quarta-feira, 31 de outubro de 2012



   A exemplo das hortaliças-folhosas, que possui grande número de espécies, vamos dividir as hortaliças-frutos em 5 matérias a serem postadas. Nas quatro primeiras matérias vamos tratar das hortaliças-frutos pertencentes a família botânica das cucurbitáceas. O cultivo orgânico das hortaliças-frutos tomate, milho-verde e morango, já foram abordadas em matérias postadas em 01/03/2011, 05/10/2011 e 21/09/2012, respectivamente.
Figura 1. Hortaliças-frutos: melancia, melão, abóbora japonesa, abobrinha, chuchu, pepino, morango, pimentão, berinjela e tomate

Recomendações gerais para o cultivo das hortaliças-frutos (cucurbitáceas)
Influência de fatores climáticos: A temperatura é o fator mais importante para as hortaliças-frutos (moranga, abóbora, abobrinha, melancia, melão, chuchu e pepino) que pertencem a família botânica das cucurbitáceas. Em condições abaixo de 12ºC, o crescimento da planta paralisa. Não tolera geadas. As temperaturas mais adequadas para as cucurbitáceas estão entre 18 a 25ºC. A produtividade depende da eficiência da polinização feita pelas abelhas, sendo que a maior atividade está entre 28 a 30ºC. Temperaturas mais elevadas proporcionam maior número de flores masculinas, enquanto que temperaturas mais amenas e com período curto de luz estimulam maior número de flores femininas que darão origem aos frutos. Nos primeiros estádios de desenvolvimento, as plantas são exigentes em água, porque as raízes são ainda superficiais e o armazenamento de água na superfície é praticamente nulo. A deficiência de umidade, associada às temperaturas elevadas no solo ou no ar, pode provocar um déficit hídrico na planta com a conseqüente descoloração das folhas e secamento das plantas. Na fase de polinização e desenvolvimento do fruto, deve-se evitar que a umidade em excesso crie um microclima, ambiente favorável às doenças.
Escolha do local e análise do solo: Área de solos profundos, bem estruturados e drenados, que tenham topografia plana a levemente ondulada são as mais indicadas. O solo ideal é o areno-argiloso, fértil e rico em matéria orgânica. A exposição norte deverá ser a preferencial, por favorecer os aspectos de crescimento vegetativo e de ordem fitossanitária; porém tem-se observado na prática que nas exposições leste e oeste as plantas produzem mais flores femininas. Para melhoria da polinização e conseqüente maior pegamento de frutos é necessário escolher área protegidas dos ventos dominantes ou que tenham quebra-vento. Evitar o plantio em áreas onde, nos dois últimos anos, foram cultivadas outras cucurbitáceas e solanáceas. As espécies da família das cucurbitáceas desenvolvem-se melhor em solos moderadamente ácidos, com pH entre 5,5 e 6,5. Solos de textura média, com teores de argila em torno de 30 a 35% são os mais recomendados. Embora mais de 75% das raízes se encontrem na camadas superiores do solo (0-30cm), é recomendável que o solo tenha profundidade efetiva maior. A análise do solo deve ser feita com antecedência para que o técnico faça a recomendação adequada da adubação e correção da acidez do solo.
Produção de mudas: Ao invés do semeio direto no campo, recomenda-se a produção de mudas em copinhos de papel ou jornal (10 a 12cm de altura), confeccionados com o auxílio de uma lata de refrigerante ou cano de PVC e protegidas em abrigo. Este sistema diminui as perdas ou falhas no campo, melhora a uniformidade do estande e permite um melhor controle fitossanitário e manejo das plantas espontâneas. Além disso, os riscos de perdas de plantas devido ao frio excessivo (as plantas não toleram geadas), praticamente não existe, pois as mudas estariam protegidas. Confecção dos copinhos (Figuras 2, 3 e 4): corta-se uma folha de jornal, sem ser colorida, em cinco tiras, no sentido horizontal da página, com cerca de 11,5 cm de largura cada uma e enrola-se em torno de um cano de PVC (50mm) com 7 cm de comprimento. A extremidade do cilindro de papel é dobrada para dentro, de modo a formar o fundo do copinho e depois bate-se o fundo do cano para comprimir as dobras do fundo do molde. Posteriormente, enche-se o cano com o copinho de papel com o substrato e retira-se o mesmo para confecção de outros copinhos de papel. A reutilização de copos plásticos de refrigerantes descartáveis furados na parte de baixo e protegido em abrigos de plástico com substrato de boa qualidade é outra opção. Semeia-se 3 sementes por copo e realiza-se o desbaste quando as plantas apresentarem uma folha definitiva, deixando-se 2 mudas por copinho. As mudas devem ser transplantadas quando não houver risco de geadas e tiverem duas folhas e no máximo no início de surgimento da terceira folha verdadeira. No caso de copinhos de papel não há necessidade de retirar o papel, pois este se degrada facilmente.
Figura 2. Material necessário para confecção dos copinhos de papel
Figura 3. Confecção de copinho de papel jornal - início
Figura 4. Confecção de copinho de papel jornal – final
