronomia mundial. A salsa é rica em vitaminas A, B1, B2, C e D, além de cálcio e ferro, isto se consumidas cruas, já que o cozimento elimina parte dos seus componentes vitamínicos.

Principais usos: De aroma suave e agradável, é indispensável no preparo de saladas, sopas, molhos e temperos em geral. Quando cozida, a salsa destaca o sabor do prato principal. É usada em sopas, assados e cozidos de carnes e frutos do mar, refogados na manteiga, saladas e legumes cozidos no vapor. Ela desidratada é usada para codimentar ou decorar, usada em berinjela, canapés, macarrão, salpicada sobre legumes, omeletes, ovos mexidos ou recheados, sobre carnes, aves, peixes e camarões. Toda a planta pode ser usada: folhas, caules, raízes e sementes. Seu consumo está disseminado pelo mundo todo. É usada como condimento e/ou elemento decorativo de vários pratos. As principais propriedades terapêuticas são: diurética (facilita a secreção da urina); emenagoga (provoca a vinda da menstruação); carminativa (combate os gases intestinais); expectorante (facilita a expectoração); antitérmica (combate a febre); eupéptica (melhora a digestão); vitaminizante (colabora na regeneração das células); aperiente (estimula o apetite); antiinflamatória (combate inflamações). Alivia o mau hálito quando mascada e promove o enriquecimento da pele. A salsa, através de uso interno, é contra-indicada para gestantes e lactantes, pois um de seus componentes, o apiol, é estrogênico; isto é, altera o sistema reprodutor feminino e pode provocar o aborto.

Propagação: A salsa propaga-se por sementes.

Cultivo: As variedades são agrupadas pelo tipo de folha em: lisas (mais cultivadas no Brasil), crespas e muito crespas. As mais plantadas no Brasil são a Crespa, Gigante Portuguesa, Graúda Portuguesa, Lisa Comum e Lisa Preferida. Para regiões onde o inverno não é rigoroso, a melhor época é de março a agosto. O cultivo da salsa é indicada para regiões de clima ameno, desenvolvendo-se melhor sob temperaturas entre 8 e 22ºC. Temperaturas acima desta ocasiona o aparecimento precoce de flores e as temperaturas abaixo desta retarda o seu desenvolvimento. Em regiões de clima ameno, planta-se o ano todo; porém, em locais onde o inverno é rigoroso, evitar a semeadura nos meses frios. A semeadura é feita em canteiros definitivos, em sulcos com profundidade de 0,5 cm, em fileiras contínuas, e quando estiverem com duas folhas definitivas ou 5cm, fazer o desbaste das plantas fracas, mantendo-se distância mínima de 10cm ente plantas e 25cm entre fileiras. São necessários 2 a 3 kg de sementes por hectare. A germinação é muito lenta, de 12 a 13 dias quando a temperatura do solo está entre 25 e 30ºC e, até 30 dias quando está a 10ºC. A germinação pode ser apressada, deixando-se as sementes de molho por uma noite. Quando tiver que ralear plantas vigorosas aproveite-as para transplantes em outros espaços. É pouco exigente em fertilidade, mas prefere solos areno-argilosos, ricos em matéria orgânica, bem drenados e com pH entre 5,5 e 6,8. A Irrigação deve ser diária. Após a germinação das sementes, recomenda-se afofar a terra em volta das plantas, pois a irrigação e as chuvas acabam endurecendo a camada superficial do solo. Até a germinação das sementes, recomenda-se também cobrir o canteiro com palha ou sombrite, o que além de economizar água, evita a formação de uma crosta superficial que pode prejudicar a emergência das plantinhas. É uma planta resistente, mas pode ocorrer as seguintes pragas: lagartas, vaquinhas, pulgões e cochonilhas. As principais doenças fúngicas são: esclerotinia, septoriose, mancha de Alternaria e mofo-cinzento. Tendo em vista que a germinação da salsa é bastante lenta, cuidado especial deve-se ter com as plantas espontâneas que germinam mais rápido. Para retardar as plantas espontâneas, pesquisadores da Epagri/Estação Experimental de Ituporanga descobriram um método eficiente para canteiros, utilizando folhas de papel: após o preparo do canteiro, cobre-se o mesmo com jornal (uma folha apenas) ou papel pardo em toda a extensão e sobre este aplica-se 2cm de composto orgânico peneirado (Figura 3). ). Posteriormente, faz-se a semeadura a lanço ou no sulco e procede-se a cobertura das sementes. Recomenda-se este sistema especialmente para as culturas que possuem sementes pequenas e germinação mais demorada, como cenoura e salsa, e que são semeadas diretamente no canteiro, com objetivo de atrasar a emergência das plantas espontâneas na fase mais crítica (até 25 a 30 dias após a semeadura).

Figura 3. Preparo do canteiro para semeadura, colocando-se o jornal e o composto orgânico

Colheita: A colheita inicia-se entre 50 e 70 dias após a semeadura, dependendo do cultivar, efetuando nova colheita a cada 30 dias. O corte é feito quando as plantas atingem cerca de 10 cm de talo. Corta-se a planta pela base, de forma uniforme no canteiro, cerca de 1cm acima da gema terminal. Tendo em vista que no verão, a salsa perde a qualidade, recomenda-se na época mais favorável, quando houver excesso de produção, recomenda-se o corte das plantas, lavando-se as folhas e picando-se, colocando-se em potes de plástico e congela-se.



 
Ferreira On 5/21/2012 07:45:00 AM Comentarios LEIA MAIS

segunda-feira, 7 de maio de 2012


    O cultivo orgânico de hortaliças compreende, não somente deixar de utilizar agrotóxicos e fertilizantes químicos, substituindo-os por outros insumos, mas também tratar o solo como um "organismo vivo", protegendo-o e preservando a fertilidade e a estrutura do solo de forma duradoura, priorizando o revolvimento mínimo do solo (plantio direto e cultivo mínimo), a diversificação de espécies, a rotação, sucessão e consorciação de culturas, o uso de adubação orgânica (especialmente o composto orgânico, os restos de culturas e a adubação verde), o manejo das plantas espontâneas tornando-as "amigas" dos cultivos e, somente se for necessário, o uso de produtos alternativos que não contamine o meio ambiente e não prejudique a saúde do agricultor e consumidor.
Considerando a parte comestível, as hortaliças podem ser classificadas em: hortaliças-condimentos (Figura 1), hortaliças-folhosas, hortaliças-flores, hortaliças-frutos, hortaliças-raízes, hortaliças-bulbos, hortaliças-caule, hortaliças-rizomas, hortaliças-hastes, hortaliças-legumes e hortaliças-industrializadas. As hortaliças mais importantes e de maior expressão econômica já foram abordadas neste blog.
  A partir de hoje, vamos postar matérias sobre as demais espécies de hortaliças, classificadas conforme a parte comestível, ainda não abordadas neste blog, mas também muito importantes no aspecto nutricional e, ainda com boas propriedades terapêuticas.
Figura 1. Hortaliças-condimentos: alho, cebolinha, pimenta, salsa e hortelã

     Os condimentos são geralmente usados na culinária para modificar o sabor e o aroma dos alimentos e, também, para decorá-los. Os condimentos podem ser classificados, entre outras categorias, em picantes: pimenta, pimentão, mostarda, curry (é uma especiaria de origem indiana, composta por vários ingredientes), páprica (mais conhecido em Portugal por pimentão, é uma especiaria obtida do pimentão-doce) e gengibre; ácidos: tomate e limão; especiarias: canela, cardamomo (tempero originário da Índia, espécie pertencente à família botânica do gengibre), cravo, cominho e noz moscada; ervas aromáticas: coentro, alecrim, manjerona, cebolinha, salsa, hortelã, orégano, tomilho, aipo e manjericão e, bulbos: como alho, alho porró e cebola. Além disso, têm em sua composição química elementos importantes para a saúde, como vitaminas e sais minerais e, princípios ativos específicos, possíveis de uso terapêutico, sendo utilizados por indústrias farmacêuticas na produção de elixires e soluções de uso tópico (uso externo), entre outros. As plantas condimentares devem fazer parte de toda horta, pois elas são importantes não somente na alimentação humana, mas também para a produção de cosméticos, remédios naturais e até para a proteção de pragas e doenças que atacam outras hortaliças, aumentando a biodiversidade, princípio básico na agricultura orgânica. O valor econômico das plantas condimentares e medicinais é determinado pelos compostos químicos especiais, elaborados por elas e que são chamados princípios ativos. Há diversos fatores que influenciam na elaboração dos princípios ativos, como os de ordem genética que são transmitidos de geração em geração, os fatores externos, como temperatura, chuva, vento e solo e, também os fatores técnicos (forma de plantio, os tratos culturais, doenças e pragas, época e forma de colheita, entre outros).

    Dentre os temperos citados, não abordaremos dentro do grupo das hortaliças-condimentos, o alho e cebola. O cultivo orgânico do alho, embora seja o condimento de maior importância sócio-econômica, vai ser abordado quando tratar-se das hortaliças-bulbos. Por outro lado, a cebola também considerada uma hortaliça-bulbo de grande importância sócio-econômica, já foi abordada em matéria postada neste blog em 13/04/2011.

