terça-feira, 14 de agosto de 2012


Couve
O cultivo de couve (Brassica oleracea L. variedade acephala), muito comum em todo o país é originária da costa do Mediterrâneo onde é cultivada desde antes de Cristo. Pertence à família botânica das brássicas, assim como o repolho, couve-flor , brócolis, couve-de-bruxelas, couve-rábano, rabanete, rúcula, agrião, mostarda e nabo.
Figura 1. Hortaliça-folhosa: Couve
Uso culinário e propriedades nutricionais: especialmente utilizada na culinária portuguesa e brasileira, a couve pode ser frita ou consumida crua. O modo tradicional de consumir couve é cozida. Para preservar as vitaminas A e C, deve-se cozinhá-la rapidamente com pouca água ou preferencialmente cozida no vapor, picada e refogada com outras hortaliças ou ainda cozida em caldo para uma deliciosa sopa. É excelente fonte de beta-caroteno, que o corpo humano transforma em vitamina A, vitamina C e E e, ainda boa fonte de ácido fólico, cálcio, ferro e potássio. Uma xícara de couve contém o dobro das necessidades diárias desses nutrientes. Outros nutrientes encontrados numa xícara de couve são: 5 mg de vitamina E, 30 microgramas de folato, 135 mg de cálcio, 2 mg de ferro e 450 mg de potássio. Também fornece mais de 1g de fibras com apenas 50 calorias, o que torna a couve um alimento muito nutritivo, altamente recomendado para quem se preocupa com o peso. Além disso, a couve contém mais ferro e cálcio do que qualquer outra folhosa; seu alto teor de vitamina C aumenta a capacidade de absorção destes minerais pelo organismo. Servir couve com molho de limão ou com outras frutas cítricas na mesma refeição acelera a absorção de ferro e cálcio. O suco de couve crua com limão, além de ser eficaz como remédio contra as lombrigas (parasitoses intestinais), é nutritivo e delicioso; Ingredientes: couve, 1 limão, água e açúcar a gosto. Como fazer: bata a couve com água e coe, esprema o limão e adoce a gosto.
Propriedades terapêuticas: Contém bioflavonóides e outras substâncias que protegem contra o câncer. Ela também contém indóis, compostos que podem diminuir o potencial cancerígeno do estrogênio e induzir a produção de enzimas que protegem contra doenças. A couve, por ser muito rica em cálcio, fósforo e ferro, favorece a formação e manutenção de ossos e dentes e a integridade do sangue. Contém ainda vitamina A, indispensável à boa visão e à saúde da pele e vitaminas do Complexo B, que tem por funções proteger a pele, evitar problemas do aparelho digestivo e do sistema nervoso. Esta hortaliça é ótima remineralizante para o organismo, laxante pela sua grande quantidade em fibras e, boa para a asma e bronquite. Além disso, a couve é muito boa para combater as enfermidades do fígado, como a icterícia e os cálculos biliares, assim como os cálculos renais, as hemorróidas, e as menstruações difíceis ou dolorosas. Em suco, é um tônico excelente, muito recomendado às crianças em fase de desenvolvimento. O caldo da couve cozida é indicado nas enfermidades da pele. A couve  também combate a artrite, desinfeta o intestino, cura as úlceras gástricas e dá ótimo resultado no combate à vermes. Em caso de febre, aplica-se à cabeça do enfermo cataplasma refrescante de folha de couve, que serve, também, para tratar feridas inflamadas. As folhas de couve cozidas ao vapor e aplicadas de hora em hora, em forma de cataplasma quente, são boas para combater a gota, a artrite, as dores reumáticas em geral, e as nevralgias. Também tiram a dor em casos de inflamação dos rins e do fígado. Mesmo cozidas, podem causar flatulência (gases intestinais).
Cultivo:  O cultivo é muito fácil. Para plantar é só lascar o galho de um pé maior de couve e que tenha uns brotinhos próximos das folhas; enterre este galho em uns 10 cm de terra, depois molhe pelo menos uma vez por dia. Dentro de pouco tempo ela brota e começa a sair mais folhas. A melhor época para o plantio vai de fevereiro a maio, mas pode ser cultivada o ano todo. A cultura não é exigente, mas prefere solos levemente argilosos, ricos em matéria orgânica, úmidos e drenados, com pH entre 6 e 6,8. Nas regiões de clima ameno (até 22º C) pode ser plantada o ano inteiro, sendo que nas demais regiões deve-se escolher o período de meses úmidos e de calor menos intenso, sendo portanto uma planta típica de outono e inverno. O meio mais fácil e rápido de propagação é feito por mudas destacadas do "pé-mãe"; essas mudas são brotos que nascem nas axilas das folhas, principalmente durante a época mais quente. Propaga-se também por sementes. Um grama de sementes fornece mudas para cerca de 50 m2. As variedades de couves mais conhecidas são: Manteiga verde lisa, Manteiga verde crespa, Manteiga roxa e Gigante. Dentre as variedades, as couves-manteiga são preferidas por serem mais tenras. Os principais tratos culturais são: capinas, desbrotas e condução da planta de modo a deixar as hastes crescerem livremente. Deve-se também observar que, quando já estiverem bem altas, há possibilidade de se fazer o corte do broto central, favorecendo assim, a formação de mudas. O período crítico de competição com as plantas espontâneas é de até 30 dias após o transplante. As capinas são feitas somente nas linhas de plantio, mantendo-se as plantas de cobertura ou ainda as plantas espontâneas nas entrelinhas. Quando necessário, deve-se roçar nas entrelinhas para evitar competição com a couve. A cobertura morta (palha de arroz, de milho, de feijão, capim-elefante e outros capins é outra alternativa para o manejo de plantas espontâneas, além de conservar a umidade no solo. As adubações de cobertura, se necessário, são feitas 15 a 20 dias após o transplante e 20 dias após a 1ª. Em sistema de produção orgânico equilibrado, não ocorre ataque de pragas e doenças. As principais pragas que podem causar danos às plantas são: as lagartas (Figura 2), traças e pulgões (Figura 3). No manejo das principais pragas, a traça (Plutella xylostella) e o curuquerê da couve (Ascia monuste orseis) recomenda-se, quando necessário, produtos à base de Bacillus thuringiensis, conhecido como dipel ou o preparado de sálvia (planta medicinal e aromática). Modo de preparar a sálvia: derramar 1 L de água fervente sobre 2 colheres (sopa) de folhas secas de sálvia; tampar o recipiente e deixá-lo em repouso durante 10 minutos (infusão). Agitar bem, filtrar e pulverizar imediatamente sobre as plantas para repelir a borboleta branca que coloca os ovos nas folhas das plantas cultivadas, originando as lagartas que comem as folhas. O chá de boldo, aplicado a cada dois dias, também repele as borboletas impedindo-as de colocar os ovos nas plantas. Se houver chuvas logo após a aplicação dos preparados de sálvia ou boldo, deve-se repetir a pulverização. Quando o ataque ocorre em apenas algumas plantas e, dependendo do tamanho da lavoura, a catação manual dos ovos e lagartas é uma prática eficiente. Para o manejo de pulgões, que surgem em condições de tempo seco e quente, recomenda-se diversos preparados à base de plantas (pimenta, alho, cebola, confrei , losna e coentro – ver matéria postada neste blog em 1/7/2010). Modo de preparar a pimenta: colocar num recipiente as pimentas, preferencialmente a malagueta e, em seguida, adicionar álcool até cobrí-las. Deixar em repouso por três dias. Pulverizar as plantas atacadas, utilizando uma colher de sopa do preparado para 1 L de água. Para evitar o odor da pimenta, pulverizar, no mínimo, até 12 dias antes da colheita. A irrigação por aspersão e os inimigos naturais (joaninha), reduzem a incidência de pulgões.
Figura 2. Ataque de lagartas na couve
Figura 3. Ataque de pulgões na folha de couve
As principais doenças são causadas pelos fungos (podridão mole e fusariose), mosaico e a bactéria (podridão negra). A podridão-negra (Xanthomonas campestris pv. Campestris) é causada por bactéria e a alternariose (Alternaria brassicae e A. brassicicola) provocadas por fungos; ocorrem em condições de tempo quente e úmido. Para estas doenças, deve-se fazer o controle preventivo. Entre as medidas, destacam-se: 1) na produção de mudas utilizar sementes sadias, semeadas em bandejas de isopor com substrato isento de doenças; 2) utilizar cultivares resistentes; 3) rotação e consorciação de culturas (Figuras 4 e 5); a rotação e consorciação de culturas com espécies de outras famílias botânicas (com excessão das brássicas), especialmente com adubos verdes, principalmente leguminosas é uma prática altamente recomendável pois além de diminuir as pragas e doenças, melhora a fertilidade do solo através da reciclagem de nutrientes, aumenta a matéria orgânica, fixa o nitrogênio do ar, abafa as plantas espontâneas, cobre o solo diminuindo a erosão e, ainda mantêm a umidade do solo e 4) eliminar restos de culturas anteriores de espécies pertencentes a mesma família botânica (brássicas). Caso necessário, recomenda-se a pulverização com calda bordalesa (0,5%); é importante lembrar que este fungicida é tolerado no cultivo orgânico, mas deve-se obedecer a carência que é de 7 dias entre a última aplicação e colheita das folhas.
Figura 4. Consórcio de couve com mucuna anã e crotalária: as leguminosas, além de melhorarem a fertilidade do solo, reciclando os nutrientes, fixam o nitrogênio do ar e ainda cobrem o solo, abafando as plantas espontâneas, evitando a erosão e mantendo a umidade no solo.
Figura 5. Consórcio de couve com coentro (hortaliça-condimento que atrai inimigos naturais das pragas que atacam as hortaliças)
Colheita: pode ser feita 50 dias após o plantio das mudas e 90 dias após a semeadura. Colhe-se praticamente o ano todo. Uma boa planta produz cerca de 4 a 5 kg de folhas por ano. A couve conserva-se em geladeira em boas condições por uma semana.


Rúcula
Nem todos gostam do sabor levemente 'ardido' da rúcula. Na culinária, o uso da rúcula (Figura 6) é um pouco restrito devido a seu sabor forte que elimina o dos outros alimentos. Mas é justamente essa característica que fez a hortaliça ganhar espaço no cardápio da população brasileira. Planta originária da região do Mediterrâneo e Europa, e conhecida desde a Antiguidade, a rúcula (Eruca sativus Mill.), também conhecida como mostarda persa, pertence à família das brássicas (repolho, couve, couve-flor, brócolis, nabo, agrião, mostarda e rabanete).
Figura 6. Hortaliça-folhosa: rúcula
Uso culinário e propriedades nutricionais e terapêuticas: é servida crua em saladas ou refogada e como ingrediente de tortas, massas e sanduíches; também é utilizada como cobertura de pizza, combinada com tomates secos e muçarela de búfala. A rúcula é um excelente complemento de refeições mais pesadas (ex.: carne de porco). Em feiras, supermercados e centrais de abastecimento, a hortaliça é vendida em maços, mas também há a opção de comprá-la limpa e embalada em grandes redes de varejo. Planta herbácea, tem folhas lisas de 12 a 16 cm de comprimento, macias, perfumadas e de sabor amargo. Seus brotos são comestíveis e muito saborosos. A rúcula é rica em proteínas e vitaminas A e C, com bom teor de cálcio e ferro e pobre em calorias. A rúcula é excelente como estimulante de apetite, depurativa e diurética e, ainda indicada para diabetes.
Cultivo: prefere os climas amenos, pois com o calor emite flores, o crescimento é insatisfatório, além de prejudicar a qualidade das folhas.  A hortaliça apresenta bom crescimento entre 15 e 18 graus, pois em faixas com temperaturas mais elevadas suas folhas ficam menores e com textura inadequada para comercialização. Contudo, é possível o cultivo de rúcula mesmo em locais quentes.  Nas regiões quentes, recomenda-se a semeadura entre março e agosto. Prefere solos equilibrados entre argilosos e arenosos, com muita matéria orgânica e com acidez baixa. Terrenos com risco de encharcamento favorecem surgimento de doenças na cultura. A propagação é feita por sementes, sendo que um grama contém, em média, 525 sementes.  Há dois métodos de plantio: diretamente no canteiro definitivo ou em bandejas de isopor; em ambos deve-se manter de 20 a 25 cm de espaçamento entre linhas e à 0,5 cm de profundidade, cobrindo as sementes com terra. Na semeadura direta, usa-se apenas 0,2 grama de semente por metro linear. Em bandejas, o indicado é usar, em cada célula, de quatro a oito sementes, que germinarão entre três e quatro dias. Nas horas mais frescas do dia, deve-se fazer o transplante assim que a muda apresentar de três a quatro folhas. Quando as plantas estiverem com 10 cm de altura, faz-se o desbaste, deixando as plantas vigorosas a cada 5 cm. Após a semeadura, recomenda-se cobrir o canteiro com capim seco sem sementes, retirando-o no início da germinação das plantas ou então utilizando cobertura com sombrite, sustentada por arcos de bambu. Regas diárias são necessárias, bem como a limpeza dos canteiros, o que estimula novas brotações. Os insetos que mais atacam as plantas são: lagarta-da-couve (o adulto é uma mariposa de asas brancas com pontas pretas), lagarta-rosca (ataca as mudas à noite), traça-das-folhas (pequena lagarta que fura as folhas e as deixa rendadas) e os pulgões (de cor branca, sugam as folhas e transmitem doenças). As doenças mais comuns são: mosaico que deixa as folhas crespas; a podridão mole, mais frequente nos períodos chuvosos, causando lesões úmidas; a podridão negra que ataca as folhas deixando uma mancha na forma de "V"; a fusariose que amarela parte da folha ou do pé e o míldio que são filamentos brancos na parte inferior das folhas. Para o manejo das pragas e doenças da rúcula, vale as mesmas recomendações para a cultura da couve, pois sendo da mesma família botânica estas são comuns. A rotação e de culturas com espécies de outras famílias botânicas (com excessão das brássicas), especialmente com adubos verdes, principalmente leguminosas é uma prática altamente recomendável pois além de diminuir as pragas e doenças, melhora a fertilidade do solo através da reciclagem de nutrientes, aumento da matéria orgânica e fixação do nitrogênio do ar, abafa as plantas espontâneas, cobre o solo diminuindo a erosão e, ainda mantêm a umidade do solo.
Colheita: a hortaliça está pronta para o consumo entre 30 e 40 dias após o plantio. Deve-se evitar passar desse prazo, pois a rúcula inicia o período reprodutivo e as folhas ficam mais fibrosas. A colheita é feita preferencialmente arrancando-se a planta inteira, com folhas e raízes. Porém, pode-se apenas retirar as folhas para permitir nova brotação. Nesse caso, elas devem ser cortadas acima da gema apical. Corta-se as folhas, 3 a 4 vezes, até que se inicie o florescimento. A rúcula é comercializada em maços. Quando fresca, as folhas são bem verdes, firmes e viçosas; se estiver amareladas, murchas ou com pequenos pontos pretos, já não servem para o consumo. Para conservar a rúcula por 2 a 3 dias, coloque em saco plástico e guarde na gaveta inferior da geladeira.




















 
Ferreira On 8/14/2012 09:50:00 AM 1 comment LEIA MAIS

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Ferreira On 8/03/2012 12:40:00 PM Comentarios LEIA MAIS

sábado, 28 de julho de 2012

Leia o artigo publicado na Revista Agropecuária Catarinense.
Leia o artigo aqui

Ferreira On 7/28/2012 08:03:00 AM Comentarios LEIA MAIS

sexta-feira, 20 de julho de 2012


    O cultivo orgânico de alface e repolho, embora sejam importantes hortaliças-folhosas, já foram abordadas neste blog, sendo as matérias postadas em 18/01/2011 e 09/02/2011, respectivamente. Por outro lado, a cebolinha e a salsa, embora sejam também consideradas hortaliças-folhosas, já foram abordadas recentemente neste blog em matéria postada no dia 21/05/2012, dentro do grupo de hortaliças-condimentos (Parte II). É importante, sempre que pensar no cultivo de hortaliças, coletar amostra do solo para análise da fertilidade e da acidez, com antecedência. A calagem e a adubação orgânica de plantio e, em cobertura recomendada, caso necessárias, será com base nesta análise, interpretada por um técnico de seu município. 

Figura 1. Hortaliças-folhosas: repolho, espinafre, agrião, rúcula, radiche, alface, salsa, couve e 
cebolinha 

Acelga 


A acelga (Beta vulgaris var. cicla) é uma planta bianual (no 1º ano apresenta o crescimento vegetativo e no 2º ano produz sementes) de ciclo longo, pertencente à família Quenopodiáceas, assim como a beterraba, que tem como parte comestível às folhas cuja coloração é variável (de verde escuro à verde claro) que são ovaladas com as bordas encouraçadas. Para que ocorra a formação de flores é necessário que a planta passe por um período de temperaturas baixas. As sementes são muito pequenas e estão encerradas em um pequeno fruto, que é comumente chamado de semente. Cada fruto contém de 3 a 4 sementes muito pequenas. A hortaliça (Figura 2) é originária da Europa, onde cresce espontâneamente e é cultivada há mais de 2000 anos, muito apreciada em São Paulo e arredores. 

Figura 2. Hortaliça-folhosa: acelga

   A acelga é uma hortaliça composta por vários e importantes nutrientes e com sabor agradável. A acelga, também conhecida como beterraba branca, é uma verdura muito nutritiva, mas ainda pouco consumida no Brasil. É rica em vitaminas (A, B, B2, B5 e C), Niacina e de sais minerais (cobre, enxofre, iodo, cálcio, ferro, fósforo, potássio e sódio). Tem poucas calorias e quase nenhuma gordura, podendo ser usada em dietas de baixo consumo calórico. A vitamina A encontrada nesta hortaliça, é indispensável para manter a saúde dos olhos, garantindo uma boa visão. Ajuda a manter a pele e as mucosas saudáveis, auxilia no crescimento e faz parte da formação do esmalte dos dentes. A vitamina C dá resistência aos vasos sanguíneos, combate processos infecciosos, evita problemas de pele, hemorragias e fortalece os ossos e os dentes. A Niacina, assim como todas as outras vitaminas do Complexo B, protege o aparelho digestivo e o sistema nervoso central. A acelga possui ainda grande quantidade de fibras que facilitam o bom funcionamento dos intestinos. Pode-se usar o suco deste vegetal, misturado em partes iguais com o suco de agrião para combater os cálculos biliares. Toma-se um copo, por dia, em jejum. Também se utiliza a acelga para combater a prisão-de-ventre, preparando um laxante poderoso com meio copo de suco de acelga e uma colher de sopa de azeite. Mas atenção, ela não deve ser consumida de forma exagerada, pois possui grande quantidade de oxalato, uma substância que prejudica a absorção de cálcio no organismo. O chá da raiz é remédio contra enfermidades do fígado. As sementes são boas para combater a disenteria, a metrorragia (sangramentos acíclicos do útero fora do ciclo menstrual normal) e a poliúria (sintoma que corresponde ao aumento do volume urinário). 