Preparo do solo e adubação: Sistema em covas em plantio direto : apresenta a vantagem de melhor proteção do solo e dos frutos, favorece a retenção de água, apresenta menor incidência de plantas espontâneas ("mato") e menor custo da lavoura. No outono semeia-se o adubo verde, que pode ser ervilhaca, aveia preta ou uma mistura de ambas. Após a floração da cobertura verde, no período de formação dos grãos, faz-se seu acamamento com rolo-faca ou roçadeira. Após preparar as covas (30 x30x15cm de profundidade), distribuir e incorporar o adubo; Sistema em faixas em cultivo mínimo : No outono semeia-se o adubo verde, que pode ser ervilhaca, aveia preta ou uma mistura de ambas. Trinta dias antes do plantio, lavrar e gradear em faixas com largura de 0,6 m. As faixas serão distanciadas umas das outras por 3m; Sistema em faixas com preparo do solo: deve ser feita uma aração profunda. Os torrões entre as faixas facilitam a fixação dos ramos pelas garras (gavinhas) evitando o dano pelo vento. Após a aração preparar apenas a faixa de plantio de mais ou menos 60 cm de largura espaçados de 3 em 3 metros. Abre-se um sulco e coloca-se o adubo orgânico, conforme análise do solo. Em geral, para solos de média fertilidade, recomenda-se preferencialmente composto orgânico ou ainda esterco de gado ou de aves curtidos, nas quantidades de 2,4 e 2 kg por metro de sulco , respectivamente, incorporados uniformemente ao solo 10 a 15 dias antes do plantio das mudas. Irrigação: quando necessária, pode ser por aspersão ou preferencialmente localizada. Adubação de cobertura: Se necessário (plantas pouco viçosas), deve ser realizada 20 dias após o transplante e/ou no início da frutificação, com base na análise do solo. Manejo de plantas espontâneas: quando necessário é recomendado realizar na época da adubação de cobertura. O manejo deve ser feito antes do desenvolvimento das ramas nas entrelinhas, através de roçadas (cultivo mínimo ou direto) ou grade no caso do terreno lavrado (sistema em faixas). Próximo às plantas usar a enxada.
Principais pragas e doenças: dentre as pragas destacam-se a broca dos frutos na fase de frutificação, vaquinhas (patriotas) no início de desenvolvimento das plantas e os pulgões. A broca perfura o fruto próximo ao botão floral, causando o apodrecimento. Manejo da broca das cucurbitáceas: para o manejo da broca recomenda-se utilizar iscas atrativas, como por exemplo, a abobrinha italiana - caserta (Figura 5) que também atrai a vaquinha – Diabrotica speciosa, especialmente, no início do desenvolvimento das plantas e, pulverizações semanais com dipel (broca), a partir do início da frutificação. No caso do uso de isca atrativa (abobrinha), recomenda-se a destruição das plantas, quando estiverem muito atacadas pela broca. Os pulgões formam colônias na parte de baixo das folhas sugando a seiva e transmitindo viroses. Manejo de vaquinhas e pulgões: recomenda-se os preparados à base de plantas tais como pimenta e cebola para o manejo de pulgões e vaquinhas. Para o manejo de pulgões, outros preparados tais como, cavalinha-do-campo, losna, confrei, samambaia, cinamomo, coentro e cravo-de-defunto também são eficientes (ver como preparar através de matérias já postadas neste blog). No manejo de vaquinhas, ainda existem as plantas que podem servir como iscas atrativas, tais como abobrinha caserta , tajujá , porongo ou cabaça). Dentre as doenças destaca-se o oídio (Figura 5), que é um fungo que desenvolve-se nas folhas, hastes e frutos das cucurbitáceas e feijão-vagem, apresentando uma formação semelhantes ao "pó de giz", espalhando-se por toda a superfície da folha. A doença é favorecida por temperaturas, entre 15 e 18ºC e, umidade relativa do ar, entre 20 e 100%. Manejo do oídio: no cultivo orgânico recomenda-se, preferencialmente, leite de vaca cru na concentração de 10 a 15%, mesmo após o início da infecção no campo ou produtos a base de enxofre (Kolossus ou Thiovit SC). Obs.: em função da maior atividade das abelhas na polinização, pela manhã, recomenda-se pulverizar, se necessário, sempre a tarde.
Figura 5. A abobrinha italiana – caserta (à esquerda) é uma boa isca atrativa da broca das cucurbitáceas e também da vaquinha. O fungo oídio que tem como principal sintoma a formação de um pó branco sobre as folhas, ataca o feijão-vagem (foto à direita) e as demais espécies da família das cucurbitáceas (melão, melancia, pepino, abóbora, abobrinha e moranga); o leite cru e fresco à 10% (1 L para 100 L de água) é eficiente no manejo desta doença, mesmo no início da infecção.
Rotação e consorciação de culturas: Esta é considerada a prática mais antiga no manejo de doenças e de pragas e continua sendo uma das mais eficientes entre os métodos culturais de controle. Os princípios de controle envolvido na rotação e consorciação de culturas são a redução ou destruição do meio que serve para multiplicação da doença e pragas e a melhoria das condições físicas, químicas e biológicas do solo. Dentre as famílias botânicas, as cucurbitáceas estão entre as que mais possuem problemas de pragas e doenças. Por isso, a rotação de culturas com espécies que não pertencem às cucurbitáceas é uma prática preventiva muito eficiente no manejo das pragas e doenças. O plantio de abóbora, moranga, abobrinha, pepino, melancia, melão e chuchu na mesma área e na mesma estação de cultivo favorece o aumento das pragas e doenças que são comuns. Também deve-se evitar o escalonamento de plantio destas espécies, pois as plantas mais velhas podem disseminar pragas e doenças para as plantas mais jovens. Outra prática recomendável para manejar as pragas e doenças das cucurbitáceas é a diversificação de cultivos que pode ser feita através da consorciação de cultivos com espécies de outras famílias botânicas. O aproveitamento de áreas, especialmente na implantação de pomares (Figura 6) é altamente recomendável para a consorciação com cucurbitáceas, pois além de cobrir o solo evitando a erosão, diminui a infestação de plantas espontâneas. Outra prática também recomendável visando a melhoria da fertilidade do solo é a consorciação das cucurbitáceas com adubos verdes de inverno; o crescimento lento das cucurbitáceas no final do inverno favorece esta consorciação, mantendo-se inicialmente no limpo as covas e as entrelinhas cobertas pelos adubos verdes. Quando os cultivos começarem a desenvolverem-se mais rapidamente (crescimento das gavinhas) faz-se a roçada ou gradagem nas entrelinhas.
Figura 6. Cultivo de moranga híbrida (abóbora japonesa ou kabotiá) em um pomar de oliveiras recém-implantado na Epagri/Estação Experimental de Urussanga