Recomendações gerais para o cultivo das hortaliças-condimentos
Fatores climáticos: O teor de princípios ativos pode aumentar ou diminuir, de acordo com os fatores climáticos. Para cada espécie existe uma temperatura mínima, uma temperatura máxima e uma faixa de temperatura ótima para o desenvolvimento. A luz influencia na fotossíntese e em outros fenômenos fisiológicos, como crescimento desenvolvimento e forma das plantas. A falta de luminosidade adequada provoca o estiolamento, problema comum em sementeiras e viveiros muito adensados ou sombreados e pode afetar a capacidade de germinação das sementes. A água é essencial para a vida e o metabolismo das plantas. Porém, o excesso pode reduzir a concentração de princípios ativos das plantas. A altitude (altura de uma região em relação ao nível do mar) também influencia no desenvolvimento das plantas e na produção de princípios ativos, pois diminui as temperaturas. A latitude (distância de determinada região em relação à linha do equador, para o sul ou para o norte) também modifica o comportamento das diferentes espécies.
Escolha do local: . Recomenda-se que a área de cultivo esteja longe de rodovias (pelo menos 2 km) e de áreas industriais, evitando assim a deposição de poluentes e possíveis contaminações. Áreas pouco ensolaradas, de baixadas, mal drenadas, sujeitas à neblinas, devem ser evitadas, pois favorecem o aparecimento de doenças. A declividade do terreno deve ser a menor possível, mas se houver alguma inclinação, devem-se fazer as linhas de plantio em nível ou transversal ao declive para reduzir a erosão do solo. Para reduzir a erosão do solo em terrenos com muito declive, recomenda-se dividir a área em faixas, utilizando espécies como capins (capim-elefante) e até plantas medicinais. É importante também que na área não tenha sido cultivado recentemente espécies adubadas com fertilizantes químicos e, principalmente agrotóxicos. Os adubos minerais, especialmente os nitrogenados, por serem altamente solúveis, salinizam e acidificam o solo e, em consequência diminui a diversidade de organismos vivos que habitam naturalmente nesse ambiente; estes organismos vivos melhoram a aeração do solo e interagem com as plantas e outros microrganismos, contribuindo para a existência do equilíbrio do meio ambiente e tornando as plantas cultivadas mais resistentes às pragas e doenças. É muito importante também que no local escolhido haja uma fonte de água limpa nas proximidades para possibilitar a irrigação das plantas, especialmente na fase de estabelecimento das plantas. A análise do solo, com antecedência, é fundamental para se conhecer a fertilidade e a acidez do solo e, com base nesta análise, fazer-se a correção do solo, conforme recomendação do técnico do município.
Manejo do solo: De uma maneira geral, os solos estão sujeitos à erosão (perda do solo) causados por chuvas intensas, cada vez mais comum, especialmente em áreas com declives sem adoção de práticas de conservação. O preparo do solo deve ser realizado com menor mobilização possível (manejo conservacionista), a fim de preservar, melhorar e otimizar os recursos naturais. O manejo racional e correto do solo é essencial, pois auxilia no controle de pragas e doenças, de erosão, na manutenção da fertilidade e consequentemente no aumento da produtividade. Algumas práticas são importantíssimas, tais como, cobertura vegetal, preparo em nível, curvas de nível, cordão de contorno, entre outras. Os cordões de contorno e curvas de nível devem ser todos vegetados, o que pode ser feito com espécies medicinais. Algumas das espécies recomendadas são: capim-limão, citronela e o confrei. Os sistemas de plantio direto e cultivo mínimo, são práticas indispensáveis para o sucesso no cultivo de qualquer espécie. No cultivo direto não há revolvimento do solo; a camada de cobertura vegetal é mantida e se faz apenas a abertura de um pequeno sulco ou cova onde é colocada a semente ou muda. Por outro lado, o cultivo mínimo é o revolvimento mínimo do solo necessário para o estabelecimento das culturas, deixando-se uma cobertura vegetal nas entrelinhas (resíduos de culturas anteriores, plantas espontâneas e, sempre que possível, adubos verdes semeados anteriormente ou consorciado com as espécies cultivadas). Sempre que necessário, deve-se fazer uma redução da vegetação existente antecedendo ao plantio das hortaliças para facilitar as práticas culturais e também para evitar problemas de competição com a cultura que será implantada. Assim, uma roçada geral, com corte rente ao solo, é imprescindível, especialmente para controlar o comportamento agressivo dos capins. A vegetação de porte mais alto deve ser preservada sempre que possível, em faixas, no meio da área ou na periferia da área cultivada, com o objetivo de aumentar a biodiversidade, princípio básico para o sucesso do cultivo orgânico.
Se a análise do solo, realizada com antecedência, determinar a correção da acidez, somente neste caso, recomenda-se o preparo do solo no sistema convencional para que o calcário possa ser adequadamente incorporado. A partir daí, com a adubação orgânica, não haverá mais necessidade de aplicação de calcário. O pH em água deve situar-se, em geral, entre 5,5 e 6, faixa na qual a disponibilidade da maioria dos macro e micronutrientes é ótima e que também favorece a atividade biológica no solo.
Adubação orgânica: A adubação deve ser feita com base na análise do solo e também de acordo com o tipo de adubo que for aplicado. De maneira bem simples e direta, a matéria orgânica é a parte do solo que já foi ou ainda é viva. É constituída de resíduos de origem vegetal ou animal, tais como: estercos, restos de cultivos que ficam no campo, palhadas, folhas, cascas e galhos de árvores, raízes das plantas e animais que vivem no solo; podem estar vivos, como os pequenos animais ou já em decomposição, como os resíduos de plantas incorporados ao solo ou em cobertura. As hortaliças são as que mais respondem à aplicação de adubos orgânicos. As principais fontes são:
.Composto orgânico : É o adubo ideal para ser utilizado na agricultura orgânica e, o que é melhor, não polui o meio ambiente e, ainda pode ser produzido na própria propriedade. Além de ser uma boa fonte de macronutrientes, possui micronutrientes essenciais para o desenvolvimento das plantas e, ainda reduz a acidez do solo, ao contrário dos adubos químicos e estercos de animais que podem salinizar e acidificar o solo e contaminar os rios. Mas as vantagens do composto não param por aí! devido a temperatura alta que alcança no processo da compostagem (até 65ºC), durante a fermentação, os microrganismos causadores de doenças das plantas e as sementes de plantas espontâneas ("mato") não sobrevivem. Embora o composto orgânico tenha como desvantagem o uso de mais mão-de-obra, por ocasião da confecção, torna-se ao longo do tempo, mais barato, pois o terreno não vai mais precisar de calagem e, o que é melhor, a fertilidade é mais duradoura e mais completa, pois fornece todos os nutrientes que as plantas necessitam, quando comparado ao uso de adubação química que além de cara, fornece apenas NPK (nitrogênio, fósforo e potássio) . A matéria postada neste blog em 29/11/2010 mostra, passo a passo, como fazer o composto orgânico de boa qualidade.
.Adubação verde: É uma das maneiras de cultivar e tratar bem o solo; consiste no cultivo de espécies de plantas com elevado potencial de produção de massa vegetal, semeadas em rotação, sucessão e até em consórcio com culturas de interesse econômico. Não havendo esterco de animais na propriedade, é uma das mais baratas fontes de matéria orgânica e, o mais importante, melhora a vida e a estrutura do solo. A única desvantagem da adubação verde, em propriedades pequenas, é a ocupação do terreno com estas espécies ao invés das culturas que dão retorno econômico. Atualmente, esta desvantagem não existe mais, pois elas podem serem utilizadas consorciadas com os cultivos. Na matéria postada em 29/11/2010 neste blog, mostra as principais vantagens da adubação verde, bem como as espécies mais eficientes para produção de massa verde.
.Estercos de animais: Os estercos curtidos de aves e de gado são os mais utilizados na adubação orgânica, devido a disponibilidade. São importantes fontes de nutrientes, mas não melhoram as condições físicas do solo; especialmente o de aves, quando em excesso (mais de 2 kg/m2 por ano), pode salinizar e aumentar a acidez do solo. A aplicação de esterco, em fase de fermentação (frescos), por ocasião do plantio, pode causar danos às raízes e às sementes, destruição dos microrganismos do solo, formação de produtos tóxicos, morte da planta pelo calor e contaminação das fontes de águas, contaminar as partes comestíveis das plantas e causar doenças nas pessoas e ainda serem fontes de sementes de plantas espontâneas. A integração agricultura e pecuária é muito recomendado na agricultura orgânica, pois além de disponibilizar o esterco, possibilita o repouso de parte da área e, o mais importante, favorece a rotação de culturas com outras espécies (pastagens) mais resistentes às doenças e pragas. No entanto, recomenda-se cuidado, ao adquirir esterco de outras propriedades, especialmente, se houver o uso de herbicidas, pois poderá afetar a lavoura ou horta. Para melhor aproveitamento dos estercos de aves e de gado, recomenda-se: a) abrigá-lo da chuva; b) curtir por cerca de 90 dias; c) fazer compostagem, pois são juntados outros materiais tais como as palhadas, restos de culturas e outros ao esterco.

Tratos culturais: São poucas as pragas e doenças que afetam as plantas condimentares. O importante é cultivá-las no local apropriado, obedecendo a adubação, luminosidade, umidade e temperatura adequados, bem como adotando boas práticas tais como o plantio direto, cultivo mínimo e rotação de culturas . No caso de ocorrer pragas e doenças de forma mais severa, analisar se é mais vantajoso combatê-las com produtos alternativos ou substituir por outras plantas sadias.

Rotação, sucessão e consorciação de culturas: a manutenção da fertilidade do solo e a sanidade dos cultivos depende de rotação de culturas, da reciclagem de biomassa e, principalmente, da diversidade biológica, principal pilar da agricultura orgânica a contribuir para a manutenção do equilíbrio do sistema e, consequentemente, do solo e da cultura. Portanto, o equilíbrio biológico e ambiental, bem como a fertilidade do solo, não podem ser mantidos com monoculturas. O cultivo intensivo das mesmas espécies de hortaliças na mesma área esgota o solo em certos nutrientes e aumenta a ocorrência de doenças, pragas e plantas espontâneas.
Para não confundir os diferentes sistemas de produção é preciso verificar a definição de cada um deles, a seguir:
Monocultura: é o uso continuado de uma mesma cultura, numa mesma estação de crescimento e numa mesma área. Todos os anos a mesma ou as mesmas espécies são semeadas ou plantadas no mesmo local.
Sucessão de culturas: é o estabelecimento de duas ou mais espécies em seqüência na mesma área, em um período igual ou inferior a 12 meses.
Consorciação de culturas: é o estabelecimento de duas ou mais espécies simultaneamente na mesma área. Neste tipo de cultivo há competição interespecífica em parte ou em todo o ciclo de desenvolvimento da cultura.
A rotação de culturas pode ser definida como o cultivo alternado de diferentes espécies vegetais no mesmo local e na mesma estação do ano, seguindo-se um plano predefinido, de acordo com princípios básicos.
• rotação de culturas, prática milenar, é o processo pelo qual se evita a repetição continuada de uma mesma cultura no mesmo lugar e na mesma estação do ano. Para sucesso dessa prática deve-se seguir, especialmente, dois princípios básicos:
- não cultivar, no mesmo lugar, hortaliças da mesma família botânica, pois essas espécies estão sujeitas às mesmas pragas, doenças e plantas espontâneas. É o princípio de "matar de fome" os insetos, os fungos e as bactérias que atacam as plantas cultivadas;
- o plantio de espécies de famílias botânicas diferentes na mesma área também é importante, devido às diferenças de exigências nutricionais e de sistema radicular das espécies de plantas incluídas no sistema de rotação de culturas.
Ferreira On 5/07/2012 04:37:00 AM 1 comment LEIA MAIS

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Cultivo orgânico de hortaliças-folhosas Acelga, Agrião, Almeirão ou Radiche – Parte I


    O cultivo orgânico de alface e repolho, embora sejam importantes hortaliças-folhosas, já foram abordadas neste blog, sendo as matérias postadas em 18/01/2011 e 09/02/2011, respectivamente. Por outro lado, a cebolinha e a salsa, embora sejam também consideradas hortaliças-folhosas, já foram abordadas recentemente neste blog em matéria postada no dia 21/05/2012, dentro do grupo de hortaliças-condimentos (Parte II). É importante, sempre que pensar no cultivo de hortaliças, coletar amostra do solo para análise da fertilidade e da acidez, com antecedência. A calagem e a adubação orgânica de plantio e, em cobertura recomendada, caso necessárias, será com base nesta análise, interpretada por um técnico de seu município. 

Figura 1. Hortaliças-folhosas: repolho, espinafre, agrião, rúcula, radiche, alface, salsa, couve e 
cebolinha 

Acelga 


A acelga (Beta vulgaris var. cicla) é uma planta bianual (no 1º ano apresenta o crescimento vegetativo e no 2º ano produz sementes) de ciclo longo, pertencente à família Quenopodiáceas, assim como a beterraba, que tem como parte comestível às folhas cuja coloração é variável (de verde escuro à verde claro) que são ovaladas com as bordas encouraçadas. Para que ocorra a formação de flores é necessário que a planta passe por um período de temperaturas baixas. As sementes são muito pequenas e estão encerradas em um pequeno fruto, que é comumente chamado de semente. Cada fruto contém de 3 a 4 sementes muito pequenas. A hortaliça (Figura 2) é originária da Europa, onde cresce espontâneamente e é cultivada há mais de 2000 anos, muito apreciada em São Paulo e arredores. 

Figura 2. Hortaliça-folhosa: acelga

   A acelga é uma hortaliça composta por vários e importantes nutrientes e com sabor agradável. A acelga, também conhecida como beterraba branca, é uma verdura muito nutritiva, mas ainda pouco consumida no Brasil. É rica em vitaminas (A, B, B2, B5 e C), Niacina e de sais minerais (cobre, enxofre, iodo, cálcio, ferro, fósforo, potássio e sódio). Tem poucas calorias e quase nenhuma gordura, podendo ser usada em dietas de baixo consumo calórico. A vitamina A encontrada nesta hortaliça, é indispensável para manter a saúde dos olhos, garantindo uma boa visão. Ajuda a manter a pele e as mucosas saudáveis, auxilia no crescimento e faz parte da formação do esmalte dos dentes. A vitamina C dá resistência aos vasos sanguíneos, combate processos infecciosos, evita problemas de pele, hemorragias e fortalece os ossos e os dentes. A Niacina, assim como todas as outras vitaminas do Complexo B, protege o aparelho digestivo e o sistema nervoso central. A acelga possui ainda grande quantidade de fibras que facilitam o bom funcionamento dos intestinos. Pode-se usar o suco deste vegetal, misturado em partes iguais com o suco de agrião para combater os cálculos biliares. Toma-se um copo, por dia, em jejum. Também se utiliza a acelga para combater a prisão-de-ventre, preparando um laxante poderoso com meio copo de suco de acelga e uma colher de sopa de azeite. Mas atenção, ela não deve ser consumida de forma exagerada, pois possui grande quantidade de oxalato, uma substância que prejudica a absorção de cálcio no organismo. O chá da raiz é remédio contra enfermidades do fígado. As sementes são boas para combater a disenteria, a metrorragia (sangramentos acíclicos do útero fora do ciclo menstrual normal) e a poliúria (sintoma que corresponde ao aumento do volume urinário). 

Cultivo: A acelga é uma planta de clima temperado, suportando até geadas suaves. Desenvolve-se com temperaturas que são compreendidas entre um mínimo de 6º C e um máximo de 27º a 33º C, sendo o período mais favorável entre 15º e 25º C. Em algumas regiões tropicais e subtropicais seu desenvolvimento é bom, contanto que seja cultivada em áreas altas e, nestas situações, pode se comportar como uma planta perene, devido à ausência de inverno definido nestas regiões. Requer solos profundos e ricos em matéria orgânica. Suporta muito bem solos salinos, mas requer solos alcalinos, com um pH ótimo de 7,2. Tolera solos com pH variando de 5,5 a 8, mas não tolera os solos ácidos. É uma planta que necessita de alta umidade, especialmente quando é jovem. No verão, a falta de água proporciona folhas amargas. Dentre as variedades, destacam-se a Kukai, Chinesa, Européia, Branca de Lyon e a Crespa de Lukullus. O espaçamento recomendado para esta cultura é de 0,6 entre fileiras por 0,2 m entre plantas, com 3-4 sementes por cova. A semeadura é feita em local definitivo. Para se obter melhores porcentagens de germinação, deve-se deixar de molho as sementes por 24 horas antecedendo ao plantio. Quando as plantinhas tiverem alcançado 10 a 15 cm de altura, faz-se o desbaste, deixando uma planta por cova. A vaquinha e a lagarta das folhas são as principais pragas que podem prejudicar as plantas. A rotação ou consorciação de culturas deve ser feita, especialmente com leguminosas, pois estas fornecem nitrogênio para a hortaliça. 

Colheita: As folhas externas da planta mais desenvolvidas são colhidas geralmente entre 55 e 65 dias após o plantio, cuidando-se para não danificar as folhas internas. Esta operação persiste por 3 a 4 meses. Quando for comprar acelga, atenção para as folhas que devem estar novas e na cor verde-claro, com o talo verde-esbranquiçado. A consistência deve ser firme, parecida com a do repolho. As folhas internas precisam estar viçosas, sem manchas ou marcas de insetos. Quando o talo está mole ou com manchas pretas, é sinal de que a acelga já está passada. Guarde a acelga na gaveta de verduras da geladeira, onde se conserva em bom estado durante 3 ou 4 dias. 