Cultivo: A acelga é uma planta de clima temperado, suportando até geadas suaves. Desenvolve-se com temperaturas que são compreendidas entre um mínimo de 6º C e um máximo de 27º a 33º C, sendo o período mais favorável entre 15º e 25º C. Em algumas regiões tropicais e subtropicais seu desenvolvimento é bom, contanto que seja cultivada em áreas altas e, nestas situações, pode se comportar como uma planta perene, devido à ausência de inverno definido nestas regiões. Requer solos profundos e ricos em matéria orgânica. Suporta muito bem solos salinos, mas requer solos alcalinos, com um pH ótimo de 7,2. Tolera solos com pH variando de 5,5 a 8, mas não tolera os solos ácidos. É uma planta que necessita de alta umidade, especialmente quando é jovem. No verão, a falta de água proporciona folhas amargas. Dentre as variedades, destacam-se a Kukai, Chinesa, Européia, Branca de Lyon e a Crespa de Lukullus. O espaçamento recomendado para esta cultura é de 0,6 entre fileiras por 0,2 m entre plantas, com 3-4 sementes por cova. A semeadura é feita em local definitivo. Para se obter melhores porcentagens de germinação, deve-se deixar de molho as sementes por 24 horas antecedendo ao plantio. Quando as plantinhas tiverem alcançado 10 a 15 cm de altura, faz-se o desbaste, deixando uma planta por cova. A vaquinha e a lagarta das folhas são as principais pragas que podem prejudicar as plantas. A rotação ou consorciação de culturas deve ser feita, especialmente com leguminosas, pois estas fornecem nitrogênio para a hortaliça. 

Colheita: As folhas externas da planta mais desenvolvidas são colhidas geralmente entre 55 e 65 dias após o plantio, cuidando-se para não danificar as folhas internas. Esta operação persiste por 3 a 4 meses. Quando for comprar acelga, atenção para as folhas que devem estar novas e na cor verde-claro, com o talo verde-esbranquiçado. A consistência deve ser firme, parecida com a do repolho. As folhas internas precisam estar viçosas, sem manchas ou marcas de insetos. Quando o talo está mole ou com manchas pretas, é sinal de que a acelga já está passada. Guarde a acelga na gaveta de verduras da geladeira, onde se conserva em bom estado durante 3 ou 4 dias. 


Agrião 

O agrião (Lepidium sativum, L.) pertence à família das Brassicaceae. O agrião (Figura 3) saiu da região Sudeste da Ásia para o continente europeu há vários séculos, espalhando-se pelo mundo. De folhas pequenas e verde-escuras, a hortaliça é uma excelente opção para enriquecer saladas. Com baixo teor calórico, o agrião é também fonte de provitamina A (especialmente betacaroteno), possui grande quantidade de vitamina C, vitaminas do complexo B e sais minerais. É uma fonte valiosa de cálcio, ferro e potássio. O talo crocante tem ainda alto teor de iodo. Para completar, as folhas apresentam um sabor picante, mas suave, que estimula o apetite. Propriedades medicinais não faltam ao agrião. O agrião é uma planta de características medicinais muito conhecidas. Atualmente, é muito utilizado em combinação com o mel de abelha, para a fabricação de xaropes ou sprays que destinam-se a combater problemas na garganta ou pulmonares, tais como tosse, rouquidão, etc. Outras propriedades medicinais do agrião são: diurético, laxante e vermífugo. É rico em antioxidantes que ajudam a prevenir o câncer. Ele é, ainda, utilizado para ajudar no tratamento de doenças nos rins, fígado e em problemas de pele. A hortaliça faz bem para o fígado, é diurética e recomendada para diabéticos. Além disso, o agrião combate o ácido úrico, tuberculose, raquitismo, formação de pedra nos rins e efeitos tóxicos da nicotina. O suco de agrião fervido com leite é expectorante e, se misturado com mel, ajuda a aliviar a bronquite. 
Figura 3. Hortaliça-folhosa: agrião
As variedades mais conhecidas são: folha larga e folha d'água. Existe ainda o agrião da terra, mais picante, conhecido também por "mastruço". Mais popular por aqui são as variedades chamadas de "agrião de água", sobretudo aquelas que pertencem ao grupo de folhas largas. Os brasileiros também costumam consumir muito o agrião de terra seca, sendo algumas vezes preferida como broto. As temperaturas ideais variam entre 16 e 20ºC, mas produz em regiões mais quentes. Os terrenos argilosos, com muita matéria orgânica e baixa acidez (pH entre 6,0 e 6,8) são os ideais. 

Cultivo do agrião d'água: O agrião (Rorippa nasturtium-aquaticum L.) é uma planta que se desenvolve em terrenos alagados ou muito úmidos e, por esta razão, é conhecido também como agrião-d'água ou agrião aquático. É uma planta de clima ameno e seu desenvolvimento é melhor em temperaturas que variam de 16 a 20ºC. Com temperaturas mais elevadas, o agrião floresce mais rápido, apresenta um desenvolvimento menor da planta, além de prejudicar a qualidade. Por ser uma planta que necessita de muita água e umidade, os solos mais indicados para o seu cultivo são os que possuem maior capacidade de retenção de água, os solos argilosos. Como é uma planta rústica e resistente, o agrião é fácil de cultivar. Porém, precisa de muita água limpa disponível. No geral, a multiplicação é feita por meio de estacas, isto é, por meio de pedaços de hastes fortes. Deixa-se depois entrar água, que não mais é retirada; com o crescimento das plantas, procura-se ir aumentando a altura da água. Pode-se também fazer a multiplicação do agrião por meio de sementes. A sementeira é feita pelos métodos comuns, tendo-se o cuidado de pulverizar bem a terra do canteiro, porque as sementes são muito miúdas. Na sementeira utiliza-se sulcos separados por 10cm e 0,5cm de profundidade. Também pode ser plantada diretamente nos canteiros. Em um grama há, aproximadamente, 5000 sementes que germinam na proporção de 40%. Para o plantio, são necessários 4 kg de sementes/ha. Com 8 cm de altura leva-se as mudas para as agrieiras. O espaçamento recomendado para o cultivo do agrião são de 20 centímetros entre plantas e 25 entre linhas. Deve-se evitar a concorrência por água e nutrientes com a eliminação de plantas espontâneas ("mato") no local. Assim que as plantinhas apresentarem ramas de cinco centímetros, é hora de realizar o raleamento. Em cada cova, é bom deixar de três a quatro plantas. As agrieiras devem sempre estar inundadas, mas somente até o ponto em que a folhagem fique fora d'água. Outro ponto importante é a utilização de adubação de cobertura. As mudas devem ser transplantadas para o canteiro durante os meses de temperaturas mais amenas. 
Cultivo do agrião do seco: O agrião do seco (Lepidium sativum L.) é uma planta herbácea anual conhecido também como agrião-de-jardim, agrião, agrião-da-índia, agrião-mouro, mastruço e mastruço-ordinário. Ele pode ser utilizado como medicinal ou na alimentação humana, sendo consumido principalmente na forma de brotos. Suas folhas basais são diferentes das folhas do caule. As folhas basais tem longos pecíolos, são duplamente lobadas, com margens denteadas e dispostas em roseta, enquanto que as folhas caulinares são lanceoladas a lineares, menores e com margens inteiras. Quando adulta pode alcançar 60 cm de altura. As inflorescências são do tipo rácimo, apresentando flores pequenas e brancas, que dão origem à frutos do tipo síliqua, deiscentes. O cultivo do agrião do seco pode ser comercial, em larga escala, ou até mesmo em apartamento para o consumo dos próprios residentes. É uma importante hortaliça para cultivar em pequenos espaços, enriquecendo a alimentação de crianças, adultos e idosos. Ele pode ser utilizado cru em saladas, sanduíches, sucos, ou cozido, temperando diversos pratos. Seu sabor é levemente picante como as outras espécies de agrião: o agrião-da-água (Nasturtium officinale) e o agrião-da-terra (Barbarea verna) . É rico em vitaminas do complexo B, vitaminas A e C, além de sais minerais. 
Colheita: após cerca de dois meses do plantio, o agrião já pode ser colhido. Antes, verifique se as folhas estão desenvolvidas e tenras. É possível fazer de três a quatro cortes, com intervalos de um mês. Os melhores cortes são os de época fria. No verão, há tendência para o florescimento, diminuindo o tamanho das folhas. Os cortes são feitos à 8 cm do solo, evitando abalar a planta. 


Almeirão ou radiche 

   O almeirão (Cichorium intybus), planta perene, conhecido também por radiche e chicória, pertencente a família botânica das Asteraceae, tem como origem a Ásia, Europa e África. É uma planta herbácea da mesma família da alface e chicória que apresenta sistema radicular do tipo pivotante, profundo e sem ramificações laterais; as folhas são lanceoladas e de sabor amargo acentuado, muito utilizadas como salada ou, em alguns casos, refogadas. Apresenta folhas alongadas, largas ou estreitas, mais ou menos pubescentes, de coloração verde ou arroxeada de acordo com a variedade. Esta hortaliça (Figura 4) é uma boa fonte de fósforo e ferro e também fornece vitaminas A, C e do complexo B. 
   Com as folhas do almeirão podem ser preparadas ricas saladas cruas, e saborosos refogados, acompanhando legumes, cereais ou carnes. Seu sabor é amargo e seu valor nutricional é superior à alface, sendo mais rico em vitaminas, minerais e fibras. As raízes prestam-se para a extração industrial do carboidrato inulina, de importantes aplicações na indústria farmacêutica e de alimentos dietéticos; e para a produção de um substituto do café, após sofrerem secagem, torrefação e moagem. As flores do almeirão também são comestíveis e podem adornar saladas com efeito surpreendente. É plantado para fins ornamentais, principalmente na Europa, devido às belas flores, que acrescentam um efeito campestre em maciços ou em conjuntos com outras flores. 

Figura 4. Hortaliça-folhosa: Almeirão ou radiche

Cultivo: produz melhor sob temperaturas amenas, sendo cultivado, geralmente, no outono-inverno; à cultura se adapta melhor à semeadura direta; o espaçamento entre linhas varia de 20cm a 40cm;.é uma espécie que sofreu intenso melhoramento genético, disponibilizando atualmente plantas com folhas abertas, de cabeça (folhas justapostas e fechadas) e plantas de raiz mais engrossada. As principais variedades são "Catalonha", "Pão-de-açúcar", "Radiche (Folha larga)", "Palla Rossa", "Madnesburgo (de raiz)" e "Spadona". Deve ser cultivado sob sol pleno, em solo fértil, bem drenável, enriquecido com matéria orgânica e irrigado regularmente. Tolera o frio e o calor. O solo deve estar bem preparado na ocasião do plantio. Multiplica-se por sementes diretamente no local definitivo. O desbaste deve ser realizado quando as plantas atingirem 10 cm, deixando uma planta a cada 15 cm. 
Colheita: A colheita inicia-se em 80 dias no verão e 100 dias no inverno. Apesar de perene é cultivada como anual, .efetuando-se o corte das folhas externas, obtendo-se até 6 colheitas parceladas; as folhas são comercializadas na forma de maços. O almeirão, como a maioria das hortaliças-folhosas, estraga-se rapidamente, murchando e amarelecendo depois de colhido. O almeirão pode ser mantido por até três dias na geladeira 


































Ferreira On 7/20/2012 03:10:00 AM 2 comments LEIA MAIS

quinta-feira, 5 de julho de 2012


Coentro



O coentro (Coriandrum sativum L.), pertencente a família botânica das Umbelliferae (aipo e batata-salsa), é originário da Costa do Mediterrâneio (Sul da Europa, Oriente Médio e África do Norte). É uma planta anual, herbácea, com caule cilíndrico, estriado e pouco ramificado, que pode atingir de 0,70 a 1 m de comprimento. As folhas são de coloração verde-brilhante que exalam um aroma forte e fétido quando esmagadas, lembrando o cheiro exalado por percevejos (Figura 1). O florescimento ocorre entre a primavera e o verão. 
Figura 1. Coentro

Principais usos: O coentro, também chamado de coentro-das-hortas, é um excelente condimento, de uso generalizado não só no Brasil como em quase todo o mundo, sendo particularmente utilizado para temperar peixes. Suas sementes são ricas em retinol, tiamina, riboflavina, niacina, cálcio, fósforo, ferro e ácido ascórbico. Nos frutos, encontramos também vitamina C. 
   O coentro pode ser encontrado na forma de ramos, grãos ou em pó. Pode ser empregado para temperar carnes, sopas, legumes, patês, biscoitos, pães, bolos e variados pratos salgados. Como uso terapêutico, é indicado em casos de flatulência e diarréia. É vermífugo, carminativo e estimulante das funções digestivas. Ajuda a disfarçar o hálito, quando mastigado imediatamente após o consumo de alho. 
   O coentro também pode ser utilizado no manejo de insetos-pragas: quando consorciado com tomate diminui o ataque da traça do tomateiro e da mosca branca, além de atrair inimigos naturais de diversas pragas que atacam as hortaliças. O preparado com coentro é eficiente no manejo de ácaros e pulgões. Como preparar: cozinhar folhas de coentro em 2 L de água; para pulverizar as plantas, acrescentar mais água. 

Propagação: por sementes. 

Cultivo: o coentro é uma planta que tolera bem tanto o frio como o calor, assim como curtos períodos de seca. O plantio é feito através de seus frutos ou sementes. A semeadura deve ser em local definitivo, em canteiros bem preparados, utilizando-se 15 a 25 kg de sementes por hectare. Cada região tem sua época mais adequada, mas recomenda-se que seja feita no início da primavera. Deve-se evitar a semeadura no período de inverno, devido principalmente ao risco de ocorrência de geadas. Usar espaçamento entre as linhas de 30 cm, para solos livres ou com pouca ocorrência de plantas espontâneas. As sementes devem ser semeadas nos sulcos das linhas a uma profundidade de 2 a 2,5 cm, e cobertas com 1 a 2 cm de terra. Utilizar espaçamento de 2 a 5 cm, entre as sementes na linha. A germinação ocorre no período de 7 a 14 dias. Deve-se então realizar o desbaste, eliminando as plantas fracas e determinando-se o espaçamento final entre uma planta e outra na linha, de 15 a 25 cm. Os solos férteis, profundos, bem drenados e com boa exposição à radiação solar são os preferidos. Devem ser evitados solos ácidos e os que retêm muita umidade. Solos ricos em nitrogênio e adubações nitrogenadas intensas devem ser evitadas, pois o excesso de nitrogênio atrasa o amadurecimento das sementes ou prolonga o período de progressivo amadurecimento e reduz a produção. Adubações com fósforo e potássio no mesmo ano do plantio produzem sementes mais aromáticas. Realizar controle e combate de ervas daninhas. Irrigar ou drenar o solo, e adubar, sempre que necessário.

Wilt, oídio e fel-tronco são as principais doenças. O Wilt causado pelo fungo Fusarium oxysporum f.sp. corianderii pode ser facilmente reconhecida no campo pela inclinação das porções terminais, seguido de murchamento e secamento de folhas, o que pode resultar em morte. Aração profunda deve ser feito durante a temporada de verão. Rotação de culturas em áreas atacadas pela doença, por 2 ou 3 anos, também é recomendado. O Oídio causado pelo fungo Erysiphe polygoni aparece como pequenas, brancas manchas circulares em partes jovens de caules e folhas. Estes aumentos em tamanho, muitas vezes se aglutinam para cobrir extensas áreas de superfície da folha. As folhas afetadas são reduzidas em tamanho e distorcidas. Para controlar esta doença, pó de enxofre (20-25 kg/ha) é eficiente.    
    Pulverização de enxofre molhável 0,25% também pode controlar esta doença. Outra doença que pode causar prejuízos a lavoura é o Fel-tronco causado pelo fungo Protomyces macrosporus; galhas aparecem nas folhas e caules das plantas afetadas por esta doença.
Colheita: A colheita dos frutos é realizada a partir do momento em que 50 a 60% dos frutos, apresentam cor amarelo-dourado ou marrom-claro-amarelado, ou pardo, conforme a variedade. A colheita é feita, cortando-se os ramos com as umbelas (extremidades dos ramos onde estão os frutos). As umbelas cortadas podem ser colocadas em recipientes sem furos, para serem transportados para o local de secagem. A colheita das folhas é feita a partir do momento em que a planta possui folhas suficientes que possam ser colhidas, sem prejudicar o seu desenvolvimento, encerrando a colheita quando surgirem os primeiros órgãos que originarão as flores.