Produção própria de sementes crioulas: Na produção de hortaliças com base agroecológica recomenda-se resgatar a produção de sementes crioulas. As sementes crioulas são aquelas que foram sendo selecionadas e melhoradas pelos agricultores ao longo do tempo, segundo as suas necessidades e em função das condições de clima e de solo da sua região. Devido a essa seleção na região de cultivo, essas sementes são mais rústicas e resistentes às doenças e às pragas, além de serem de baixo custo e de fácil produção.
Na produção própria de sementes, alguns cuidados são importantes:
selecionar as plantas mais vigorosas, sadias e produtivas;
selecionar espécies e variedades adaptadas à região, ao clima e à época de semeadura/plantio;
colher as sementes na época adequada, ou seja, quando ocorrer a maturação completa;
armazenar as sementes em lugar fresco, arejado, seco e protegido da luz direta.
Um dos problemas enfrentados, especialmente pelos produtores de hortaliças, é o alto custo das sementes, principalmente de híbridos. Para algumas hortaliças propagadas por sementes, desde que sejam variedades e não-híbridos, pode-se produzir a própria semente para diminuir o custo e evitar a compra todos os anos. É impossível produzir sementes próprias de cultivares híbridas porque são obtidas do cruzamento entre os pais da cultivar que são um segredo de mercado, conhecidos apenas pelo melhorista ou pela companhia de sementes responsável pelo desenvolvimento do híbrido. Essas sementes geram plantas com enorme desuniformidade entre si em relação a velocidade de crescimento, resistência às pragas, doenças e adversidade climáticas, tamanho, formato, coloração, sabor e qualidade do produto final. Em geral, o nível de desuniformidade é tão alto que a exploração econômica da produção fica comprometida.