Agrião 

O agrião (Lepidium sativum, L.) pertence à família das Brassicaceae. O agrião (Figura 3) saiu da região Sudeste da Ásia para o continente europeu há vários séculos, espalhando-se pelo mundo. De folhas pequenas e verde-escuras, a hortaliça é uma excelente opção para enriquecer saladas. Com baixo teor calórico, o agrião é também fonte de provitamina A (especialmente betacaroteno), possui grande quantidade de vitamina C, vitaminas do complexo B e sais minerais. É uma fonte valiosa de cálcio, ferro e potássio. O talo crocante tem ainda alto teor de iodo. Para completar, as folhas apresentam um sabor picante, mas suave, que estimula o apetite. Propriedades medicinais não faltam ao agrião. O agrião é uma planta de características medicinais muito conhecidas. Atualmente, é muito utilizado em combinação com o mel de abelha, para a fabricação de xaropes ou sprays que destinam-se a combater problemas na garganta ou pulmonares, tais como tosse, rouquidão, etc. Outras propriedades medicinais do agrião são: diurético, laxante e vermífugo. É rico em antioxidantes que ajudam a prevenir o câncer. Ele é, ainda, utilizado para ajudar no tratamento de doenças nos rins, fígado e em problemas de pele. A hortaliça faz bem para o fígado, é diurética e recomendada para diabéticos. Além disso, o agrião combate o ácido úrico, tuberculose, raquitismo, formação de pedra nos rins e efeitos tóxicos da nicotina. O suco de agrião fervido com leite é expectorante e, se misturado com mel, ajuda a aliviar a bronquite. 
Figura 3. Hortaliça-folhosa: agrião
As variedades mais conhecidas são: folha larga e folha d'água. Existe ainda o agrião da terra, mais picante, conhecido também por "mastruço". Mais popular por aqui são as variedades chamadas de "agrião de água", sobretudo aquelas que pertencem ao grupo de folhas largas. Os brasileiros também costumam consumir muito o agrião de terra seca, sendo algumas vezes preferida como broto. As temperaturas ideais variam entre 16 e 20ºC, mas produz em regiões mais quentes. Os terrenos argilosos, com muita matéria orgânica e baixa acidez (pH entre 6,0 e 6,8) são os ideais. 

Cultivo do agrião d'água: O agrião (Rorippa nasturtium-aquaticum L.) é uma planta que se desenvolve em terrenos alagados ou muito úmidos e, por esta razão, é conhecido também como agrião-d'água ou agrião aquático. É uma planta de clima ameno e seu desenvolvimento é melhor em temperaturas que variam de 16 a 20ºC. Com temperaturas mais elevadas, o agrião floresce mais rápido, apresenta um desenvolvimento menor da planta, além de prejudicar a qualidade. Por ser uma planta que necessita de muita água e umidade, os solos mais indicados para o seu cultivo são os que possuem maior capacidade de retenção de água, os solos argilosos. Como é uma planta rústica e resistente, o agrião é fácil de cultivar. Porém, precisa de muita água limpa disponível. No geral, a multiplicação é feita por meio de estacas, isto é, por meio de pedaços de hastes fortes. Deixa-se depois entrar água, que não mais é retirada; com o crescimento das plantas, procura-se ir aumentando a altura da água. Pode-se também fazer a multiplicação do agrião por meio de sementes. A sementeira é feita pelos métodos comuns, tendo-se o cuidado de pulverizar bem a terra do canteiro, porque as sementes são muito miúdas. Na sementeira utiliza-se sulcos separados por 10cm e 0,5cm de profundidade. Também pode ser plantada diretamente nos canteiros. Em um grama há, aproximadamente, 5000 sementes que germinam na proporção de 40%. Para o plantio, são necessários 4 kg de sementes/ha. Com 8 cm de altura leva-se as mudas para as agrieiras. O espaçamento recomendado para o cultivo do agrião são de 20 centímetros entre plantas e 25 entre linhas. Deve-se evitar a concorrência por água e nutrientes com a eliminação de plantas espontâneas ("mato") no local. Assim que as plantinhas apresentarem ramas de cinco centímetros, é hora de realizar o raleamento. Em cada cova, é bom deixar de três a quatro plantas. As agrieiras devem sempre estar inundadas, mas somente até o ponto em que a folhagem fique fora d'água. Outro ponto importante é a utilização de adubação de cobertura. As mudas devem ser transplantadas para o canteiro durante os meses de temperaturas mais amenas. 
Cultivo do agrião do seco: O agrião do seco (Lepidium sativum L.) é uma planta herbácea anual conhecido também como agrião-de-jardim, agrião, agrião-da-índia, agrião-mouro, mastruço e mastruço-ordinário. Ele pode ser utilizado como medicinal ou na alimentação humana, sendo consumido principalmente na forma de brotos. Suas folhas basais são diferentes das folhas do caule. As folhas basais tem longos pecíolos, são duplamente lobadas, com margens denteadas e dispostas em roseta, enquanto que as folhas caulinares são lanceoladas a lineares, menores e com margens inteiras. Quando adulta pode alcançar 60 cm de altura. As inflorescências são do tipo rácimo, apresentando flores pequenas e brancas, que dão origem à frutos do tipo síliqua, deiscentes. O cultivo do agrião do seco pode ser comercial, em larga escala, ou até mesmo em apartamento para o consumo dos próprios residentes. É uma importante hortaliça para cultivar em pequenos espaços, enriquecendo a alimentação de crianças, adultos e idosos. Ele pode ser utilizado cru em saladas, sanduíches, sucos, ou cozido, temperando diversos pratos. Seu sabor é levemente picante como as outras espécies de agrião: o agrião-da-água (Nasturtium officinale) e o agrião-da-terra (Barbarea verna) . É rico em vitaminas do complexo B, vitaminas A e C, além de sais minerais. 
Colheita: após cerca de dois meses do plantio, o agrião já pode ser colhido. Antes, verifique se as folhas estão desenvolvidas e tenras. É possível fazer de três a quatro cortes, com intervalos de um mês. Os melhores cortes são os de época fria. No verão, há tendência para o florescimento, diminuindo o tamanho das folhas. Os cortes são feitos à 8 cm do solo, evitando abalar a planta. 


Almeirão ou radiche 

   O almeirão (Cichorium intybus), planta perene, conhecido também por radiche e chicória, pertencente a família botânica das Asteraceae, tem como origem a Ásia, Europa e África. É uma planta herbácea da mesma família da alface e chicória que apresenta sistema radicular do tipo pivotante, profundo e sem ramificações laterais; as folhas são lanceoladas e de sabor amargo acentuado, muito utilizadas como salada ou, em alguns casos, refogadas. Apresenta folhas alongadas, largas ou estreitas, mais ou menos pubescentes, de coloração verde ou arroxeada de acordo com a variedade. Esta hortaliça (Figura 4) é uma boa fonte de fósforo e ferro e também fornece vitaminas A, C e do complexo B. 
   Com as folhas do almeirão podem ser preparadas ricas saladas cruas, e saborosos refogados, acompanhando legumes, cereais ou carnes. Seu sabor é amargo e seu valor nutricional é superior à alface, sendo mais rico em vitaminas, minerais e fibras. As raízes prestam-se para a extração industrial do carboidrato inulina, de importantes aplicações na indústria farmacêutica e de alimentos dietéticos; e para a produção de um substituto do café, após sofrerem secagem, torrefação e moagem. As flores do almeirão também são comestíveis e podem adornar saladas com efeito surpreendente. É plantado para fins ornamentais, principalmente na Europa, devido às belas flores, que acrescentam um efeito campestre em maciços ou em conjuntos com outras flores. 

Figura 4. Hortaliça-folhosa: Almeirão ou radiche

Cultivo: produz melhor sob temperaturas amenas, sendo cultivado, geralmente, no outono-inverno; à cultura se adapta melhor à semeadura direta; o espaçamento entre linhas varia de 20cm a 40cm;.é uma espécie que sofreu intenso melhoramento genético, disponibilizando atualmente plantas com folhas abertas, de cabeça (folhas justapostas e fechadas) e plantas de raiz mais engrossada. As principais variedades são "Catalonha", "Pão-de-açúcar", "Radiche (Folha larga)", "Palla Rossa", "Madnesburgo (de raiz)" e "Spadona". Deve ser cultivado sob sol pleno, em solo fértil, bem drenável, enriquecido com matéria orgânica e irrigado regularmente. Tolera o frio e o calor. O solo deve estar bem preparado na ocasião do plantio. Multiplica-se por sementes diretamente no local definitivo. O desbaste deve ser realizado quando as plantas atingirem 10 cm, deixando uma planta a cada 15 cm. 
Colheita: A colheita inicia-se em 80 dias no verão e 100 dias no inverno. Apesar de perene é cultivada como anual, .efetuando-se o corte das folhas externas, obtendo-se até 6 colheitas parceladas; as folhas são comercializadas na forma de maços. O almeirão, como a maioria das hortaliças-folhosas, estraga-se rapidamente, murchando e amarelecendo depois de colhido. O almeirão pode ser mantido por até três dias na geladeira 


































quinta-feira, 5 de julho de 2012

Cultivo orgânico de hortaliças-condimentos - Parte V - Final coentro e pimenta


Coentro



O coentro (Coriandrum sativum L.), pertencente a família botânica das Umbelliferae (aipo e batata-salsa), é originário da Costa do Mediterrâneio (Sul da Europa, Oriente Médio e África do Norte). É uma planta anual, herbácea, com caule cilíndrico, estriado e pouco ramificado, que pode atingir de 0,70 a 1 m de comprimento. As folhas são de coloração verde-brilhante que exalam um aroma forte e fétido quando esmagadas, lembrando o cheiro exalado por percevejos (Figura 1). O florescimento ocorre entre a primavera e o verão. 
Figura 1. Coentro

Principais usos: O coentro, também chamado de coentro-das-hortas, é um excelente condimento, de uso generalizado não só no Brasil como em quase todo o mundo, sendo particularmente utilizado para temperar peixes. Suas sementes são ricas em retinol, tiamina, riboflavina, niacina, cálcio, fósforo, ferro e ácido ascórbico. Nos frutos, encontramos também vitamina C. 
   O coentro pode ser encontrado na forma de ramos, grãos ou em pó. Pode ser empregado para temperar carnes, sopas, legumes, patês, biscoitos, pães, bolos e variados pratos salgados. Como uso terapêutico, é indicado em casos de flatulência e diarréia. É vermífugo, carminativo e estimulante das funções digestivas. Ajuda a disfarçar o hálito, quando mastigado imediatamente após o consumo de alho. 
   O coentro também pode ser utilizado no manejo de insetos-pragas: quando consorciado com tomate diminui o ataque da traça do tomateiro e da mosca branca, além de atrair inimigos naturais de diversas pragas que atacam as hortaliças. O preparado com coentro é eficiente no manejo de ácaros e pulgões. Como preparar: cozinhar folhas de coentro em 2 L de água; para pulverizar as plantas, acrescentar mais água. 

Propagação: por sementes. 

Cultivo: o coentro é uma planta que tolera bem tanto o frio como o calor, assim como curtos períodos de seca. O plantio é feito através de seus frutos ou sementes. A semeadura deve ser em local definitivo, em canteiros bem preparados, utilizando-se 15 a 25 kg de sementes por hectare. Cada região tem sua época mais adequada, mas recomenda-se que seja feita no início da primavera. Deve-se evitar a semeadura no período de inverno, devido principalmente ao risco de ocorrência de geadas. Usar espaçamento entre as linhas de 30 cm, para solos livres ou com pouca ocorrência de plantas espontâneas. As sementes devem ser semeadas nos sulcos das linhas a uma profundidade de 2 a 2,5 cm, e cobertas com 1 a 2 cm de terra. Utilizar espaçamento de 2 a 5 cm, entre as sementes na linha. A germinação ocorre no período de 7 a 14 dias. Deve-se então realizar o desbaste, eliminando as plantas fracas e determinando-se o espaçamento final entre uma planta e outra na linha, de 15 a 25 cm. Os solos férteis, profundos, bem drenados e com boa exposição à radiação solar são os preferidos. Devem ser evitados solos ácidos e os que retêm muita umidade. Solos ricos em nitrogênio e adubações nitrogenadas intensas devem ser evitadas, pois o excesso de nitrogênio atrasa o amadurecimento das sementes ou prolonga o período de progressivo amadurecimento e reduz a produção. Adubações com fósforo e potássio no mesmo ano do plantio produzem sementes mais aromáticas. Realizar controle e combate de ervas daninhas. Irrigar ou drenar o solo, e adubar, sempre que necessário.

Wilt, oídio e fel-tronco são as principais doenças. O Wilt causado pelo fungo Fusarium oxysporum f.sp. corianderii pode ser facilmente reconhecida no campo pela inclinação das porções terminais, seguido de murchamento e secamento de folhas, o que pode resultar em morte. Aração profunda deve ser feito durante a temporada de verão. Rotação de culturas em áreas atacadas pela doença, por 2 ou 3 anos, também é recomendado. O Oídio causado pelo fungo Erysiphe polygoni aparece como pequenas, brancas manchas circulares em partes jovens de caules e folhas. Estes aumentos em tamanho, muitas vezes se aglutinam para cobrir extensas áreas de superfície da folha. As folhas afetadas são reduzidas em tamanho e distorcidas. Para controlar esta doença, pó de enxofre (20-25 kg/ha) é eficiente.    
    Pulverização de enxofre molhável 0,25% também pode controlar esta doença. Outra doença que pode causar prejuízos a lavoura é o Fel-tronco causado pelo fungo Protomyces macrosporus; galhas aparecem nas folhas e caules das plantas afetadas por esta doença.
Colheita: A colheita dos frutos é realizada a partir do momento em que 50 a 60% dos frutos, apresentam cor amarelo-dourado ou marrom-claro-amarelado, ou pardo, conforme a variedade. A colheita é feita, cortando-se os ramos com as umbelas (extremidades dos ramos onde estão os frutos). As umbelas cortadas podem ser colocadas em recipientes sem furos, para serem transportados para o local de secagem. A colheita das folhas é feita a partir do momento em que a planta possui folhas suficientes que possam ser colhidas, sem prejudicar o seu desenvolvimento, encerrando a colheita quando surgirem os primeiros órgãos que originarão as flores.