Pimentas
(Fonte: www.cnph.embrapa.br/paginas/sistemas_producao/cultivo_da_pimenta.htm)
   As espécies de pimentas do gênero Capsicum pertencem à família botânica Solanaceae, como o tomate, a batata, a berinjela e o jiló. Dentre as espécies do gênero Capsicum, cinco são domesticadas e largamente cultivadas e utilizadas pelo homem: Capsicum annuum; C. bacccatum; C. chinense; C. frutescens e C. pubescens. Destas, apenas C. pubescens não é cultivada no Brasil. Com a chegada dos navegadores portugueses e espanhóis ao continente americano, muitas espécies de plantas foram descobertas, entre elas as pimentas. As pimentas do gênero Capsicum já eram utilizadas pelos nativos e mostraram-se mais picantes (pungentes) que a pimenta-do-reino ou pimenta-negra, do gênero Piper, cuja busca foi, possivelmente, uma das razões das viagens que culminaram com o descobrimento do Novo Mundo. É igualmente substancial a contribuição histórica brasileira na dispersão destas plantas pelo mundo, eficientemente feita pelos navegadores portugueses e pelos povos que eram transportados em suas embarcações. As rotas de navegação no período 1492-1600 permitiram que as espécies picantes e doces de pimentas viajassem o mundo. As pimentas foram então, introduzidas na África, Europa e posteriormente na Ásia. O cultivo de pimentas ocorre praticamente em todas as regiões do país e é um dos melhores exemplos de agricultura familiar e de integração pequeno agricultor-agroindústria. As pimentas (doces e picantes), além de serem consumidas frescas, podem ser processadas e utilizadas em diversas linhas de produtos na indústria de alimentos. A área anual cultivada é de cerca de dois mil ha e os principais estados produtores são Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Ceará e Rio Grande do Sul. Altas cotações para o produto são alcançadas nos meses de inverno quando o Sul e Sudeste são abastecidos principalmente, pela produção das regiões Nordeste e Centro-Oeste,
Principais usos: Diversos relatos de exploradores do Brasil-colônia demonstram que a pimenta era amplamente cultivada e representava um item significativo na dieta das populações indígenas. Ainda hoje, a importância das pimentas continua grande, seja na culinária, nas crenças, na medicina alopática ou natural e inclusive como arma de defesa. São remédios para artrites (pomadas a base de capsaicina), dores musculares (emplastro 'Sabiá'), dor de dente, má digestão, dor de cabeça e gastrite. A capsaicina, responsável pela pungência das pimentas, é a única substância que, usada externamente no corpo, gera endorfinas internamente que promovem uma sensação de bem-estar, acionando o potencial imunológico. Os índios Caetés foram os primeiros brasileiros a usar a pimenta como arma, sem imaginar que séculos depois a oleorresina de pimenta em aerossol ou em espuma, os famosos 'pepper spray' e 'pepper foam', seriam utilizados pela polícia moderna. Além do mercado interno, parte da produção brasileira de pimentas é exportada em diferentes formas, como páprica, pasta, desidratada e conservas ornamentais.
O extrato de pimentas picantes, especialmente a pimenta malagueta é eficiente para o manejo de grilos, paquinhas, lagarta rosca, vaquinhas e pulgões que atacam as hortaliças. Modo de preparo: coloca-se a quantidade disponível de pimentas num frasco, acrescentando-se álcool, até cobrí-las;  fecha-se e deixa-se curtir por pelo menos 3 dias. Após, o extrato já pode ser utilizado ou armazenado em local escuro. Recomenda-se uma colher de sopa deste extrato por litro de água para pulverizar as plantas. Mas também é possível utilizar dosagens mais fortes (até 1%) para aplicações em hortas. Seu uso deve ser repetido após chuvas ou irrigação. Usar luvas ao manipular a pimenta e vestimenta de proteção ao aplicar o extrato. Quando utilizar este extrato em hortaliças folhosas e hortaliças-frutos, deve-se obedecer um período de carência mínima de 12 dias da colheita para evitar a obtenção de frutos e folhas com forte odor.
Propagação: por sementes
Cultivo: A pimenteira é uma planta exigente em calor, sensível a baixas temperaturas e intolerante a geadas, por isso deve ser cultivada preferencialmente nos meses de alta temperatura, condição que favorece a germinação, o desenvolvimento e a frutificação, obtendo-se assim, um produto de alto valor comercial com menor custo de produção. Nas diferentes regiões produtoras do Sul e Sudeste do país as temperaturas elevadas consideradas ideais acontecem na primavera e verão, sendo indicados os meses de agosto a janeiro para semeadura. Entretanto, nas regiões serranas e de temperaturas mais amenas, a época mais conveniente é de setembro a novembro em razão de sua exigência em temperaturas elevadas. Os solos utilizados para o cultivo de pimenta devem ser profundos, leves, drenados (com bom escoamento de água, não sujeitos a encharcamento), preferencialmente férteis, com pH entre 5,5 a 7,0. Devem ser evitados solos salinos ou com elevada salinidade, uma vez que as pimentas, assim como pimentão, são sensíveis.
Recomenda-se que sejam evitadas áreas que tenham sido cultivadas nos últimos 3-4 anos com outras plantas da família das solanáceas (como batata, tomate, berinjela, pimenta, jiló, fumo, Physalis) ou Cucurbitáceas (como abóbora, moranga, pepino, melão e melancia). Áreas com cultivos anteriores de gramíneas (milho, sorgo, arroz, trigo, aveia), leguminosas (feijão, soja) ou aliáceas (cebola, alho), são as mais indicadas. A quantidade de adubo a ser aplicada é determinada com base na análise química do solo. A maioria das cultivares de pimentas plantadas no Brasil como a ''Malagueta'' (Capsicum. Frutescens – Figura 2), 'Dedo-de-Moça' (C. baccatum), 'Cumari' (C. baccatum var. praetermissum), 'De Cheiro' e 'Bode' (C. chinense), são consideradas variedades botânicas ou grupos varietais, com características de frutos bem definidas. Normalmente, o produtor produz sua própria semente, e as diferenças existentes dentro destes grupos estão relacionadas às diferentes fontes de sementes utilizadas para o cultivo. O transplante é realizado quando as mudas apresentarem de 4 a 6 folhas definitivas ou aproximadamente 10cm de altura. No caso de terem sido formadas em sementeiras, as mudas devem ser retiradas com cuidado, preferencialmente com o torrão para se evitar danos às raízes. Os espaçamentos dos sulcos de plantio ou canteiros são definidos de acordo com a cultivar ou tipo de pimenta, região de plantio ou ciclo da cultura (Tabela 1). As hastes lenhosas da maioria dos tipos de pimenta dispensam tutoramento e desbrota. Entretanto, caso apareçam brotações na haste principal abaixo da primeira bifurcação, elas podem ser retiradas. Em locais de ventos fortes, pode ocorrer a necessidade de se fazer tutoramento da planta (colocando-se uma estaca de madeira ou bambu junto à planta) ou o plantio de quebra-vento em volta do campo (capim-elefante, milho, cana-de-açúcar).
Figura 2. Pimenta malagueta
   A deficiência de água, especialmente durante os estádios de floração e pegamento de frutos, reduz a produtividade em decorrência da queda de flores e abortamento de frutos. Todavia, plantas de pimenta submetidas a deficiência moderada de água no solo produzem frutos mais pungentes, com maior teor de sólidos solúveis e de matéria seca. O excesso de água no solo também pode comprometer a produção de pimentas. Irrigações excessivas, principalmente em solos de drenagem deficitária, prejudica a aeração do solo e favorece o desenvolvimento de várias doenças de solo, como a causada por Phytophthora capsici.
Tabela 1. Informações sobre espaçamentos, época de plantio e ciclo dos principais tipos de pimentas em diferentes regiões do país.  

    O produtor de pimenta procura, sempre que possível, cultivar áreas sob rotação de culturas, evitando aquelas previamente utilizadas com solanáceas. A rotação adequada de culturas é importante para o manejo de plantas espontâneas, pois as práticas culturais provocam mudanças na população de plantas, havendo a cada ano uma nova relação de interferência entre as diferentes espécies. Para que as doenças sejam bem controladas é necessário que a cultura seja bem conduzida, ou seja, que a planta não esteja sujeita a estresses provocados por fatores diversos, tais como época de plantio desfavorável, adubação desbalanceada, ferimentos nas plantas, competição com plantas daninhas e o uso de cultivares não adaptadas ao clima. Dentre estes fatores, deve ser dada atenção especial ao tipo de solo e modo de irrigação. Plantas de pimenta são muito sensíveis a solos encharcados e morrem prematuramente por esta causa. O controle de doenças de plantas é, mais que tudo, 'medicina preventiva', ou seja, a estrita observação de medidas que devem ser adotadas antes mesmo do plantio.
A seguir, são mencionadas algumas medidas para evitar o aparecimento de doenças ou reduzir seu efeito:
1. Plantar sementes de boa qualidade, adquiridas de firmas idôneas. Em caso de produção própria, devem ser escolhidas as plantas saudáveis para se retirar sementes. Muitas doenças das pimentas são transmitidas pela semente;
2. Preferir variedades bem adaptadas ao clima local e à época de plantio, e que tenham resistência às principais doenças que ocorrem na região. Estas informações podem ser obtidas em catálogos de empresas de sementes;
3. Escolher para instalação da cultura uma área bem ventilada, que não tenha histórico de plantio recente com solanáceas (pimentão, tomate, berinjela, jiló), com solo bem drenado, não sujeita a empoçamento de água;
4. Fazer uma adubação balanceada, baseada em análise do solo. Falta ou excesso de nutrientes são causas freqüentes de distúrbios fisiológicos graves;
5. Produzir ou adquirir mudas sadias. Infecções precoces, provocadas por semente contaminada ou substrato infestado, dificultam sobremaneira a manutenção da sanidade nas plantas adultas. Sementeiras devem ser feitas preferencialmente em telados instalados em locais separados do campo de cultivo, onde as mudas ficam protegidas de vetores de viroses;
6. Evitar o excesso de água na irrigação, pois este é o fator que mais afeta o desenvolvimento de doenças, em especial aquelas associadas ao solo;
7. Usar água de irrigação de boa qualidade, que não tenha sofrido contaminação antes de chegar à propriedade;
8. Controlar os insetos que são vetores de viroses e que provocam ferimentos nas plantas, principalmente nos frutos;
9. Evitar ferimentos à planta durante as operações de amarrio, capinas, irrigação ou outros tratos culturais;
10.Realizar as pulverizações de preferência de forma preventiva, quando as condições climáticas forem favoráveis a uma determinada doença. Após o seu estabelecimento, a maioria das doenças não pode mais ser controlada;
11.Evitar ao máximo o trânsito de pessoas e de máquinas que podem levar estruturas de patógenos de uma área para outra. Em cultivos protegidos, recomenda-se colocar uma caixa com cal virgem na entrada para desinfestação de calçados;
12.Destruir os restos culturais, que normalmente hospedam populações de patógenos e insetos. Esta destruição pode ser feita por enterrio profundo ou queima controlada;
13.Realizar rotação de culturas, de preferência com gramíneas, tais como milho, trigo, arroz, sorgo ou capim. Esta medida é muito importante para o controle de doenças de solo, mais difíceis de serem controladas;
14.Inspecionar a lavoura com freqüência para identificar possíveis focos de doença, ainda em seu início.
O controle de insetos e ácaros deve ser feito de maneira integrada, onde práticas como a destruição de restos culturais, eliminação de plantas hospedeiras silvestres ou voluntárias, rotação de culturas, utilização de cultivares resistentes, utilização de mudas sadias, além de mecanismos que assegurem a presença de inimigos naturais nas áreas cultivadas, sejam combinadas com pulverizações produtos alternativos recomendados no sistema de produção orgânico;
Colheita: As pimentas apresentam diferentes pontos de colheita, de acordo com cada tipo, região de cultivo e época do ano. O ciclo da cultura e o período de colheita são afetados diretamente pelas condições climáticas e pelos tratos culturais, como adubação, irrigação, incidência de pragas e doenças, e a adoção de medidas de controle fitossanitário. De uma maneira geral, as primeiras colheitas são feitas a partir de 90 dias após a semeadura para as pimentas mais precoces, como a 'Murupi', e após 120 dias para as mais tardias. O ponto de colheita ideal das pimentas é determinado visualmente, quando os frutos atingem o tamanho máximo de crescimento e o formato típico de cada espécie, com a cor específica demandada pelo mercado: verde para a pimenta 'Cambuci'; vermelho para a 'Malagueta'; amarela ou vermelha para a pimenta 'Bode'; verde-claro para a 'De Cheiro'; amarela para a 'Cumari do Pará'; e amarelo-claro para a 'Murupi'. As pimentas são mais difíceis de serem colhidas quando comparadas com pimentão devido ao menor tamanho dos frutos e a arquitetura da planta, principalmente aquelas de menor porte e com maior número de galhos. Para efetuar a colheita das pimentas com plantas de porte mais baixo, como a 'Cumari do Pará' e 'Malagueta', é necessário que os apanhadores fiquem agachados ou curvados, enquanto para aquelas pimentas com plantas mais altas, como a 'Bode', é possível fazer a colheita em pé, em uma posição mais confortável. A posição dos frutos das pimentas, seu tamanho e a resistência do pedúnculo também interferem na velocidade da colheita.
    As pimentas 'Bode' e 'Dedo-de-Moça' possuem frutos maiores e são mais fáceis de apanhar, sendo possível colher até 60kg/dia/operário, enquanto as pimentas 'Malagueta' e 'Cumari do Pará' possuem frutos menores, o que reduz a velocidade da colheita (aproximadamente 10kg/dia/operário). As pimentas são colhidas manualmente, arrancando-se os frutos das plantas com ou sem os pedúnculos, dependendo do tipo de pimenta e o uso do produto. Cada colhedor utiliza um recipiente pequeno, como uma lata, prato ou bolsa para recolher os frutos das plantas. Um recipiente adequado para a colheita das pimentas pode ser feito a partir de garrafas plásticas de refrigerante de 2L do tipo 'PET', cortando-se o terço superior da garrafa e colocando-se um cordão em duas extremidades laterais para pendurar no pescoço. Além de ser um recipiente barato e fácil de ser feito, o operário fica com as duas mãos livres para executar a colheita, sendo possível segurar os ramos e destacar os frutos sem quebrar a planta. Depois de cheios, estes recipientes são vertidos em baldes ou latas maiores (5-10L) ou então em caixas localizadas estrategicamente próximas do local de colheita. Quando as pimentas são destinadas especificamente para a indústria de conservas e molhos, podem ser apanhadas sem o pedúnculo diretamente no campo. Para aquelas pimentas com maior resistência do pedúnculo, como a 'Bode' e a 'Dedo de Moça', às vezes é necessária uma operação adicional no galpão de beneficiamento para retirar completamente o pedúnculo dos frutos destinados para conservas. As pimentas mais picantes ('ardidas'), como a 'Malagueta', causam irritação e até queimaduras na pele das mãos dos colhedores devido aos teores mais elevados de capsaicina, o composto químico responsável pela ardência nas pimentas. Pessoas com pele muito sensível devem utilizar luvas ou outro material de proteção na colheita, embora causem desconforto pelo suor e dificultem a operação. Existem indicações de alguns produtos que podem aliviar as queimaduras e irritação causadas pela capsaicina, como álcool, água sanitária, água ou leite quentes.    
    Aparentemente, a melhor indicação para reduzir os efeitos negativos das pimentas mais ardidas ou picantes é usar óleos vegetais (soja, canola, girassol), azeite de oliva, banha, manteiga ou margarina ou outros produtos a base de gordura, por que a capsaicina é uma substância lipossolúvel, ou seja, solúvel em óleo e outros tipos de gorduras. Este tratamento não elimina completamente o desconforto das queimaduras, mas pode reduzir parcialmente a concentração do composto das mãos. Os colhedores devem sempre se lembrar de não se coçarem ou tocar partes sensíveis do corpo, como olhos e boca, enquanto executam a colheita por conta das queimaduras e pela irritação causadas pelas pimentas, principalmente pela exposição contínua. O horário ideal para a colheita das pimentas é nas horas menos quentes do dia, no início da manhã e no final da tarde. Quando não é possível colher tudo nestes dois períodos, deve-se armazenar os frutos colhidos sempre a sombra, em local arejado e fresco. A exposição direta ao sol aumenta a respiração e a perda de água, resultando em murcha e deterioração dos frutos. Deve-se também evitar a colheita de frutos molhados pela chuva ou orvalho porque tendem a apodrecer mais rapidamente durante o transporte e a comercialização. Restos de folhas e galhos também devem ser eliminados porque podem tendem a fermentar rapidamente, principalmente quando molhados ou úmidos, e assim aumentar a temperatura no interior das embalagens e reduzir a durabilidade pós-colheita dos frutos. À medida que baldes, caixas e sacos com as pimentas no campo vão ficando cheios, devem ser transportados até pequenos galpões ou sob a sombra de árvores nas margens da plantação. Estes galpões podem ser construídos de modo simples, com uma cobertura de plástico preto recoberto com capim ou folhas de palmeira, servindo para proteger as pimentas do sol direto e da chuva. Posteriormente, os frutos são acondicionados em sacos plásticos grandes (30kg) ou caixas plásticas ou de madeira (15kg), ou outro tipo de embalagem demandado pelo mercado. Para as pimentas destinadas para a indústria de molhos e conservas, é possível retirar os pedúnculos dos frutos em galpões ao lado da lavoura e armazenar as pimentas diretamente em recipientes plásticos de 50L ('bombas' ou 'bombonas') com a calda apropriada, feita a base de vinagre ou outro tipo de álcool e sal.   Este processo reduz problemas de conservação pós-colheita dos frutos de pimenta colhidos mantidos in natura.

Ferreira On 7/05/2012 06:59:00 AM Comentarios LEIA MAIS

quinta-feira, 21 de junho de 2012


    

  O cultivo orgânico de hortaliças-condimentos é a melhor forma de garantir as características fitoquímicas e farmacológicas do produto para o mercado.

Manjerona

   A manjerona (Origanum Majorana L.), pertencente a família das Lamiaceae, é originária do Oriente Médio. A Manjerona era uma planta medicinal muito popular entre os gregos antigos. O nome próprio em grego significava "alegria da palavra das montanhas". A manjerona era uma das ervas favoritas de Afrodite (deusa do amor) e simbolizava a felicidade. Até hoje, é tida como a erva do amor eterno, usada em enfeites por noivos e amantes. Quem visita a Grécia, se depara com manjeronas silvestres cobrindo a paisagem, exalando seu perfume singular. Foi introduzida na Europa na Idade Média, sendo muito apreciada pelas damas sob a forma de sachês. As folhas são bem pequenas ovaladas verde-claras e flores brancas minúsculas que surgem no verão. Nos entrenós os talos que tocam o chão ocorrem o enraizamento espontâneo. Planta perene tipo arbusto que cresce até 60 cm de altura com os ramos cobertos de folhas ovais verdes escuras, com flores esbranquiçadas nos cachos. Toda a planta é extremamente aromática.
Principais usos: é conhecida como substituta do manjericão e do orégano por seu sabor ser parecido com ambos. Muito utilizada no tempero de aves, principalmente em recheio de frangos. A manjerona deve ser utilizada em pratos de cozimento rápido ou no final da preparação, já com o fogo desligado, para não perder seu aroma delicado. Usada em maionese, pizza, ,pastéis, molhos, patês, sopa de batata (suflê), com manteiga derretida, em legumes cozidos, feijão branco, omeletes, ovos mexidos, carne moída, manteiga derretida para peixes grelhados, recheios de frango e lingüiças em geral. Pode ser usada fresca, em raminhos picados, ou seca. Normalmente faz parte do tempero de galetos. Como especiaria, a manjerona possui forte cheiro aromático e pronunciado sabor de especiaria. Também não é rara a sua utilização em saladas e legumes, verduras cruas e regimes dietéticos. Deve, porém, ser empregada em pequenas doses, para não se notar excessivamente o seu sabor.