Colheita e beneficiamento de sementes de cucurbitáceas (cultivares ou sementes crioulas de pepino, moranga, abóboras, abobrinha, melão e melancia)

Procedimento: selecionar frutos bem formados, completamente maduros, sem defeitos e doenças. Colocar as sementes e a mucilagem (líquido placentário) em vasilhas de plástico por um período de 24 a 48 horas. Após esse período, quando ocorre a fermentação natural, deve-se lavar imediatamente as sementes em água corrente, utilizando-se uma peneira. A secagem deve ser naturalmente à sombra, revolvendo-se as mesmas para diminuir o agrupamento (empelotamento).
Beneficiamento e armazenamento: retirar as impurezas, guardar as sementes em sacos plásticos, tendo o cuidado de retirar o máximo de ar, e armazená-las em geladeira, na última gaveta da parte inferior.
Obs.: para a colheita e beneficiamento de sementes de hortaliças-frutos pertencentes à família das solanáceais (tomate, pimentão, berinjela e pimenta), recomenda-se o mesmo procedimento.









 

Ferreira On 10/31/2012 08:32:00 AM 2 comments

2 comentários:

  1. Grande Ferreira! Parabéns pelo Blog!

    Boas Festas!

    ResponderExcluir
  2. Obrigado Charles pelo incentivo!

    Desejo a você e familiares um ótimo 2013!

    ResponderExcluir

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Cultivo orgânico de hortaliças-frutos Parte I



   A exemplo das hortaliças-folhosas, que possui grande número de espécies, vamos dividir as hortaliças-frutos em 5 matérias a serem postadas. Nas quatro primeiras matérias vamos tratar das hortaliças-frutos pertencentes a família botânica das cucurbitáceas. O cultivo orgânico das hortaliças-frutos tomate, milho-verde e morango, já foram abordadas em matérias postadas em 01/03/2011, 05/10/2011 e 21/09/2012, respectivamente.
Figura 1. Hortaliças-frutos: melancia, melão, abóbora japonesa, abobrinha, chuchu, pepino, morango, pimentão, berinjela e tomate