Pimentas
(Fonte: www.cnph.embrapa.br/paginas/sistemas_producao/cultivo_da_pimenta.htm)
   As espécies de pimentas do gênero Capsicum pertencem à família botânica Solanaceae, como o tomate, a batata, a berinjela e o jiló. Dentre as espécies do gênero Capsicum, cinco são domesticadas e largamente cultivadas e utilizadas pelo homem: Capsicum annuum; C. bacccatum; C. chinense; C. frutescens e C. pubescens. Destas, apenas C. pubescens não é cultivada no Brasil. Com a chegada dos navegadores portugueses e espanhóis ao continente americano, muitas espécies de plantas foram descobertas, entre elas as pimentas. As pimentas do gênero Capsicum já eram utilizadas pelos nativos e mostraram-se mais picantes (pungentes) que a pimenta-do-reino ou pimenta-negra, do gênero Piper, cuja busca foi, possivelmente, uma das razões das viagens que culminaram com o descobrimento do Novo Mundo. É igualmente substancial a contribuição histórica brasileira na dispersão destas plantas pelo mundo, eficientemente feita pelos navegadores portugueses e pelos povos que eram transportados em suas embarcações. As rotas de navegação no período 1492-1600 permitiram que as espécies picantes e doces de pimentas viajassem o mundo. As pimentas foram então, introduzidas na África, Europa e posteriormente na Ásia. O cultivo de pimentas ocorre praticamente em todas as regiões do país e é um dos melhores exemplos de agricultura familiar e de integração pequeno agricultor-agroindústria. As pimentas (doces e picantes), além de serem consumidas frescas, podem ser processadas e utilizadas em diversas linhas de produtos na indústria de alimentos. A área anual cultivada é de cerca de dois mil ha e os principais estados produtores são Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Ceará e Rio Grande do Sul. Altas cotações para o produto são alcançadas nos meses de inverno quando o Sul e Sudeste são abastecidos principalmente, pela produção das regiões Nordeste e Centro-Oeste,
Principais usos: Diversos relatos de exploradores do Brasil-colônia demonstram que a pimenta era amplamente cultivada e representava um item significativo na dieta das populações indígenas. Ainda hoje, a importância das pimentas continua grande, seja na culinária, nas crenças, na medicina alopática ou natural e inclusive como arma de defesa. São remédios para artrites (pomadas a base de capsaicina), dores musculares (emplastro 'Sabiá'), dor de dente, má digestão, dor de cabeça e gastrite. A capsaicina, responsável pela pungência das pimentas, é a única substância que, usada externamente no corpo, gera endorfinas internamente que promovem uma sensação de bem-estar, acionando o potencial imunológico. Os índios Caetés foram os primeiros brasileiros a usar a pimenta como arma, sem imaginar que séculos depois a oleorresina de pimenta em aerossol ou em espuma, os famosos 'pepper spray' e 'pepper foam', seriam utilizados pela polícia moderna. Além do mercado interno, parte da produção brasileira de pimentas é exportada em diferentes formas, como páprica, pasta, desidratada e conservas ornamentais.
O extrato de pimentas picantes, especialmente a pimenta malagueta é eficiente para o manejo de grilos, paquinhas, lagarta rosca, vaquinhas e pulgões que atacam as hortaliças. Modo de preparo: coloca-se a quantidade disponível de pimentas num frasco, acrescentando-se álcool, até cobrí-las;  fecha-se e deixa-se curtir por pelo menos 3 dias. Após, o extrato já pode ser utilizado ou armazenado em local escuro. Recomenda-se uma colher de sopa deste extrato por litro de água para pulverizar as plantas. Mas também é possível utilizar dosagens mais fortes (até 1%) para aplicações em hortas. Seu uso deve ser repetido após chuvas ou irrigação. Usar luvas ao manipular a pimenta e vestimenta de proteção ao aplicar o extrato. Quando utilizar este extrato em hortaliças folhosas e hortaliças-frutos, deve-se obedecer um período de carência mínima de 12 dias da colheita para evitar a obtenção de frutos e folhas com forte odor.
Propagação: por sementes
Cultivo: A pimenteira é uma planta exigente em calor, sensível a baixas temperaturas e intolerante a geadas, por isso deve ser cultivada preferencialmente nos meses de alta temperatura, condição que favorece a germinação, o desenvolvimento e a frutificação, obtendo-se assim, um produto de alto valor comercial com menor custo de produção. Nas diferentes regiões produtoras do Sul e Sudeste do país as temperaturas elevadas consideradas ideais acontecem na primavera e verão, sendo indicados os meses de agosto a janeiro para semeadura. Entretanto, nas regiões serranas e de temperaturas mais amenas, a época mais conveniente é de setembro a novembro em razão de sua exigência em temperaturas elevadas. Os solos utilizados para o cultivo de pimenta devem ser profundos, leves, drenados (com bom escoamento de água, não sujeitos a encharcamento), preferencialmente férteis, com pH entre 5,5 a 7,0. Devem ser evitados solos salinos ou com elevada salinidade, uma vez que as pimentas, assim como pimentão, são sensíveis.
Recomenda-se que sejam evitadas áreas que tenham sido cultivadas nos últimos 3-4 anos com outras plantas da família das solanáceas (como batata, tomate, berinjela, pimenta, jiló, fumo, Physalis) ou Cucurbitáceas (como abóbora, moranga, pepino, melão e melancia). Áreas com cultivos anteriores de gramíneas (milho, sorgo, arroz, trigo, aveia), leguminosas (feijão, soja) ou aliáceas (cebola, alho), são as mais indicadas. A quantidade de adubo a ser aplicada é determinada com base na análise química do solo. A maioria das cultivares de pimentas plantadas no Brasil como a ''Malagueta'' (Capsicum. Frutescens – Figura 2), 'Dedo-de-Moça' (C. baccatum), 'Cumari' (C. baccatum var. praetermissum), 'De Cheiro' e 'Bode' (C. chinense), são consideradas variedades botânicas ou grupos varietais, com características de frutos bem definidas. Normalmente, o produtor produz sua própria semente, e as diferenças existentes dentro destes grupos estão relacionadas às diferentes fontes de sementes utilizadas para o cultivo. O transplante é realizado quando as mudas apresentarem de 4 a 6 folhas definitivas ou aproximadamente 10cm de altura. No caso de terem sido formadas em sementeiras, as mudas devem ser retiradas com cuidado, preferencialmente com o torrão para se evitar danos às raízes. Os espaçamentos dos sulcos de plantio ou canteiros são definidos de acordo com a cultivar ou tipo de pimenta, região de plantio ou ciclo da cultura (Tabela 1). As hastes lenhosas da maioria dos tipos de pimenta dispensam tutoramento e desbrota. Entretanto, caso apareçam brotações na haste principal abaixo da primeira bifurcação, elas podem ser retiradas. Em locais de ventos fortes, pode ocorrer a necessidade de se fazer tutoramento da planta (colocando-se uma estaca de madeira ou bambu junto à planta) ou o plantio de quebra-vento em volta do campo (capim-elefante, milho, cana-de-açúcar).
Figura 2. Pimenta malagueta
   A deficiência de água, especialmente durante os estádios de floração e pegamento de frutos, reduz a produtividade em decorrência da queda de flores e abortamento de frutos. Todavia, plantas de pimenta submetidas a deficiência moderada de água no solo produzem frutos mais pungentes, com maior teor de sólidos solúveis e de matéria seca. O excesso de água no solo também pode comprometer a produção de pimentas. Irrigações excessivas, principalmente em solos de drenagem deficitária, prejudica a aeração do solo e favorece o desenvolvimento de várias doenças de solo, como a causada por Phytophthora capsici.
Tabela 1. Informações sobre espaçamentos, época de plantio e ciclo dos principais tipos de pimentas em diferentes regiões do país.  

    O produtor de pimenta procura, sempre que possível, cultivar áreas sob rotação de culturas, evitando aquelas previamente utilizadas com solanáceas. A rotação adequada de culturas é importante para o manejo de plantas espontâneas, pois as práticas culturais provocam mudanças na população de plantas, havendo a cada ano uma nova relação de interferência entre as diferentes espécies. Para que as doenças sejam bem controladas é necessário que a cultura seja bem conduzida, ou seja, que a planta não esteja sujeita a estresses provocados por fatores diversos, tais como época de plantio desfavorável, adubação desbalanceada, ferimentos nas plantas, competição com plantas daninhas e o uso de cultivares não adaptadas ao clima. Dentre estes fatores, deve ser dada atenção especial ao tipo de solo e modo de irrigação. Plantas de pimenta são muito sensíveis a solos encharcados e morrem prematuramente por esta causa. O controle de doenças de plantas é, mais que tudo, 'medicina preventiva', ou seja, a estrita observação de medidas que devem ser adotadas antes mesmo do plantio.
A seguir, são mencionadas algumas medidas para evitar o aparecimento de doenças ou reduzir seu efeito:
1. Plantar sementes de boa qualidade, adquiridas de firmas idôneas. Em caso de produção própria, devem ser escolhidas as plantas saudáveis para se retirar sementes. Muitas doenças das pimentas são transmitidas pela semente;
2. Preferir variedades bem adaptadas ao clima local e à época de plantio, e que tenham resistência às principais doenças que ocorrem na região. Estas informações podem ser obtidas em catálogos de empresas de sementes;
3. Escolher para instalação da cultura uma área bem ventilada, que não tenha histórico de plantio recente com solanáceas (pimentão, tomate, berinjela, jiló), com solo bem drenado, não sujeita a empoçamento de água;
4. Fazer uma adubação balanceada, baseada em análise do solo. Falta ou excesso de nutrientes são causas freqüentes de distúrbios fisiológicos graves;
5. Produzir ou adquirir mudas sadias. Infecções precoces, provocadas por semente contaminada ou substrato infestado, dificultam sobremaneira a manutenção da sanidade nas plantas adultas. Sementeiras devem ser feitas preferencialmente em telados instalados em locais separados do campo de cultivo, onde as mudas ficam protegidas de vetores de viroses;
6. Evitar o excesso de água na irrigação, pois este é o fator que mais afeta o desenvolvimento de doenças, em especial aquelas associadas ao solo;
7. Usar água de irrigação de boa qualidade, que não tenha sofrido contaminação antes de chegar à propriedade;
8. Controlar os insetos que são vetores de viroses e que provocam ferimentos nas plantas, principalmente nos frutos;
9. Evitar ferimentos à planta durante as operações de amarrio, capinas, irrigação ou outros tratos culturais;
10.Realizar as pulverizações de preferência de forma preventiva, quando as condições climáticas forem favoráveis a uma determinada doença. Após o seu estabelecimento, a maioria das doenças não pode mais ser controlada;
11.Evitar ao máximo o trânsito de pessoas e de máquinas que podem levar estruturas de patógenos de uma área para outra. Em cultivos protegidos, recomenda-se colocar uma caixa com cal virgem na entrada para desinfestação de calçados;
12.Destruir os restos culturais, que normalmente hospedam populações de patógenos e insetos. Esta destruição pode ser feita por enterrio profundo ou queima controlada;
13.Realizar rotação de culturas, de preferência com gramíneas, tais como milho, trigo, arroz, sorgo ou capim. Esta medida é muito importante para o controle de doenças de solo, mais difíceis de serem controladas;
14.Inspecionar a lavoura com freqüência para identificar possíveis focos de doença, ainda em seu início.
O controle de insetos e ácaros deve ser feito de maneira integrada, onde práticas como a destruição de restos culturais, eliminação de plantas hospedeiras silvestres ou voluntárias, rotação de culturas, utilização de cultivares resistentes, utilização de mudas sadias, além de mecanismos que assegurem a presença de inimigos naturais nas áreas cultivadas, sejam combinadas com pulverizações produtos alternativos recomendados no sistema de produção orgânico;
Colheita: As pimentas apresentam diferentes pontos de colheita, de acordo com cada tipo, região de cultivo e época do ano. O ciclo da cultura e o período de colheita são afetados diretamente pelas condições climáticas e pelos tratos culturais, como adubação, irrigação, incidência de pragas e doenças, e a adoção de medidas de controle fitossanitário. De uma maneira geral, as primeiras colheitas são feitas a partir de 90 dias após a semeadura para as pimentas mais precoces, como a 'Murupi', e após 120 dias para as mais tardias. O ponto de colheita ideal das pimentas é determinado visualmente, quando os frutos atingem o tamanho máximo de crescimento e o formato típico de cada espécie, com a cor específica demandada pelo mercado: verde para a pimenta 'Cambuci'; vermelho para a 'Malagueta'; amarela ou vermelha para a pimenta 'Bode'; verde-claro para a 'De Cheiro'; amarela para a 'Cumari do Pará'; e amarelo-claro para a 'Murupi'. As pimentas são mais difíceis de serem colhidas quando comparadas com pimentão devido ao menor tamanho dos frutos e a arquitetura da planta, principalmente aquelas de menor porte e com maior número de galhos. Para efetuar a colheita das pimentas com plantas de porte mais baixo, como a 'Cumari do Pará' e 'Malagueta', é necessário que os apanhadores fiquem agachados ou curvados, enquanto para aquelas pimentas com plantas mais altas, como a 'Bode', é possível fazer a colheita em pé, em uma posição mais confortável. A posição dos frutos das pimentas, seu tamanho e a resistência do pedúnculo também interferem na velocidade da colheita.
    As pimentas 'Bode' e 'Dedo-de-Moça' possuem frutos maiores e são mais fáceis de apanhar, sendo possível colher até 60kg/dia/operário, enquanto as pimentas 'Malagueta' e 'Cumari do Pará' possuem frutos menores, o que reduz a velocidade da colheita (aproximadamente 10kg/dia/operário). As pimentas são colhidas manualmente, arrancando-se os frutos das plantas com ou sem os pedúnculos, dependendo do tipo de pimenta e o uso do produto. Cada colhedor utiliza um recipiente pequeno, como uma lata, prato ou bolsa para recolher os frutos das plantas. Um recipiente adequado para a colheita das pimentas pode ser feito a partir de garrafas plásticas de refrigerante de 2L do tipo 'PET', cortando-se o terço superior da garrafa e colocando-se um cordão em duas extremidades laterais para pendurar no pescoço. Além de ser um recipiente barato e fácil de ser feito, o operário fica com as duas mãos livres para executar a colheita, sendo possível segurar os ramos e destacar os frutos sem quebrar a planta. Depois de cheios, estes recipientes são vertidos em baldes ou latas maiores (5-10L) ou então em caixas localizadas estrategicamente próximas do local de colheita. Quando as pimentas são destinadas especificamente para a indústria de conservas e molhos, podem ser apanhadas sem o pedúnculo diretamente no campo. Para aquelas pimentas com maior resistência do pedúnculo, como a 'Bode' e a 'Dedo de Moça', às vezes é necessária uma operação adicional no galpão de beneficiamento para retirar completamente o pedúnculo dos frutos destinados para conservas. As pimentas mais picantes ('ardidas'), como a 'Malagueta', causam irritação e até queimaduras na pele das mãos dos colhedores devido aos teores mais elevados de capsaicina, o composto químico responsável pela ardência nas pimentas. Pessoas com pele muito sensível devem utilizar luvas ou outro material de proteção na colheita, embora causem desconforto pelo suor e dificultem a operação. Existem indicações de alguns produtos que podem aliviar as queimaduras e irritação causadas pela capsaicina, como álcool, água sanitária, água ou leite quentes.    
    Aparentemente, a melhor indicação para reduzir os efeitos negativos das pimentas mais ardidas ou picantes é usar óleos vegetais (soja, canola, girassol), azeite de oliva, banha, manteiga ou margarina ou outros produtos a base de gordura, por que a capsaicina é uma substância lipossolúvel, ou seja, solúvel em óleo e outros tipos de gorduras. Este tratamento não elimina completamente o desconforto das queimaduras, mas pode reduzir parcialmente a concentração do composto das mãos. Os colhedores devem sempre se lembrar de não se coçarem ou tocar partes sensíveis do corpo, como olhos e boca, enquanto executam a colheita por conta das queimaduras e pela irritação causadas pelas pimentas, principalmente pela exposição contínua. O horário ideal para a colheita das pimentas é nas horas menos quentes do dia, no início da manhã e no final da tarde. Quando não é possível colher tudo nestes dois períodos, deve-se armazenar os frutos colhidos sempre a sombra, em local arejado e fresco. A exposição direta ao sol aumenta a respiração e a perda de água, resultando em murcha e deterioração dos frutos. Deve-se também evitar a colheita de frutos molhados pela chuva ou orvalho porque tendem a apodrecer mais rapidamente durante o transporte e a comercialização. Restos de folhas e galhos também devem ser eliminados porque podem tendem a fermentar rapidamente, principalmente quando molhados ou úmidos, e assim aumentar a temperatura no interior das embalagens e reduzir a durabilidade pós-colheita dos frutos. À medida que baldes, caixas e sacos com as pimentas no campo vão ficando cheios, devem ser transportados até pequenos galpões ou sob a sombra de árvores nas margens da plantação. Estes galpões podem ser construídos de modo simples, com uma cobertura de plástico preto recoberto com capim ou folhas de palmeira, servindo para proteger as pimentas do sol direto e da chuva. Posteriormente, os frutos são acondicionados em sacos plásticos grandes (30kg) ou caixas plásticas ou de madeira (15kg), ou outro tipo de embalagem demandado pelo mercado. Para as pimentas destinadas para a indústria de molhos e conservas, é possível retirar os pedúnculos dos frutos em galpões ao lado da lavoura e armazenar as pimentas diretamente em recipientes plásticos de 50L ('bombas' ou 'bombonas') com a calda apropriada, feita a base de vinagre ou outro tipo de álcool e sal.   Este processo reduz problemas de conservação pós-colheita dos frutos de pimenta colhidos mantidos in natura.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Cultivo orgânico de hortaliças-condimentos - Parte IV Manjerona e orégano