   As principais propriedades terapêuticas são: Indicada para o tratamento de feridas, queimaduras, astenia, sistema nervoso, resfriado, dor de cabeça, insônia, fraqueza do músculos, sílica nos intestinos, cólicas gástricas, intestinais e menstruais, incontinência dos instintos sexuais Usada na inalação, ajuda a eliminar muco e catarro, prevenindo a sinusite. Folhas frescas e cozidas aplicadas com gaze são boas desinflamadoras no caso de pancadas, feridas e tumores. O responsável pelas propriedades medicinais da manjerona é seu princípio ativo, constituído por tanino e óleo essencial, que garante o efeito expectorante e digestivo. Na forma de chá, a erva pode ajudar no tratamento contra o reumatismo e todas as formas de artrite. Nas corizas crônicas e para o tratamento de feridas pode utilizar-se um ungüento de manjerona, tal como é preparado nas farmácias. É popular o emprego do óleo de manjerona nas varizes, na gota, no reumatismo e nas doenças glandulares.

   Com os galhos secos da planta fazem-se sachês para perfumar roupas, travesseiros de ervas e arranjos de flores. Um bom banho de banheira revigorante e tônico se completa com a inclusão na banheira de uma infusão forte de manjerona.

  Na Europa, o suco da manjerona já foi muito usado para lustrar móveis e tingir lãs de vermelho-púrpura. Hoje, em muitos países, indústrias especializadas utilizam a erva para aromatizar bebidas, condimentos, carnes, sopas em pó, sorvetes, balas, etc.

Propagação: A manjerona pode se propagar por sementes, divisão de touceiras ou por estacas. A divisão de touceiras e/ou estacas deve ser realizada no outono ou no inverno. Por sementes, o ideal é na primavera, gastando-se 1 grama de semente/m2, sendo que a germinação ocorre em torno de 10 dias.

Cultivo: É uma planta perene em regiões de clima quente, porém, em climas muito frios é anual por não suportar temperaturas muito baixas. A planta gosta de solos arenosos ou areno-argilosos, ricos em matéria orgânica e com boa drenagem, com pH entre 6,0 e 7,0. O clima úmido é ideal, entretanto, é preciso atenção: o solo não deve ser excessiva e constantemente molhado. As plantas que crescem e se desenvolvem em climas secos e com temperaturas elevadas adquirem um sabor mais apimentado e apresentam odor mais forte, penetrante e amargo. O local deve receber sol pelo menos uma parte do dia, mesmo quando cultivada dentro de casa. Deve-se deixar uma distância de 40 cm entre linhas e de 25-30 cm entre plantas. Em solos férteis e climas favoráveis, pode-se deixar uma distância de 50 cm entre linhas e de 30 cm entre plantas. Deve-se escolher dias nublados e solo úmido, evitando-se os dias secos de verão. Se o objetivo do plantio for apenas as folhas, sem as flores, é recomendável retirar as pontas dos ramos que ameaçam formar os futuros órgãos florais e flores. Isso pode ser feito com o auxílio de uma tesoura ou simplesmente com os dedos

   Assim, as folhas se desenvolverão mais vigorosas. Em boas condições de cultivo, normalmente não há incidência de doenças e pragas. A manjerona é própria também para o cultivo em vasilhame ou caixotes, tanto mais que para uma família média bastam algumas plantas.

Colheita: é feita por ocasião do aparecimento dos primeiros botões apicais, indicadores do início da floração. Portanto, o tempo da colheita é imediatamente antes de dar flor, porque a planta possui então maior força como condimento. Já para a colheita de flores, a planta florida deve ser cortada no momento em que as primeiras flores se abrem, mas antes que os demais botões florais na mesma haste tenham se aberto completamente. As plantas cortadas não devem ficar expostas à chuva, porque perdem a cor e assim dificilmente se vendem. Escolhem-se dias secos e horas favoráveis à colheita. Corta-se sempre, no mínimo a 3cm acima do solo para favorecer um bom rebrote das plantas. A colheita é variável, dependendo do número de cortes possíveis e do crescimento das plantas, ficando em 10 a 15 t em 3 cortes de plantas verdes, que ficarão reduzidas a 2,5 a 3 t de planta seca. Após o 4º ano a cultura deverá ser renovada.

Orégano

   O orégano, conhecido cientificamente como Origanum vulgare L., pertence à família Lamiaceae (Labiatae) da qual também faz parte, manjericão (Ocimum basilicul L.), alfavaca (Ocimum gratissimum L.), hortelã (Mentha arvensis L.), alfazema (Lavandula angustifolia Mill.), alecrim (Rosmarinus officinalis L.) e sálvia (Salvia officinalis L.). O orégano é conhecido por muitos nomes, sendo eles orégão, manjerona silvestre ou manjerona rasteira. A palavra "orégano" tem origem grega e quer dizer "alegria da montanha". Para os gregos esta erva possui a magia de trazer felicidade. O orégano é uma planta perene, tem entre 25-40 cm de altura, folhas opostas, ovais, verde-escuras, pecioladas, inteiras ou serrilhadas, com aproximadamente 35 mm de comprimento, ou seja maior que a da manjerona e com extremidades pontiagudas. Com duração de 4 a 6 anos, seca no inverno e rebrota no verão. As hastes são consideradas anuais e se não forem colhidas, secam. Nativa de regiões montanhosas do sul da Europa e da Ásia ocidental vegeta espontaneamente em diversas regiões da Europa. A espécie Origanum vulgare L. é cultivada no Brasil principalmente nas regiões sul e sudeste, onde foi aclimatada há muito tempo, sendo bastante popular.

Principais usos: A grande utilização é como especiarias na culinária, podendo ser utilizado em carnes, molhos de tomate e outros tipos de massas, sendo o ingrediente fundamental da pizza. De preferência, não cozinhe este tempero, seja ele fresco ou seco, adicione-o ao prato depois de pronto, pois ele perde seus benefícios terapêuticos com o cozimento. A partir de estudos recentes, o orégano foi classificado como a planta de mais alta atividade antioxidante, até mais que a vitamina E. O óleo é usado na composição de aromatizantes de alimentos e perfumes, além de possuir efeito inibitório sobre diversas bactérias alimentícias e fungos. Orégano é um estimulante para o estomago, especialmente nos casos de perda do apetito, dificuldade de digestão ou gases. Além disso é carminativo; antiespasmódico; expectorante, especialmente nos casos de bronquite ou asma; antisséptico; diurético; sudorífico, eliminando as toxinas do organismo; também é muito usado contra anemia. É muito bom também contra a insónia, o estresse, cansaço nervoso, exaltações febris, e em seu uso externo alivia dores reumáticas e articulares como também para combater a celulite. Também é emenagogo, o que quer dizer que reduz as dores menstruais, assim como o que vem depois: dor de cabeça, de estômago e retenção de líquidos. É um antioxidante, o que pode ser muito vantajoso para os tratamentos de Aids e Câncer. 

 Orégano: Origanum vulgare L.

Propagação: As formas possíveis de propagação da cultura do orégano são por sementes, estacas ou divisão de touceiras. As sementes são muito pequenas tendo em um grama aproximadamente 12.000 sementes e devem ser semeadas de preferência na primavera em sementeiras ou bandejas. 

Cultivo: O orégano tem preferência por regiões de clima subtropical com bastante luminosidade. Em locais mais quentes, ganha aroma mais intenso, sabor mais picante e perfume mais persistente. Não tolera alta umidade relativa do ar, nem exposição direta aos ventos fortes e frios e também não suporta geadas acentuadas; está entre as espécies com resistência a grandes variações de altitude (50 a 3400 m) e temperatura. Temperaturas abaixo de 5 ºC acarretam retardo de crescimento e queima dos bordos das folhas. O orégano uma cultura que se alastra no solo, com isso o desbaste de plantas invasoras passa a ser um importante manejo, evitando incidência de pragas e doenças, competição pelos nutrientes do solo e consequentemente baixa produção. O amontoamento de terra ao redor da planta é uma prática realizada a fim de proteger a planta, proporcionar a multiplicação dos ramos, evitar o ataque de fungos e o apodrecimento das raízes. Manter a área cultivada sempre coberta é um manejo importante para a conservação do solo. A aplicação da cobertura morta ou mulch deve ser feita na área toda, evitando somente a aplicação muito próxima ao contorno da planta para não abafá-las. As pragas mais comuns na cultura são pulgões verdes (Macrosiphum solanifoli), formigas e brocas dos ponteiros, ácaros (Tetranichus sp.), lagarta-falsa-medideira (Pseudoplusia sp.) e nematóides (Meloidoginesp.). As doenças mais comuns são devido a excesso de umidade no solo causando incidência de fungos comoPuccinia sp., Fusarium sp., Phoma sp, e carência de nutrientes. A Puccinia sp. é um dos patógenos de maior importância agrícola e econômica por reduzir a produtividade, depreciar o produto causando assim, sérias perdas em plantios comerciais.

Colheita e beneficiamento: A colheita de ramos e folhas deve ser feita quando a planta estiver no começo da floração (15% a 20% de flores/planta), iniciando-se o processo de colheita para comercialização no ano seguinte do plantio. O período mais adequado para se fazer a coleta do material é em dias secos, logo depois a evaporação do orvalho, fim do verão o começo do outono. No primeiro ano de colheita, estima-se produção de 3 toneladas métricas de folhas/ hectare; a partir do segundo ano, fazendo-se dois cortes por ano, a produção fica em torno de 15 toneladas métricas de folhas/hectare/ano. Após a colheita do orégano, deve-se fazer a desfolha, retirando as folhas dos ramos. Na limpeza, é feita a eliminação de folhas de outras espécies, principalmente de plantas daninhas. Após a secagem, o peso do material é reduzido em 4 vezes, isto é de 100 quilos de folhas e flores recém-colhidas resultarão em aproximadamente 25 quilos de produto seco. A secagem deve ser feita à sombra ou em estufas com regulação de temperatura não excedendo a 40 ºC durante 24 horas. A luz solar não é aconselhável por reduzir a quantidade do óleo essencial presente no material. Porém, pode ser feita a secagem com métodos mistos, isto é, deixa-se as plantas perderem um pouco de água na sombra e depois coloca-las ao sol. Outro método é colocar as plantas em câmaras frias (o frio retira um pouco de água) e depois secar ao sol ou em secadoras.















Ferreira On 6/21/2012 04:42:00 AM Comentarios LEIA MAIS

segunda-feira, 4 de junho de 2012




Hortelã 


   A hortelã (Figura 1) também chamada de menta pertence a família botânica das Lamiaceae. Acredita-se que é originária da Ásia, chegando no Brasil trazida pelos colonizadores. Existem várias espécies de hortelã que podem ser cultivadas na sua casa, que apresentam propriedades muito semelhantes, principalmente no que diz respeito ao aroma. As duas espécies mais comuns são: Mentha piperita e Mentha crispa A primeira espécie tem folhas lisas e de um verde mais claro. Já a segunda espécie tem folhas verdes escuras e são crespas. Seu aroma forte e muito característico é resultado da grande concentração de mentol, princípio ativo do seu óleo essencial. As partes utilizadas da planta são as folhas e flores. São plantas herbáceas, de aproximadamente 30 cm de altura, rasteiras, com flores pequenas reunidas em espigas, de cor rosa ou lilás. As folhas são ovais e dentadas e o caule é arroxeado. O cultivo orgânico da hortelã e outras plantas medicinais e condimentares é a melhor forma de garantir as características fitoquímicas e farmacológicas do produto para o mercado. 
Figura 1. Hortelã: hortaliça-condimento e planta medicinal indicada como vermífugo 

Principais usos: a hortelã é usada em receitas culinárias de muitos países pelo mundo todo, em chás, em adorno de pratos e composição de saladas. Na comética entra nas fórmulas de dentifrícios, sabonetes, cremes de massagem e para barba, desodorantes bucais e um sem números de aplicações. Contém muitos elementos químicos de uso farmacêutico utilizados para remédios. Na medicina popular é considerada excelente para tratamento de problemas estomacais, pois é digestiva, além de ajudar no tratamento de diarréias infantís e dores abdominais. Combate azia, gastrite, cólicas e gases intestinais. Também tem ação antifúngica e antiinflamatória. Seu suco ajuda a combater vermes intestinais. Tem possibilidade de ser usada em paisagismo de áreas sem pisoteio, pois seu caráter agressivo poderia ser melhor aproveitado para substituição de gramados ao redor de árvores e pequenos bosques. Tem também o poder de ser uma planta repelente de insetos de hortaliças como pulgões e besourinhos e poderemos usar deste poder para fazer um chá repelente que não tem nenhuma propriedade tóxica para animais em geral e humanos. 

Propagação: por meio de estolões ou estacas colhidos de plantas adultas. Durante o seu crescimento, a planta desenvolve estolões, um tipo de caule que cresce rente ao solo. Deste caule, a planta emite ramos com folhas e raízes. Basta cortar um pedaço deste caule (cerca de 10cm), que tenha raízes e alguns ramos e plantá-lo, de acordo com as instruções abaixo. Para um ha são necessários 300 kg de rizomas. 

Cultivo: seu cultivo é extremamente simples. O solo não deve ser bem adubado, pois quando há muito adubo disponível para a planta, ela cresce muito e não consegue concentrar sua essência. Então, quanto menor é a planta, mais concentrada será a essência. O plantio pode ser feito o ano todo, mas a melhor época é no início da primavera. O espaçamento recomendado é de 25 x 25 cm entre as plantas. Quando o plantio for feito por meio de estolões, basta colocar o caule com as raízes rente à superfície e cobrir com uma fina camada de terra, deixando os ramos com folhas acima do solo. Logo após o plantio, as mudas devem ser protegidas do excesso de sol, pois pode queimar as folhas. Quando adultas, elas toleram tanto ambientes bastante ensolarados, quanto sombreados. Um ambiente intermediário, ou seja, sujeito a sol e sombra ao longo do dia é o ideal. Quando plantada em vaso, a terra deve ser renovada no início da primavera. Neste momento você poderá podá-la, pois suas raízes ficam bem emaranhadas. Ótima época para fazer novas mudas. A hortelã plantada junto a alfaces e outras ervas aromáticas intensifica o sabor e perfume destas e é considerada planta companheira belos benefícios descritos. O plantio da hortelã em vaso é bem simples; Não esquecer, neste caso, de colocar o vaso junto a janelas onde haja sol direto que a planta necessita. A planta é atacada por doença (ferrugem) e pragas (formigas, lagartas, vaquinha e cigarrinha). 

Colheita: A colheita pode ser feita o ano todo. Se deixada crescer livremente, sem colheita ou poda, pode se tornar uma planta invasora. Os ramos de hortelã podem ser armazenados quando secos. Para isso, você deve pendurar os galhos com as folhas voltadas para baixo, em local seco, arejado e na sombra. Quando as folhas estiverem bem secas e quebradiças, podem ser guardadas em potes fechados. 


Manjericão 

    Pertencente à família Laminaceae, há o manjericão com folhas grandes (Ocimum basilicum) e o com folhas pequenas (Ocimum minimum). O de cor verde é o mais conhecido, mas também existem plantas de folhas avermelhadas - mais raras e com mais aroma. O perfume do manjericão tampouco é uniforme: há variedades com fragrância doce, lembrando limão, cinamato (canela), cânfora, anis e cravo.O manjericão (Figura 2) ou alfavaca (Ocimum basilicum L é originário do sul da Ásia. Planta herbácea de até 1,0 m de altura, bastante ramificada, forma irregular, de folhas ovais cor verde-claro, perfumadas. Flores pequenas brancas reunidas em espigas que surgem principalmente no verão. 
Figura 2. Alfavaca(manjericão): hortaliça-condimento e planta medicinal indicada como Broncodilatador 


Principais usos: com sabor e aroma intensos, o manjericão é uma ótima sugestão para fazer toda a diferença numa receita. Usado em saladas, molhos, recheios, pizzas e em várias massas, ele dá um toque especial aos pratos e, ainda melhor, pode ser cultivado até em vasos pelo próprio consumidor.. Os frutos colhidos e secos dão excelente tempero para carnes, com acentuado sabor picante. As folhas podem ser colocadas in natura em molhos e temperos de carne ou grãos, como no brasileiríssimo feijão. Para usar como tempero, pode-se colher as folhas e secá-las sobre folhas de jornal, deixando em local arejado e sem sol direto. Também as sumidades florais poderão ser usadas secas para tempero. Colher assim que os frutos amadurecerem, deixando em local seco e sem sol, depois debulhar e guardar em recipiente fechado. Na região do Mediterrâneo, onde é presença comum na alimentação, o manjericão é plantado em beirais de janelas. Com propriedades que repelem insetos, afasta moscas e mosquitos. Mas suas belas flores também são vistas como ornamento. Conhecida por alguns como alfavaca cheirosa, essa planta com propriedade digestiva, antibiótica e anti-reumática é utilizada para tratamento de enjôos, problemas respiratórios e reumáticos e ainda como calmante dos nervos. Das folhas ainda podem ser extraídos óleos essenciais como o linalol. O produto - que também é obtido da árvore pau-rosa, espécie em extinção encontrada na floresta amazônica - serve de matéria-prima para a fabricação de perfumes e para o processo de aromatização de alimentos e bebidas. Não se sabe ao certo da sua origem, mas há indícios de que o manjericão tenha se espalhado pelo mundo a partir do Oriente Médio, norte da África e Índia. 

Propagação: Sementes ou um das produzidas a partir de estacas de ramos novos. Necessita de 1,2 kg de sementes para produzir mudas para um hectare ou 3,0 a 5,0 kg para semeadura direta, raleando após a germinação. 

Cultivo: Ambientes com muita luminosidade e chuvas regulares são os preferidos para o desenvolvimento da planta, que pode chegar a produzir por até três anos. O clima frio não agrada a todas as variedades, que podem ser determinadas pelo porte, formato da copa, tamanho e características do seu óleo essencial. As sementes devem ser germinadas no final da primavera, preferencialmente, em solos ricos em matéria orgânica e bem drenados. Recomenda-se uma adubação com esterco de gado bem curtido ou composto orgânico, quando necessário. O plantio pode ser feito no período de setembro a novembro. O espaçamento recomendado é de 0,6 x 0,25m entre as plantas. Embora seja bastante resistente, o manjericão pode ser atacado principalmente pela larva minadora, pelo bicho-mineiro e pelas doenças rhizoctoniose, fusariose e cercosporiose. 