Recomendações gerais para o cultivo das hortaliças-frutos (cucurbitáceas)
Influência de fatores climáticos: A temperatura é o fator mais importante para as hortaliças-frutos (moranga, abóbora, abobrinha, melancia, melão, chuchu e pepino) que pertencem a família botânica das cucurbitáceas. Em condições abaixo de 12ºC, o crescimento da planta paralisa. Não tolera geadas. As temperaturas mais adequadas para as cucurbitáceas estão entre 18 a 25ºC. A produtividade depende da eficiência da polinização feita pelas abelhas, sendo que a maior atividade está entre 28 a 30ºC. Temperaturas mais elevadas proporcionam maior número de flores masculinas, enquanto que temperaturas mais amenas e com período curto de luz estimulam maior número de flores femininas que darão origem aos frutos. Nos primeiros estádios de desenvolvimento, as plantas são exigentes em água, porque as raízes são ainda superficiais e o armazenamento de água na superfície é praticamente nulo. A deficiência de umidade, associada às temperaturas elevadas no solo ou no ar, pode provocar um déficit hídrico na planta com a conseqüente descoloração das folhas e secamento das plantas. Na fase de polinização e desenvolvimento do fruto, deve-se evitar que a umidade em excesso crie um microclima, ambiente favorável às doenças.
Escolha do local e análise do solo: Área de solos profundos, bem estruturados e drenados, que tenham topografia plana a levemente ondulada são as mais indicadas. O solo ideal é o areno-argiloso, fértil e rico em matéria orgânica. A exposição norte deverá ser a preferencial, por favorecer os aspectos de crescimento vegetativo e de ordem fitossanitária; porém tem-se observado na prática que nas exposições leste e oeste as plantas produzem mais flores femininas. Para melhoria da polinização e conseqüente maior pegamento de frutos é necessário escolher área protegidas dos ventos dominantes ou que tenham quebra-vento. Evitar o plantio em áreas onde, nos dois últimos anos, foram cultivadas outras cucurbitáceas e solanáceas. As espécies da família das cucurbitáceas desenvolvem-se melhor em solos moderadamente ácidos, com pH entre 5,5 e 6,5. Solos de textura média, com teores de argila em torno de 30 a 35% são os mais recomendados. Embora mais de 75% das raízes se encontrem na camadas superiores do solo (0-30cm), é recomendável que o solo tenha profundidade efetiva maior. A análise do solo deve ser feita com antecedência para que o técnico faça a recomendação adequada da adubação e correção da acidez do solo.
Produção de mudas: Ao invés do semeio direto no campo, recomenda-se a produção de mudas em copinhos de papel ou jornal (10 a 12cm de altura), confeccionados com o auxílio de uma lata de refrigerante ou cano de PVC e protegidas em abrigo. Este sistema diminui as perdas ou falhas no campo, melhora a uniformidade do estande e permite um melhor controle fitossanitário e manejo das plantas espontâneas. Além disso, os riscos de perdas de plantas devido ao frio excessivo (as plantas não toleram geadas), praticamente não existe, pois as mudas estariam protegidas. Confecção dos copinhos (Figuras 2, 3 e 4): corta-se uma folha de jornal, sem ser colorida, em cinco tiras, no sentido horizontal da página, com cerca de 11,5 cm de largura cada uma e enrola-se em torno de um cano de PVC (50mm) com 7 cm de comprimento. A extremidade do cilindro de papel é dobrada para dentro, de modo a formar o fundo do copinho e depois bate-se o fundo do cano para comprimir as dobras do fundo do molde. Posteriormente, enche-se o cano com o copinho de papel com o substrato e retira-se o mesmo para confecção de outros copinhos de papel. A reutilização de copos plásticos de refrigerantes descartáveis furados na parte de baixo e protegido em abrigos de plástico com substrato de boa qualidade é outra opção. Semeia-se 3 sementes por copo e realiza-se o desbaste quando as plantas apresentarem uma folha definitiva, deixando-se 2 mudas por copinho. As mudas devem ser transplantadas quando não houver risco de geadas e tiverem duas folhas e no máximo no início de surgimento da terceira folha verdadeira. No caso de copinhos de papel não há necessidade de retirar o papel, pois este se degrada facilmente.
Figura 2. Material necessário para confecção dos copinhos de papel
Figura 3. Confecção de copinho de papel jornal - início
Figura 4. Confecção de copinho de papel jornal – final
Preparo do solo e adubação: Sistema em covas em plantio direto : apresenta a vantagem de melhor proteção do solo e dos frutos, favorece a retenção de água, apresenta menor incidência de plantas espontâneas ("mato") e menor custo da lavoura. No outono semeia-se o adubo verde, que pode ser ervilhaca, aveia preta ou uma mistura de ambas. Após a floração da cobertura verde, no período de formação dos grãos, faz-se seu acamamento com rolo-faca ou roçadeira. Após preparar as covas (30 x30x15cm de profundidade), distribuir e incorporar o adubo; Sistema em faixas em cultivo mínimo : No outono semeia-se o adubo verde, que pode ser ervilhaca, aveia preta ou uma mistura de ambas. Trinta dias antes do plantio, lavrar e gradear em faixas com largura de 0,6 m. As faixas serão distanciadas umas das outras por 3m; Sistema em faixas com preparo do solo: deve ser feita uma aração profunda. Os torrões entre as faixas facilitam a fixação dos ramos pelas garras (gavinhas) evitando o dano pelo vento. Após a aração preparar apenas a faixa de plantio de mais ou menos 60 cm de largura espaçados de 3 em 3 metros. Abre-se