    

  O cultivo orgânico de hortaliças-condimentos é a melhor forma de garantir as características fitoquímicas e farmacológicas do produto para o mercado.

Manjerona

   A manjerona (Origanum Majorana L.), pertencente a família das Lamiaceae, é originária do Oriente Médio. A Manjerona era uma planta medicinal muito popular entre os gregos antigos. O nome próprio em grego significava "alegria da palavra das montanhas". A manjerona era uma das ervas favoritas de Afrodite (deusa do amor) e simbolizava a felicidade. Até hoje, é tida como a erva do amor eterno, usada em enfeites por noivos e amantes. Quem visita a Grécia, se depara com manjeronas silvestres cobrindo a paisagem, exalando seu perfume singular. Foi introduzida na Europa na Idade Média, sendo muito apreciada pelas damas sob a forma de sachês. As folhas são bem pequenas ovaladas verde-claras e flores brancas minúsculas que surgem no verão. Nos entrenós os talos que tocam o chão ocorrem o enraizamento espontâneo. Planta perene tipo arbusto que cresce até 60 cm de altura com os ramos cobertos de folhas ovais verdes escuras, com flores esbranquiçadas nos cachos. Toda a planta é extremamente aromática.
Principais usos: é conhecida como substituta do manjericão e do orégano por seu sabor ser parecido com ambos. Muito utilizada no tempero de aves, principalmente em recheio de frangos. A manjerona deve ser utilizada em pratos de cozimento rápido ou no final da preparação, já com o fogo desligado, para não perder seu aroma delicado. Usada em maionese, pizza, ,pastéis, molhos, patês, sopa de batata (suflê), com manteiga derretida, em legumes cozidos, feijão branco, omeletes, ovos mexidos, carne moída, manteiga derretida para peixes grelhados, recheios de frango e lingüiças em geral. Pode ser usada fresca, em raminhos picados, ou seca. Normalmente faz parte do tempero de galetos. Como especiaria, a manjerona possui forte cheiro aromático e pronunciado sabor de especiaria. Também não é rara a sua utilização em saladas e legumes, verduras cruas e regimes dietéticos. Deve, porém, ser empregada em pequenas doses, para não se notar excessivamente o seu sabor.

   As principais propriedades terapêuticas são: Indicada para o tratamento de feridas, queimaduras, astenia, sistema nervoso, resfriado, dor de cabeça, insônia, fraqueza do músculos, sílica nos intestinos, cólicas gástricas, intestinais e menstruais, incontinência dos instintos sexuais Usada na inalação, ajuda a eliminar muco e catarro, prevenindo a sinusite. Folhas frescas e cozidas aplicadas com gaze são boas desinflamadoras no caso de pancadas, feridas e tumores. O responsável pelas propriedades medicinais da manjerona é seu princípio ativo, constituído por tanino e óleo essencial, que garante o efeito expectorante e digestivo. Na forma de chá, a erva pode ajudar no tratamento contra o reumatismo e todas as formas de artrite. Nas corizas crônicas e para o tratamento de feridas pode utilizar-se um ungüento de manjerona, tal como é preparado nas farmácias. É popular o emprego do óleo de manjerona nas varizes, na gota, no reumatismo e nas doenças glandulares.

   Com os galhos secos da planta fazem-se sachês para perfumar roupas, travesseiros de ervas e arranjos de flores. Um bom banho de banheira revigorante e tônico se completa com a inclusão na banheira de uma infusão forte de manjerona.

  Na Europa, o suco da manjerona já foi muito usado para lustrar móveis e tingir lãs de vermelho-púrpura. Hoje, em muitos países, indústrias especializadas utilizam a erva para aromatizar bebidas, condimentos, carnes, sopas em pó, sorvetes, balas, etc.

Propagação: A manjerona pode se propagar por sementes, divisão de touceiras ou por estacas. A divisão de touceiras e/ou estacas deve ser realizada no outono ou no inverno. Por sementes, o ideal é na primavera, gastando-se 1 grama de semente/m2, sendo que a germinação ocorre em torno de 10 dias.

Cultivo: É uma planta perene em regiões de clima quente, porém, em climas muito frios é anual por não suportar temperaturas muito baixas. A planta gosta de solos arenosos ou areno-argilosos, ricos em matéria orgânica e com boa drenagem, com pH entre 6,0 e 7,0. O clima úmido é ideal, entretanto, é preciso atenção: o solo não deve ser excessiva e constantemente molhado. As plantas que crescem e se desenvolvem em climas secos e com temperaturas elevadas adquirem um sabor mais apimentado e apresentam odor mais forte, penetrante e amargo. O local deve receber sol pelo menos uma parte do dia, mesmo quando cultivada dentro de casa. Deve-se deixar uma distância de 40 cm entre linhas e de 25-30 cm entre plantas. Em solos férteis e climas favoráveis, pode-se deixar uma distância de 50 cm entre linhas e de 30 cm entre plantas. Deve-se escolher dias nublados e solo úmido, evitando-se os dias secos de verão. Se o objetivo do plantio for apenas as folhas, sem as flores, é recomendável retirar as pontas dos ramos que ameaçam formar os futuros órgãos florais e flores. Isso pode ser feito com o auxílio de uma tesoura ou simplesmente com os dedos

   Assim, as folhas se desenvolverão mais vigorosas. Em boas condições de cultivo, normalmente não há incidência de doenças e pragas. A manjerona é própria também para o cultivo em vasilhame ou caixotes, tanto mais que para uma família média bastam algumas plantas.

Colheita: é feita por ocasião do aparecimento dos primeiros botões apicais, indicadores do início da floração. Portanto, o tempo da colheita é imediatamente antes de dar flor, porque a planta possui então maior força como condimento. Já para a colheita de flores, a planta florida deve ser cortada no momento em que as primeiras flores se abrem, mas antes que os demais botões florais na mesma haste tenham se aberto completamente. As plantas cortadas não devem ficar expostas à chuva, porque perdem a cor e assim dificilmente se vendem. Escolhem-se dias secos e horas favoráveis à colheita. Corta-se sempre, no mínimo a 3cm acima do solo para favorecer um bom rebrote das plantas. A colheita é variável, dependendo do número de cortes possíveis e do crescimento das plantas, ficando em 10 a 15 t em 3 cortes de plantas verdes, que ficarão reduzidas a 2,5 a 3 t de planta seca. Após o 4º ano a cultura deverá ser renovada.

Orégano

   O orégano, conhecido cientificamente como Origanum vulgare L., pertence à família Lamiaceae (Labiatae) da qual também faz parte, manjericão (Ocimum basilicul L.), alfavaca (Ocimum gratissimum L.), hortelã (Mentha arvensis L.), alfazema (Lavandula angustifolia Mill.), alecrim (Rosmarinus officinalis L.) e sálvia (Salvia officinalis L.). O orégano é conhecido por muitos nomes, sendo eles orégão, manjerona silvestre ou manjerona rasteira. A palavra "orégano" tem origem grega e quer dizer "alegria da montanha". Para os gregos esta erva possui a magia de trazer felicidade. O orégano é uma planta perene, tem entre 25-40 cm de altura, folhas opostas, ovais, verde-escuras, pecioladas, inteiras ou serrilhadas, com aproximadamente 35 mm de comprimento, ou seja maior que a da manjerona e com extremidades pontiagudas. Com duração de 4 a 6 anos, seca no inverno e rebrota no verão. As hastes são consideradas anuais e se não forem colhidas, secam. Nativa de regiões montanhosas do sul da Europa e da Ásia ocidental vegeta espontaneamente em diversas regiões da Europa. A espécie Origanum vulgare L. é cultivada no Brasil principalmente nas regiões sul e sudeste, onde foi aclimatada há muito tempo, sendo bastante popular.

Principais usos: A grande utilização é como especiarias na culinária, podendo ser utilizado em carnes, molhos de tomate e outros tipos de massas, sendo o ingrediente fundamental da pizza. De preferência, não cozinhe este tempero, seja ele fresco ou seco, adicione-o ao prato depois de pronto, pois ele perde seus benefícios terapêuticos com o cozimento. A partir de estudos recentes, o orégano foi classificado como a planta de mais alta atividade antioxidante, até mais que a vitamina E. O óleo é usado na composição de aromatizantes de alimentos e perfumes, além de possuir efeito inibitório sobre diversas bactérias alimentícias e fungos. Orégano é um estimulante para o estomago, especialmente nos casos de perda do apetito, dificuldade de digestão ou gases. Além disso é carminativo; antiespasmódico; expectorante, especialmente nos casos de bronquite ou asma; antisséptico; diurético; sudorífico, eliminando as toxinas do organismo; também é muito usado contra anemia. É muito bom também contra a insónia, o estresse, cansaço nervoso, exaltações febris, e em seu uso externo alivia dores reumáticas e articulares como também para combater a celulite. Também é emenagogo, o que quer dizer que reduz as dores menstruais, assim como o que vem depois: dor de cabeça, de estômago e retenção de líquidos. É um antioxidante, o que pode ser muito vantajoso para os tratamentos de Aids e Câncer. 