Colheita e beneficiamento: As folhas para consumo fresco podem ser colhidas ao longo do ano, enquanto as folhas destinadas à secagem devem ser colhidas juntamente com as flores, na época de floração. As folhas podem ser colhidas quando a planta atingir cerca de 1,2 m de altura. faça o primeiro corte somente após três meses do plantio. Ele deve ser a 40 centímetros do nível do solo. Repita o processo a cada 50 ou 60 dias, ou quando observar que há uma aproximação das copas, a ponto de prejudicar as folhas mais baixas por impedir a luminosidade. Os cortes favorecem a produtividade, pois o manjericão volta a brotar e a ramificar. Em geral, isso ocorre aos 60 dias. A primeira colheita, no entanto, é indicada somente após três meses do plantio.
Ferreira On 6/04/2012 06:55:00 AM 3 comments LEIA MAIS

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Cultivo orgânico de hortaliças-folhosas - Couve e Rúcula - Parte II


Couve
O cultivo de couve (Brassica oleracea L. variedade acephala), muito comum em todo o país é originária da costa do Mediterrâneo onde é cultivada desde antes de Cristo. Pertence à família botânica das brássicas, assim como o repolho, couve-flor , brócolis, couve-de-bruxelas, couve-rábano, rabanete, rúcula, agrião, mostarda e nabo.
Figura 1. Hortaliça-folhosa: Couve
Uso culinário e propriedades nutricionais: especialmente utilizada na culinária portuguesa e brasileira, a couve pode ser frita ou consumida crua. O modo tradicional de consumir couve é cozida. Para preservar as vitaminas A e C, deve-se cozinhá-la rapidamente com pouca água ou preferencialmente cozida no vapor, picada e refogada com outras hortaliças ou ainda cozida em caldo para uma deliciosa sopa. É excelente fonte de beta-caroteno, que o corpo humano transforma em vitamina A, vitamina C e E e, ainda boa fonte de ácido fólico, cálcio, ferro e potássio. Uma xícara de couve contém o dobro das necessidades diárias desses nutrientes. Outros nutrientes encontrados numa xícara de couve são: 5 mg de vitamina E, 30 microgramas de folato, 135 mg de cálcio, 2 mg de ferro e 450 mg de potássio. Também fornece mais de 1g de fibras com apenas 50 calorias, o que torna a couve um alimento muito nutritivo, altamente recomendado para quem se preocupa com o peso. Além disso, a couve contém mais ferro e cálcio do que qualquer outra folhosa; seu alto teor de vitamina C aumenta a capacidade de absorção destes minerais pelo organismo. Servir couve com molho de limão ou com outras frutas cítricas na mesma refeição acelera a absorção de ferro e cálcio. O suco de couve crua com limão, além de ser eficaz como remédio contra as lombrigas (parasitoses intestinais), é nutritivo e delicioso; Ingredientes: couve, 1 limão, água e açúcar a gosto. Como fazer: bata a couve com água e coe, esprema o limão e adoce a gosto.
Propriedades terapêuticas: Contém bioflavonóides e outras substâncias que protegem contra o câncer. Ela também contém indóis, compostos que podem diminuir o potencial cancerígeno do estrogênio e induzir a produção de enzimas que protegem contra doenças. A couve, por ser muito rica em cálcio, fósforo e ferro, favorece a formação e manutenção de ossos e dentes e a integridade do sangue. Contém ainda vitamina A, indispensável à boa visão e à saúde da pele e vitaminas do Complexo B, que tem por funções proteger a pele, evitar problemas do aparelho digestivo e do sistema nervoso. Esta hortaliça é ótima remineralizante para o organismo, laxante pela sua grande quantidade em fibras e, boa para a asma e bronquite. Além disso, a couve é muito boa para combater as enfermidades do fígado, como a icterícia e os cálculos biliares, assim como os cálculos renais, as hemorróidas, e as menstruações difíceis ou dolorosas. Em suco, é um tônico excelente, muito recomendado às crianças em fase de desenvolvimento. O caldo da couve cozida é indicado nas enfermidades da pele. A couve  também combate a artrite, desinfeta o intestino, cura as úlceras gástricas e dá ótimo resultado no combate à vermes. Em caso de febre, aplica-se à cabeça do enfermo cataplasma refrescante de folha de couve, que serve, também, para tratar feridas inflamadas. As folhas de couve cozidas ao vapor e aplicadas de hora em hora, em forma de cataplasma quente, são boas para combater a gota, a artrite, as dores reumáticas em geral, e as nevralgias. Também tiram a dor em casos de inflamação dos rins e do fígado. Mesmo cozidas, podem causar flatulência (gases intestinais).
Cultivo:  O cultivo é muito fácil. Para plantar é só lascar o galho de um pé maior de couve e que tenha uns brotinhos próximos das folhas; enterre este galho em uns 10 cm de terra, depois molhe pelo menos uma vez por dia. Dentro de pouco tempo ela brota e começa a sair mais folhas. A melhor época para o plantio vai de fevereiro a maio, mas pode ser cultivada o ano todo. A cultura não é exigente, mas prefere solos levemente argilosos, ricos em matéria orgânica, úmidos e drenados, com pH entre 6 e 6,8. Nas regiões de clima ameno (até 22º C) pode ser plantada o ano inteiro, sendo que nas demais regiões deve-se escolher o período de meses úmidos e de calor menos intenso, sendo portanto uma planta típica de outono e inverno. O meio mais fácil e rápido de propagação é feito por mudas destacadas do "pé-mãe"; essas mudas são brotos que nascem nas axilas das folhas, principalmente durante a época mais quente. Propaga-se também por sementes. Um grama de sementes fornece mudas para cerca de 50 m2. As variedades de couves mais conhecidas são: Manteiga verde lisa, Manteiga verde crespa, Manteiga roxa e Gigante. Dentre as variedades, as couves-manteiga são preferidas por serem mais tenras. Os principais tratos culturais são: capinas, desbrotas e condução da planta de modo a deixar as hastes crescerem livremente. Deve-se também observar que, quando já estiverem bem altas, há possibilidade de se fazer o corte do broto central, favorecendo assim, a formação de mudas. O período crítico de competição com as plantas espontâneas é de até 30 dias após o transplante. As capinas são feitas somente nas linhas de plantio, mantendo-se as plantas de cobertura ou ainda as plantas espontâneas nas entrelinhas. Quando necessário, deve-se roçar nas entrelinhas para evitar competição com a couve. A cobertura morta (palha de arroz, de milho, de feijão, capim-elefante e outros capins é outra alternativa para o manejo de plantas espontâneas, além de conservar a umidade no solo. As adubações de cobertura, se necessário, são feitas 15 a 20 dias após o transplante e 20 dias após a 1ª. Em sistema de produção orgânico equilibrado, não ocorre ataque de pragas e doenças. As principais pragas que podem causar danos às plantas são: as lagartas (Figura 2), traças e pulgões (Figura 3). No manejo das principais pragas, a traça (Plutella xylostella) e o curuquerê da couve (Ascia monuste orseis) recomenda-se, quando necessário, produtos à base de Bacillus thuringiensis, conhecido como dipel ou o preparado de sálvia (planta medicinal e aromática). Modo de preparar a sálvia: derramar 1 L de água fervente sobre 2 colheres (sopa) de folhas secas de sálvia; tampar o recipiente e deixá-lo em repouso durante 10 minutos (infusão). Agitar bem, filtrar e pulverizar imediatamente sobre as plantas para repelir a borboleta branca que coloca os ovos nas folhas das plantas cultivadas, originando as lagartas que comem as folhas. O chá de boldo, aplicado a cada dois dias, também repele as borboletas impedindo-as de colocar os ovos nas plantas. Se houver chuvas logo após a aplicação dos preparados de sálvia ou boldo, deve-se repetir a pulverização. Quando o ataque ocorre em apenas algumas plantas e, dependendo do tamanho da lavoura, a catação manual dos ovos e lagartas é uma prática eficiente. Para o manejo de pulgões, que surgem em condições de tempo seco e quente, recomenda-se diversos preparados à base de plantas (pimenta, alho, cebola, confrei , losna e coentro – ver matéria postada neste blog em 1/7/2010). Modo de preparar a pimenta: colocar num recipiente as pimentas, preferencialmente a malagueta e, em seguida, adicionar álcool até cobrí-las. Deixar em repouso por três dias. Pulverizar as plantas atacadas, utilizando uma colher de sopa do preparado para 1 L de água. Para evitar o odor da pimenta, pulverizar, no mínimo, até 12 dias antes da colheita. A irrigação por aspersão e os inimigos naturais (joaninha), reduzem a incidência de pulgões.
Figura 2. Ataque de lagartas na couve
Figura 3. Ataque de pulgões na folha de couve
As principais doenças são causadas pelos fungos (podridão mole e fusariose), mosaico e a bactéria (podridão negra). A podridão-negra (Xanthomonas campestris pv. Campestris) é causada por bactéria e a alternariose (Alternaria brassicae e A. brassicicola) provocadas por fungos; ocorrem em condições de tempo quente e úmido. Para estas doenças, deve-se fazer o controle preventivo. Entre as medidas, destacam-se: 1) na produção de mudas utilizar sementes sadias, semeadas em bandejas de isopor com substrato isento de doenças; 2) utilizar cultivares resistentes; 3) rotação e consorciação de culturas (Figuras 4 e 5); a rotação e consorciação de culturas com espécies de outras famílias botânicas (com excessão das brássicas), especialmente com adubos verdes, principalmente leguminosas é uma prática altamente recomendável pois além de diminuir as pragas e doenças, melhora a fertilidade do solo através da reciclagem de nutrientes, aumenta a matéria orgânica, fixa o nitrogênio do ar, abafa as plantas espontâneas, cobre o solo diminuindo a erosão e, ainda mantêm a umidade do solo e 4) eliminar restos de culturas anteriores de espécies pertencentes a mesma família botânica (brássicas). Caso necessário, recomenda-se a pulverização com calda bordalesa (0,5%); é importante lembrar que este fungicida é tolerado no cultivo orgânico, mas deve-se obedecer a carência que é de 7 dias entre a última aplicação e colheita das folhas.
Figura 4. Consórcio de couve com mucuna anã e crotalária: as leguminosas, além de melhorarem a fertilidade do solo, reciclando os nutrientes, fixam o nitrogênio do ar e ainda cobrem o solo, abafando as plantas espontâneas, evitando a erosão e mantendo a umidade no solo.
Figura 5. Consórcio de couve com coentro (hortaliça-condimento que atrai inimigos naturais das pragas que atacam as hortaliças)
Colheita: pode ser feita 50 dias após o plantio das mudas e 90 dias após a semeadura. Colhe-se praticamente o ano todo. Uma boa planta produz cerca de 4 a 5 kg de folhas por ano. A couve conserva-se em geladeira em boas condições por uma semana.


Rúcula
Nem todos gostam do sabor levemente 'ardido' da rúcula. Na culinária, o uso da rúcula (Figura 6) é um pouco restrito devido a seu sabor forte que elimina o dos outros alimentos. Mas é justamente essa característica que fez a hortaliça ganhar espaço no cardápio da população brasileira. Planta originária da região do Mediterrâneo e Europa, e conhecida desde a Antiguidade, a rúcula (Eruca sativus Mill.), também conhecida como mostarda persa, pertence à família das brássicas (repolho, couve, couve-flor, brócolis, nabo, agrião, mostarda e rabanete).
Figura 6. Hortaliça-folhosa: rúcula
Uso culinário e propriedades nutricionais e terapêuticas: é servida crua em saladas ou refogada e como ingrediente de tortas, massas e sanduíches; também é utilizada como cobertura de pizza, combinada com tomates secos e muçarela de búfala. A rúcula é um excelente complemento de refeições mais pesadas (ex.: carne de porco). Em feiras, supermercados e centrais de abastecimento, a hortaliça é vendida em maços, mas também há a opção de comprá-la limpa e embalada em grandes redes de varejo. Planta herbácea, tem folhas lisas de 12 a 16 cm de comprimento, macias, perfumadas e de sabor amargo. Seus brotos são comestíveis e muito saborosos. A rúcula é rica em proteínas e vitaminas A e C, com bom teor de cálcio e ferro e pobre em calorias. A rúcula é excelente como estimulante de apetite, depurativa e diurética e, ainda indicada para diabetes.
Cultivo: prefere os climas amenos, pois com o calor emite flores, o crescimento é insatisfatório, além de prejudicar a qualidade das folhas.  A hortaliça apresenta bom crescimento entre 15 e 18 graus, pois em faixas com temperaturas mais elevadas suas folhas ficam menores e com textura inadequada para comercialização. Contudo, é possível o cultivo de rúcula mesmo em locais quentes.  Nas regiões quentes, recomenda-se a semeadura entre março e agosto. Prefere solos equilibrados entre argilosos e arenosos, com muita matéria orgânica e com acidez baixa. Terrenos com risco de encharcamento favorecem surgimento de doenças na cultura. A propagação é feita por sementes, sendo que um grama contém, em média, 525 sementes.  Há dois métodos de plantio: diretamente no canteiro definitivo ou em bandejas de isopor; em ambos deve-se manter de 20 a 25 cm de espaçamento entre linhas e à 0,5 cm de profundidade, cobrindo as sementes com terra. Na semeadura direta, usa-se apenas 0,2 grama de semente por metro linear. Em bandejas, o indicado é usar, em cada célula, de quatro a oito sementes, que germinarão entre três e quatro dias. Nas horas mais frescas do dia, deve-se fazer o transplante assim que a muda apresentar de três a quatro folhas. Quando as plantas estiverem com 10 cm de altura, faz-se o desbaste, deixando as plantas vigorosas a cada 5 cm. Após a semeadura, recomenda-se cobrir o canteiro com capim seco sem sementes, retirando-o no início da germinação das plantas ou então utilizando cobertura com sombrite, sustentada por arcos de bambu. Regas diárias são necessárias, bem como a limpeza dos canteiros, o que estimula novas brotações. Os insetos que mais atacam as plantas são: lagarta-da-couve (o adulto é uma mariposa de asas brancas com pontas pretas), lagarta-rosca (ataca as mudas à noite), traça-das-folhas (pequena lagarta que fura as folhas e as deixa rendadas) e os pulgões (de cor branca, sugam as folhas e transmitem doenças). As doenças mais comuns são: mosaico que deixa as folhas crespas; a podridão mole, mais frequente nos períodos chuvosos, causando lesões úmidas; a podridão negra que ataca as folhas deixando uma mancha na forma de "V"; a fusariose que amarela parte da folha ou do pé e o míldio que são filamentos brancos na parte inferior das folhas. Para o manejo das pragas e doenças da rúcula, vale as mesmas recomendações para a cultura da couve, pois sendo da mesma família botânica estas são comuns. A rotação e de culturas com espécies de outras famílias botânicas (com excessão das brássicas), especialmente com adubos verdes, principalmente leguminosas é uma prática altamente recomendável pois além de diminuir as pragas e doenças, melhora a fertilidade do solo através da reciclagem de nutrientes, aumento da matéria orgânica e fixação do nitrogênio do ar, abafa as plantas espontâneas, cobre o solo diminuindo a erosão e, ainda mantêm a umidade do solo.
Colheita: a hortaliça está pronta para o consumo entre 30 e 40 dias após o plantio. Deve-se evitar passar desse prazo, pois a rúcula inicia o período reprodutivo e as folhas ficam mais fibrosas. A colheita é feita preferencialmente arrancando-se a planta inteira, com folhas e raízes. Porém, pode-se apenas retirar as folhas para permitir nova brotação. Nesse caso, elas devem ser cortadas acima da gema apical. Corta-se as folhas, 3 a 4 vezes, até que se inicie o florescimento. A rúcula é comercializada em maços. Quando fresca, as folhas são bem verdes, firmes e viçosas; se estiver amareladas, murchas ou com pequenos pontos pretos, já não servem para o consumo. Para conservar a rúcula por 2 a 3 dias, coloque em saco plástico e guarde na gaveta inferior da geladeira.




















 

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

sábado, 28 de julho de 2012

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Cultivo orgânico de hortaliças-folhosas Acelga, Agrião, Almeirão ou Radiche – Parte I


    O cultivo orgânico de alface e repolho, embora sejam importantes hortaliças-folhosas, já foram abordadas neste blog, sendo as matérias postadas em 18/01/2011 e 09/02/2011, respectivamente. Por outro lado, a cebolinha e a salsa, embora sejam também consideradas hortaliças-folhosas, já foram abordadas recentemente neste blog em matéria postada no dia 21/05/2012, dentro do grupo de hortaliças-condimentos (Parte II). É importante, sempre que pensar no cultivo de hortaliças, coletar amostra do solo para análise da fertilidade e da acidez, com antecedência. A calagem e a adubação orgânica de plantio e, em cobertura recomendada, caso necessárias, será com base nesta análise, interpretada por um técnico de seu município. 

Figura 1. Hortaliças-folhosas: repolho, espinafre, agrião, rúcula, radiche, alface, salsa, couve e 
cebolinha 

Acelga 


A acelga (Beta vulgaris var. cicla) é uma planta bianual (no 1º ano apresenta o crescimento vegetativo e no 2º ano produz sementes) de ciclo longo, pertencente à família Quenopodiáceas, assim como a beterraba, que tem como parte comestível às folhas cuja coloração é variável (de verde escuro à verde claro) que são ovaladas com as bordas encouraçadas. Para que ocorra a formação de flores é necessário que a planta passe por um período de temperaturas baixas. As sementes são muito pequenas e estão encerradas em um pequeno fruto, que é comumente chamado de semente. Cada fruto contém de 3 a 4 sementes muito pequenas. A hortaliça (Figura 2) é originária da Europa, onde cresce espontâneamente e é cultivada há mais de 2000 anos, muito apreciada em São Paulo e arredores. 

Figura 2. Hortaliça-folhosa: acelga

   A acelga é uma hortaliça composta por vários e importantes nutrientes e com sabor agradável. A acelga, também conhecida como beterraba branca, é uma verdura muito nutritiva, mas ainda pouco consumida no Brasil. É rica em vitaminas (A, B, B2, B5 e C), Niacina e de sais minerais (cobre, enxofre, iodo, cálcio, ferro, fósforo, potássio e sódio). Tem poucas calorias e quase nenhuma gordura, podendo ser usada em dietas de baixo consumo calórico. A vitamina A encontrada nesta hortaliça, é indispensável para manter a saúde dos olhos, garantindo uma boa visão. Ajuda a manter a pele e as mucosas saudáveis, auxilia no crescimento e faz parte da formação do esmalte dos dentes. A vitamina C dá resistência aos vasos sanguíneos, combate processos infecciosos, evita problemas de pele, hemorragias e fortalece os ossos e os dentes. A Niacina, assim como todas as outras vitaminas do Complexo B, protege o aparelho digestivo e o sistema nervoso central. A acelga possui ainda grande quantidade de fibras que facilitam o bom funcionamento dos intestinos. Pode-se usar o suco deste vegetal, misturado em partes iguais com o suco de agrião para combater os cálculos biliares. Toma-se um copo, por dia, em jejum. Também se utiliza a acelga para combater a prisão-de-ventre, preparando um laxante poderoso com meio copo de suco de acelga e uma colher de sopa de azeite. Mas atenção, ela não deve ser consumida de forma exagerada, pois possui grande quantidade de oxalato, uma substância que prejudica a absorção de cálcio no organismo. O chá da raiz é remédio contra enfermidades do fígado. As sementes são boas para combater a disenteria, a metrorragia (sangramentos acíclicos do útero fora do ciclo menstrual normal) e a poliúria (sintoma que corresponde ao aumento do volume urinário). 