um sulco e coloca-se o adubo orgânico, conforme análise do solo. Em geral, para solos de média fertilidade, recomenda-se preferencialmente composto orgânico ou ainda esterco de gado ou de aves curtidos, nas quantidades de 2,4 e 2 kg por metro de sulco , respectivamente, incorporados uniformemente ao solo 10 a 15 dias antes do plantio das mudas. Irrigação: quando necessária, pode ser por aspersão ou preferencialmente localizada. Adubação de cobertura: Se necessário (plantas pouco viçosas), deve ser realizada 20 dias após o transplante e/ou no início da frutificação, com base na análise do solo. Manejo de plantas espontâneas: quando necessário é recomendado realizar na época da adubação de cobertura. O manejo deve ser feito antes do desenvolvimento das ramas nas entrelinhas, através de roçadas (cultivo mínimo ou direto) ou grade no caso do terreno lavrado (sistema em faixas). Próximo às plantas usar a enxada.
Principais pragas e doenças: dentre as pragas destacam-se a broca dos frutos na fase de frutificação, vaquinhas (patriotas) no início de desenvolvimento das plantas e os pulgões. A broca perfura o fruto próximo ao botão floral, causando o apodrecimento. Manejo da broca das cucurbitáceas: para o manejo da broca recomenda-se utilizar iscas atrativas, como por exemplo, a abobrinha italiana - caserta (Figura 5) que também atrai a vaquinha – Diabrotica speciosa, especialmente, no início do desenvolvimento das plantas e, pulverizações semanais com dipel (broca), a partir do início da frutificação. No caso do uso de isca atrativa (abobrinha), recomenda-se a destruição das plantas, quando estiverem muito atacadas pela broca. Os pulgões formam colônias na parte de baixo das folhas sugando a seiva e transmitindo viroses. Manejo de vaquinhas e pulgões: recomenda-se os preparados à base de plantas tais como pimenta e cebola para o manejo de pulgões e vaquinhas. Para o manejo de pulgões, outros preparados tais como, cavalinha-do-campo, losna, confrei, samambaia, cinamomo, coentro e cravo-de-defunto também são eficientes (ver como preparar através de matérias já postadas neste blog). No manejo de vaquinhas, ainda existem as plantas que podem servir como iscas atrativas, tais como abobrinha caserta , tajujá , porongo ou cabaça). Dentre as doenças destaca-se o oídio (Figura 5), que é um fungo que desenvolve-se nas folhas, hastes e frutos das cucurbitáceas e feijão-vagem, apresentando uma formação semelhantes ao "pó de giz", espalhando-se por toda a superfície da folha. A doença é favorecida por temperaturas, entre 15 e 18ºC e, umidade relativa do ar, entre 20 e 100%. Manejo do oídio: no cultivo orgânico recomenda-se, preferencialmente, leite de vaca cru na concentração de 10 a 15%, mesmo após o início da infecção no campo ou produtos a base de enxofre (Kolossus ou Thiovit SC). Obs.: em função da maior atividade das abelhas na polinização, pela manhã, recomenda-se pulverizar, se necessário, sempre a tarde.
Figura 5. A abobrinha italiana – caserta (à esquerda) é uma boa isca atrativa da broca das cucurbitáceas e também da vaquinha. O fungo oídio que tem como principal sintoma a formação de um pó branco sobre as folhas, ataca o feijão-vagem (foto à direita) e as demais espécies da família das cucurbitáceas (melão, melancia, pepino, abóbora, abobrinha e moranga); o leite cru e fresco à 10% (1 L para 100 L de água) é eficiente no manejo desta doença, mesmo no início da infecção.
Rotação e consorciação de culturas: Esta é considerada a prática mais antiga no manejo de doenças e de pragas e continua sendo uma das mais eficientes entre os métodos culturais de controle. Os princípios de controle envolvido na rotação e consorciação de culturas são a redução ou destruição do meio que serve para multiplicação da doença e pragas e a melhoria das condições físicas, químicas e biológicas do solo. Dentre as famílias botânicas, as cucurbitáceas estão entre as que mais possuem problemas de pragas e doenças. Por isso, a rotação de culturas com espécies que não pertencem às cucurbitáceas é uma prática preventiva muito eficiente no manejo das pragas e doenças. O plantio de abóbora, moranga, abobrinha, pepino, melancia, melão e chuchu na mesma área e na mesma estação de cultivo favorece o aumento das pragas e doenças que são comuns. Também deve-se evitar o escalonamento de plantio destas espécies, pois as plantas mais velhas podem disseminar pragas e doenças para as plantas mais jovens. Outra prática recomendável para manejar as pragas e doenças das cucurbitáceas é a diversificação de cultivos que pode ser feita através da consorciação de cultivos com espécies de outras famílias botânicas. O aproveitamento de áreas, especialmente na implantação de pomares (Figura 6) é altamente recomendável para a consorciação com cucurbitáceas, pois além de cobrir o solo evitando a erosão, diminui a infestação de plantas espontâneas. Outra prática também recomendável visando a melhoria da fertilidade do solo é a consorciação das cucurbitáceas com adubos verdes de inverno; o crescimento lento das cucurbitáceas no final do inverno favorece esta consorciação, mantendo-se inicialmente no limpo as covas e as entrelinhas cobertas pelos adubos verdes. Quando os cultivos começarem a desenvolverem-se mais rapidamente (crescimento das gavinhas) faz-se a roçada ou gradagem nas entrelinhas.
Figura 6. Cultivo de moranga híbrida (abóbora japonesa ou kabotiá) em um pomar de oliveiras recém-implantado na Epagri/Estação Experimental de Urussanga