 Orégano: Origanum vulgare L.

Propagação: As formas possíveis de propagação da cultura do orégano são por sementes, estacas ou divisão de touceiras. As sementes são muito pequenas tendo em um grama aproximadamente 12.000 sementes e devem ser semeadas de preferência na primavera em sementeiras ou bandejas. 

Cultivo: O orégano tem preferência por regiões de clima subtropical com bastante luminosidade. Em locais mais quentes, ganha aroma mais intenso, sabor mais picante e perfume mais persistente. Não tolera alta umidade relativa do ar, nem exposição direta aos ventos fortes e frios e também não suporta geadas acentuadas; está entre as espécies com resistência a grandes variações de altitude (50 a 3400 m) e temperatura. Temperaturas abaixo de 5 ºC acarretam retardo de crescimento e queima dos bordos das folhas. O orégano uma cultura que se alastra no solo, com isso o desbaste de plantas invasoras passa a ser um importante manejo, evitando incidência de pragas e doenças, competição pelos nutrientes do solo e consequentemente baixa produção. O amontoamento de terra ao redor da planta é uma prática realizada a fim de proteger a planta, proporcionar a multiplicação dos ramos, evitar o ataque de fungos e o apodrecimento das raízes. Manter a área cultivada sempre coberta é um manejo importante para a conservação do solo. A aplicação da cobertura morta ou mulch deve ser feita na área toda, evitando somente a aplicação muito próxima ao contorno da planta para não abafá-las. As pragas mais comuns na cultura são pulgões verdes (Macrosiphum solanifoli), formigas e brocas dos ponteiros, ácaros (Tetranichus sp.), lagarta-falsa-medideira (Pseudoplusia sp.) e nematóides (Meloidoginesp.). As doenças mais comuns são devido a excesso de umidade no solo causando incidência de fungos comoPuccinia sp., Fusarium sp., Phoma sp, e carência de nutrientes. A Puccinia sp. é um dos patógenos de maior importância agrícola e econômica por reduzir a produtividade, depreciar o produto causando assim, sérias perdas em plantios comerciais.

Colheita e beneficiamento: A colheita de ramos e folhas deve ser feita quando a planta estiver no começo da floração (15% a 20% de flores/planta), iniciando-se o processo de colheita para comercialização no ano seguinte do plantio. O período mais adequado para se fazer a coleta do material é em dias secos, logo depois a evaporação do orvalho, fim do verão o começo do outono. No primeiro ano de colheita, estima-se produção de 3 toneladas métricas de folhas/ hectare; a partir do segundo ano, fazendo-se dois cortes por ano, a produção fica em torno de 15 toneladas métricas de folhas/hectare/ano. Após a colheita do orégano, deve-se fazer a desfolha, retirando as folhas dos ramos. Na limpeza, é feita a eliminação de folhas de outras espécies, principalmente de plantas daninhas. Após a secagem, o peso do material é reduzido em 4 vezes, isto é de 100 quilos de folhas e flores recém-colhidas resultarão em aproximadamente 25 quilos de produto seco. A secagem deve ser feita à sombra ou em estufas com regulação de temperatura não excedendo a 40 ºC durante 24 horas. A luz solar não é aconselhável por reduzir a quantidade do óleo essencial presente no material. Porém, pode ser feita a secagem com métodos mistos, isto é, deixa-se as plantas perderem um pouco de água na sombra e depois coloca-las ao sol. Outro método é colocar as plantas em câmaras frias (o frio retira um pouco de água) e depois secar ao sol ou em secadoras.















segunda-feira, 4 de junho de 2012

Cultivo orgânico de hortaliças-condimentos - Parte III Hortelã ou Menta e Manjericão ou Alfavaca




Hortelã 


   A hortelã (Figura 1) também chamada de menta pertence a família botânica das Lamiaceae. Acredita-se que é originária da Ásia, chegando no Brasil trazida pelos colonizadores. Existem várias espécies de hortelã que podem ser cultivadas na sua casa, que apresentam propriedades muito semelhantes, principalmente no que diz respeito ao aroma. As duas espécies mais comuns são: Mentha piperita e Mentha crispa A primeira espécie tem folhas lisas e de um verde mais claro. Já a segunda espécie tem folhas verdes escuras e são crespas. Seu aroma forte e muito característico é resultado da grande concentração de mentol, princípio ativo do seu óleo essencial. As partes utilizadas da planta são as folhas e flores. São plantas herbáceas, de aproximadamente 30 cm de altura, rasteiras, com flores pequenas reunidas em espigas, de cor rosa ou lilás. As folhas são ovais e dentadas e o caule é arroxeado. O cultivo orgânico da hortelã e outras plantas medicinais e condimentares é a melhor forma de garantir as características fitoquímicas e farmacológicas do produto para o mercado. 
Figura 1. Hortelã: hortaliça-condimento e planta medicinal indicada como vermífugo 

Principais usos: a hortelã é usada em receitas culinárias de muitos países pelo mundo todo, em chás, em adorno de pratos e composição de saladas. Na comética entra nas fórmulas de dentifrícios, sabonetes, cremes de massagem e para barba, desodorantes bucais e um sem números de aplicações. Contém muitos elementos químicos de uso farmacêutico utilizados para remédios. Na medicina popular é considerada excelente para tratamento de problemas estomacais, pois é digestiva, além de ajudar no tratamento de diarréias infantís e dores abdominais. Combate azia, gastrite, cólicas e gases intestinais. Também tem ação antifúngica e antiinflamatória. Seu suco ajuda a combater vermes intestinais. Tem possibilidade de ser usada em paisagismo de áreas sem pisoteio, pois seu caráter agressivo poderia ser melhor aproveitado para substituição de gramados ao redor de árvores e pequenos bosques. Tem também o poder de ser uma planta repelente de insetos de hortaliças como pulgões e besourinhos e poderemos usar deste poder para fazer um chá repelente que não tem nenhuma propriedade tóxica para animais em geral e humanos. 

Propagação: por meio de estolões ou estacas colhidos de plantas adultas. Durante o seu crescimento, a planta desenvolve estolões, um tipo de caule que cresce rente ao solo. Deste caule, a planta emite ramos com folhas e raízes. Basta cortar um pedaço deste caule (cerca de 10cm), que tenha raízes e alguns ramos e plantá-lo, de acordo com as instruções abaixo. Para um ha são necessários 300 kg de rizomas. 

Cultivo: seu cultivo é extremamente simples. O solo não deve ser bem adubado, pois quando há muito adubo disponível para a planta, ela cresce muito e não consegue concentrar sua essência. Então, quanto menor é a planta, mais concentrada será a essência. O plantio pode ser feito o ano todo, mas a melhor época é no início da primavera. O espaçamento recomendado é de 25 x 25 cm entre as plantas. Quando o plantio for feito por meio de estolões, basta colocar o caule com as raízes rente à superfície e cobrir com uma fina camada de terra, deixando os ramos com folhas acima do solo. Logo após o plantio, as mudas devem ser protegidas do excesso de sol, pois pode queimar as folhas. Quando adultas, elas toleram tanto ambientes bastante ensolarados, quanto sombreados. Um ambiente intermediário, ou seja, sujeito a sol e sombra ao longo do dia é o ideal. Quando plantada em vaso, a terra deve ser renovada no início da primavera. Neste momento você poderá podá-la, pois suas raízes ficam bem emaranhadas. Ótima época para fazer novas mudas. A hortelã plantada junto a alfaces e outras ervas aromáticas intensifica o sabor e perfume destas e é considerada planta companheira belos benefícios descritos. O plantio da hortelã em vaso é bem simples; Não esquecer, neste caso, de colocar o vaso junto a janelas onde haja sol direto que a planta necessita. A planta é atacada por doença (ferrugem) e pragas (formigas, lagartas, vaquinha e cigarrinha). 

Colheita: A colheita pode ser feita o ano todo. Se deixada crescer livremente, sem colheita ou poda, pode se tornar uma planta invasora. Os ramos de hortelã podem ser armazenados quando secos. Para isso, você deve pendurar os galhos com as folhas voltadas para baixo, em local seco, arejado e na sombra. Quando as folhas estiverem bem secas e quebradiças, podem ser guardadas em potes fechados. 


Manjericão 

    Pertencente à família Laminaceae, há o manjericão com folhas grandes (Ocimum basilicum) e o com folhas pequenas (Ocimum minimum). O de cor verde é o mais conhecido, mas também existem plantas de folhas avermelhadas - mais raras e com mais aroma. O perfume do manjericão tampouco é uniforme: há variedades com fragrância doce, lembrando limão, cinamato (canela), cânfora, anis e cravo.O manjericão (Figura 2) ou alfavaca (Ocimum basilicum L é originário do sul da Ásia. Planta herbácea de até 1,0 m de altura, bastante ramificada, forma irregular, de folhas ovais cor verde-claro, perfumadas. Flores pequenas brancas reunidas em espigas que surgem principalmente no verão. 
Figura 2. Alfavaca(manjericão): hortaliça-condimento e planta medicinal indicada como Broncodilatador 


Principais usos: com sabor e aroma intensos, o manjericão é uma ótima sugestão para fazer toda a diferença numa receita. Usado em saladas, molhos, recheios, pizzas e em várias massas, ele dá um toque especial aos pratos e, ainda melhor, pode ser cultivado até em vasos pelo próprio consumidor.. Os frutos colhidos e secos dão excelente tempero para carnes, com acentuado sabor picante. As folhas podem ser colocadas in natura em molhos e temperos de carne ou grãos, como no brasileiríssimo feijão. Para usar como tempero, pode-se colher as folhas e secá-las sobre folhas de jornal, deixando em local arejado e sem sol direto. Também as sumidades florais poderão ser usadas secas para tempero. Colher assim que os frutos amadurecerem, deixando em local seco e sem sol, depois debulhar e guardar em recipiente fechado. Na região do Mediterrâneo, onde é presença comum na alimentação, o manjericão é plantado em beirais de janelas. Com propriedades que repelem insetos, afasta moscas e mosquitos. Mas suas belas flores também são vistas como ornamento. Conhecida por alguns como alfavaca cheirosa, essa planta com propriedade digestiva, antibiótica e anti-reumática é utilizada para tratamento de enjôos, problemas respiratórios e reumáticos e ainda como calmante dos nervos. Das folhas ainda podem ser extraídos óleos essenciais como o linalol. O produto - que também é obtido da árvore pau-rosa, espécie em extinção encontrada na floresta amazônica - serve de matéria-prima para a fabricação de perfumes e para o processo de aromatização de alimentos e bebidas. Não se sabe ao certo da sua origem, mas há indícios de que o manjericão tenha se espalhado pelo mundo a partir do Oriente Médio, norte da África e Índia. 

Propagação: Sementes ou um das produzidas a partir de estacas de ramos novos. Necessita de 1,2 kg de sementes para produzir mudas para um hectare ou 3,0 a 5,0 kg para semeadura direta, raleando após a germinação. 

Cultivo: Ambientes com muita luminosidade e chuvas regulares são os preferidos para o desenvolvimento da planta, que pode chegar a produzir por até três anos. O clima frio não agrada a todas as variedades, que podem ser determinadas pelo porte, formato da copa, tamanho e características do seu óleo essencial. As sementes devem ser germinadas no final da primavera, preferencialmente, em solos ricos em matéria orgânica e bem drenados. Recomenda-se uma adubação com esterco de gado bem curtido ou composto orgânico, quando necessário. O plantio pode ser feito no período de setembro a novembro. O espaçamento recomendado é de 0,6 x 0,25m entre as plantas. Embora seja bastante resistente, o manjericão pode ser atacado principalmente pela larva minadora, pelo bicho-mineiro e pelas doenças rhizoctoniose, fusariose e cercosporiose. 

Colheita e beneficiamento: As folhas para consumo fresco podem ser colhidas ao longo do ano, enquanto as folhas destinadas à secagem devem ser colhidas juntamente com as flores, na época de floração. As folhas podem ser colhidas quando a planta atingir cerca de 1,2 m de altura. faça o primeiro corte somente após três meses do plantio. Ele deve ser a 40 centímetros do nível do solo. Repita o processo a cada 50 ou 60 dias, ou quando observar que há uma aproximação das copas, a ponto de prejudicar as folhas mais baixas por impedir a luminosidade. Os cortes favorecem a produtividade, pois o manjericão volta a brotar e a ramificar. Em geral, isso ocorre aos 60 dias. A primeira colheita, no entanto, é indicada somente após três meses do plantio.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Cultivo orgânico de hortaliças-condimentos - Parte IICebolinha Verde e Salsa - “temperos verdes” ou “cheiro-verde”




A cebolinha verde e a salsinha, chamados também de temperos ou cheiro-verde, são as hortaliças-condimentos mais apreciados pela população e consumida em quase todos os lares brasileiros. 

Cebolinha verde
A cebolinha é uma planta condimentar considerada perene, muito apreciada pela população. É semelhante à cebola, mas não desenvolve bulbo. As raízes são fasciculadas, finas e curtas, formando touceiras. Pertence à família Alliaceae. Duas espécies são cultivadas: Alliaceae fistulosum (cebolinha verde ou comum) e Alliaceae schoenoprasum (cebolinha-de-folhas-finas ou galega). A cebolinha verde é natural do Oriente ou da Sibéria, possui folhas numerosas, fistulosas, com comprimento variando de 25 a 35cm e cor verde mais clara do que a galega. A cebolinha galega é originária da Europa e seu sabor é semelhante ao da cebola. As plantas formam tufos bem fechados com folhas numerosas, finas e cor verde-escura. Produz, na base da haste, um engrossamento semelhante a bulbos ovais.