Cultivo: A acelga é uma planta de clima temperado, suportando até geadas suaves. Desenvolve-se com temperaturas que são compreendidas entre um mínimo de 6º C e um máximo de 27º a 33º C, sendo o período mais favorável entre 15º e 25º C. Em algumas regiões tropicais e subtropicais seu desenvolvimento é bom, contanto que seja cultivada em áreas altas e, nestas situações, pode se comportar como uma planta perene, devido à ausência de inverno definido nestas regiões. Requer solos profundos e ricos em matéria orgânica. Suporta muito bem solos salinos, mas requer solos alcalinos, com um pH ótimo de 7,2. Tolera solos com pH variando de 5,5 a 8, mas não tolera os solos ácidos. É uma planta que necessita de alta umidade, especialmente quando é jovem. No verão, a falta de água proporciona folhas amargas. Dentre as variedades, destacam-se a Kukai, Chinesa, Européia, Branca de Lyon e a Crespa de Lukullus. O espaçamento recomendado para esta cultura é de 0,6 entre fileiras por 0,2 m entre plantas, com 3-4 sementes por cova. A semeadura é feita em local definitivo. Para se obter melhores porcentagens de germinação, deve-se deixar de molho as sementes por 24 horas antecedendo ao plantio. Quando as plantinhas tiverem alcançado 10 a 15 cm de altura, faz-se o desbaste, deixando uma planta por cova. A vaquinha e a lagarta das folhas são as principais pragas que podem prejudicar as plantas. A rotação ou consorciação de culturas deve ser feita, especialmente com leguminosas, pois estas fornecem nitrogênio para a hortaliça. 

Colheita: As folhas externas da planta mais desenvolvidas são colhidas geralmente entre 55 e 65 dias após o plantio, cuidando-se para não danificar as folhas internas. Esta operação persiste por 3 a 4 meses. Quando for comprar acelga, atenção para as folhas que devem estar novas e na cor verde-claro, com o talo verde-esbranquiçado. A consistência deve ser firme, parecida com a do repolho. As folhas internas precisam estar viçosas, sem manchas ou marcas de insetos. Quando o talo está mole ou com manchas pretas, é sinal de que a acelga já está passada. Guarde a acelga na gaveta de verduras da geladeira, onde se conserva em bom estado durante 3 ou 4 dias. 


Agrião 

O agrião (Lepidium sativum, L.) pertence à família das Brassicaceae. O agrião (Figura 3) saiu da região Sudeste da Ásia para o continente europeu há vários séculos, espalhando-se pelo mundo. De folhas pequenas e verde-escuras, a hortaliça é uma excelente opção para enriquecer saladas. Com baixo teor calórico, o agrião é também fonte de provitamina A (especialmente betacaroteno), possui grande quantidade de vitamina C, vitaminas do complexo B e sais minerais. É uma fonte valiosa de cálcio, ferro e potássio. O talo crocante tem ainda alto teor de iodo. Para completar, as folhas apresentam um sabor picante, mas suave, que estimula o apetite. Propriedades medicinais não faltam ao agrião. O agrião é uma planta de características medicinais muito conhecidas. Atualmente, é muito utilizado em combinação com o mel de abelha, para a fabricação de xaropes ou sprays que destinam-se a combater problemas na garganta ou pulmonares, tais como tosse, rouquidão, etc. Outras propriedades medicinais do agrião são: diurético, laxante e vermífugo. É rico em antioxidantes que ajudam a prevenir o câncer. Ele é, ainda, utilizado para ajudar no tratamento de doenças nos rins, fígado e em problemas de pele. A hortaliça faz bem para o fígado, é diurética e recomendada para diabéticos. Além disso, o agrião combate o ácido úrico, tuberculose, raquitismo, formação de pedra nos rins e efeitos tóxicos da nicotina. O suco de agrião fervido com leite é expectorante e, se misturado com mel, ajuda a aliviar a bronquite. 
Figura 3. Hortaliça-folhosa: agrião
As variedades mais conhecidas são: folha larga e folha d'água. Existe ainda o agrião da terra, mais picante, conhecido também por "mastruço". Mais popular por aqui são as variedades chamadas de "agrião de água", sobretudo aquelas que pertencem ao grupo de folhas largas. Os brasileiros também costumam consumir muito o agrião de terra seca, sendo algumas vezes preferida como broto. As temperaturas ideais variam entre 16 e 20ºC, mas produz em regiões mais quentes. Os terrenos argilosos, com muita matéria orgânica e baixa acidez (pH entre 6,0 e 6,8) são os ideais. 

Cultivo do agrião d'água: O agrião (Rorippa nasturtium-aquaticum L.) é uma planta que se desenvolve em terrenos alagados ou muito úmidos e, por esta razão, é conhecido também como agrião-d'água ou agrião aquático. É uma planta de clima ameno e seu desenvolvimento é melhor em temperaturas que variam de 16 a 20ºC. Com temperaturas mais elevadas, o agrião floresce mais rápido, apresenta um desenvolvimento menor da planta, além de prejudicar a qualidade. Por ser uma planta que necessita de muita água e umidade, os solos mais indicados para o seu cultivo são os que possuem maior capacidade de retenção de água, os solos argilosos. Como é uma planta rústica e resistente, o agrião é fácil de cultivar. Porém, precisa de muita água limpa disponível. No geral, a multiplicação é feita por meio de estacas, isto é, por meio de pedaços de hastes fortes. Deixa-se depois entrar água, que não mais é retirada; com o crescimento das plantas, procura-se ir aumentando a altura da água. Pode-se também fazer a multiplicação do agrião por meio de sementes. A sementeira é feita pelos métodos comuns, tendo-se o cuidado de pulverizar bem a terra do canteiro, porque as sementes são muito miúdas. Na sementeira utiliza-se sulcos separados por 10cm e 0,5cm de profundidade. Também pode ser plantada diretamente nos canteiros. Em um grama há, aproximadamente, 5000 sementes que germinam na proporção de 40%. Para o plantio, são necessários 4 kg de sementes/ha. Com 8 cm de altura leva-se as mudas para as agrieiras. O espaçamento recomendado para o cultivo do agrião são de 20 centímetros entre plantas e 25 entre linhas. Deve-se evitar a concorrência por água e nutrientes com a eliminação de plantas espontâneas ("mato") no local. Assim que as plantinhas apresentarem ramas de cinco centímetros, é hora de realizar o raleamento. Em cada cova, é bom deixar de três a quatro plantas. As agrieiras devem sempre estar inundadas, mas somente até o ponto em que a folhagem fique fora d'água. Outro ponto importante é a utilização de adubação de cobertura. As mudas devem ser transplantadas para o canteiro durante os meses de temperaturas mais amenas. 
Cultivo do agrião do seco: O agrião do seco (Lepidium sativum L.) é uma planta herbácea anual conhecido também como agrião-de-jardim, agrião, agrião-da-índia, agrião-mouro, mastruço e mastruço-ordinário. Ele pode ser utilizado como medicinal ou na alimentação humana, sendo consumido principalmente na forma de brotos. Suas folhas basais são diferentes das folhas do caule. As folhas basais tem longos pecíolos, são duplamente lobadas, com margens denteadas e dispostas em roseta, enquanto que as folhas caulinares são lanceoladas a lineares, menores e com margens inteiras. Quando adulta pode alcançar 60 cm de altura. As inflorescências são do tipo rácimo, apresentando flores pequenas e brancas, que dão origem à frutos do tipo síliqua, deiscentes. O cultivo do agrião do seco pode ser comercial, em larga escala, ou até mesmo em apartamento para o consumo dos próprios residentes. É uma importante hortaliça para cultivar em pequenos espaços, enriquecendo a alimentação de crianças, adultos e idosos. Ele pode ser utilizado cru em saladas, sanduíches, sucos, ou cozido, temperando diversos pratos. Seu sabor é levemente picante como as outras espécies de agrião: o agrião-da-água (Nasturtium officinale) e o agrião-da-terra (Barbarea verna) . É rico em vitaminas do complexo B, vitaminas A e C, além de sais minerais. 
Colheita: após cerca de dois meses do plantio, o agrião já pode ser colhido. Antes, verifique se as folhas estão desenvolvidas e tenras. É possível fazer de três a quatro cortes, com intervalos de um mês. Os melhores cortes são os de época fria. No verão, há tendência para o florescimento, diminuindo o tamanho das folhas. Os cortes são feitos à 8 cm do solo, evitando abalar a planta. 


Almeirão ou radiche 

   O almeirão (Cichorium intybus), planta perene, conhecido também por radiche e chicória, pertencente a família botânica das Asteraceae, tem como origem a Ásia, Europa e África. É uma planta herbácea da mesma família da alface e chicória que apresenta sistema radicular do tipo pivotante, profundo e sem ramificações laterais; as folhas são lanceoladas e de sabor amargo acentuado, muito utilizadas como salada ou, em alguns casos, refogadas. Apresenta folhas alongadas, largas ou estreitas, mais ou menos pubescentes, de coloração verde ou arroxeada de acordo com a variedade. Esta hortaliça (Figura 4) é uma boa fonte de fósforo e ferro e também fornece vitaminas A, C e do complexo B. 
   Com as folhas do almeirão podem ser preparadas ricas saladas cruas, e saborosos refogados, acompanhando legumes, cereais ou carnes. Seu sabor é amargo e seu valor nutricional é superior à alface, sendo mais rico em vitaminas, minerais e fibras. As raízes prestam-se para a extração industrial do carboidrato inulina, de importantes aplicações na indústria farmacêutica e de alimentos dietéticos; e para a produção de um substituto do café, após sofrerem secagem, torrefação e moagem. As flores do almeirão também são comestíveis e podem adornar saladas com efeito surpreendente. É plantado para fins ornamentais, principalmente na Europa, devido às belas flores, que acrescentam um efeito campestre em maciços ou em conjuntos com outras flores. 

Figura 4. Hortaliça-folhosa: Almeirão ou radiche

Cultivo: produz melhor sob temperaturas amenas, sendo cultivado, geralmente, no outono-inverno; à cultura se adapta melhor à semeadura direta; o espaçamento entre linhas varia de 20cm a 40cm;.é uma espécie que sofreu intenso melhoramento genético, disponibilizando atualmente plantas com folhas abertas, de cabeça (folhas justapostas e fechadas) e plantas de raiz mais engrossada. As principais variedades são "Catalonha", "Pão-de-açúcar", "Radiche (Folha larga)", "Palla Rossa", "Madnesburgo (de raiz)" e "Spadona". Deve ser cultivado sob sol pleno, em solo fértil, bem drenável, enriquecido com matéria orgânica e irrigado regularmente. Tolera o frio e o calor. O solo deve estar bem preparado na ocasião do plantio. Multiplica-se por sementes diretamente no local definitivo. O desbaste deve ser realizado quando as plantas atingirem 10 cm, deixando uma planta a cada 15 cm. 
Colheita: A colheita inicia-se em 80 dias no verão e 100 dias no inverno. Apesar de perene é cultivada como anual, .efetuando-se o corte das folhas externas, obtendo-se até 6 colheitas parceladas; as folhas são comercializadas na forma de maços. O almeirão, como a maioria das hortaliças-folhosas, estraga-se rapidamente, murchando e amarelecendo depois de colhido. O almeirão pode ser mantido por até três dias na geladeira 


































quinta-feira, 5 de julho de 2012

Cultivo orgânico de hortaliças-condimentos - Parte V - Final coentro e pimenta


Coentro



O coentro (Coriandrum sativum L.), pertencente a família botânica das Umbelliferae (aipo e batata-salsa), é originário da Costa do Mediterrâneio (Sul da Europa, Oriente Médio e África do Norte). É uma planta anual, herbácea, com caule cilíndrico, estriado e pouco ramificado, que pode atingir de 0,70 a 1 m de comprimento. As folhas são de coloração verde-brilhante que exalam um aroma forte e fétido quando esmagadas, lembrando o cheiro exalado por percevejos (Figura 1). O florescimento ocorre entre a primavera e o verão. 
Figura 1. Coentro

Principais usos: O coentro, também chamado de coentro-das-hortas, é um excelente condimento, de uso generalizado não só no Brasil como em quase todo o mundo, sendo particularmente utilizado para temperar peixes. Suas sementes são ricas em retinol, tiamina, riboflavina, niacina, cálcio, fósforo, ferro e ácido ascórbico. Nos frutos, encontramos também vitamina C. 
   O coentro pode ser encontrado na forma de ramos, grãos ou em pó. Pode ser empregado para temperar carnes, sopas, legumes, patês, biscoitos, pães, bolos e variados pratos salgados. Como uso terapêutico, é indicado em casos de flatulência e diarréia. É vermífugo, carminativo e estimulante das funções digestivas. Ajuda a disfarçar o hálito, quando mastigado imediatamente após o consumo de alho. 
   O coentro também pode ser utilizado no manejo de insetos-pragas: quando consorciado com tomate diminui o ataque da traça do tomateiro e da mosca branca, além de atrair inimigos naturais de diversas pragas que atacam as hortaliças. O preparado com coentro é eficiente no manejo de ácaros e pulgões. Como preparar: cozinhar folhas de coentro em 2 L de água; para pulverizar as plantas, acrescentar mais água. 

Propagação: por sementes. 

Cultivo: o coentro é uma planta que tolera bem tanto o frio como o calor, assim como curtos períodos de seca. O plantio é feito através de seus frutos ou sementes. A semeadura deve ser em local definitivo, em canteiros bem preparados, utilizando-se 15 a 25 kg de sementes por hectare. Cada região tem sua época mais adequada, mas recomenda-se que seja feita no início da primavera. Deve-se evitar a semeadura no período de inverno, devido principalmente ao risco de ocorrência de geadas. Usar espaçamento entre as linhas de 30 cm, para solos livres ou com pouca ocorrência de plantas espontâneas. As sementes devem ser semeadas nos sulcos das linhas a uma profundidade de 2 a 2,5 cm, e cobertas com 1 a 2 cm de terra. Utilizar espaçamento de 2 a 5 cm, entre as sementes na linha. A germinação ocorre no período de 7 a 14 dias. Deve-se então realizar o desbaste, eliminando as plantas fracas e determinando-se o espaçamento final entre uma planta e outra na linha, de 15 a 25 cm. Os solos férteis, profundos, bem drenados e com boa exposição à radiação solar são os preferidos. Devem ser evitados solos ácidos e os que retêm muita umidade. Solos ricos em nitrogênio e adubações nitrogenadas intensas devem ser evitadas, pois o excesso de nitrogênio atrasa o amadurecimento das sementes ou prolonga o período de progressivo amadurecimento e reduz a produção. Adubações com fósforo e potássio no mesmo ano do plantio produzem sementes mais aromáticas. Realizar controle e combate de ervas daninhas. Irrigar ou drenar o solo, e adubar, sempre que necessário.

Wilt, oídio e fel-tronco são as principais doenças. O Wilt causado pelo fungo Fusarium oxysporum f.sp. corianderii pode ser facilmente reconhecida no campo pela inclinação das porções terminais, seguido de murchamento e secamento de folhas, o que pode resultar em morte. Aração profunda deve ser feito durante a temporada de verão. Rotação de culturas em áreas atacadas pela doença, por 2 ou 3 anos, também é recomendado. O Oídio causado pelo fungo Erysiphe polygoni aparece como pequenas, brancas manchas circulares em partes jovens de caules e folhas. Estes aumentos em tamanho, muitas vezes se aglutinam para cobrir extensas áreas de superfície da folha. As folhas afetadas são reduzidas em tamanho e distorcidas. Para controlar esta doença, pó de enxofre (20-25 kg/ha) é eficiente.    
    Pulverização de enxofre molhável 0,25% também pode controlar esta doença. Outra doença que pode causar prejuízos a lavoura é o Fel-tronco causado pelo fungo Protomyces macrosporus; galhas aparecem nas folhas e caules das plantas afetadas por esta doença.
Colheita: A colheita dos frutos é realizada a partir do momento em que 50 a 60% dos frutos, apresentam cor amarelo-dourado ou marrom-claro-amarelado, ou pardo, conforme a variedade. A colheita é feita, cortando-se os ramos com as umbelas (extremidades dos ramos onde estão os frutos). As umbelas cortadas podem ser colocadas em recipientes sem furos, para serem transportados para o local de secagem. A colheita das folhas é feita a partir do momento em que a planta possui folhas suficientes que possam ser colhidas, sem prejudicar o seu desenvolvimento, encerrando a colheita quando surgirem os primeiros órgãos que originarão as flores.