Produção própria de sementes crioulas: Na produção de hortaliças com base agroecológica recomenda-se resgatar a produção de sementes crioulas. As sementes crioulas são aquelas que foram sendo selecionadas e melhoradas pelos agricultores ao longo do tempo, segundo as suas necessidades e em função das condições de clima e de solo da sua região. Devido a essa seleção na região de cultivo, essas sementes são mais rústicas e resistentes às doenças e às pragas, além de serem de baixo custo e de fácil produção.
Na produção própria de sementes, alguns cuidados são importantes:
selecionar as plantas mais vigorosas, sadias e produtivas;
selecionar espécies e variedades adaptadas à região, ao clima e à época de semeadura/plantio;
colher as sementes na época adequada, ou seja, quando ocorrer a maturação completa;
armazenar as sementes em lugar fresco, arejado, seco e protegido da luz direta.
Um dos problemas enfrentados, especialmente pelos produtores de hortaliças, é o alto custo das sementes, principalmente de híbridos. Para algumas hortaliças propagadas por sementes, desde que sejam variedades e não-híbridos, pode-se produzir a própria semente para diminuir o custo e evitar a compra todos os anos. É impossível produzir sementes próprias de cultivares híbridas porque são obtidas do cruzamento entre os pais da cultivar que são um segredo de mercado, conhecidos apenas pelo melhorista ou pela companhia de sementes responsável pelo desenvolvimento do híbrido. Essas sementes geram plantas com enorme desuniformidade entre si em relação a velocidade de crescimento, resistência às pragas, doenças e adversidade climáticas, tamanho, formato, coloração, sabor e qualidade do produto final. Em geral, o nível de desuniformidade é tão alto que a exploração econômica da produção fica comprometida.

Colheita e beneficiamento de sementes de cucurbitáceas (cultivares ou sementes crioulas de pepino, moranga, abóboras, abobrinha, melão e melancia)

Procedimento: selecionar frutos bem formados, completamente maduros, sem defeitos e doenças. Colocar as sementes e a mucilagem (líquido placentário) em vasilhas de plástico por um período de 24 a 48 horas. Após esse período, quando ocorre a fermentação natural, deve-se lavar imediatamente as sementes em água corrente, utilizando-se uma peneira. A secagem deve ser naturalmente à sombra, revolvendo-se as mesmas para diminuir o agrupamento (empelotamento).
Beneficiamento e armazenamento: retirar as impurezas, guardar as sementes em sacos plásticos, tendo o cuidado de retirar o máximo de ar, e armazená-las em geladeira, na última gaveta da parte inferior.
Obs.: para a colheita e beneficiamento de sementes de hortaliças-frutos pertencentes à família das solanáceais (tomate, pimentão, berinjela e pimenta), recomenda-se o mesmo procedimento.









 

2 comentários:

  1. Grande Ferreira! Parabéns pelo Blog!

    Boas Festas!

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  2. Obrigado Charles pelo incentivo!

    Desejo a você e familiares um ótimo 2013!

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