Principais usos: No uso doméstico a cebolinha, tanto crua como cozida, é muito usada nas cozinhas chinesa e ocidental. É indispensável no preparo de saladas, sanduíches, sopas e omeletes. Dá sabor especial em manteigas, queijos cremosos, molhos, massas, carnes, peixes e patês. Pode decorar pratos prontos antes de serem servidos. Como planta medicinal é importante, pois contém ferro e vitaminas diversas, é estimulante do apetite, além de auxiliar a digestão. Ajuda no combate à gripe, e nas doenças das vias respiratórias.

Figura 1. Salsa e cebolinha verde: os temperos mais apreciados


Propagação: Embora possa ser propagada por sementes, na prática, é feita através dos perfilhos da touceira. Arranca-se a touceira plantada no ano anterior e abre-se a mesma, transformando-a em tantas mudas quantos forem os rebentos.


Cultivo: O cultivo da cebolinha é indicado para regiões de clima ameno, entre 8 e 22oC, resistindo ao frio. Para os demais locais a melhor época é de fevereiro a julho. Embora a planta suporte frios prolongados, existem cultivares que resistem bem ao calor, tendo poucas restrições para o seu plantio em qualquer época do ano. As cultivares mais conhecidas são 'Todo Ano', 'Futonegui' e 'Hossonegui'. As variedades do grupo 'Todo Ano', no entanto, toleram temperaturas altas. Prefere solos de textura média, ricos em matéria orgânica, bem drenados e com pH entre 6,0 e 6,8. Quando propagada por sementes faz-se a semeadura em canteiros, em sulcos distanciados de 10cm e com profundidade de 0,2 a 0,5cm, distribuindo-se as sementes em linha contínua. O transplante é feito 30 a 40 dias após a semeadura, em canteiros definitivos, em sulcos com profundidade de 3 a 4cm, distanciados de 0,25 entre linhas por 0,15 entre plantas. Outra opção é transplantar mudas de touceiras antigas, cortando as folhas acima da gema apical e podando as raízes. Deve-se ter o cuidado de transplantar as mudas à mesma profundidade em que se encontravam. Essa operação deve ser feita, de preferência, de março a julho, utilizando-se irrigação, sempre que necessário. A adubação de plantio deve ser por ocasião do plantio definitivo, preferencialmente, com composto orgânico, seguindo a recomendação baseada na análise do solo. Adubação orgânica de cobertura deve ser parcelada em três aplicações, aos 15, 30 e 45 dias após o transplante; à medida que vão sendo feitos os cortes, deve-se repetir a adubação de cobertura, parcelando-a em duas vezes, na época do corte e 15 dias após. A cultura deve ser mantida livre de plantas espontâneas pois, além da concorrência, a cebolinha perde valor comercial quando cortada juntamente com "mato". Fazer escarificações sempre que houver formação de crosta na superfície do canteiro.
As principais pragas são os pulgões e o tripes, enquanto que a doença que mais causa problema é o sapeco ou queima-das-pontas (Figura 2) que ataca a cebola de cabeça na fase de produção de mudas e no plantio definitivo e também a cebolinha verde; pode ser provocada por diversos fungos, deficiência hídrica, desequilíbrio nutricional, fitotoxidez, ozônio e, indiretamente, pelos patógenos do solo. Dentre as pragas, o tripes ou piolho (Thrips tabaci) podem causar danos econômicos e ainda favorecer a entrada de doenças. Quando a temperatura aumenta e ocorrem estiagens, o tripes pode causar sérios danos por meio da raspagem e sucção da seiva das plantas. Com o aumento do ataque ocorre o amarelecimento, o retorcimento e a seca dos ponteiros das plantas. A irrigação desfavorece a praga propiciando um melhor desenvolvimento da planta. No manejo da principal doença que ocorre no canteiro (sapeco), recomenda-se a aplicação de cinzas de madeira em pó (50 g/m2) ou diluído em água a 10%, em regas antes do orvalho da manhã evaporar.

Figura 2. Queima das pontas ou sapeco, a principal doença que ataca a cebola de cabeça e também a cebolinha verde


Colheita: A colheita da cebolinha inicia-se entre 55 e 60 dias após o plantio ou entre 85 e 100 dias após a semeadura, quando as folhas atingem de 20cm a 40 cm de altura. Na cebolinha, o rebrotamento é aproveitado para novos cortes, possibilitando novas colheitas a cada 50 dias e podendo o cultivo ser explorado por 2 a 3 anos, principalmente em condições de clima ameno. O corte é feito entre 10 a 15 cm do solo (acima da gema apical). Quando houver excesso de produção, especialmente em épocas mais favoráveis para a produção, recomenda-se o corte das plantas, lavando-se as folhas e picando-se, colocando-se em potes de plástico e congela-se.


Rotação e consorciação de culturas: Recomenda-se a rotação de culturas com outras hortaliças pertencentes a outras famílias botânicas e também com gramíneas tais como o milho e aveia e também com leguminosas utilizadas como adubo verde. Nunca fazer rotação com culturas que pertencem a mesma família botânica como alho e cebola, pois estas espécies possuem pragas e doenças comuns. Trabalhos de pesquisa comprovaram bons resultados na consorciação cebolinha verde x radiche (almeirão). A associação/consorciação de culturas é um sistema de cultivo utilizado há séculos pelos agricultores e é praticado amplamente nas regiões tropicais, sobretudo por pequenos agricultores. Isso porque, ao utilizarem nível tecnológico mais baixo, procuram maximizar os lucros, buscando melhor aproveitamento dos insumos e da mão-de-obra ,geralmente da própria família. O aumento da produtividade por unidade de área é uma das razões para se cultivar duas ou mais culturas no sistema de consorciação, pois permite melhor aproveitamento da terra e de outros recursos disponíveis, resultando em maior rendimento econômico.


Salsa  Salsa ou salsinha (Petroselinum crispum (Mill.), pertencente à família botânica das Apiaceae (Umbelliferae) é uma planta herbácea bienal (demora 24 meses para completar o ciclo biológico), podendo-se também cultivar como anual. Forma uma roseta empenachada de folhas muito divididas, alcança 15 cm de altura e possui talos floríferos que podem chegar a exceder 60 cm. Natural da Europa, a salsa (conhecida também por salsinha, salsa-de-cheiro ou salsa-hortense) foi trazida para o Brasil no início da colonização. O cultivo da salsa faz-se há mais de trezentos anos, sendo uma das plantas aromáticas mais populares da gastronomia mundial. A salsa é rica em vitaminas A, B1, B2, C e D, além de cálcio e ferro, isto se consumidas cruas, já que o cozimento elimina parte dos seus componentes vitamínicos.

Principais usos: De aroma suave e agradável, é indispensável no preparo de saladas, sopas, molhos e temperos em geral. Quando cozida, a salsa destaca o sabor do prato principal. É usada em sopas, assados e cozidos de carnes e frutos do mar, refogados na manteiga, saladas e legumes cozidos no vapor. Ela desidratada é usada para codimentar ou decorar, usada em berinjela, canapés, macarrão, salpicada sobre legumes, omeletes, ovos mexidos ou recheados, sobre carnes, aves, peixes e camarões. Toda a planta pode ser usada: folhas, caules, raízes e sementes. Seu consumo está disseminado pelo mundo todo. É usada como condimento e/ou elemento decorativo de vários pratos. As principais propriedades terapêuticas são: diurética (facilita a secreção da urina); emenagoga (provoca a vinda da menstruação); carminativa (combate os gases intestinais); expectorante (facilita a expectoração); antitérmica (combate a febre); eupéptica (melhora a digestão); vitaminizante (colabora na regeneração das células); aperiente (estimula o apetite); antiinflamatória (combate inflamações). Alivia o mau hálito quando mascada e promove o enriquecimento da pele. A salsa, através de uso interno, é contra-indicada para gestantes e lactantes, pois um de seus componentes, o apiol, é estrogênico; isto é, altera o sistema reprodutor feminino e pode provocar o aborto.

Propagação: A salsa propaga-se por sementes.

Cultivo: As variedades são agrupadas pelo tipo de folha em: lisas (mais cultivadas no Brasil), crespas e muito crespas. As mais plantadas no Brasil são a Crespa, Gigante Portuguesa, Graúda Portuguesa, Lisa Comum e Lisa Preferida. Para regiões onde o inverno não é rigoroso, a melhor época é de março a agosto. O cultivo da salsa é indicada para regiões de clima ameno, desenvolvendo-se melhor sob temperaturas entre 8 e 22ºC. Temperaturas acima desta ocasiona o aparecimento precoce de flores e as temperaturas abaixo desta retarda o seu desenvolvimento. Em regiões de clima ameno, planta-se o ano todo; porém, em locais onde o inverno é rigoroso, evitar a semeadura nos meses frios. A semeadura é feita em canteiros definitivos, em sulcos com profundidade de 0,5 cm, em fileiras contínuas, e quando estiverem com duas folhas definitivas ou 5cm, fazer o desbaste das plantas fracas, mantendo-se distância mínima de 10cm ente plantas e 25cm entre fileiras. São necessários 2 a 3 kg de sementes por hectare. A germinação é muito lenta, de 12 a 13 dias quando a temperatura do solo está entre 25 e 30ºC e, até 30 dias quando está a 10ºC. A germinação pode ser apressada, deixando-se as sementes de molho por uma noite. Quando tiver que ralear plantas vigorosas aproveite-as para transplantes em outros espaços. É pouco exigente em fertilidade, mas prefere solos areno-argilosos, ricos em matéria orgânica, bem drenados e com pH entre 5,5 e 6,8. A Irrigação deve ser diária. Após a germinação das sementes, recomenda-se afofar a terra em volta das plantas, pois a irrigação e as chuvas acabam endurecendo a camada superficial do solo. Até a germinação das sementes, recomenda-se também cobrir o canteiro com palha ou sombrite, o que além de economizar água, evita a formação de uma crosta superficial que pode prejudicar a emergência das plantinhas. É uma planta resistente, mas pode ocorrer as seguintes pragas: lagartas, vaquinhas, pulgões e cochonilhas. As principais doenças fúngicas são: esclerotinia, septoriose, mancha de Alternaria e mofo-cinzento. Tendo em vista que a germinação da salsa é bastante lenta, cuidado especial deve-se ter com as plantas espontâneas que germinam mais rápido. Para retardar as plantas espontâneas, pesquisadores da Epagri/Estação Experimental de Ituporanga descobriram um método eficiente para canteiros, utilizando folhas de papel: após o preparo do canteiro, cobre-se o mesmo com jornal (uma folha apenas) ou papel pardo em toda a extensão e sobre este aplica-se 2cm de composto orgânico peneirado (Figura 3). ). Posteriormente, faz-se a semeadura a lanço ou no sulco e procede-se a cobertura das sementes. Recomenda-se este sistema especialmente para as culturas que possuem sementes pequenas e germinação mais demorada, como cenoura e salsa, e que são semeadas diretamente no canteiro, com objetivo de atrasar a emergência das plantas espontâneas na fase mais crítica (até 25 a 30 dias após a semeadura).

Figura 3. Preparo do canteiro para semeadura, colocando-se o jornal e o composto orgânico

Colheita: A colheita inicia-se entre 50 e 70 dias após a semeadura, dependendo do cultivar, efetuando nova colheita a cada 30 dias. O corte é feito quando as plantas atingem cerca de 10 cm de talo. Corta-se a planta pela base, de forma uniforme no canteiro, cerca de 1cm acima da gema terminal. Tendo em vista que no verão, a salsa perde a qualidade, recomenda-se na época mais favorável, quando houver excesso de produção, recomenda-se o corte das plantas, lavando-se as folhas e picando-se, colocando-se em potes de plástico e congela-se.



 

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Cultivo orgânico de hortaliças-condimentos Parte I


    O cultivo orgânico de hortaliças compreende, não somente deixar de utilizar agrotóxicos e fertilizantes químicos, substituindo-os por outros insumos, mas também tratar o solo como um "organismo vivo", protegendo-o e preservando a fertilidade e a estrutura do solo de forma duradoura, priorizando o revolvimento mínimo do solo (plantio direto e cultivo mínimo), a diversificação de espécies, a rotação, sucessão e consorciação de culturas, o uso de adubação orgânica (especialmente o composto orgânico, os restos de culturas e a adubação verde), o manejo das plantas espontâneas tornando-as "amigas" dos cultivos e, somente se for necessário, o uso de produtos alternativos que não contamine o meio ambiente e não prejudique a saúde do agricultor e consumidor.
Considerando a parte comestível, as hortaliças podem ser classificadas em: hortaliças-condimentos (Figura 1), hortaliças-folhosas, hortaliças-flores, hortaliças-frutos, hortaliças-raízes, hortaliças-bulbos, hortaliças-caule, hortaliças-rizomas, hortaliças-hastes, hortaliças-legumes e hortaliças-industrializadas. As hortaliças mais importantes e de maior expressão econômica já foram abordadas neste blog.
  A partir de hoje, vamos postar matérias sobre as demais espécies de hortaliças, classificadas conforme a parte comestível, ainda não abordadas neste blog, mas também muito importantes no aspecto nutricional e, ainda com boas propriedades terapêuticas.
Figura 1. Hortaliças-condimentos: alho, cebolinha, pimenta, salsa e hortelã

     Os condimentos são geralmente usados na culinária para modificar o sabor e o aroma dos alimentos e, também, para decorá-los. Os condimentos podem ser classificados, entre outras categorias, em picantes: pimenta, pimentão, mostarda, curry (é uma especiaria de origem indiana, composta por vários ingredientes), páprica (mais conhecido em Portugal por pimentão, é uma especiaria obtida do pimentão-doce) e gengibre; ácidos: tomate e limão; especiarias: canela, cardamomo (tempero originário da Índia, espécie pertencente à família botânica do gengibre), cravo, cominho e noz moscada; ervas aromáticas: coentro, alecrim, manjerona, cebolinha, salsa, hortelã, orégano, tomilho, aipo e manjericão e, bulbos: como alho, alho porró e cebola. Além disso, têm em sua composição química elementos importantes para a saúde, como vitaminas e sais minerais e, princípios ativos específicos, possíveis de uso terapêutico, sendo utilizados por indústrias farmacêuticas na produção de elixires e soluções de uso tópico (uso externo), entre outros. As plantas condimentares devem fazer parte de toda horta, pois elas são importantes não somente na alimentação humana, mas também para a produção de cosméticos, remédios naturais e até para a proteção de pragas e doenças que atacam outras hortaliças, aumentando a biodiversidade, princípio básico na agricultura orgânica. O valor econômico das plantas condimentares e medicinais é determinado pelos compostos químicos especiais, elaborados por elas e que são chamados princípios ativos. Há diversos fatores que influenciam na elaboração dos princípios ativos, como os de ordem genética que são transmitidos de geração em geração, os fatores externos, como temperatura, chuva, vento e solo e, também os fatores técnicos (forma de plantio, os tratos culturais, doenças e pragas, época e forma de colheita, entre outros).