Pimentas
(Fonte: www.cnph.embrapa.br/paginas/sistemas_producao/cultivo_da_pimenta.htm)
   As espécies de pimentas do gênero Capsicum pertencem à família botânica Solanaceae, como o tomate, a batata, a berinjela e o jiló. Dentre as espécies do gênero Capsicum, cinco são domesticadas e largamente cultivadas e utilizadas pelo homem: Capsicum annuum; C. bacccatum; C. chinense; C. frutescens e C. pubescens. Destas, apenas C. pubescens não é cultivada no Brasil. Com a chegada dos navegadores portugueses e espanhóis ao continente americano, muitas espécies de plantas foram descobertas, entre elas as pimentas. As pimentas do gênero Capsicum já eram utilizadas pelos nativos e mostraram-se mais picantes (pungentes) que a pimenta-do-reino ou pimenta-negra, do gênero Piper, cuja busca foi, possivelmente, uma das razões das viagens que culminaram com o descobrimento do Novo Mundo. É igualmente substancial a contribuição histórica brasileira na dispersão destas plantas pelo mundo, eficientemente feita pelos navegadores portugueses e pelos povos que eram transportados em suas embarcações. As rotas de navegação no período 1492-1600 permitiram que as espécies picantes e doces de pimentas viajassem o mundo. As pimentas foram então, introduzidas na África, Europa e posteriormente na Ásia. O cultivo de pimentas ocorre praticamente em todas as regiões do país e é um dos melhores exemplos de agricultura familiar e de integração pequeno agricultor-agroindústria. As pimentas (doces e picantes), além de serem consumidas frescas, podem ser processadas e utilizadas em diversas linhas de produtos na indústria de alimentos. A área anual cultivada é de cerca de dois mil ha e os principais estados produtores são Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Ceará e Rio Grande do Sul. Altas cotações para o produto são alcançadas nos meses de inverno quando o Sul e Sudeste são abastecidos principalmente, pela produção das regiões Nordeste e Centro-Oeste,
Principais usos: Diversos relatos de exploradores do Brasil-colônia demonstram que a pimenta era amplamente cultivada e representava um item significativo na dieta das populações indígenas. Ainda hoje, a importância das pimentas continua grande, seja na culinária, nas crenças, na medicina alopática ou natural e inclusive como arma de defesa. São remédios para artrites (pomadas a base de capsaicina), dores musculares (emplastro 'Sabiá'), dor de dente, má digestão, dor de cabeça e gastrite. A capsaicina, responsável pela pungência das pimentas, é a única substância que, usada externamente no corpo, gera endorfinas internamente que promovem uma sensação de bem-estar, acionando o potencial imunológico. Os índios Caetés foram os primeiros brasileiros a usar a pimenta como arma, sem imaginar que séculos depois a oleorresina de pimenta em aerossol ou em espuma, os famosos 'pepper spray' e 'pepper foam', seriam utilizados pela polícia moderna. Além do mercado interno, parte da produção brasileira de pimentas é exportada em diferentes formas, como páprica, pasta, desidratada e conservas ornamentais.
O extrato de pimentas picantes, especialmente a pimenta malagueta é eficiente para o manejo de grilos, paquinhas, lagarta rosca, vaquinhas e pulgões que atacam as hortaliças. Modo de preparo: coloca-se a quantidade disponível de pimentas num frasco, acrescentando-se álcool, até cobrí-las;  fecha-se e deixa-se curtir por pelo menos 3 dias. Após, o extrato já pode ser utilizado ou armazenado em local escuro. Recomenda-se uma colher de sopa deste extrato por litro de água para pulverizar as plantas. Mas também é possível utilizar dosagens mais fortes (até 1%) para aplicações em hortas. Seu uso deve ser repetido após chuvas ou irrigação. Usar luvas ao manipular a pimenta e vestimenta de proteção ao aplicar o extrato. Quando utilizar este extrato em hortaliças folhosas e hortaliças-frutos, deve-se obedecer um período de carência mínima de 12 dias da colheita para evitar a obtenção de frutos e folhas com forte odor.
Propagação: por sementes
Cultivo: A pimenteira é uma planta exigente em calor, sensível a baixas temperaturas e intolerante a geadas, por isso deve ser cultivada preferencialmente nos meses de alta temperatura, condição que favorece a germinação, o desenvolvimento e a frutificação, obtendo-se assim, um produto de alto valor comercial com menor custo de produção. Nas diferentes regiões produtoras do Sul e Sudeste do país as temperaturas elevadas consideradas ideais acontecem na primavera e verão, sendo indicados os meses de agosto a janeiro para semeadura. Entretanto, nas regiões serranas e de temperaturas mais amenas, a época mais conveniente é de setembro a novembro em razão de sua exigência em temperaturas elevadas. Os solos utilizados para o cultivo de pimenta devem ser profundos, leves, drenados (com bom escoamento de água, não sujeitos a encharcamento), preferencialmente férteis, com pH entre 5,5 a 7,0. Devem ser evitados solos salinos ou com elevada salinidade, uma vez que as pimentas, assim como pimentão, são sensíveis.
Recomenda-se que sejam evitadas áreas que tenham sido cultivadas nos últimos 3-4 anos com outras plantas da família das solanáceas (como batata, tomate, berinjela, pimenta, jiló, fumo, Physalis) ou Cucurbitáceas (como abóbora, moranga, pepino, melão e melancia). Áreas com cultivos anteriores de gramíneas (milho, sorgo, arroz, trigo, aveia), leguminosas (feijão, soja) ou aliáceas (cebola, alho), são as mais indicadas. A quantidade de adubo a ser aplicada é determinada com base na análise química do solo. A maioria das cultivares de pimentas plantadas no Brasil como a ''Malagueta'' (Capsicum. Frutescens – Figura 2), 'Dedo-de-Moça' (C. baccatum), 'Cumari' (C. baccatum var. praetermissum), 'De Cheiro' e 'Bode' (C. chinense), são consideradas variedades botânicas ou grupos varietais, com características de frutos bem definidas. Normalmente, o produtor produz sua própria semente, e as diferenças existentes dentro destes grupos estão relacionadas às diferentes fontes de sementes utilizadas para o cultivo. O transplante é realizado quando as mudas apresentarem de 4 a 6 folhas definitivas ou aproximadamente 10cm de altura. No caso de terem sido formadas em sementeiras, as mudas devem ser retiradas com cuidado, preferencialmente com o torrão para se evitar danos às raízes. Os espaçamentos dos sulcos de plantio ou canteiros são definidos de acordo com a cultivar ou tipo de pimenta, região de plantio ou ciclo da cultura (Tabela 1). As hastes lenhosas da maioria dos tipos de pimenta dispensam tutoramento e desbrota. Entretanto, caso apareçam brotações na haste principal abaixo da primeira bifurcação, elas podem ser retiradas. Em locais de ventos fortes, pode ocorrer a necessidade de se fazer tutoramento da planta (colocando-se uma estaca de madeira ou bambu junto à planta) ou o plantio de quebra-vento em volta do campo (capim-elefante, milho, cana-de-açúcar).
Figura 2. Pimenta malagueta
   A deficiência de água, especialmente durante os estádios de floração e pegamento de frutos, reduz a produtividade em decorrência da queda de flores e abortamento de frutos. Todavia, plantas de pimenta submetidas a deficiência moderada de água no solo produzem frutos mais pungentes, com maior teor de sólidos solúveis e de matéria seca. O excesso de água no solo também pode comprometer a produção de pimentas. Irrigações excessivas, principalmente em solos de drenagem deficitária, prejudica a aeração do solo e favorece o desenvolvimento de várias doenças de solo, como a causada por Phytophthora capsici.
Tabela 1. Informações sobre espaçamentos, época de plantio e ciclo dos principais tipos de pimentas em diferentes regiões do país.  

    O produtor de pimenta procura, sempre que possível, cultivar áreas sob rotação de culturas, evitando aquelas previamente utilizadas com solanáceas. A rotação adequada de culturas é importante para o manejo de plantas espontâneas, pois as práticas culturais provocam mudanças na população de plantas, havendo a cada ano uma nova relação de interferência entre as diferentes espécies. Para que as doenças sejam bem controladas é necessário que a cultura seja bem conduzida, ou seja, que a planta não esteja sujeita a estresses provocados por fatores diversos, tais como época de plantio desfavorável, adubação desbalanceada, ferimentos nas plantas, competição com plantas daninhas e o uso de cultivares não adaptadas ao clima. Dentre estes fatores, deve ser dada atenção especial ao tipo de solo e modo de irrigação. Plantas de pimenta são muito sensíveis a solos encharcados e morrem prematuramente por esta causa. O controle de doenças de plantas é, mais que tudo, 'medicina preventiva', ou seja, a estrita observação de medidas que devem ser adotadas antes mesmo do plantio.
A seguir, são mencionadas algumas medidas para evitar o aparecimento de doenças ou reduzir seu efeito:
1. Plantar sementes de boa qualidade, adquiridas de firmas idôneas. Em caso de produção própria, devem ser escolhidas as plantas saudáveis para se retirar sementes. Muitas doenças das pimentas são transmitidas pela semente;
2. Preferir variedades bem adaptadas ao clima local e à época de plantio, e que tenham resistência às principais doenças que ocorrem na região. Estas informações podem ser obtidas em catálogos de empresas de sementes;
3. Escolher para instalação da cultura uma área bem ventilada, que não tenha histórico de plantio recente com solanáceas (pimentão, tomate, berinjela, jiló), com solo bem drenado, não sujeita a empoçamento de água;
4. Fazer uma adubação balanceada, baseada em análise do solo. Falta ou excesso de nutrientes são causas freqüentes de distúrbios fisiológicos graves;
5. Produzir ou adquirir mudas sadias. Infecções precoces, provocadas por semente contaminada ou substrato infestado, dificultam sobremaneira a manutenção da sanidade nas plantas adultas. Sementeiras devem ser feitas preferencialmente em telados instalados em locais separados do campo de cultivo, onde as mudas ficam protegidas de vetores de viroses;
6. Evitar o excesso de água na irrigação, pois este é o fator que mais afeta o desenvolvimento de doenças, em especial aquelas associadas ao solo;
7. Usar água de irrigação de boa qualidade, que não tenha sofrido contaminação antes de chegar à propriedade;
8. Controlar os insetos que são vetores de viroses e que provocam ferimentos nas plantas, principalmente nos frutos;
9. Evitar ferimentos à planta durante as operações de amarrio, capinas, irrigação ou outros tratos culturais;
10.Realizar as pulverizações de preferência de forma preventiva, quando as condições climáticas forem favoráveis a uma determinada doença. Após o seu estabelecimento, a maioria das doenças não pode mais ser controlada;
11.Evitar ao máximo o trânsito de pessoas e de máquinas que podem levar estruturas de patógenos de uma área para outra. Em cultivos protegidos, recomenda-se colocar uma caixa com cal virgem na entrada para desinfestação de calçados;
12.Destruir os restos culturais, que normalmente hospedam populações de patógenos e insetos. Esta destruição pode ser feita por enterrio profundo ou queima controlada;
13.Realizar rotação de culturas, de preferência com gramíneas, tais como milho, trigo, arroz, sorgo ou capim. Esta medida é muito importante para o controle de doenças de solo, mais difíceis de serem controladas;
14.Inspecionar a lavoura com freqüência para identificar possíveis focos de doença, ainda em seu início.
O controle de insetos e ácaros deve ser feito de maneira integrada, onde práticas como a destruição de restos culturais, eliminação de plantas hospedeiras silvestres ou voluntárias, rotação de culturas, utilização de cultivares resistentes, utilização de mudas sadias, além de mecanismos que assegurem a presença de inimigos naturais nas áreas cultivadas, sejam combinadas com pulverizações produtos alternativos recomendados no sistema de produção orgânico;
Colheita: As pimentas apresentam diferentes pontos de colheita, de acordo com cada tipo, região de cultivo e época do ano. O ciclo da cultura e o período de colheita são afetados diretamente pelas condições climáticas e pelos tratos culturais, como adubação, irrigação, incidência de pragas e doenças, e a adoção de medidas de controle fitossanitário. De uma maneira geral, as primeiras colheitas são feitas a partir de 90 dias após a semeadura para as pimentas mais precoces, como a 'Murupi', e após 120 dias para as mais tardias. O ponto de colheita ideal das pimentas é determinado visualmente, quando os frutos atingem o tamanho máximo de crescimento e o formato típico de cada espécie, com a cor específica demandada pelo mercado: verde para a pimenta 'Cambuci'; vermelho para a 'Malagueta'; amarela ou vermelha para a pimenta 'Bode'; verde-claro para a 'De Cheiro'; amarela para a 'Cumari do Pará'; e amarelo-claro para a 'Murupi'. As pimentas são mais difíceis de serem colhidas quando comparadas com pimentão devido ao menor tamanho dos frutos e a arquitetura da planta, principalmente aquelas de menor porte e com maior número de galhos. Para efetuar a colheita das pimentas com plantas de porte mais baixo, como a 'Cumari do Pará' e 'Malagueta', é necessário que os apanhadores fiquem agachados ou curvados, enquanto para aquelas pimentas com plantas mais altas, como a 'Bode', é possível fazer a colheita em pé, em uma posição mais confortável. A posição dos frutos das pimentas, seu tamanho e a resistência do pedúnculo também interferem na velocidade da colheita.
    As pimentas 'Bode' e 'Dedo-de-Moça' possuem frutos maiores e são mais fáceis de apanhar, sendo possível colher até 60kg/dia/operário, enquanto as pimentas 'Malagueta' e 'Cumari do Pará' possuem frutos menores, o que reduz a velocidade da colheita (aproximadamente 10kg/dia/operário). As pimentas são colhidas manualmente, arrancando-se os frutos das plantas com ou sem os pedúnculos, dependendo do tipo de pimenta e o uso do produto. Cada colhedor utiliza um recipiente pequeno, como uma lata, prato ou bolsa para recolher os frutos das plantas. Um recipiente adequado para a colheita das pimentas pode ser feito a partir de garrafas plásticas de refrigerante de 2L do tipo 'PET', cortando-se o terço superior da garrafa e colocando-se um cordão em duas extremidades laterais para pendurar no pescoço. Além de ser um recipiente barato e fácil de ser feito, o operário fica com as duas mãos livres para executar a colheita, sendo possível segurar os ramos e destacar os frutos sem quebrar a planta. Depois de cheios, estes recipientes são vertidos em baldes ou latas maiores (5-10L) ou então em caixas localizadas estrategicamente próximas do local de colheita. Quando as pimentas são destinadas especificamente para a indústria de conservas e molhos, podem ser apanhadas sem o pedúnculo diretamente no campo. Para aquelas pimentas com maior resistência do pedúnculo, como a 'Bode' e a 'Dedo de Moça', às vezes é necessária uma operação adicional no galpão de beneficiamento para retirar completamente o pedúnculo dos frutos destinados para conservas. As pimentas mais picantes ('ardidas'), como a 'Malagueta', causam irritação e até queimaduras na pele das mãos dos colhedores devido aos teores mais elevados de capsaicina, o composto químico responsável pela ardência nas pimentas. Pessoas com pele muito sensível devem utilizar luvas ou outro material de proteção na colheita, embora causem desconforto pelo suor e dificultem a operação. Existem indicações de alguns produtos que podem aliviar as queimaduras e irritação causadas pela capsaicina, como álcool, água sanitária, água ou leite quentes.    
    Aparentemente, a melhor indicação para reduzir os efeitos negativos das pimentas mais ardidas ou picantes é usar óleos vegetais (soja, canola, girassol), azeite de oliva, banha, manteiga ou margarina ou outros produtos a base de gordura, por que a capsaicina é uma substância lipossolúvel, ou seja, solúvel em óleo e outros tipos de gorduras. Este tratamento não elimina completamente o desconforto das queimaduras, mas pode reduzir parcialmente a concentração do composto das mãos. Os colhedores devem sempre se lembrar de não se coçarem ou tocar partes sensíveis do corpo, como olhos e boca, enquanto executam a colheita por conta das queimaduras e pela irritação causadas pelas pimentas, principalmente pela exposição contínua. O horário ideal para a colheita das pimentas é nas horas menos quentes do dia, no início da manhã e no final da tarde. Quando não é possível colher tudo nestes dois períodos, deve-se armazenar os frutos colhidos sempre a sombra, em local arejado e fresco. A exposição direta ao sol aumenta a respiração e a perda de água, resultando em murcha e deterioração dos frutos. Deve-se também evitar a colheita de frutos molhados pela chuva ou orvalho porque tendem a apodrecer mais rapidamente durante o transporte e a comercialização. Restos de folhas e galhos também devem ser eliminados porque podem tendem a fermentar rapidamente, principalmente quando molhados ou úmidos, e assim aumentar a temperatura no interior das embalagens e reduzir a durabilidade pós-colheita dos frutos. À medida que baldes, caixas e sacos com as pimentas no campo vão ficando cheios, devem ser transportados até pequenos galpões ou sob a sombra de árvores nas margens da plantação. Estes galpões podem ser construídos de modo simples, com uma cobertura de plástico preto recoberto com capim ou folhas de palmeira, servindo para proteger as pimentas do sol direto e da chuva. Posteriormente, os frutos são acondicionados em sacos plásticos grandes (30kg) ou caixas plásticas ou de madeira (15kg), ou outro tipo de embalagem demandado pelo mercado. Para as pimentas destinadas para a indústria de molhos e conservas, é possível retirar os pedúnculos dos frutos em galpões ao lado da lavoura e armazenar as pimentas diretamente em recipientes plásticos de 50L ('bombas' ou 'bombonas') com a calda apropriada, feita a base de vinagre ou outro tipo de álcool e sal.   Este processo reduz problemas de conservação pós-colheita dos frutos de pimenta colhidos mantidos in natura.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Cultivo orgânico de hortaliças-condimentos - Parte IV Manjerona e orégano


    

  O cultivo orgânico de hortaliças-condimentos é a melhor forma de garantir as características fitoquímicas e farmacológicas do produto para o mercado.

Manjerona

   A manjerona (Origanum Majorana L.), pertencente a família das Lamiaceae, é originária do Oriente Médio. A Manjerona era uma planta medicinal muito popular entre os gregos antigos. O nome próprio em grego significava "alegria da palavra das montanhas". A manjerona era uma das ervas favoritas de Afrodite (deusa do amor) e simbolizava a felicidade. Até hoje, é tida como a erva do amor eterno, usada em enfeites por noivos e amantes. Quem visita a Grécia, se depara com manjeronas silvestres cobrindo a paisagem, exalando seu perfume singular. Foi introduzida na Europa na Idade Média, sendo muito apreciada pelas damas sob a forma de sachês. As folhas são bem pequenas ovaladas verde-claras e flores brancas minúsculas que surgem no verão. Nos entrenós os talos que tocam o chão ocorrem o enraizamento espontâneo. Planta perene tipo arbusto que cresce até 60 cm de altura com os ramos cobertos de folhas ovais verdes escuras, com flores esbranquiçadas nos cachos. Toda a planta é extremamente aromática.
Principais usos: é conhecida como substituta do manjericão e do orégano por seu sabor ser parecido com ambos. Muito utilizada no tempero de aves, principalmente em recheio de frangos. A manjerona deve ser utilizada em pratos de cozimento rápido ou no final da preparação, já com o fogo desligado, para não perder seu aroma delicado. Usada em maionese, pizza, ,pastéis, molhos, patês, sopa de batata (suflê), com manteiga derretida, em legumes cozidos, feijão branco, omeletes, ovos mexidos, carne moída, manteiga derretida para peixes grelhados, recheios de frango e lingüiças em geral. Pode ser usada fresca, em raminhos picados, ou seca. Normalmente faz parte do tempero de galetos. Como especiaria, a manjerona possui forte cheiro aromático e pronunciado sabor de especiaria. Também não é rara a sua utilização em saladas e legumes, verduras cruas e regimes dietéticos. Deve, porém, ser empregada em pequenas doses, para não se notar excessivamente o seu sabor.

   As principais propriedades terapêuticas são: Indicada para o tratamento de feridas, queimaduras, astenia, sistema nervoso, resfriado, dor de cabeça, insônia, fraqueza do músculos, sílica nos intestinos, cólicas gástricas, intestinais e menstruais, incontinência dos instintos sexuais Usada na inalação, ajuda a eliminar muco e catarro, prevenindo a sinusite. Folhas frescas e cozidas aplicadas com gaze são boas desinflamadoras no caso de pancadas, feridas e tumores. O responsável pelas propriedades medicinais da manjerona é seu princípio ativo, constituído por tanino e óleo essencial, que garante o efeito expectorante e digestivo. Na forma de chá, a erva pode ajudar no tratamento contra o reumatismo e todas as formas de artrite. Nas corizas crônicas e para o tratamento de feridas pode utilizar-se um ungüento de manjerona, tal como é preparado nas farmácias. É popular o emprego do óleo de manjerona nas varizes, na gota, no reumatismo e nas doenças glandulares.