    Dentre os temperos citados, não abordaremos dentro do grupo das hortaliças-condimentos, o alho e cebola. O cultivo orgânico do alho, embora seja o condimento de maior importância sócio-econômica, vai ser abordado quando tratar-se das hortaliças-bulbos. Por outro lado, a cebola também considerada uma hortaliça-bulbo de grande importância sócio-econômica, já foi abordada em matéria postada neste blog em 13/04/2011.

Recomendações gerais para o cultivo das hortaliças-condimentos
Fatores climáticos: O teor de princípios ativos pode aumentar ou diminuir, de acordo com os fatores climáticos. Para cada espécie existe uma temperatura mínima, uma temperatura máxima e uma faixa de temperatura ótima para o desenvolvimento. A luz influencia na fotossíntese e em outros fenômenos fisiológicos, como crescimento desenvolvimento e forma das plantas. A falta de luminosidade adequada provoca o estiolamento, problema comum em sementeiras e viveiros muito adensados ou sombreados e pode afetar a capacidade de germinação das sementes. A água é essencial para a vida e o metabolismo das plantas. Porém, o excesso pode reduzir a concentração de princípios ativos das plantas. A altitude (altura de uma região em relação ao nível do mar) também influencia no desenvolvimento das plantas e na produção de princípios ativos, pois diminui as temperaturas. A latitude (distância de determinada região em relação à linha do equador, para o sul ou para o norte) também modifica o comportamento das diferentes espécies.
Escolha do local: . Recomenda-se que a área de cultivo esteja longe de rodovias (pelo menos 2 km) e de áreas industriais, evitando assim a deposição de poluentes e possíveis contaminações. Áreas pouco ensolaradas, de baixadas, mal drenadas, sujeitas à neblinas, devem ser evitadas, pois favorecem o aparecimento de doenças. A declividade do terreno deve ser a menor possível, mas se houver alguma inclinação, devem-se fazer as linhas de plantio em nível ou transversal ao declive para reduzir a erosão do solo. Para reduzir a erosão do solo em terrenos com muito declive, recomenda-se dividir a área em faixas, utilizando espécies como capins (capim-elefante) e até plantas medicinais. É importante também que na área não tenha sido cultivado recentemente espécies adubadas com fertilizantes químicos e, principalmente agrotóxicos. Os adubos minerais, especialmente os nitrogenados, por serem altamente solúveis, salinizam e acidificam o solo e, em consequência diminui a diversidade de organismos vivos que habitam naturalmente nesse ambiente; estes organismos vivos melhoram a aeração do solo e interagem com as plantas e outros microrganismos, contribuindo para a existência do equilíbrio do meio ambiente e tornando as plantas cultivadas mais resistentes às pragas e doenças. É muito importante também que no local escolhido haja uma fonte de água limpa nas proximidades para possibilitar a irrigação das plantas, especialmente na fase de estabelecimento das plantas. A análise do solo, com antecedência, é fundamental para se conhecer a fertilidade e a acidez do solo e, com base nesta análise, fazer-se a correção do solo, conforme recomendação do técnico do município.
Manejo do solo: De uma maneira geral, os solos estão sujeitos à erosão (perda do solo) causados por chuvas intensas, cada vez mais comum, especialmente em áreas com declives sem adoção de práticas de conservação. O preparo do solo deve ser realizado com menor mobilização possível (manejo conservacionista), a fim de preservar, melhorar e otimizar os recursos naturais. O manejo racional e correto do solo é essencial, pois auxilia no controle de pragas e doenças, de erosão, na manutenção da fertilidade e consequentemente no aumento da produtividade. Algumas práticas são importantíssimas, tais como, cobertura vegetal, preparo em nível, curvas de nível, cordão de contorno, entre outras. Os cordões de contorno e curvas de nível devem ser todos vegetados, o que pode ser feito com espécies medicinais. Algumas das espécies recomendadas são: capim-limão, citronela e o confrei. Os sistemas de plantio direto e cultivo mínimo, são práticas indispensáveis para o sucesso no cultivo de qualquer espécie. No cultivo direto não há revolvimento do solo; a camada de cobertura vegetal é mantida e se faz apenas a abertura de um pequeno sulco ou cova onde é colocada a semente ou muda. Por outro lado, o cultivo mínimo é o revolvimento mínimo do solo necessário para o estabelecimento das culturas, deixando-se uma cobertura vegetal nas entrelinhas (resíduos de culturas anteriores, plantas espontâneas e, sempre que possível, adubos verdes semeados anteriormente ou consorciado com as espécies cultivadas). Sempre que necessário, deve-se fazer uma redução da vegetação existente antecedendo ao plantio das hortaliças para facilitar as práticas culturais e também para evitar problemas de competição com a cultura que será implantada. Assim, uma roçada geral, com corte rente ao solo, é imprescindível, especialmente para controlar o comportamento agressivo dos capins. A vegetação de porte mais alto deve ser preservada sempre que possível, em faixas, no meio da área ou na periferia da área cultivada, com o objetivo de aumentar a biodiversidade, princípio básico para o sucesso do cultivo orgânico.
Se a análise do solo, realizada com antecedência, determinar a correção da acidez, somente neste caso, recomenda-se o preparo do solo no sistema convencional para que o calcário possa ser adequadamente incorporado. A partir daí, com a adubação orgânica, não haverá mais necessidade de aplicação de calcário. O pH em água deve situar-se, em geral, entre 5,5 e 6, faixa na qual a disponibilidade da maioria dos macro e micronutrientes é ótima e que também favorece a atividade biológica no solo.
Adubação orgânica: A adubação deve ser feita com base na análise do solo e também de acordo com o tipo de adubo que for aplicado. De maneira bem simples e direta, a matéria orgânica é a parte do solo que já foi ou ainda é viva. É constituída de resíduos de origem vegetal ou animal, tais como: estercos, restos de cultivos que ficam no campo, palhadas, folhas, cascas e galhos de árvores, raízes das plantas e animais que vivem no solo; podem estar vivos, como os pequenos animais ou já em decomposição, como os resíduos de plantas incorporados ao solo ou em cobertura. As hortaliças são as que mais respondem à aplicação de adubos orgânicos. As principais fontes são:
.Composto orgânico : É o adubo ideal para ser utilizado na agricultura orgânica e, o que é melhor, não polui o meio ambiente e, ainda pode ser produzido na própria propriedade. Além de ser uma boa fonte de macronutrientes, possui micronutrientes essenciais para o desenvolvimento das plantas e, ainda reduz a acidez do solo, ao contrário dos adubos químicos e estercos de animais que podem salinizar e acidificar o solo e contaminar os rios. Mas as vantagens do composto não param por aí! devido a temperatura alta que alcança no processo da compostagem (até 65ºC), durante a fermentação, os microrganismos causadores de doenças das plantas e as sementes de plantas espontâneas ("mato") não sobrevivem. Embora o composto orgânico tenha como desvantagem o uso de mais mão-de-obra, por ocasião da confecção, torna-se ao longo do tempo, mais barato, pois o terreno não vai mais precisar de calagem e, o que é melhor, a fertilidade é mais duradoura e mais completa, pois fornece todos os nutrientes que as plantas necessitam, quando comparado ao uso de adubação química que além de cara, fornece apenas NPK (nitrogênio, fósforo e potássio) . A matéria postada neste blog em 29/11/2010 mostra, passo a passo, como fazer o composto orgânico de boa qualidade.
.Adubação verde: É uma das maneiras de cultivar e tratar bem o solo; consiste no cultivo de espécies de plantas com elevado potencial de produção de massa vegetal, semeadas em rotação, sucessão e até em consórcio com culturas de interesse econômico. Não havendo esterco de animais na propriedade, é uma das mais baratas fontes de matéria orgânica e, o mais importante, melhora a vida e a estrutura do solo. A única desvantagem da adubação verde, em propriedades pequenas, é a ocupação do terreno com estas espécies ao invés das culturas que dão retorno econômico. Atualmente, esta desvantagem não existe mais, pois elas podem serem utilizadas consorciadas com os cultivos. Na matéria postada em 29/11/2010 neste blog, mostra as principais vantagens da adubação verde, bem como as espécies mais eficientes para produção de massa verde.
.Estercos de animais: Os estercos curtidos de aves e de gado são os mais utilizados na adubação orgânica, devido a disponibilidade. São importantes fontes de nutrientes, mas não melhoram as condições físicas do solo; especialmente o de aves, quando em excesso (mais de 2 kg/m2 por ano), pode salinizar e aumentar a acidez do solo. A aplicação de esterco, em fase de fermentação (frescos), por ocasião do plantio, pode causar danos às raízes e às sementes, destruição dos microrganismos do solo, formação de produtos tóxicos, morte da planta pelo calor e contaminação das fontes de águas, contaminar as partes comestíveis das plantas e causar doenças nas pessoas e ainda serem fontes de sementes de plantas espontâneas. A integração agricultura e pecuária é muito recomendado na agricultura orgânica, pois além de disponibilizar o esterco, possibilita o repouso de parte da área e, o mais importante, favorece a rotação de culturas com outras espécies (pastagens) mais resistentes às doenças e pragas. No entanto, recomenda-se cuidado, ao adquirir esterco de outras propriedades, especialmente, se houver o uso de herbicidas, pois poderá afetar a lavoura ou horta. Para melhor aproveitamento dos estercos de aves e de gado, recomenda-se: a) abrigá-lo da chuva; b) curtir por cerca de 90 dias; c) fazer compostagem, pois são juntados outros materiais tais como as palhadas, restos de culturas e outros ao esterco.

Tratos culturais: São poucas as pragas e doenças que afetam as plantas condimentares. O importante é cultivá-las no local apropriado, obedecendo a adubação, luminosidade, umidade e temperatura adequados, bem como adotando boas práticas tais como o plantio direto, cultivo mínimo e rotação de culturas . No caso de ocorrer pragas e doenças de forma mais severa, analisar se é mais vantajoso combatê-las com produtos alternativos ou substituir por outras plantas sadias.

Rotação, sucessão e consorciação de culturas: a manutenção da fertilidade do solo e a sanidade dos cultivos depende de rotação de culturas, da reciclagem de biomassa e, principalmente, da diversidade biológica, principal pilar da agricultura orgânica a contribuir para a manutenção do equilíbrio do sistema e, consequentemente, do solo e da cultura. Portanto, o equilíbrio biológico e ambiental, bem como a fertilidade do solo, não podem ser mantidos com monoculturas. O cultivo intensivo das mesmas espécies de hortaliças na mesma área esgota o solo em certos nutrientes e aumenta a ocorrência de doenças, pragas e plantas espontâneas.
Para não confundir os diferentes sistemas de produção é preciso verificar a definição de cada um deles, a seguir:
Monocultura: é o uso continuado de uma mesma cultura, numa mesma estação de crescimento e numa mesma área. Todos os anos a mesma ou as mesmas espécies são semeadas ou plantadas no mesmo local.
Sucessão de culturas: é o estabelecimento de duas ou mais espécies em seqüência na mesma área, em um período igual ou inferior a 12 meses.
Consorciação de culturas: é o estabelecimento de duas ou mais espécies simultaneamente na mesma área. Neste tipo de cultivo há competição interespecífica em parte ou em todo o ciclo de desenvolvimento da cultura.
A rotação de culturas pode ser definida como o cultivo alternado de diferentes espécies vegetais no mesmo local e na mesma estação do ano, seguindo-se um plano predefinido, de acordo com princípios básicos.
• rotação de culturas, prática milenar, é o processo pelo qual se evita a repetição continuada de uma mesma cultura no mesmo lugar e na mesma estação do ano. Para sucesso dessa prática deve-se seguir, especialmente, dois princípios básicos:
- não cultivar, no mesmo lugar, hortaliças da mesma família botânica, pois essas espécies estão sujeitas às mesmas pragas, doenças e plantas espontâneas. É o princípio de "matar de fome" os insetos, os fungos e as bactérias que atacam as plantas cultivadas;
- o plantio de espécies de famílias botânicas diferentes na mesma área também é importante, devido às diferenças de exigências nutricionais e de sistema radicular das espécies de plantas incluídas no sistema de rotação de culturas.
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