   Com os galhos secos da planta fazem-se sachês para perfumar roupas, travesseiros de ervas e arranjos de flores. Um bom banho de banheira revigorante e tônico se completa com a inclusão na banheira de uma infusão forte de manjerona.

  Na Europa, o suco da manjerona já foi muito usado para lustrar móveis e tingir lãs de vermelho-púrpura. Hoje, em muitos países, indústrias especializadas utilizam a erva para aromatizar bebidas, condimentos, carnes, sopas em pó, sorvetes, balas, etc.

Propagação: A manjerona pode se propagar por sementes, divisão de touceiras ou por estacas. A divisão de touceiras e/ou estacas deve ser realizada no outono ou no inverno. Por sementes, o ideal é na primavera, gastando-se 1 grama de semente/m2, sendo que a germinação ocorre em torno de 10 dias.

Cultivo: É uma planta perene em regiões de clima quente, porém, em climas muito frios é anual por não suportar temperaturas muito baixas. A planta gosta de solos arenosos ou areno-argilosos, ricos em matéria orgânica e com boa drenagem, com pH entre 6,0 e 7,0. O clima úmido é ideal, entretanto, é preciso atenção: o solo não deve ser excessiva e constantemente molhado. As plantas que crescem e se desenvolvem em climas secos e com temperaturas elevadas adquirem um sabor mais apimentado e apresentam odor mais forte, penetrante e amargo. O local deve receber sol pelo menos uma parte do dia, mesmo quando cultivada dentro de casa. Deve-se deixar uma distância de 40 cm entre linhas e de 25-30 cm entre plantas. Em solos férteis e climas favoráveis, pode-se deixar uma distância de 50 cm entre linhas e de 30 cm entre plantas. Deve-se escolher dias nublados e solo úmido, evitando-se os dias secos de verão. Se o objetivo do plantio for apenas as folhas, sem as flores, é recomendável retirar as pontas dos ramos que ameaçam formar os futuros órgãos florais e flores. Isso pode ser feito com o auxílio de uma tesoura ou simplesmente com os dedos

   Assim, as folhas se desenvolverão mais vigorosas. Em boas condições de cultivo, normalmente não há incidência de doenças e pragas. A manjerona é própria também para o cultivo em vasilhame ou caixotes, tanto mais que para uma família média bastam algumas plantas.

Colheita: é feita por ocasião do aparecimento dos primeiros botões apicais, indicadores do início da floração. Portanto, o tempo da colheita é imediatamente antes de dar flor, porque a planta possui então maior força como condimento. Já para a colheita de flores, a planta florida deve ser cortada no momento em que as primeiras flores se abrem, mas antes que os demais botões florais na mesma haste tenham se aberto completamente. As plantas cortadas não devem ficar expostas à chuva, porque perdem a cor e assim dificilmente se vendem. Escolhem-se dias secos e horas favoráveis à colheita. Corta-se sempre, no mínimo a 3cm acima do solo para favorecer um bom rebrote das plantas. A colheita é variável, dependendo do número de cortes possíveis e do crescimento das plantas, ficando em 10 a 15 t em 3 cortes de plantas verdes, que ficarão reduzidas a 2,5 a 3 t de planta seca. Após o 4º ano a cultura deverá ser renovada.

Orégano

   O orégano, conhecido cientificamente como Origanum vulgare L., pertence à família Lamiaceae (Labiatae) da qual também faz parte, manjericão (Ocimum basilicul L.), alfavaca (Ocimum gratissimum L.), hortelã (Mentha arvensis L.), alfazema (Lavandula angustifolia Mill.), alecrim (Rosmarinus officinalis L.) e sálvia (Salvia officinalis L.). O orégano é conhecido por muitos nomes, sendo eles orégão, manjerona silvestre ou manjerona rasteira. A palavra "orégano" tem origem grega e quer dizer "alegria da montanha". Para os gregos esta erva possui a magia de trazer felicidade. O orégano é uma planta perene, tem entre 25-40 cm de altura, folhas opostas, ovais, verde-escuras, pecioladas, inteiras ou serrilhadas, com aproximadamente 35 mm de comprimento, ou seja maior que a da manjerona e com extremidades pontiagudas. Com duração de 4 a 6 anos, seca no inverno e rebrota no verão. As hastes são consideradas anuais e se não forem colhidas, secam. Nativa de regiões montanhosas do sul da Europa e da Ásia ocidental vegeta espontaneamente em diversas regiões da Europa. A espécie Origanum vulgare L. é cultivada no Brasil principalmente nas regiões sul e sudeste, onde foi aclimatada há muito tempo, sendo bastante popular.

Principais usos: A grande utilização é como especiarias na culinária, podendo ser utilizado em carnes, molhos de tomate e outros tipos de massas, sendo o ingrediente fundamental da pizza. De preferência, não cozinhe este tempero, seja ele fresco ou seco, adicione-o ao prato depois de pronto, pois ele perde seus benefícios terapêuticos com o cozimento. A partir de estudos recentes, o orégano foi classificado como a planta de mais alta atividade antioxidante, até mais que a vitamina E. O óleo é usado na composição de aromatizantes de alimentos e perfumes, além de possuir efeito inibitório sobre diversas bactérias alimentícias e fungos. Orégano é um estimulante para o estomago, especialmente nos casos de perda do apetito, dificuldade de digestão ou gases. Além disso é carminativo; antiespasmódico; expectorante, especialmente nos casos de bronquite ou asma; antisséptico; diurético; sudorífico, eliminando as toxinas do organismo; também é muito usado contra anemia. É muito bom também contra a insónia, o estresse, cansaço nervoso, exaltações febris, e em seu uso externo alivia dores reumáticas e articulares como também para combater a celulite. Também é emenagogo, o que quer dizer que reduz as dores menstruais, assim como o que vem depois: dor de cabeça, de estômago e retenção de líquidos. É um antioxidante, o que pode ser muito vantajoso para os tratamentos de Aids e Câncer. 

 Orégano: Origanum vulgare L.

Propagação: As formas possíveis de propagação da cultura do orégano são por sementes, estacas ou divisão de touceiras. As sementes são muito pequenas tendo em um grama aproximadamente 12.000 sementes e devem ser semeadas de preferência na primavera em sementeiras ou bandejas. 

Cultivo: O orégano tem preferência por regiões de clima subtropical com bastante luminosidade. Em locais mais quentes, ganha aroma mais intenso, sabor mais picante e perfume mais persistente. Não tolera alta umidade relativa do ar, nem exposição direta aos ventos fortes e frios e também não suporta geadas acentuadas; está entre as espécies com resistência a grandes variações de altitude (50 a 3400 m) e temperatura. Temperaturas abaixo de 5 ºC acarretam retardo de crescimento e queima dos bordos das folhas. O orégano uma cultura que se alastra no solo, com isso o desbaste de plantas invasoras passa a ser um importante manejo, evitando incidência de pragas e doenças, competição pelos nutrientes do solo e consequentemente baixa produção. O amontoamento de terra ao redor da planta é uma prática realizada a fim de proteger a planta, proporcionar a multiplicação dos ramos, evitar o ataque de fungos e o apodrecimento das raízes. Manter a área cultivada sempre coberta é um manejo importante para a conservação do solo. A aplicação da cobertura morta ou mulch deve ser feita na área toda, evitando somente a aplicação muito próxima ao contorno da planta para não abafá-las. As pragas mais comuns na cultura são pulgões verdes (Macrosiphum solanifoli), formigas e brocas dos ponteiros, ácaros (Tetranichus sp.), lagarta-falsa-medideira (Pseudoplusia sp.) e nematóides (Meloidoginesp.). As doenças mais comuns são devido a excesso de umidade no solo causando incidência de fungos comoPuccinia sp., Fusarium sp., Phoma sp, e carência de nutrientes. A Puccinia sp. é um dos patógenos de maior importância agrícola e econômica por reduzir a produtividade, depreciar o produto causando assim, sérias perdas em plantios comerciais.

Colheita e beneficiamento: A colheita de ramos e folhas deve ser feita quando a planta estiver no começo da floração (15% a 20% de flores/planta), iniciando-se o processo de colheita para comercialização no ano seguinte do plantio. O período mais adequado para se fazer a coleta do material é em dias secos, logo depois a evaporação do orvalho, fim do verão o começo do outono. No primeiro ano de colheita, estima-se produção de 3 toneladas métricas de folhas/ hectare; a partir do segundo ano, fazendo-se dois cortes por ano, a produção fica em torno de 15 toneladas métricas de folhas/hectare/ano. Após a colheita do orégano, deve-se fazer a desfolha, retirando as folhas dos ramos. Na limpeza, é feita a eliminação de folhas de outras espécies, principalmente de plantas daninhas. Após a secagem, o peso do material é reduzido em 4 vezes, isto é de 100 quilos de folhas e flores recém-colhidas resultarão em aproximadamente 25 quilos de produto seco. A secagem deve ser feita à sombra ou em estufas com regulação de temperatura não excedendo a 40 ºC durante 24 horas. A luz solar não é aconselhável por reduzir a quantidade do óleo essencial presente no material. Porém, pode ser feita a secagem com métodos mistos, isto é, deixa-se as plantas perderem um pouco de água na sombra e depois coloca-las ao sol. Outro método é colocar as plantas em câmaras frias (o frio retira um pouco de água) e depois secar ao sol ou em secadoras.















segunda-feira, 4 de junho de 2012

Cultivo orgânico de hortaliças-condimentos - Parte III Hortelã ou Menta e Manjericão ou Alfavaca




Hortelã 


   A hortelã (Figura 1) também chamada de menta pertence a família botânica das Lamiaceae. Acredita-se que é originária da Ásia, chegando no Brasil trazida pelos colonizadores. Existem várias espécies de hortelã que podem ser cultivadas na sua casa, que apresentam propriedades muito semelhantes, principalmente no que diz respeito ao aroma. As duas espécies mais comuns são: Mentha piperita e Mentha crispa A primeira espécie tem folhas lisas e de um verde mais claro. Já a segunda espécie tem folhas verdes escuras e são crespas. Seu aroma forte e muito característico é resultado da grande concentração de mentol, princípio ativo do seu óleo essencial. As partes utilizadas da planta são as folhas e flores. São plantas herbáceas, de aproximadamente 30 cm de altura, rasteiras, com flores pequenas reunidas em espigas, de cor rosa ou lilás. As folhas são ovais e dentadas e o caule é arroxeado. O cultivo orgânico da hortelã e outras plantas medicinais e condimentares é a melhor forma de garantir as características fitoquímicas e farmacológicas do produto para o mercado. 
Figura 1. Hortelã: hortaliça-condimento e planta medicinal indicada como vermífugo 

Principais usos: a hortelã é usada em receitas culinárias de muitos países pelo mundo todo, em chás, em adorno de pratos e composição de saladas. Na comética entra nas fórmulas de dentifrícios, sabonetes, cremes de massagem e para barba, desodorantes bucais e um sem números de aplicações. Contém muitos elementos químicos de uso farmacêutico utilizados para remédios. Na medicina popular é considerada excelente para tratamento de problemas estomacais, pois é digestiva, além de ajudar no tratamento de diarréias infantís e dores abdominais. Combate azia, gastrite, cólicas e gases intestinais. Também tem ação antifúngica e antiinflamatória. Seu suco ajuda a combater vermes intestinais. Tem possibilidade de ser usada em paisagismo de áreas sem pisoteio, pois seu caráter agressivo poderia ser melhor aproveitado para substituição de gramados ao redor de árvores e pequenos bosques. Tem também o poder de ser uma planta repelente de insetos de hortaliças como pulgões e besourinhos e poderemos usar deste poder para fazer um chá repelente que não tem nenhuma propriedade tóxica para animais em geral e humanos. 

Propagação: por meio de estolões ou estacas colhidos de plantas adultas. Durante o seu crescimento, a planta desenvolve estolões, um tipo de caule que cresce rente ao solo. Deste caule, a planta emite ramos com folhas e raízes. Basta cortar um pedaço deste caule (cerca de 10cm), que tenha raízes e alguns ramos e plantá-lo, de acordo com as instruções abaixo. Para um ha são necessários 300 kg de rizomas. 

Cultivo: seu cultivo é extremamente simples. O solo não deve ser bem adubado, pois quando há muito adubo disponível para a planta, ela cresce muito e não consegue concentrar sua essência. Então, quanto menor é a planta, mais concentrada será a essência. O plantio pode ser feito o ano todo, mas a melhor época é no início da primavera. O espaçamento recomendado é de 25 x 25 cm entre as plantas. Quando o plantio for feito por meio de estolões, basta colocar o caule com as raízes rente à superfície e cobrir com uma fina camada de terra, deixando os ramos com folhas acima do solo. Logo após o plantio, as mudas devem ser protegidas do excesso de sol, pois pode queimar as folhas. Quando adultas, elas toleram tanto ambientes bastante ensolarados, quanto sombreados. Um ambiente intermediário, ou seja, sujeito a sol e sombra ao longo do dia é o ideal. Quando plantada em vaso, a terra deve ser renovada no início da primavera. Neste momento você poderá podá-la, pois suas raízes ficam bem emaranhadas. Ótima época para fazer novas mudas. A hortelã plantada junto a alfaces e outras ervas aromáticas intensifica o sabor e perfume destas e é considerada planta companheira belos benefícios descritos. O plantio da hortelã em vaso é bem simples; Não esquecer, neste caso, de colocar o vaso junto a janelas onde haja sol direto que a planta necessita. A planta é atacada por doença (ferrugem) e pragas (formigas, lagartas, vaquinha e cigarrinha). 

Colheita: A colheita pode ser feita o ano todo. Se deixada crescer livremente, sem colheita ou poda, pode se tornar uma planta invasora. Os ramos de hortelã podem ser armazenados quando secos. Para isso, você deve pendurar os galhos com as folhas voltadas para baixo, em local seco, arejado e na sombra. Quando as folhas estiverem bem secas e quebradiças, podem ser guardadas em potes fechados. 


Manjericão 

    Pertencente à família Laminaceae, há o manjericão com folhas grandes (Ocimum basilicum) e o com folhas pequenas (Ocimum minimum). O de cor verde é o mais conhecido, mas também existem plantas de folhas avermelhadas - mais raras e com mais aroma. O perfume do manjericão tampouco é uniforme: há variedades com fragrância doce, lembrando limão, cinamato (canela), cânfora, anis e cravo.O manjericão (Figura 2) ou alfavaca (Ocimum basilicum L é originário do sul da Ásia. Planta herbácea de até 1,0 m de altura, bastante ramificada, forma irregular, de folhas ovais cor verde-claro, perfumadas. Flores pequenas brancas reunidas em espigas que surgem principalmente no verão. 
Figura 2. Alfavaca(manjericão): hortaliça-condimento e planta medicinal indicada como Broncodilatador 


Principais usos: com sabor e aroma intensos, o manjericão é uma ótima sugestão para fazer toda a diferença numa receita. Usado em saladas, molhos, recheios, pizzas e em várias massas, ele dá um toque especial aos pratos e, ainda melhor, pode ser cultivado até em vasos pelo próprio consumidor.. Os frutos colhidos e secos dão excelente tempero para carnes, com acentuado sabor picante. As folhas podem ser colocadas in natura em molhos e temperos de carne ou grãos, como no brasileiríssimo feijão. Para usar como tempero, pode-se colher as folhas e secá-las sobre folhas de jornal, deixando em local arejado e sem sol direto. Também as sumidades florais poderão ser usadas secas para tempero. Colher assim que os frutos amadurecerem, deixando em local seco e sem sol, depois debulhar e guardar em recipiente fechado. Na região do Mediterrâneo, onde é presença comum na alimentação, o manjericão é plantado em beirais de janelas. Com propriedades que repelem insetos, afasta moscas e mosquitos. Mas suas belas flores também são vistas como ornamento. Conhecida por alguns como alfavaca cheirosa, essa planta com propriedade digestiva, antibiótica e anti-reumática é utilizada para tratamento de enjôos, problemas respiratórios e reumáticos e ainda como calmante dos nervos. Das folhas ainda podem ser extraídos óleos essenciais como o linalol. O produto - que também é obtido da árvore pau-rosa, espécie em extinção encontrada na floresta amazônica - serve de matéria-prima para a fabricação de perfumes e para o processo de aromatização de alimentos e bebidas. Não se sabe ao certo da sua origem, mas há indícios de que o manjericão tenha se espalhado pelo mundo a partir do Oriente Médio, norte da África e Índia. 

Propagação: Sementes ou um das produzidas a partir de estacas de ramos novos. Necessita de 1,2 kg de sementes para produzir mudas para um hectare ou 3,0 a 5,0 kg para semeadura direta, raleando após a germinação. 

Cultivo: Ambientes com muita luminosidade e chuvas regulares são os preferidos para o desenvolvimento da planta, que pode chegar a produzir por até três anos. O clima frio não agrada a todas as variedades, que podem ser determinadas pelo porte, formato da copa, tamanho e características do seu óleo essencial. As sementes devem ser germinadas no final da primavera, preferencialmente, em solos ricos em matéria orgânica e bem drenados. Recomenda-se uma adubação com esterco de gado bem curtido ou composto orgânico, quando necessário. O plantio pode ser feito no período de setembro a novembro. O espaçamento recomendado é de 0,6 x 0,25m entre as plantas. Embora seja bastante resistente, o manjericão pode ser atacado principalmente pela larva minadora, pelo bicho-mineiro e pelas doenças rhizoctoniose, fusariose e cercosporiose. 

Colheita e beneficiamento: As folhas para consumo fresco podem ser colhidas ao longo do ano, enquanto as folhas destinadas à secagem devem ser colhidas juntamente com as flores, na época de floração. As folhas podem ser colhidas quando a planta atingir cerca de 1,2 m de altura. faça o primeiro corte somente após três meses do plantio. Ele deve ser a 40 centímetros do nível do solo. Repita o processo a cada 50 ou 60 dias, ou quando observar que há uma aproximação das copas, a ponto de prejudicar as folhas mais baixas por impedir a luminosidade. Os cortes favorecem a produtividade, pois o manjericão volta a brotar e a ramificar. Em geral, isso ocorre aos 60 dias. A primeira colheita, no entanto, é indicada somente após três meses do plantio.
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